Ai os Anjos que Fugiram do Céu para as Caraíbas!

Os anjos têm sido descritos como entes muito próximos do divino. Sem pecados. Alados. Combatentes das causas divinas. Guardiões invisíveis das pessoas. Há até quem oiça a voz de algodão dos anjos a recomendar condutas próprias e impedindo as outras.

Há também as asas que o anjo me deu e que o Almeida Garret nos legou. Asas e anjos e anjos e asas.

Os anjos sempre povoaram o imaginário humano. Elevando a sua inocência ao que de mais puro existe. Quando morria uma criança sem ter tido tempo para pecar dizia-se- foi um anjo que partiu para o céu. O problema no céu é a falta de anjinhos, pois neste lado do mundo ninguém morre em idade de ser anjinho.

Agora os anjos não vão para o céu; vão para as Caraíbas levadas pela Vitoria Secret tirar fotos ousadas em bikini como a Sara Sampaio.

São os anjos do nosso mundo, o da beleza sensual temperada e abençoada no divino mercado dos corpos de anjos resplandecentes a justificarem largos empreendimentos e colhendo avultados lucros. São os anjos dos mercados globais. Agora os anjos têm sexo. Anjos que um dia serão expulsos do Olimpo por acusarem as rugas da vida e castigados como a Eva e o Adão a envelhecerem.

O que parece ter mudado foi o prazo de validade transformando-os em efémeros, contrastando com a eternidade dos outros.

Ai os anjos Senhor…Fugiram para as Caraíbas.

O Abraço de Urso? Mito de Sísifo?

A decisão tomada pelo PCP, no rescaldo das eleições não parece ter sido tomada de supetão nessa noite.

Se se tiverem em conta as diversas sondagens eleitorais que apontavam na direção dos resultados obtidos, era forçoso ter em conta que os resultados impunham estudar as possibilidades que eles abriam, dado que a direita perderia a maioria que detinha no Parlamento.

Entre a possibilidade de parar a política de empobrecimento e a continuidade da coligação a escolha foi clara para Jerónimo que bem andou em abrir a porta a um novo caminho entre as esquerdas.

E bem andou Costa ao atirar para o caixote do lixo o chamado arco da governação que não passava de uma artimanha para que nada mudasse em Portugal.

E naturalmente Catarina Martins que soube estar à altura do momento histórico que estamos a viver.

A importância dos acordos vai muito para além de Portugal. Vêm aí eleições na Espanha; é preciso estar atento para ver se os ventos de mudança sopram de cá para lá, levando boas novas.

É importante sublinhar que estes acordos atiraram para a oposição a minoria que com o apoio de Cavaco se queria alcandorar no poder.

Esse mérito é hoje reconhecido em vários quadrantes. Na verdade por que motivo PCP e PS e BE não se podiam entender em questões vitais para a salvaguarda das populações? Foi o que fizeram e levaram à derrota da direita que parece que ainda não acordou para esta nova realidade e continua a gravitar em torno da sua minoria querendo por magia torná-la maioritária, mesmo quando no parlamento fica com menos deputados que os do PS, BE e PCP.

A decisão do PCP convocando o PS para governar é algo que retoma a malha (descosida entretanto) que o PCP teceu ao longo da sua existência na luta pela unidade democrática.

Na revolução de Abril o PCP, no governo provisório, teve um papel com o PS e os militares de grande valor no que se refere à unidade para assegurar a transição democrática.

Quando foi preciso derrotar o candidato da direita, Diogo Freitas do Amaral, o PCP que tinha inscrito na Resolução política do Congresso que nunca votaria Mário Soares, teve a ousadia de engolir o sapo e dar o escrito por não escrito e assegurar um contributo decisivo para eleger PR Mário Soares.

É verdade que nos últimos anos o PCP não se empenhou nessa linha como se devia ter empenhado na unidade das forças das esquerdas no sentido de encontrar denominadores comuns que possibilitassem a convergência que impedisse a direita de governar. Ora sem o PS era impossível tal solução.

