Coação e Violência Sexuais

Estudos recentes da UMAR trouxeram à tona da realidade factos assustadores no que se refere à violência sexual entre jovens.

De acordo com esse estudo 32,5% dos rapazes considera natural usar de algum tipo de violência para ter sexo e 14.5% das raparigas não considera violência forçar um beijo ou ter sexo.

O estudo obriga a pensar no mundo que estamos a ajudar a construir.

A violência sexual é um aspeto da violência geral: aquela em que apesar de tudo há mais diques a obstrui-la. Por isso espanta que uma percentagem tão elevada de rapazes a considere como padrão normal de comportamento para a prática de um dos comportamentos mais ternos entre humanos.

Os jovens de hoje são filhos da liberdade, desfrutam-na, respiram-na e têm consciência do que implica o consentimento sexual.

Se se pensar no que nos rodeia e tivermos em conta que o número de mulheres assassinadas pelos cônjuges ou namorados, no ano passado até Novembro de 2015, atingiu vinte e sete teremos uma ideia da maldade criminosa que existe na sociedade dos nossos dias ao nível do relacionamento amoroso. As notícias desta guerra contra as mulheres não param de chegar; uma guerra de cobardes contra mulheres indefesas.

O estudo divulgado (nos média) não nos revela as origens sociais destes jovens, o que seria porventura interessante.

É hoje aceite na comunidade que o que conta é o triunfo, o enriquecimento de qualquer modo, nem que para tanto seja necessário descer aos infernos. O que vale é o peso do dinheiro.

A violência tem uma linha em que passa a ser admitida, a linha da conduta contra os apresentados como os maus. Toda a violência lhes pode cair em cima.

Há por exemplo uma certa tendência para valorizar um acidente aéreo em termos mediáticos e desvalorizar o número de centenas de milhares de seres humanos que morrem de fome. Uma valorização das vítimas dos jiadistas e a desvalorização de centenas de milhares de vítimas dos bombardeamentos dos EUA e aliados…

Os valores dominantes são os ligados ao individualismo mais feroz. Os heróis da juventude são, entre outros, alguns artistas e desportistas ou multibilionários famosos que com as suas colossais fortunas fazem a vida que lhes der na real gana, onde não há limites e ostensivamente alardeiam essas veleidades de semi deuses neste vale de lágrimas para uma grande parte das populações.

Foi criado uma espécie de exibicionismo exposto na grande montra que são os média e a população embasbacada o babar-se com o tipo de vida que nunca usufruirá mas que adoraria ter, uma transformação de humanos ou objetos.

Estes são os valores. Naturalmente que uma sociedade deste tipo se baseia na violência latente ou aberta fundada numa desigualdade injustificável e injustificada a todos os níveis.

Os valores das artes e das profissões baseiam-se nos que são capazes de triunfar mesmo à custa de torpedear tudo e todos.

É a violência latente e ou aberta na comunidade. As raparigas e os rapazes para se “safarem” têm de fazer valer o que têm à mão …

A ideia dos valores baseados no trabalho, na honestidade, na perseverança, na honradez, são coisa de somenos importância.

Se é preciso isto ou aquilo para enriquecer faz-se, seja na televisão, seja no cinema, seja onde for necessário. A vida é hedonismo; os novos por serem novos vão ganhar aos velhos e o mundo é dos que têm força.

Quem tem força manda e quem manda vive como quer. Estes são os valores dominantes. Os que mandam, mandam. No mundo. Na Bolsa. Nos mercados. Aliás os mercados já se “irritam”. Já têm comportamento humano. Os mercados valem mais que um povo inteiro ou povos inteiros, isto é, o dinheiro vale tudo, a vida humana muito pouco.

Os de baixo que embasbacados pelo esplendor da vida dos de cima perdem-se e dariam tudo ou quase tudo por ser como aqueles que realmente têm vida, uma vidona.

A outra, a que eles vivem não é vida, não é nada, embora tenham consciência que a vida pode ser de outro modo se fizerem de outro modo em busca de dignidade que muito de entre estes deixaram de acreditar.

Este é o mundo cuja o grau de crueldade já atingiu os rapazes doa quatorze aos dezassete anos que acham natural forçar uma rapariga a ter sexo quando ter sexo naquela idade poderia ser uma partilha com maior ou menor cumplicidade, mais ou menos desajeitada, mas apesar de tudo algo desejada e consentida entre os protagonistas.

Se um jovem assume a violência para ter sexo ou um beijo ou quer que seja no domínio do afeto estará ou não marcado por esse estigma pela vida fora?

O rapaz que não olha a meios para ter sexo, o que violenta para responder aos desafios da idade, não está em condições de apreender a enorme satisfação do esforço do encantamento recíproco. Porquê esforçar-se se de um golpe pode obter o mesmo? Aí está a incapacidade de compreender o outro. Resta a violência.

