Um homem morto à paulada

No bairro Zumbi dos Palmares, na zona Oeste de Manaus, moradores do bairro esperaram, na creche Municipal Maria Aparecida, que o ladrão viesse como em vezes anteriores apoderar-se de comida que fazia parte da merenda das crianças.

Quando o homem já estava dentro da creche, os moradores abriram a mochila e descobriram ferramentas usadas para entrar na creche e ainda frutas e latas de conservas e outros produtos alimentares.

Então os populares armados de paus espancaram o homem até chegarem os polícias da 14ª Companhia Interativa.

As autoridades policiais confirmaram que o homem espancado estava morto de tanta paulada.

Foram-lhe apreendidas as ferramentas e os produtos do furto.

Como a vida já lhe tinha sido tirada, o ladrão não foi sujeito a nenhuma medida de coação.

As latas de conservas e de salsichas que o homem não tinha comido foram entregues à creche.

Os moradores partiram satisfeitos por dois motivos – castigaram o homem impedindo-o de voltar a furtar , e entregaram os produtos furtados à creche.

Todos os moradores da Maria Aparecida eram bons cristãos.

O morto ninguém se sabia quem era, apenas que, sem autorização, se apropriou de latas de salsichas e conservas para comer.

 

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Desconfiar dos condecorados?

 

O escândalo em torno da figura acanalhada de Joe Berardo parece que indignou muitos dos nossos dirigentes. Porém, o caso não pode ser visto como algo de anormal na República portuguesa.

A sociedade portuguesa tem conhecimento do elevado grau de envolvimento de altos dirigentes políticos, de banqueiros e de empresários de relevo em processos de corrupção e em crimes relacionados com a indevida apropriação de bens públicos.

Atente-se nalgumas dessas figuras bem encadernadas que arranjaram à martelada um curso superior, pois de outro modo não o alcançariam. Eram todos dos mesmos partidos ou dos mesmos interesses – tratar da vidinha, hoje eu, amanhã tu, e cá te espero.

Há uma espécie de casta que gira entre os partidos chamados do arco do governo, bancos e empresas e cuja missão é enriquecer de qualquer modo.

Muitos dos que hoje se assanham contra Berardo curvaram a espinha para o admirar, o self-made-man made in South Africa de origem madeirense, o empresário que atropelava o inglês e o português, mas era um vivaço e empenhado em mergulhar o país num mar de cultura…Um exemplo.

Tal como Berardo a nata de outros tantos da mesma igualha e até de dirigentes desportivos (pelo menos um) do alto do seu esplendor foi deitando a mão a tudo o que podia abocanhar para subirem mais alto neste nosso reino mais ou menos apodrecido.

Os escândalos rebentam a todo o momento. Já envolvem figuras como um ex-Primeiro-Ministro, ex-Ministros e ex- Secretários de Estado, o ex-dono do maior banco, banqueiros que saíram da política para a banca, altos quadros partidários, empresários de grande relevo, caloteiros que ostentam a sua riqueza e no dia seguinte se declaram insolventes; gente do mais famoso que há e que passou a vida a ser projetada pelos media que realçavam as suas capacidades de gestão. Receberam as Ordens de tudo e mais alguma coisa.

Estes grandes figurões não foram só ao pote do dinheiro. Também foram ao pote das medalhas. O novo-riquismo tem necessidade de se legitimar dada a velocidade com que muitas dessas figuras passaram de simples empregado/funcionário a altíssimos quadros partidários ou gestores ou dirigentes desportivos ou até a  banqueiros. As condecorações eram psicologicamente uma espécie de carta de apresentação das qualidades.

Os donos disto tudo precisavam e precisam de ter os seus políticos e levá-los para a boa vida. Eram precisas parcerias com o dinheiro público. Era preciso privatizar. Era preciso entregar as riquezas do país aos magnatas chineses, norte-americanos, franceses, alemães, a quem quer que fosse.  O que contava era tornar os mais ricos ainda mais ricos. E receber os respetivos agradecimentos. C’est la vie.

São muitos os homens que foram condecorados e têm o nome na lama. E para a lama arrastaram as instituições. Que respeito pode merecer uma condecoração?  São casos a mais. Quando se fala em combater o populismo que se está disposto a fazer para que o povo português acredite que o crime de colarinho branco e de altas figuras é para ser combatido e punido? Ou continuará a servir de arma de arremesso de luta partidária, ora revelo eu, ora revelas tu…

Face a este vendaval de gente sem escrúpulos, faltam sair à liça as mulheres e os homens escrupulosos, dedicados à causa pública, que querem servir as instituições e a República. É de crer que seja possível à esquerda e à direita encontrar mulheres e homens capazes de limparem as manchas da corrupção. As nódoas expandem-se, se não as cortarem.

