100 ANOS-DO TEMPO SEM TEMPO A ABRIL E AOS DIAS DE HOJE

Os cem anos do PCP são muitos anos; um percurso extraordinário que logrou atravessar o século XX. No meio da noite mais negra resistiu à ditadura, espalhando as sementes da liberdade e o projeto de uma sociedade democrática tendo como horizonte o socialismo.

Defendeu corajosamente o fim do colonialismo, da guerra colonial e pugnou pelo reconhecimento do direito à independência dos povos submetidos ao domínio português.

O PCP enfrentou a ditadura de Salazar/Caetano organizando um caudal de lutas (desde as mais modestas até às mais grandiosas) criando raízes profundas no país e ganhando influência e prestígio que na madrugada de 25 de Abril deram um forte impulso para que o povo português apoiasse o movimento militar e contribuísse para impedir que as forças da repressão agissem em defesa do regime derrubado.

Na revolução lutou para dar à democracia uma dimensão social e cultural para que a liberdade fosse acompanhada de conquistas sociais.

Esta luta tão generosa nem sempre teve na devida conta as concretas circunstâncias e a importância de uma política de alianças mais estratégica.

Independentemente do papel que PS teve ao longo do processo democrático/revolucionário, este partido é fundamental para uma política que corte com a direita, mesmo vacilando face ao grande patronato e aos mandarins de Bruxelas. Os acordos à esquerda assinados na ocasião do primeiro governo do PS liderado por A.Costa provaram a importância de uma nova política.

Sem alianças políticas entre as forças de esquerda e o PS não é possível impedir a direita de governar nos ventos do neoliberalismo, tornando Portugal um país em que o Estado estará ao serviço da concentração da riqueza com a privatização dos serviços públicos mais rentáveis, tornando os multibilionários mais ricos, aumentando a precariedade, diminuindo os salários, subvertendo as leis laborais, em que os remediados empobrecerão e os pobres ficarão mais pobres. Como se o país fosse uma sociedade anónima.

Um partido com o passado do PCP de luta pela liberdade e pela democracia assumiu posições deploráveis em relação à URSS e ao campo socialista. O socialismo não pode ser um sistema com menos democracia que o capitalismo.

A ditadura do proletariado da URSS serviu para justificar a repressão sobre a oposição ao regime e inclusive a perseguição brutal aos próprios comunistas.

Um partido com este passado não pode ficar refém de um modelo que implodiu sem ninguém o defender. Esta posição do PCP impede a compreensão de milhares e milhares de portugueses e a aproximação e adesão ao partido.

Noutro plano, o PCP entregou o partido aos fiéis à direção, afastando deliberadamente ou pelo estilo de trabalho quem manifesta dúvidas quanto às orientações, deixando-o mais desligado da sociedade. Até nas publicações “oficiais” dos cem anos apagou dirigentes, como se não tivessem sido quem foram.

Os tempos são difíceis não só para o PCP, mas para todos os partidos comunistas que, aliás, como outros partidos de esquerda, recuam em vários pontos do mundo seja os que enveredaram por outra identidade e os que se fecharam no dogmatismo.

 O futuro exige muita capacidade para dar atenção a tudo quanto é novo, sobretudo dos anseios juvenis que foram o baluarte do PCP nos anos 70 e 80.  O discurso verbalista, oco, cheio de lugares-comuns, repetitivo e fugindo ao concreto não atrai. Reconfigurar o ideal, tendo em conta os novos tempos é crucial. Haja a coragem que noutras ocasiões houve.

100 anos — Do tempo sem tempo a Abril e aos dias de hoje | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

Clara Sousa e Marta Temido

Desta vez a motosserra de Rodrigo Carvalho foi substituída pela prefeita do internato. A senhora tinha as Tábuas da Verdade, não era Moisés dado o género, mas era a dona dos números, percentagens e antes de chegar à SIC esteve com Marques Mendes em Delfos a ouvirem a Pitonisa sobre a pandemia.

Na verdade, quando falam os dois- Clara e Mendes- a coisa é um sossego, um ruflar de asas. Deferência para aqui, deferência para acolá, como se estivessem numa nuvem de algodão no Céu.

Clara com Marta tem outra missão: repreendê-la por todos os falhanços. A Dona Clara esqueceu-se de apontar a maior falha à Senhora Ministra – não planear o aparecimento do vírus. Não quis encostá-la à parede e não lha atirou. Marta Temido fazia anos e a jornalista condoeu-se com o facto.

