Durão Barroso – Um Bisbórria

Durão Barroso é um caso. No seu rasto se pode apanhar a peugada de não ser quem diz ser. O homem é coerente, pois sempre se camuflou do que não foi.

Durão maoista. Revolucionário encartado a levar a cabo julgamentos “populares” ora caça grossa do género Cavaleiro Ferreira, ora …”os pides morrem na rua…”

Durão em transição para o arco do poder fazendo escola com o PPD de Eurico de Melo e inclinando-se para subir a escada do poder até onde o levaria, adivinhe-se, ao Goldman Sachs.

Durão secretário de Estado, Durão ministro de Cavaco, Durão Primeiro-Ministro nas profundidades do mar, seguindo à frente de todos os chernes, escamado nas mil e uma lutas por um lugar ao sol contra os populares do norte e a favor dos liberais da linha e dos arredores que no PPD são imensos.

E Durão, qual pointer, de narinas ao alto farejando longe, muito longe, para o outro lado ocidental do Atlântico o que o belicista George W. Bush guardava nos seus maquiavélicos planos de desestabilização do mundo, camuflando-se de diplomata acolitado por um ministro de Defesa que após ida de ambos ao Pentágono verem o que não viram, fez de mestre de cerimonias as oferecendo os Açores a homens sem o mínimo de escrúpulos, apenas interessados em cumprir o seu papel de predadores.

Há quem pense que ao “dar” os Açores, na altura em que a Europa estava dividida e na França reinava Chirac e não o insignificante Hollande, na Alemanha Schröder e não a Presidente da Junta da Europa, ele pensava em receber Bruxelas para um dia vir a partilhá-la com os donos do mundo. Apoiado pelo poderio do Império. Contra as veleidades chiracianas e schrödianas…

Certo e seguro é que, em plena crise financeira, o José Manuel Durão Barroso se portou à altura do seu futuro patrão e defendeu, como só ele sabe fazer, a sua causa, castigando com a devida austeridade os povos recalcitrantes habituados a viver de acordo com o que recebiam, pois futuros e seus derivados, agentes da crise, eram os irrepreensiveis zeladores dos mercados que não podem ser irritados, como dizia o enfastiado Cavaco, o Professor de York que mais tempo esteve no poder na pátria de Viriato e Camões.

Um homem assim tem o destino traçado na arte da dissimulação e tinha naturalmente de entrar no Olimpo, …”deixando a política e abraçando a vida civil…” disse ele agastado com o facto de a imensidão de gente estar varada com a sua ascensão ao Goldman.

Entrou na gigantesca máquina dos EUA de fazer dinheiro, por onde rolaram e rolam os superpoderosos da U.E, tal é a sua pequenez face ao grande Império. E como se tratava de entrar para a vida civil e nada de políticas, foi aconselhar o Goldman Sachs a lidar com a saída da Grã Bretanha da União Europeia que é tudo menos um assunto político; dado o caracter daquele banco ligado ao estudo dos minerais, da botânica e da fauna africana.

O homem que se camuflou de revolucionário, de governante sensato, de lambe botas de George Bush, de fugitivo, de Presidente da Comissão Europeia, finalmente quis que o planeta ficasse a saber quem era realmente José Manuel Durão Barroso – em linguagem do grande mestre da palavra Aquilino – um bisbórria.

Para acalentar esse lado incontrolável pela dissimulação escreveu uma carta ao seu sucessor, homem de igual quilate, a dizer que estava abatido e era uma injustiça tirarem-lhe o tapete vermelho quando fosse a Bruxelas.

Os bisbórrias são inconsoláveis no seu carácter desprezível. Conscientes desse lado lendeoso do ADN levam até às últimas consequências a dissimulação, não se dando conta que já todos lhe viram a alma, salvo Passos Coelho, Luís Montenegro e Maria Luís. Já se lhes conhece o destino. Goethe no seu Fausto sabia do que falava. O Diabo continua a compras almas até se fartar de bisbórrias. Parece que nunca acabarão, tal a tragédia humana.

Kim Jong Un Acredita numa Vitória Nuclear sobre os EUA?

O último teste nuclear da Coreia do Norte (09/09/2016) confirma a persistência daquele país em atar os dirigentes norte-coreanos à corrida ao armamento nuclear.