Hugo Miguel,fraco, ignorante e imprudente

As principais características de um árbitro ou juiz de campo devem ser – conhecer a lei, fazê-la cumprir e para tal usar a devida prudência.

Cumprir a lei é penalizar todos os comportamentos que violem as regras do futebol.

Sendo humanos os árbitros podem errar e segundo a sua convicção penalizar ou não  comportamentos que não o deviam ser ou devê-lo-iam ser.

Enquanto houver humanos haverá julgamentos que se não adequam à verdade dos factos. Mas para esse lado todos podemos dormir descansados.

O mal maior não é na penúltima jornada do campeonato o árbitro que apitou o Rio Ave / SLBenfica ter errado clamorosamente. Apareça o primeiro a atirar pedras…

O problema é a tal prudência que o senhor substituiu pela arrogância ou fraqueza.

Vejamos: este era um jogo de uma importância estratégica. Não devia haver erros dos grandes.

Sempre que surgissem as mínimas dúvidas havia que ser prudente, ou seja, desde que há V.A.R., recorrer a esse meio auxiliar de decisão.

À entrada da grande área do Benfica Gabrielzinho é empurrado por um jogador do Benfica (questão unânime entre todos os comentadores e árbitros comentadores) e o árbitro nada marca e deixa seguir a jogada que dá o segundo golo do SLBenfica com João Félix em fora de jogo.

A revolta é enorme nos jogadores e público do Rio Ave. Que faz o árbitro – Perguntar ao que parece vídeo árbitro que manda seguir, recusando o supremo critério da prudência que seria visualizar e, neste caso, teria de mandar anular o golo e ordenar marcar livre ou penalti contra o Benfica.

Que fez o senhor juiz? Servir-se da desculpa do colega do vídeo e com toda a imprudência manchou a sua atuação e o próprio campeonato.

É verdade. Pilatos para não decidir (tendo já alguém decidido) mandou crucificar Cristo.

O inefável Hugo Miguel com toda a imprudência arranjou modo da sua decisão prevalecer e com ela dar o triunfo ao Benfica.

Não é estranho que ele não tenha visto o penalti. Normal. Humano. A desgraça é a sua imprudência, pois sabia que aquele lance ia ser escrutinado por todos. Apesar disso, no limiar da imprudência/irresponsabilidade, decidiu não visualizar o que se tivesse visualizado seria obrigado a decidir de outro modo.

Um árbitro que em campo se preocupa apenas em arranjar desculpas para a sua decisão, sacrificando a verdade material é um juiz imprudente e juízes imprudentes não devem fazer parte do rol de árbitros porque a prudência é um atributo sem o qual não se deve ser juiz. Hugo Miguel comportou-se como um fraco e manchou um jogo que não podia ter manchas.

Quem os mandou serem professores?

Tornou-se uma espécie de tique de boa aparência dar porrada na “insensibilidade” dos professores que devido “à sua força negocial” querem deixar o país mal, sem credibilidade internacional, pondo em causa que as boas contas…Há credores que merecem tudo, os professores que são credores do seu tempo de carreira congelada são sacrificados face ao Pacto de estabilidade.

Aparecem lampeiros nas televisões, rádios e jornais a cascar nos insensatos que do alto do seu barriguismo querem atirar pela janela fora todos os sacrifícios já feitos, podendo dar origem a nova troica, dado que o passo é maior que a perna, blábláblá, blá,blá.

É interessante confrontar todas estas opiniões com a compreensão face aos desmandos loucos dos banqueiros…estes sim, verdadeiros patriotas que nunca exercem a sua força negocial.

Pode comparar-se quinhentos milhões de euros com quase vinte mil milhões?

Pode comparar-se os milhões entregues este ano ao Novo Banco  e os muitos milhões que ainda vão ser entregues com os quinhentos milhões?

PS, PSD e CDS acham que para os bancos tudo, para os professores “poucochinho”…

Bastou a poeira assentar para percebermos que a direita foi chamada ao redil e entre ser coerente com os seus interesses de classe ou com o que prometeram aos professores o que conta são os seus interesses… e os de Bruxelas, dizem.

Vejamos de outro ângulo- quem deu causa à crise foi a banca, quem a paga são os professores e os que vivem do seu trabalho. É isto, não é?

Apesar disso os comentadores vão à televisão muito sérios pregar sermões sobre a irresponsabilidade da classe cujos dirigentes sindicais estão disponíveis para pôr em causa a credibilidade internacional do país… vejam bem do que são capazes os professores.

