GUERRA NA UCRÂNIA – O VELHO EXERCÍCIO DE ENCONTRAR AS DIFERENÇAS

Em tempos idos, os jornais contribuíam para exercitar a atenção dos leitores apresentando gravuras aparentemente iguais, mas que na verdade escondiam diferenças.

Hoje, o mundo apresenta características similares, o que parece ser igual afinal tem diferenças. Nas invasões do Iraque pelos EUA e da Ucrânia pela Rússia há essa semelhança, ambos os países foram invadidos. Washington está à distância de seis mil e duzentos quilómetros de Bagdad. A Ucrânia tem uma longa fronteira com a Rússia. Qualquer uma das invasões violou do modo mais grosseiro e violento o direito internacional.

Tomando as duas invasões não serão achadas semelhanças quanto às reações do e no mundo ocidental; quem o lograr será forte candidato ao Nobel de Medicina na área da Oftalmologia.

A invasão iraquiana causou mais de cem mil mortos, a da Ucrânia ainda não acabou, mas os media falam do número assustador de mortos russos pelos soldados ucranianos (verdade ou propaganda?). Disse Zelenskii que os russos estão a matar por dia entre 100 e 200 soldados ucranianos. Não se sabe se há semelhança, diferença ou propaganda. Sabe-se que nos escondem a verdade.

Quem esteve atento àquele ano de 2003 lembrar-se-á das “boas” intenções dos bombardeamentos dos EUA para descobrir as armas de destruição massiva, não havia crianças nem idosos mortos nos canais televisivos, eram danos colaterais.

Na Ucrânia os idosos, as crianças mortas e os hospitais destruídos entram-nos pelos olhos dentro. Não há dia em que não nos mostrem aquele lado da guerra, como se houvesse guerras sem aquele lado. Outras guerras ficam sem direito a imagem.

George W. Bush, Tony Blair, Aznar, Barroso, Portas e Cª nunca foram apelidados de criminosos de guerra.

A NATO tomou conta do assunto no Iraque com as USA troops e nunca entregou qualquer arma, nem mesmo um canivete, nem um corta-unhas ao país invadido, nem convidou Saddam Hussein a falar nos parlamentos dos seus países. Nem sequer uma palavra de conforto.

Os refugiados iraquianos não foram aceites a não ser na Jordânia em condições infra-humanas, aliás o mesmo sucedeu com os refugiados sírios e afegãos.

A ocupação não levou os referidos governantes a chamarem diplomatas e muito menos expulsões do corpo diplomático dos EUA/RU/Espanha.

Não foi aplicado aos países invasores qualquer sanção, nem sequer a interdição de os EUA exportarem o conhecido Marlboro, a Espanha o apreciado brandy Pedro Domec e o Reino Unido o seu famoso gin Gordon, tudo fluiu como fluía.

Como se lembrarão, nenhum político europeu se deslocou a Bagdad durante a guerra; os que lá foram fizeram-no com o objetivo de dar ânimo às tropas ocupantes dada a resistência dos iraquianos.

Os massacres cometidos em Falujja e noutras localidades não foram levados à Comissão dos Direitos Humanos da ONU e para os governantes ocidentais não chegaram a passar de uma maçada, aliás, justificável face à resistência iraquiana que não aceitava a “libertação”.  Nem mesmo as torturas de Abu Grahib, nem as simulações de afogamento aplicadas aos presos políticos em Guantánamo e algures no alto mar supostamente em terra de ninguém.

O mundo explodiu da Austrália ao Canadá contra a guerra e veio para as ruas para tentar impedir a invasão. Lisboa foi palco de uma enorme manifestação popular. Agora, essa explosão tem sobretudo lugar nos canais televisivos.

Os que não aplicaram uma mera censura aos EUA pela invasão e mortandade no Iraque aplicam agora as mais duras sanções à Rússia, as quais estão a atingir duramente os povos da Europa e sobretudo da África. 

