Cuba- dias de diálogo ou dias de ira?

Cuba vive dias difíceis. Seria bom que se não transformassem em dias de ira. Que os dias difíceis fossem, de uma ponta à outra da ilha, de esperança. Em Cuba, volta a colocar-se com vigor em cima da mesa a questão aparentemente contraditória entre o exercício dos direitos civis individuais e o dos direitos sociais. A questão pode ser enunciada deste modo: um regime que organiza a produção económica no sentido de satisfazer as necessidades populares está, por esse facto, isento de garantir à população o direito de se manifestar? Acrescentando a esta situação outra gravíssima: mesmo sofrendo um bloqueio por parte do grande Império que impede o país de acesso a tantos produtos?

Uma parte da população cubana saiu à rua para protestar contra as condições de vida. Fez aquilo que é absolutamente normal em Portugal. O PCP, a CGTP e os outros sindicatos fazem-no a toda a hora. E ainda bem para os trabalhadores. Em geral, a polícia impede que o seu exercício cívico/político seja obstaculizado por quem que que seja. O patronato não pode mobilizar trabalhadores contra os manifestantes ou os grevistas. Nem o Estado. Nem os partidos.

Diz o Presidente cubano e com razão que o país enfrenta o bloqueio asfixiante e que os inimigos da revolução se aproveitam da situação e outros estão confundidos. É quase certo que é assim, mas apesar disso persiste o problema, como se resolve então?

Como já há experiência internacional acerca do que sucedeu nos países do “socialismo real” os dados estão lançados; ou os dirigentes cubanos juntam ao bloqueio outro bloqueio cívico ou procuram por todos os meios um diálogo que conduza a saídas nas quais a população se reveja e aceite. Não há terceira via.

 Cuba conseguiu êxitos assinaláveis na Educação, Saúde abalada com o Covid, Desporto, Ciência tendo em conta o bloqueio e o grau de desenvolvimento de onde partiu o país. E se, neste momento, há quem não se conforme e queira fazer ouvir o seu protesto, mesmo que confundido ou confuso ou discordando de medidas do governo, a levar à letra a declaração do Presidente Bermudez, tais circunstâncias são impeditivas desses cidadãos exercerem esses direitos? Esta é a questão. Só a Blimunda do Saramago conseguia ler o íntimo dos outros e saber das verdadeiras intenções, mas isso era antes de tomar o pequeno-almoço e no imaginário riquíssimo do nosso Nobel.

Pergunta-se- só podem manifestar-se os que estão esclarecidos, os que não têm dúvidas, os que estão de acordo com as medidas do governo? Esse direito indiscutível não deve bloquear o outro direito – o daqueles confusos ou confundidos, seguros ou inseguros, certos ou errados, fortes ou fracos que se opõem às medidas governamentais porque as condições de vida se agravaram devido à pandemia e ao velho e ilegal bloqueio.

Um regime de tipo popular ou socialista deve reforçar o ideal de liberdade e democracia de modo mais fulgurante que a liberdade arrancada ao capitalismo pelos movimentos populares, sociais, democráticos, ecológicos, feministas e outros.

Ou a revolução francesa pelos direitos individuais e a russa pelos direitos socias e económicas são incompatíveis passados estes séculos de caminho da Humanidade? O que se viu foi a impossibilidade na URSS e nos outros países do Leste europeu de construir o socialismo sem garantir os direitos e as liberdades democráticas. Esse modelo sem o oxigénio que é a liberdade dos povos tarde ou cedo sucumbiria e sucumbiu.

 Cuba deveria compreender que há uma rota que conduz ao desastre. O regime tem mais apoio que nos países do Leste, parece. Por isso, as possibilidades são mais amplas para respeitar direitos e liberdades mínimas. Pode imaginar-se um socialismo em que parte (grande ou pequena) não pode sair à rua e protestar ou apoiar? Muito provavelmente o regime é capaz de mobilizar centenas de milhares de cubanos, mas há outros cubanos que se mobilizam para protestar contra o que acham que não está bem. Considerá-los inimigos é um desastre. São cubanos que não estão de acordo com o governo. Haverá, inclusive em termos académicos, algum regime que tenha o apoio de todas e todos os cidadãos?

