Não há imperialismos bons, a paz é o caminho

Há diferentes tipos de bombardeamentos e invasões neste mundo. Há as invasões aceitáveis e as inaceitáveis.

Para se conhecer a destrinça entre umas e outras tem de se averiguar de que lado estão os EUA e a NATO. No caso dos EUA invadirem países que considerem hostis e um perigo para a sua segurança as invasões são não só aceitáveis, como são de apoiar pelos chamados países ocidentais.

A invasão do Iraque com as várias centenas de milhares de mortes são aceitáveis e a grande maioria dos países ocidentais acabou por apoiar.

Nessa ocasião, todos os horrores e mortes não chocaram as consciências dos governantes desta parte política do mundo.

É interessante verificar que o mundo da Austrália ao Canadá se levantou contra a invasão, o que não impediu que um só homem, violando o direto internacional, tenha ordenada a invasão. Nenhum país ocidental lhe chamou criminoso de guerra.

Hoje tirando o povo ucraniano quem se levanta contra a guerra são dirigentes da NATO e da UE.

Os povos sofrem os horrores da corrida às armas; a vida cada está vez mais cara em contraste com os rios de dinheiro para os fabricantes de armas. Portugal não pode aumentar os trabalhadores da função pública, nem robustecer o SNS, mas pode contribuir com 250.000.000 de euros para entregar a Zelenskii, sem que saiba em que mãos vão cair, se em armas ou armadilhas de oligarcas muito parecidos como vizinho gigante do Norte.

Os bombardeamentos da Jugoslávia tinham justificação e a mutilação da integridade territorial do país não tocou numa única corda sensível do Ocidente- O Kosovo, província da Jugoslávia, tornou-se independente. O Ocidente que apoiou a partilha da Jugoslávia rejeita que a Crimeia seja russa. E vivo cego por sanções.

Quantas dezenas de milhares de palestinianos mortos às mãos do ocupante Israel são precisos para que Portugal entregue um pequeno cheque às autoridades palestinianas? Por que não vai nenhum governante europeu aos territórios ocupados? Que consciência os impede?

Pode esperar-se que estes governantes sejam exemplo a seguir em termos de liderança, de justiça nas relações internacionais, de respeito pelo mínimo dos mínimos das normas vigentes na comunidade internacional?

Sim, a Rússia invadiu a Ucrânia e deve ser condenada por tal violação. A Ucrânia está a ser destruída; há milhares de mortos e uma Europa dilacerada. Putin só pode merecer condenação e repúdio. Sim, mas por que não exigem aos EUA a reconstrução do Iraque e o julgamento no TPI de George W. Bush, Tony Blair, Aznar, Barroso, Portas de Cª ? O que os impede de utilizar o mesmo critério dado que a lei internacional que proíbe a guerra e as invasões é a mesma?

Como se pode aceitar um mundo em que as invasões ocidentais são democráticas e desculpáveis e as de outro país imperialista são execrandas e inaceitáveis?

Há os bombardeamentos dia e noite dos media instituindo uma espécie de pensamento único que consiste no seguinte – quem não apoiar os EUA e a NATO está ao lado de Putin, o autocrata, como se as eleições da Ucrânia fossem diferentes das da Rússia.

Os bombardeamentos mediáticos pintam um mundo de virtudes na ação dos governantes ocidentais, mas são gritantes os diferentes pesos e medidas que utilizam para fazerem prevalecer as suas políticas. Não há imperialismos bons, são todos agressivos e brutais.

Para que caos caminhamos? Pode ou não haver um mundo melhor? A resposta só pode ser sim se os povos tomarem a defesa da paz em suas mãos. Os governantes ocidentais estão ofuscados pela corrida às armas. Com a corrida às armas o dinheiro é empregue na indústria da morte; ganham os fabricantes de armas e os governantes que deles dependem.

