Quem os mandou serem professores?

Tornou-se uma espécie de tique de boa aparência dar porrada na “insensibilidade” dos professores que devido “à sua força negocial” querem deixar o país mal, sem credibilidade internacional, pondo em causa que as boas contas…Há credores que merecem tudo, os professores que são credores do seu tempo de carreira congelada são sacrificados face ao Pacto de estabilidade.

Aparecem lampeiros nas televisões, rádios e jornais a cascar nos insensatos que do alto do seu barriguismo querem atirar pela janela fora todos os sacrifícios já feitos, podendo dar origem a nova troica, dado que o passo é maior que a perna, blábláblá, blá,blá.

É interessante confrontar todas estas opiniões com a compreensão face aos desmandos loucos dos banqueiros…estes sim, verdadeiros patriotas que nunca exercem a sua força negocial.

Pode comparar-se quinhentos milhões de euros com quase vinte mil milhões?

Pode comparar-se os milhões entregues este ano ao Novo Banco  e os muitos milhões que ainda vão ser entregues com os quinhentos milhões?

PS, PSD e CDS acham que para os bancos tudo, para os professores “poucochinho”…

Bastou a poeira assentar para percebermos que a direita foi chamada ao redil e entre ser coerente com os seus interesses de classe ou com o que prometeram aos professores o que conta são os seus interesses… e os de Bruxelas, dizem.

Vejamos de outro ângulo- quem deu causa à crise foi a banca, quem a paga são os professores e os que vivem do seu trabalho. É isto, não é?

Apesar disso os comentadores vão à televisão muito sérios pregar sermões sobre a irresponsabilidade da classe cujos dirigentes sindicais estão disponíveis para pôr em causa a credibilidade internacional do país… vejam bem do que são capazes os professores.

Um país, que trata mal os seus professores não tem grande futuro. Despreza os filhos, pois não se importa que quem ensina os seus filhos seja mal tratado. Quem é mal tratado não fica nas melhores condições para ensinar num país em que há crianças mal alimentadas e com fome.

Os bilionários não têm que se preocupar, os filhos não frequentam tais escolas e com sorte os pobres e os remediados pagam-lhe os encargos nas escolas privadas. O mundo é dos espertos. Quem os mandou serem professores?

O estranho nesta questão é Costa servir-se dos professores para tentar melhorar o resultado eleitoral nas eleições europeias. Denegrir os professores é atacar a base social de apoio ao PS. Vamos ver o que vai dar este jogo de desacreditar o sistema de ensino acusando os professores de falta de patriotismo.

A poeira vai assentar. Os portugueses continuarão a pagar os desmandos dos banqueiros. Os professores a ensinar a formar as mulheres e os homens. A eles se deverá o futuro. Não destruíram as finanças públicas. Estão a pagar a loucura do sistema financeira. E o governo trata-os deste modo.

Quem quererá amanhã ser professor?

Anúncios

Esta Europa e as nações

A Europa enquanto continente político-geográfico é o resultado da afirmação das nações. Foram elas que fizeram da Europa o continente mais avançado em termos de conquistas políticas, sociais, culturais e ambientais.

Também é verdade que foram algumas delas que arrasaram o continente a ferro e fogo em guerras que explodiram no século passado e assumiram dimensões mundiais.

Foi essa horrenda devastação que gerou a ideia de uma Europa de nações a viver em paz e em cooperação.

Neste nosso tempo as nações não passaram à História, estão aí, nalguns casos exacerbadas por líderes que delas se servem para combater rumos que os seus povos rejeitam. Os mais “europeístas” como Merkel ou Macron pensam em primeiro lugar na Alemanha e França respetivamente e veem o continente à luz dos seus interesses.

A Europa continua a assentar nas nações e só a sua união voluntária de baixo para cima e não imposta de cima para baixo pode permitir a cooperação à escala continental onde está a U.E. e onde estão outras nações.

A crise que atravessa a U.E. de onde sobressaem tendências xenófobas, fascistas, nacionalistas, austeritárias, resulta também do rumo que leva a sua edificação.

Ninguém se pode sentir bem numa organização que impede de alimentar as suas aspirações por chocarem com  regras impostas por elites desligadas dos povos.

No passado a construção de grandes impérios tolheu o desenvolvimento da ideia da Europa e levou sempre a confrontos militares. O império era mais que o continente.

Em 2019 será mais difícil impor políticas com base nos tanques ou aviões ou ainda nos navios de guerra. Hoje, os meios são muito mais sofisticados e os países mais fortes atraem por via das elites os mais fracos para um espaço continental onde aqueles dominam através de mecanismos económicos e financeiros.