Estes rapazes são responsáveis pelas suas condutas; no seu lastro vem se calhar um meio de violências.

A sociedade neo liberal gera um verdadeiro caos entre os seres humanos porque o poder e a força são entendidos como o meio para se chegar onde se quer independentemente da vontade do outro.

A culpa é individual, sem dúvida. Mas o homem é produto das circunstâncias; são as circunstâncias que formam o homem. Circunstâncias baseadas em valores positivos têm mais possibilidade de gerar homens e mulheres irmanados de valores e respeitadores da liberdade de cada um.

É perturbador que um terço dos rapazes de Portugal ainda não tenha adquirido, no mais íntimo de cada um, que a força do amor e do sexo reside na capacidade de ser aceite, de encantar e de ser encantado. E daí a tristeza e a alegria caminharam entre nós de mãos dadas. Não se lhes pode fugir. É preciso enfrentar a tristeza e saber preservar a alegria.

A força está exatamente no deslumbramento da perdição de dois seres que são livres e onde a coação mora apenas na liberdade de serem como são e fazerem como livremente quiserem.

A maior fatia dos entrevistados pensa assim. Felizmente, não obstante uma fatia significativa ainda não ter acordado para a possibilidade de alcançar o mesmo por esta via.

Sun Tzu e o Benfica/Porto – Pode Alguém Ser Quem É?

Uma equipa habituada a ganhar tem mais possibilidades de ganhar do que uma equipa com muitas derrotas.

Uma equipa que se habitua a ganhar conhece a importância da união e dos sacrifícios para atingir a vitória.

No entanto, o facto de uma equipa se habituar a ganhar pode não ser suficiente para vencer um adversário sério que se apresente unido e disponível para dar tudo pela vitória.

Uma equipa com um trajeto periclitante e com uma derrota na jornada de véspera com um clube de pouca dimensão pode vencer uma equipa cheia de ânimo em terreno desfavorável?

Para a maior parte dos benfiquistas e dos comentadores e opinadores do nosso “país irritador de mercados” o resultado seria a vitória do SLBenfica, quase todos apostavam no dois/zero.

É, pois, natural que dirigentes, jogadores entrassem no estádio com um estado de alma que assentava numa realidade verificada até ali.

Para que tudo corresse como o esperado aos dezoito minutos Mitroglou não perdoou; foi a confirmação do que andava no ar. O Benfica preparava-se para mais uma cavalgada triunfal.

Só que o Porto comandado por Peseiro soube aceitar as coisas e em vez de responder ao que “devo fazer” foi responder ao “como devo fazer”. Não sei se Peseiro leu a “Arte da guerra” de Sun Tzu, mas a verdade é que não descaracterizou a equipa, antes a reagrupou no meio do terreno e mantendo a “ideia” de ganhar.

Peseiro não quis que o Porto fosse outro que não aquele que era e puxando André um pouco mais para baixo e resguardando as laterais sem medo de ir à frente um mexicano oferece a outro compatriota o tiro e restabelece-se a igualdade.

Para uma equipa habituada a ganhar e não a empatar o golo do Porto fez o Benfica abanar tanto mais que o Benfica continuava as suas cavalgadas e o Porto o passa, repassa e chuta do tempo do Pedroto.

Aqui há algo que tem de ser dito: as equipas, todas, aliás, jogam com um guarda- redes que as defende, impedindo os golos. No caso do Porto  Iker Casillas que defendeu tudo o que pôde, como lhe competia. Era o tal “como devia” fazer e fez. Um guarda- redes deve ser alguém que defende as redes dos remates do adversário e foi o que Iker fez.

Não está conforme a natureza das coisas que um guarda- redes não defenda aquilo que sabe “como” defender, assim como não estaria na natureza das coisas que Braihmi não tabelasse com André André e Aboubakar não atirasse a matar.

Só quando um comandante se põe a inventar revelando medo do embate é que uma equipa oscila e assim pode ser derrotada. Ontem, na Luz, o Porto fez o que tinha de fazer sabendo “como” o devia fazer.

Quando o derrotado não apreende que não soube “como” fazer corre o risco de voltar a perder embalado pelo facto de ter ganho anteriormente uma série de jogos.

É um sinal de quem não sabe aprender esquecer que Casillas é um elemento da equipa e não foi ele que marcou os golos que Herrera e Aboubakar marcaram.

No ano primeiro da era de Lopetegui este também não aprendeu a lição que o Benfica lhe deu no Dragão, vencendo por dois zero. Júlio Cesar e os postes estavam onde estavam para cumprir o seu destino.

