Marcelo, o Trambiqueiro

Pode o mais alto cargo da nação vir a ser ocupado por um trapalhão cujo caminho até hoje percorrido foi sempre pleno de ziguezagues de acordo com os ventos dominantes?

Marcelo Rebelo de Sousa tem todo um passado político que atesta à saciedade a sua postura farisaica. Uma roda ao vento. Um esfomeado de poder. Um homem de coluna dúbia.

Em plena ditadura fascista, nas suas cartas aos ditadores Salazar e Caetano, assumia-se como um admirador e em relação ao último como um impostor afirmando-se irmanado no combate ao Congresso da Oposição de Aveiro em 1973.

Estendia-se como serventuário diante daquelas sinistras personagens que dirigiram a opressão e a repressão do povo português. Porquê? Porque os admirava de todo o coração, como aliás escrevia. Ou então não e passava graxa aqueles cavalheiros para fins que se adivinham.

Na Faculdade de Direito ocupada pelos gorilas para lá enviados para “pacificar” as populações nunca lhe foi conhecido um ai ou um ui.

Veio a liberdade e a democracia e Marcelo saltou para o PPD/PSD onde se guindou ao mais alto poleiro. Ficou conhecido como maquiavélico e intriguista. A rivalizar com o Paulo Portas então iniciante na corrida ao poder varrendo o CDS e desenterrando as suas iniciais para o seu “novo” partido, o PP.

Zangaram-se. Marcelo abandonou a liderança do PSD, a tempo de votar contra o SN Saúde. Teve grandes disputas com o inefável Santana Lopes. Nunca chegou a realizar o sonho de ser Presidente da Câmara de Lisboa, nem o de Primeiro-Ministro.

Quanto a Presidente da Câmara nem com uns mergulhos no Tejo lá chegou.

Quanto ao sonho de ser Primeiro-Ministro ao que consta é que ficou muito chocado por não o ter sido quando outras figuras do PSD bem menores em termos intelectuais o foram. Coisas que ele não entendeu, nem entende.

Como é timbre do sistema a todos os ex – dirigentes do PSD e alguns do PS as televisões chamaram-no para debitar postas de opiniões sobre matéria à qual tinha chumbado, como seja o de ser incapaz de ser o que queria ser na Câmara de Lisboa e em S. Bento.

Estenderam a Marcelo uma passadeira vermelha para aos fins-de-semana ir fazer de conta que era um independente e falar de tudo e de queijos da serra ou de Serpa. Sobre o que sabe e o que não sabe. É esse o serviço de um “opinador”.

Pela importância que as televisões lhe foram dando, parecia que Marcelo iria dar opiniões para que se soubesse o que nunca se saberia sem a sua sabedoria. E lá se ficava a saber o que já se sabia. E a televisão basbaque cumpria assim o dever de embasbacar ainda mais o Reino deixado por Afonso Henriques.

Defendeu a austeridade, assegurou a confiança no BES e sempre pregou a favor dos de cima contra os de baixo. Diga-se em abono da verdade que o fez com uma certa simpatia. Tinha de ser, dizia o professor.

Agora precisa do voto dos de baixo e a sua capacidade de se baixar não tem limites.

Ele vai às urgências logo que soube que morreu um cidadão que os media noticiaram, e caso houvesse mais mortes relatadas pelas televisões admitiu passar a viver nas urgências. Até final dos seus dias de campanha…

Ele vai aos Açores beber minis com pescadores.

Ele foi a uma farmácia, a uma farmácia comprar medicamentos…Quem é capaz de o fazer?

Ele entra em Casas mortuárias.

Ele faz festas a bebés rechonchudos.

Ele serve cafés em confeitarias.

Ele ajuda velhinhas a atravessar a rua.

As televisões transmitiram estes gestos heróicos do candidato que não quer propaganda, só televisões a transmitir. Quem é capaz de ir para os semáforos e simpaticamente ir ajudar velhinh@s a atravessar a rua? MRS. Só ele.

Não quer uma campanha onde se discutam ideias. No ideas; apenas afeto. Abraços e mais nada. Tudo fofo. Marcelo é um fixe. Não vai para a Casa dos Segredos; quer ir para Belém.

Ele não quer debater. Ele foge dos debates. Não são fofos. Abrem a verdade. Foge do PSD e do CDS, mas que venha o apoio…. Como Cavaco, o que indigitou Passos e indicou Costa para Primeiro- Ministro.

