A paixão destrambelhada do governo pelas cargas policiais em vez de garantir casas – apenas com aspas no final para se perceber as grosseiras calinadas dos governantes

A falta de habitação num grande número de países europeus é um sintoma da crise evidente que consiste na incapacidade para resolver um pilar em que assentam as modernas sociedades ocidentais, o acesso à habitação.

Em menos de uma década o acesso à habitação virou quase impossível de aceder, atingindo nas grandes cidades amplas camadas das classes assalariadas, incluindo a pequena e média burguesia urbanas. A verdade é esta: na UE há muitos países incapazes de assegurar aos cidadãos habitação.

Ao transformar-se a economia numa enorme banca de casino através da financeirização, o mercado passou a ser comandado pelos Fundos Imobiliários que se foram gradualmente apoderando de dezenas de milhar de imóveis para levarem a cabo uma das grandes negociatas do século. Essa aquisição contribuiu muito significativamente para distorcer completamente o mercado. Num outro patamar, por via das exigências de Bruxelas à banca, em relação ao crédito malparado, obrigou literalmente a entregar milhares de prédios de execuções a esses Fundos, o que constituiu um crime económico porque muitos dos executados queriam pagar noutras condições, tendo sido feita a entrega de mão beijada aos Fundos desses prédios que eram uma garantia real dos credores bancos.

Por outra banda, segundo o Censo de 2021 existiam 723 215 casas devolutas, o que configura, tendo em conta a grave crise habitacional, uma situação de absolutamente excecionalidade e que requer por parte dos governantes a coragem de lidar com a situação de molde que a propriedade cumpra a sua função social, dado que vivemos em sociedade e não na selva, nem em Marte.

O mercado está assim subvertido por ação dos Fundos com a complacência do governo e pelo supremo egoísmo de um conjunto de proprietários sem a menor preocupação social.

Trata-se de uma política que visa impor aos residentes das maiores cidades a renúncia às suas habitações por impossibilidade de acompanhamento do preço das rendas ou do pagamento das prestações dos empréstimos contraídos. Tal só é possível pelo facto de o governo produzir legislação que enquadra esta política de favorecimento dos Fundos tornando a habitação praticamente inacessível nos grandes centros urbanos quer para quem queira comprar, quer para que queira arrendar.

Assiste-se a uma verdadeira expulsão dos habitantes e a chegada de uma nova classe de gente multimilionária sem ligação a estas cidades. Ou seja, os portugueses que vivem dos seus vencimentos, designadamente os jovens, perdem o direito a viver nas cidades onde nasceram com as suas famílias, por motivos da chegada de emigrantes cheios de dinheiro a quem Ventura e o governo estendem o tapete vermelho e continuando a criar anátemas e ameaças aos que vivem amontoados em despensas e prateleira humanas.

A resposta à crise da habitação por parte de governantes, alguns dos quais a abarrotar de prédios, não devia ser chamar egoístas aos que reclamam habitação e atirar cães e polícias contra os manifestantes. O M.A.I não se pode transformar num braço violento que responde às reivindicações justas de acesso à habitação com cassetes, teasers, escudos, cães e pancadaria. Nem inventando conexões internacionais pelo facto de a juventude ouvir e ver nas têvês a insensatez dos dirigentes europeus enfatuados a gastarem rios de dinheiro em armamento e na guerra na Ucrânia e ao mesmo tempo acusarem a juventude de irresponsabilidade e egoísmo.

Esta desgraça, como não podia deixar de ser, iria desembocar num verdadeiro beco sem saída para a grande maioria dos jovens, muitos deles precários, com salários baixos e que se veem na contingência de emigrarem.

Os eurocratas de Bruxelas e de Portugal alegam que o défice tem de ser cumprido e daí inexistir investimento público na habitação, o que vai agravar a vida de quem não quer viver debaixo das pontes, enquanto não falta dinheiro para a guerra…será que o governo de cá e da Comissão conta com a mortandade da guerra para diminuir a procura de habitação?