Ninguém sabe o futuro. A porta está aberta. Que não entrem pela janela quem vá fechar a porta.

Tendo em conta a luta antiga acesa entre o PCP e o PS haverá sempre o “risco” em qualquer organismo vivo quem pense de maneira diferente. É a vida.

O PCP abriu um caminho- ou o faz ou volta a encastelar-se e sacrificar o seu reinado ao sectarismo e perde o PCP e toda a esquerda para muitos e muitos anos…

O caminho não é apenas do PCP, mas também do PS e do BE.

Não é segura a tese de que a convergência das esquerdas signifique inelutávelmente a perda dos Partidos Comunistas.

Essa espécie de Mito de Sísifo que significaria que os PPCC passavam a vida a lutar pela unidade e quando chegavam ao alto da montanha e realizavam o acordo e tal facto levaria a uma queda de influência até ao sopé da montanha…

É preciso ver as coisas em cada caso.

Pode suceder que os acordos com essas forças levem a descurar a ação política de base e a desmobilizar os partidos dos combates que lhe deram a influência.

O PCP esteve nos governos provisório e reforçou-se significativamente.

Na Câmara de Lisboa com Jorge Sampaio ganhou influência e prestígio.

O contributo para eleger Soares foi extraordinário e tal refletiu-se na sua influência.

Os acordos colocam novos problemas que têm de ser atacados.

O primeiro é não perder a ligação às bases de apoio.

O segundo é esclarecer a ação do governo.

O terceiro é demarcar-se claramente das decisões que lesam profundamente as populações.

O quarto é saber equilibrar a divergência de certas medidas com o interesse geral de uma nova política que não sendo a do PCP é bem melhor que a política da coligação derrotada.

Entre o risco de manter o empobrecimento dos portugueses e de Portugal e a possibilidade de abrir um novo caminho, o PCP optou pelo novo caminho a abrir a tal janela de esperança para a imensa maioria.

Se o PCP não desse este passo ao cabo de décadas de protesto o que estava em causa era o próprio PCP. O darwinismo também se aplica aos partidos.

O PCP não se pode contentar em ser um partido autárquico. Se o PCP continuasse fechado, outros movimentos teriam de abrir o caminho ora aberto pelo PCP, BE e PS.

Há, no entanto, um dado novo: o BE passou à frente do PCP e claro está que aumentou a disputa entre ambos.

O PCP vai querer ser a terceira força e o BE vai querer manter-se, como é óbvio. Que esta competição não coloque em causa os acordos é o se pode desejar do lado de quem está à esquerda.

Botas no Terreno? Outra Invasão?

O Daesh (Estado Islâmico) ao escolher a França como teatro de operações para os ataques de Paris tem consciência que uma das consequências poderá ser levar os países da NATO, nomeadamente os EUA, a irem atacá-lo no território onde se estabeleceu.

Sendo assim os ataques perpetrados valem, por um lado, para mostrar a sua capacidade de aterrorizar as populações na Europa e, por outro lado, como chamariz às potências atingidas para que entrem na Síria e no Iraque.

O terror do Daesh é um elemento essencial da sua política interior e exterior. Aterrorizar atingindo um grau quase sem limites visa paralisar de medo as populações que controla e, no exterior, condicionar o modo de vida dos europeus.

O Daesh com os seus ataques brutais e espetaculares, cavando vulnerabilidades no “inimigo” pretende chamar a atenção das camadas da sociedade que possam sentir-se atraídas, em pleno coração das potências europeias, por tais ações e mobilizá-las mostrando o que são capazes de desafios daquela envergadura.

As ações desencadeadas, num contexto de uma desigualdade de meios arrasadora, atrai jovens prontos a vingar-se da vida que não têm e assim saírem desse submundo para as grandes manchetes dos media.

Nos seus passados encontram-se quase sempre problemas de inserção social e de natureza criminal. Haverá quem provenha de extratos com outro perfil, mas esses estarão num outro patamar, na direção do Daesh.