Haja coragem. Calem-se as armas. É preciso negociar para acabar com a guerra. É urgente. O que é mais humanamente estranho, defender a paz ou continuar a guerra? É estranho em tempo de guerra propor a paz? Se for, acreditem, a Humanidade está a suicidar-se. Quantas guerras estão no ventre dos monstros?

Parem os bombardeamentos da Ucrânia e os media que reduzem o mundo ao infantilismo dos Bons e dos Maus prestem o seu relevante serviço informando . PAZ. PAZ. PAZ.

O que não disse Zelensky ao Parlamento português

O que disse de substantivo o Presidente Zelensky ao Parlamento português? Que a Rússia está a destruir a Ucrânia, a cometer um rol infindável de crimes, pediu mais sanções, armamento pesado e o mais rapidamente possível.
Há dias acrescentou, na hipótese de António Costa pretender visitar Kiev, o que pretendia antes da sua chegada – armamento pesado, ficando sem se saber se era condição sine qua non.

Antony Blinden e Lloyd Austin, Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa respetivamente, foram, no dia 25 de abril a Kiev, garantir apoio à Ucrânia até ao enfraquecimento e derrota da Rússia.  Nessa ocasião a Ucrânia atacou alvos dentro da Rússia.

Devia ser uma prática comum o Presidente de um país invadido pedir armas para combater o invasor. Aliás, essa prática impediria tais crimes.

Imaginemos o Presidente da Autoridade Palestiniana a pedir armas no Parlamento português devido ao facto dos territórios palestinianos estarem militarmente ocupados por Israel violando Resoluções do Conselho de Segurança da ONU; ou imaginemos, naquele tempo, Saddam Hussein, antes de ser enforcado por ordem dos EUA, aquando da invasão do Iraque contra o direito internacional, a usar da palavra e a dizer que George W. Bush, Tony Blair, Aznar e Portas mentiram e eram responsáveis por mais de cem mil mortos e a destruição do Iraque; ou imaginemos o representante do Iémen a condenar o inferno vivo em que os sauditas com o apoio dos EUA transformaram aquele país da Península da Arábia.

  Antes de Zelensky discursar no Parlamento imaginamos o que poderia dizer. A surpresa vai direitinha para o facto de não ter feito a menor menção a qualquer proposta de paz.

Bem sei que o país agredido procura armas para se defender; é um direito. Mas as armas devem ter em vista restabelecer a situação de paz e para abrir negociações para que as vozes das discussões substituam as das armas.

Quantas vezes os vietnamitas propuseram conversações de paz aos EUA, mesmo debaixo dos terríveis bombardeamentos de Hanoi e Haiphong? E aos franceses, antes do desastre de Dien Bien Phu?

 Segundo as palavras de Blinken a guerra é para continuar porque os EUA querem enfraquecer a Rússia. É bom meditar nas palavras. A guerra vai continuar e os EUA vão combater a Rússia dando armas e os ucranianos à morte. É verdade que foi a Rússia que criou esta situação, mas a guerra deve continuar a escalar? A quem serve?

Continuemos a imaginar os cenários – a Rússia encontra pela frente as maiores dificuldades decorrentes dos ucranianos, bem enquadrados pelos norte-americanos, resistirem. Nesta situação o que se está a passar em solo europeu é uma guerra entre o mandatário dos EUA e a Rússia.

É provável que a Rússia desista face a este desafio dos EUA? Se desistir os EUA continuarão a sua marcha triunfal numa Europa subalterna que lhe prestará vassalagem e a guerra acabará.

Se a Rússia não desistir e se sentir enfraquecida poderá estar em aberto o escalar do conflito para um patamar nuclear. A Ucrânia será seguramente, num primeiro momento, o centro do braseiro nuclear e por isso é estranho não ouvir de Zelensky um arremedo de proposta de paz, não porque se coloquem ao mesmo nível agressor e agredido, mas pela simples razão de que nesta última hipótese (a da escalada nuclear) não fazer sentido a guerra.