Coloca-se a questão de saber se a Humanidade vai, pelo exato e mesmo crime cometido, num caso pelo Presidente do país “guia” do Ocidente, G. W. Bush, e noutro caso, pelo novo czar russo Putin, ficar de braços cruzados a assistir a uma guerra interminável no continente e eventualmente alastrar a todo o mundo. Aos governantes ocidentais falta-lhes o que Charles de Gaulle, ex-Presidente francês tinha -coluna vertebral. Parece que entregaram a Europa aos EUA, assumindo essa subalternidade.

É razoável esperar de quem governa a defesa da paz e não de projetos de domínio do mundo seja a Ocidente seja a Oriente. Como escreveu, há mais de quinhentos anos, Erasmo, na obra Elogio da Loucura…” A guerra é coisa tão cruel que é mais própria de feras do que de homens…” Não há imperialismos bons. As guerras são a crueldade no seu lado mais brutal, como se vê diariamente na Ucrânia e se viu no Iraque.

https://www.publico.pt/2022/06/29/opiniao/opiniao/guerra-ucrania-velho-exercicio-encontrar-diferencas-2011748

O RASGO SEM RASGO DA Sra. URSULA

A Sra Ursula von der Leyen, chefe da U. E. deu uma entrevista, antes do Conselho que vai atribuir à Ucrânia o estatuto de candidata à adesão, que merece toda a ponderação não só como mereceria sempre uma entrevista da Sra, mas também pela ousadia demonstrada.

Declara que a Rússia já perdeu a guerra e que “…seremos intransigentes para que a Ucrânia vença…”

Ademais, a Sra acrescenta que os soldados ucranianos se regozijaram com a hipótese de o país obter o estatuto de candidato.

Ursula deve medir as palavras e se as mediu deve também pensar em todas as consequências e o seu impacto no quadro da guerra e do continente.

A afirmação de que a Rússia já perdeu a guerra é temerária, o que não condiz com o importante cargo que desempenha. Aliás, o perdeu a guerra aliado ao que a EU deve fazer para que a Ucrânia vença é uma contradição vibrante.

Uma dirigente com o peso da Sra. Ursula não se pode comportar como o (a) responsável do Departamento de Informação da EU. Tem de ter mais substrato; a propaganda não lhe fica bem. Ela também já tinha dito que as sanções iriam derrotar a Rússia… Uma coisa é o desejo, outra a realidade.

Se a Rússia já perdeu a guerra significa que foi derrotada; haverá alguém no seu tino que possa sustentar esta tese?

Se a UE deve fazer tudo para que a Ucrânia vença então a Rússia ainda não perdeu a guerra como é bom de entender e o que é fazer tudo para que vença? É claro à partida que a desproporção de meios dá grande vantagem à Rússia, o que não significa que ganhe, veja-se o caso dos movimentos de libertação e até o que aconteceu com a retirada das tropas dos USA do Afeganistão.

Assim sendo o que a Sra. está a apregoar é o mesmo que o Ministro da Defesa do RU e o Secretário-Geral da NATO que a guerra é para durar anos?

Se for, quer dizer que a NATO e outros encherão os ucranianos de armas para que a guerra continue e continuando haverá sempre a possibilidade de resvalar para um conflito de outra escala, será isto o que os europeus querem? Valerá a pena correr esses riscos? Urge responder.

Surge sempre a justa e lancinante pergunta, e se não se derrotar militarmente a Rússia ela não irá fazer o mesmo? Alguém já perguntou se os EUA não fossem derrotados no Vietname a sua política mudaria? Não mudou; continuou a senda de invasões e agressões.

A Rússia imperialista de Putin joga no mesmo campo. O que se exige ao político de maior relevo da EU é que faça política realista e construtiva e que aponte caminhos e não mais do mesmo.

