Colin Powel, o artífice do mundo em descalabro, morreu

Morreu Colin Powel, ex Secretário de Estado de George W. Bush, um dos obreiros do descalabro do mundo atual. Mentiu como só um ser desprezível o pode fazer em relação a desencadear uma guerra e uma invasão contra o direito internacional. Há que dizê-lo porque é verdade.

Os seus rapazes de mão, Portas e Barroso, entre muitos outros, garantiram que ele lhes mostrou as armas que não existiam. Só o pior que existe nos humanos os pôde levar a desencadear uma guerra com dezenas e dezenas de milhares de mortos, a destruição de um país, outrora berço da civilização, e a causar uma reviravolta em todo o Médio Oriente que o afundou nas trevas civilizacionais ao lado das monarquias absolutistas onde impera a lei do vil metal.

Powel morreu. Mas não morreu o seu legado de afundamento do direito internacional e da lei do antigo Texas onde os mais fortes matavam os mais fracos. George W. Bush e Powel estavam convencidos que o mundo andaria a toque dos seus misseis e armas de destruição maciça. E não hesitaram em tentar moldar o mundo à escala das suas armas e da sua voracidade.

Ele fez muito mal ao mundo. Muito mal. Ele e o(a)s que com ele invadiram e fizeram as guerras que marcam o mundo de hoje lembram as piores personagens das tragédias onde os vencedores não tinham a menor compaixão para com os vencidos.

A vingança é sempre um mal. Mas para que o mundo possa ser melhor, para que a PAZ seja uma realidade entre todos os povos e países, que ninguém se esqueça da maldade deste homem e dos seus pares. A paz não exige vingança nem retaliações, mas exige que se valorize a dignidade e se combata a indignidade.

O velho problema da memória

Entre Moustaki e Steinbeck

Avec le temps…
Avec le temps va tout s’en va
On oublie le visage, et l’on oublie la voix.
Le coeur quand ça bat plus c’est pas la peine d’aller
Chercher plus loin, faut laisser faire et c’est très bien.
Avec le temps…
Avec le temps va tout s’en va
L’autre qu’on adorait, qu’on cherchait sous la pluie
L’autre qu’on devinait au détour d’un regard
Entre les mots entre les lignes et sous le fard
D’un serment maquillé qui s’en va faire sa nuit
Avec le temps tout s’évanouit

Avec le temps va tout s’en va
Même les plus chouettes souv’nirs ça t’a une de ces gueules
A la Galerie j’farfouille dans les rayons d’ la mort
Le samedi soir quand la tendresse s’en va tout’ seule.
Avec le temps…
Avec le temps va tout s’en va
L’autre en qui l’on croyait pour un rhum’ pour un rien
L’autre à qui l’on donnait du vent et des bijoux
Pour qui l’on eût vendu son âme pour quelques sous
Devant quoi l’on s’ traînait comme traînent les chiens.
Avec le temps va tout va bien

Avec le temps…
Avec le temps va tout s’en va
On oublie les passions et l’on oublie les voix
Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
Ne rentre pas trop tard surtout ne prends pas froid


Avec le temps…
Avec le temps, va, tout s’en va


Et l’on se sent blanchi comme un cheval fourbu
Et l’on se sent glacé dans un lit de hasard
Et l’on se sent tout seul peut-être mais peinard
Et l’on se sent floué par les années perdues, alors vraiment
Avec le temps on n’aime plus

 John Steinbeck no livro Bairro da Lata “…É bom dizer-se: o tempo cura tudo, isto também há de passar…quando não estamos metidos nelas, mas quando nos dizem respeito o tempo não passa; as pessoas não esquecem e encontramo-nos no meio do que se não muda… “

Quem tem razão? Steinbeck ou G. Moustaki?

Abascal, Ventura e o Chavascal ibérico

No dia da Hispanidade, o Vox de Abascal, publicou um mapa do Império castelhano em que Portugal surge dentro das fronteiras imperiais de Espanha.