Marcelo faz de conta que foge da direita para chegar a Belém e continuar na senda do último íncola. É diferente, mas é igual. Proclama cooperação com António Costa. Está a fazer como Judas, como fez Cavaco que jurou cooperação a Sócrates e à primeira atirou-o borda fora.

Marcelo só quer uma coisa : ser Presidente. Até promete aprovar um orçamento que não conhece.

Marcelo sabe usar as palavras. Ele é palavreiro que nas palavras esconde as ideias. É um camaleão. Ele vai à Festa do Avante porque quer ser Presidente da República. Ele vai onde está quem o veja…se houver televisões para filmar. Se for presidente vai ter uma televisão atrás dele desde que acorda até que se deita. Vai ser um show a superar o da Teresa Guilherme. Vai rebentar uma guerra de audiências.

Marcelo não cultiva como Cavaco o tabu; Marcelo é mais para o show-off. Com ele vai ser tudo luzes em Belém; tudo frenético em torno de si próprio.

Se Marcelo for para Belém vai ser uma guerra permanente com este governo ou com qualquer governo. Marcelo não vai dar o palco a mais ninguém; o homem não vai parar. Estará em permanente agitação cosmopolita desde o futebol até ao samba no Brasil passando pelas estepes da Mongólia onde irá competir com os perdidos do mundo. E irá ao fim do mundo para ser a notícia.

Querem um trambiqueiro em Belém? Votem em Marcelo.

Há Farta

IMG_0455.JPG

 

Não são conhecidas, mesmo a partir da base de dados dos frequentadores dos reallity shows das televisões existentes, muitas pessoas que assumam o dever de revelarem que amam à farta, se bem que utilizando o verbo haver para dar conta dessa nova medida do amor.

“Amo-te muito” é bastante diferente de “Amote há farta” pela simples razão da quantidade de amor que somos levados a pensar que deve possuir a (o) enfartada(o).

Quem não conheceu amig@s que viverem apaixonados, em sobressalto febril que a paixão lhes impunha? Mas duvido que conheçam semelhante fartote de amor como o anunciado.

A confissão de quem escreveu a frase na placa que anuncia a chegada ao município de Montemor-O-Novo está provavelmente ligada à hipótese de o destinatário ali passar amiúde e saber a quem fartou com tanto amor e portanto só aparentemente é anónima.

Amote sem tracinho é bem um sinal de fartança que existe( daí o há) no pequeno grande coração cheio de amor.

Há farta; não há míngua na alma de quem alardeia o seu fartote de afeto a quem passa e satisfeit@ dê conta que afinal não foi em vão que encheu o coração do outr@ com tal abundância.

Em Montemor-O-Novo não há só uma fartura de bifanas a competir com as das Vendas novas; também há amores tão fartos que se anunciam onde geograficamente começa o concelho.

Um conselho: amem à farta mesmo que exista um h a dar mais fartura ao amor.

Agur Mister Lopetegui

Julen Lopetegui foi despedido pela direção do F.C.Porto. Há muito que muitos o pediam. Há muito que ele não o queria. Ouvia-se Lopetegui falar e sentia-se que ele acreditava, mas olhando em volta mais ninguém o seguia, especialmente os jogadores.

As ideias que ele tinha para o jogo não passavam e por melhores que fossem essas ideias, os jogadores ou as boicotavam ou não as seguiam por não serem capazes. O resultado é o mesmo. O ano passado o Porto não ganhou nada e este ano a coisa está feia…Mas ele acreditava…Era o que dizia.

Começava o jogo e às vezes havia umas tantas faíscas e se o Porto marcava  quase sempre desligava-se a iluminação e ficava tudo a andar para os lados em busca da luz.

Se levava um golo era o cabo dos trabalhos e a gente ficava a mexer na memória das vezes tantas que se começava a perder e se dava a volta, não foi Jorge Costa, João Pinto, Lima Pereira, Magalhães, Pacheco, Sousa, Deco, Moutinho, Lisandro Lopez, Lucho?; às vezes até com dez em campo…até os comíamos…a relva e a vontade de ganhar…ganhar, mesmo perdendo porque só há campeonatos pela simples razão de não haver invenciveis…felizmente!