O mundo está cheio de invasões e os EUA têm um longo historial e até de uso de bombas de destruição massivas, que o digam Hiroshima e Nagasaki.

O melhor para todo o mundo, a começar na Ucrânia e na Europa, é negociar uma solução que seja aceite por todas as partes, mesmo tendo em conta os milhares de quilómetros que separam a Europa da América do Norte. A paz assim o exige e o direito internacional também. Louvada seja a iniciativa de António Guterres. Ele é o representante da instituição encarregada de fazer cumprir o direito internacional.

https://www.publico.pt/2022/04/27/opiniao/opiniao/nao-zelenskii-parlamento-portugues-2004048

É preciso pensar e repensar o futuro da Ucrânia, da Europa e do mundo

Está o mundo pronto para tirar os turcos do Chipre e de parte do Curdistão, os sauditas do Iémen, Israel da Palestina, os EUA de Guantánamo, Marrocos do Sahara Ocidental?

Ao leme da Rússia o novo czar invadiu a Ucrânia desencadeando a guerra com toda a procissão de horrores transmitidos em doses cavalares pelos media, sobretudo pelas televisões. Não há perdão para esta violenta violação do direito internacional e da soberania ucraniana.

 O desrespeito pelos acordos após a implosão da URSS de que a NATO não avançaria para os países do Pacto de Varsóvia, as contínuas ingerências na Ucrânia, a existência de forças neofascistas com poder crescente no poder daquele país, a perseguição aos partidos de esquerda e às populações de origem russa nunca podiam constituir justificação para a guerra eufemisticamente designada “operação especial”, tal é o medo da palavra e do seu significado por parte de Putin.

No discurso que justificou a guerra está presente um nacionalismo de grande potência que tresanda a imperialismo tout court.

Putin e a sua clique conseguiram que os EUA reforçassem o seu comando da Europa, e que combatam a Rússia por via da Ucrânia armando-a tanto quanto podem.

Depois desta guerra as forças militaristas ganham peso e força em detrimento das forças pacifistas e progressistas.

É preciso ter coragem e dizer que foi Putin que deu aos EUA este novo impulso e que pelo facto de os EUA serem a principal potência imperialista daí não pode resultar na luta entre estes dois imperialismos qualquer virtude do neoimperialismo russo. Recordemos a forma humilhante como Biden capitaneou a retirada das tropas do país do Afeganistão, a sua queda nas sondagens, a sua impopularidade e vejamos como hoje se move e “submete” os países da NATO à trela do seu carro de guerra.

A própria linguagem entre russos e norte-americanos é bem reveladora da mente das direções que dominam neste momento a Europa.

Parece claro que os EUA estão disponíveis para combater a Rússia à custa das vidas ucranianas. Se fosse ucraniano certamente combateria o invasor, mas o mais importante nos perigos da situação e fazer parar a guerra, abrir outro tipo de negociações, saber lucidamente o que constituem as cedências aceitáveis.

O que explicará o facto dos dirigentes europeus se deixarem envolver nesta absurda e sórdida guerra bem sabendo que se houver uma escalada no grau militar do confronto o continente ficará reduzido a um monte de cinzas nucleares. Quem nos pode garantir que é apenas retórica russa? A bomba atómica já foi usada por quem reivindica ser o leadership mundial e nem sequer fazia sentido, pois o Japão estava de gatas; a bomba atómica é hoje um brinquedo quanto aos seus efeitos em relação às armas nucleares.

Mais do que nunca falta a voz da diplomacia popular- a opinião pública- intervir para desequilibrar a balança e exigir o fim da guerra e negociações que reflitam os diversos interesses. Estamos à espera da vitória de um dos lados? Para que tal suceda o grau de confrontação vai continuar a escalar e depois é difícil parar. A Ucrânia invadida pede mais armas; a Rússia sem conseguir alcançar os seus objetivos ameaçar com mais ataques e os países que se envolvam; tudo na Europa.

