ITE, MISSA EST

As narrativas acerca da guerra na Ucrânia vão fazendo o  já longo caminho no mundo ocidental. Alteram ao sabor das justificações para a manutenção do suporte por parte do Ocidente, bem escorado no apoio dos EUA, sem o qual não seria possível à Ucrânia continuar a enfrentar a Rússia.

Com base na decisão da NATO/EUA/UE de admitir a entrada da Ucrânia na NATO, fechando o anel que cerca a Rússia depois da entrada de todos os outros países ditos socialistas para a NATO, a Rússia invadiu a Ucrânia exigindo a manutenção daquele país como neutral e uma nova arquitetura de Segurança Europeia, a concretizar entre a Rússia e NATO/EUA. Por muito menos, como foi o caso da colocação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, o mundo esteve à beira da 3ª guerra mundial.

Acerca da entrada da Ucrânia para a NATO, a narrativa ocidental era a de que a decisão cabia exclusivamente à Ucrânia. Em Cuba ou na Venezuela já não cabia àqueles países agirem de acordo com as suas decisões soberanas.

Havia a ilusão ocidental de que as pesadas sanções económicas impostas à Rússia derrotariam aquele país e lavá-lo-iam à ruína e à fragmentação, na linha da velha aspiração estadunidense de que Zbigniew  Brzezinski expôs o seu pensamento no livro “O grande tabuleiro de xadrez”, considerando que os EUA jogavam na Eurásia a sua hegemonia mundial. Ora, a Ucrânia desempenha a este nível o papel de charneira, até na programada passagem da iniciativa chinesa, Road and Belt, e ao mesmo tempo, poderia com o apoio ocidental e as sanções económicas fomentar a partilha da Rússia em vários Estados, eliminando para os EUA e o Ocidente a competição com o maior país do mundo.

 A narrativa segundo a qual os EUA estão a desligar-se da Ucrânia é desmentida a cada minuto em todas as operações militares da Ucrânia. O que aconteceu foi os EUA reclamarem à UE o pagamento dos gastos militares. E compras de armamento. Os europeus da NATO atualmente capitaneados pelo mequetrefe Mark Rutte aceitam, contentes da vida, e assim continuam a dar provas de vida atacando reformas, pensões, serviços de saúde, ensino público para fazerem frente às despesas com o apoio à Ucrânia. Por isso, Merz e a coligação com o SPD tem sido arrasada nas eleições regionais.

Em Portugal, o Dr. Bravo manipulou números, escondeu dados na tentativa de tirar aos cidadãos as suas reformas e entregá-las à gestão de Fundos privados, cuja arte é jogar na economia de casino, sendo que está destinado a perder os que descontaram e a ganhar os obscuros donos dos Fundos cujo fundo são as reformas dos portugueses. Os mesmos ditos liberais e outros que tais já procuram novas vias. Os caminhos da militarização ocidental também passam por aqui.

A narrativa mudou, entretanto, com a falência (até à data) das sanções. Surgiu a do apoio necessário ao longo do tempo que fosse preciso, o famoso as long as it takes. Stoltenberg, sendo o norueguês, ex-Secretário-Geral da NATO, o mais intrépido narrador…. Depois veio a da grande   contraofensiva ucraniana em 2023 que finalmente correria com os russos para a Rússia. 

Não obstante todo o apoio ocidental que levou a Ucrânia a utilizar tudo o que de mais sofisticado o Ocidente tem (à exceção de armas nucleares e Tomawaks), a narrativa mudou para obrigar Putin a negociar. Para o conseguir lançou a enorme operação de 40 dias de milhares de drones e que consistiu em atacar a Rússia na profundidade do seu território atacando centro nevrálgicos de logística e energia. A partir desta ofensiva, segundo, Zelenski, Putin ver-se-ia obrigado a negociar. Entretanto, nos intervalos destas várias narrativas mantinha-se a de que a fraqueza da Rússia é tão grande que ao longo de quase cinco anos não conseguiu conquistar o Dombass…mas estaria pronta para atacar a Europa e, segundo Mertz, até 2030 a guerra será inevitável e a Alemanha terá então o maior exército europeu ocidental. Em parte, esta narrativa explica os desastrosos resultados eleitorais da CDU…  E a necessidade de defender uma solução diplomática para o conflito bélico.