Escrevemos aqui no Chocalho em 07/01/2016, a propósito do ensaio nuclear da altura, que há mais países que detêm a arma nuclear para além dos cinco do Conselho de Segurança. Israel, India, Paquistão detêm a arma nuclear e não lhes foi imposta qualquer sanção e até hoje também não assinaram o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Este Tratado tem na sua filosofia original a ideia do desarmamento nuclear quer na vertente vertical, quer horizontal, ou seja, desarmar os que já possuíam as armas, e nunca aceitar que outros viessem a ter.

O que está a suceder vai em sentido contrário. Os detentores das armas nucleares aumentam os seus arsenais ou substituem os existentes por outros muito mais sofisticados podendo com menos armas aumentar a sua capacidade destruidora.

Por outro lado há países que à margem do Tratado se equiparam com essas armas. Repare-se que nem os EUA, nem a China, nem a Rússia, nem a França, nem a Grã- Bretanha ergueram um simples dedo para condenar Israel por possuir a arma nuclear.

O Paquistão e a India estão também eles ao abrigo de sanções e campanhas por terem estas armas.

A Coreia do Norte, que se encontra numa situação delicada do ponto de vista económico e que teme os quarenta mil militares dos EUA na Coreia do Sul, vem apostando na possibilidade de vir a ter ou já possuir a arma nuclear, argumentando que por essa via poder ser considerada um interlocutor de peso na Península.

Trata-se de uma argumentação falaciosa na medida em que o uso de armas nucleares está fora de hipótese, salvo num cenário que levasse ao desaparecimento da Coreia por inteiro.

A Coreia do Sul, na sequência do ensaio, prometeu destruir a parte Norte, deixando-a em ruínas. O Norte prometeu o mesmo em relação ao Sul. É um jogo perigosíssimo que por maus cálculos ou até por eventual erro entre os contendores poderá levar o mundo à beira da catástrofe.

Os dirigentes norte-coreanos melhor andariam em trabalhar para a reunificação do país, artificialmente dividido, melhorando as condições de vida do povo e levando propostas de paz que criassem condições para um diálogo que fizesse descer a tensão.

OS EUA têm armas nucleares no Sul e quatro dezenas de milhares de soldados no terreno. Acredita o líder coreano que o conflito com o Sul e os EUA se resolverá por via nuclear? Só um louco acredita…

A retórica militarista destina-se a consumo interno para justificar o estado de pobreza daquele país e simultaneamente conseguir por via negocial obter  concessões económicas que ajudem a melhorar a situação no terreno. A Coreia do Norte sabe que a Coreia do Sul tem um nível de vida muito mais elevado; tentando fazer eventualmente da arma nuclear uma base para aceder a outras vantagens económicas.

Por outro lado a mensagem intimida a elite do regime e amarra-a ao carro da corrida às armas por parte do dirigente máximo, Kim Jong Un.

Ele tem o partido e as forças armadas na mão. Os que se opuseram foram eliminados.

Melhor seria trilhar outro caminho – o da unidade nacional forjada nos cidadãos com direitos e não súbditos de uma monarquia.

Burkas/ Burkinis Tolerância

A polémica está instalada nas sociedades ocidentais onde existem comunidades muçulmanas cujas mulheres se vestem com burkas ou burkinis nas praias, tendo certas autoridades francesas proibido o uso daquele vestuário.

O recente texto de André Freire e Liliana Reis no Público de 07/09/2016 é, em ultima instância, um exemplo de um certo espirito de intolerância envelopado na luta contra a descriminação de géneros.

Não estamos de acordo com o que sucede em muitos países muçulmanos em que as mulheres são obrigadas a usar um tipo de vestuário que lhe tapa o corpo ou parte do corpo. É sem dúvida uma violência inaceitável.

No dia 4 de Setembro, início das aulas na Argélia, em Sebbala, perto de Argel, três alunos não puderam entrar nas aulas porque o diretor do liceu considerou que deviam usar véu, o que não é sequer imposto por lei.

Porém não podemos de cima dos “nossos” valores demo liberais impor aos outros um tipo de comportamento que proíba o uso de vestuário que tapa o corpo ou parte do corpo às mulheres.