Sim, pode ser que Putin se sinta reconfortado…digam então o que fazer? Lançar uma guerra contra a Rússia? Continuar a guerra à espera de um eventual desgaste de Putin? O velho político da escola realista ocidental, Henry Kissinger, já respondeu a esta questão.

As relações entre os Estados continuam a ser determinadas pela força de cada um e vai continuar a ser nos próximos tempos. A força não determinará tudo, mas determinará muito.

A vida na Europa está a ficar azeda. Resta-nos nesta encruzilhada diabólica saber se uma negociação é melhor ou pior designadamente para os próprios ucranianos.

Em tempo de rufar dos tambores o sangue chama o sangue, é uma verdade. Sem deixar de chamar a esta guerra um crime grosseiro e violento é necessário que ela acabe e não ficar à espera da vitória de uma das partes como preconizou a Sra. Ursula.

A confusão e a emoção têm impedido que os povos tomem a palavra para retificar as palavras dos falcões.

As destruições, os horrores, as mortes, a carestia da vida, a crise anunciada exigem paz e não a continuação da guerra. Então como se para a guerra de Putin? Criando um campo fortíssimo de países capazes de impor por via negocial as condições de uma paz honrosa para todos com o apoio da mobilização dos povos.

E viva o luxo

O Parlamento Europeu acaba de proibir a venda de carros a gasolina a partir de 2035. Só serão permitidas vendas de carros elétricos. Muito bem.

Só que até 2036 os Ferrari continuarão a poder ser vendidos e a rolar e acelerar com gasolina porque se produzem cerca de mil por ano, ou seja, as centenas de multibilionários que têm arame para comprar Ferraris vão poder continuar por mais um ano a comprar brinquedos de luxo.

Não bastam as pandemias, as crises, as guerras e o neoliberalismo que marcam o aprofundamento das desigualdades sociais a um ponto atroz entre a imensa maioria da população e a meia dúzia de compradores de Ferraris para mostrar ao mundo que são de outra argamassa .

Este pormenor diz tudo acerca de quem dirige o P.E. Perderam a vergonha e sucumbem diante do BIG MONEY.

Que magnífica medida de coesão social. Os que compram Ferraris podem lá ser comparados com os outros. Nem pensar. Haja Ferraris para gaudio dos que os podem comprar em 2035. As centenas de milhões de europeus comprarão elétricos. Diz-se que esses super hiper ricos se virem privados de comprar em 2035 um Ferrari a temperatura sobe ainda mais. Vejam lá o cuidado que é preciso ter.

Que tem Einstein a ver com a bomba atómica que destruiu Hiroshima?

O que é que Einstein tem a ver com a decisão de Harry Truman, Presidente dos EUA, de lançar duas bombas atómicas sobre o Japão em 1945? Ou Steinbeck? Ou Hemingway? Ou Whitman? Ou as sufragistas?

O que é que Leon Tolstoi, um dos maiores escritores de todos os tempos, tem a ver com a invasão da Ucrânia? Ou Tchaikovsky? Ou Pavlov? Ou Yashin?

O que é que Shakespeare tem a ver com o domínio britânico da India? Ou os Beatles? Ou Charles Dickens?

O que é que Madame Curie tem a ver com o domínio francês da Indochina?  

O que é que Luís de Camões tem a ver com a guerra colonial portuguesa? Ou Aquilino Ribeiro? Ou Agustina Bessa Luís? Ou Saramago?

Estas são mulheres e estes são homens que se levantaram do chão para se plantarem como estrelas no céu e nos elevarem na nossa humanidade.

Não são de parte nenhuma, nasceram num canto e pertencem pela sua obra a todos os cantos do mundo.

O génio do criador da Anna Karenina e Guerra e Paz é de todas as mulheres e de todos os homens do Planeta Terra, mesmo dos cegos ou dos analfabetos. Sem ele ainda veriam e saberiam menos.

Da Vinci é do mundo e da Humanidade e Mozart e Goethe. O que tem Schiller ou Marx a ver com a invasão hitleriana?