O franquista foi mais papista que Franco. Para se promover em termos de mitomania Abascal inventou esta “gloriosa” realidade espanhola.

Do lado de cá o seu irmão gêmeo pediu esclarecimento ao Vox “Nós estamos em contacto com o Vox, pedimos esclarecimentos formais sobre isso”

E o esclarecimento chegou. Abascal retorquiu a Ventura que Portugal e Espanha juntos são mais fortes, ganham potência. Quiçá formalmente.

Abascal não esclareceu o motivo pelo qual acha que Portugal quer estar junto com a Espanha e dentro das mesmas fronteiras, as de Espanha.

Tal não impediu, porém, que o patriota Ventura se desse por satisfeito e reafirmasse os laços inquebrantáveis entre o Chega e o Vox.

 Resumen: Se queda el mapa como estava y André perdido de amores en éxtasis por Abascal. Que chavascal!

A certidão de nascimento de Cavaco, usque ad nauseam

O homem que se retirou não se retirou. Escondeu-se em sua toca. O homem que mais tempo em Portugal esteve a fazer política a partir dos mais altos cargos (20 anos) vive emparedado pelo tempo que corre e não se conforma com a realidade.

O homem tem ar do que é, um reformado envinagrado.

Ele espreita todas as oportunidades para anunciar aos quatros ventos que continua em sua toca, a maldizer o mundo.

O homem não está bem por algumas razões. Porque só sabe o que ele pensa, tudo o resto não vale nada, porque ele é uma personagem de um livro em que o velho não lia nada, a não ser o que escrevia e demorava muito tempo a escrever com o passar dos anos.

O homem que só lia o que escrevia chocava com a realidade e piava porque lhe doía o choque da sua ideologia retrógrada com o mundo em movimento.

O homem que não lia jornais e que deixara no seu rasto um escol da melhor estirpe de corruptos vive mal com a sua consciência. E é do domínio da psicologia vir a terreno provar que não desapareceu, tendo desaparecido.

O homem que foi condecorado por Marcelo gostava de ter a agilidade mental de um direitista moderado, mas só está atento ao momento em que o Sol o pode despertar da letargia.

E mal ouviu Marcelo propugnar por uma alternativa de direita acordou da sua hibernação. E foi direito ao assunto – atacar o governo e preparar o regresso do PSD na versão similar a Passos Coelho.

Atacar o PS por empobrecer o país quando o programa político e estratégico de Passos era o empobrecimento de molde a fazer do país um dos mais competitivos do mundo (pelos baixos salários) é substituir a sua vontade ideológica e chocar com a realidade.

Cavaco, o homem que se retirou e não se retirou, vive num mundo fechado onde não entra ar da vida e só se sustem com base no rancor. O que ele não perdoa é ser o que foi (um dos preferidos dos portuguese) e ser agora um Zé Ninguém.

Ele abomina Costa (exigiu-lhe uma escritura pública) e Rui Rio. E por ser quem é tem de o dizer em opinião aguardada pelos que preparam o assalto à sede do PSD e preparam a entrada triunfal em S. Bento e em Belém.

O homem, que atira textos como se tivesse subido ao Sinai para declarar que ele existe e não há ideais a não ser as dele, vai continuar a dar provas de que saiu da toca para pedir na Conservatória do Registo Civil sucessivas certidões de nascimento, usque ad nauseam .   

O ARREPENDIMENTO E AS SAUDADES NAS AUTARQUIAS, SEGUNDO A DIREÇÃO DO PCP

Há frases que condensam de tal modo a densidade do pensamento dos seus autores que o Iluminam no sentido de revelarem toda a sua profundidade.

Jerónimo de Sousa disse há quatro anos, a propósito da perda do município de Almada, que os eleitores ainda haviam de se arrepender e João Oliveira, em 27 de setembro, afirmou que os eleitores haveriam de ter saudades da CDU.

São duas frases que fazem luz acerca da conceção do PCP sobre as eleições, no caso municipais.

