O espírito vingativo cega – o que era maioria absoluta pode ficar menos que relativa.

Costa, ao contrário do que se podia imaginar, foi tomado por uma súbita atração pelo abismo. O PS tem governado nos últimos seis anos com a convergência dos partidos de esquerda. Ao longo destes anos devido à política seguida granjeou e reforçou de modo substancial a base de apoio eleitoral. As coisas correram bem e o PS saiu mais forte.

Precisando da convergência com outros partidos à sua esquerda é lógico que os diversos interesses sejam tidos em conta. Não passa pela cabeça de ninguém que assim não seja.

O chumbo do orçamento levou a eleições antecipadas “para virar a página”. Pelos vistos as páginas são as mesmas, as do orçamento chumbado.

Costa optou por fazer da campanha eleitoral uma espécie de vingança contra o PCP e o BE. Está no seu direito. Só que crucificar PCP e BE e pedir maioria absoluta pode ser um tiro nos pés. E se o essencial da estratégia for (como tem sido) apresentar o orçamento chumbado por todos os partidos, salvo o PAN, então Costa qual Némesis assume-se como colocando-se contra tudo e todos, salvo o partido de Inês Corte Real. Nem parece ser de António Costa.

Não está a resultar porque era óbvio que o PS não iria conseguir passar a mensagem de que é o único partido com propostas razoáveis e ainda porque Rio percebeu muito bem esta fragilidade de Costa e contra-atacou.

Enquanto Costa zurze no PCP e no BE, Rio diz-se disponível para dar ao CDS a pasta da Defesa e à IL um cargo ministerial. Ora o peso à direita do CDS e da IL é bem menor que o peso à esquerda do BE e do PCP.

Isso significa que o PS tem uma gula desmedida e o PSD apresenta-se com outra razoabilidade no que toca a acordos. E se Costa fala de estabilidade contra os parceiros, Rio premeia os parceiros.

O PS quer tudo. O PSD, mesmo quando o CDS faz prova de vida, atribuir-lhe-ia, caso vencesse, a pasta da Defesa, bem importante.

Se Costa não mudar o azimute pode ser que o pecado da gula e o espírito vingativo o deixe fora do governo com todas as consequências.

Ainda vai a tempo de valorizar o que fez com os seus parceiros, se não ficar amarrado ao orçamento chumbado, ao tempo passado, abrindo um tempo novo de que tanto falou há seis anos.

Por muito que Costa ache que o orçamento devia ter passado, não pode fazer das eleições um ajuste de contas com os seus parceiros, desbaratando todo o capital político que ele e as esquerdas granjearam nestes seis anos. O espírito de vingança nunca deu resultado. Atente-se nas sondagens. Mude para não mudarmos todos para o tempo velho das direitas no poder.

Costa – a menina dança?

O espanto é quiçá uma prova de vida. Mas afirmar que Marcelo fiscalizaria uma maioria absoluta do artista é obra, já vai para além de Marte.

É ao Parlamento que cabe esse papel, o que significa que não sendo Costa constitucionalista sabe bem que os poderes presidenciais são muito limitados quanto à ação governativa, assim e bem o decidiram os constituintes em 1975.

E sabe bem que a maioria constitui uma espécie de poder absoluto, conforme a experiência vivida, e ele próprio o afirmou várias vezes.

Hoje para sossegar a opinião pública lembrou-se da Autoeuropa e saiu a terreno assegurar o que só Marcelo, se pudesse, asseguraria. Ai São Marcelo da Autoeuropa.

O PS com maioria absoluta faria no parlamento o que bem entendesse, tal como fez Cavaco, malgré Soares.

Quis aligeirar a pressão, mas a jogada saiu sem nota artística, como diria o catedrático da táticas.

Provavelmente está cansado e sentiu-se encurralado por saber que os portugueses sabem bem o que é ter no parlamento um partido com tantos deputados que se está marimbando para os outros. E sabem o que passou com o PS e o PSD a fazer os portugueses andarem a toque de caixa.