Há dois mil e trezentos anos que o sábio estratega Sun Tzu ensinava que ser o que se é cria força e querer ser o que se não se é gera fraqueza. Peseiro quis que o Porto fosse o que é, o que não acontecia com Lopetegui.

O Benfica não soube adaptar-se e saber “como” devia fazer para derrotá-lo. Talvez fosse para a batalha embalado pelo ambiente que o circundava e o colocava nas nuvens onde nenhum combate se ia travar. O relvado é à flor da terra e foi aí que o Benfica perdeu.

O Porto nada mais ganhou que três pontos. Nada mais.

O Triste e Impenitente Schäuble

Schäuble, Ministro das Finanças da Alemanha, e não Ministro da Economia como ontem foi referido no meu post, hoje voltou a falar de Portugal para insistir que regresse ao caminho do governo PSD/CDS face à irritação dos mercados.

Para o todo poderoso ministro alemão o que se está a passar em torno do aumento dos juros da dívida pública de Portugal deixa-o preocupado e triste por ser mais um fardo pois …”deve estar ciente de que pode perturbar os mercados”…

Schäuble não diz se vai chorar, diz que está triste e preocupado porque Portugal devia ter cuidado e não irritar os mercados.

Deste canto da Europa os lusitanos descendentes do guerrilheiro Viriato que nunca aceitou o domínio de Roma têm de ouvir e ler esta “piedosa” ingerência alemã nos assuntos internos desta velha nação invetivando o governo a arrepiar caminho e voltar ao Templo dos Sacrifícios; sacrifícios dos mais simples e pobres para engordar as entranhas dos donos do dinheiro também designados por mercados.

É tempo de alguém que tem o exercício da soberania nacional vir a terreiro aconselhar o Senhor a conter-se e a não se deixar contagiar pelas irritações dos mercados. Ele é Ministro da Alemanha que tem Portugal como parceiro na U.E., na NATO, na ONU cujas regras devem ser conhecidas pelos governantes.

Neste quadro o Sr Ministro alemão não é o porta voz dos mercados porque tal cargo não existe do ponto de vista orgânico e institucional.

Se Schäuble é porta voz dos mercados deve ser algo que a chancelerina deve esclarecer pelo simples facto de Portugal não ser uma freguesia ou um município ou um Land da piedosa Alemanha que tem um senhor triste devido ao facto de António Costa e a maioria que o suporta querer que os portugueses aliviem um pouco a carga que o rumo anteriormente seguido lhes impôs.

Por cá também andam tristes os Passos e as Cristas que largaram o poleiro malgré o Sr Schäuble. E agora que os portugueses estavam a ficar um pouco menos deprimidos vem este Senhor querer contagiar-nos com a sua tristeza…

O problema é este: podemos ou não podemos decidir o nosso caminho? Dito de outro modo: só podemos decidir o caminho desde que seja o dos senhores que ficam tristes com a irritação dos mercados? Ainda dito de outa maneira: o que conta para uma nação – o povo ou os mercados ? o povo ou os lucros das financeiras? O povo ou o regabofe dos mercados incapazes de se conterem e de serem capazes de se gerirem? A nação ou o diktat?

O Senhor está triste. Ele levanta-se cedo e vai ao altar perguntar ao sacrossanto MERCADO – Como vai o Altíssimo? E ele iracundo responde- Castigai o Portugal do Costa e fazei regressar a Cristas mais o Passos !

Schäuble genuflete e chama a imprensa que tanto adora estes famosos do mundo e aí vem a reprimenda.

Haja quem não tenha medo da alegria. Aja quem se sinta português! Haja confiança em Portugal apesar de tanto negrume. Aja quem achar que é demasiada a tristeza do Senhor Schäuble.

Aqui, onde há um quarto de todos os portugueses a passar muito mal, já se perdeu muitíssima coisa. Se se perder a dignidade e a vontade de se continuar a ser o que os nossos antepassados nos legaram, então o Sr Schäuble nunca mais vai ficar triste e os mercados vão nos guiar pelas veredas da submissão. Portugal será uma coutada alemã com o estatuto de nação.

SCHÄUBLE E OS SACRIFÍCIOS ÀS NOVAS DIVINDADES

O Senhor Schäuble, Ministro da Economia da Alemanha, veio a terreno  encorajar fortemente o governo de António Costa~corrigir o rumo e a seguir o de sucesso do anterior governo porque os mercados não devem ser irritados.

Schäuble sabe que houve eleições em Portugal e que o parlamento português deu luz verde à formação do atual governo com base numa maioria significativa dos diversos partidos que o sustentam e que prometeram acabar com a política de empobrecimento do governo do PSD/CDS.

Os portugueses condenaram nas urnas essa política de empobrecimento de Portugal que em nome do combate ao déficit público o fez aumentar em cerca de trinta por cento.