E a razão é exatamente aquela que André Freire e Liliana Reis alegam, e que reside no art.1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

…” Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade “…

Ora se todos os seres são livres e iguais em dignidade e dotados de consciência e devendo agir uns para com os outros com espírito de fraternidade, não é compatível com a liberdade a proibição do uso de certo vestuário.

Por isso os governos não devem impor aos indivíduos uma conduta quanto a vestuários, como faz a Arábia Saudita, o Irão, o Qatar e Cª.

Quanto ao segundo argumento que decorre do primeiro é que na verdade as mulheres devem ser respeitadas no uso do vestuário.

Não se nega em sociedades misóginas e discriminatórias (na Arábia Saudita as mulheres nem sequer podem sair sozinhas à rua) que o poder dos homens leva sem dúvida a que muitas mulheres não vistam em total liberdade e se sintam coagidas a vestir de acordo com a vontade masculina.

Porém será sempre um processo emancipatório que levará (tal como sucedeu em Portugal) a que a mulher se sinta em total liberdade de escolha.

Em França os cidadãos são iguais quando ao uso do vestuário.

Nenhuma mulher vai ser punida pelas leis da República se usar uma minissaia.

O que acontece é que no atual estado de coisas e sobretudo desde a invasão do Iraque, do Afeganistão pelos EUA, dos ataques militares ocidentais à Líbia e à Síria há uma espécie de choque civilizacional que as potências imperialistas e os jiadistas aproveitam para imporem os seus propósitos.

A proibição do uso de burkini só vem favorecer os que defendem esse choque.

Não se deve do “alto” dos valores ocidentais proclamar: estes são os nossos valores ou os aceitam ou são punidos.

Esta mentalidade vanguardista e elitista dá causa a que as comunidades se fechem na defesa das suas identidades e não se abram às sociedades plurais e abertas.

O mundo é muito mais que uma Declaração, que um modo de vida, que a liberdade de vestir. É também um caminho que cada comunidade a seu tempo e no seu ritmo vai fazendo.

Só esse caminho que vem de longe, de muito longe nos pode aproximar na humanidade de cada mulher, de cada homem, de cada comunidade.

Quem impuser  a sua vestimenta colherá tempestades que transportarão a recuos muito grandes. Nunca no mundo muçulmano o recuo civilizacional foi tão grande desde os processos independentistas que se seguiram à 2ª guerra mundial

A tolerância é essencial num mundo pleno de intolerâncias. Por detrás da burka ou do burkini está um ser humano que usa um vestuário que no Ocidente a maioria não usa. Tão só isto.

Quem se esqueceu das prédicas em Portugal dos padres contra as mulheres que usavam manga curta ou andavam de bicicleta ou iam para as praias mostrar as pernas?

E quem esqueceu os jovens rapazes liceais escondidos nas dunas para ver as inglesas em biquini? Como crescemos!

E já a talho de foice: a vergonha de na escola ou no liceu de usar roupa pobre, remendada quando a dos outros era bem mais asseada?

Os processos individuais das opções são de cada uma e de cada um. São caminhos que o Estado deve deixar à escolha individual. Esse será o caminho mais consentâneo com o processo de firmar escolhas mais abertas e de acordo com a consciência das envolvidas.

Haja tolerância! E o mundo será melhor.

(Originalmente publicado no Público Online)

O Sudeste Asiático, Coragem Patriótica Precisa-se

Um país é o que foi e o que pretende ser. Para construir o presente e o futuro o seu passado faz parte desse objetivo. Na História de Portugal encontram-se linhas que são auxiliares do percurso do país quanto ao seu futuro.

Uma linha que se descortina é a dificuldade de se afirmar na Europa. Tinha à frente os poderosos reinos de Castela, Leão e Aragão e o que se lhe seguia até à poderosa Inglaterra. O ultramar seduzia o periférico Portugal: África, o Oriente e a América aí estavam para lhe dar força no quadro europeu e mundial. Esta linha começou a ser gizada após consolidação da independência. A partir do século XV é uma constante. Levada ao extremo pela loucura colonialista de Salazar e Caetano que transformaram uma visão universalista da política externa portuguesa numa política de total isolamento internacional a pontos dos aviões portugueses não poderem sobrevoar a maior parte dos países africanos. O império impedia Portugal de ter peso no mundo no século vinte e sobretudo após a segunda guerra mundial.