Costa já não sabe o que há de dizer acerca da sua gula da maioria absoluta a não ser virar o disco e tocar o mesmo – o Dr. António Costa só conhece uma musica e quer que todos os portugueses dancem ao som da sua maioria absoluta. A menina dança? Quem quiser dance, mas depois não se queixe.

O grande Mandamento – entregarás teu voto a quem interpreta e seguirás o rebanho.

Soam as trompetas a anunciar que vem aí a inteligência artificial e que o mundo já não será mais o que foi, como se alguma vez tivesse sido como era antes de o ser. Como se se o mundo de repente passasse a não ser composto de mudanças. Como se de repente pudéssemos tomar banho duas vezes na mesma água do mesmo rio.

Soam as trompetas no final de cada debate acerca de quem ganhou e de quem perdeu, como se os debates destinados a esclarecer os cidadãos a fim de poderem votar com mais conhecimento fossem substituídos por um conjunto de luminárias sentadas atrás do ecrã a dizer aquilo que as suas opções ideológicas lhes ditam.

Talvez a nossa felicidade maior seja a de podermos mudar e contribuir para mudar o mundo. Talvez seja este impulso vindo do fundo da História que nos faz mover por uma ideia, por uma utopia. Aqui não há artificialidade. Há um profundo sentimento de esperança de que somos capazes de forjar o nosso futuro, independentemente de todas as tragédias por que passamos.

Alguns líderes vão participar nos debates com o chicote do tempo velho contra o tempo novo. Isto só vai bem se se aceitar que tudo fique mais ou menos na mesma, se os que estão em baixo permitirem aos de cima continuar em cima custe o que custar aos que são esmagados. São eles os de cima que podem distribuir a riqueza que estiver a escorrer do seu prato para os que estão em baixo.

Há nesta parafernália de modalidades a pregar para que tudo fique na mesma um conjunto de dogmas que são muito mais sagrados que os 10 Mandamentos da Lei de Deus para os católicos.

De todo eles o imperante é o de que o Mercado é o Deus Todo-Poderoso, Criador, Bondoso ou Furioso e só a Ele os seres humanos devem obediência. Se Ele está furioso há que o apaziguar com cortes aos milhares de milhões de euros para que de barriga cheia se acalme. Já não pede vidas para serem degoladas; agora pede mortes lentas por falta de saúde, alimentação ou outros cuidados. Todos os que ousarem desafiar este poder omnipotente não são aceites à mesa do orçamento.

O que sabemos e, às vezes, esquecemos é que somos nós que fazemos a História e o nosso futuro contra os que querem manter tudo como está, como sempre aconteceu e não queremos ver.

Há um poder que é o de nos amarrar a um ecrã. Não basta ouvirmos e vermos. Há que nos meter na fila do rebanho, dizendo-nos como devemos interpretar o que vemos e ouvimos.

O redil é o sonho dos mandantes e dos sacerdotes desse novo Deus. Porém, há uma ideia, uma utopia e tudo pode ser diferente, se houver coragem e pensarmos sem medo. Precisamos de coragem. Haja coragem.

Rio e Cotrim assim assim a dizer que sim


Dois cavalheiros da estirpe liberal; um, mais quê, o outro menos quê; um mais contido (noblesse oblige), o outro mais desenfreado. Um a esticar para a direita a roçar o extremo, o outro com medo do arrastão e no dia 30 perder a ocasião.

Foi um debate à medida daquelas duas almas. E das outras que se seguiram, que não vão a votos, mas decidem quem venceu, substituindo o soberano. Senhoras e senhores cheios de razões, sabichões, espertalhões. Lindas e lindos.

O debate foi giro( diz-se assim) de se ver. O que se viu? Uma coisa tão simples, tão simples que pode ter passado despercebida – os dois cavalheiros são visceralmente contra tudo o que apresente prejuízos e como tal se a CGD der prejuízo, Rio e Cotrim catrapim privatiza-se, o mesmo sucedendo à RTP ou a o que quer que seja.

Podem explicar por que não aplicam esta fúria ao BES, BPN, Milenium, e a todos os bancos que iriam à falência, com milhares de milhões de prejuízo, se não fosse o malvado do Estado com o dinheiro de todos os cidadãos salvá-los?