As regras resultantes do Pacto de Estabilidade configura um certo tipo de poder imperial, na medida em que condiciona de modo decisivo uma parte muito importante da soberania nacional de muitos dos Estados que outros conservam a todo o custo. Outrora os Filipes, os Habsburg, os czares, os sultões, Bonnaparte , Bismark, ou a Rainha Vitória, impunham por outros meios essa limitação.

Fazer parte de uma organização de nações em que as mais ricas continuarão mais ricas e as mais pobres não terão possibilidade de se desenvolverem porque as regras existentes as impedem de gerir os seus recursos de acordo com os seus interesses trará grandes e graves problemas. Atente-se nos que está a enfrentar o Reino Unido com o seu divórcio que poderá acabar no ponto em que começou.

É um mal-estar que alimenta toda a espécie de extremismos. As eleições para o Parlamento Europeu não entusiasmam ninguém. Até o PS sentiu que ninguém ia à bola com a sua política centenista/europeísta  e Costa arranjou uma crise que não queria, mas queria….

Porém, o cabeça de lista do PS continua um ilustre desconhecido, o do PSD é aquele que continua como sócio de uma sociedade de advogados e o Nuno Melo acha que o Vox não é de extrema direita… É esta União Europeia criada por estas elites que desmotiva os povos. Uma União em que mandam os mais poderosos não é uma união. É uma organização que tem um diretório para submeter os outros. É precisa outra União onde os povos e nações sejam realmente pares e parceiros.

In Público online

O PS não bate certo

Toda a gente sabe que a crise financeira vivida pelo país foi provocada pela ganância e incompetência dos banqueiros portugueses. Foi a banca quem gerou a crise. Por causa dela os portugueses estão a pagar o descalabro do sistema financeiro. Quase vinte mil milhões de euros.

Não foram os professores, nem os magistrados, nem os funcionários judiciais, nem a polícia quem deu causa à crise. Estes trabalhadores e todos os outros foram vítimas e estão a pagar o mal do setor bancário.

Os professores têm direito à contagem de todo o tempo de trabalho, como todos os que trabalham e descontam. São credores do Estado e não devedores. Centeno assume no seu ar tecnocrático que o Estado português tem de cumprir os seus compromissos, mas pelos vistos há compromissos que não são para cumprir…

O PS pode à vontade votar com a direita questões de grande relevância, mas caso a direita se posicione em consonância com partidos da esquerda grita Aqui d’ El-Rei. Só mesmo o sorridente Centeno era capaz de se manifestar preocupado pela esquerda deixar passar a direita para que o tempo de trabalho dos professores seja contado…

Cabe fazer esta pergunta ao PS, apesar do barulho: após as próximas eleições com quem vai governar não tendo maioria absoluta, como tudo indica que acontecerá? Aliás quantas vezes o PS nesta legislatura teve os votos da direita?

O que o PS está a fazer é uma manobra, por um lado, de intoxicação adiantando números relativos a despesa que mais ninguém confirma e, por outro lado, de pura chantagem dirigindo-se ao eleitorado vitimizando-se dando a entender que não o deixam “salvar o país” e a credibilidade internacional. É demasiado.

Diabolizando os professores, a Assembleia da República e os seus parceiros da geringonça, o PS decidiu entrar em roda livre para buscar ganhos que lhe escaparam nos últimos meses devido a má gestão política.

Pior: desculpabiliza os verdadeiros culpados pela situação calamitosa do país e faz crer que foi encostado à parede pela Assembleia da República, a qual é soberana e diante da qual o governo responde.

Agita a instabilidade congeminando a ideia de que se demitir a escassos meses das eleições e ficando em gestão se apresentará vítima de todos os partidos. Para tanto Costa ataca a direita e Centeno a esquerda. Porém o governo só não governa porque não quer.

Com esta crise aberta pelo próprio PS quem será beneficiado ou penalizado? A manobra é perigosa. Servir-se da instabilidade para se dar ares de rigoroso pode ser um passo em falso. Não bate certo.