Claro que o SNS não foi capaz de responder aos doentes covid e aos não covid como se sabia. O próprio Bastonário tem proclamado esse facto dia e noite em todo o Portugal e as televisões dado conta. Há uma pergunta que nunca aparece e aqui fica – E se não houvesse SNS como estávamos?

O veneno de Navalny e a serra de esquartejar de Khashoggi

A U.E. aplicou sanções a altos funcionários russos ligados ao envenenamento de Navalny, um opositor de Putin que está na cadeia. Não lhe bastou ser envenenado, ainda ficou preso quando regressou à Rússia proveniente da Alemanha.

Navalny foi envenenado e Jamal Khashoggi, jornalista saudita, colunista do Washington Post, foi asfixiado e serrado depois de ter ido ao consulado saudita tratar de um documento para poder casar com a noiva turca. Foi friamente esquartejado às ordens do príncipe herdeiro, MBS.

O que faz impedir a UE de aplicar sanções a todos os envolvidos no miserável assassinato a sangue frio de J. Khashoggi, incluindo a MBS? O MNE, Augusto Santos Silva, pode explicar?

Os direitos humanos não são para serem exigidos à la carte; são universais, ou não são? Responda Senhor Ministro.

O ternurento encanto de Augusto Santos Silva pela política externa dos USA

O MNE decidiu dar registo do desvelo pela política externa de Biden. É verdade que os USA voltaram aos Acordos de Paris e não saíram da OMS, o que é positivo. Mas e o resto?

Santos Silva entusiasmado com a liderança mundial pretendida por Biden por “força do exemplo” esgravata o chão minado da vida internacional para falar das violações dos direitos humanos na China e na Rússia, os quais, acrescento eu, devem ser respeitados em todo lado, incluindo naqueles países.

Ou seja a tal “força do exemplo” a que se refere o nosso Ministro aconteceu há meia dúzia de dias depois de Biden ordenar o bombardeamento da Síria sem qualquer mandato da ONU…o que diz bem desta estranha conceção de multilateralismo. E apenas dois dias depois da CIA ter revelado que o príncipe herdeiro saudita, MBS, tem as mãos sujas de sangue pelo atroz e cobarde assassinato do jornalista J. Khashoggi no consulado saudita em Istambul.

A força do exemplo em matéria da liderança mundial é tristemente defender assassinos desde que amigos e atacar rivais por violações dos direitos humanos. Ou seja, sendo amigo do líder não há nada a apontar, sendo rival do líder estica-se a corda ao máximo. Aliás Biden antes de decretar sanções aos homens escolhidos por MBS para suportar a acusação, telefonou ao Rei a explicar-se. Os direitos humanos são importantes em Washington, Lisboa, Moscovo, Pequim, Riad, Dubai, onde quer que seja.

Santos Silva, seguidista da liderança dos EUA, perdeu uma boa ocasião de colocar na mesa a importância dos direitos humanos no mundo, do verdadeiro multilateralismo e de defender uma política internacional de acordo com os princípios consagrados na CRP e na Carta das Nações Unidas. Por isso, em vez de bombardeamentos unilaterais são precisas ações que pacifiquem a região, sendo inevitável o reconhecimento de um Estado independente da Palestina, direito reconhecido pela comunidade internacional.

Um Ministro dos Negócios Estrangeiros do país que ocupa a Presidência da União Europeia deve medir as palavras e não tomar os seus desejos, inclinações e opiniões pela política externa portuguesa. As decisões de Biden devem sempre estar sujeitas ao escrutínio dos interesses de todos os países – saber se essas ações são positivas ou negativas para a paz e a cooperação mundiais. O que é bom para os USA não é ipso facto bom para a UE, Portugal ou o mundo. Aqui é que bate o ponto.

O enlevo de Santos Silva não augura nada de bom em termos nacionais e da Presidência portuguesa da UE. O Sr. Ministro devia conter-se; os USA são o país mais poderoso do mundo, mas o mundo de hoje já não depende só do Tio Sam. O mundo vai mesmo na senda do multilateralismo, o qual é contraditório com a existência de um líder. Esse pode eventualmente ser o desejo de Santos Silva, mas outra coisa é a realidade e essa impõe maior contenção.

Na Arábia Saudita, incólume o autor material do assassinato de Khashoggi. Portugal caladinho na ONU de costas voltadas para a CPLP.

Afinal o autor moral do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi foi quem todos já sabiam quem foi. A CIA veio confirmar que foi MBS, o príncipe herdeiro, o Rei de facto da Arábia Saudita.

 Afinal com Biden as coisas não mudaram. A Administração decretou umas quantas sanções a umas dezenas de personagens menores no asqueroso crime. Os condenados à morte na Arábia Saudita já viram a sua penas comutadas a vinte anos de cadeia e logo se verá o que se segue.