 Em 2022 todos queriam a guerra para obterem objetivos totalmente diferentes. A Rússia impedir a entrada da Ucrânia na NATO; os EUA/UE/NATO/Ucrânia a fragmentação da Rússia e a criação de vários novos Estados; a Ucrânia um novo papel preponderante na Europa. E agora parece que todos continuam nas mesmas posições: a Rússia até à derrota da Ucrânia; os EUA já conseguiram separar a Rússia da Europa, substituindo a Rússia no fornecimento de hidrocarbonetos a preços cinco vezes mais elevados “apoderar-se” da UE em termos estratégicos. A UE, sem rumo, a justificar o apoio, pagando as despesas da guerra com o dinheiro dos europeus, esperando desesperadamente algo que só Kallas, Ursula e Costa acreditam; a Ucrânia de Zelenski quer que a guerra continue para continuar como Presidente e safar-se de o que se não safam os seus colaboradores diretos, presos ou perseguidos por corrupção, incluindo o próprio Procurador-Geral. Tudo bons rapazes.

Assim vão as narrativas. Tudo contra a Rússia e tudo a favor do genocídio palestiniano e da guerra contra o Irão. Ite, missa est, dizia-se.

O TERRORISMO, A FDLPALESTINA E A FESTA DO AVANTE

Como se sabe (às vezes não dá jeito ter presente) ao longo da História os que foram apelidados de terroristas acabaram no poder.  Cristo foi crucificado por ser considerado um subversivo. Hoje está no coração de milhares de milhões de cidadãos. Espartaco, o escravo que liderou a luta pela libertação do esclavagismo, foi considerado terrorista pelo Império romano e crucificado.  O indiano Mahatma Gandi, o apóstolo da não-violência, era um terrorista para a monarquia britânica. Nelson Mandela era considerado pelo regime sangrento do apartheid terrorista e esteve preso 27 anos. Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane e Samora Machel eram considerados pelo fascismo português terroristas. Assim como os dirigentes da FNL da Argélia eram igualmente tidos como terroristas pelos colonialistas franceses. Os independentistas do futuro EUA eram terroristas para o Império britânico. Os exemplos encheriam páginas e páginas.

Um Estado que ocupa o território de outro país legitima a luta político-militar contra essa ocupação. Por isso, os lusitanos se bateram com tudo o que tinham à mão contra o império romano. Por isso, os portugueses pegaram em armas para expulsar os franceses durante as invasões napoleónicas. Por isso, o direito internacional considera legal a luta de libertação nacional contra a ocupação.

Israel é um Estado fora da lei que ocupa contra Resoluções do Conselho de Segurança da ONU territórios palestinianos, Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Leste. Contra esta ocupação o povo palestiniano através de ampla frente, a OLP, combate a ocupação colonial sionista. A OLP englobou a Fatah, a FDLP, a FDLP entre outras. Granjeou um enorme prestígio e para a combater, Israel e a CIA criaram o Hamas, fornecendo-lhe armas e tudo o que consideraram importante para minimizar o apoio dos palestinianos a Yasser Arafat e à OLP.

Pode discutir-se as formas de luta, mas não se pode esconder o sol com a peneira, Israel pratica o pior terrorismo, o terrorismo de Estado. Por isso está cometendo um genocídio dos palestinianos em Gaza, 73 000 mortos, dos quais 20 000 crianças. Este é o terrorismo sionista que tem o apoio dos EUA e UE, (exceção de Sanchez) tal como o regime do apartheid teve.