Vá lá expliquem esse apelo à fantástica gestão privada com o seu melhor representante preso em Durban, fugido à justiça? Então, como é?

Se o que der prejuízo privatiza-se, o que dá montanhas de prejuízo no privado é para ser salvo pelo público e entregue aos privados? Ou nacionaliza-se?

Nesta senda sorrateiros acham que se o SNS não responde a tempo o Estado deve entregar ao privado pagando o Estado, ou seja, o Estado desinveste no SNS, torna-o ineficaz para entregar os cuidados de saúde ao privado pagando-os; grande negócio – o Estado perde, ganham os espertos, os privados cujos governos os protegem. É o negócio diz Rio e Cotrim que sim.

A escola pública deve ser boa diz Rio, mas se calhar tratando mal os professores e todo o pessoal não será. Que fazer? Entrega-se aos privados. Os governos deixam o setor público tornar-se ineficaz e sem investimento e a conclusão é entregá-lo a quem vai receber do Estado o que este não investiu. Olha os cavalheiros verdadeiros vendedores da banha da cobra.

Sendo a gestão privada tão boa e eficiente por que precisa do Estado? Quem a impede de investir no Ensino, na Saúde, onde quer que seja? Invistam, invistam, quem os impede? Mostrem que são melhores, deem o exemplo.

 Em cima da mesa o exemplo esplendoroso é a banca corrupta e corruptora, salvo poucas exceções.

Cotrim na sua pose liberal quer que todos tenham acesso à escola privada pagando-a. Com quê?

Se os portugueses quiserem pagam com votos não lhos dando para impedir estas manigâncias.

Dois cavalheiros da estirpe liberal; um, mais quê, o outro menos quê; um mais contido (noblesse oblige), o outro mais desenfreado. Um a esticar para a direita a roçar o extremo, o outro com medo do arrastão e no dia 30 perder a ocasião.

Foi um debate à medida daquelas duas almas. E das outras que se seguiram, que não vão a votos, mas decidem quem venceu, substituindo o soberano. Senhoras e senhores cheios de razões, sabichões, espertalhões. Lindas e lindos.

O debate foi giro( diz-se assim) de se ver. O que se viu? Uma coisa tão simples, tão simples que pode ter passado – os dois cavalheiros são visceralmente contra tudo o que apresente prejuízos e como tal se a CGD der prejuízo Rio e Cotrim catrapim privatiza-se, o mesmo sucedendo à RTP ou a o que quer que seja.

Podem explicar por que não aplicam esta fúria ao BES, BPN, Milenium, e a todos os bancos que iriam à falência, com milhares de milhões de prejuízo, se não fosse o malvado do Estado com o dinheiro de todos os cidadãos salvá-los?

Vá lá expliquem esse apelo à fantástica gestão privada com o seu melhor representante preso em Durban, fugido à justiça? Então, como é?

Se o que der prejuízo privatiza-se, o que dá montanhas de prejuízo no privado é para ser salvo pelo público e entregue aos privados? Ou nacionaliza-se?

Nesta senda sorrateiros acham que se o SNS não responde a tempo. Então defendem que o Estado deve entregar ao privado pagando-lhes, ou seja, o Estado desinveste no SNS, torna-o ineficaz para entregar os cuidados de saúde ao privado pagando-os; grande negócio – o Estado perde, ganham os espertos, os privados cujos governos os protegem. É a cartilha. É o negócio diz Rio e Cotrim que sim.

A escola pública deve ser boa diz Rio. Mas tratando mal os professores e todo o pessoal não é. Que fazer? Entrega-se aos privados. Consultemos uma vez mais o manual das instruções – Os governos deixam o setor público (neste caso a escola pública) tornar-se ineficaz e sem investimento e a conclusão é entregá-lo a quem vai receber do Estado. Olha os cavalheiros verdadeiros vendedores da banha da cobra. É o negócio diz Rio, Cotrim que sim.