Há quem defenda que o mundo conquistado por Portugal na fase dos Descobrimento era tão grande e pesado que lhe caiu nos pés e nunca mais nos deixou ser uma nação que fosse capaz de se desenvolver e afirmar-se na Europa e no mundo.

Certo é o facto de ao longo de toda a sua História a Europa ter sido sempre um obstáculo à afirmação de Portugal como país com peso continental. Foi na senda africana, asiática e americana que Portugal ganhou peso na Europa.

Quem tem a possibilidade de viajar pelo mundo encontrará presença portuguesa nos vários cantos do mundo.

Foi com imensa emotividade que em Malaca, Malásia, no quarteirão de descendentes de portugueses, encontrei, no mês de Julho, nos seus habitantes o seu profundo orgulho pela vitória de Portugal no Euro 2016. E curiosos acerca do que se passa no nosso país.

Quando alguém avisou na pequena comunidade piscatória que havia ali portugueses logo apareceram a dar conta do seu orgulho e da sua fé cristã.

Deram conta dos festejos da vitória portuguesa no Euro 2016 e da grande festa de São João que fazem todos os anos com a procissão como se fazia no tempo dos portugueses.

Na Birmânia, hoje Myanmar, na região de Bagan, Maniwa e Mandalay há também influência de descendentes portugueses, embora a sorte dos primeiros portugueses naqueles reinos não fosse a mais feliz.

Por volta da conquista de Malaca por Afonso Albuquerque em 1511 é enviada ao reino de Sião coma capital em Ayuatthaia uma missão diplomática para o estabelecimento nesta cidade de pequenas comunidades portuguesas e aí foram construídas igrejas, uma das quais se mantem, a de S. Domingos.

Tendo em conta a forte relação de Portugal em Timor-Leste e a importância de Singapura e Malásia na política daquela região, qualquer política externa portuguesa que se pretenda digna e adequada à situação portuguesa passa por recolocar no radar estes países.

Em Malaca as pessoas pediram-nos para que Portugal não os abandone e se lhes envie professores de português para manterem a língua, o que não sucederá se o governo português não o fizer.

Um maior investimento e aproveitamento das possibilidades numa região com alguns países em sério crescimento ajudaria Portugal a diversificar as suas relações e a criar melhores condições para se afirmar, sobretudo contrabalançar a grande dependência da União Europeia em termos de importações.

Por isso tirar vantagens da nossa História e de uma conduta universalista em detrimento de um afunilamento para a zona euro em crise e com os poderosos desta zona a atarraxar os mais frágeis no torniquete da austeridade para salvar os bancos desses países é fundamental.

Uma abertura de espírito para estes países, aliada às potencialidades dos países de língua oficial portuguesa, é uma questão vital para a nossa República.

É um dever patriótico não desperdiçar o que os nossos antepassados construíram de bom por este país em situação tão difícil do ponto de vista das suas dependências.

Haja coragem, firmeza e inteligência na defesa de Portugal e ter consciência que o afunilamento das relações externas nos faz mais pequenos e frágeis face aos Schäubles e às Merkeles e aos burocratas desta Europa sem alma.

Os Austrolopitecus e o Reino Unido

may curva-se

A fotografia diz tudo. A Primeira- Ministra do Reino Unido genuflete diante da Rainha. A que representa a escolha dos eleitos pelo povo curva-se diante da que é rainha por herança.

É este o reino da democracia? É só protocolo?

Os austrolopitecus estavam mais à frente que a democracia do Blair e da Theresa May… andavam de pé, erguidos.

Não Dar Ponto Sem Nó, Durão

Há certos homens cuja vida se resume numa frase…”não dar ponto sem nó…” O último nó do Dr. José Manuel Durão Barroso é paradigmático em relação à sua vida política.

A política para ele foi uma espécie de tirocínio para outros voos bem mais altos e que enchem de alegria os seus bolsos sempre abertos à receção de generosos convites para o setor financeiro.

Os grandes bancos estão sempre de olho nos políticos capazes de não se deixarem prender por terem cães à sua guarda. Eles sabem quem os defendeu, quem mergulhou a Europa numa crise brutal paga pela austeridade imposta aos povos.