Um país, que trata mal os seus professores não tem grande futuro. Despreza os filhos, pois não se importa que quem ensina os seus filhos seja mal tratado. Quem é mal tratado não fica nas melhores condições para ensinar num país em que há crianças mal alimentadas e com fome.

Os bilionários não têm que se preocupar, os filhos não frequentam tais escolas e com sorte os pobres e os remediados pagam-lhe os encargos nas escolas privadas. O mundo é dos espertos. Quem os mandou serem professores?

O estranho nesta questão é Costa servir-se dos professores para tentar melhorar o resultado eleitoral nas eleições europeias. Denegrir os professores é atacar a base social de apoio ao PS. Vamos ver o que vai dar este jogo de desacreditar o sistema de ensino acusando os professores de falta de patriotismo.

A poeira vai assentar. Os portugueses continuarão a pagar os desmandos dos banqueiros. Os professores a ensinar a formar as mulheres e os homens. A eles se deverá o futuro. Não destruíram as finanças públicas. Estão a pagar a loucura do sistema financeira. E o governo trata-os deste modo.

Quem quererá amanhã ser professor?

Esta Europa e as nações

A Europa enquanto continente político-geográfico é o resultado da afirmação das nações. Foram elas que fizeram da Europa o continente mais avançado em termos de conquistas políticas, sociais, culturais e ambientais.

Também é verdade que foram algumas delas que arrasaram o continente a ferro e fogo em guerras que explodiram no século passado e assumiram dimensões mundiais.

Foi essa horrenda devastação que gerou a ideia de uma Europa de nações a viver em paz e em cooperação.

Neste nosso tempo as nações não passaram à História, estão aí, nalguns casos exacerbadas por líderes que delas se servem para combater rumos que os seus povos rejeitam. Os mais “europeístas” como Merkel ou Macron pensam em primeiro lugar na Alemanha e França respetivamente e veem o continente à luz dos seus interesses.

A Europa continua a assentar nas nações e só a sua união voluntária de baixo para cima e não imposta de cima para baixo pode permitir a cooperação à escala continental onde está a U.E. e onde estão outras nações.

A crise que atravessa a U.E. de onde sobressaem tendências xenófobas, fascistas, nacionalistas, austeritárias, resulta também do rumo que leva a sua edificação.

Ninguém se pode sentir bem numa organização que impede de alimentar as suas aspirações por chocarem com  regras impostas por elites desligadas dos povos.

No passado a construção de grandes impérios tolheu o desenvolvimento da ideia da Europa e levou sempre a confrontos militares. O império era mais que o continente.

Em 2019 será mais difícil impor políticas com base nos tanques ou aviões ou ainda nos navios de guerra. Hoje, os meios são muito mais sofisticados e os países mais fortes atraem por via das elites os mais fracos para um espaço continental onde aqueles dominam através de mecanismos económicos e financeiros.

As regras resultantes do Pacto de Estabilidade configura um certo tipo de poder imperial, na medida em que condiciona de modo decisivo uma parte muito importante da soberania nacional de muitos dos Estados que outros conservam a todo o custo. Outrora os Filipes, os Habsburg, os czares, os sultões, Bonnaparte , Bismark, ou a Rainha Vitória, impunham por outros meios essa limitação.

Fazer parte de uma organização de nações em que as mais ricas continuarão mais ricas e as mais pobres não terão possibilidade de se desenvolverem porque as regras existentes as impedem de gerir os seus recursos de acordo com os seus interesses trará grandes e graves problemas. Atente-se nos que está a enfrentar o Reino Unido com o seu divórcio que poderá acabar no ponto em que começou.

É um mal-estar que alimenta toda a espécie de extremismos. As eleições para o Parlamento Europeu não entusiasmam ninguém. Até o PS sentiu que ninguém ia à bola com a sua política centenista/europeísta  e Costa arranjou uma crise que não queria, mas queria….

Porém, o cabeça de lista do PS continua um ilustre desconhecido, o do PSD é aquele que continua como sócio de uma sociedade de advogados e o Nuno Melo acha que o Vox não é de extrema direita… É esta União Europeia criada por estas elites que desmotiva os povos. Uma União em que mandam os mais poderosos não é uma união. É uma organização que tem um diretório para submeter os outros. É precisa outra União onde os povos e nações sejam realmente pares e parceiros.

In Público online

O PS não bate certo

Toda a gente sabe que a crise financeira vivida pelo país foi provocada pela ganância e incompetência dos banqueiros portugueses. Foi a banca quem gerou a crise. Por causa dela os portugueses estão a pagar o descalabro do sistema financeiro. Quase vinte mil milhões de euros.

Não foram os professores, nem os magistrados, nem os funcionários judiciais, nem a polícia quem deu causa à crise. Estes trabalhadores e todos os outros foram vítimas e estão a pagar o mal do setor bancário.