Sendo a gestão privada tão boa, tão boa por que precisa do Estado? Quem a impede de investir no Ensino, na Saúde, onde quer que seja? Estes gestores de alto coturno o que pretendem é que o Estado os subsidie dado a sua tradicional inclinação para viver à custa do setor público. Invistam, invistam, quem os impede? Mostrem que são melhores, deem o exemplo. Em cima da mesa o exemplo esplendoroso é a banca corrupta e corruptora, salvo poucas exceções. Olhem para os Rendeiros deste país, só eficiência a meter o negócio nos bolsos.

Cotrim na sua pose liberal quer que todos tenham acesso à escola e à saúde privadas. Com quê?

Se os portugueses quiserem pagam com votos, não lhos dando para estas manigâncias.

Os debates que o não são, por que não roubou Prometeu aos Deuses tempo para o dar aos humanos?

Os debates de vinte e cinco minutos não são bem debates para esclarecer as propostas dos líderes dos partidos e deste modo as diferenças entre eles; são uma espécie de ringue em que o primeiro a expor troca a exposição por meia dúzia de pontapés no adversário obrigando o atingido a passar o “debate” a correr atrás do outro para ripostar com outra “sova” e assim em redemoinho até ao trucidamento final de um ou dos dois.

Está montado o Coliseu romano para vitoriar os vencedores da arena e vituperar os que não sabem usar os punhos e as espadas.

No Coliseu de Roma não havia moderador, só o poder absoluto do Imperador. De algum modo os moderadores nas estações de televisão têm um poder similar, trocam o sinal do polegar pelo estribilho – O tempo acabou.

Depois recomeça com tempo “infinito” – o do debate dos comentadores; os hierofantes, os que interpretam in nomine populi quem venceu. É o tempo da estação, avara em o conceder a quem pode esclarecer e de cancelas abertas para quem interpreta o que milhões de seres humanos no seu íntimo atendem em parte ou na totalidade face aos argumentos veiculados, quase sempre aos chutos.

A velocidade do tempo que vivemos e nos escraviza impõe esta maneira de encarar a democracia, submetendo-a ao tempo mediático; o dono de todo o tempo comunicacional obriga o debate democrático conter-se dentro de duas dúzias de minutos.

Num tal contexto o debate deriva muitas vezes para um tipo de pronunciamentos agressivos impossíveis de verificar ficando no ar o lado da política espetáculo que agrava a desconfiança dos cidadãos no seu exercício.

Na fábrica ou no escritório o dono do tempo é o patrão, na democracia atual o tempo do debate é uma espécie de arremesso democrático, ou seja, um cheirinho que acompanha a democracia.

O modelo escolhido torna evidente o rebaixamento do debate democrático a uma repetição quase burocrática de um conjunto de frentes a frente em que é impossível na prática qualquer interveniente apresentar as propostas, obrigando-os a recorrer a uma série de slogans fortes que substituam ideias e propostas. A chamada e apregoada preparação não passará da finta, da rasteira com que o outro não conta, substituindo-a pela afirmação mais ou menos serena das ideias e dos projetos.

Choca o tempo atribuído aos debates com o tempo conferido aos comentadores a explicar o sucedido no “confronto” das posições e o foguetório em que muitas vezes as suas opiniões não passam de ecos das suas opções políticas.

Este tempo de debate é o terreno ideal para os populistas; ali medram, inventam, insultam, aldrabam e espojam-se na lama por si criada.

Talvez Prometeu nos tivesse trazido mais felicidade se tivesse roubado tempo para desfrutarmos em vez de nos entregar o fogo; os debates atuais na televisão apenas confirmam esta realidade. Nem nos debates eleitorais os candidatos, de onde sairá um primeiro-ministro, têm tempo e aceitam-no. Glória às televisões nas alturas. Amen.