Como podem os dirigentes europeus fazerem de surdos e não responderem ao apelo do Papa Francisco para parar esta guerra. Quem os impede de terem voz própria, a voz do continente mais avançado em termos políticos, socias e culturais.

É esta paranoia bélica que desejamos para a Europa e o mundo? Sei que a cada minuto, as vítimas ucranianas ganharam e continuam a ter um estatuto que as vítimas palestinianas, iraquianas, jugoslavas, afegãs, líbias, sírias e iemenitas nunca tiveram nem têm. Há vítimas preferenciais. Doi tanto a destruição do Iraque como a da Ucrânia ou de qualquer outra, a qual jamais poderia deixar de ter a mais veemente condenação.

No cortejo do belicismo atual o que os dirigentes europeus têm a propor é mais armas e mais armas e mais armas? O facto da Rússia ter começado esta guerra não significa que a resposta seja escalar o conflito; claro que não se pode aceitar que o prevaricador seja premiado, mas está o mundo pronto para tirar os turcos do Chipre e de parte do Curdistão, os sauditas do Iémen, Israel da Palestina, os EUA de Guantánamo, Marrocos do Sahara Ocidental? Estará? E acaso é só pela guerra que se consegue tal objetivo?

Pensemos bem para onde estamos a caminhar, mas há desafios que avisadamente o deixam de ser, pois se o passo nuclear for dado, o grau de destruição da Humanidade seria de tal ordem que os vencedores jazeriam ao lado dos vencidos.

Inverter o rumo da guerra

Esta guerra na Ucrânia que nunca devia ter acontecido convocou o velho e “adormecido” espírito militarista urbi et orbi.

Já não se fala dos graves problemas da pandemia, nem dos problemas sociais como o empobrecimento dos povos da Europa. Nem das consequências das intermináveis sanções que massacram os que vivem dos seus vencimentos na Rússia e no Ocidente. Nem da crise climática. Nem do futuro.

Fala-se de armas, de aviões, de misseis, de tanques, de helicópteros, de exércitos e de guerra.

Os EUA uma vez mais ficam longe da guerra e os europeus matam-se uns aos outros com armas sofisticadíssimas.

Putin não tem perdão pelo mal que está a fazer a todos os inocentes na Ucrânia. Zelensky convoca a NATO, critica o que considera apoio menor de alguns países e apela ao envolvimento de todos na guerra, bem sabendo que em tal situação o seu país se transformaria num inferno nuclear sem saída para a vida humana nos próximos tempos.

Nos media, o russo, é o monstro e o ucraniano, o herói. No momento atual de extremo sofrimento para o povo ucraniano vítima da invasão interessa perguntar à consciência de cada um se o caminho a seguir é o do militarismo e somar às montanhas de armas mais armas ou é o caminho da razão, do mais humano humanismo para fazer parar a guerra para negociar.

Os conflitos militares no centro da Europa podem alargar-se e envolver outros países e, nesse caso, não se sabe o que pode acontecer, mas seguramente fica aberta a porta para a guerra mundial com armas nucleares. E talvez fosse a última.

Pode haver quem faça cálculos acerca de uma guerra na Europa que de um golpe esmagasse a Rússia e deixasse o continente em ruínas e que nesse quadro lhe fosse mais fácil dominar e impor a sua hegemonia no mundo.

A verdade é que a guerra continua. As sanções prosseguem mesmo sem se conhecer o resultado do inquérito aos mortos de Bucha. A roda da guerra roda. O mundo começa a dividir-se entre os criminosos e os “nossos”, os heróis.

Cinde-se a Humanidade e há uma parte que deixa de o ser quer para Putin quer para os outros, os ocidentais elevados à categoria de bons.

As populações são nauseadas pelo clima de guerra e cegamente seguem os profissionais da loucura, aqueles que se tornam super-ricos vendendo armas e mais armas, ou seja, a morte. Sim, esta é a via da morte, aquela em que num lado ou no outro, aquele que der mais garantias quanto ao número de mortos que matar a mais que o outro, ganha rios e mares de dinheiro.

