SCHÄUBLE E OS SACRIFÍCIOS ÀS NOVAS DIVINDADES

O Senhor Schäuble, Ministro da Economia da Alemanha, veio a terreno  encorajar fortemente o governo de António Costa~corrigir o rumo e a seguir o de sucesso do anterior governo porque os mercados não devem ser irritados.

Schäuble sabe que houve eleições em Portugal e que o parlamento português deu luz verde à formação do atual governo com base numa maioria significativa dos diversos partidos que o sustentam e que prometeram acabar com a política de empobrecimento do governo do PSD/CDS.

Os portugueses condenaram nas urnas essa política de empobrecimento de Portugal que em nome do combate ao déficit público o fez aumentar em cerca de trinta por cento.

Para Schäuble as eleições são um proforma nos países longínquos de Berlim devendo o governo de Lisboa seguir as ordens da capital da grande potência da U.E. sejam quais forem as aspirações traduzidas em eleições livres e democráticas.

Para a Alemanha o que conta não são as eleições em cada país, mas sim as diretivas dos mercados, caso contrário essa irritação tem de ser aplacada com vítimas que serão levadas aos magotes para os corredores do empobrecimento, da miséria, da penúria e da fome. Os deuses dos Incas e dos Maias também exigiam vítimas humanas para serem apaziguados…

Não basta aos mercados que um quarto dos portugueses vivam no limiar da pobreza ou abaixo desse limiar; o que conta são novos sacrifícios para apaziguar o seu desmedido apetite, em parte contrariado pelo novo governo.

O Senhor Schäuble investido que está pela potência dominante e pela U.E. em sacerdote oficiante dos sacrifícios de quem irrite essas novas divindades lança um desafio sob a forma de édito aos portugueses proclamando – Segui os mercados, segui as pisadas de Passos, Portas  e M.Luís e enchereis os bancos, que dominam os mercados, de milhares e milhares de milhões de euros que eles abocanharão para pagar os desmandos próprios das divindades que vivem no Olimpo não se confundindo com essa coisa humana que é a ideia democrática de serem os povos a mandar nos eleitos. Jamais! Mais- em verdade , em verdade vos digo, sobre vós cairão novos sacrifícios e pagareis com mais vítimas essa peregrina ideia de serem os eleitores a elegerem os seus representantes dando-lhes poderes para alterar o que nós, os supremos sacerdotes, decidimos em nome dos novos deuses – o sagrado cifrão ao serviço do imaculado lucro.

Por cá, pelas terras de Sertório e Afonso Henriques, de D. João I e do Marquês de Pombal , os Passos, os Gaspares, as Luís, os Portas e as Cristas, e tutti quanti, correm loucamente atrás destas inflamadas palavras para zurzir os portugueses e Portugal.

Os que aguardam as atenções das grandes divindades correm a ajoelharem-se de mão estendida pedindo que avancem e restituam a política seguida e castiguem a população por querer ter uma vida digna como as demais populações da U.E.

Schäuble declarou guerra ao novo governo atirando-lhe à cara- Recuai, voltai ao redil, ao bom caminho porque se o não fizerdes cá estaremos para vos domesticar pelas vossas leviandades.

Portugal é um país pequeno comparado com a grande Alemanha reunificada e com outros grandes países da U.E. Mas é uma nação com mais de novecentos anos e com as fronteiras desenhadas há séculos e séculos. Um país com altos e baixos na sua História, como todos; com verdadeiras epopeias e momentos desastrosos.

Não está a atravessar um bom momento e as dificuldades são gigantescas. Nem sempre os portugueses fizerem tudo bem. Entraram para a CEE a pensar que iriam beneficiar de uma política apregoada de coesão social…

Há contudo que dizer que os de baixo não causaram tanta desgraça como os de cima. Os bancos já deram cabo de mais de quarenta mil milhões de euros do empréstimo da troika. E querem mais, mais e mais.

Assim sendo cabe perguntar: o que quer o Senhor Schäuble o poderoso ministro alemão?

Pelo teor e pela interpretação do seu pronunciamento quer mandar em Portugal. Não pode haver dúvidas. Sempre houve na História de todas as nações os que se aliaram aos estrangeiros para partilhar os despojos. Dada que a atual irritação dos mercados não dá para engolirem tudo e sempre escolherão em primeiro lugar a parte mais apetecida ficarão os restos para os que servem a Roma, como no velho império…

Para que tudo ficasse claro Cavaco Silva, o íncola de Belém por mais alguns dias, anunciava as condecorações aos homens que nunca irritaram os mercados, antes lhes entregaram generosas oferendas de vítimas do empobrecimento imposto – Maria Luís, Vitor Gaspar, Pires de Lima, Nuno Crato.

Schäuble apesar de tudo só mandará em Portugal se Costa se aninhar ao seu diktat e se os portugueses atarantados por tanta desgraça quiserem.

domingos lopes

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