Por uma maioria de votos de esquerda plural


Em 2015, os entendimentos à esquerda permitiram reverter medidas socialmente
injustas e economicamente contraproducentes impostas pela troika e pelo governo de
direita. Mostraram também que foi possível fazer convergências à esquerda em torno
de objetivos concretos, mesmo no quadro de constrangimentos europeus que
continuam a limitar o alcance das mudanças. A longevidade da solução política então
encontrada superou todas as expectativas iniciais.
Os signatários desta carta, que apoiaram desde a primeira hora as convergências à
esquerda, entendem que a devolução do voto aos cidadãos, no atual contexto, não
tem de ser um drama. Pode e deve ser uma oportunidade de clarificação sobre o
projeto de desenvolvimento para o país.
Apesar de não termos militância partidária, entendemos que os progressos políticos
verificados desde 2015, mesmo quando insuficientes, não teriam sido possíveis sem o
empenho do BE, do PCP e do PEV, no quadro de uma maioria parlamentar de esquerda
com o PS. Sem prejuízo do balanço diferenciado que fazemos das razões que levaram à
interrupção da legislatura, sabemos que a concretização de uma agenda
socioeconómica mais ambiciosa é uma tarefa que o PS, sozinho, não poderá cumprir.
Defendemos um Serviço Nacional de Saúde público e universal, que valorize os seus
profissionais, travando assim a crise que a pandemia acelerou. Defendemos os direitos
do trabalho, revertendo as leis laborais do tempo da troika, recusando que a evolução
da economia nacional seja baseada nos baixos salários e na precariedade. Defendemos
uma política de habitação pública que responda à especulação que expulsa jovens,
pobres e a classe média dos centros das cidades e promove a segregação social e
racial. Defendemos a escola e a universidade públicas, assim como a produção cultural
e o respeito pelos seus profissionais. Defendemos a preservação do planeta,
recusando encarar a urgência climática como uma oportunidade de negócios.
Sabemos, porque quase meio século de democracia nos ensinou, que isto só é possível
se garantirmos e reforçarmos a diversidade e pluralidade do campo da esquerda.
Sabemos, porque 2015 nos ensinou, que todos os deputados que elegemos contam e
que o próximo governo será formado pela conjugação da vontade das diversas forças
parlamentares, independentemente de qual venha a ser o partido mais votado. E
sabemos que a reedição, formal ou informal, do bloco central só pode ser evitada se as
esquerdas parlamentares saírem reforçadas.
O nosso apelo é que o dia 30 de janeiro sirva para promover uma maioria plural de esquerda. A
mesma pluralidade que impediu o aprofundamento do retrocesso social que a troika e o governo
de direita quiseram impor. A mesma pluralidade que permitiu avançar com medidas para a
justiça social e económica neste país. Seja qual for o futuro, só essa pluralidade pode construir o
diálogo, a alternativa e a resistência. Sem ela, a esquerda derrota-se. Com pluralidade, a agenda
de esquerda para um desenvolvimento mais justo e sustentável de Portugal sairá reforçada.
3 de Janeiro de 2022.
Os 100 subscritores:
Abílio Hernandez (professor universitário); Alberto Melo (professor); Álvaro Siza Vieira (arquiteto); Américo
Monteiro Oliveira (membro da CE CGTP-IN); Ana Benavente (socióloga); Ana Cordeiro Santos (investigadora); Ana
Costa (professora universitária); Ana Drago (socióloga); Ana Ferreira (investigadora); Ana Luísa Amaral (poetisa); Ana
Petronilho (investigadora); André Carmo (professor universitário e sindicalista); António Pinho Vargas (compositor);
Artur Cristóvão (professor universitário); Bárbara Bulhosa (editora); Bernardino Aranda (livreiro); Boaventura Sousa
Santos (professor universitário); Carlos Seixas (programador); Carlos Vargas (jornalista); Carmo Afonso (advogada);
Constança Cunha e Sá (jornalista); Cláudio Torres (arqueólogo); Daniel Oliveira (jornalista); Diogo Martins
(economista); Domingos Lopes (advogado); Elisabete Moreira (professora); Fátima Sá (professora universitária);
Fernanda Rodrigues (assistente social); Fernando Nunes da Silva (professor universitário); Fernando Paulouro das
Neves (jornalista e escritor); Francisco Bethencourt (professor universitário); Gabriela Moita (psicóloga); Gonçalo
Leite Velho (professor ensino superior); Guadalupe Simões (enfermeira e sindicalista); Henrique Barros (médico de
saúde pública); Henrique Sousa (investigador social); Isabel do Carmo (médica); Isabel Lindim (jornalista); Ivan Dias
(produtor); Joana Craveiro (encenadora e dramaturga); João Fazenda (ilustrador); João Leal (professor universitário);
João Leal Amado (professor universitário); João M. Almeida (quadro superior); João Rodrigues (professor
universitário); José António Bandeirinha (professor universitário); José Aranda da Silva (ex-bastonário da Ordem dos
Farmacêuticos); José Carlos Martins (enfermeiro e membro da CE CGTP-IN); José Feliciano Costa (professor e
sindicalista); José Luís Peixoto (escritor); José Maria Silva (dirigente associativo); José Neves (professor universitário);
José Reis (professor universitário); José Vítor Malheiros (consultor); Lúcia Amante (professora universitária); Luís
Miguel Correia (realizador); Magda Henriques (programadora cultural e professora); Manuel Correia Fernandes
(arquiteto); Manuel João Ramos (professor universitário); Manuel Lisboa (sociólogo); Manuel Morais (agente
principal unidade especial de polícia e antropólogo); Manuel San-Payo (artista plástico); Manuela Barreto Nunes
(bibliotecária); Manuela Mendonça (professora e sindicalista); Manuela Ribeiro Sanches (professora universitária);
Manuela Silva (médica); Margarida Santos (investigadora social); Maria Augusta Sousa (enfermeira); Maria Irene
Ramalho (professora universitária); Maria José Espinheira (administrativa ); Mário de Carvalho (escritor); Mário
Laginha (músico); Marta Delgado Martins (advogada); Marta Lança (jornalista e tradutora); Miguel Gonçalves
Mendes (realizador); Miguel Real (escritor); Nuno Serra (geógrafo); Nuno Teles (professor universitário); Patrícia
Bastos (professora universitária); Paula Cabeçadas (ativista política); Paulo Pedroso (sociólogo); Pedro Abrunhosa
(músico); Pedro Estêvão (sindicalista e investigador); Pedro Messias (sindicalista e bancário); Pedro Vieira (escritor);
Pilar del Rio (jornalista); Ricardo Paes Mamede (professor universitário); Rogério Moreira (gestor); Rui Bebiano
(professor universitário); Rui Graça Feijó (investigador); Sérgio Antunes (arquiteto); Sérgio Tréfaut (realizador);
Tatiana Salem Levy (escritora); Teresa Beleza (professora universitária); Teresa Dias Coelho (artista plástica); Teresa
Villaverde (cineasta); Tiago Rodrigues (encenador); Ulisses Garrido (sindicalista); Victor Louro (engenheiro
silvicultor); Vitorino Salomé (músico)