Os cubanos são um povo de heróis desde Marti a Che a  Cien Fuegos a Fidel e seguramente quererão ser tratados com a dignidade democrática que merecem. Já não lhes basta sofrer na carne o bloqueio do Império e serem agora castigados pelo bloqueio cívico por parte dos seus dirigentes. O argumento das patifarias do Império não pode justificar que o povo cubano não possa usufruir as liberdades democráticas que reivindica. As experiências socialistas do século XX mostram que a subestimação do valor da liberdade conduz ao fracasso.

 Haja a coragem revolucionária e encete-se o diálogo. A não ser assim no futuro a marca do socialismo também naquela parte do mundo ficará associada à asfixia democrática. Tenha-se presente que a extrema-direita também emerge com força na Hungria, na Polónia, na Chéquia, na Bulgária e no território da ex-RDA.

 O ideal socialista precisa de ser resgatado e ter dentro dele o que o capitalismo não permite: liberdade, democracia e direitos sociais, económicos, ecológicos, culturais e de género. Não há futuro numa perna só. Os dois pilares são essenciais para o caminho do socialismo. A democracia não é inimiga dos direitos sociais, bem pelo contrário, quanto mais democracia, maior a possibilidade de alcançar os direitos sociais.

Cuba: dias de diálogo ou de ira? | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

Rebelo de Sousa em entrevista ao Público – a revelação em todo o seu esplendor

A entrevista de Marcelo Rebelo de Sousa, conduzida por Maria João Avilez no P2 deste jornal de 11/07/2021, tem o seu quê de surpreendente num primeiro momento da leitura. A pergunta pode resumir-se a esta questão muito simples: o que pretendeu MRS passar para a vida política com a entrevista sobre António Guterres?

MRS não dá ponto sem nó. “Ajudado” por M. J. Avilez o entrevistado traz para a superfície a ligação umbilical entre ambos. No fio condutor da sua memória ele vai buscar, em grande medida, as origens dessa irmandade à fé católica.

O relevo da fé é de tal ordem que os apresenta (com ou sem mandato de Guterres- não revela) unidíssimos nesse desiderato, sem em momento algum, apesar da extensão, referir qualquer expressão desse ensejo de luta pela liberdade contra a ditadura.

Com ou sem consciência, MRS fala de Guterres como uma espécie de irmão gémeo quase nascidos da mesma criatura – a fé. A partir dessa irmandade é sugerida de modo subliminar a divisão do país num pequeno Tratado de Tordesilhas em que o centro-direita era para MRS e o centro-esquerda para AG.

De elogio em elogio (é relativamente comum em termos familiares) MRS revela algo de verdadeiramente original no percurso de ambos – tinham três coisas em comum-queriam a democratização do país, a descolonização e a entrada na CEE.

Julgo que é a primeira vez que este passado é assim assumido, tanto mais quanto não são conhecidos quaisquer escritos de MRS sobre a importância da democracia versus ditadura de Salazar/Caetano, muito menos contra a guerra colonial e mesmo até no que concerne à CEE.

Pelos meandros de uma memória bem escolhida, MRS vai dando passos sempre no sentido de apagar todas as diferenças entre ambos. E num lance de génio, de autêntico hierofante revela o lado totalmente desconhecido da vida de AG – a sua imensa solidão no PS, tendo levado para aquele partido a sua posição de católico, sempre tendo em conta a pouca presença católica no PS.

MRS ficou tristíssimo com a decisão, mas rapidamente compreendeu a importância da adesão de AG ao PS. E, apesar disso, e mesmo quando era líder da oposição, nunca deixou de coordenar com AG a ação entre ambos.

Fica-se a saber que no período em que a Alemanha era liderada por Helmut Kohl, ambos ficavam em Bruxelas, no mesmo hotel, em extremidade opostas, e a meio da noite lá iam coordenar as suas coisas.

MRS revela que AG falhou como primeiro-ministro porque era uma personalidade que não precisava da política e quando viu o que era o pântano foi-se para não se sentir “tolhido”

Não se sabe e provavelmente não se saberá o que AG pensa destas “revelações” entusiasmadas de MRS; num momento em que por todo o lado são acentuados os pontos de divergência entre MRS e António Costa, mesmo quando ambos o negam.

 Na verdade, apesar de muitas convergências do PS com o PSD em questões tão sensíveis como as leis laborais, são vários os anúncios de Costa a dar conta que não haverá acordo com o PSD.

Para a História talvez fique a quase certeza de muito provavelmente Rio nada ter a dizer sobre hotéis em que a meio da noite tenham ido coordenar a ação política.