A alegação de que a FDLP é uma organização terrorista, com quem tive múltiplos encontros em Lisboa, e por todo o mundo, mostra a vergonha da hipocrisia ocidental. A FDLP luta contra a ocupação israelita e é justo, legítimo e legal que a uma ocupação armada se lute com armas, como toda a gente sabe.

Quando um partido tem relações com outros partidos não quer dizer que esteja de acordo com todas as políticas do convidado. Porém, um país quase milenar, como Portugal, não pode curvar-se diante dos mandões ocidentais que criaram toda a espécie de terroristas desde os talibans, à Al Qaeda e ao islamista no poder na Síria que lutou com armas contra as organizações patrióticas do Médio-Oriente e foi posto na presidência pelo Sultão Erdogan e o decadente imperador de Washington.

A eventual recusa a dar visto a uma delegação da FDLP é um ato inamistoso para com o povo palestiniano e uma vergonhosa submissão aos interesses das potências ocidentais dominantes que em data não muito distante irão ter relações diplomáticas com um Estado palestiniano livre e independente porque em 2026, apesar de todas as dificuldades, os povos, submetidos a uma ocupação estrangeira, em luta, acabarão por vencer, como vimos em Timor-Leste e noutros países, designadamente em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo-Verde, S.Tomé e Príncipe.

Claro que os sionistas farão toda a chantagem para que ativistas palestinianos não noticiam os crimes do terrorismo de Estado dos dirigentes israelitas que abrem garrafas de champanhe pela aprovação da lei que prevê o enforcamento dos combatentes palestinianos ou pela construção de uma prisão para palestinianos com uma cerca cheia de crocodilos para impedir fugas. A loucura naquele país atingiu tal nível que um tribunal impediu a instalação dos crocodilos porque são uma espécie em perigo…

O Portugal democrático deve ter voz própria para que os portugueses possam ter acesso às mais diferentes posições em confronto no território ocupado da Palestina pelas tropas de Netanyahu. Com toda a tranquilidade.

O terrorismo, a FDLPalestina e a Festa do Avante! | Opinião | PÚBLICO

Os olhos verdes da alma de minha mãe

A minha mãe, Conceição Pascoal, se fosse viva, fazia, hoje, anos. Mas, como se sabe, quando se morre, deixa de se fazer anos. Diz-se, que dos mortos, fica a alma; que não tem idade porque não morre.

O “seja pela alma dos seus” deve ter a ver com a tal imortalidade. Em conclusão, as almas, não morrem; andam por aí, muito quietinhas e ninguém as vê. Coisas das almas.  Até hoje, que se saiba, nenhuma foi vista. Com este calor, devem estar à sombrinha, que na rua ninguém pode estar.

Se, por acaso, alguém vir a alma de minha mãe( tem olhos verdes) telefone-me s.f.f.

QUE NINGUÉM ESQUEÇA HIROSHIMA E NAGASAKI

Há oitenta e um anos os EUA, por ordem do Presidente Harry Truman, bombardearam Hiroshima, e três dias depois a cidade de Nagasaki. Morreram cerca de 250 000 civis; havia alguns militares em Hiroshima.

Como o mundo parece andar de pernas para o ar, importa sublinhar que os EUA foi o único até hoje a usar as armas nucleares. Para que conste e fique registado.

Os EUA é um país programado para fazer guerras de domínio e daí as suas 782 bases militares. No Japão depois do massacre e suprema humilhação têm atualmente  30 000 militares que respondem, mesmo no Japão, perante a leis dos EUA e nunca do Japão. Mesmo sem Trump, este foi o rosto liberal dos EUA. Que não se esqueça.