Um governo que fecha os olhos a uma questão tão séria como a da habitação não é um governo, é um conjunto de ministros que vivem algures entre rentabilizar prédios e a cumprir ordens de Bruxelas e dos Fundos. Perdeu o sentido à finalidade que deveriam assumir e fazem do capataz Luís Neves o gladiador às suas ordens. Não “serão-lhe” dados perdões “egoísticos”. Talvez a “urologia” da habitação comprove o calibre desta gente e a da Ilha da Malheira esteja ligada à das acampadas. Cantem essa coisa nova que é a Grândola vila moreira e vão ao Organização do Atlético Norte à procura da Gronelândia. RIP.

A paixão destrambelhada do governo pelas cargas policiais em vez de garantir casas

A falta de habitação num grande número de países europeus é um sintoma da crise evidente que consiste na incapacidade para resolver um pilar em que assentam as modernas sociedades ocidentais, o acesso à habitação.

Em menos de uma década o acesso à habitação virou quase impossível de aceder, atingindo nas grandes cidades amplas camadas das classes assalariadas, incluindo a pequena e média burguesia urbanas. A verdade é esta: na UE há muitos países incapazes de assegurar aos cidadãos habitação.

Ao transformar-se a economia numa enorme banca de casino através da financeirização, o mercado passou a ser comandado pelos Fundos Imobiliários que se foram gradualmente apoderando de dezenas de milhar de imóveis para levarem a cabo uma das grandes negociatas do século. Essa aquisição contribuiu muito significativamente para distorcer completamente o mercado. Num outro patamar, por via das exigências de Bruxelas à banca, em relação ao crédito malparado, obrigou literalmente a entregar milhares de prédios de execuções a esses Fundos, o que constituiu um crime económico porque muitos dos executados queriam pagar noutras condições, tendo sido feita a entrega de mão beijada aos Fundos desses prédios que eram uma garantia real dos credores bancos.

Por outra banda, segundo o Censo de 2021 existiam 723 215 casas devolutas, o que configura, tendo em conta a grave crise habitacional, uma situação de absolutamente excecionalidade e que requer por parte dos governantes a coragem de lidar com a situação de molde que a propriedade cumpra a sua função social, dado que vivemos em sociedade e não na selva, nem em Marte.

O mercado está assim subvertido por ação dos Fundos com a complacência do governo e pelo supremo egoísmo de um conjunto de proprietários sem a menor preocupação social.

Trata-se de uma política que visa impor aos residentes das maiores cidades a renúncia às suas habitações por impossibilidade de acompanhamento do preço das rendas ou do pagamento das prestações dos empréstimos contraídos. Tal só é possível pelo facto de o governo produzir legislação que enquadra esta política de favorecimento dos Fundos tornando a habitação praticamente inacessível nos grandes centros urbanos quer para quem queira comprar, quer para que queira arrendar.

Assiste-se a uma verdadeira expulsão dos habitantes e a chegada de uma nova classe de gente multimilionária sem ligação a estas cidades. Ou seja, os portugueses que vivem dos seus vencimentos, designadamente os jovens, perdem o direito a viver nas cidades onde nasceram com as suas famílias, por motivos da chegada de emigrantes cheios de dinheiro a quem Ventura e o governo estendem o tapete vermelho e continuando a criar anátemas e ameaças aos que vivem amontoados em despensas e prateleira humanas.

A resposta à crise da habitação por parte de governantes, alguns dos quais a abarrotar de prédios, não devia ser chamar egoístas aos que reclamam habitação e atirar cães e polícias contra os manifestantes. O M.A.I não se pode transformar num braço violento que responde às reivindicações justas de acesso à habitação com cassetes, teasers, escudos, cães e pancadaria. Nem inventando conexões internacionais pelo facto de a juventude ouvir e ver nas têvês a insensatez dos dirigentes europeus enfatuados a gastarem rios de dinheiro em armamento e na guerra na Ucrânia e ao mesmo tempo acusarem a juventude de irresponsabilidade e egoísmo.