É bem verdade que Costa fez tudo para MRS ser eleito. Porém, também é verdade que este é o último mandato de MRS e com o frenesim de ativismo em que está envolvido, dia e noite, talvez sofra de nostalgia pelos tempos tão magnificamente centristas. Admite-se que esta pulsão o leve a este eixo que percorre a entrevista. MRS nunca deixa de nos espantar. É de prever pavores de quem com ele partilhou o passado.

 Fica na entrevista revelada a vontade do autodesignado “irmão” de AG. Que a paz reine entre os homens de boa vontade e de desígnios escondidos.

A revelação do centrão em todo o seu esplendor | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

Afeganistão 20 anos depois – um imenso mar de desgraças

Foi recentemente anunciada a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, quase vinte depois de terem iniciado a guerra (outubro de 2001) sob o comando de George W. Bush, após os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001.

Vinte anos é tempo suficiente para saber o que resultou desta guerra. Antes de mais cabe perguntar – a tal estrondosa vitória na ocasião sobre o terrorismo como se reflete hoje naquele país?

Os EUA derrubaram o poder dos Taliban, alegadamente expulsando a Al Qaeda do país, mas a retirada das suas tropas daquele país foi negociada com os Taliban… os derrotados há 20 anos.

As autoridades governamentais do Afeganistão que assentavam a sua estabilidade na presença militar dos EUA e da NATO estão agora na mira dos Taliban como se pode constatar pelos seus ataques no Norte do país e fugas das tropas governamentais para o Tajiquistão.

Os Talibans, uma organização que contou sempre com o apoio do Paquistão, cujos interesses naquele país vêm de longe, foram aliados especiais dos EUA que os apoiaram até com armamento sofisticado como os célebres mísseis Stinger na guerra contra a invasão soviética.

Barak Obama e Donald Trump negociaram continuamente ao longo destes anos com os Talibans para encontrar saídas do atoleiro em que se envolveram tal como passado ingleses e soviéticos.

O mais curioso é que tudo leva a crer que fizeram uma guerra que causou muitas dezenas de milhares de mortos entre militares e civis, aumentou assustadoramente a miséria e a fome no país, fragmentou ainda mais as diversas etnias, para voltar a colocar no poder os Talibans. As negociações que conduziram à saída dos soviéticos foram apresentados como uma vitória das forças que iriam fazer a transição para a democracia, a qual foi interrompida pela vitória militar dos Taliban e imposição de um regime fascista clerical terrorista escudado numa interpretação do Islão completamente retrógrada, medieval e brutal. 

A invasão somou horrores ao horror, logo seguida da do Iraque (2003). As duas guerras causaram centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados, acrescentaram miséria e transformaram aqueles países em viveiros de guerras sectárias.

A lei das tribos substitui a dos Estados e das nações e os interesses étnicos voltaram a sobrepor-se a todos os demais.         

O Afeganistão, tudo leva crer, aproxima-se de um novo banho dos fundamentalistas contra as populações e da imposição do terror contra os direitos democráticos. É caso para perguntar foi para isto que se fizeram estas guerras? O mundo ficou bem pior do que estava antes destas invasões. Os arquitetos destas loucuras vão desaparecendo de acordo com as leis da vida e da morte e ninguém lhes pedirá contas. 

Joe Biden quer festejar o dia da Independência e não ouvir falar de coisas tristes. Tudo certo. Mas quem fabricou toda aquele imenso mar de tristeza, miséria e morte? 

Afeganistão 20 anos depois – um imenso mar de desgraças | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

A propósito do despedimento coletivo da Altice

Em 1944 o Estado português reconhecia que os Bancos eram instituições a tal ponto confiáveis que podiam beneficiar do facto de não necessitarem de efetuar descontos legais de taxa social única nas retribuições pagas aos seus trabalhadores, ficando assim dispensados, durante largas dezenas de anos, de contribuir para a Segurança Social.   Eram assim colocados no mesmo plano do Estado, ou seja, eram a Segurança Social dos trabalhadores bancários e eles próprios pagavam as pensões de reforma.

Como a vida é feita de mudança a pergunta obrigatória é a seguinte: nos dias de hoje os Bancos seriam merecedores da mesma confiança que o Estado lhes deu em matéria de Segurança Social? Obviamente que não.

Apesar da Constituição da República prever que todo tempo de trabalho conta para formar o direito à pensão de reforma, este princípio não se aplicou a todos os trabalhadores da Caixa Económica Açoreana quando faliu, pois, para alguns, não foi acautelado tal direito.