Os coitadinhos dos crocodilos e os terríveis palestinianos

A prisão de Ketziog no deserto Neguev

Como era conhecido, o governo de Israel por via do ministro Bem-Gvir, o homem que rejubilou quando o parlamento israelita aprovou a pena de morte para os palestinianos, ordenou a construção de fossos em torno da prisão para palestinianos de Ketziot no deserto Neguev. De acordo com o projeto seriam instalados nos fossos crocodilos-do-Nilo, o que de acordo com estas almas, aliás, obedecendo aos mais altos valores ocidentais, impediria qualquer fuga de qualquer prisioneiro e, em simultâneo, o Estado sionista pouparia uns tostões, sem pagar a guardas menos eficientes.

Dada os elevados padrões morais e civilizacionais da comunidade sionista de Israel uma ONG “Deixem os animais livres” intentou uma providência cautelar, a qual o juiz do Tribunal Distrital de Jerusalém deu provimento fundado nos danos que os crocodilos podiam sofrer e que a ministra do Ambiente tinha passado de animais de espécie protegida para animais em cuidado, a fim de zelarem pela segurança dos presos.

Claro que os crocodilos-do-Nilo não têm a menor responsabilidade pela total falta de humanidade do governo de Netanyahu, comportando-se como os nazis contra os judeus.

Os animais racionais encarcerados, torturados, humilhados na sua pátria não valem o dano que um crocodilo possa sofrer, em caso de fuga de um terrível palestiniano.

Como é possível um povo tão perseguido e oprimido permitir que se pratiquem estas brutais maldades aos presos políticos palestinianos? E como é possível que os dirigentes da UE mantenham o seu apoio a esta estirpe de gente malvada? Não é António Costa? Já telefonou a Pedro Sanchez ou também acha que Ceuta faz parte de Shengen?

A grandeza de Visconti, a decadência do Rei Luís da Baviera e a Europa dos nossos dias

Passou no Nimas na retrospetiva de Luchino Visconti durante quatro horas, Luís da Baviera uma obra-prima cinematográfica. Quatro horas de puro deleite.

Visconti, um artista fascinado pelos processos de decadência humana e social consegue fazer os espectadores não só aproximarem-se das múltiplas contradições das personagens do mundo da mais alta aristocracia da Baviera, Áustria e Prússia como a partir dos intricados problemas psicológicos conduzi-los aos problemas de Estado da Baviera do Rei Ludwig e ainda das monarquias daquela parte da Europa.

O entorno, quase sempre, crepuscular, notívago e rodeado de neve, lagos e a florestas cerca quem o vê. Quando passa do exterior para o interior das sumptuosas residências, dos austeros ou quase infantis palácios e dos castelos a raiar as fábulas no plano da excentricidade, Visconti aproxima-nos também, por esta via, da alma de Ludwig, das suas complexidades, dos seus devaneios, da sua fé católica e da sua incapacidade para encarar a sua homossexualidade.

Os planos em que Ludwig é filmado em muitas cenas, só pela movimentação da câmara, torna-se numa personagem que carrega uma desgraça, um abismo. Ficamos a perceber que vai acabar mal. A pose real entra em total incongruência com aquilo que a câmara nos transmite sem palavras.

A decadência de Ludwig vive em simultâneo com a decadência das monarquias europeias entrelaçadas por múltiplos casamentos dentro de si.

Depois Visconti descreve com os planos da câmara, sem o dizer, a solidão de Ludwig, que talvez não fosse só sua, mas também de grande parte da alta nobreza. Aqui surge espantosamente bela, determinada a viver a sua vida, já longe dos seus problemas matrimoniais, a princesa Elisabeth, Sissi, a Imperatriz da Áustria, representada pela belíssima Romy Schneider, capaz de se adaptar à vida que Ludwig jamais se adaptará.

Neste mundo, à parte do mundo real, tal como acontecia na coorte de Maria Antonieta, tão bem retratado no livro de Stefan Zweig, Maria Antonieta, onde as realezas se perdiam dentro dos seus privilégios, faz lembrar a nova Europa dos nossos dias.