De facto, estas duas ideias revelam, para aqueles dirigentes, que o PCP está sempre certo. O erro é das populações, daí o arrependimento pelo “mal” praticado. No fundo, o PCP avalia os eleitores como sendo incapazes de verem o que só o núcleo iluminado da direção vê.

O PCP perdeu dez município há quatro anos. O problema era do anticomunismo. Nestas eleições municipais volta a perder e a cobrir a derrota com a mesma manta.

Alegar anticomunismo em 2021 (comparando-o com o existente nos anos 70/80) é brincar com coisas muito sérias. Hoje, por exemplo, o PCP é um elemento decisivo na viabilização do governo.

Esta teoria sucumbe ainda olhando, entre muitos outros exemplos, para o excelente trabalho do autarca de Carnide que venceu a freguesia enquanto nas freguesias ao lado os candidatos apoiados pelo PCP não se impuseram. Ora defender que foi o anticomunismo a explicação para as perdas é uma desculpa de muito mau pagador. Mais grave – é fugir à realidade e à possibilidade de a transformar, o que constitui a razão de ser da atividade dos militantes. A direção do PCP não é capaz de fazer a análise serena acerca do que correu mal.

Os resultados são, por outro lado, reveladores da escassez de quadros autarcas que se vem acentuando. O PCP teve centenas e centenas dos melhores quadros autarcas e hoje está à míngua.

A orientação político/ideológica da direção do partido de fechamento e de apego a um radicalismo verbal de fachada comunista isola os autarcas e retira-lhes credibilidade, salvo aquela(e)s que pelo seu excelente trabalho, pela sua competência e dedicação são eleitos, naturalmente apoiada(o)s na experiência do partido.

O sectarismo do núcleo dirigente do PCP chegou a tal ponto que vetou que um membro do partido fosse candidato por estar casado com alguém que saiu do partido.

A direção do PCP não se incomoda muito em sacrificar muitos dos melhores quadros para se manter ao leme, e isso leva-a a um isolamento da realidade, incluindo dos próprios membros do partido.

No início dos anos oitenta, o PCP chegou a ter tinha nas suas listas cerca de setenta por cento de independentes, um período que a política autárquica do PCP era admirada em todos os partidos comunistas da Europa, incluindo no PC Italiano.

O PCP tinha como eixo nas autarquias considerar que nesta área não havia esquerda, nem direita, salvo nas grandes cidades. A orientação em linhas gerais era esta – os que defendiam os interesses dos munícipes eram aliados e companheiros na defesa dos interesses da população.

Num momento em que o PCP é tão necessário para a defesa das populações e dos trabalhadores portugueses, a direção só para se manter insiste em tapar o Sol com a peneira. Já nada os perturba. Se perderem mais municípios dirão felizes que ainda restam uns tantos, até sabe-se lá quando. Nada os faz arrepender-se. Do grande partido autarcas com cinquenta e tal câmaras já não têm memória e pelos vistos nem saudades. É pena porque esse grande partido faz muita falta em Portugal, mesmo aos que não são comunistas.

https://www.publico.pt/2021/10/07/opiniao/opiniao/arrependimento-saudades-autarquias-segundo-direcao-pcp-1980244

Em França 216 mil crianças abusadas por padres pedófilos, e  do lado de cá dos Pireneus o vento cala a desgraça?

Uma comissão independente criada pelos bispos católicos veio corajosamente trazer a público que mais de 216.000 crianças (80% rapazes entre os 10 e 13 anos) foram abusados por elementos do clero francês.

Sobe para 330.000 se se considerar os leigos que trabalhavam nas instituições da Igreja católica.

Os números dão conta que entre 2900 e 3200 membros da Igreja terão abusado de crianças e não deixam margem para dúvidas acerca da imensidão dos crimes que foram silenciados até há pouco tempo. Imaginemos o que está para trás em que a impunidade era quase total…

É quase por humanismo que surge o dever de desconfiar dos pregadores de virtudes quase desumanas, pois sabe-se do que os seres humanos são capazes tanto no terreno do mais sublime, como no do mais ignóbil.