Decorridas as mesmas largas dezenas de anos não é arriscado afirmar que não pode ser muito sólida a confiança que o Estado possa depositar nas condutas, nomeadamente éticas, das grandes sociedades que têm por escopo o lucro, sendo que muitas delas, com a suas engenharias, nem sequer pagam impostos.

Talvez porque se perdeu a intuição da antiga ética social é que as grandes empresas, cujo rosto são os call centers, passaram a ter necessidade de regulamentar a mesma, com Códigos.

Regulamentar muito a vida nunca foi bom

Os valores alteraram-se muito sobretudo para quem canaliza todas as suas forças e energia para a obtenção do lucro: o bezerro de ouro.

A Portugal Telecom, que teve origem em empresas públicas que em 1994 se fundiram, passou para as mãos da Altice Portugal em 2015 e esta assumiu o compromisso, com alguns sindicatos, de não realizar despedimentos coletivos.

Esta ilusão não durou muitos anos e o socialismo utópico que vinha das empresas públicas e que desde há 24 anos veio a permitir a saída de 15000 a 18000 trabalhadores de forma consensual, sem agressividade e em paz social, acabou no dia 1 de julho de 2021.

Com o despedimento coletivo de 200 a 300 trabalhadores, que agora se inicia, a Altice Portugal faz uma rutura com o passado e já não merece confiança no futuro nesta matéria.

E tem fundamento para proceder ao despedimento coletivo?

A resposta à questão é a seguinte: numa grande empresa, como a Altice Portugal, existe sempre fundamento, em qualquer altura, para iniciar um despedimento coletivo.

Os despedimentos coletivos têm sempre fundamentos economicistas os quais, numa grande empresa, que tem lucros, são sempre uma ficção, ou seja, uma narrativa na qual o desejo se adapta à realidade, tornando-a racional.

O motivo real do despedimento pode efetivamente não ser aquele que foi anunciado aos trabalhadores, pelo Presidente Executivo, de necessidade de reorganização, com votos de saúde e um abraço.

Na realidade, nunca conheceremos o verdadeiro motivo, nem os tribunais, pois o mesmo ficou fechado no gabinete da Administração.

Será para futura venda, “sem gorduras”? É possível. Será porque a Anacom se porta mal com a Altice? Pode não ser.

É corriqueiro dizer mal dos sindicatos, fica bem, mas os sindicatos são indispensáveis e essenciais na defesa dos trabalhadores e da sociedade. Não é um chavão, pois muitos dos que dizem mal, sem o saberem, usufruem de direitos e regalias que foram negociados pelos sindicatos em convenções coletivas de trabalho.

Já iniciamos a caminhada no admirável mundo novo que pretende que todos sejamos “subordinados felizes,” utilizando a expressão de Fernando Pessoa.

Os trabalhadores não podem deixar que façam deles “subordinados felizes” e sempre descartáveis.

Contrariamente ao que se diz, os sindicatos têm um grande futuro à sua frente pois as grandes empresas ambicionam, com as novas tecnologias, seguindo o guia supremo, que é a divina Google, que lhes entreguemos a alma.

Quem trabalha subordinadamente não pode deixar de reagir e o Estado tem de adequar as leis à realidade cínica das grandes empresas e não se deixar engolir pelas mesmas.

Este despedimento coletivo da Altice será sempre uma fantasia na sua construção, mas vai causar muita mal e dor a um universo de 200 a 300 famílias portuguesas e o Estado não se devia demitir das suas responsabilidades, pois já não se trata do cumprimento do Direito, já estamos noutra fase, com outra realidade.

JOSÉ PAULO LEITÃO- ADVOGADO DO SINDICATO DOS TRABALHADORES DO GRUPO ALTICE EM PORTUGAL

A propósito do despedimento coletivo da Altice Portugal | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

A tia Angela, o tio Marcelo e o herr Costa

A tia Angela, dentro do seu melhor estilo de tia-avó, aproveitou estar com a sua ex-Ministra da Defesa (afastada por navegar em submarinos de águas profundas) e atualmente Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen para ralhar com Portugal. Deixou os ingleses entrarem para verem a final da Champions no Porto e para férias na Algarve, resmungou do alto do seu cadeirão.

A tia não achou bem que os súbditos da Majestade Isabel II tenham vindo ver a final, não esclarecendo se acharia o mesmo quanto à vinda de alemães, caso o Bayern de Munique fosse o finalista. De falta de variantes, percebe ela, é sempre mais do mesmo.