Esta desgraça, como não podia deixar de ser, iria desembocar num verdadeiro beco sem saída para a grande maioria dos jovens, muitos deles precários, com salários baixos e que se veem na contingência de emigrarem.

Os eurocratas de Bruxelas e de Portugal alegam que o défice tem de ser cumprido e daí inexistir investimento público na habitação, o que vai agravar a vida de quem não quer viver debaixo das pontes, enquanto não falta dinheiro para a guerra…será que o governo de cá e da Comissão conta com a mortandade da guerra para diminuir a procura de habitação?

Um governo que fecha os olhos a uma questão tão séria como a da habitação não é um governo, é um conjunto de ministros que vivem algures entre rentabilizar prédios e a cumprir ordens de Bruxelas e dos Fundos. Perdeu o sentido à finalidade que deveriam assumir e fazem do capataz Luís Neves o gladiador às suas ordens. Não serão-lhe dados perdões egoísticos. Talvez a urologia da habitação comprove o calibre desta gente e a da Ilha da Malheira esteja ligada à das acampadas. Cantem essa coisa nova que é a Grândola vila moreira e vão ao Organização do Atlético Norte à procura da Gronelândia. RIP.

OS IMPLACÁVEIS ALTRUISTAS

Edital

Foi afixado

nos locais do costume

que É PROIBIDO MENDIGAR.

Logo mão que se descobre

escreveu a tinta por baixo

MAS NÃO É PROIBIDO SER POBRE.

Joaquim Namorado, in “A Poesia Necessária”

Nos Editais/locais de costume, os preços afixados das rendas das casas são implacavelmente altos à ordem dos Fundos e Cª que implacavelmente impõem a sua lei altruísta feita à medida pelo governo de Montenegro, deixando sem casa centenas de milhar de cidadãos, sobretudo jovens.

Na verdade, as palavras que nos ligam e nos unem podem ser atropeladas violentamente por quem as usa do alto do poder apenas para esconder a violência de uma política implacável contra os que precisam de uma casa, a coisa mais banal do mundo e que a política neoliberal de espalhar pobreza não é capaz de realizar. O senhor doutor Montenegro nunca durante a campanha eleitoral prometeu aprovar esta lei e desancar com cassetetes policiais os que pedissem habitação a preços normais.

É de lamentar que os agentes que se manifestam a pedir melhores condições materiais, pois , segundo alegam, têm de viver nos carros, ataquem os seus compatriotas com brutal violência por exatamente pretenderem lutar pelo acesso a uma habitação.

Não havendo casas no mercado atarraxado por leis obscenas, os senhores Montenegro e Pedro Duarte querem que os cidadãos regressem às cavernas ou vivam pendurados em árvores ou habitem em carros ou altruisticamente se dirijam a São Bento e à Câmara Municipal do Porto implorarem por todos os santinhos e santinhas que lhes conceda o especial favor de viverem em tendas num local determinado por tais Excelências. E sempre tudo feito de modo cordato, sem que qualquer conduta possa pôr em causa o princípio altruísta de permitir aos Fundos e quejandos obter os maiores lucros à custa do esvaziamento das casas e dos poucos pertences de quem neste país vive vegetando, sem desprimor para as árvores também elas egoístas face à vontade de as derrubar para bem da financeirização em andamento.

As palavras devem estar horrorizadas com a sua manipulação. As palavras que nos deviam fazer entender uns aos outros viraram pedregulhos de arremesso contra os de baixo atiradas pelos de cima.

Uma mulher e um homem que com a sua tenda expõem na rua a sua impossibilidade de adquirirem casa são egoístas. E tal como na ditadura salazarenta, face à luta pela democracia, são acusados de estarem ao serviço de uma causa internacional e devem ser implacavelmente arrancados do chão de que são filhos.