Nestas circunstâncias o Daesh “pica” o Ocidente para entrar nos territórios que controla sabendo que não poderá travar uma batalha do tudo ou nada, mas tirar partido da ocupação daqueles territórios e afirmar-se diante das populações como o baluarte no combate ao inimigo ocupante dos territórios.

O Daesh sabe que na Síria não tem concorrentes salvo o Partido Baas de Assad dado que eliminou tudo o que podia ser alternativa.

Os EUA no Iraque bem se arrependeram de terem colocado o Baas do Iraque na linha de combate fazendo com que muitos quadros passassem para a luta contra a ocupação.

Como a experiência demonstrou no Afeganistão e no Iraque os EUA e ou a NATO podem ocupar por um certo período um país, mas não podem aguentar a ocupação.

Os dirigentes do Daesh parecem querer legitimar a sua pretensão usando este estratagema: fazer os EUA e outras potências entrarem para lhes montar o cerco e desgastá-los tal como aconteceu com os soviéticos e a NATO no Afeganistão, com os EUA no Iraque.

As ocupações militares na atual situação mundial não podem, em geral, ter sucesso, salvo se existir no terreno uma alternativa. No caso da Síria, os EUA e a França pretendem derrubar o regime sírio, o que complica os entendimentos para uma saída dado que a Rússia apoia o regime do Presidente Assad. E até ao momento o que se perfila é entre o jiadismo da Al-Qaeda e o do Daesh.

Na luta contra essa ocupação os jiadistas irão reagrupar forças e impedir quem quer que seja de se apresentar como alternativa, caso o regime sucumba.

Na verdade o facto dos EUA apoiarem o grupo AL- Nusra, próximo da Al-Qaeda , levanta um sem número de questões face ao futuro figurino político-constitucional da Síria se saísse vitoriosa a solução norte-americana, dado que Assad é dos poucos dirigentes, em todo o mundo árabe, que defendem uma República laica, sem perseguições às minorias religiosas e onde lhes é permitido terem locais de culto, o que não é possível na vizinha Arábia Saudita.

Antes de entrar na guerra de ocupação os EUA e a NATO deviam pensar nas consequências de tal opção a partir dos desastres criados com as invasões do Afeganistão e do Iraque que estão na base te toda a atual situação no Médio-Oriente e a subida exponencial do terrorismo jiadista.

Quando as populações com um passado milenar se sentem confrontadas entre um ocupante e os defensores dos territórios sob ocupação o pêndulo da balança cai para o lado dos que resistem.

Nessa situação e face ao poderio dos países do Golfo, ao conflito entre sunitas e chiitas- expressão da competição regional entre o Irão e a Arábia Saudita- serão muito provavelmente subvertidas todas as fronteiras entre os diversos Estados legadas pelos acordos que ditaram a descolonização.

Os mais fortes e poderosos tenderão a abocanhar regiões e territórios de outros mais pequenos e levar a cabo uma política de limpeza étnico-religiosa.

O Iraque era com muitos problemas um país unificado e com peso na região e no continente. Hoje é um país dividido pelas lutas intestinas entre chiitas, sunitas e curdos. O que se passou na Líbia foi tornar o país um território sem lei e sem governo capaz de governar. O que se está na Síria poderá ir na mesma direção. O Egito está paralisado. A Tunísia sob ameaça. O Líbano no fio da navalha, como sempre. Os palestinianos totalmente à mercê da ocupação israelita. A Turquia metida no atoleiro e protegida pela NATO a criar um novo conflito com a Rússia. Fica o gigante a dominar os cordelinhos desde Riad, apoiando tudo o que seja obscurantismo.

O Ocidente com os EUA à cabeça parece que não aprenderam com as lições recentes ou será tudo isto mais que isto e insere-se num clima de pré-guerra que não se sabe onde vai parar?

A situação internacional marcada por tantos conflitos em regiões vitais como o Médio-Oriente começa a ficar saturada de tantos conflitos. Juntar mais aos existentes pode ser o início irreversível de um mais generalizado.