O Dr. Durão foi em socorro dos que, com o dinheiro dos depositantes, fizeram implodir o sistema financeiro, criando mais tarde as condições para de novo se recompusessem e prosseguissem as suas cruzadas em prol do lucro.

Durão ousou sempre mais que os outros, no maoismo, no PPD, em Bruxelas, wherever, e no nojo.

Durão é um homem capaz. Indubitavelmente. E querendo vai onde o seu desígnio o leva. Certamente. Só que vai sempre para o lado dos todo-poderosos senhores do mundo. E se for preciso larga o país par ir ao cume. Foge na hora de marcar o penalty; prefere ir mais além, olhar o horizonte e ver de onde vêm os ventos do sucesso.

A Goldman Sachs é um dos vértices. Ali se reúnem os grandes deste mundo para traçar o destino das multidões humanas. Ser Presidente não-executivo é para Durão irrecusável. Há muito que o deve saber. E a Goldman também.

Quando ofereceu os Açores aos aventureiros desavergonhados, ele sabia que abriria portas nunca dantes abertas; as portas dos homens que mais ganham no mundo. Era o que ele pretendia. Absolutamente legítimo; só que que não à luz de princípios de igualdade dos cidadãos e dos Estados de que tanto falou na sua vida. O que ele queria quando falava dessas virtudes era guindar-se a um cargo como o de Presidente não-executivo da Goldman.

Esse é o caminho dos homens ziguezagues, dos homens interesseiros, dos homens cujos princípios são o seu bem-estar, as entradas nos seus bolsos. Durão nunca foi um banqueiro. Pois vai passar a sê-lo para encher o cofre de dólares. É este o seu destino. O dinheiro. Há quem se regozije. Como Passos. Aguardemos. Há mais bancos.

Blair – Desprezível

O relatório Chilcot sobre o papel de Tony Blair na invasão do Iraque é elucidativo  do desvario de dirigentes como George W. Bush, Tony Blair, Aznar e os sargentos-ajudantes Barroso e Portas.

Esta comandita logrou levar a cabo destruição do Iraque, semeando choque e pavor, arrastando para o caos o Médio-Oriente, o mundo árabe e o muçulmano.

Só mentes perversamente doentias e passíveis de responsabilidade criminal o fariam, tal o grau e a intensidade do dolo na preparação e na execução da guerra.

A guerra ceifou a vida a pelo menos cento e cinquenta mil iraquianos, segundo o relatório John Chilcot. Transformou o Iraque num inferno.

Criou condições para o aparecimento do jiadismo e a organização bárbara do Estado Islâmico.

Sem a guerra, o mundo árabe enfrentaria sérios problemas que se arrastam há décadas, mas não viveria esta desordem sem fim à vista que vai consumindo vidas por ações terroristas que continuam a ameaçar tudo e todos.

A vida no Iraque, no mundo árabe e muçulmano, é hoje bem pior de ser vivida que antes da invasão.

O mundo é muito mais inseguro.

Além de que a fundamentação para a guerra não passava de uma mentira repetida até á exaustão. Portas viu as armas de destruição massiva, regressado, então, dos EUA. Barroso, outro que tal, abriu os Açores à infâmia, hospedando os aventureiros do belicismo, envergonhando o país de Abril.

Espanta que Blair venha agora dizer que o mundo é mais seguro. O sentido de honra deste cavalheiro é próprio daqueles seres desprezíveis que abundam nas obras de Shakespear. Blair e Cª povoarão as páginas da História como seres desavergonhados ao serviço dos fabulosos lucros do mundo do petróleo.

Que ninguém se esqueça: A guerra violou a Carta das Nações Unidas, sendo ilegal. Barroso e Portas portaram-se como sargentos-ajudantes do trio dos fora da lei: Bush, Blair e Aznar. Envergonhando Portugal.

Isto é uma União? O que é a UE?

É tempo de fazer esta pergunta : que tipo de “união” é esta União Europeia? Os membros desta união são Estados, uns quase milenares, outros com séculos e ainda outros relativamente recentes, mas todos Estados representando essas mesmas nações.