Se o primeiro-ministro de Portugal lhe tivesse perguntado a opinião a música seria outra, mas como não pediu levou o ralhete que é para aprender. Ingleses no Porto sem a ouvir? Quem manda, sim, quem coordena?

Bem podem dizer que a verdade encerra muitos significados, inclusive alguns diferentes do que se pretende fazer crer. O ralhete vale o que vale, ou seja, valeu para Rio e Marcelo se apresentarem a jogo.

O primeiro para aplaudir, apesar de ter clamado pela vinda dos ingleses para impedir o turismo de se afundar.

O segundo, mais esperto, para agradar à poderosa tia, desculpabilizando-a e elogiando-a quanto à bazuca.

As palavras não passam de palavras e com elas nos entendemos e damo-nos a entender, como é o caso da nossa querida tia alemã.

Um queixume, um reparo, um desabafo do género, então o Herr Kosta deixa os ingleses entrarem no Porto e não dá satisfações? Ah, pois é, não pode ser. Um desabafo por falta de coordenação, disse ela. Em Munique, capital da Baviera, quem coordena é ela e ela é que sabe quem entra e quem sai e quem vai a Wembley para os oitavos do europeu. Pois. Só que outra coisa não tem feito António Costa, disse ele, passa a vida a coordenar com a tia e os outros, insistiu.

Com que então barrar os ingleses? Mas eles já se barraram à U.E, pensou o nosso primeiro. Contava que Marcelo e Rio lhe tivessem mandado o recado a dizer que o mal pandémico estava em Lisboa, onde não se jogou a final da Champions, mas enganou-se e ficou intrigado quanto ao verdadeiro significado do queixume e do faz de conta de Marcelo e Rio que assobiaram como se o Porto fosse Lisboa, o que não é, veja-se o caso das entregas dos dados dos ativistas sociais às embaixadas, incluindo de Israel que é raro aparecer mencionada.

Acontece em todas as famílias, quando uma tia-avó tem muito peso, ou lhe dou uma cadeira robusta ou aguentam o peso que ela tem.

Ela não só tem um grande peso entre a família da U.E., como também não ouve bem todos os familiares; ouve melhor os familiares mais próximos do enorme quintal alemão. A Inglaterra é uma ilha, esteve sempre contra a Alemanha, e tudo isto conta na sua cabecinha pensante.

 Na Alemanha não há grandes variantes, é, há muito tempo, mais do mesmo, die  große Koalition.

A tia armou um grande sarrabulho na Lusitânia. Ela calculava que Rio e Cecília Meireles iriam mudar de opinião quanto à entrada de ingleses na pátria de Camões e acertou.

O tio Marcelo não é por viver em Cascais, terra de tios e tias, mas porque não pode deixar passar nada sem pronúncia e entregou o nosso chanceler à tia chancelerina – também já criticámos a Alemanha, escondendo o sujeito capaz de uma coisa daquelas.

O tio Marcelo, apesar da tia se ir retirar em setembro, não fosse esquecer-se dele, veio a terreiro, através da chamada prova indireta, dizer aos portugueses, que já sabiam,

 que ela é quem manda desde o défice até à bazuca. Abençoada seja a tia e quem a apoia.  Ingleses never, nimmer, jamais como disse o nosso Mário Lino, jamais.

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A higienização do PSD

A Concelhia de Gaia do PSD de Gaia deve estar com muito mau aspeto e no que concerne a limpeza. A coisa, segundo António Oliveira, está precisar de uma higienização.

Da outra banda a Concelhia considera Oliveira um erro de casting, do género de quem diz a Rio que a sua escolha no meio futebolístico foi um penalti falhado.

Oliveira foi descobrir coisas do arco da velha no seio da Concelhia e esta encontrou um fulano sem caráter, ambicioso e arrogante com tiques de ditador incapaz de assinar um documento.

Este é o estado do PSD em Gaia. O candidato por uma questão higiénica não se quer sujar. A Concelhia suja com o Oliveira.

Muito provavelmente a esta hora Rio estará a dizer a seus pares – estão a ver no que dá a pesca no futebol.

Só faltava, na Amadora, a Dra. Suzana Garcia descobrir alguma necessidade de esterilização que é uma forma superior de higienização. Ainda vai a tempo de transformar a Amadora num Estado como a Singapura, segundo as suas palavras. É tudo uma questão de higiene mental.