No fundo Montenegro está tão cheio de medo que já usa a força bruta para governar. Ele tem razão – a sua política é totalmente incompatível com a possibilidade de neste país adquirir casa quem dela precise.

A ditadura de Salazar proibia os pobres de pedirem para os esconder. O governo de Montenegro proíbe que os que não têm acesso a uma casa exibam as tendas como marca da sua política de habitação. Implacável pobreza. Rendição incondicional ao egoísmo ultrajante dos Fundos e quejandos. É de tristeza triste que é feito o meu país.

Ver menos

O CHÃO DA EUROPA E A GUERRA NA UCRÂNIA

A Europa, melhor a UE, vive um momento em que está a perder o chão. Atravessa várias crises que se transformam numa crise provavelmente existencial.

O trio dirigente Costa, Von Der Leyen, Kaya Kallas, apoiados no renascido militarismo alemão e nas aspirações de grandes potências do Reino Unido e da França não conseguem ver para além da guerra na Ucrânia como modo de tentar ultrapassar a crise que cada um deles vive, agravada sobretudo pela da Alemanha e pela dimensão da revolta juvenil em França. São situações altamente complexas, pois cada um deles está a braços com as prováveis vitórias da extrema-direita nas eleições que irão ter lugar.

O prolongamento da guerra na Ucrânia poderia, na cabeça destes dirigentes, constitui um ilusório fator de coesão destes países face à invasão russa da Ucrânia. No entanto, como se está a verificar com o passar do tempo a continuação da guerra deixou de ter o apoio inicial das populações, além de que existe a recusa de um envolvimento direto. Ou seja, nas opiniões públicas europeias, designadamente juvenil, é dominante a recusa para a participação com tropas. Ninguém quer ir morrer na Ucrânia. Os que louvam o hedonismo querem que os filhos dos outros morram por eles.

Avizinhando-se as eleições presidenciais em França e mais tarde as legislativas na Alemanha o cenário de vitórias da extrema-direita é real. As eleições no Reino Unido, num quadro em que a irlanda, o país de Gales e a Escócia querem integrar o UE e com o avanço da extrema-direita criam um verdadeiro quebra-cabeças aparentemente sem solução. Noutros países, a extrema-direita continuará a manter ou reforçar posições.

Por outra banda, a guerra está a permitir ao complexo militar industrial obter grandes encomendas de armamento, o que acarreta investimentos fabulosas nestas indústrias. Também aqui o prolongamento da guerra é benéfico para encher os cofres das grandes empresas que produzem ou compram armas. Simultaneamente as populações são atingidas pela austeridade que sustenta a indústria da guerra de um lado e do outro do Atlântico.

Na Ucrânia, se a guerra parasse, os atuais dirigentes ucranianos, mergulhados até aos cabelos em esquemas de corrupção que atingem o gabinete de Zelenski e o próprio Procurador-Geral enfrentariam um desfecho inglório.

A Rússia, não obstante as baixas e o desgaste da guerra, não assinará nenhum acordo que não passe pela renúncia da Ucrânia a integrar a NATO e a estabelecer linhas de segurança. A geopolítica é o que é e a Rússia afinal não é uma estação de gasolina com armas nucleares, como afirmava o democrata Obama, para quem a segurança dos EUA estava não só nas fronteiras, mas em todo o mundo, até no Paquistão, país onde o sherif assistiu à liquidação de Bin Laden, escondendo o próprio cadáver do seu ex-agente.

Todos querem a continuação da guerra. Zelenski e a sua entourage já não tem outra opção. A Rússia se recuasse, Putin cairia. A UE precisa da guerra para o núcleo central se manter coeso, esquecendo que normalmente é pela periferia que acontecem as implosões. E talvez o seu triunvirato delirante espere que a Terra deixe de girar em volta do sol.