CAMPEÕES DA EUROPA

Quase sem nos apercebermos surge o F.C. Porto de novo campeão europeu em sub-19. É obra. Depois dos seniores chegou a vez dos jovens. Os filhos do dragão. Para lá chegar derrotou os colossos europeus. E tornou a grande cidade ainda maior. Poucas cidades europeias se orgulharão de ter sido campeãs em seniores e em sub-19.
O F.C.P chegou onde chegou enquanto os media davam conta da formação de outros clubes, colocando-os no Everest da arte de fazer fábricas de craques. Nunca se falou tanto por essas bandas de projeto europeu. De acordo com as notícias aguardava-se a conquista do cetro europeu para as margens do rio Tejo, coitado dele que não tem culpa de tanta farronca. Já Pessoa tinha aquela ideia sobre o rio da sua aldeia.
E calmamente acontece o que aconteceu em Nyon- Porto 3- Chelsea-1…São muitos títulos para um clube e para o homem que o dirige.
O grande filósofo José Gil escreveu um livro sobre um sentimento muito negativo dos portugueses que é a inveja. Ela não se arruma segundo qualquer acaso dos pontos cardeais, disso estou seguro. Mas a concentração de poderes, influências na capital de um pequeno país que de repente se vê pendurado na grande área urbana de Lisboa, leva a que se possa pensar que o resto seja paisagem. Mesmo que inconscientemente. É em LISBOA que quase tudo se decide. Não é de agora. Mesmo depois do 25 de abril continua a ser assim. Lisboa não tem nenhum mal que as outras cidades de Portugal não tenham, mas tem todo o poder e já tem também uma espécie de ponte aérea com Bruxelas.
Ter paixão por um clube como o Porto é não só querer que ganhe sempre, como também desafiar o establishment e acreditar que é possível não obstante tanta cegueira espalhada por todo o país.
Ao que se sabe os animais cuja cegueira é uma característica não são culpados do seu destino na arte de sobreviver; escavar é a sua única possibilidade até ao dia em que o seu focinho e as suas patas não sejam capazes de fazer os longos tuneis que as levam ao sucesso. Toda a especialização excessiva leva à morte da espécie. O homem descobriu a ferramenta para interpor entre a espécie e a natureza. Vale a pena recordar a cena em que o macaco no filme Odisseia no espaço de Stanley Kubrik descobre que osso de um animal serve para matar outro macaco através de um golpe.
A descoberta da bola, que de pé para pé pode levar à prodigiosa arte que também é o futebol, deve ser vista à flor da relva, com todo o seu esplendor, como os campeões europeus em Nyon.
A fábrica de campeões de sub-19 está no PORTO.

Eleições espanholas e estabilidade

Em Espanha os resultados eleitorais das eleições legislativas de vinte e oito de abril apresentam um horizonte com uma nova paisagem política.
Na verdade, a rotatividade das maiorias absolutas entre o PSOE e o PP finou. Os eleitores, numa grande afirmação cívica, deram uma maioria relativa ao PSOE e uma maioria absoluta ao PSOE, ao Podemos e aos partidos representativos das autonomias e independentistas.
O PP, o Cidadãos e o VOX escolheram como eixo político colocar o PSOE num cordão sanitário. Falharam redondamente. O campo do PSOE, do Podemos e autonómico reforçou as suas posições.
É interessante que muitas das análises se centram na instabilidade gerada com estes resultados, tentando passar por cima da opção clara dos espanhóis que rejeitaram entregar a qualquer partido o poder de por si só constituir governo. Sendo o povo o soberano escolheu e só há que respeitar essa sua soberania.
Parece claro que as experiências de maiorias absolutas de PP e PSOE conduziram a Espanha a sucessivos e monumentais escândalos de corrupção que abalaram toda a sociedade de modo profundo.
Ao obrigar o PSOE a negociar compromete-o com acordos com outros partidos, impedindo-o de gerir a vida pública a seu bel-prazer.
A estabilidade gerada por uma maioria absoluta foi responsabilizada pelos espanhóis como causa desse clima de um poder quase absoluto com que o PSOE e o PP arrasaram a Espanha, levando ao descrédito do próprio regime, dado o grau de envolvimento de ambos em processos de corrupção e incapacidade de gerar consensos, provavelmente por terem maioria absoluta.
Esta “estabilidade” foi tacitamente rejeitada pelos espanhóis, criando uma nova situação.
O PSOE vai ter de assumir compromissos com os partidos à sua esquerda ou à sua direita.
A lógica que decorre da queda do governo de Sanchez, os eixos da campanha eleitoral, apontam para um entendimento à esquerda e com os autonomistas.
Um acordo é sempre o resultado de vontades que nele se materializam e podem dar a possibilidade de levar a cabo a legislatura até ao fim, ou seja, com estabilidade.
Falta esperar para ver se o PSOE se compromete desde já com uma saída ou prefere manter uma certa ambiguidade para tentar reforçar a votação nas eleições para o parlamento europeu.
A estabilidade da governação não decorre tout court de uma maioria absoluta, mas de uma política que responda às grandes aspirações dos espanhóis.
O exemplo português é claro. O facto de o PS não ter uma maioria (nem relativa) não impediu de governar os quatro anos e de operar uma certa viragem na política portuguesa, aliás com sucesso.
Podemos estar a assistir ao regresso da política na verdadeira aceção da palavra, na arte de realizar compromissos com forças que se enquadram num dado campo político – ideológico. O que poderá significar o fim de um rotativismo entre duas formações para tudo ficar na mesma.
A democracia é a possibilidade de encontrar saídas reais e diferentes para os impasses que o regime gera.
Apresenta-se uma nova possibilidade no nosso vizinho continental. Há saídas para assegurar a estabilidade governativa.
In Público online