Os professores têm direito à contagem de todo o tempo de trabalho, como todos os que trabalham e descontam. São credores do Estado e não devedores. Centeno assume no seu ar tecnocrático que o Estado português tem de cumprir os seus compromissos, mas pelos vistos há compromissos que não são para cumprir…

O PS pode à vontade votar com a direita questões de grande relevância, mas caso a direita se posicione em consonância com partidos da esquerda grita Aqui d’ El-Rei. Só mesmo o sorridente Centeno era capaz de se manifestar preocupado pela esquerda deixar passar a direita para que o tempo de trabalho dos professores seja contado…

Cabe fazer esta pergunta ao PS, apesar do barulho: após as próximas eleições com quem vai governar não tendo maioria absoluta, como tudo indica que acontecerá? Aliás quantas vezes o PS nesta legislatura teve os votos da direita?

O que o PS está a fazer é uma manobra, por um lado, de intoxicação adiantando números relativos a despesa que mais ninguém confirma e, por outro lado, de pura chantagem dirigindo-se ao eleitorado vitimizando-se dando a entender que não o deixam “salvar o país” e a credibilidade internacional. É demasiado.

Diabolizando os professores, a Assembleia da República e os seus parceiros da geringonça, o PS decidiu entrar em roda livre para buscar ganhos que lhe escaparam nos últimos meses devido a má gestão política.

Pior: desculpabiliza os verdadeiros culpados pela situação calamitosa do país e faz crer que foi encostado à parede pela Assembleia da República, a qual é soberana e diante da qual o governo responde.

Agita a instabilidade congeminando a ideia de que se demitir a escassos meses das eleições e ficando em gestão se apresentará vítima de todos os partidos. Para tanto Costa ataca a direita e Centeno a esquerda. Porém o governo só não governa porque não quer.

Com esta crise aberta pelo próprio PS quem será beneficiado ou penalizado? A manobra é perigosa. Servir-se da instabilidade para se dar ares de rigoroso pode ser um passo em falso. Não bate certo.

CAMPEÕES DA EUROPA

Quase sem nos apercebermos surge o F.C. Porto de novo campeão europeu em sub-19. É obra. Depois dos seniores chegou a vez dos jovens. Os filhos do dragão. Para lá chegar derrotou os colossos europeus. E tornou a grande cidade ainda maior. Poucas cidades europeias se orgulharão de ter sido campeãs em seniores e em sub-19.
O F.C.P chegou onde chegou enquanto os media davam conta da formação de outros clubes, colocando-os no Everest da arte de fazer fábricas de craques. Nunca se falou tanto por essas bandas de projeto europeu. De acordo com as notícias aguardava-se a conquista do cetro europeu para as margens do rio Tejo, coitado dele que não tem culpa de tanta farronca. Já Pessoa tinha aquela ideia sobre o rio da sua aldeia.
E calmamente acontece o que aconteceu em Nyon- Porto 3- Chelsea-1…São muitos títulos para um clube e para o homem que o dirige.
O grande filósofo José Gil escreveu um livro sobre um sentimento muito negativo dos portugueses que é a inveja. Ela não se arruma segundo qualquer acaso dos pontos cardeais, disso estou seguro. Mas a concentração de poderes, influências na capital de um pequeno país que de repente se vê pendurado na grande área urbana de Lisboa, leva a que se possa pensar que o resto seja paisagem. Mesmo que inconscientemente. É em LISBOA que quase tudo se decide. Não é de agora. Mesmo depois do 25 de abril continua a ser assim. Lisboa não tem nenhum mal que as outras cidades de Portugal não tenham, mas tem todo o poder e já tem também uma espécie de ponte aérea com Bruxelas.
Ter paixão por um clube como o Porto é não só querer que ganhe sempre, como também desafiar o establishment e acreditar que é possível não obstante tanta cegueira espalhada por todo o país.
Ao que se sabe os animais cuja cegueira é uma característica não são culpados do seu destino na arte de sobreviver; escavar é a sua única possibilidade até ao dia em que o seu focinho e as suas patas não sejam capazes de fazer os longos tuneis que as levam ao sucesso. Toda a especialização excessiva leva à morte da espécie. O homem descobriu a ferramenta para interpor entre a espécie e a natureza. Vale a pena recordar a cena em que o macaco no filme Odisseia no espaço de Stanley Kubrik descobre que osso de um animal serve para matar outro macaco através de um golpe.
A descoberta da bola, que de pé para pé pode levar à prodigiosa arte que também é o futebol, deve ser vista à flor da relva, com todo o seu esplendor, como os campeões europeus em Nyon.
A fábrica de campeões de sub-19 está no PORTO.