Lopetegui herdou uma máquina que não parece ser a mesma de outros tempos, é o que parece. Um exemplo: os adeptos sentem mais a derrota que os dirigentes? Não, não digo que a direção não queira ganhar, não. Refiro-me aquela coisa que leva à revolta por se perder e sobretudo quando se podia ganhar. A paixão de ganhar. Mesmo quando já se ganhou mais que todos os outros. O hábito tanto faz o monge como se se torna uma coisa sem fibra e se estiola e se burocratiza. A burocracia não é só no Estado, nos partidos e nas empresas, também chega ao futebol.

Imaginemos os jogadores de gabarito a jogar como o treinador manda e nem sempre a vida cabe num modelo e o adversário agiganta-se e marca. Não estava nos livros os pequenos marcarem, mas marcam. Só quem se agigantar mais que os outros ganha, mesmo que os outros não sejam gigantes, mas se tenham agigantado fazendo encolher os gigantes.

Ai dos grandes que por serem tão grandes já não enfrentam os pequenos e os iguais como se fosse o último jogo das vidas de cada jogador e do FCP. Ai deles. A história será dos outros, como bem mostra o museu do FCP.

Agur( adeus em basco) Lopetegui. Boa sorte. Quem vier que traga para a superfície a força da memória e o hábito de ganhar custe o que custar. Nem que a relva seja comida…

 

Ensaio Nuclear na Coreia do Norte Contra Quem?

O ensaio nuclear (bomba de hidrogénio?) da Coreia do Norte é um novo passo do líder coreano, neto do “grande líder” e filho do “querido líder”, para aprisionar os militares ao regime envolvendo-os nesta corrida ao armamento nuclear num país onde as raízes matam a fome aos camponeses famintos.

Com mais este passo no caminho da loucura absolutista Kim Zong Un pretende apresentar-se como um grande senhor da guerra, bem sabendo que nunca será com bombas atómicas que logrará a reunificação daquele milenar país dividido artificialmente depois da guerra da Coreia.

Kim Zong Un sabe que quanto mais longe for nos seus gestos de separação da Coreia do sul mais se resguarda de qualquer alteração ao sistema de poder dinástico.

Um país que se diz socialista nunca em circunstância alguma alardearia como pergaminho a capacidade de iniciar uma guerra com os vizinhos. Pelo contrário faria das propostas de paz e reunificação o estandarte distintivo do país por comparação com o sul repleto de dezenas de milhares de soldados dos EUA. Foram estas as melhores tradições do Vietnam e de outros países cuja orientação reclamada era a do socialismo.

Um pequeno país cheio de enormes problemas agravados por catástrofes naturais que infernizam a vida da população precisa de concentrar os seus meios no melhoramento da vida do povo e no seu desenvolvimento, o que não é a marca do novo líder que parece acreditar que quantos mais ensaios nucleares fizer mais força julga que terá; vã ilusão…

Os ensaios não vão esconder nem a natureza do regime, nem o temor por todos quantos rodeiam o líder, incluindo os mais próximos.

Aprisionando os outros dirigentes ao carro da retórica belicista o líder da Coreia do norte acredita que resolve a imensidão das contradições internas. Engana-se. Está a aumentar a revolta. É da história.

Há no mundo atual outros senhores da guerra que se chocam com os ensaios nucleares da Coreia do norte, mas não os incomoda a política de Israel que ocupa contra Resoluções do próprio Conselho de Segurança da ONU territórios palestinianos e que detém a arma nuclear. Sinais do mundo onde os poderosos desenham a legalidade a seu jeito.

Quarenta e Sete Decapitações

O reino da Arábia Saudita abriu 2016 à sua maneira, com um dos símbolos da sua identidade, a nua crueldade. Como se o tempo naquele país tivesse sido cercado e deixasse de fluir, asfixiado pelo absolutismo e se vivesse ainda nos tempos da bestialidade.

Na alvorada do segundo dia de Janeiro o regime da casa Saud livrou-se de quarenta e sete opositores através de quarenta e sete decapitações.

Uma das vítimas, o Xeique Nimr Al-Nimr, de acordo com as notícias que chegam das catacumbas de um país sem tempo livre, fazia da palavra a arma contra os que não falam porque são os donos de toda a espécie de polícias virtuosas encarregadas de vigiar os que falam.