As autoridades ucranianas mostram bem ao rasurem das ruas da Ucrânia os nomes de Tchaikovsky, Pavlov e Tolstoi de ruas de Lviv o ódio que os move.

Sim, a Rússia invadiu a Ucrânia e está a destruir grande número de cidades, o que não tem perdão. Mas nem Tolstoi, nem Pavlov, nem Tchaikovsky têm a ver o que quer que seja com esta guerra; pela sua obra seguramente estariam do lado da paz. Então porquê este ódio a estes vultos gigantescos da cultura europeia para os apagar das ruas?

Retirem da literatura nomes como Gogol, Tolstoi, Gorki, Tchekov, Dostoeivsky, Puchkin; tirem da pintura Chagall, Kadinsky, Rubiev; da música Borodin, Tcaikovsky, Katchurian, Shostokovich, Rachmaninov, Prokofiev; das Ciências Pavlov, Lomontosov, Fedoseyev, Shomolish, que vazio ficaria na Europa?

Que a Sra. von Leyen não conheça a construção da Europa tal como ela foi e é não admira porque ela é uma burocrata antes de ser europeia. A Europa nasceu há séculos e está prenha de invasões.  

A alguma luminária passou pela cabeça retirar das ruas de Portugal o nome de Vitor Hugo apesar das invasões francesas? Ou o nome da Praça de Londres apesar do Mapa cor de Rosa?

Só o destemperado ódio justifica esta atitude apesar da ignóbil guerra da Rússia contra a Ucrânia.

A Europa sem a Rússia não seria a Europa que hoje conhecemos. Seguramente. A ignorância mora em Lviv e pelos vistos em Bruxelas.

O ativismo de Cavaco, o velho raposo está de regresso

O senhor Professor é um fenómeno que está muito para além do nosso triste planeta. Ele gravita no mesmo sistema solar, mas com outras órbitas, similares à do cometa Halley.

Quando ele aparece vindo de um espaço celestino perdido nas brumas do tempo gasto a tratar do rancor, logo se agitam os instrumentos de previsões meteorológicas e ideológicas, as primeiras devido ao posicionamento do planeta Terra e as segundas devido ao contexto ideológico do planeta PSD.

Cavaco apesar do seu perfil longilíneo é no interior da sua alma um homem retorcido. Ele deixou passar o prazo e tenta jogar por procuração. A casa que o fez inchar é hoje uma residência onde os inquilinos se estatelam e nenhum sabe ir à Figueira da Foz inventar um Congresso que lhe atribua as chaves de Primeiro-Ministro.

Cavaco perdeu-se nos labirintos da memória. Tem de ir a uma consulta ao Professor António Damásio. Já não se recorda o que se passou quando o seu enlevado discípulo, Passos Coelho, era o Primeiro-Ministro de Portugal.

O Sr. Professor ao longo da sua longíssima carreira política sabe que em Portugal só houve um Primeiro-Ministro que teve como objetivo declarado empobrecer os portugueses. Outros empobreceram, incluindo do campo do PS, mas nenhum teve como objetivo anunciado castigar os portugueses por viver acima das suas possibilidades.

Aquilo que o Sr. Prof. chama visão de futuro era para Passos Coelho o empobrecimento; por isso vir dizer que o PS é responsável pelo crónico empobrecimento dos portugueses é de quem gravita na órbita Halley, aproximando-se da política portuguesa quando um impulso para salvar o PSD o leva ao confronto com a realidade; uma retórica em que a verdade fica submetida à ideologia do articulista.

Cavaco fala de quatro reformas, enuncia-as, mas não avança um único ponto concreto. Como se a Administração Pública nos seus governos tivesse sido objeto de qualquer reforma. Ou a Justiça, ou o Sistema Fiscal ou as Leis Laborais. Cavaco não reformou, destruiu a indústria metalo-mecânica, a Marinha Mercante, trocou o arranque das vinhas e das oliveiras por meia dúzia de patacos.  Ele tentou impingir a um povo relativamente inculto que a modernidade era ter acesso a subsídios e a jipes e passar férias nas Caraíbas fiado.