O caminho do militarismo tantas vezes repetido leva à tragédia e à destruição de um continente que em termos de conquistas sociais é de longe o mais avançado em todo o mundo.

O que faz os governos europeus perderem a sua força para se imporem e encontrarem entre si os caminhos para uma solução negociada para o conflito? Que pode ganhar a Europa ao entrar nesta louca corrida ao militarismo?

Os ucranianos são tão humanos como os russos, por muito que Putin o queira impedir de ser. E os russos, não obstante Zelensky são homens de carne e alma como os russos.

A loucura humana é de todas a pior. Quando se proíbe na Rússia a palavra guerra e quando no Ocidente se proíbe Tchecov ou Dostoievsky ou se muda o nome das bailarinas russas para ucranianos sem o consentimento de Edgar Degas, como fez a National Gallery, para onde caminhamos?

Estranha a nossa Humanidade que aceita estes governantes e que os segue mesmo quando lhes cai em cima desgraças como o aumento brutal dos combustíveis, dos cereais, dos fertilizantes, isto é, o insuportável aumento do custo de vida.

Como pode aceitar que Biden chame criminoso a Putin sem uma única vez mencionar o interminável rol de crimes cometidos por George W. Bush no Iraque?

Como pode o inenarrável Boris Johnson, incapaz de se conter sem uma party em período de rigoroso confinamento, liderar a corrida armamentista na Europa?

Tantas guerras. Tantas montanhas de cadáveres. Tanta brutalidade. E nem por isso nos levantamos contra esta louca estupidez. Que será preciso para inverter o rumo?

A GUERRA NA UCRÂNIA E A NOVA ORDEM MUNDIAL EM GESTAÇÃO

Quando no final da 2ª guerra mundial os EUA bombardearam com armas atómicas Hiroshima e Nagasaki estava subjacente àquela infâmia que o verdadeiro alvo era a URSS, pois o Japão estava de gatas.

No fundo tratava-se de fazer um sério aviso àquele país acerca de quem mandava na nova ordem mundial saída do final da guerra. 

Na impiedosa e brutal invasão da Ucrânia pela Rússia o que está em causa parece ser também a criação de uma nova ordem mundial após anos de recuo daquele país no confronto com os EUA que através da NATO o foi cercando de misseis cada vez mais próximos de Moscovo e de todo o território.

Os EUA na sua linha estratégica definiram a China como inimigo a abater tinham todo o interesse em neutralizar (caso pudessem) a Rússia e ficariam seguramente em melhores condições de se “ocuparem” com a China. Longe vão os tempos da amizade EUA/China em que cada um deles se bateria contra a URSS até ao último soldado do parceiro.

A Rússia, a Ucrânia, a China, os EUA e a Europa estão ordenados no mesmo sistema mundial. Todos eles inscrevem as suas economias e os seus modos de vida no sistema mundial capitalista com as suas nuances, sobretudo na versão chinesa.

A invasão da Ucrânia também serviu para apresentar a Rússia como uma potência capaz de marcar de modo decisivo a sua zona de influência depois de ter em algumas ocasiões dado sinais inequívocos do que pretendia e do que tinha para fazer valer as suas pretensões.

Talvez os mais distraídos não tenham tido na devida conta o disparo num dos seus satélites que serviu para mostrar o seu poderio quanto às suas possibilidades em relação à defesa do sistema do escudo protetor dos EUA/NATO, o chamado AEGIS, instalado depois dos EUA se terem retirado do Tratado INF sobre eliminação de mísseis de curto e médio alcance assinado em Moscovo em 1987. 

A Rússia já tinha exibido os seus novos mísseis hipersónicos Kinhzhal que tendo em conta a sua velocidade mostravam a sua superioridade e de certo modo a inutilidade do sistema instalado na Polónia e na Roménia e que custou aos cofres daqueles países rios de dinheiro-big Money para as indústrias da morte.