Para Schäuble as eleições são um proforma nos países longínquos de Berlim devendo o governo de Lisboa seguir as ordens da capital da grande potência da U.E. sejam quais forem as aspirações traduzidas em eleições livres e democráticas.

Para a Alemanha o que conta não são as eleições em cada país, mas sim as diretivas dos mercados, caso contrário essa irritação tem de ser aplacada com vítimas que serão levadas aos magotes para os corredores do empobrecimento, da miséria, da penúria e da fome. Os deuses dos Incas e dos Maias também exigiam vítimas humanas para serem apaziguados…

Não basta aos mercados que um quarto dos portugueses vivam no limiar da pobreza ou abaixo desse limiar; o que conta são novos sacrifícios para apaziguar o seu desmedido apetite, em parte contrariado pelo novo governo.

O Senhor Schäuble investido que está pela potência dominante e pela U.E. em sacerdote oficiante dos sacrifícios de quem irrite essas novas divindades lança um desafio sob a forma de édito aos portugueses proclamando – Segui os mercados, segui as pisadas de Passos, Portas  e M.Luís e enchereis os bancos, que dominam os mercados, de milhares e milhares de milhões de euros que eles abocanharão para pagar os desmandos próprios das divindades que vivem no Olimpo não se confundindo com essa coisa humana que é a ideia democrática de serem os povos a mandar nos eleitos. Jamais! Mais- em verdade , em verdade vos digo, sobre vós cairão novos sacrifícios e pagareis com mais vítimas essa peregrina ideia de serem os eleitores a elegerem os seus representantes dando-lhes poderes para alterar o que nós, os supremos sacerdotes, decidimos em nome dos novos deuses – o sagrado cifrão ao serviço do imaculado lucro.

Por cá, pelas terras de Sertório e Afonso Henriques, de D. João I e do Marquês de Pombal , os Passos, os Gaspares, as Luís, os Portas e as Cristas, e tutti quanti, correm loucamente atrás destas inflamadas palavras para zurzir os portugueses e Portugal.

Os que aguardam as atenções das grandes divindades correm a ajoelharem-se de mão estendida pedindo que avancem e restituam a política seguida e castiguem a população por querer ter uma vida digna como as demais populações da U.E.

Schäuble declarou guerra ao novo governo atirando-lhe à cara- Recuai, voltai ao redil, ao bom caminho porque se o não fizerdes cá estaremos para vos domesticar pelas vossas leviandades.

Portugal é um país pequeno comparado com a grande Alemanha reunificada e com outros grandes países da U.E. Mas é uma nação com mais de novecentos anos e com as fronteiras desenhadas há séculos e séculos. Um país com altos e baixos na sua História, como todos; com verdadeiras epopeias e momentos desastrosos.

Não está a atravessar um bom momento e as dificuldades são gigantescas. Nem sempre os portugueses fizerem tudo bem. Entraram para a CEE a pensar que iriam beneficiar de uma política apregoada de coesão social…

Há contudo que dizer que os de baixo não causaram tanta desgraça como os de cima. Os bancos já deram cabo de mais de quarenta mil milhões de euros do empréstimo da troika. E querem mais, mais e mais.

Assim sendo cabe perguntar: o que quer o Senhor Schäuble o poderoso ministro alemão?

Pelo teor e pela interpretação do seu pronunciamento quer mandar em Portugal. Não pode haver dúvidas. Sempre houve na História de todas as nações os que se aliaram aos estrangeiros para partilhar os despojos. Dada que a atual irritação dos mercados não dá para engolirem tudo e sempre escolherão em primeiro lugar a parte mais apetecida ficarão os restos para os que servem a Roma, como no velho império…

Para que tudo ficasse claro Cavaco Silva, o íncola de Belém por mais alguns dias, anunciava as condecorações aos homens que nunca irritaram os mercados, antes lhes entregaram generosas oferendas de vítimas do empobrecimento imposto – Maria Luís, Vitor Gaspar, Pires de Lima, Nuno Crato.

Schäuble apesar de tudo só mandará em Portugal se Costa se aninhar ao seu diktat e se os portugueses atarantados por tanta desgraça quiserem.

domingos lopes

Bruno de Carvalho, Chulos, Falências e Gravitações

Bruno de Carvalho dixit que se não fosse ele o S.C. Portugal …”após alimentar muitos chulos que gravitam à volta do futebolestaria falido…”

A tirada é profunda e vale a pena poisar um pouco nela para nos apercebermos de toda a profundidade que ela contem.

A primeira questão é esta,em termos estratégicos, como diria Jorge Jesus: Quem gravita em torno do futebol?

Resposta: Gravitam em torno do futebol todos os que são remunerados pelos cargos que têm no futebol; como o SCP é um club de futebol tem a gravitação daqueles que recebem o que o SCP lhes paga.