Biden telefonou ao Rei antes da divulgação do relatório da CIA ser divulgado. Talvez para explicar que tinha de ser assim, mas que o Reino continuava a ser essencial para a política dos EUA e que ficassem descansados que MBS sairia ileso. O Reino absolutista vociferou contra o relatório da CIA e tudo vai ficar no melhor dos mundos – a Arábia Saudita com MBS à frente vai continuar a cruel guerra contra o Iémen e os direitos humanos no país e na região serão uma espécie de miragem. E os EUA continuarão a fornecer armamento e a fazer big money.

Ao lado o Emir do Dubai sequestra familiares e continua impunemente a sua senda absolutista contando com o seu grande trunfo que é o de ser um dos homens mais ricos do mundo.

Portugal em matéria de direitos humanos não tem óculos que alcancem estas graves violações dos direitos humanos. Olha para o lado. Não é este o caminho dos EUA, da NATO e da EU e, portanto, baixa a cabeça que o respeitinho é muito bonito.

No mês passado no dia 4 de janeiro Portugal foi um dos poucos países que se absteve numa moção contra o racismo votada por uma imensa maioria dos membros da Assembleia- Geral da ONU, incluindo todos os países que pertencem à CPLP.

O governo português teve medo de votar a favor ou acha mesmo que em relação ao racismo o melhor é abster-se do combate contra este flagelo?

O sequestrador do Dubai

Mohammed Bin Rashid al Maktoum é casado com seis mulheres e tem vinte e três filhos.

O homem embora alto tem um ar franzino e quando entra dentro do fraque nos hipódromos ingleses (adora cavalos e apostas) apresenta-se deslocado; o mundo dele é de outras temperaturas.

O cavalheiro é um dos homens mais ricos do mundo e o sistema financeiro internacional não despreza as possibilidades que o personagem lhe proporciona.

Mohammed Bin Rashid al Maktoum anda nestes dias nos títulos dos “media”, uma das mulheres (filha da Rei da Jordânia) fugiu para Londres com medo do senhor. Levou dois filhos. Ela sentia-se seriamente ameaçada e o tribunal londrino que julgou o caso considerou fundado o receio.

A filha mais velha de Maktoum tentou fugir, mas o senhor fechou-lhe as portas. Outra filha, Latifa seguiu o exemplo de Sheila e entrou num barco para a India. Foi intercetada e desde então não há qualquer informação sobre o seu paradeiro. Surgiu estes dias um vídeo da prisioneira dando conta que se encontra sem ter acesso à luz do dia e a cuidados médicos. A princesa deu conta que tem todas as janelas tapadas. Está com receio de ser morta ou dar em doida, tal o horror do seu cativeiro às ordens do pai, sem qualquer base judicial, apenas a tirania de quem a tem sequestrada contra sua vontade.

Este distintíssimo cavalheiro não é apenas um dos homens mais ricos do mundo, é alguém com quem as diversas chancelarias tratam com enorme deferência e até com elevado apreço.

Desde sempre que o peso do vil metal contou nas relações entre as diferentes Estados, mas o peso do ouro ou os montantes das contas não deve ser um critério que faça com que um tirano deixe de ser aquilo que é, um tirano.

Mohammed Bin Rashid al Maktoum é também o Emir do Dubai. É o chefe de governo, uma cidade florescente para todo o tipo de negócios financeiros, localizado no Médio Oriente, no Golfo Pérsico. É também Vice-Presidente dos Emirados Árabes Unidos. Parte da família, apesar de todas as circunstâncias apertadas em que vivia, fugiu ou quer fugir.

Neste momento ninguém sabe onde se encontra sequestrada a sua filha Latifa. O cavalheiro, enxertado na melhor cartilha de tirania, criou este Dubai de luxo com a opressão de indianos, filipinos e iemenitas emigrantes, vivendo em condições sub-humanas. Sem a menor liberdade no Dubai, nem para os de sua família.

No entanto, não são conhecidas nem iniciativas diplomáticas do mundo ocidental, muito menos sanções contra Maktoum.

O Emir com todo o seu peso em libras, dólares ou euros, é quase intocável. É um aliado ocidental. Tem um estatuto especial.

 No Dubai deve esperar-se que o caso se esqueça, tal como aconteceu na vizinha Arábia Saudita com o homicídio e desmembramento de J. Khashoggi. O que conta para o Ocidente é a aliança com o Emir. E a guerra no Iémen que o Emir e o Rei da Arábia Saudita apoiam. Big money em armamento.