Perdida de si própria, dos seus múltiplos Estados espremidos no torniquete financeiro e militarista em que se transformou a UE, vive os seus dias entre regulamentos e resmas de papel, fechada num mundo que não corresponde à realidade atual no continente e no mundo, pregando os valores que não respeita, a riqueza que não tem e a pobreza dos povos como consolação para justificar a financeirização e o militarismo.

A UE liderada por políticos desligados das realidades de cada país, propugnando soluções para todos como se cada estivesse no mesmo plano dos que decidem, caminha, tal como noutras circunstâncias históricas, para a decadência. O mundo de Ursula/Costa/Kallas está tão longe dos europeus, como o de Ludwig na Baviera no final do século XIX.

Os diversos retratos de decadência que Visconti nos passou ajuda-nos a compreender esses processos na atualidade. Basta olhar para a “nobreza” de Bruxelas e para o imperador Trump e o seu engraxador Rutte. Que mil Viscontis desabrochem! E que o peso das armas não se sobreponha à leveza da cultura.

 O alerta das forcas feito pelo bilionário estadunidense Nick Hanauer

Olhando para as equipas que ultimamente dirigiram os EUA, uma pergunta impõe-se: o que está a acontecer naquele país para que as últimas Administrações sejam tão incapazes e vivam tão fora da realidade; o que deixou de funcionar e se transformou nesta verdadeira distopia?    

George W. Bush dizia que falava com Deus e ordenou a invasão do Iraque. Biden estava senil, não era só dorminhoco. Trump não será dorminhoco, mas não aguenta ouvir um discurso com mais de cinco minutos e segundo o prestigiado jornal espanhol El Pays só ouve (não lê) notícias que o não critiquem.

Rodeou-se de uma equipa onde impera a mais pura irracionalidade, mesmo podendo de certo modo, face ao desvario ideológico, ser racional.

JD Vance afirma com toda a sua convicção que existem OVNIS e que são a prova da existência do Diabo.

Rubio um emigrante cubano, tal como os padecentes da síndrome de Estocolmo, lança campanhas contra os emigrantes latino americanos, ele filho de uma família pobre. Faz lembrar novos-ricos provenientes de famílias trabalhadoras que escondiam os progenitores.

Hegeset, o autointitulado Ministro da Guerra, anda preocupado com os níveis de testosterona dos militares com mais de trinta anos e ordenou aos serviços médicos a administração de testosterona a quem a não tivesse nos níveis adequados.

Trump chegou a Ancara para a Cimeira da NATO a espingardear com quase todos os dirigentes dos países da UE. Aliás, disse que se a Cimeira não fosse na Ásia não tinha ido. Mark Rutte, caixeiro dos EUA, aconselhou cinco minutos a cada dirigente para não aborrecer Polifemo. No final, depois de todos os insultos concluiu que os líderes europeus o amam. Que remédio…é uma questão de encaixe.

Quem neste mundo pode confiar um segundo que seja no que Trump afirma, incluindo os aliados? Aqui bate o ponto, no plano institucional da política de Estado, nas relações internacionais a confiança entre os dirigentes dos diferentes países é um dado de suprema importância. Não se trata de estar de acordo,  mas aquilo que se diz tem de apresentar algum valor. Trump diz e desdiz-se em minutos. Mesmo depois de ter cumprido o seu primeiro mandato, continua a presidir os EUA como se fosse o boss dos seus negócios, o mandão, o que tem as mais belas armas e o avião mais lindo. É um deslumbrado no cargo e de si mesmo, um narciso da era tecnológica. Este é o homem que dirige a equipa do país mais poderoso do mundo. Estes são os indivíduos que mandam nos EUA, apoiados pelos plutocratas que, tal como Rubio, veem num social-democrata um perigoso comunista e até nos Democratas, tal é o despautério. Esta é a elite estadunidense à qual se verga a Europa. Ressuscitaram o espetro do comunismo e do socialismo e organizam conferências internacionais para conjurar o perigo dos maus vencerem os bons com o biombo do terrorismo que tão bem conhecem desde a Síria ao Iraque passando pelo Afeganistão e o resto. E daí os abraços ao Presidente atual da Síria, Abu-Mohammad al-Julani, que serviu como segundo Emir no Estado Islâmico. Não é contra estes terroristas que Rubio convoca os países. Há bons terroristas, os que alinham com os EUA, e há os maus, os que não estão em linha com a Administração.