De quem escolhe a devoção a uma causa que a si própria se encara como sendo a de se dedicar ao próximo como a si mesmo não se espera semelhante ignomínia.

O que se pedia a quem se vestia de beatitude era dedicação ao próximo e não servir-se de crianças indefesas e provenientes de estratos sociais desfavorecidos, acrescentando prepotência à total falta de vergonha.

A Igreja Católica tem agora pela frente um grande desafio que é de modo simples: Como podem os homens que são padres serem homens sem o serem?

Até que ponto as relações sexuais podem continuar a ser encaradas pela Igreja católica como algo pecaminoso e exija aos seus membros o impossível, como reza a História da Igreja?    As notícias que vêm do outro lado dos Pireneus já chegaram a Portugal.  Cabe a pergunta ao vento que passa – foi só em França que aconteceram estes crimes? A coragem não é capaz de passar a cordilheira? O vento cala a desgraça?

Pandora papers e o poema de J. Namorado-Port Wine

Os pandora papers aí estão a pôr a nu a tremenda hipocrisia em que assenta a atual ordem política/económica. O mundo ficou a saber que certos figurões são por fora beatitude e por dentro podres.

O mesmo mundo alienado que tem poder para lhes tirar o poder e, em grande medida, os deixa ficar com os seus biliões, deixando a maioria da população do Planeta à fome. Até quando?
Lá está o que impôs com o seu amigo Sócrates a austeridade aos trabalhadores portugueses; capaz de comprar um apartamento em Nova Iorque com dinheiro do BES que estamos a pagar. Fez o dinheiro andar aos saltos por vários paraísos (assim se chamam os infernos da fuga aos impostos) até entrar na sua órbita.

Lá está ele a gozar com a vida de todos os que vivem ou sobrevivem do seu trabalho.

Lá está ele a exemplificar de forma sublime que para certos indivíduos a política serve apenas para fazer o jogo do poder e receber as contrapartidas devidas.

 Morais Sarmento, Vice-Presidente do PSD, escolhido por Rio, também se serviu dos paraísos para fazer valer o seu enorme apetite pelo dinheiro “apunhalando” a moralidade que Rui Rio queria instaurar.

Lá está ele, o Ministro de Durão Barroso e de Santana Lopes, a mostrar que no PSD se pensa alto e bom som no que toca a dinheiro. Basta a ocasião e logo vem a ganância. O país que estava de tanga no seu glorioso tempo de Ministro da Presidência, pode vê-lo agora nu.

E que dizer do Dr. Canas o Vitalino, sempre pronto a voar para altos cargos? Afinal no PS a coisa fia fino no que toca a figurões de fazer esta figura de impor impostos e de ter altos dirigentes a fugir ou a ajudar clientes a fugirem. Também tu Vitalino…diria Cícero que não é Costa, embora em boa verdade Vitalino não conspire contra António Costa, ao contrário de Catilina que dava cabo da paciência de Cícero.

E de entre a galeria dos mais famosos lá está ele Tony Blair, o biltre, que levou o Reino Unido à invasão do Iraque com base numa colossal mentira. O que pedia austeridade para quem trabalhava e ao mesmo tempo se aboletava com quantias brutais fugindo àquilo que impunha com toda a força à população.

 Lá está ele, o que armou em Trabalhista, para disfarçar e tratar da vidinha.

Lá está ele sossegado a gozar a vida depois de ter pela sua ação provocado a morte de mais de uma centena de milhar de iraquianos. E agora de cofre cheio. Ele, o Trabalhista, o biltre.

Lá estão mais umas centenas de fulanos, todos em altos cargos, alguns da Realeza, outros dos espetáculos musicais ou futebolísticos. Todos repimpados com o vil metal que os senhores governantes do mundo permitem este estado de coisas. Talvez a pensar no seu futuro.

No dicionário Priberam este tipo de pessoas que apresentam com um rosto escondendo o verdadeiro podem ser designadas como trapaceiros e um trapaceiro não passa de patife ou um mequetrefe. É escolher. Talvez biltre.