A bazuca e as vacinas são como trem espanhol

A pandemia que se abateu sobre a Humanidade veio pôr à prova a capacidade de cada país e no caso europeu da U.E (organização que engloba 27 países, alguns dos mais ricos do mundo) de lidar com a doença e defender as respetivas populações.

A U.E. através da Presidente da Comissão europeia, Ursula von der Leyen, anunciou, com pompa e circunstância, no ano passado, que tinha negociado com algumas empresas farmacêuticas colossais compras de vacinas para toda a União com a marcação da hora e do dia para começar a vacinação. O marketing foi perfeito.

Entretanto, como se sabe, as farmacêuticas por motivos ocultos falharam o cumprimento do prazo das entregas. O atraso significará mais infeções e vítimas.

Von der Leyen, empertigada, do alto do seu poder, apareceu a lembrar aquela velha máxima do Direito Romano, pacta sunt servanda. Falar em cumprir contratos quando se sabe que unilateralmente eles não vão ser cumpridos é algo que cheira a esturro, dado que a dimensão do problema diz respeito à saúde dos europeus da U.E. Seria de esperar que o incumprimento das empresas tivesse consequências suficientemente fortes para voltar a pô-las nos eixos do cumprimento a que estão obrigadas.

Em Lisboa, ao lado de António Costa, no dia 15/01/2021, Von der Leyen declarou solenemente que telefonara ao CEO da Pfizer e que ele garantira a entrega. Claro que a Pfizer vai entregar, mas fora do prazo. Um mês depois, Marta Temido deu a notícia que Portugal receberá no primeiro trimestre dois milhões e meio de doses e não quatro milhões e quatrocentas como estava acordado.

O que está em causa é a facilidade com que estas empresas incumpriram depois de terem recebido milhares de milhões de euros para investir na vacina. Ou seja, receberam o “dinheirão” e a garantia das compras. E depois jogaram na Bolsa e nos lucros e salvar vidas passou para segundo plano.

A eficiência e a competência da senhora Ursula saíram abaladas. Imagine-se o que sucederia se fosse da responsabilidade de António Costa, quantas cargas tremendistas lhe cairiam em cima; como a senhora é alemã, nada a dizer, o respeitinho é muito bonito.

A U.E. assemelha-se a uma enorme locomotiva com 27 carruagens em que a máquina alemã puxa no sentido de Berlim e as carruagens resvalam para os respetivos países.

Os países que vão ao pé da máquina tratam da sua economia como acham ser do seu interesse nacional. Os países periféricos endividados têm de prestar conta aos outros da frente que lhes metem à frente do nariz o défice, qual zaragatoa. Os empréstimos para fazer frente à crise contam para o défice, como convém ao pelotão da frente.

Do ponto de vista da ajuda aos países com mais dificuldades é interessante focarmo-nos nas peripécias da chamada bazuca. Qualquer Estado sabe que o seu futuro, no essencial, depende de si, da capacidade de unir a população e desenvolver-se. Evidentemente que fundos de coesão, de solidariedade, de cooperação ajudam se forem bem utilizados, mas é do esforço de cada país que depende o futuro.  

Sendo a pandemia um terrível flagelo com devastadoras consequências económicas e sociais era necessário que a U.E. respondesse coma brevidade resultante da dimensão da própria crise.

No entanto, a bazuca faz lembrar o trem espanhol que nunca se sabe quando chega. O montante anunciado vai diminuindo com o passar do tempo e a excelsa burocracia europeia nem dá conta que agora é agora e que é agora que faz falta face às quedas dos PIBs.

O pelotão da frente irá pedalando ao sabor dos ventos da geopolítica entre Washington, Moscovo, Pequim. Portugal adormecido pela cantilena espera e esperará. Em Alcácer Quibir morreu um Rei português há séculos. Quem esperou pelo tal dia nevoeiro foi Portugal.  Agora é a vez da bazuca?

A “bazuca” e as vacinas são como o trem espanhol | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

O desatino de Jorge Jesus

Jorge Jesus, desde que o foram buscar à Emir ao Brasil, parece que perdeu a capacidade de distinguir o que é de imediato distinto e distinguível.

A Taça dos Libertadores diz respeito apenas ao Sul do continente americano. Não entram os países das Caraíbas nem do Norte. Comparar a a Libertadores com a Champions é surrealista, no mínimo. Ademais, os melhores jogadores daquela região estão na Europa, daí o exagero de Jesus não ser um exagero, apenas cegueira.