Monte do Cebolal em Capelins

 

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A elevação do terreno ergue-se ao longo de umas centenas de metros com estevas, oliveiras e azinheiras à frente do caminhante e morre a descrever uma sela para que os humanos olhos desfrutem numa rotação de trezentos e sessenta graus.

Para sul a terra soergue-se levemente continuando num mar de azinheiras pontuadas de oliveiras. É um território de silencioso verde-escuro. Tudo parece adormecido. Só as mansas rolas acordam a atmosfera carregada de quietude.

Virado ao nascente de onde vem a luz que dá forma à cor estendem-se as terras em folhas semeadas e em bruto a pedir piedade aos animais que as não desbastem de tão pouco terem. Cachos de ovelhas abanam os badalos dos chocalhos criando uma ambiente de serenidade perpétua.

Para o poente fica a doçura dos róseos crepúsculos que fazem crer na magia dos instantes tão breves sorrisos à flor dos olhos.

Ai o mar infinito que se deita para o norte; um mar de ondas de terra e árvores e de castelos (Terena, Alandroal) a fazerem de penedos como no mar da minha Póvoa. Um mar feito de oliveiras bordadas como os das toalhas das bordadeiras de Vila do Conde que o céu olha enternecido.

É virado ao norte que o infinito se pendura no olhar e vai amaciar a alma e dar-lhe a quietude que se sabia existir, mas só ali ela ganha corpo.

É como se toda a paz do mundo nos viesse poisar nas mãos que a esperavam assim tão azul e silenciosamente presente.

Entre os olhos e o infinito não há separação, apenas um todo cheio de tudo num círculo cósmico ligando a nossa pequenez ao universo infindável. Fomos nós que o descobrimos sem que ele o saiba, espantados quando a noite tudo cobre e descobrimos sempre a sua imensidão. Sempre.

Tem então todo sentido Jorge Luís Borges…”Certos lugares e certos crepúsculos querem dizer-nos algo ou estarão para nos dizer algo e esta iminência é talvez o facto estético…”

Arábia Saudita – Um Enorme Serralho em “Eleições”

Vai haver “eleições” municipais na Arábia Saudita nas quais os sauditas homens só poderão dirigir-se aos homens e às mulheres separadamente, nunca em conjunto.

As mulheres candidatas nunca se poderão dirigir diretamente aos homens, só às mulheres desde que na companhia de um homem. Todas as mulheres que quiserem ouvir as candidatas terão de ter um guardião masculino..

De quatro milhões e meio de mulheres estão inscritas para votar cento e trinta e duas mil para exercerem esse direito.

Como as mulheres sauditas não podem conduzir, nem sair de casa sem alguém masculino que as guarde, falar de uma campanha eleitoral em que as mulheres pela primeira vão poder ser candidatas não passa de um eufemismo…Há quem pense que se trata de uma operação de cosmética para agradar aos seus apoiantes ocidentais e dar um arzinho de liberalidade.

Na verdade se uma mulher não se pode dirigir a um homem, mesmo ao marido, sem o seu consentimento, como pode expor o seu programa?

Se uma mulher não pode sair à rua sem um homem a guardá-la como pode convencer alguém de que é uma cidadã igual a qualquer cidadão se a ditadura impede essa igualdade e a apresenta diante da sociedade como um ser incapaz de se auto governar, como uma deficiente que nem sequer é capaz de saber sair à rua e caminhar para onde lhe der a sua vontade de se recrear ou até de tratar de assuntos profissionais ou familiares?

Quando Barak Obama e F. Hollande e Cameron e Merkel cumprimentam o rei déspota da Arábia Saudita sabem que estão a cumprimentar um empedernido obscurantista que tem a mesma filosofia misógina que os dirigentes do DAESH.

Que sentido tem uma coligação com um Estado em que as mulheres por comparação com o Império romano não são bem escravas, mas também não são seres livres, pois nem caminhar podem sem o salvo conduto do seu amo?

As mulheres na Arábia Saudita estão todas, mas todas num enorme serralho da propriedade dos homens maridos ou não. Esta é verdade.