No mundo em que os homens e as mulheres podem falar há quem tenha a Arábia Saudita como parceiro de qualidade. Obama, Merkel, Hollande, Cameron e até o íncola do palácio de Belém não dispensam o Reino das decapitações e das chicotadas. O Reino em que as mulheres podem ser candidatas se os homens deixarem…

Pode a Arábia Saudita ser parceiro de uma coligação contra o Daesh quando no país leva a cabo o mesmo género de terror?

Aliás cabe perguntar onde foi o Daesh inspirar-se para pôr em prática as decapitações dos que não seguem as orientações do Califa?

A palavra que um homem pode usar para dizer o que pensa aos seus compatriotas e a partir dela formular opiniões, juízos, valores, certos ou errados como todo o ser humano é o suficiente para que a monarquia absolutista ordene que lhe seja cortada a cabeça.

A simples palavra ao sair da boca dos sauditas cria o pânico nos governantes. A palavra distingue o ser humano dos outros animais, mas os nobres sauditas não querem que os homens e mulheres falem livremente. Não suportam a ideia que cada um possa falar por sua cabeça.

O medo é tão grande que vãmente pensam que se cortarem as cabeças a quem fale livremente se veem livres das palavras. Mas não.

As quarenta e sete decapitações levadas a cabo vão provocar medo, mas a revolta também nasce do medo, assim como a coragem.

Um dia as palavras circularão livremente na Arábia Saudita e os sabres farão parte do museu dos horrores.

A Estirpe destes Cavalheiros da Desgraça

Vêm de muito longe. Houve tempos que chocaram com o poder estabelecido. Um tempo em que jogavam a honra e a vida. Custou caro afirmarem-se. Tinham em cima deles senhores feudais e reis. O crescimento de suas fortunas varreu os espartilhos da nobreza decadente. Ganharam a batalha e assenhorearam-se de riquezas imensas.

Hoje são homens, quase todos. Vestem fatos escuros e camisas resplandecentes de branco com gravata atarraxada no centro do colarinho. A estirpe destes homens impõe-lhes essa divindade que é a gravata. Alguns deles dormem com as gravatas. Em fantasias.

Do alto da sua frieza de marca são os donos disto. E daquilo. Outros pelo andar do tempo serão mais donos disto que os de cá.

São homens com seis letras H-O-M-E-N-S. Mas se bem se reparar têm milhares de letras de crédito.

Todos têm como limite não apenas isto e aquilo, mas o tudo. Tudo é o último limite destes homens que não hesitam em engolir os seus irmãos para se alcandorarem ao mais alto poder.

Aliás é tudo uma questão de força, de poder porque o poder pode e quem pode manda. Gabaram-se de serem exímios gestores, capazes de se tornarem ricos e fortes e de darem dinheiro a quem arriscasse. Logo os gabaram, sobretudo os que deles dependiam.

Homens graves, como os fatos. Tonitruantes sem elevarem a voz. Apenas as ações cotadas em Bolsa sobem ou baixam. Homens benditos, católicos todos os dias, os deste lado do mundo, mesmo quando desbastam rendimentos de centenas de milhares de néscios que acreditaram neles.

Expeditos na sua ladinice estão presentes em todas as campanhas para escolher os representantes do povo, sobretudo apoiando os que vão ganhar, outras vezes os que vão perder pela simples razão de constatarem que quem perde pode ganhar e é bom construir o futuro desde cedo.

Prefeririam até que os vocacionados para governar ganhassem em conjunto a fim de impedir surpresas desagradáveis, pois às vezes o povo que “aguenta-aguenta” não aguenta e é um sarilho quando mete as mãos no futuro e puxa as rédeas a seu sabor…

Muitos destes homens ostentam comendas e outras condecorações. O poder político não prescinde deles e até se dá o caso de irem em auxílio uns dos outros; dito de outro modo os banqueiros ajudam a colocar no poder certos políticos e estes, por sua vez, não hesitam e vão diligentes em socorro, com o dinheiro de todos, entregando-o aos “aflitos” para cobrir imparidades e prejuízos.

Sentem o seu poderio de tal modo que deixaram para trás tudo o que os distinguiu há centenas de anos: a honra e a vergonha da má fama.

No mundo dos famosos e das coisas dos famosos onde se veem e reveem metalizados e dourados são olhados pela basbaquice dos concidadãos.

Hoje alguns deles, na gula insaciável, indo muito para além de uma gestão com o mínimo de rigor, implodiram e confundindo deliberadamente as suas culpas dolosas com a missão a que se destinavam e traíram, exigem que sejam os cidadãos a pagar os seus desmandos.