E que dizer que jogar na Liga Europa é como jogar na Champions? O homem desatinou. Na verdade só Jesus é que não sabe que não lhe irá calhar o Real Madrid, a Juventus, o Bayern, o PSG, o Liverpool, o Manchester City .. se passar o Arsenal. Não há no SLB quem lho diga?

Como enfrentar a pandemia? Unidos ou desunidos?

A pandemia que enfrentamos criou uma situação inesperada, rara, catastrófica que requer a conjugação de esforços de toda a comunidade para a tentar superar. A experiência é clara – o envolvimento da comunidade é decisivo.

É verdade que a pandemia não é totalmente neutra em termos sociais, pois ataca, em primeiro lugar, os que vivem em condições mais frágeis, ou seja, os mais pobres. No entanto, a pandemia preferindo os bairros populosos onde se concentra a vida pobre dos deserdados chega a todas as classes e camadas. É um problema global que exige uma resposta global de toda a sociedade.

Uma pandemia não deve ser arma de arremesso de partidos, organizações sindicais, patronais e forças políticas e atores sociais e até dos “media” para tirar partido das dificuldades. Erros mais menos graves implicam crítica mais ou menos severa, aliás sem essa crítica não haveria linhas de correção governamentais que deviam ser bem acolhidas.

Os partidos não têm como destino apoiar os erros do governo, mas não podem agir como se as condições que existem fossem outras e não aquelas que desde o início da pandemia existem, devendo ganhar as populações para a bondade das suas alternativas. Trabalhar e convencer que há outros caminhos concretos, criando condições no Parlamento para que essas alternativas sejam acolhidas para bem da comunidade.

Espanta pensar no facilitismo com que é atacado o confinamento quando após a sua vigência se verifica a queda contínua das transmissões. Como se podia quebrar o ciclo das transmissões sem confinamento? Nem sequer é contraditório com outras medidas necessárias em termos de recrutamentos de recursos humanos para várias áreas do SNS.

Neste âmbito os telejornais dos diversos canais parecem todos afinados pelo mesmo diapasão. É posto o acento tónico em tudo o que é anormal – vacinas e os casos de puro oportunismo na sua administração, como se fosse possível o bicho humano comportar-se em todas as situações como devia. Por isso há Códigos que previnem e punem comportamentos.

Depois são as permanentes notícias sobre a situação nos hospitais, não referindo que há milhares de médicos, enfermeiros e técnicos a defender vidas e a conseguir salvar a maioria delas; como se a imensidão da pandemia estivesse à mão de qualquer decisão milagrosa. Como se existisse apenas avanços da desgraça e não houvesse mulheres e homens capazes e corajosos a salvar os compatriotas.

Para todo este envolvimento passar mais temperado transformam-se políticos, “opinadores” em verdadeiros cientistas que nos dizem o que está a falhar (sempre o que está a falhar) mesmo quando a perceção que salta é a de que há coisas que podiam estar melhor, mas há melhoras visíveis.

Exibir apenas as desgraças como se não houvesse resultados neste combate é confundir o papel da oposição, pois está também convocada a contribuir para a defesa da comunidade ameaçada pelo vírus com as suas propostas.

Quando os “media”, sobretudo as televisões, contribuem para este panorama estão a envenenar a sua futura relação de credibilidade com a cidadania.

A pandemia deve ser enfrentada por todos, cada qual com as suas propostas, mas certamente que há um ponto em que só em convergência poderemos atacar o vírus e impedir a sua propagação. É disso que se trata. Um país ameaçado por um vírus implica um país e um povo unidos contra o vírus. Basta ver o que se está a passar pela Europa e pelo mundo fora. A maior coesão permite a melhor solução. Não precisamos de deixar de ter as nossas ideias para nos unirmos contra o vírus.

https://www.publico.pt/2021/02/12/opiniao/opiniao/enfrentar-pandemia-unidos-desunidos-1950461

Pela boca morre o peixe, senhor Yoshiro Mori

O senhor Yoshiro Mori, Presidente do Comité Olimpico Japonês, considerou que as mulheres falavam demais e tinham dificuldade em ser concisas devido ao seu elevado espírito de competição.

Estas palavras isentas de qualquer espírito competitivo criaram um mar de revolta no Japão e no mundo. O ex-Primeiro-Ministro, Presidente do Comité Olimpico japonês, em vez de ter tino, atropelou a sangue frio as mulheres na passadeira da igualdade entre os géneros.

Demitiu-se e levou às costas um saco cheio da palavra Adeus nas mais diversas linguas do mundo. Confirmou-se o velho provérbio que diz que pela boca morre o peixe.