Cada nação está impregnada de grandezas e misérias que constituem o magma mais profundo de cada uma delas; todas com essa carga histórica e presente que as diferenciam. Basta assistir aos jogos de futebol do Euro 2016…

Um projeto de união de países com graus muito diferentes de desenvolvimento requer um respeito profundo pela singularidade de cada qual e uma atenção especial para que os menos desenvolvidos ao entrar neste clube não sejam vistos pelos mais desenvolvidos como uma espécie de um conjunto pertencente a um outro escalão inferior.

A união não pode ser uma espécie de torniquete onde os mais fracos são espremidos a tal ponto que o futuro é ser o campo de férias dos mais ricos ou o local onde se pode pagar aos indígenas muito menos que aos da primeira divisão, como no sistema neocolonial instalado pela globalização.

Uma união, onde os mais poderosos por serem mais avançados do ponto de vista tecnológico pretendem manter esse estatuto criando normas que o consagrem, tirando partido das vantagens de um mercado que as suas empresas dominam, nunca será uma verdadeira união, mas uma cruel desunião que acabará mal.

O domínio de uma região poderá ser feito por via das armas, mas é, hoje, seguro ser mais eficaz se for feito a partir da economia, sem ser preciso dar um tiro.

Em termos de relações internacionais ninguém pode levar a mal que cada nação se defenda e queira assegurar para si e o povo respetivo um futuro digno; por isso, nunca se deverão aceitar regras que em vez de favorecerem esse desígnio, antes o impedem.

Do ponto de vista estratégico Portugal não pode pugnar por um isolacionismo que o penalize, mas deve aceitar permanecer num clube onde é remetido para uma espécie de divisão inferior?

Poderá haver (parece que há) algum português ou alguma portuguesa ( parece que sim ) que não queira que Portugal avance e crie condições para se tornar um país onde a maioria da população não tenha que ser sujeita a um tratamento de polé empobrecendo mais e mais para que países mais ricos da UE possam tirar partido da lusitana pobreza?

Portugal entrou para um sanatório com coletes de força em volta dos países contagiados pelo “pelintrismo”  ou para um clube de nações iguais, embora diferenciadas por todo um conjunto de elementos históricos e atuais?

Os alemães capitaneados pela grande imperatriz e os seus vizinhos parecem não querer entender que também não vai ser pela economia que vão dominar a Europa. A razão é simples: os outros que não são alemães ou beneficiados como eles não o querem e não querendo, não querem. Pode haver temor pelo futuro, haverá, mas é próprio dos humanos fazerem o seu futuro, mais tarde ou mais cedo.

É esta arrogância que faz muita gente desconfiar desta união e que leva a que a extrema-direita manipule demagogicamente sentimentos nacionais para angariar apoios e levar a água ao seu moinho.

É absolutamente inaceitável que haja dentro desta união uma espécie de países que estão acima das regras e outros sobre quem as regras se aplicam implacavelmente. Inaceitável. Será a desunião que vingará nesse pântano de desordem.

Pululam nos média comentadores muito “assustados” pelo facto de se não forem aplicadas sanções a Portugal alegando que UE perderá a credibilidade se as não aplicar; não levantando, entretanto, um dedo para fazer valer que os Estados na UE são todos iguais e que só no Conselho de Segurança da ONU é que há Estados com poderes que outros não têm.

Não é de agora que os que perderam a dignidade dão tudo e mais qualquer coisa para que os outros que a não perderam se assemelhem nesses comportamentos vergonhosos.

No texto publicado hoje, dia 5 de Julho, por José Miguel Tavares no jornal Público apelida de disparate criminoso a reversão das medidas do governo anterior de braço dado com o Sr. Schäuble e Cª no ataque ao governo português por ter a coragem de ter estancado a política de empobrecimento dos portugueses…

O império precisa de indígenas nas satrapias que o defenda. E tem-nos. Mas encontrará seguramente quem defenda o país respetivo, tal como os alemães defendem o seu. Há exceções. Sempre houve. Em todo o lado. Já não é novidade. É a tristeza repetida da condição humana na sua vertente ignóbil e rastejante.

