Trump vai enfrentar os perigosos maltrapilhos hondurenhos – que Deus o proteja.

Trump é o Presidente do país mais poderoso do mundo. Tem a mãe de todas as bombas. Tem armas capazes de destruir o mundo em pouco tempo. Recentemente anunciou novos investimentos no arsenal nuclear. Trump é o Presidente do país mais bem armado do mundo.
A partir do próprio Espaço sideral, os EUA sabem tudo o que se passa no mundo em tempo real, inclusive se o Presidente da Rússia, da China, do Irão, ou das Honduras vão à retrete fazer o que ali têm de fazer.
Esta verdade extraordinária esconde outra não tão extraordinária, apenas humana – uns milhares de maltrapilhos e mendicantes hondurenhos que caminham subnutridos em direção aos EUA estão a causar o pânico do Presidente Trump.
O senhor Presidente imagina um conflito entre alguns desses hondurenhos a atirar pedras ao poderoso exército dos USA e os soldados. cheios de medo, a tremer sacam as suas armas e disparam até não haver mais mãos capazes de pegar em pedras e vencem os maltrapilhos, ajudando o Partido Republicano a vencer as eleições intercalares.
Esta é a força dos USA ou o seu medo? Quem vai vencer? A força ou o medo? Se os soldados dos USA não tirarem as pedras da fronteira … rebentará a guerra. Ao que se sabe entre os mendicantes não há armas de destruição massiva.

Anúncios

Éticamente reprovado, o filisteu Paulo Portas

A verticalidade capaz de suportar uma vida coerente é um dos valores mais elevados na vida social, mesmo que o não pareça.
Uma das razões pelas quais os cidadãos deixaram de acreditar nas instituições e inclinaram-se para saídas populistas de extrema direita reside nas mil e promessas que os políticos que governam anunciam e nunca cumprem.
Um dos expoentes máximos da ausência de um pingo de verticalidade ao longo da sua vida política é Paulo Portas.
Enquanto político foi um manobrador e manipulador que se poderia designar como o maior balseiro do reino.
Talvez, por isso, depois destes anos a balsar tenha sido chamado agora para comentador na TVI, dado que sua exemplar vida de político sério impunha que não ficasse submergido em águas profundas e não pudesse ser visto a perorar como só ele sabe, sem o respetivo periscópio.
Paulo Portas desde os tempos de diretor do Independente até hoje travestiu-se de tudo no que se refere a direita portuguesa.
Passou os seus dias a atacar e a incensar Cavaco; a propor e a rasgar acordos com o PSD incluindo com Marcelo Rebelo de Sousa; a frequentar feiras, a beber copos com os velhinhos e propor aumentos das reformas e a cortá-las no governo.
A tudo habituou os portugueses. Só que apesar disso poderia haver quem pensasse que ele, nesta fase, fosse mais comedido.
Só que nem sempre se consegue disfarçar o que se tem na alma e Portas, apesar do seu maquiavelismo, deixou-se levar na sua ternura por Bolsonaro e não vê na conduta da personagem nada de eticamente reprovável. Trata-se de um capitão de umas Forças Armadas nacionalistas. Sem mais. Que enlevo! Que admiração!
Portas não vê nada de eticamente reprovável quando Bolsonaro afirma que não é com eleições que se resolve o problema do Brasil, mas sim com 30.000 mortes… Nem quando acha que os pobres devem ser esterilizados… Nem quando afirmou que o mal da ditadura foi torturar em vez de matar… Nem quando incitou ao ódio contra os vermelhos…Nem quando o seu filho considerava que um cabo seria o suficiente para encerrar o Supremo Tribunal de Justiça…Nem quando defende que os brasileiros devem ter acesso livremente às armas…
É verdade, o enlevo de Portas pela personagem cega-o e fá-lo perder a capacidade que todos lhe reconhecem de disfarçar.
Portas deixou cair a máscara. Um cidadão que nada tem de eticamente censurável só pode merecer elogios; foi a mensagem do admirador.
Portas como Bolsonaro invocam muitas vezes a sua fé e Deus. Só que nunca explicaram como se pode invocar o nome de Deus para fazer política? A isso chama-se invocar o nome de Deus em vão, violação do segundo mandamento.
Além de que no caso de Bolsonaro é mais grave porque entende que Deus está acima de tudo e todos, mas sem dizer qual é o seu Deus, dado que cada um tem o seu Deus e no Brasil tão vasto e diversificado nem todos têm o mesmo Deus, pois há Deuses muitos diferentes no culto dos brasileiros.
Portas desconhece por completo o catecismo da Igreja Católica ou então comporta-se como um filisteu. Fica-lhe o elogio da folha limpa do seu capitão admirador da tortura e da esterilização dos pobres.