 Maiorias absolutas? Ponham os olhos nas maldades históricas e nos “frugais”

Os dirigentes políticos têm a tendência de considerarem o momento político como sendo decisivo e as eleições as mais importantes. As próximas são importantes pela simples razão de que delas sairá o parlamento que escolherá o governo.

Tendo em conta a anunciada gula de encher o pote com a maioria absoluta, importa ter presente alguns ensinamentos da nossa História recente.

Comecemos pelas maiorias absolutas de Cavaco Silva. O homem governou como o Rei D. Diniz – fez o que quis. Destruiu setores produtivos (marinha mercante, pesca, indústria e agricultura) em troca de uns subsídios do género de trocar um porco por três ou quatro chouriços.

 No seu reinado ocorreu uma caterva de crimes cometidos por desvio de subsídios e as conhecidas manigâncias do setor bancário e financeiro encostado a um poder quase absoluto. A marca de Cavaco ficou ligada aos tipos de jipes dos jovens agricultores dos passeios de Lisboa. Lisboa parecia o Paris/Dacar. Era a agricultura do capitalismo popular.

 E convém ter presente todos os ministros ligados ao BPN, o glamoroso banco da elite do PSD.

A maioria absoluta de José Sócrates deu autoestradas e mais autoestradas e um número bastante significativo de acusações da prática de crimes gravíssimos em apreço nos tribunais ou à espera de prescrição. O PS atolou-se de tanto poder ter abocanhado.