Do alto da sua arrogância e da sua frieza beneficiam de um poder político-judicial capaz de condenar a mais de uma dezena de anos um burlão, mas que ainda não foi capaz de condenar um destes impantes cavalheiros.

Vestidos de escuros e de camisas brancas resplandecentes e de gravata atarraxada no centro do colarinho estes senhores estão mostrando ao país o que verdadeiramente são na atualidade, um bando de predadores orientados a destruírem a riqueza produzido pelos portugueses a quem os seus serventuários Cavaco, Portas, Maria Luís e Carlos Costa condenaram à austeridade.

São cavalheiros que congeminaram que a democracia era uma espécie de manjedoura onde se podiam saciar à exaustão. E estão a morrer de congestão. O mal é que a sua morte leva a que outros da mesma estirpe se apoderem dos restos e o Estado aguente as tais imparidades e os tais prejuízos.

Quem os viu e quem os vê. Quem pode confiar nos cavalheiros para além do Dr Cavaco, do Dr Passos, do Dr Portas e Cª e todos os Catums, Guilhermes e Cª?

O reino destes homens de escuro tresanda a vigarice. São uns salafrários.

Pode a Morte Vencer a Vida?

As guerras têm como objetivo matar a maior quantidade de pessoas ou destruir o máximo possível do outro.

Quando  alguém mata há vidas que se vão e algo que morre dentro de quem mata. Destrava-se o travão que há em todos os seres humanos para não matar. E morre a coragem de não matar. Passa a viver dentro do que foi educado para não matar a pulsão sem controlo para matar. Quando se perde esse travão a morte passa a vencer a vida.

Todas as balas, bombas e obuses que os EUA despejaram no Iraque quando o invadiram para derrubar Saddam Hussein mataram muitas dezenas de milhares de pessoas, sendo que a esmagadora maioria delas nada tinha a ver com Saddam. Estavam em suas casas, na rua, no café, no talho, na mesquita, algures. E do alto do céu, como chuva, chegou a morte.

Outras vezes chegou das armas de quem assaltava as casas à procura de inimigos que eram quase todos e quase ninguém.

Segundo algumas fontes mais de meio milhão de mortos; segundo fontes próximas do Reino Unido e EUA cento e quinze mil mortos.

São muitas dezenas de milhares de pessoas que foram mortas por serem iraquianas. Muitos por serem soldados de Hussein, outro(a)s por serem iraquiano(a)s. George W. Bush festejou o enforcamento de Saddam Hussein que era também um ser humano e um crente como ele.

De tanto matarem os americanos e os ingleses tornaram a morte em Bagdad , em Faluja, em Tikrit, em Bassorá, uma coisa normal. O cheiro a morte tornou-se uma espécie de respiração.

Os iraquianos e os muçulmanos também morreram com aqueles mortos e de entre muitos dos que não morreram a cegueira tomou conta das suas vidas a pontos de elas deixarem de ter valor ou passarem apenas a ter o valor de um instrumento para chegarem ao paraíso se matassem os que são da mesma raça dos que mataram antes.

Afinal o ditador era ditador como tantos outros que há no mundo e que vão à Casa Branca cheio de honras; alguns, vizinhos de Bagdad e de Damasco. E nem sequer tinha as armas que juraram que tinham e que foram vistas por gente “insuspeita”…

Seguiram-se outras carnificinas umas diárias na Palestina; outras a conta-gotas, derrubando e assassinando Kadafi e no Iemen enchendo o país de mortos com as armas do Ocidente nas mãos dos sauditas.

Uma vez mais a morte a ser a rainha da vida. Sempre os aviões carregados de metralha a deixar todo o espaço para os abutres que se apoderavam e levavam a cabo a razia que vem do mais antigo da maldade humana.

Antes destas desgraças não haveria felicidade, mas havia uma esperança que a vida pudesse mudar entre eles todos- iraquianos, líbios, sírios, iemenitas, tunisinos…

O certo é que tanta morte puxou a morte para cima da vida e a vida transformou-se num corrupio de mortes, um pouco por todo o lado.

Os fanáticos da morte, os que se diziam superiores em civilização, desencantaram a morte e foram de encontro a esse desígnio de todos os que desprezam a vida.

Os mortos de Kandahar, de Belém, de Gaza, de Faluja, de Alepo, de Bagdad, de Cabul, de Sitre, de Tripoli, de Tunis, de Aden, de Raca, de Palmira, são de gente como toda a gente que é gente. Um cemitério sem fim de mortes.