O seu governo foi uma reedição melhorada da tradição secular de que há um Chefe do governo e que Ele é que sabe tudo e à custa de tanto servilismo ele acreditou que era verdade.

A sua visão de futuro é a do empobrecimento; ele descobre o véu e deixa mais ou menos ao léu a único ponto concreto dos seus quatro, nomeadamente o ataque à rigidez das leis laborais; na esteira do governo de Passos que queria Portugal campeão da competição ele concretiza o seu lado reformista – flexibilizar as leis laborais, tornar a vida dos assalariados ainda mais precária e infernal com o rasto de degradação das condições de vida.

Cavaco apareceu a atacar o PSD de Rio, humilhando-o, e a incensar Montenegro, na melhor tradição do PSD e de Cavaco, o homem que atirou João Salgueiro para fora da ribalta do partido.

Talvez o grande problema do PSD/Cavaco seja o total vazio programático depois do aparecimento da IL e do Chega. O PSD não tem para onde se virar e Cavaco, o velho raposo, saiu a terreiro para dar a mão ao novo timoneiro. Percebe-se o disfarce, atacar, atacar o PS a ver se o espaço eleitoral não minga ainda mais. É a velha ideia de concorrer com a direita mais à direita abrindo o pisca à direita. Lá vai o PSD para a direita da direita com o Professor a declarar solenemente que não há esquerda nem direita. Pois, foi sempre o desígnio da direita, a defesa do status quo. O que se não percebe é como esta postura rivaliza com o PS.

Na verdade, foi preciso Cavaco acordar para o PSD acordar. O PSD está assustado com a redução do campo de influência social/eleitoral. E logo os velhos dirigentes cheios de espaço nos media vieram elogiar o caminho apontado pelo homem que como Primeiro-Ministro não queria ouvir falar de Saramago e tinha um Subsecretário de Estado que vetou o livro do escritor, o “Evangelho segundo Jesus Cristo” ao Prémio Literário Europeu e que o homem de Boliqueime condecorou com a ordem do Infante D. Henrique destinada a quem tiver prestado serviços relevantes ao país.

 É deste país atrasado, a cheirar a mofo, sem um pingo de modernidade que confunde religião com criatividade literária que se vem gabar Cavaco. Pois que se gabe como é próprio dos gabarolas. Tem quem o oiça, sobretudo os desesperados pelo poder que não chega.

A Real família inglesa, os basbaques, Carlos, a mommy.

Portugal, um país republicano desde 5 de outubro de 1910, visto pelo ângulo das televisões virou piroso e embasbacado tendo em atenção a copiosa vassalagem à inenarrável família cheia de escândalos e cuja a cabeça comemora 70 anos de jubileu, gastando ao longo destas décadas do erário público milhares de milhões de libras, sem que os nossos defensores da lisura do Monstro se perturbem um segundo com tanta gordura e tantos castelos e tantos cavalos, tantos cães, tanta pompa e tantas superficialidades exibidas num momento de guerra e de um mundo à beira da fome.

Que os ingleses perdidos nas brumas de um tempo que não voltará em que lhes bastava exibir a bandeira imperial se virem agora para os restos da História dada a grandeza perdida é compreensível.

À sua frente resta um futuro cheio de dificuldades com um fulano de cabelos loiros revoltos, personagem que Shakespeare se fosse vivo não deixaria escapar, a viver na Downing Street; um sujeito a querer endireitar o mundo e que tem a lata de afirmar nesse Reino, que não tinha consciência que violava as leis por si decretadas quanto aos confinamentos em plena pandemia. Só de opereta.