A segunda questão é esta: de entre os que gravitam à volta do futebol quem são os chulos? É de supor que são chulos os que no futebol não sabem fazer mais nada e se servem de uma declaração de amor falsa ao club para ganhar uns patacos e assim viver. Então a resposta será: os que declaram amor mas apenas têm como objetivo sacar ao club o que de outro modo não alcançariam.

Chegados aqui temos que perguntar o seguinte aos sportinguistas: onde estaria o club se Bruno de Carvalho não tivesse arribado ao SCP? Segundo Bruno estaria falido… O mesmo equivale a dizer que de todos os sportinguistas só BdC foi capaz de salvar o club da falência, o equivale ainda a dizer que BdC foi o salvador do Sporting…

A pergunta do agente de Carrillo: onde estaria Bruno de Carvalho se não estivesse no Sporting fica sem resposta porque não há ninguém que não saiba que ao nascer Bruno de Carvalho tinha um destino marcado nas estrelas: salvar o S.C.P.

Quando assim é há que pagar o ordenado mensal ao salvador porque ele não gravita em torno do futebol, mas sim do astro rei, o Sol.

Daí ele defender-se com unhas e dentes dos abutres do Sporting e remeter o agente de Carrilho com bastante elevação para … “para o seu rebanho de cabras…”

Assim falou o salvador.

Salvar o Poeta e Artista Ashraf da Ignomínia das 800 Chicotadas – Salvar o Livre Pensamento

O grito do mundo para salvar a vida do poeta e pintor Ashraf Fayadh de origem palestiniana fez os algozes sauditas embainhar os sabres e impedir a ignomínia própria dos mais obscuros absolutistas que reinam em Reinos, Sultanatos, Emiratos ao longo do Golfo que tresanda a petróleo, a injustiça e a medievalismo.

Ashraf Fayadh viu a sentença de morte ser substituída por outra em que é condenado a oito anos de cadeia e 800 chicotadas e renegar publicamente o seu pensamento por blasfémia, apostasia (abandonar a religião muçulmana) e relação ilícita com uma mulher.

Os “crimes provados” contra Ashraf decorrem de ter abandonado a religião que os seus pais lhe transmitiram, de questionar a sharia e o secularismo e de uma eventual relação com uma mulher que pelo teor das notícias não parece de modo nenhum forçada antes consentida por ambos os intervenientes.

Nenhum católico, nenhum cristão, nenhum hindu, nenhum budista tem um templo para orar no reino onde se cortam as cabeças, mas na Europa, onde a maioria da população é cristã, os governantes sauditas enchem os empreiteiros de dinheiro para construírem mesquitas para os muçulmanos poderem orar…

E os muçulmanos só podem casar com cristãos desde que estes abandonem a religião e passem a professar a muçulmana sob pena de deixarem de ter a cabeça entre as orelhas…

A Arábia Saudita é um grande país cheio de petróleo e de que o Ocidente precisa para se abastecer. Ninguém ousará discutir a importância do petróleo, independentemente do preço do barril Brendt…

Seja admitido então que se o petróleo é importante é-o por servir a humanidade nesta fase do seu desenvolvimento. Esta humanidade é uma comunidade de homens e mulheres com direitos e deveres.

Um dos direitos mais básicos de todos os homens e mulheres é professar ou não professar uma crença.

Este direito é um pilar da personalidade de cada indivíduo; algo que não pode ser tocado e muito menos motivo para se ser condenado.

Professar ou não professar uma religião é do ponto de vista da Declaração Universal dos Direitos do Homem algo que está cimentado na comunidade internacional que só a aleivosia de uma monarquia que parou no tempo age para encerrar a sociedade a sete chaves nas catacumbas da opressão.

Há um escopo mínimo a respeitar dentro da comunidade internacional que pode permitir que os cidadãos não vivam à mercê de uma suprema tirania como aquela que inferniza a vida aos sauditas homens e às sauditas mulheres que não podem circular livremente nem a pé nem de carro.

Se Obama, Cameron, Merkel e Hollande colocam o petróleo e a venda de armamento à frente de valores tão singelos como o de professar livremente uma crença que exemplo podem dar ao mundo de que pretendem ser lideres?

O mundo salvou a vida do poeta Ashraf mostrando que o absolutismo também é relativo. Vale a pena agora salvar Ashraf da ignomínia das oitocentas chicotadas. Não há ninguém que não possa dizer ao Rei da Arábia Saudita – Não faça isso! Sobretudo aqueles de quem o Rei depende. Os dirigentes mundiais podem livrar Ashraf desta miserável condenação.

A monarquia pode sofrer do mal de pensar e agir como se a vida fosse sempre como é agora naquele país.