Quando abertamente o chanceler Merz fala de entrar em guerra com a Rússia até 2030, sabendo-se que a esmagadora maioria da juventude rechaça essa hipótese, mostra o grau de obstinação de um homem em queda no seu país e que encontraria nesta loucura uma espécie de roleta russa para se agarrar ao poder na vã esperança de prolongar a vida política depois do seu “êxito” na Goldman Sachs, esquecendo que só na cartilha neoliberal um bom CEO é um bom chanceler.

A UE perdeu-se no seu labirinto neoliberal e militarista. Merz e Ursula jogam noutro campeonato. Sem combustíveis baratos e sem alavancas para voltar a levantar voo têm como projeto os despojos da Rússia se ela se concretizar. Assumem todas as dores de Trump na China, em Israel, no Irão, no Ártico, no Indo-Pacífico, überal. De mão beijada deram-lhe a segurança da Gronelândia. Todos no mesmo barco; o que será diferente é a hierarquia. Por isso, quando a senhora Ursula quer falar com Trump, desloca-se à Irlanda a um campo de golfe do bilionário.

No chão da Europa sopra um vento de guerra que tudo faz definhar. Nós podemos pará-lo, se quisermos.

O chão da Europa e a guerra na Ucrânia | Opinião | PÚBLICO

CR e os milhões de meninos pobres

Uma das características das nossas sociedades é a atomização, um fenómeno que se plasma no desligamento da comunidade. À medida que campeia a desesperança, aumenta a frustração e o isolamento dado não haver futuro que é apenas uma fixação no presente, como se não houvesse.

Alegam os teóricos do neoliberalismo que não há sociedade, apenas indivíduos, ou seja, átomos. Assim não havendo sociedade e só indivíduos, cada um trata de si exclusivamente. Cada um será o quiser ser. Todos os que merecerem alcançarão a riqueza que quiserem. Cada um será o empreendedor de si, um capitalista instalado na alma: e se não resultar a culpa é dele.

Esta é talvez a maior mentira de sempre. Quem nasce pobre vai ter na maioria dos casos filhos pobres. Quem é rico tem grandes possibilidades de vir a ter filhos ricos.

Esta estranha e irracional ideia de que ser rico depende da força de vontade faz escola em largos segmentos da sociedade e noutros deixa-os anestesiados, alheios ao destino dos seus compatriotas.

A patranha entra de modo fácil porque no subconsciente existe a esperança de ganhar a lotaria.

Cristiano Ronaldo é um paradigma. Veio de um mundo pobre. Subiu e hoje tem uma marca que é um império. Neste Portugal desnorteado de tanta dose de anestesia para um grande número de portugueses, ele representa tudo o que sonham: mulheres e vida glamorosas, carros únicos, mansões inimagináveis, entrada nas casas dos Grandes do mundo. Tudo isto nas mãos de um rapaz pobre saído da Madeira cujo aeroporto também tem seu nome porque o poder político precisa de apresentar que o sistema até premeia o mérito… mas só sai a lotaria a um.

Todos os seres precisam de exemplos. Os pobres do mundo olham para Cristiano e pensam que poderiam ser como ele, se ele veio de onde eles estão.

Todo este poder financeiro e mediático é poder real. E mesmo quando não aparece às claras é também poder político. Por isso MSB o levou na sua comitiva a Trump para ajudar a branquear a Casa Saud e fazer esquecer que os religiosos sauditas discutem se uma mulher é um verdadeiro ser humano.

E este poder que traz dinheiro à marca CR7 joga fora das 4 linhas. Até no tempo em que não havia bolas o dono da bola podia ser um marreta, mas jogava porque era o dono da bola.

A coisa mais linda do futebol é a capacidade de 11 contra 11 nos levarem a admirar a técnica e a força dos 22. Porque é um desporto simples com poucas regras – meter comos pés a bola na baliza dos outros. Mais nada.

