O SUDESTE ASIÁTICO, CORAGEM PATRIÓTICA PRECISA-SE

 

Um país é o que foi e o que pretende ser. Para construir o presente e o futuro o seu passado faz parte desse objetivo. Na História de Portugal encontram-se linhas que são auxiliares do percurso do país quanto ao seu futuro.

Uma linha que se descortina é a dificuldade de se afirmar na Europa. Tinha à frente os poderosos reinos de Castela, Leão e Aragão e o que se lhe seguia até à poderosa Inglaterra. O ultramar seduzia o periférico Portugal: África, o Oriente e a América aí estavam para lhe dar força no quadro europeu e mundial. Esta linha começou a ser gizada após consolidação da independência. A partir do século XV é uma constante. Levada ao extremo pela loucura colonialista de Salazar e Caetano que transformaram uma visão universalista da política externa portuguesa numa política de total isolamento internacional a pontos dos aviões portugueses não poderem sobrevoar a maior parte dos países africanos. O império impedia Portugal de ter peso no mundo no século vinte e sobretudo após a segunda guerra mundial.

Há quem defenda que o mundo conquistado por Portugal na fase dos Descobrimento era tão grande e pesado que lhe caiu nos pés e nunca mais nos deixou ser uma nação que fosse capaz de se desenvolver e afirmar-se na Europa e no mundo.

Certo é o facto de ao longo de toda a sua História a Europa ter sido sempre um obstáculo à afirmação de Portugal como país com peso continental. Foi na senda africana, asiática e americana que Portugal ganhou peso na Europa.

Quem tem a possibilidade de viajar pelo mundo encontrará presença portuguesa nos vários cantos do mundo.

Foi com imensa emotividade que em Malaca, Malásia, no quarteirão de descendentes de portugueses, encontrei, no mês de Julho, nos seus habitantes o seu profundo orgulho pela vitória de Portugal no Euro 2016. E curiosos acerca do que se passa no nosso país.

Quando alguém avisou na pequena comunidade piscatória que havia ali portugueses logo apareceram a dar conta do seu orgulho e da sua fé cristã.

Deram conta dos festejos da vitória portuguesa no Euro 2016 e da grande festa de São João que fazem todos os anos com a procissão como se fazia no tempo dos portugueses.

Na Birmânia, hoje Myanmar, na região de Bagan, Maniwa e Mandalay há também influência de descendentes portugueses, embora a sorte dos primeiros portugueses naqueles reinos não fosse a mais feliz.

Por volta da conquista de Malaca por Afonso Albuquerque em 1511 é enviada ao reino de Sião coma capital em Ayuatthaia uma missão diplomática para o estabelecimento nesta cidade de pequenas comunidades portuguesas e aí foram construídas igrejas, uma das quais se mantem, a de S. Domingos.

Tendo em conta a forte relação de Portugal em Timor-Leste e a importância de Singapura e Malásia na política daquela região, qualquer política externa portuguesa que se pretenda digna e adequada à situação portuguesa passa por recolocar no radar estes países.

Em Malaca as pessoas pediram-nos para que Portugal não os abandone e se lhes envie professores de português para manterem a língua, o que não sucederá se o governo português não o fizer.

Um maior investimento e aproveitamento das possibilidades numa região com alguns países em sério crescimento ajudaria Portugal a diversificar as suas relações e a criar melhores condições para se afirmar, sobretudo contrabalançar a grande dependência da União Europeia em termos de importações.

Por isso tirar vantagens da nossa História e de uma conduta universalista em detrimento de um afunilamento para a zona euro em crise e com os poderosos desta zona a atarraxar os mais frágeis no torniquete da austeridade para salvar os bancos desses países é fundamental.

Uma abertura de espírito para estes países, aliada às potencialidades dos países de língua oficial portuguesa, é uma questão vital para a nossa República.

É um dever patriótico não desperdiçar o que os nossos antepassados construíram de bom por este país em situação tão difícil do ponto de vista das suas dependências.

Haja coragem, firmeza e inteligência na defesa de Portugal e ter consciência que o afunilamento das relações externas nos faz mais pequenos e frágeis face aos Schäubles e às Merkeles e aos burocratas desta Europa sem alma.

domingos lopes

 

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