Os ventos da liberdade e da tolerância hão de chegar a todos os reinos, emiratos e sultanatos independentemente dos reis, emires e sultões. Certo e seguro. Não haverá petróleo que lhes valha. Salvemos pois Ashraf da ignomínia das oitocentas chicotadas depois de já lhe termos salvado a vida.

Tempo Novo, Tempo Velho

Costa após o acordo com o BE e o PCP que permitiu ao PS formar governo falou de um tempo novo, de enterro do tempo velho de perseguição aos rendimentos da esmagadora maioria da população; de medo face a um futuro de pobreza e de uma vida sem o mínimo de dignidade.

Mas não se pode construir um tempo novo repetindo comportamentos que são próprios do tempo velho tal como aconteceu nas últimas três eleições presidenciais.

O PS a certa altura deixou o combate pelas presidenciais correr ao deus dará. Borregou. O partido não entrou na batalha; deixou as coisas correrem como se a eleição de Marcelo não fosse uma volta ao tempo velho.

As armas que o PS tinha ficaram nas sedes do partido guardadas para não se sujarem. Sampaio da Nóvoa parece que teria o apoio que não teve.

Maria de Belém ao candidatar-se a Belém resolveu como Fernando Nobre nas últimas tornar um combate tremendamente difícil numa batalha praticamente perdida.

Aliás como Mário Soares fez nas que Cavaco ganhou pela primeira vez, avançando contra o seu amigo e camarada Manuel Alegre.

Parece que passou a fazer parte do ADN do PS assobiar para o ar e deixar a direita ganhar com a vã ilusão de que o PR não obstaculize a ação do governo.

Costa encarou as presidenciais como algo verdadeiramente anómalo: umas primárias para que na segunda volta o PS votasse n@ candidat@ que passasse…só que não passou porque o PS ficou à espera do desfecho da batalha de Alcácer Quibir…

Ora o que aconteceu foi que uma das figuras mais apodrecidas viesse do túnel do tempo velho para ser “dona” do Palácio de Belém; do velho tempo em que sempre bajulou os poderosos desde Caetano ao inefável João Jardim ao Ricardo Espírito Santo aos administradores do BANIF e tutti quanti neste país tiveram grande parte do poder nas mãos.

E pode haver neste enredo do tempo quem não queira ver, apesar do invocado tempo novo, que Marcelo venha envenenar este tempo novo para fazer regressar o velho.

Marcelo não é uma figura coerente nem em quem se possa confiar. Tem uma longa vida a comprová-lo. Não é personagem para mudar o chip. Para chegar onde chegou fez um longo percurso sempre a favor dos poderosos. Sempre. Antes e depois do vinte e cinco de Abril.

Os resultados dentro das forças que apoiam o governo não foram famosos, salvo os do BE. Porém como é bom de ver não são estes resultados que transformam a política austeritária, derrotada nas urnas há escassos três meses, numa política ao serviço do povo e da economia de desenvolvimento.

O ânimo que a vitória do candidato apoiado pela direita possa ter dado ao PSD e CDS e as dificuldades que tal resultado possa ter trazido ao PS e PCP e ao conjunto dos apoiantes do governo pode vir a ser um mau presságio.

O tempo novo que António Costa falava não se extinguiu com a vitória de Marcelo. O regresso do tempo velho a Belém que a eleição presidencial protagonizou é favorável às forças que o urdiram.

Em Belém nos últimos dez anos esteve o principal obreiro do tempo em que o governo esmifrava os mais desfavorecidos e enchia os bolsos dos banqueiros com o dinheiro dos portugueses.

O PS sai muito mal destas eleições repetindo os erros do passado; o PCP não soube aproveitar a ocasião insistindo numa política sectária que levou ao que levou.

A tirada de Jerónimo de Sousa acerca de arranjar uma engraçadinha não lembra ao diabo e dá nota do desnorte após o ato eleitoral…e a incapacidade de compreender os tempos. Veio a seguir uma desculpa esfarrapada tal a dimensão do disparate. Perder nunca é bom, mas não há quem não perca. É fundamental saber perder e tirar as conclusões certas de uma derrota. Ser derrotado daquela forma e afirmar que está tudo certo…

Bastava olhar para a votação do Tino de Rans para perceber que o eixo da atuação tem de mudar para se ser compreendido.

O PS pode ter ilusões sobre o papel do comentador eleito Presidente no que se refere à relação com o governo. Mas o tempo novo que se abriu há poucos meses não está garantido.

A turbulência faz parte das viagens; os pilotos sabem como lidar para evitar desastres. A viagem será longa e seguramente haverá muitas turbulências. O tempo novo vai exigir muita coragem e inteligência para não ser um biombo para esconder o tempo velho.