Carlos, o filho da mommy, como ele disse no discurso, sim ele discursa, e para que conste quando viaja leva um criado que transporta a sanita porque o seu real cu só se pode sentar em sanita de oiro e de papel higiénico com cheiro à época vitoriana. Um traseiro assim só opera cumprindo todas as normas de grandeza da Real família.

Os ingleses perderam-se no tempo e andam em busca do tempo ganho que se foi. Ora, os portugueses resolveram esse problema Real lá mais de cento e doze anos, 112 .

Faltava-nos, sem monarquia, os vários canais televisivos intoxicar-nos com uma propaganda parola do jubileu da rainha inglesa e dos seus familiares, verdadeiras luminárias. Em português de Portugal República independente chama-se vassalagem saloia.

O que faz este país com tantos séculos ter no terreno mediático esta subalternidade à Coroa inglesa? Como precisam de um intervalo na guerra da Ucrânia, chegou o jubileu e um naipe de comentadores e diretos que fazem estremecer o coração dos mais pindéricos basbaques. Nem sequer faltou o diálogo à mesa Real entre a Rainha e um urso. Fantástico. Sublime. Quem imaginaria?

O grande e enorme Justiceiro da estirpe de Zaratrusta do oráculo de Alcochete

O grande JUSTICEIRO tomou a palavra e disse: eu sei o que a justiça não sabe porque a mim me é dado adivinhar o que nunca o Marques Mendes adivinhará, nem o oráculo de Delfos foi tão longe como eu na arte do adivinhanço.

Então ungido pelas artes da boa educação e desportivismo continuou a sua senda redentora… O Pinto da Costa é um bandido e um corruptor e responsável pelo bárbaro assassinato no do dos festejos da…..não terminou porque a sua educação proveniente dos melhores colégios suiços não lhe permitia referir ao pequeno e provinciano clube do Norte.

O JUSTICEIRO, personagem apenas comparável a Zaratrusta disse e o mundo mediático entupiu, dado que a todas as luzes da civilização décadent esta é a forma mais gloriosa de contribuir para um relacionamento saudável e respeitador, tanto mais que no nº1 do artigo 1º da CRP está escrito o seguinte; os juízes de Portugal devem seguir a jurisprudência emanada do JUSTICEIRO.

O homem da estirpe das divindades quando chegar à DOMUS IUSTITIAE dirá que jamais em tempo algum lhe passou pela cabeça ofender o cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa, antes pelo contrário; o que ele pretendeu foi chamar a atenção do Benfica para o facto de ser ELE o grande opositor do FCP e não Rui Costa, em acelerado declínio ainda segundo o terrível Zaratrusta.

O Meritíssimo juiz ouvirá extenuado o ribombar das hipersónicas e educadas palavras de Zaratrusta e sentir-se-á destroçado pela semântica. No fundo o Justiceiro que falava como Zaratrusta foi traído pelo seu incontido impulso para apagar fogos e contribuir para a decência e dignidade do Desporto, o que nunca será possível se o clube do Justiceiro não ganhar porque está escrito nos Céus de Alcochete.

VIVA ZARATRUSTA, o que dizia que não disse o que disse no sentido que não era bem que dissesse o que disse, pois que o que disse era uma hipótese de ser o que não disse e por mero lapso disse e foram mal interpretadas as palavras de elevação moral que o país de valores não merece e AMEN.

27 DE MAIO DE 1977 EM ANGOLA – A MATANÇA

Há 45 anos em Angola tombou uma parte relevante da juventude mais esperançosa do país, como se o tempo fosse intransponível para os que quiseram acelerá-lo em direção à sagrada esperança.

Dói sempre a morte de tanta gente generosa e combativa; dói ainda mais, por motivos óbvios, a morte daqueles com quem partilhamos os bancos das Faculdade ou as lutas estudantis e democráticas e o sonho da utopia nos anos de terror fascista.