O judeu que matou Isac Rabin era branco. E os franceses que mataram no Bataclan eram cidadãos da República francesa. E o norueguês que não se cansou de matar jovens numa ilha daquele país era tão europeu como foi Hitler.

Os massacres de Paris são pura e simplesmente horríveis por terem assassinado gente que desfrutava a vida no Stade de France, no Bataclan ou num restaurante.

Como todos os inocentes de Faluja, de Bagadad, de Gaza, de Tunis, de Damasco, de Tripoli, de Aden…. E parece que não.

Os que ordenaram os ataques e as invasões não choraram por aqueles seres humanos mortos que iam a passar quando caiu o obus e a bomba ou quando rezavam na mesquita, ou quando se divertiam a beber o chá de menta, ou quando viram as portas de suas casas arrombadas e mortos os familiares suspeitos de não quererem os americanos e os ingleses a ocupar a sua terra como não quereriam os ingleses e os americanos.

Há mortos e mortos, tal não impede que os mortos inocentes não reclamem do mais fundo dos vivos a normalidade de matar como os que mataram. A Humanidade está a habituar-se a matar, quando a guerra já foi proibida na Carta da ONU.

Matar tem de ser a coisa mais horrível; só em legítima defesa. Só diante da agressão iminente. Só. E não porque naquela terra há riqueza e um pretexto.

Imaginamos a dor dos franceses. Deve ser terrível. Seguramente. Em Tunis estava uma compatriota nossa que foi traiçoeiramente assassinada e em Paris também.

Nas cidades do Iraque, do Iemen, da Líbia, da Palestina, da Tunísia, de Israel, da Síria há dezenas de milhares de pessoas inocentes mortas. Que ninguém esqueça as de Paris, Copenhaga, Bruxelas, Londres, Nova Iorque e as de todo o mundo muçulmano. Diante de deus, seja ele qual for,  essas pessoas são todas irmãs e aos olhos da Humanidade são todas iguais, mesmo que não pareça. Que o travão trave a mais terrível pulsão dos humanos. Que a morte não vença a vida.

CAVACO – PRAGMATICAMENTE SUBMISSO AOS MERCADOS

 

Vai ser assim até ao último segundo do seu mandato, amarrado como uma lapa à ideologia neoliberal.

Ontem dia 22 Cavaco Silva alegou no Conselho de Diáspora que …” em matéria da governação, a realidade acabara sempre por derrotar a ideologia”… o que domina na zona euro é … “o pragmatismo…”

O autor de semelhante afirmação defende que o pragmatismo não é uma ideologia, um conjunto de ideias, de convicções que fundam um certo modo de governar.

O PR defende que na zona euro não há ideologia e que, portanto, a austeridade não se funda num conjunto de ideias e de princípios que visam impor aos povos sacrifícios para que o sacrossanto mercado financeiro não estoire, mesmo que estoirem os cidadãos.

As ideias e princípios que se fundam na liquidação do Estado social ou na sua severa limitação e na entrega aos privados das riquezas nacionais é um dos pilares ideológicos do neoliberalismo.

Estes ideólogos do neoliberalismo não têm coragem de chamar ao seu sistema de pensamento e ação uma ideologia.

E não o fazem porque a ideologia que professam funda-se na ideia que não há alternativa ao neoliberalismo. Defendem que sendo o único sistema de governo não lugar para a discussão ideológica…

Foi com Passos e com Portas que já se foram… É com Cavaco que se vai… Ou se aceita este cardápio de Berlim ou fora da Europa (zona euro) porque esta é a governação “sem ideologia”, ao serviço daquele conjunto de ideias, convicções e princípios que conduziram a este deplorável estado de coisas e que são a base da ideologia neoliberal.

Estas ideias de Cavaco são parte integrante da ideologia dominante, a da submissão de tudo e todos ao sistema financeiro, mesmo quando em Portugal “pragmaticamente” falando só sobrevive graças ao Estado.

Até ao último segundo Cavaco homem com convicções e princípios de que tudo se deve submeter aos mercados e seus valores vai continuar a esconder esta ideologia e a calcar a Constituição da República que jurou defender.Como uma lapa agarrado ao penedo do neoliberalismo.

domingos lopes

Banif – Os Mesmos de Sempre a pagar o Desvario

Quem bem reparar não poderá dizer que Cavaco Silva não levante a sua voz para defender o sistema bancário em contraponto com a melhoria das condições de vida dos portugueses.