E assalta-me o poema de Joaquim Namorado” Port Wine” que termina assim…Meu povo, liberta-te, liberta-te!,
Liberta-te, meu povo! – ou morre.

Podem os homens que têm tanto medo da mulheres governar o Afeganistão?

Na década de sessenta do século passado, quando os países do Médio Oriente se levantaram contra as potências coloniais, o Islão foi incorporado como elemento constitutivo do movimento de libertação nacional na maioria dos países árabes, com exceção da Arábia Saudita que sempre esteve fechada no seu mundo absolutista da dinastia da casa Saud.

O movimento do chamado renascimento árabe Al Bath na Síria e no Iraque, a FLN na Argélia com Houari Boumediene, no Egito de Nasser, no Iémen do Sul são exemplos vibrantes de sociedades renascidas da ocupação em que o papel das mulheres assumiu relevo.

Era perfeitamente possível ver nas ruas do Cairo, Aden, Argel, Damasco ou Bagdad jovens namorados e casais de braço dado e era muito raro encontrar mulheres nos centros urbanos de cara tapada com hijabe ou nicabe e muito menos com burca.

Na OLP era perfeitamente visível o extraordinário papel das mulheres na luta mais geral do povo palestiniano pelo direito a edificar o seu Estado livre e soberano da ocupação israelita.

Estes países tinham uma conceção do Islão que permitiu aos movimentos de libertação nacional integrá-lo de forma positivo nesse quadro político e sociológico.

O Afeganistão dos anos 60/70 era nesta matéria um país ainda mais avançado nos grandes centros urbanos onde as mulheres tinham o seu papel nos mais variados setores da vida económica, social e cultural.

A partir dos anos oitenta, a Arábia Saudita com todo o seu poderio financeiro e económico foi investindo um pouco por todos os países árabes e muçulmanos grandes somas para difundir a sua conceção fundamentalista e retrógrada do Islão. Financiavam a construção de mesquitas, enviavam religiosos e acenavam com novos investimentos.

A Arábia Saudita espalhou por todo o mundo muçulmano os seus pregadores e as suas escolas de difusão do wahabismo sunita, a versão mais fundamentalista e retrógrada do Islão.

Com a invasão do Afeganistão pela URSS, a Arábia Saudita investiu com os EUA somas incalculáveis de dólares no apoio aos auto- designados mujahidins.

A implosão da URSS também contribuiu para uma viragem do nacionalismo árabe para uma visão fundamentalista que a Arábia Saudita impulsionou. Fez medrar uma nova guinada no sentido do mais recalcitrante conservadorismo que foi da Al Qaeda ao Daesh, ao Hamas, e aos talibans apoiados pelo Paquistão e saídos das entranhas da guerra contra a URSS e que os EUA e a Arábia Saudita apoiaram.

Como sempre seguindo as peugadas da História as criaturas foram nos seus desígnios muito para além dos seus criadores.

A desastrosa invasão do Iraque criou em todo o mundo muçulmano um desespero e uma revolta que muito contribuiu para esta viragem nos valores do Islão dada a ausência de alternativas no plano das políticas dos países árabes. O Islão apareceu aos muçulmanos como a sua única identidade.

Esta nova visão misógina e retrógrada, própria das sociedades tribais de mentalidade atrasada, foi promovida pela Arábia Saudita.

O papel da mulher na Arábia Saudita serviu também de inspiração aos talibans. Foi daquele país que se transpôs a sharia para ser a lei fundamental, ou seja, a Constituição do país, a qual não tem normas e resulta do que se diz do que o Profeta disse e de umas tantas citações do Corão.

Na Arábia Saudita as mulheres para estudarem precisam do parecer favorável de um familiar masculino, as Escolas não são mistas; uma mulher que precise de uma intervenção cirúrgica tem de ter o parecer favorável do familiar masculino mais próximo e têm obrigatoriamente de ser vistas por médicas. Não podem andar na rua sós. Nas mesquitas em que podem entrar, ficam atrás dos homens. O seu depoimento como testemunhas vale metade do dos homens e no direito sucessório recebem metade do que recebem os herdeiros homens. Já podem tirar carta de condução, mas não é fácil.