Schäuble e Passos – Sem Emenda

Há políticos cujo horizonte não ultrapassa o da vidinha, o da submissão e o da mediocridade. No dia em que o braço direito de Passos, amigo de todos os negócios e arranjinhos, viu anulado o curso que “arranjou” na Lusófona, decidiu, na esteira de Durão Barroso, ir de encontro às palavras insuportáveis do sátrapa de Berlim para a Ibéria e declarar que se o zelador-mor da austeridade para os pelintras disse o que disse acerca das sanções, é porque o incumprimento das regras por parte do governo de Costa o justificava.

Passos passa por cima do facto das eventuais sanções decorreram da sua ação governativa e do facto de não ter feito outra coisa que não tivesse sido o que o Sr Schäuble lhe impôs, ou , se quiserem, nem foi preciso impor, tal era a comunhão.

Passos sabe que a sua força não está em Portugal, tal como a Sra Dra Maria. Por isso saltam de alegria quando os governantes alemães dão ares de ralhar e ameaçar este país velho de tanta História.

O mundo é dos espertos como se tem visto. Estão sempre a fundir interesse nacional com a carteira. Tecnoforma com empreendedorismo. BPN com donos disto tudo. São os que dedicam à política para dar outros voos, como se pode ver pelos postos que ocupam ex governantes em certas instituições.

Portugal também é um negócio para estes políticos. Quem manda na Europa é quem pode e quem pode é quem arranja a vida a quem deles precisa a troco de bocados deste quadrado; belos negócios que se sucedem sempre às intermináveis reformas estruturais: privatizações, flexibilidade laboral, cortes nas despesas e aumentos “salariais” dos gestores.

Passos espalhou-se na sua ânsia de agradar e cobrar algum dividendo das declarações do Ministro das Finanças da Europa, perdão da Alemanha. A ansiedade não é boa conselheira. Espalhou-se.

Não se sabe se o outro, o da Bayer, se espalhou ou se foi o modo de minar o caminho a Portugal. É da praxe. Não foi bem o que disse, emendou.

Ora se o outro “emendou” a bazucada , Passos correu logo e também corrigiu o que disse, aliás, no mesmíssimo registo do outro.

Não era só o Dr Gaspar que olhava embevecido o Sr Schäuble. O Dr Passos não lhe fica atrás, nem acerca dos incumprimentos, nem nas emendas requentadas.

Todos sem emenda.

Sem Vergonha e Alma – Barroso

Durão Barroso defendeu no seu estilo destemperado que as sanções a aplicar por Bruxelas contra Portugal dependiam do que fizesse o atual governo português; sabendo que as ditas sanções se destinam a punir Portugal devido à ação do anterior governo de Passos e Portas.

E sabendo ainda que as políticas seguidas e que conduziram àqueles resultados foram as impostas a Portugal pela Comissão, pelo BCE e pelo FMI.

Barroso inverte totalmente as premissas que estão na origem da discussão em Bruxelas das sanções para agradar aos alemães que segundo ele são os únicos que fazem algo pela Europa, o que é notável para um globetrotter do “stablishment”.

Ora por mais voltas que se dê ninguém esquece o amor do Sr Schäuble à ação de Passos e Portas que levou ao que levou e à acrimónia contra Costa. Pois.

Barroso sabe onde está o poder de punir Estados: na capital do império, em Berlim,  e sabe que quem manda é Merkel e voilá… O que espera Barroso de Merkel? é caso para perguntar.

O que espanta (talvez não) é esta declaração de amor à imperatriz neste preciso momento, distanciando-se à bruta de Cameron tendo estado sempre com o Reino Unido (guerra do Golfo) e lançando uma ponte para a grande capital teutónica sustentada numa declaração de ataque ao governo do seu país e ajoelhando perante a chancelerina.

Quem tem ganho com o euro é a Alemanha que continua interessadíssima em ir buscar dinheiro aos mercados sendo paga por isso, enquanto os pelintras têm de o pagar a preços exorbitantes e segundo Schäuble novos resgastes se esperam para que nunca, nunca mais Portugal e a Grécia e outros levantem a cerviz.

Barroso acha que é esta política que dá prestígio à Alemanha e à UE. É a sua opinião. Exatamente no dia em que acha que as sanções dependem de Portugal e deste governo, embora digam respeito á ação do governo que benzeu e apadrinhou.

Barroso no seu melhor: por um poder algures dá tudo, até o que já não tem – vergonha e alma.