Nesta arte Ronaldo foi um dos maiores. O futebol vai recordá-lo para sempre. Será venerado.

Muito diferente é, por ter sido tudo isto, querer continuar a ser o que já não é. E usar o tal poder para se impor como se fosse o dono da bola.

Por outro lado, continuarão a existir milhões de meninos pobres que nem uma bola terão e outros tendo nunca na sua vida conseguirão sair da pobreza em que nasceram. E não porque não se esforçassem, mas porque é da natureza das coisas em que este mundo assenta.

Cristiano partiu em direção à TERRA-DO-SIM

O mais espantoso que a vida encerra talvez seja o imprevisto muitas vezes a raiar o absurdo.

Kafka criou o caixeiro-viajante, Gregor Samsa, “Metamorfose”, que na sua profissão ajudava a sustentar a família. Um dia acordou transformado num inseto e assim morreu abandonado pela família.

Cristiano Ronaldo acordou ontem, a meio da tarde, transformado num outro ser pelo abismal pesadelo de não aceitar a essência de uma equipa de futebol, é o treinador que faz a equipa.

Que me lembre Gregor não tinha um sonho na vida para além de ser caixeiro-viajante. Cristiano tinha um – ser titular e marcar o golo mil. Acordou aterrado pelo pesadelo de poder não ter garantido o lugar e quiçá não marcar o milésimo golo. No fundo, o amor que tinha à seleção era talvez inconscientemente uma invenção para chegar à tal meta ou sabe-se lá a capacidade de cada um para inventar possibilidades. Ou até para se manter jovem que deixara de ser. Uma espécie de mentirinha que todos os dias o embalava.

Superou metas até a da sua origem de menino pobre de que o seu atual exibicionismo de novo-muito-rico é  marca bem relevante. Tudo superou. Porém, quando na sua cabeça deixou o lugar de jogador e arquitetou o de treinador, habituado a que o seu poder decidisse, esbarrou na realidade que não aceitava.

Chamou o seu avião, cheio de espelhos feitos de uma matéria que reflete o passado e foi em direção da Terra-do-Sim, onde nunca há Nãos. A verdade é que mesmo naquela Terra, ele vai acordar todos os dias. Talvez com o seu dinheiro possa renovar os espelhos que lhe mentem, coitados sem saber.

Gregor tinha um emprego. Perdeu-o ao transformar-se num inseto. Morreu só. Um caixeiro-viajante não pode ser uma barata, salvo Mark Rutte.

Cristiano no seu avião a caminho da Terra-do-Sim pode um dia vir a encontrar a imensa cidade do ABSURDO, onde não se pode viver o presente com os olhos do passado.

Parabéns, Jorge Jesus

Temos treinador. É assim mais provável que venhamos a ter a equipa mais capaz de dar tudo o que puder em Copenhaga.

Jesus deu uma lição de como liderar. O seu estatuto saiu claramente reforçado perante a equipa e os portugueses. Não haverá mais amuos. Em Copenhaga vai jogar quem estiver melhor e não quem foi melhor.

Todo o tempo é feito de mudanças tomando sempre novas qualidades, já dizia o grande poeta Luís Vaz de Camões.

NORUEGA 1-PORTUGAL 2

TUDO TÃO SIMPLES

Foi bom de ver. Deu para entusiasmar e roer as unhas. Havia dois avançados que jogaram no campo todo, como é a boa da praxe. Os dois marcaram. Chegaram a tempo à bola e pimba. Simples como é o futebol.

O resto igualmente de tão simples dá tristeza. O capitão vira as costas à vitória, deixa os companheiros de que é capitão e enfia-se no balneário, talvez a olhar para o espelho e achar-se único. Será preciso a JJ muita inteligência e paciência para permitir que CR não desbarate tudo quanto deu à seleção.