Os jiadistas sunitas beberam até a última gota este fel/inferno que impõem às mulheres onde tomam o poder desconsiderando e perseguindo-as como seres inferiores.

Os talibans acabam de criar o Ministério da Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, encarregado de promover a pureza da sharia.

Num mundo em que o tempo acelera, os talibans vão tentar impor o regresso ao passado com todo o cortejo de horrores. Não querem que as mulheres calcem sapatos para não ouvirem o barulho que fazem as suas pernas a andar na rua porque os perturba.

Podem os homens que têm tanto medo das mulheres governar um país? Vamos ver.

https://www.publico.pt/2021/09/25/opiniao/opiniao/podem-homens-tanto-medo-mulheres-governar-afeganistao-1978717

Marcelo- palavras de Ferro ou malabarista?

Marcelo declarou, em Roma, na terça-feira, que a ignomínia levada a cabo pela turba de arruaceiros contra o Presidente da Assembleia da República, quando almoçava com a esposa, é um caso de justiça e não comentava.

Dando o dito por não dito comentou acrescentando que em Portugal a esmagadora maioria da população é a favor da vacina e a hiperbolização das minorias não pode esconder esse facto.

Foi o que a mais alta figura do Estado disse sobre as ameaças, os insultos, as ofensas e as provocações feitas à segunda figura mais relevante do Estado.

Marcelo sabe, não pode deixar saber, e desse facto tem consciência, que o sucedido nada tem a ver a ver com o facto de haver uma minoria de portugueses que não se vacinam e que o episódio frente ao restaurante é um insulto à imensa maioria dos que se não querem vacinar e rejeitam liminarmente aquele tipo de violência.

O grupo que já se tinha perfilado atrás de um senhor juiz igual a ele, insultando e dando-se ares de ser superior, ofendeu e ameaçou de modo grave Ferro Rodrigues.

A turba não se limitou no exercício do seu direito de se exprimir, manifestar e reunir de expor as sua ideias sobre o malefício das vacinas, o que as leis portuguesas lhe permitem. Nada disso. O grupo insultou Ferro Rodrigues, ameaçou-o de o perseguir até ao fim dos dias e em relação ao dono do restaurante de ficar marcado para sempre. É um ataque brutal ao Estado de Direito democrático na pessoa do Dr. Ferro Rodrigues.

Uma minoria deve poder expressar as sua ideias dentro do quadro legal vigente. Quer a maioria, quer a minoria não têm o direito de saltar por cima das leis, violá-las e ameaçar seja quem for.

A mais alta figura do Estado, Professor de Direito Constitucional, não pode e não deve confundir maiorias e minorias com condutas criminosas de turbas arruaceiras de duas ou três dezenas de associados na maldade quimicamente pura.

 Ao fazê-lo, Marcelo, o Presidente da República, está a prestar um péssimo serviço às instituições da República, desde logo àquela que lhe deu posse e onde jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição.

Este grupo de foras da lei aterroriza sem sentido e merecia de Marcelo um comentário bem diferente e que infelizmente deixou no vazio da sua mente.

Marcelo é o que é, esteja onde estiver, ocupe o cargo que ocupar. Poder-se-ia então concluir pela sua coerência, o que não corresponderia à verdade dos factos. Diz que não vai opinar e opina. Toda a sua vida foi feita de ziguezagues, uns estonteantes e muito comprometedores, outros próprios de menino traquinas e destemperado. Balsemão classificou-os nas suas memórias.  

O caso do ataque covarde ao Presidente da Assembleia da República exigia do mais alto magistrado da nação outra atitude, mas Marcelo é Marcelo, sempre enredado em jogos e mais jogos e mais jogos, un jongleur.

https://www.publico.pt/2021/09/16/opiniao/opiniao/marcelo-palavras-ferro-malabarista-1977611