Ao ter em conta esta realidade, ela de modo nenhum justifica a invasão, apenas se a refere porque essa realidade é mais complexa que a luta entre anjinhos e diabos.

 O batalhão Azov por mais fascistas que tenha não serve para o justificar a invasão. Nem as leis discriminatórias dos ucranianos de língua russa ou das esquerdas ucranianas. Por mais que a Rússia se sentisse ameaçada, a guerra nunca seria a saída. Neste capítulo não pode haver ses, nem mas.

Desta guerra, por outra banda, ressaltam algumas evidências mais ou menos seguras: a irrelevância da União Europeia em termos militares e a sua vassalagem em relação aos EUA; o novo relevo da Rússia no panorama internacional e a consolidação de uma nova ordem internacional em que China e Rússia passam a ter um papel claro de contrapeso aos EUA.

Os novos atores mundiais passam a ser EUA/NATO num polo e China/Rússia noutro. Naturalmente que as coisas não vão assentar já, mas esta parece ser a tendência. Esta guerra na Europa não tem lugar na zona máxima de rivalidade que é a área do Pacífico onde os EUA para se imporem atropelaram a França que agora submissa aceita a hegemonia dos EUA no conflito com a Rússia decorrente da invasão da Ucrânia.

Os europeus da União Europeia não têm nada a propor, como se tem visto, a não ser andar a toque de caixa dos EUA.

Em vez de correrem a comprar armas ao país que assiste à guerra e à crise europeia enriquecendo por estas duas vias, deviam assegurar neste continente um caminho de desarmamento e de segurança para todos os países sem exceção. A Europa já está saturada de armas. O que faz falta é a segurança de e entre todos os europeus, como contributo para a segurança mundial.

A nova ordem, seja ela qual for, irá no sentido da multipolaridade, mas deve ser aproveitada para encetar a diminuição dos armamentos e não no da busca incessante de armas que permitam a quem as descobrir mandar no resto do mundo. Em vez de inflação, miséria, fome e caos social, o mundo precisa que se invista para que todos os povos tenham uma vida minimamente decente e não nos fabulosos lucros do complexo militar-industrial.

Corrida às armas – caminho do inferno

É em tempo de guerra que se deve falar da paz pela simples razão de que é nesta ocasião que ela mais falta faz. A paz é o supremo bem da Humanidade. Só em paz podemos ser o que somos.

A Rússia iniciou a invasão da Ucrânia e é a responsável pela grave situação que vivemos. Nada justificava a invasão, independentemente do projeto de cerco à Rússia por parte dos EUA e da NATO.

A guerra está a servir de pretexto para desencadear uma corrida às armas; ouve-se o rufar dos tambores da guerra.  O que a economia não aguentava como por exemplo pequenos aumentos de salários acomoda agora 2% do PIB. Até a poderosa Alemanha se virou para a corrida às armas, coisa nunca vista desde o fim da 2ª guerra mundial. A procissão vai no adro, mas quer na Rússia, quer nos EUA, quer na Europa as trombetas da corrida às armas soam por todo o lado.

Se os tempos da crise financeira seguida da pandemia eram difíceis, os de agora são de pavor e choque como no Iraque e agora na Ucrânia. Putin, talvez devido ao seu passado, designou a guerra como operação militar especial, um eufemismo brutal. De facto, então no céu iraquiano, como hoje no céu ucraniano chove a morte e a destruição.

A pergunta é simples: devemos correr às armas para nos defendermos ou o caminho deve ser outro, como por exemplo o assinalado pelo Papa Francisco?

O planeta e a Humanidade estão à beira do precipício. Na nossa Terra há armas para fazer sobreviver apenas alguns insetos no caso de conflito nuclear; a Humanidade desapareceria, a espécie criadora de deuses e de outras tantas maravilhas e que forjou a civilização de que desfrutamos.

