A DIVINA PROVIDÊNCIA

Há na monumentalidade dos tempos religiosos algo que faz pensar a nossa condição humana e o eterno problema da razão de ser da vida que há de conduzir à morte.

A luta entre a vida e a morte com a vitória desta última encarada, em termos individuais, enche de perplexidade e frustração na medida em que raros são os que não desejariam viver mais tempo.

É difícil encarar o processo da eternidade da vida enquanto espécie baseada na morte de cada indivíduo.

E talvez, por isso, o instinto quase cego para a “salvação” extra morte de cada um.

Em todo o lado, onde se ergueram templos, há no seu interior essa angústia única que resulta do pensamento na inevitabilidade da morte.

Desde os raios de sol que entram pelos vitrais e tocam, vindos de cima nas  profundidades da sensibilidade humana, tornando o silêncio dos pilares, das colunas e do altar mais denso.

Há no vazio solene e imponente das paredes vazias das mesquitas a gravidade desse pensamento que bate nas paredes da alma.

Nos grandes templos hinduístas há um silêncio de frenesins de multidões em volta de deuses tão diferentes dos que no Ocidente vemos como representação de Cristo.

Nos budistas tudo se concentra em Buda, no seu olhar para o chão, na sua morfologia em que masculino e feminino quase se misturam na sua representação.

Na Basílica do Coração Sagrado de Paris,  já perto da porta de saída, está um placar que anuncia que na noite de 20 para 21 de abril de 1944 a aviação alemã lançou treze bombas sobre a zona da Basílica e arredores e não tendo atingido ninguém e se agradece à divina providência por tal feito.

Subliminarmente a mensagem passa a ideia que uma força divina tinha evitado ferimentos e mortes face à metralha da aviação nazi.

O silêncio quente de velas a arder à entrada do templo,  faz surgir a interrogação: se assim é por que motivo a divina providência não impediu que as balas nazis tenham causado tantas mortes em toda a Europa e no norte de África?

Se a divina providência olha todos os seres do mesmo modo, sendo omnipotente por natureza, por que não evitou a guerra? Por que não a impediu?

Fora da Basílica os polícias corriam atrás de senegaleses que vendiam pins da Basílica e da torre Eiffel. Fora das Basílicas do consumo.

Paris, 21/09/2017

 

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A DIVINA PROVIDÊNCIA

 

Há na monumentalidade dos tempos religiosos algo que faz pensar a nossa condição humana e o eterno problema da razão de ser da vida que há de conduzir à morte.

A luta entre a vida e a morte com a vitória desta última encarada, em termos individuais, enche de perplexidade e frustração na medida em que raros são os que não desejariam viver mais tempo.

É difícil encarar o processo da eternidade da vida enquanto espécie baseada na morte de cada indivíduo.

E talvez, por isso, o instinto quase cego para a “salvação” extra morte de cada um.

Em todo o lado, onde se ergueram templos, há no seu interior essa angústia única que resulta do pensamento na inevitabilidade da morte.

Desde os raios de sol que entram pelos vitrais e tocam, vindos de cima nas  profundidades da sensibilidade humana, tornando o silêncio dos pilares, das colunas e do altar mais denso.

Há no vazio solene e imponente das paredes vazias das mesquitas a gravidade desse pensamento que bate nas paredes da alma.

Nos grandes templos hinduístas há um silêncio de frenesins de multidões em volta de deuses tão diferentes dos que no Ocidente vemos como representação de Cristo.

Nos budistas tudo se concentra em Buda, no seu olhar para o chão, na sua morfologia em que masculino e feminino quase se misturam na sua representação.

Na Basílica do Coração Sagrado de Paris,  já perto da porta de saída, está um placar que anuncia que na noite de 20 para 21 de abril de 1944 a aviação alemã lançou treze bombas sobre a zona da Basílica e arredores e não tendo atingido ninguém e se agradece à divina providência por tal feito.

Subliminarmente a mensagem passa a ideia que uma força divina tinha evitado ferimentos e mortes face à metralha da aviação nazi.

O silêncio quente de velas a arder à entrada do templo,  faz surgir a interrogação: se assim é por que motivo a divina providência não impediu que as balas nazis tenham causado tantas mortes em toda a Europa e no norte de África?

Se a divina providência olha todos os seres do mesmo modo, sendo omnipotente por natureza, por que não evitou a guerra? Por que não a impediu?

Fora da Basílica os polícias corriam atrás de senegaleses que vendiam pins da Basílica e da torre Eiffel. Fora das Basílicas do consumo.

Paris, 21/09/2017

 

 

 

OS GAJOS DO V.A.R.

Aguenta aí que o gajo está fora de jogo. O gajo na lateral. Aguenta. O tom exprime uma enorme satisfação, um alívio. Aguenta aí, o gajo da lateral está fora de jogo. Estamos a ver. Aguenta aí.

Esta linguagem do V.A.R. é bem reveladora dos “gajos” que estão a visualizar. De repente o pesadelo passou a um paraíso. O “gajo” está fora de jogo. Aguenta aí. Já descobrimos tudo. E respira de alívio e atira como se tivesse escapado ao pior desastre – O gajo está fora de jogo. Aguenta. E aguentou. O Portimonense é que não. O gajo está fora de jogo. O gajo do V.A.R. está em jogo. Viva o V.A.R. e quem o apoiar. UUUFF  o V.A.R. é que nos salva. Aguentem. Já passou o pior. Valha-nos o gajo do V.A.R.

domingos lopes

OS GAJOS DO V.A.R

Aguenta aí que o gajo está fora de jogo. O gajo na lateral. Aguenta. O tom exprime uma enorme satisfação, um alívio. Aguenta aí, o gajo da lateral está fora de jogo. Estamos a ver. Aguenta aí.

Esta linguagem do VAR é bem reveladora dos “gajos” que estão a visualizar. De repente o pesadelo passou a um paraíso. O “gajo” está fora de jogo. Aguenta aí. Já descobrimos tudo. E respira de alívio e atira como se tivesse escapado ao pior desastre – O gajo está fora de jogo. Aguenta. E aguentou. O Portimonense é que não. O gajo está fora de jogo. O gajo do VAR está em jogo. Viva o VAR e quem o apoiar. UUUFF  o VAR é que nos salva. Aguentem. Já passou o pior. Valha-nos o os gajos do VAR.

domingos lopes