Publicado no Público online de 31/10/2018

Cavaco é um matóide

Cavaco gosta de falar com os seus botões como se nada mais existisse para além deles, em termos de contraditório. Sempre gostou de falar e agir como se fosse alguém que está acima dos outros. Tem de si uma ideia que lhe dá esse espelho da grandeza onde se olha.
Um homem que foi ao congresso do PSD à Figueira da Foz rasteirar João Salgueiro.
Um homem que rasteirou Sócrates quando lhe prometeu cooperação estratégica.
Um homem tão fechado que tinha tabus. Tão taticista que precisava para mostrar grandeza de deixar o seu partido e o país à espera de saber se se candidataria a Primeiro-Ministro.
Um homem tão ao rés do chão que invoca não poder fazer esperar uns minutos o neto em dia de aniversário, abandonando a inauguração da Universidade Nova instantes antes do atual Presidente da República usar da palavra, tentando dar ideia da sua superioridade com este comportamento. Só nas dinastias e nem em todas.
Um homem tão sem sentido de Estado que se serve dos encontros com os Primeiros-Ministros para revelar o que pensa do carácter dos seus convidados, o que dá nota do o seu íntimo, se o tem. Cavaco é pose.
Foi um dos políticos mais opacos de Portugal e invoca a transparência para fazer ataque ao carácter dos outros, nomeadamente a António Costa.
Como pode acusar Costa de taticista se ele recusou indigitá-lo como Primeiro-Ministro, sabendo que tinha maioria na A.R.? Como pode acusar Costa de aprender com Passos que…”uma excessiva preocupação em falar verdade não é um caminho para o sucesso…” quando Passos nas eleições prometeu mundos e fundos e depois foi desenterrar o empobrecimento?
Apelida Costa de taticista, ele que prometeu várias vezes tudo o que não fez, só para se manter na política e nos mais altos cargos. Nestes anos de democracia Cavaco foi o que mais tempo ocupou cargos da mais alta responsabilidade, sendo responsável pelo estado do país.
E como pode acusar Costa de empurrar os problemas com a barriga, se não trabalhou com ele porque a sua ideologia o fez esbarrar na realidade. Em vez de ser Presidente da República foi líder do PSD.
O livro que acaba de publicar é um ajuste de contas. E tal como o anterior é um depósito de fel contra adversários.
Cavaco foi um Primeiro-Ministro tão taticista que desbaratou centenas de milhões de euros fundos comunitários e aconselhou a abandonar a agricultura e a marinha mercante, defendendo mais tarde a agricultura e o mar.
Acusa Costa de ser um político profissional, sabendo-se que se não fosse o grau de profissionalismo político de Cavaco ninguém saberia quem ele era. Nem o empregado do café.
É um matóide, como certamente diria Fialho de Almeida.

Por que não chamou o embaixador em Riad, Senhor Ministro?

POR QUE NÃO CHAMOU O EMBAIXADOR EM RIAD, SENHOR MINISTRO?

Como todos os regimes totalitários e absolutistas, os seus dirigentes ensimesmam-se de tal modo nos seus interstícios de terror, que se convencem que podem fazer o que lhes convier que o mundo acabará por se render à sua realidade.
Após o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, os dirigentes sauditas declararam que ele tinha saído do consulado onde fora para tratar dos papéis do seu casamento com uma cidadã turca.
Logo se soube que não era verdade, pois que um esquadrão de assassinos sauditas enviado de Riad, nesse dia, o tinha assassinado. Riad esperava que o assunto morresse à medida que o tempo passava.
Só que o tempo às vezes em vez de enterrar assuntos dá-lhes mais força e não os abandona à vontade dos ditadores. O mundo sonolento tem estremeções e desperta com ímpeto surpreendendo.
Os dirigentes do reino dos sabres mediram mal o seu desprezo pela civilização e os direitos humanos. Acreditavam que o assassinato de Khashoggi os deixavam livre de uma caneta incómoda, só que o seu assassinato mostrou ao mundo o reino de terror que impera em Riad. O grau da perfídia rasa o inimaginável, só compaginável com personagens sinistras, próprias das tragédias do genial William Shakespeare.
Os dirigentes de Riad deram carta-branca aos sicários especialistas em fazer desaparecer corpos humanos. Enviaram-nos ao consulado. Cumpriram a missão. Pois bem, após negarem que ele ficara no interior do consulado, assumem que houve uma luta corpo a corpo e que Khashoggi morreu estrangulado.
Mas por que razão um homem que vai buscar documentos para se poder casar se envolve numa luta tão violenta que morre estrangulado? Se ele temia que o matassem e, por isso, abandonou a Arábia Saudita?
Os que serviram para cumprir ordens são agora os únicos culpados, sem mandantes por um crime cometido num país estrangeiro. Podem vir até a decapitar os executores materiais do crime para que as suas línguas não falem, mas ninguém acreditará que agiram por sua conta num país em que tudo é milimetricamente controlado. Que os sicários que o estrangularam digam onde está o corpo de Khashoggi enquanto têm língua.
Parece que só o Presidente mais desequilibrado em toda a história dos EUA “acredita” na versão saudita.
Todos se lembram que Santos Silva chamou o embaixador português em Moscovo por causa de uma tentativa de assassinato de um espião russo. Pode o Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros informar os portugueses qual foi a razão para não ter chamado a Lisboa o embaixador português?