Até amanhã de manhã à hora do pequeno-almoço

A evolução da vida política está ir de mãos dadas com a indústria de entretenimento. Mede-se pelo impacte mediático. O que se passa é o que acontece nos media. O resto é o interior; só existe em tempo de incêndios.
Os cidadãos habituaram-se à preguiça cívica. Não procuram o presente, nem o futuro. Assistem ao que lhes é apresentado. A escolha é entre o canal que “dá” as notícias. E absorvem até à cegueira.
De repente surge uma greve caída do céu ou à medida pascal. Implantam-se os piquetes das televisões em tudo quanto cheire a combustível.
Sai do altar do CDS a santa Cristas. “Pesarosa” e dotada de uma autoridade resultante dos quatro anos a empobrecer a esmagadora maioria dos portugueses e a tornar ainda mais rica a minoria bem minoritária a quem ela, e o governo de que fez parte, deu milhares de milhões.
Apareceu vestida de negro nas palavras aladas no vento do veneno – dou até amanhã de manhã ao senhor Primeiro-Ministro para resolver o caos criado.
Amanhã de manhã, provavelmente antes do pequeno-almoço. Houve um período que era tudo “já”, há quarenta e cinco anos.
O CDS é isto: dar-se ares de mandar. As televisões aproveitam, precisam de oxigénio e Cristas segue a fazer de conta. Só que por vezes a diferença entre a mensagem e o mensageiro é tão gritante que a mensagem cai no ridículo.
Os camionistas pertencem ao setor privado que a direita arenga que não faz greves, ou melhor, só as faz quando sabem que amanhã de manhã tem de estar resolvida.
Outro fenómeno extraordinário de sucesso em matéria de celebridade mora em Belém, no palácio. Vogou em todos os canais ao longo de anos a dar notas e o luso reino lorpa a assistir às reprovações. Sempre sabe bem saborear o mal dos outros. Além do mais eram coisas do Celito.
Ele é como é. É o que ele diz. Mas não é. É consoante as nuvens. Se vê que uma selfie vem a calhar tira-a, nem que seja com alguém que deixa muito a desejar em termos de inserção social. Ele não pergunta pelo registo criminal… diz.
Se dá jeito uma viagem de camião embarca. Se quer ser apanhado a dar mergulhos ele arranja a surpresa e os basbaques embasbacam.
Se o seu amigo João Lourenço lhe organiza um programa de arromba, ele apanha as canas e faz de Celito. É o que se queira.
Se acha que o governo tem de resolver o conflito dos camionistas, mesmo que o conflito seja entre privados, ele faz um escarcéu que se ouve em todo o lado. É a solidariedade institucional; se o governo está mal, deixa que ele ajuda a ficar pior; se estivesse bem, ele é que sabia do otimismo do Costa…
O que nos vale é que o de Belém é mais largo em prazos que a santinha da rua da Madalena. Viva a Páscoa

Ditadura por cima de todos, Militares acima de tudo

Bolsonaro no seu desvario totalitário quer fazer o Brasil regressar aos tempos ditatoriais.
Para legitimar a sua ação política não hesita em fazer da sua governação algo que se baliza por parâmetros religiosos, abusando da frase – Deus acima de todos – como se ele fosse um pastor evangélico na hora da homília e não um Presidente eleito de acordo com leis que se aplicam a seres humanos e que deles imanam e se destinam a regular a vida na comunidade brasileira, ficando o céu fora do alcance do seu governo, por muito que lhe dê jeito invocar.
Na verdade, Bolsonaro é um velho capitão admirador da cruel ditadura militar e foi eleito Presidente do Brasil para fazer respeitar, em última instância, o supremo mandamento legal – a Constituição brasileira, tarefa que demonstra não ser capaz.
Entretanto, saído das alfurjas do tempo apodrecido, veio a terreiro com toda a impunidade, o velho general Luís Gonzaga Lessa ameaçar o Supremo Tribunal Federal de lhe impor a “lei da bala”, caso os juízes entendam em consciência e total independência considerar o recurso de Lula como este pretende, ou seja, o STJ só tem uma possibilidade de decidir, manter ex-Presidente na cadeia, se não quer ser responsabilizado por um golpe militar sangrento.
O Brasil está resvalar rapidamente para um regime militar fascizante em que Bolsonaro faz de Presidente e invoca o nome de Deus em vão para justificar o atropelo à Constituição brasileira.
A tomada de posição deste general demonstra da sofreguidão de sangue de um núcleo forte das Forças Armadas brasileiras que não aceita um poder judicial independente.
Este tipo de pronunciamento já tinha sido tornado público na hora do julgamento de Lula.
O Brasil vai na senda de um precipício tenebroso que poderá custar muito caro ao povo brasileiro. Seguramente, nesse caso, com a ditadura por cima de todos, e militares acima de tudo.
In Público online de 14/04/2019