Para tanto basta-lhe aceitar que há companheiros na flor da juventude com energias novas e positivas. Se não aceitar o desafio vai correr mal. Bem pode pesar todo o dinheiro que tem…não lhe dará para voltar àquele miúdo/jovem/homem que encantou o mundo. Aos 41 anos seguem-se os 42…JJ pode falar com ele…, mas se ele não falar consigo próprio e não aceitar que a seleção é mais importante que a sua meta de mil golos, a coisa vai acabar mal. Talvez nem JJ lhe valha, apesar da sua ratice.

FRAQUINHO, FRAQUINHO, FRAQUINHO

O Portugal de Jesus estreou-se contra o país de Gales, 37º no ranking da FIFA. Percebe-se agora melhor a convocatória requentada face à segunda parte disputada ontem em Alvalade. Como não apareceu o Congo, vieram os galeses. E tirando o chuto do João Félix que bateu num jogador galês, enganou o guarda-redes e entrou, ficou a imagem do senhor Martinez a pairar sobre o relvado do SCP. E para que tudo fosse como dantes por lá andou um antigo jogador que entusiasmou o mundo e ontem se notou porque falhou um golo de baliza aberta e tinha o cabelo pintado de amarelo.

 Haverá qualquer cláusula escondida por parte da FPF que obrigue Ronaldo a jogar? Ronaldo não é capaz de aceitar aquilo que todo o mundo vê. Não finta, não corre mais que nenhum defesa a este nível, chuta mal e marca os livres contra a barreira. Considera-se insubstituível, amua se o tiram e declara nas barbas do senhor Proença e do senhor Jesus que vamos ter de levar com ele até que ache que se deve ir embora…Que estatuto tem Ronaldo para poder dizer o que disse e ninguém, em defesa da equipa, o ponha na ordem?

Se assobiar Palhinha é irracional, e é, como disse Jesus, como classificar esta coisa? Uma equipa que fosse uma equipa e tivesse um treinador em vez de uma espécie de CEO nunca aceitaria um despautério deste calibre.

O jogo teve esse tal chuto e um entretimento de cerca de oitenta minutos com muitos bocejos e dez minutos finais com Portugal tremidinho, tremidinho e fraquinho, fraquinho. Uma “tristezorra”.

ITE, MISSA EST

As narrativas acerca da guerra na Ucrânia vão fazendo o  já longo caminho no mundo ocidental. Alteram ao sabor das justificações para a manutenção do suporte por parte do Ocidente, bem escorado no apoio dos EUA, sem o qual não seria possível à Ucrânia continuar a enfrentar a Rússia.

Com base na decisão da NATO/EUA/UE de admitir a entrada da Ucrânia na NATO, fechando o anel que cerca a Rússia depois da entrada de todos os outros países ditos socialistas para a NATO, a Rússia invadiu a Ucrânia exigindo a manutenção daquele país como neutral e uma nova arquitetura de Segurança Europeia, a concretizar entre a Rússia e NATO/EUA. Por muito menos, como foi o caso da colocação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, o mundo esteve à beira da 3ª guerra mundial.

Acerca da entrada da Ucrânia para a NATO, a narrativa ocidental era a de que a decisão cabia exclusivamente à Ucrânia. Em Cuba ou na Venezuela já não cabia àqueles países agirem de acordo com as suas decisões soberanas.

Havia a ilusão ocidental de que as pesadas sanções económicas impostas à Rússia derrotariam aquele país e lavá-lo-iam à ruína e à fragmentação, na linha da velha aspiração estadunidense de que Zbigniew  Brzezinski expôs o seu pensamento no livro “O grande tabuleiro de xadrez”, considerando que os EUA jogavam na Eurásia a sua hegemonia mundial. Ora, a Ucrânia desempenha a este nível o papel de charneira, até na programada passagem da iniciativa chinesa, Road and Belt, e ao mesmo tempo, poderia com o apoio ocidental e as sanções económicas fomentar a partilha da Rússia em vários Estados, eliminando para os EUA e o Ocidente a competição com o maior país do mundo.