No mar navegam submarinos carregados de armas nucleares apontadas aos homens e mulheres das cidades do mundo; nos céus azuis aviões furtivos ou não voam prenhes de armas nucleares; no solo milhares de rampas de lançamento estão prontas a enviar a morte a milhares de graus centígrados. Então precisamos de juntar mais armas a esta quantidade monumental bastante para nos reduzir a zero?

O mundo mais do que nunca precisa que a paz se imponha e se pare o horror na Ucrânia e se caminhe no sentido do desarmamento.

É nesta hora que as vozes das mulheres e dos homens justos e amantes da paz se têm de fazer ouvir para exigir o fim da guerra, obrigar a máquina de guerra de Putin a parar e a retirar-se para a Rússia e a criar condições de segurança para todos os envolvidos, a obrigar os países da NATO a parar de se rearmar e encetar negociações pela paz. Cada arma nuclear custa mais que um hospital. Mais que uma Universidade. Que se pare com a loucura da corrida às armas a Norte, Sul, Ocidente e Oriente. O Planeta está intoxicado e a Humanidade ao rés do abismo. Pensemos. Não deixemos que seja este o rumo. É possível outro. Quem pesará mais no futuro- o complexo militar industrial ou a força da paz?

No continente europeu é possível e é altamente aconselhável que a corrida às armas seja substituída pelo desarmamento. É preciso definir essas condições e garantir a todos desde os escandinavos aos eslavos, aos meridionais, aos ibéricos, aos habitantes dos países balcânicos, aos teutónicos, aos anglo-saxões, aos magiares, a todos sem nenhuma exceção a segurança. Uma paz que assente em cima de armas nucleares é sempre frágil. Não se encontra uma paz melhor que a que repouse sobre o mínimo armamento possível.

Para tanto torna-se absolutamente vital o empenho dos mais interessados neste rumo-os povos; sem eles é impossível.

Todos os caminhos desde o Vaticano até aos gabinetes ministeriais passando pelas avenidas cheias de gente são válidos. A paz merece o esforço. Com a mobilização popular de toda a gente de bem que não quer assistir à destruição em horas de tudo quanto a Humanidade construiu desde há milénios. A corrida às armas é o caminho do inferno. Vale a pena o difícil caminho da paz.

https://www.publico.pt/2022/03/28/opiniao/opiniao/corrida-armas-caminho-inferno-2000403

A TODAS AS CONSCIÊNCIAS DORIDAS

Uma certeza me parece certa – as invasões, as ocupações e as mortes para os órgãos de comunicação social têm valores muito diferentes.

Para comprovar esta conclusão inicial parto do princípio universalmente aceite que as invasões e ocupações são totalmente condenáveis.

Deste modo, a invasão do Iraque, da Síria, da Líbia, do Kosovo, do Iémen e da Ucrânia só poderiam merecer a condenação da comunidade internacional.

O rosário de destruição e de mortes diz respeito a seres humanos e os agentes das destruições e das mortes deveriam ser julgados à luz dos mesmos critérios.

Pode-se ter em conta o volume das mortes e o grau de destruição, mas uma invasão e uma ocupação só pode ter em comum a reprovação universal.

Neste momento, os media bombardeiam-nos com os bombardeamentos russos e todos sentimos o desespero humano da impotência face à tragédia.

Ao mesmo tempo, a cada segundo, minuto, hora e dia os iemenitas são bombardeados por uma coligação de Estados capitaneados pela autocrática Arábia Saudita e morre gente a cada segundo, minuto, hora e dia. E que nos dizem os media? Quase nada. Os Estados que bombardeiam e que têm o apoio claro dos EUA constituem ditaduras absolutistas de tipo medieval. Há uns dias o regime saudita decapitou 81 presos.