Musk, o homem mais rico do mundo, com uma fortuna superior ao PIB dos noventa e dois países mais pobres do mundo, entusiasmado com a eleição do seu amigo Trump fez a saudação nazi.

Peter Tihel, dono da Palantir, considera que liberdade e democracia não são compatíveis, devendo-se abolir a democracia para ficar a liberdade dos poderosos Fundos fazerem em liberdade o que quiserem sem oposição democrática. As oposições serão atos terroristas dos maus, parafraseando o inefável Rubio.

As contradições nos EUA são tão agudas que há multibilionários que alertam para a situação perigosa que vive aquele país. O bilionário Nick Hanauer, escreveu um artigo interessante a este propósito…”The pitchforks are coming” e considerava que as desigualdades nos EUA já não são próprias do capitalismo, mas sim do feudalismo. E alertava para o que ocorreu no final do século XVIII na França e daí a expressão das forquilhas ou forcas estarem a chegar.

A pergunta inicial precisa de respostas. Não as temos. A verdade é, contudo, esta: o rumo dos EUA é o de um país a caminho de um regime de extrema-direita às ordens de um punhado de plutocratas. A resistência interna está também em marcha. Os povos decidirão. É a hora dos aliados não servirem de capachos.

O alerta das forcas feito pelo bilionário estadunidense Nick Hanauer | Opinião | PÚBLICO

Ronaldo e o paradigma neoliberal

Cristiano Ronaldo ergueu-se da miséria. Subiu à custa de uma vontade indomável. Tornou-se um ídolo mundial no desporto rei.

Tem tudo o que multibilionários têm, desde relógios de milhões a joias e aviões de outros tantos milhões.

A marca CR7 é planetária. Ele confirma toda a teoria da meritocracia que liberais, populares, democratas-cristãos, sociais-democratas seguem e que Obama celebrizou Yes, We can.

É o empreendedor que fez de si um dos desportistas mais ricos de sempre. Ama-se a si próprio. Olha para o espelho e nada vê de mais belo. Venceu quase tudo e quase todos os recordes.

Para as crianças da Palestina, Mianar, Paquistão, Bronx, Harlem, Manchester, Turim, Oslo, Rio de Janeiro, Quito, Caracas, Tashkent, Ulan-Batur, ele é aquele que venceu e era, como elas, pobre.

Os grandes deste mundo queriam-no à sua mesa e ele gostava de estar à mesa de Trump e do Príncipe herdeiro saudita.

Este homem que encantou estádios a jogar futebol, hoje encanta porque ele chegou onde chegou e aplaudem-no porque estão a aplaudir um filho dos mais representativos de uma cultura que assenta no primado do indivíduo e na luta pelo sucesso custe o que custar.

 Os dirigentes políticos mundiais que abraçaram o neoliberalismo podem apontar à imensa maioria dos que pouco ou nada têm o exemplo de Cristiano Ronaldo. Todos eles sabendo que o caso de Cristiano é a exceção que confirma a regra de que quem nasce pobre não está condenado a ser pobre, mas é altamente provável que o venha a ser. Há uma ilusão para fugir à dureza da realidade. Essa é a essência do neoliberalismo.

Este homem que fez coisas mirabolantes com a bola, hoje arrasta-se nos estádios à procura do que já não voltará porque nos humanos a primavera passa e vem outra fase da vida ao contrário das minhas queridas árvores e flores que todos os anos reverdecem e florescem.