 A narrativa segundo a qual os EUA estão a desligar-se da Ucrânia é desmentida a cada minuto em todas as operações militares da Ucrânia. O que aconteceu foi os EUA reclamarem à UE o pagamento dos gastos militares. E compras de armamento. Os europeus da NATO atualmente capitaneados pelo mequetrefe Mark Rutte aceitam, contentes da vida, e assim continuam a dar provas de vida atacando reformas, pensões, serviços de saúde, ensino público para fazerem frente às despesas com o apoio à Ucrânia. Por isso, Merz e a coligação com o SPD tem sido arrasada nas eleições regionais.

Em Portugal, o Dr. Bravo manipulou números, escondeu dados na tentativa de tirar aos cidadãos as suas reformas e entregá-las à gestão de Fundos privados, cuja arte é jogar na economia de casino, sendo que está destinado a perder os que descontaram e a ganhar os obscuros donos dos Fundos cujo fundo são as reformas dos portugueses. Os mesmos ditos liberais e outros que tais já procuram novas vias. Os caminhos da militarização ocidental também passam por aqui.

A narrativa mudou, entretanto, com a falência (até à data) das sanções. Surgiu a do apoio necessário ao longo do tempo que fosse preciso, o famoso as long as it takes. Stoltenberg, sendo o norueguês, ex-Secretário-Geral da NATO, o mais intrépido narrador…. Depois veio a da grande   contraofensiva ucraniana em 2023 que finalmente correria com os russos para a Rússia. 

Não obstante todo o apoio ocidental que levou a Ucrânia a utilizar tudo o que de mais sofisticado o Ocidente tem (à exceção de armas nucleares e Tomawaks), a narrativa mudou para obrigar Putin a negociar. Para o conseguir lançou a enorme operação de 40 dias de milhares de drones e que consistiu em atacar a Rússia na profundidade do seu território atacando centro nevrálgicos de logística e energia. A partir desta ofensiva, segundo, Zelenski, Putin ver-se-ia obrigado a negociar. Entretanto, nos intervalos destas várias narrativas mantinha-se a de que a fraqueza da Rússia é tão grande que ao longo de quase cinco anos não conseguiu conquistar o Dombass…mas estaria pronta para atacar a Europa e, segundo Mertz, até 2030 a guerra será inevitável e a Alemanha terá então o maior exército europeu ocidental. Em parte, esta narrativa explica os desastrosos resultados eleitorais da CDU…  E a necessidade de defender uma solução diplomática para o conflito bélico.

 Em 2022 todos queriam a guerra para obterem objetivos totalmente diferentes. A Rússia impedir a entrada da Ucrânia na NATO; os EUA/UE/NATO/Ucrânia a fragmentação da Rússia e a criação de vários novos Estados; a Ucrânia um novo papel preponderante na Europa. E agora parece que todos continuam nas mesmas posições: a Rússia até à derrota da Ucrânia; os EUA já conseguiram separar a Rússia da Europa, substituindo a Rússia no fornecimento de hidrocarbonetos a preços cinco vezes mais elevados “apoderar-se” da UE em termos estratégicos. A UE, sem rumo, a justificar o apoio, pagando as despesas da guerra com o dinheiro dos europeus, esperando desesperadamente algo que só Kallas, Ursula e Costa acreditam; a Ucrânia de Zelenski quer que a guerra continue para continuar como Presidente e safar-se de o que se não safam os seus colaboradores diretos, presos ou perseguidos por corrupção, incluindo o próprio Procurador-Geral. Tudo bons rapazes.

Assim vão as narrativas. Tudo contra a Rússia e tudo a favor do genocídio palestiniano e da guerra contra o Irão. Ite, missa est, dizia-se.