Dói, por isso, a morte de Garcia Neto, velho amigo da República coimbrã Kimbo dos Sovas, e dói a de Rui Coelho meu colega da Faculdade de Direito e a de Sita Vales que conheci em tantas lutas estudantis com a sua frescura e ousadia à tona da vontade. Todas as outras doem na nossa sensibilidade de humanos com sentimentos.

O filme de Margarida Cardoso – Sita- ajuda a compreender a loucura da equipa dirigente do MPLA que quis fugir à História, esquecendo que ao tempo ninguém foge.

Fossem quais fossem os erros táticos daqueles homens e daquelas mulheres, nunca por nunca a resposta àquele confronto podia ser um ajuste de contas brutal responsável por dezenas de milhares de mortes que varreram Angola e a fizeram mergulhar num manto de sofrimento.

Na verdade, do que se tratou foi da eliminação da esquerda marxista dentro do MPLA. Que cálculos podem ter estado por detrás desta matança? Estando o governo angolano muito dependente de Cuba e URSS haveria o temor (tendo em conta a preparação, capacidade e consciência política daquela juventude e daqueles quadros) que pudessem ascender a posições relevantes e deste modo a direção do MPLA impediu essa possibilidade para prosseguir o seu rumo?

Estava em preparação a transformação do MPLA em MPLA-Partido do Trabalho, orientado pelo marxismo-leninismo. Esta mudança serviu para esconder a verdadeira natureza dos acontecimentos e o recuo ideológico encoberto na fraseologia da dogmática?

A acusação ao PCP, alegada por alguns, baseada no facto de muitos daqueles quadros terem pertencido à UEC ou ao PCP é pura invenção para confundir e “justificar” o ajuste de contas entre o núcleo dirigente mais conservador e os que queriam um rumo mais claro para o MPLA.

Não é por acaso (ao contrário do que aconteceu por exemplo em França com o PCF nas colónias que ajudou a criar partidos comunistas) que o PCP nada fez para criar um PC Angolano, apoiando inequivocamente o MPLA.

 Álvaro Cunhal considerava como algo novo do ponto de vista teórico e de sua autoria, quanto ao conjunto das forças revolucionárias mundiais, a existência de um conjunto de países progressistas que se diziam na rota do socialismo e que ele colocava na hierarquia das forças revolucionárias à frente de muitos partidos comunistas.   

Entretanto, faltou naquela hora, a solidariedade aos que caíram. Não se tratava de estar de acordo com propostas e métodos e táticas na luta no seio do MPLA, antes condenar de modo inequívoco o aproveitamento desses erros para fazer imperar em Angola e no MPLA o poder baseado na força do terror em relação aos que queriam um rumo mais nítido do MPLA quanto ao imperialismo.

É difícil compreender que um homem como Agostinho Neto ao fim da tarde do dia 27 de Maio de 1977 tenha proclamado que não iriam perder tempo com julgamentos. Tratou-se de um julgamento político com uma condenação sem julgamento para apurar os factos, o salvo conduto para a corrida à vingança levada a cabo pelos antiprogressistas enfarpelados de marxistas-leninistas.

Será que Neto tinha a verdadeira noção do que iria suceder? E se não tinha por que foi preciso esperar dois anos para fazer parar a impunidade?

O filme de Margarida Cardoso não tinha como objetivo explicar exatamente o que se passou, mas ajuda a compreender. É preciso e urgente trazer do fundo dos poços do terror e do silêncio a verdade, pelo menos para continuar a persegui-la e assim ajudar a pacificar Angola.

https://www.publico.pt/2022/05/27/opiniao/opiniao/27-maio-1977-angola-matanca-2007402

Não há imperialismos bons, a paz é o caminho

Há diferentes tipos de bombardeamentos e invasões neste mundo. Há as invasões aceitáveis e as inaceitáveis.

Para se conhecer a destrinça entre umas e outras tem de se averiguar de que lado estão os EUA e a NATO. No caso dos EUA invadirem países que considerem hostis e um perigo para a sua segurança as invasões são não só aceitáveis, como são de apoiar pelos chamados países ocidentais.