No entanto, há uma espécie de cortina de ferro que tapa tudo e o que se lá passa chega de viés, como se fosse natural. Quantas portuguesas e quantos portugueses sabem que a cada segundo, a cada minuto e a cada dia há seres humanos no Iémen que são trucidados e que milhões de seres humanos não têm comida?

Quem de entre todos os seres humanos de boa vontade pediu sanções contra a Arábia Saudita? O big money fala mais alto que a democracia.

Quem tem coração para a Ucrânia por que não tem para o Iémen? Quem tem memória da invasão, ocupação, destruição do Iraque e das dezenas e dezenas de milhares de mortos iraquianos? Quem se esqueceu de Faluja e Mossul? Quem pediu uma sanção contra os que desencadearam a guerra contra o direito internacional? Por que motivo Biden, Macron, Scholtz, Zelensky, Putin não classificam de criminosos de guerra aos responsáveis pelos horrores cometidos contra o povo iraquiano? Quem esqueceu o interminável rol de torturas no centro prisional de Abu Ghraib? E que têm os palestinianos de Gaza e da Cisjordânia a quem ninguém acode quando dias, semanas e meses são bombardeados pelos governantes de Israel sem dó, nem piedade? Quantas dezenas de milhares de palestinianos mortos são precisos para uma sanção a Israel?

Nada destas invasões e ocupações justificam a invasão da Ucrânia pela Rússia; todas sem exceção são condenáveis.

Mas a verdade é que a ocupação da Ucrânia nos invade do ponto de vista mediático e que nos deixa atordoados. Mas qual o motivo que impediu o mundo de pedir a punição que agora pede? Por que não aparece um governante bondoso e caridoso a pedir sanções contra os autores da invasão e ocupação do Iraque?

O mundo corre a grande velocidade. A solidão de quem corre de casa para o trabalho e regresso a casa presta-se a ser sublimada pelas caixas televisivas; uma nova espécie de Coliseu romano.

Já nem os smartphones nos deixam sós; a inteligência artificial persegue-nos para o bem e para o mal. Apesar de tudo vamos continuar a fazer a nossa História, como sempre. Sem saber se é para sempre.

Um treinador, um embaixador ou o que for.

No https://portuguesaletra.com são os seguintes os sinónimos de javardo – sórdido, cerviz, bodegão, porco, sujo, trapalhão, burgesso, cerdo, bronco, brutamonte, abjeto, espurco, cervelo, nojento, azeiteiro, porco-bravo, asqueroso, javali, cachaço, barrote, cacho, incivil, malcriado, abodegado, alarve, besuntão, berrão, cangote, cacoso, torpe, cabeça, anafado, bodoso, chico, obsceno, tramposo, balordo, catrofa, brutamontes, arrieirado, barrão, imundo, caveiroso, bertoldo, chacim, chorão, porcalhão, brutitates, grosseirão, banha, bestaraz, porco-montês.

Com esta panóplia de sinónimos percebemos melhor a razão que levou o senhor embaixador a não pedir desculpa pela javardice.

De facto, quando qualquer cidadão utiliza uma expressão de modo errado, de imediato pede desculpa; ora não é o caso, como se verá. E era o que faltava explicar para quem duvidasse da suprema educação do senhor embaixador.

Na verdade, o senhor treinador do FCP está completamente errado ao exigir desculpas para desistir da queixa-crime.

E porquê? Devido à maldosa interpretação do senhor Sérgio que não tem capacidade de entender que o senho embaixador não o insultou; apenas quis dizer que o senhor treinador era um azeiteiro, ou seja, um cacoso, bodoso, arririeirado, banha e caveiroso. Ou um incivil.

Como pode o nosso Ministério Público ter incomodado o senhor embaixador por dizer que o senhor Sérgio era um espurco? Tanta maldade junta nunca se tinha visto…como ousar pedir desculpa pelo cacoso? Que horror. Um embaixador é um embaixador; um treinador um treinador; um javardo é um coiso, assim um coiso, sem mal, como não podia deixar de ser. Amen.