Que Marcelo com a sua astúcia e maquiavelismo não seja capaz de sabotar este tempo é que desejam todos os construtores de um tempo novo.

Ai de quem der o primeiro passo para o regresso do tempo velho, o tempo em que o governo e os banqueiros e seus amigos encontravam em Belém um pilar de apoio.

Viva la Muerte!

…” Uma morte gloriosa era preferível a uma existência aviltada…” é uma frase retirada do romance de Ma Yuan “Mudanças”, escritor chinês, prémio Nobel da Literatura em 2012, a propósito da vontade da personagem principal de se alistar para ir invadir o Vietnam. Dá que pensar pela sua atualidade.

Nem sempre será possível explicar tudo; haverá sempre em matéria de comportamentos humanos zonas de sombra e escuridão.

Assistimos atónitos à conduta de homens e mulheres que sacrificam a vida suicidando-se para sair da existência aviltada e abraçar a morte que dá acesso à glória.

Na execução por parte do Daesh de cinco alegados espiões no início deste ano o carrasco afirmou perante a câmara do vídeo dirigindo-se a Cameron … “ Somente um imbecil se atreve a enfurecer um povo que ama tanto a morte como tu amas a vida”…

Presume-se que este povo sejam os habitantes sob controlo do Daesh que como se sabe não constitui historicamente nenhuma nação, mas o importante não é esse “detalhe” mas a glorificação da morte. Haverá algum povo que ame mais a morte que a vida? Se por acaso houvesse já não existia.

Voltando ao romance “Mudanças” a personagem quer morrer gloriosamente ao serviço do Exército de Libertação Popular da China até porque os seus progenitores receberiam a merecida compensação….

A vida insignificante levava-o em busca do heroísmo e da glória e da compensação da família humilde pobre, sem meios para sequer sustentar os filhos, a tal vida aviltante.

Num livro editado pela Editora Ulisseia em 1973 e traduzido por Maria de Lamas cujo título é “ Estas vozes que nos vêm do mar” constituído por cartas de estudantes japoneses que combatiam em todas as frentes do Extremo- Oriente, nas montanhas da China, nas Ilhas do Pacífico ou nas densas florestas da Birmânia. Eram pilotos de aviões- suicidas, Kamikazes, condutores de Kaitens (torpedos humanos), marinheiros e soldados da infantaria.

Albert Camus escreveu a propósito do suicido que era a confissão que a vida não valia a pena.

Nos Kamikazés, cujo significado literal é vento divino, o suicídio, tal como nos jiadistas, vale de modo radicalmente diferente da definição de Camus.

Tokuro Nakamura, estudante de Geografia, em combate nas Filipinas, numa carta enviada aos pais dizia horas antes do sacrifício”… Anoiteceu…Vou partir com coragem…Deixei no regimento as minhas unhas e os cabelos…Depois de cortar o cabelo fui comprar alguns livros levo-os comigo…”

Akio Otsuka, estudante de Direito, antes de se suicidar a bordo do seu avião escreveu”… 11:30, última manhã…vim almoçar e depois irei para o aeródromo. Creio na vitória da Grande Ásia…. Será lua cheia esta noite…Contemplá-la-ei ao largo de Okinava e escolherei o navio inimigo…”

Yasuo Ichijima, estudante da Univ. de Tóquio, escreve a 24 de Abril de 1945… “ sinto-me honrado e orgulhoso por poder oferecer à minha Pátria, que amo infinitamente, uma vida de pureza…”

Ichizo Hayashi , estudante de Economia Politica da universidade de Tóquio, escreve à sua mãe momentos antes de embarcar no seu avião em Okirava…” Ao despedaçar-me sobre o inimigo rezarei por si…” Encarrego Ueno de lhe mandar esta carta, mas nunca a mostre a ninguém. Sinto-me envergonhado…”

Quer os jiadistas, quer os Kamikazés praticavam o suicídio com o intuito de provocar o maior número de mortos no inimigo.

Há, no entanto, uma diferença – os kamikazés visavam as tropas adversárias; os jiadistas utilizam as bombas humanas não só na guerra como também contra os cidadãos de outros países de modo totalmente indiscriminado, podendo até dar-se o caso de atingirem pessoas que nos países respetivos se pronunciaram contra as invasões e a guerra perpetradas pelas potências atacantes.

Neste mundo pleno de tensões, conflitos, incluindo bélicos, a morte está por todo o lado.

Desde logo onde não a vemos: no Iraque, na Síria, no Iemen onde ela resulta dos combates bélicos travados.

E depois onde ela é vista ad nauseam – nos cenários escolhidos pelas elites dos jiadistas e que visam espaços de vida normal onde se desfruta a vida.