A invasão do Iraque com as várias centenas de milhares de mortes são aceitáveis e a grande maioria dos países ocidentais acabou por apoiar.

Nessa ocasião, todos os horrores e mortes não chocaram as consciências dos governantes desta parte política do mundo.

É interessante verificar que o mundo da Austrália ao Canadá se levantou contra a invasão, o que não impediu que um só homem, violando o direto internacional, tenha ordenada a invasão. Nenhum país ocidental lhe chamou criminoso de guerra.

Hoje tirando o povo ucraniano quem se levanta contra a guerra são dirigentes da NATO e da UE.

Os povos sofrem os horrores da corrida às armas; a vida cada está vez mais cara em contraste com os rios de dinheiro para os fabricantes de armas. Portugal não pode aumentar os trabalhadores da função pública, nem robustecer o SNS, mas pode contribuir com 250.000.000 de euros para entregar a Zelenskii, sem que saiba em que mãos vão cair, se em armas ou armadilhas de oligarcas muito parecidos como vizinho gigante do Norte.

Os bombardeamentos da Jugoslávia tinham justificação e a mutilação da integridade territorial do país não tocou numa única corda sensível do Ocidente- O Kosovo, província da Jugoslávia, tornou-se independente. O Ocidente que apoiou a partilha da Jugoslávia rejeita que a Crimeia seja russa. E vivo cego por sanções.

Quantas dezenas de milhares de palestinianos mortos às mãos do ocupante Israel são precisos para que Portugal entregue um pequeno cheque às autoridades palestinianas? Por que não vai nenhum governante europeu aos territórios ocupados? Que consciência os impede?

Pode esperar-se que estes governantes sejam exemplo a seguir em termos de liderança, de justiça nas relações internacionais, de respeito pelo mínimo dos mínimos das normas vigentes na comunidade internacional?

Sim, a Rússia invadiu a Ucrânia e deve ser condenada por tal violação. A Ucrânia está a ser destruída; há milhares de mortos e uma Europa dilacerada. Putin só pode merecer condenação e repúdio. Sim, mas por que não exigem aos EUA a reconstrução do Iraque e o julgamento no TPI de George W. Bush, Tony Blair, Aznar, Barroso, Portas de Cª ? O que os impede de utilizar o mesmo critério dado que a lei internacional que proíbe a guerra e as invasões é a mesma?

Como se pode aceitar um mundo em que as invasões ocidentais são democráticas e desculpáveis e as de outro país imperialista são execrandas e inaceitáveis?

Há os bombardeamentos dia e noite dos media instituindo uma espécie de pensamento único que consiste no seguinte – quem não apoiar os EUA e a NATO está ao lado de Putin, o autocrata, como se as eleições da Ucrânia fossem diferentes das da Rússia.

Os bombardeamentos mediáticos pintam um mundo de virtudes na ação dos governantes ocidentais, mas são gritantes os diferentes pesos e medidas que utilizam para fazerem prevalecer as suas políticas. Não há imperialismos bons, são todos agressivos e brutais.

Para que caos caminhamos? Pode ou não haver um mundo melhor? A resposta só pode ser sim se os povos tomarem a defesa da paz em suas mãos. Os governantes ocidentais estão ofuscados pela corrida às armas. Com a corrida às armas o dinheiro é empregue na indústria da morte; ganham os fabricantes de armas e os governantes que deles dependem.

Haja coragem. Calem-se as armas. É preciso negociar para acabar com a guerra. É urgente. O que é mais humanamente estranho, defender a paz ou continuar a guerra? É estranho em tempo de guerra propor a paz? Se for, acreditem, a Humanidade está a suicidar-se. Quantas guerras estão no ventre dos monstros?

Parem os bombardeamentos da Ucrânia e os media que reduzem o mundo ao infantilismo dos Bons e dos Maus prestem o seu relevante serviço informando . PAZ. PAZ. PAZ.