O sistema bancário entregue a alguns banqueiros sem um pingo de dignidade, vivendo muito acima das suas possibilidades, reclamando sempre sacrifícios para a maioria e maiores benesses do Estado, merece permanentemente do Prof. Cavaco Silva os maiores encómios e avisos para que as autoridades governamentais atuem com todo o cuidado para não os assustar. Ainda na semana passada no distrito de Aveiro Cavaco benzeu o sistema bancário.

Que ninguém  esqueça o terrorismo político de Passos e Portas contra os portugueses esmifrando-os para entregar parte dos seus rendimentos ao sistema bancário, punindo-os com cortes e mais cortes, até nos feriados, com ataques ao SNS, à Escola Pública, à Justiça, a tudo que é a base do Estado Social.

BPN, BES, Millennium e agora o BANIF rebentariam pelas costuras devido à gestão absolutamente irresponsável dos seus “notáveis gestores” que de negociata em negociata contribuíram substancialmente também para arruinar a economia nacional.

Há poucos dias em uníssono com Cavaco, Luís Amaral, Presidente do Conselho de Administração do BANIF alertava para o perigo de não prosseguir a política de empobrecimento, e reclamava contra aumentos…

O despautério de quem, em nome da iniciativa privada, quer viver à custa dos portugueses passando-lhes a conta do desvario.

Entretanto os homens certos estão nos lugares certos e Carlos Costa continua a fazer de conta que supervisiona…

Os bancos serão demasiado grandes para rebentar e os portugueses, com rendimentos tão pequenos, poderão aceitar terem de ser sempre eles a pagar os desmandos dos bancos?

No fundo, bem no fundo o problema é simples: os bancos foram feitos para quê? Para fazerem o que quiserem, como donos disto, que o Estado (que abominam) virá em seu socorro impondo aos cidadãos o pagamento dos desmandos dos banqueiros?

Os bancos fazem falta, sem dúvida, mas para promoverem o crescimento da economia ao contrário do que está a suceder.

Passos, Portas, M. Luís e tutti quanti deixaram o Banif apodrecer para não levantar ondas cá e em Bruxelas. Os fundamentalistas do rigor estão cada vez mais desmascarados: o rigor era só para a população; para os banqueiros chorudos fundos pagos por todos os portugueses. A bem da santa banca.

Marcelo e Cavaco – Semelhanças e Diferenças

Sejamos claros. Os homens são iguais e são diferentes. São iguais naquele impulso de arrebatamento pelas autoridades que comandaram o país até ao 25 de Abril de 1974.

Um mais traquinas. Outro mais raposão. Um mais vistoso. Outro mais circunspecto. Um mais balseiro. Outro com o ar de que seu doutoramento em York é qualquer coisa de extraordinária. Um mais dado ao show. Outro com a tendência de que o país depende de um sinal de S. Bento (quando era 1º) ou de Belém onde faz de conta que é o presidente de todos os portugueses.

Um mais arrebatado que se lança ao rio e que bebe minis com a arraia- miúda.

Outro a armar a desportista a subir o coqueiro em S. Tomé deixando aflita a Maria, não fosse o país perder o salvador.

Um mais frenético, não para de ler, de ensinar, de corrigir, de comentar, de falar, de ir ao futebol, de estar onde é bom estar, desde que se veja.

Outro morde pela calada.

Um mais dado a congeminar, mas querendo que se saiba que domina a arte da congeminação.

Outro mais de agradar a quem tem mando cá, mas sobretudo lá, fazendo dessa submissão a sua postura altaneira.

Um mais ao sabor das modas, mais surfista.

Outro mais velhaco; coleciona amigos em lugares chave e quando depois de o servirem e se servirem à grande à alemã, deixa-os cair e sacode a caspa do casaco.

Ambos espertalhões: que ninguém se esqueça da jura de Cavaco a pés firmes à cooperação estratégica com o governo de José Sócrates quando este teve maioria absoluta; que todos se lembrem dos elogios de Marcelo ao atual governo.

Cavaco era e é um raposo da política.

Marcelo um especialista em movimentar-se na crista das ondas.

Ambos uns figurões capazes de tudo para se alcandorarem ao mais elevado cargo da República.