Nos cenários de guerra, os bombardeamentos da Síria, do Iraque, do Iemen são apresentados pelos media globais de tal modo que os cidadãos se sentem anestesiados face ao horror de quem os sofre,

A morte às mãos dos terroristas, cara a cara, olhos nos olhos, geram emoções muito mais fortes e a condenação expande-se sem fim.

Entre os que preparam o suicídio para matar gente absolutamente indefesa e os kamikazés que o faziam para enfrentar o inimigo armado vai uma grande diferença – os jiadistas matam gente de mãos nuas, os segundos enfrentavam o exército inimigo. De qualquer modo uns e outros entre viver daquele modo e morrer preferiam morrer. Esta banalização da morte assusta; é como se a morte não fosse a última desgraça humana.

Camus queria significar que pode haver vidas que não valham a pena viver, mas no contexto da enorme excecionalidade que constituía a tal “confissão”.

No Paquistão os jiadistas invadem universidades e matam professores, estudantes, funcionários- os que ensinam e os que aprendem.

Esta nova espécie de glória da morte lembra o célebre discurso de Unamuno afastando-se do regime franquista, na Universidade de Salamanca, onde era reitor, interrompido pelo General fascista Millán-Astray, em 12/10/1936, aos gritos “VIVA LA MUERTE”. Unamuno prosseguiu declarando que o “Viva la Muerte” lhe equivalia a ouvir “Morte à vida”, sendo imediatamente destituído por Franco. As vidas são para serem vividas por mais glória que se busque nas mortes inglórias.

Vergonha de Todas as Cores

O jornal Público de hoje dá conta que em Middlesbrough, no Reino Unido, a empresa Jomast encarregada de alojar os requerentes de asilo ou refugiados pinta as portas das casas desses cidadãos de cor vermelha, sendo, por isso, facilmente identificáveis.

Em consequência essas casas passaram a ser vandalizadas com pinturas xenófobas e bombardeadas com ovos, entre outro tipo de violência, como por exemplo tentativas de incêndio.

O Ministro da Administração veio a público, após a denúncia, garantir que seriam tomadas medidas.

Os moradores dessas casas que, entretanto, a suas expensas, mudaram a cor das casas de vermelho para branco foram advertidos por funcionários da empresa que o não podem fazer; devendo mantê-las vermelhas.

Os moradores denunciam casas de tentativas de incêndio, de lançamento fezes de cão e de pedras contra essas casas, criando o pânico nos moradores, crianças e idosos.

A multinacional que trabalha no alojamento e segurança considera que o vermelho é a cor que identifica os prédios que administra.

E portanto os racistas e os xenófobos sentem-se perfeitamente à vontade para incendiar e cometer outros crimes contra refugiados e asilados de dezenas de países.

Para o governo e a empresa o importante não é que os moradores tenham cores de acordo com o seu gosto ou até para evitar que os ataquem identificando o tipo de cidadão que ali vive.

Vale a pena recordar que há uns meses atrás David Cameron e o Presidente Hollande concordaram em montar cercas de arame farpado em Calais e açular os cães aos pobres refugiados impedindo a sua entrada naquele Reino de casas com portas vermelhas em Middlesbrough.

Hitler obrigava os judeus a trajarem uma estela identificativa. Os democratas ingleses não vão tão longe- apenas identificam os refugiados e asilados com o vermelho das portas das casas

Aos que entraram no Reino Unido para não haver equívocos pintam-se as portas de vermelho para os incendiários não se enganarem.

E quem identifica esta vergonha de todas as cores?

A Falta de Maria de Belém

Maria de Belém faltou ao debate com todos os candidatos e que teve lugar na RTP1. Justificou alegando que se sentia chocada com a morte do seu apoiante, o Dr Almeida Santos.

O cargo de mais alto magistrado da nação deverá ser entregue a quem, em última instância, seja o último recurso de disponibilidade para servir o país.

Quem for Presidente da República tem sobre si o peso das tristezas do país e a satisfação das alegrias de Portugal. É nas horas de dor que se mede a coragem de ser o mais alto magistrado da nação.

A estatura da pessoa que desempenhe o cargo certamente viverá à sua maneira as emoções de dor e de sacrifícios próprios e de outros, como é timbre de cada ser humano. Mas é o vértice da República que fecha o triângulo. É o último a sucumbir. É o último amparo. É a última e a primeira voz de Portugal. É o que dá o passo para defender a pátria e a nação portuguesa.

Num momento de tantas carências para os portugueses, quem for para o cargo deve manifestar disponibilidade para compreender esses sacrifícios. Não pode de cima do império da lei assegurar subvenções vitalícias ao fim de uns tantos anos de exercício de cargo político e olhar para baixo (de cima dessa lei) e não enxergar a pobreza que invade o país.