A higienização do PSD/Gaia

A Concelhia de Gaia do PSD de Gaia deve estar com muito mau aspeto e no que concerne a limpeza a coisa, segundo António Oliveira, está precisar de uma higienização.

Da outra banda a Concelhia considera Oliveira um erro de casting, do género de quem diz a Rio que a sua escolha no meio futebolístico foi um penalti falhado.

Oliveira foi descobrir coisas do arco da velha no seio da Concelhia e esta encontrou um fulano sem caráter, ambicioso e arrogante com tiques de ditador incapaz de assinar um documento.

Este é o estado do PSD em Gaia. O candidato por uma questão higiénica não se quer sujar. A Concelhia suja com o Oliveira.

Muito provavelmente a esta hora Rio estará a dizer a seus pares – estão a ver no que dá a pesca no futebol.

Só faltava, na Amadora, a Dra. Suzana Garcia descobrir alguma necessidade de esterilização que é uma forma superior de higienização. Ainda vai a tempo de transformara a Amadora num Estado como a Singapura, segundo as suas palavras. É tudo uma questão de higiene mental.

Passos Coelho- Cometa Halley

Passos Coelho ganhou com o tempo um ar solene como aquele que garantiu ao pé do Cartório Notarial que se fosse primeiro-ministro não aumentaria impostos, não cortaria salários e não permitiria despedimentos na Função Pública. Foi o que se viu. Entretanto, na sua órbita de aparecer e desaparecer como o Cometa Halley, no dia 16 de junho teve uma aparição no lançamento de um livro de António Alvim “Um manual para mudança da saúde” com Carlos Moedas na primeira fila (parece que desta vez foi realmente convidado) para voltar a um tema velho e revelho de quarenta e tal anos, desde a formação da AD – as reformas que não têm fim à vista.

O país não pode viver sem reformas, desde logo no SNS, disse ele, acrescentando que é um paradoxo ser “…o que se chama de direita sempre a tentar salvar a situação e ver se lhe consegue dar sustentabilidade…”.

Na sua arenga continuou a clamar pelas tais reformas a serem feitas seja de que maneira seja, enviando um recado a Rui Rio que anda, desde que chegou a líder à espera do PS. Explicou a Rui Rio “…se as reformas tiverem de se fazerem em confronto que se façam, também é importante que a democracia funcione para isso… “

Sem nunca explicar entre quem seria o confronto e em que consistiriam, puxou de uma bandeira sempre agradável, nomeadamente numa situação de descrença política, contra o rumo do país, apontando sem nunca o referir um novo programa de empobrecimento dos que vivem do seu trabalho e de enriquecimento acelerado para os que aproveitariam dessas reformas.

É preciso desfaçatez vir acusar a esquerda de não querer um SNS com sustentabilidade quando acaba de dar resposta satisfatória aos portugueses em plena pandemia, mesmo desfalcado por políticas de direita que o querem colocar ao serviço dos grupos privados de saúde e que em boa medida conseguiram com o asfixiamento das carreiras dos operacionais, enfermeiros e médicos, com o desinvestimento e encerramento de serviços quase em simultâneo com a abertura desses espaços e serviços pelos privados.

Qual é a reforma que Passos Coelho pretende para o SNS? Torná-lo mais eficaz com investimento necessário ou prosseguir a senda do seu desastroso mandato de quatro anos a desinvestir no SNS e a abrir às claras ou encoberto áreas aos privados? Não disse o que pretendia, mas percebe-se.

Em Portugal, os privados podem investir na saúde e mostrar do que são capazes, só que o jogo fica viciado se o fizerem através do Estado que, em vez de o defender para todos, o tornarem burocrático, inoperacional, incapaz de responder no dia a dia, fazendo com que os cidadãos fujam para os grupos económicos privados.

Só que nesta altura em que o SNS, apesar de todas as malandrices que lhe foram feitas, respondeu eficazmente à pandemia, vir falar de sustentabilidade significa entregar o bife aos que “sabem da poda” e encher-lhes os bolsos e deixar o SNS para aquele terço “miserável” como diria M. Tatcher. Existiria para os que não chegassem a tomar seguros que por sinal são detidos pelos mesmos que detêm os grupos da saúde.

Entretanto Rio que se cuide. E o PS que leve a sério os recados de Marcelo. A sintonia ganha contornos. O cometa Halley desconfinou e apareceu em cima dos acontecimentos. 

Passos – O cometa Halley | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)