É preciso lembrara que o PS sozinho, à solta com uma maioria absoluta, é um perigo, até para si próprio. Não se trata de qualquer sectarismo.  A experiência portuguesa mostra que quanto maior é a maioria do PS mais débil é a governação do PS e os factos não desmentem desde o Acordo do queijo Limiano de Guterres, passando por Sócrates.

Imagine-se o que aconteceria à gestão dos fundos da bazuca com uma maioria absoluta do PS; Costa, mesmo sem a tal maioria, correu o país a criar a ideia de que a bazuca era do e para o PS. E o PSD não tem estaleca para dar lições.

Há depois algo de irracional no modo como Costa, um político inteligente e experiente, coloca de modo tão infantil o suposto dilema entre ele e Rio. E porquê? Porque Costa dentro desta lógica ilógica perdeu as eleições em 2015 e apesar disso foi nomeado Primeiro-Ministro; ganhou as Regionais dos Açores e perdeu o governo Regional, exatamente porque as maiorias se formam nos parlamentos. Porquê esta manipulação? Para justificar posteriores acordos à sua direita?

A maioria absoluta traz poder quase absoluto e dá a quem a tem a falsa ilusão de que pode fazer o que quiser, desprezando os diversos interesses representados no parlamento, dado ter uma espécie de fiéis que votarão o que a direção lhes encomendar; longe vão os tempos das rebeliões dos deputados.

A maioria absoluta despreza os restantes partidos, corrompe, fecha o partido em si próprio e na luta por distribuição de lugares e cargos. Encerra a política nos interesses do partido maioritário. Esta realidade não traz estabilidade, faz sangrar a seiva democrática pela sufocação do controlo da vida política pela maioria absoluta.

As maiorias que os partidos formam no parlamento dão força à política no seu sentido mais nobre, o de encontrar com outros os superiores interesses da população e do país. Impede a crescente descrença nas instituições porque um parlamento que se transforma numa caixa de eco do governo é pobre e deixa na população a ideia de que os deputados não servem para nada e, por outro lado, alimenta a extrema-direita que medra neste pântano de desesperança.

A política tem de ser entendida como atividade nobre e digna que exige compromissos e elevação no respeito pela defesa dos interesses populares, a partir das maiorias que se formarem no parlamento.

Além do mais, com tantos europeístas e admiradores da Alemanha, seria bom ter presente que naquele país foram precisos três meses para se formar uma coligação; ao lado, nos frugais Países Baixos (pouco frugal esta designação) foram precisos nove meses para formar um governo de coligação e nos países escandinavos governam coligações de vários partidos. Então? Ponham os olhos nos frugais. E nas maldades históricas das maiorias absolutas.

https://www.publico.pt/2021/12/30/opiniao/opiniao/maioria-absoluta-ponham-olhos-maldades-historicas-frugais-1990198

Gato escondido com Rio de fora

Rio ajudou a que o PR dissolvesse a AR por ter votado contra o orçamento, tal como o PCP, BE, CDS, IL, PEV e Chega. O governo caiu e haverá eleições a 30 de janeiro.

Depois de ter derrotado o assertivo Paulo Rangel veio cheio de nove horas propor ao PS o seguinte: se o PS for o mais votado, o PSD durante dois anos deixa passar o orçamento; se for o PSD, o PS fará o mesmo.

Ora se o PSD não se importa que o PS, caso tenha mais votos que o PSD, governe mais dois anos, por que não o fez aquando da votação do O.E.?

Se à partida está disponível, mesmo sem conhecer o conteúdo, a deixar passar o governo PS, durante dois anos por que votou contra por mais um ano apenas?

RIO E AS MINIS

A notícia reza que Rui Rio tem uma espécie de mini base para formar governo, o que é único e admirável.

Esgotam-se os adjetivos tal é a envergadura da dita. Aliás, mais ninguém tem. Só os hipermercados. E a mini, dado o caráter renovador, tem na base ex-ministros. Extraordinário. Somos todos mini, não somos?   

Viva o PSD e a mini base. E quem a apoiar. Coitadinho do Natal.