O que revela o assassinato de Jamal Khashoggi

O assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, no consulado turco, em Istambul, revela, em toda a sua nudez, a natureza do regime absolutista monárquico no poder em Riad.
O poder saudita congeminou o assassinato de um prestigiado intelectual árabe porque ele não aceitava a mordaça de escrever o que o palácio real queria.
Quando a notícia do casamento de Jamal bateu no consulado, devem ter sido imediatamente transmitida aos mais altos dirigentes sauditas que, sabendo que para casar ele teria de se deslocar ao consulado, organizaram friamente o seu assassinato.
Receberam-no no consulado e uma equipa de carniceiros profissionais, vindos da capital do reino obscurantista no mesmo dia, matou-o e fê-lo desaparecer, ao que se sabe levando-o esquartejado para Riad e afirmando que ele tinha saído do consulado.
A sua noiva, fora do consulado, esperou onze horas seguidas, sem o ver sair. Os dirigentes sauditas tinham perfeita consciência do escândalo que rebentaria, mas para eles todos os escândalos são melhores que Jamal Khashoggi continuar a escrever o que pensava nos jornais onde escrevia.
Na verdade, o poder saudita está habituado a comprar quem quer que seja com os seus triliões. Quem não se render deve ser assassinado, nem que seja no estrangeiro.
Veja-se a posição de Trump. De início considerou muito grave e exigiu que se apurassem responsabilidade, combinando com Riad enviar Pompeo para ele sair de lá “convencido” que a Suas Altezas reais nunca lhes passou pela cabeça assassinar Jamal, sendo que algum dos carrascos o deve ter feito por descuido. Eis o que Trump, provavelmente Macron, Theresa May queriam ouvir.
Esta última e os seus amigos, por uma tentativa de envenenamento de um espião russo convertido para espiar Putin, puseram a Europa em alvoroço com a expulsão de centenas de diplomatas russos, como não se via há décadas, nem no período da guerra fria.
Trump e Pompeo já avançaram com a desculpa que criaram com o tal príncipe “moderno” para que tudo fique na mesma. Os carrascos encarregados de matar Khashoggi afinal saíram de Riad para lhe fazer perguntas sobre a prenda de casamento e Jamal, com o susto, morreu, pois não imaginava que os enviados de Salman lhe quisessem desejar felicidades .
Trump já afirmou que vai continuar a vender milhares de milhões à Arábia Saudita em armamento para abafar a revolta no Iémen. Os amigos são para as ocasiões.
Pactuar com um poder desta natureza é assumir que crimes tão hediondos no modus faciendi e nas desculpas apresentadas possam ser tolerados.
Resta a todos, sobretudo aos Estados, a aceitação ou rejeição de semelhante barbaridade para que que armadilhas deste tipo não possam ser montadas seja onde for e por quem quer que seja.

Transrito do Público online de hoje

Mundos onde não cabem os pobres

O parlamento húngaro acaba de aprovar uma lei que impede os sem abrigo de dormirem ao relento nas grandes cidades devido ao incómodo que provocam nos transeuntes.
Na Hungria de Orban, caso os sem abrigo não cumpram o que foi determinado ficam à mercê dos polícias que lhes poderão confiscar os bens que transportam, a saber os cartões e alguma roupa em sacos de plástico.
Salazar também fez aprovar um decreto-lei que proibia os pobres de pedir.
Bolsonaro defende a esterilização dos pobres para evitar que se reproduzam.
Orban, Salazar e Bolsonaro têm nojo dos pobres e percebe-se, incomodam os transeuntes, cheiram mal, têm mau aspeto.
Percebe-se o ponto de vista destas excelências que odeiam os pobres. Já não se percebe que haja milhões de pobres que votam em Bolsonaro e Orban. O mundo não é para os pobres. E até há muitos pobres que se colocam fora dele. Que mundo…