O que a Arábia Saudita tem para além de um enorme harém guardado por eunucos armados até aos dentes é petróleo e dólares e uma gigantesca indústria de compradores de armas e bens e serviços ao Ocidente que estrangulam a aspiração mínima de liberdade do povo saudita.

Se mais de metade da população da Arábia Saudita vive num sistema de quase escravatura como pode este reino gozar o estatuto de aliado das potências ocidentais?

Chocalho – Património Imaterial da Humanidade

Aqui estou. No meu lugar. Onde sempre estive desde que me lembro de mim. E vou estar. O chocalho não deixa dúvidas. Chocalha e quem quer saber, fica a saber onde ele está.

Os sinais que dá são a certeza do lugar escolhido para chocalhar. Mesmo se o dono andar perdido num mundo nada a jeito do chocalho; por isso o seu lugar conquistado, apesar de todas as tecnologias de localização.

O chocalhar de um chocalho, a quem o ouvir, vale como se fosse a alma de alguém a dizer alguma coisa. Uma aflição.Uma alegria.

O mundo reconheceu o chocalho como património imaterial da Humanidade.

Mais um motivo para que chocalhe no meu chocalho o que (me) nos vai acontecendo para quem quiser ouvir.

A perdição é uma volúpia. O chocalho uma segurança.

Das Bactérias Hospitalares aos Tribunais – Escadas de um Calvário

M.F., engenheiro, há uns anos, cerca de seis, foi a um estabelecimento hospitalar devido ao aparecimento de um estado febril.

Explicou ao médico que o atendeu que trabalhava em Moçambique como cooperante e achava que se tratava de gripe e não de malária, dado o médico ter naturalmente adiantado aquela hipótese.

O médico, contudo entendeu que M.F. devia fazer a despistagem da malária, tendo-lhe sido feita uma punção para retirar sangue do seu braço direito.

Após a colheita M.F. começou a sentir uma forte comichão no local da punção e à medida que as horas iam passando apareceu no braço uma mancha escura que se estendia em direção à mão.

Novamente no hospital foi internado no S.O. por ter sido infetado com uma bactéria hospitalar.

Nos três meses seguintes conheceu um verdadeiro calvário; correu risco de vida; foi sujeito a quatro intervenções cirúrgicas, sendo que duas delas voltou a ser infetado por um fungo.

M.F. esteve internado cerca de três meses e sofreu horrores: queimaram-lhe com nitrato de prata os tecidos podres, teve de ficar com o braço ligado a uma tala do ombro à mão.

Mais tarde foi sujeito a uma intervenção cirúrgica para coser o cotovelo ao abdómen para que houvesse transferência de tecidos e para que a pele do abdómen forrasse o cotovelo, ficando o cotovelo afundado e ligado ao abdómen e o braço dobrado de tal modo que tinha a mão direita sobre o ombro esquerdo.

Estes factos revelam o grau de devastação que a bactéria provocou num homem saudável, imaginando o que seria em alguém com o sistema imunológico debilitado.

Mais grave, como se vê no caso do hospital de Gaia, é o facto de as Administrações fugirem às responsabilidades que decorrem do mau uso das técnicas hospitalares para curar doentes, causando a morte desnecessária a milhares de cidadãos.

M.F. intentou uma ação contra aquele estabelecimento pedindo a sua condenação no pagamento de uma determinada quantia a título de danos não patrimoniais.

O resultado foi um espanto: o tribunal deu como provado que a punção deu origem à infeção pela bactéria, as lesões que teve; só que o infeliz M.F. não provou que no ato da punção houve violação da leges artis.

M.F. segundo este entendimento do tribunal, deveria provar que o técnico que lhe tirou sangue não tinha lavado as mãos ou não tinha tirado a seringa como mandam as boas práticas…

Inconformado recorreu para o tribunal da Relação e pelas mesmíssimas razões foi mantida a decisão.