Chora como um menino que não ganhou o recorde que queria. Faz birra e diz que o queriam matar quando todos o apoiavam e o viam com orgulho. E diz que ele é que vai decidir quando se retira. Os treinadores devem estar aflitos. No último jogo do mundial em Dallas milhões viram o que ele já não faz e para quem tem 41 anos faz muito, mas havia no banco quem fizesse mais. Era, no entanto, preciso que o treinador não quisesse matar Ronaldo à custa de acreditar que ele o podia salvar, em vez da equipa. Tem muito para chorar, quase tanto como os milhões para gastar.

Trump ressuscita o espetro do Manifesto Comunista de 1848

O auto- adulador Donald Trump, Presidente dos EUA, na comemoração dos 250 anos dos EUA, à falta do melhor, resolveu fazer um discurso do tipo dos vendedores das feiras que faziam dos seus produtos os melhores, sem qualquer comparação, em todas as feiras em redor.

Face à grandeza de Trump, a sua performance discursiva destinava-se ao planeta e ao sistema solar, onde os habitantes de Marte não dormiram para o ouvir. E não defraudou as expectativas.

Em 21 de fevereiro de 1848 Marx e Engels, no Manifesto Comunista, anunciavam que um espetro varria o mundo, o espetro do comunismo.

Em 4 de julho de 2026, depois do Fim da História, muito boa gente pensava que o comunismo estava morto.

 Trump acordou o mundo estadunidense para o seu perigo tal modo que assumiu que não quer comunistas nos EUA. De seguida, proclamou que irá mudar as leis eleitorais para assegurar o êxito de conjurar o espetro.

O medo do comunismo de Trump será assim tão real ou não passa de agitação e propaganda?

Na verdade, uma coisa é certa, sem ser convidado, o comunismo esteve bem presente nas comemorações dos 250 anos da fundação dos EUA. Quem diria…as certidões de óbito são pouco rigorosas. Marx e Engels devem sorrir, assistindo à ressurreição do espetro.  Afinal na capital do capital, o chefe de fila dos bilionários anda preocupada com o que “não funciona”. Imaginem se funcionar.

Caras, corações e Ronaldo

Se é verdade que se veem caras e não se veem corações, também é verdade que há caras que escancaram os corações.

Nos momentos em que o papel de um indivíduo conta para o desfecho de uma dada batalha, mormente quando é o capitão da equipa, assumir esse desígnio é próprio dos grandes capitães, aceitando que outro companheiro pode fazer pela equipa aquilo que o comandante considera relevante.

Um capitão sabe que esta regra é “sagrada”. Um capitão não está acima da equipa. Dá tudo pela equipa. Quando chega a hora de ser substituído, mesmo que não goste, aceita a decisão porque este princípio faz parte dos pilares fundacionais da equipa.

Acresce que, em relação a quem entra, uma reação de não aceitação da substituição complica a comunhão na própria equipa.  Gera sempre tensões no momento que pode ser decisivo para o supremo interesse da equipa, bem mais importante que o peso de cada elemento da equipa.

No jogo de hoje, com a Croácia, uma vez mais, o lado quase narcísico de Ronaldo ficou escancarado no seu rosto quando Martinez o substituiu. Naquele rosto estava impressa toda a sua arrogância e o todo seu egoísmo. Um capitão que tem aquela conduta não merece a braçadeira.

Saber que todos os seres humanos, nas várias tarefas da vida, não são os mesmos quando têm vinte ou quarenta anos é fundamental. Os que vivem só para si nunca o saberão. Ronaldo está a arrastar o seu papel como jogador para um lado indesejável e feio. Talvez os que o rodeiam o impeçam de ver para além do seu físico. Um jogador concentrado em recordes não está concentrado na equipa. Esse é o desatino de Ronaldo.   É pena e penoso.