Desalentado, decidiu, apesar de todos os custos, recorrer para o STJ que acolheu a sua tese: a punção que o infetou constitui uma grosseira violação da leges artis.

Mas o que não é menos importante para a cidadania o seguinte que se apurou em termos do andamento do julgamento:

– Há um risco de morte real derivado às infeções nosocominais, in Relatório de Vigilância Epidemiológico

– Naquele hospital a bactéria era responsável por 12.8% das infeções

– A mortalidade dos doentes com essa bactéria é superior à geral

– Não há formação adequada para médicos e enfermeiros

– Bastaria lavar as mãos antes de tocar nos doentes para diminuir os riscos da infeção – extraordinário!

Atente-se agora neste infortúnio: não basta os hospitais tratarem mal os doentes no que concerne às infeções, juntam-se também decisões dos tribunais que exigem aos cidadãos que façam provas diabólicas, impossíveis, como seja o de detetarem nos enfermeiros e médicos atos que violem a leges artis,  mesmo se estiverem inconscientes!!!…

O que se passa no hospital de Gaia, o que se conhece de outros casos e se comenta na comunidade, implica pôr termo a estas infeções hospitalares que atingem cerca de dez por cento dos que recorrem aos hospitais e que são em pleno século vinte e um evitáveis.

Que estes casos sirvam também para que a cidadania exija do Ministério da Saúde outra organização nos hospitais e mais cuidado e respeito por quem tem de se curar.

E finalmente que os tribunais estejam mais abertos a critérios que não façam recair sobre as vítimas o peso de descobrir o que foi feito em desconformidade com as boas práticas médicas, as quais são do conhecimento dos enfermeiros e médicos.

Sem uma clara responsabilização pelas regras de higiene com as inerentes consequências a todos os níveis, num quadro de horários de trabalho razoáveis, não é possível eliminar esta desgraça perfeitamente evitável como o demonstram os outros países europeus.

Que o novo Ministro tenha a coragem de tudo fazer para que quem entre nos hospitais não contraia infeções evitáveis. Basta exigir a todos os agentes da saúde que cumprem regras de higiene e que vigiem se as visitas as cumprem.

 

O Malabarista Mor do Reino

Nos tempos pesados de chumbo escrevia admirado a Salazar.

Depois a Marcelo.

Na Faculdade de Direito de Lisboa, depois do 25 de Abril, aterrado colava-se aos associativos …enquanto não passava a onda. Só lhe faltava ser leninista, declarava…

Depois teve um sonho, disse um dia – iria ser Primeiro-Ministro, mas antes atirou-se ao Tejo e não chegou a Presidente da Câmara. E Santana Lopes e Durão é que cumpriram o sonho. Até Passos. Ele era mais para a televisão.

Agora depois de percorrer as televisões ante o olhar embasbacado d@s comperes quer ser Presidente da República.

E no seu malabarismo máximo de equilibrista sem a elasticidade de outrora desejou ontem sorte a Costa, sem esquecer o papel de Passos em tempos difíceis…não se sabe se Portas gostou. Esqueceu-se dos pavões de S. Bento, coitadinhos.

Em breve desejará Bom Natal aos habitantes de Rabo de Peixe e enviar-lhes-á uma grade de minis e ao Partido dos Animais um postal muito fixe com uma rena selvagem…

Marcelo Rebelo de Sousa está em todas as pocinhas até ao pântano final, se os portugueses quiserem. Belém merece mais. Há muito.

A Turquia Derrubou um Avião e Deu um Sinal Forte de Apoio ao Daesh

Não sei se o avião russo estava dentro do espaço aéreo sírio ou turco; o que todos sabem é que fazia parte dos aviões russos que bombardeavam o Daesh.

Não há ninguém que não saiba que é menos um avião a combater o Daesh.

Todos sabem que pela fronteira da Turquia entram e saem os terroristas do Daesh.

Todos sabem, incluindo Obama, que a Turquia prefere o Daesh ao regime sírio ou a qualquer desígnio de autonomia dos curdos.

Ninguém pode ignorar que, neste preciso momento, derrubar um avião que bombardeava o Daesh é dar ânimo aos jiadistas de todo mundo.

Ninguém pode ignorar que quando todos precisavam de estar unidos contra o Daesh, a Turquia derrubou um avião enfraquecendo a frente de ataque ao Daesh.

François Hollande estava em Washington com Obama a concertar a frente anti-Daesh e foi exatamente nesta altura que a Turquia derrubou o bombardeiro russo.

Todos sabem que a Turquia é uma potência regional, mas apesar disso não iria derrubar um avião da Rússia sem consulta aos membros da NATO, em primeiro lugar, aos EUA. Presume-se sem grande esforço intelectual.

A Turquia quis mostrar a todo o mundo de que lado está e portanto segundo Ancara depois de dez avisos os aviões turcos derrubaram o avião russo. Como se o derrube de um avião militar em ação fosse algo de absolutamente normal.

Todos imaginarão a alegria dos jiadistas, dos sauditas e de todos os que no mundo árabe e muçulmano combatem o islamismo terrorista.

Será que a Turquia joga sozinha este papel ou alguém com ela não quer enfraquecer o Daesh a ponto de o derrotar militar e politicamente? Vamos ver…

Salvar a Vida ao poeta Condenado à Morte

A condenação à morte do poeta saudita Ashraf Fayadh de origem palestiniana por alegadamente ter renunciado à fé islâmica coloca com toda a premência a seguinte questão: qual é a diferença da ditadura absolutista saudita e o Estado Islâmico?

A execução, se a opinião pública mundial não se erguer, será se ainda houver carrascos para lidar com o sabre a decapitação; tal e qual como se pratica no E.I.

A razão da condenação e da pena resida na invocação de insultos a deus, tal como fazem os islâmicos do E.I. na perseguição a todos os que não praticam a interpretação mais ortodoxa do sunismo.

O que leva a colocar a questão de saber quem imita quem. Parece que o E.I. imita bem a Arábia Saudita e como bom aprendiz ultrapassa em crueldade o professor.

Sem o apoio substancial da Arábia Saudita aos talibans e aos jiadistas do E.I. direta e indiretamente não era possível a estas organizações chegarem a este ponto.

A monarquia saudita é o maior inimigo do regime laico sírio e à luz desta condenação brutal compreende-se. Não quer nas suas fronteiras qualquer Estado que não se submeta às suas práticas absolutistas e brutais.

A invasão do Iemen, berço da civilização árabe, sob o silêncio cúmplice de todo o Ocidente, mostra bem a tremenda hipocrisia dos poderosos da Terra.

O Ocidente de braço dado com a monarquia brutal de Riad venda os olhos para não morrer de vergonha face aos crimes daquela realeza que governa como se o mundo tivesse parado no século quinze.

Obama, Hollande, Merkel, Cameron sempre atentos às violações dos direitos humanos quando vão ao beija mão real da família saud esquecem tudo e só têm em mente os chorudos negócios de armamento para o regime se aguentar e ceder as excedentárias aos irmão da causa: os jiadistas.

Pode haver uma coligação contra o E.I. com os apoiantes daquele auto intitulado Estado?

O Dr  Cavaco , o Dr Passos e o Dr Portas que tanto gostam de vender o que o país tem de melhor por aquelas paragens que dizem desta condenação? E o Senhor que faz de Ministro dos Estrangeiros?

É preciso arrancar o poeta às mãos da ditadura teocrática. Um homem tem o direito de professar ou não professar qualquer religião. A Arábia Saudita que faz parte da Comissão dos Direitos Humanos da ONU e reconhece este direito tem de ser obrigada a respeitá-lo.

A Humanidade tem de salvar a vida ao poeta Ashraf Fayadh. Se o regime tirânico obscurantista de Riad executar o poeta Ashraf deve ser considerado um Estado pária. Quem condena à morte um ser humano porque abandona ou não uma fé religiosa não é digno de fazer parte da comunidade internacional. Que se junte ao Daesh.