Obama/Castro – Tão Longe e Tão Perto

Obama visitou Cuba. A última visita de um Presidente dos EUA tinha acontecido há oitenta e oito anos.

O país de José Marti recebeu condignamente o poderoso vizinho, por sinal um afro-americano.

Obama visitou a fantástica Calle Obispo e deve ter visto a espontaneidade contagiante dos cubanos. E na Praça da Revolução deve ter recuado à sua juventude.

Muitos perguntam – Quem ganhou ou quem vai ganhar?

Vão ser escritos livros, teses, tratados para responder a esta questão. Seguramente. Porém há uma questão anterior a esta – porquê só agora? Era possível continuar assim?

Do lado cubano a resposta é um pouco mais clara, a ida de Obama abre possibilidades.

Do lado dos EUA há que esperar pelas próximas eleições presidenciais. Percebe-se a vontade de Obama deixar a via aberta, mas Trump já disse que a fechava, no caso de as ganhar.

Cuba tem vindo a evoluir e há sinais claros de num sentido de uma abertura controlada. Às vezes o tempo é inimigo das melhores intenções e nunca se sabe o que pode acontecer se a pressão se descontrola.

Falta acabar com o bloqueio e com a prisão de Guantánamo, mas é melhor ir a Havana cumprimentar Raul que ficar na sala Oval. É seguro que sem o fim do bloqueio não há relações baseadas na igualdade entre Estados.

Cuba vai evoluir para uma abertura económica, colocando-se a questão de saber como se passará no domínio das instituições políticas. Continuará a ser o Partido Comunista de Cuba o único ator político? Quererá Cuba seguir um caminho parecido com o da China? Só que Cuba não tem o peso de um gigante como a China, embora as elites cubanos sejam sofisticadas e tentem por via de uma melhoria substancial das condições de vida da população encontrar uma legitimidade que lhes escapa em termos concorrenciais.

Para já Obama e Castro cumprimentaram-se no Palácio da Revolução. Ambos sorriram para a fotografia. Na cabeça de cada um ter-se-ão agitado ideias distintas e ao mesmo tempo convergentes. O certo é que ambos sabiam que estavam a fazer História que vai acelerar. Haja coragem! E venham os passos que conduzam à total normalidade entre os dois vizinhos.

O Grande Mufti, o Cheique e os Ovários

A notícia divulgada, esta semana, num jornal marroquino deu conta que a tripulação de um avião do Sultanato do Brunei integralmente constituída por mulheres aterrou em Djedda na Arábia Saudita, no dia 23 de Fevereiro, pilotando um Boeing 787 Dreamliner.

Tratava-se de um voo para comemorar o aniversário da independência daquele país. No mundo muçulmano, ao qual o Sultanato pertence, colocar nas mãos de três mulheres um avião cheio de homens e mulheres é um facto relevante.

A comandante e as duas co-pilotos após a aterragem do avião deslocaram-se para o exterior do aeroporto e quando se preparavam para conduzir os veículos colocados à sua disposição foram proibidas de conduzirem porque na Arábia Saudita as mulheres não podem conduzir.

O cheique Saleh AL Luhaidan afirmou que as mulheres que violem estas regras correm o risco de ter filhos anormais devido à pressão sobre os ovários quando conduzem.

O grande mufti, Abdul Azis Abdillah Ali ash- Shaykh argumentou que a proibição se destinava a “proteger a sociedade do mal”.

Mil trezentos e oitenta e quatro anos depois da morte do profeta Maomé, o cheique Saleh devia considerar a hipótese de pelo facto do seu pai ter andado em cima do cavalo, ou do camelo ou sentado a conduzir, ter sofrido pressões sobre os testículos (bem mais no exterior do corpo que a dos ovários) e as mesmas terem tido alguma influência no cérebro do então feto, hoje chefe religioso.

O grande mufti, por outro lado, não esclarece se o mal reside no facto de se conduzir carros e não camelos por exemplo, ou no de as mulheres poderem conduzir.

Dizem os homens sauditas, agradecidos ao grande mufti, que se as mulheres conduzissem podiam provocar um grande mal aos homens –afastarem-se deles a uma grande velocidade, dependendo da cilindrada dos carros.

Sendo o Brunei muçulmano tal como o Irão ou o Paquistão ou a Indonésia ou Marrocos ou a Síria, estranha-se que adorando o mesmo deus, este, a uns autorize a condução e àquele que tem muito mais dinheiro e possibilidades que os outros deixe mais de metade da população à boleia.

É ponto assente que estes chefes religiosos sauditas, filhos de mulheres com os ovários bem protegidos, não cuidaram da parte do cérebro que não está sujeita a pressões, mas apenas a ideias e se lá se depositaram estas sobre os ovários o cérebro vai ficou inundado delas, impedindo a captação de outras.

Só uma sociedade de tipo tribal, retrógrada, a raiar o Califado, é capaz de semelhantes atoardas contra a cultura, a igualdade e a vida em comunidade.

Os dirigentes do Estado Islâmico para além das ajudas em espécie podem encontrar nestes paladinos da proteção inspiração para imporem o seu reino de terror.

São estes dirigentes que, no início do ano degolaram quarenta sete opositores, que fazem chorudos negócios com o Ocidente. E a quem os EUA, A França, a Alemanha, o Reino Unido, a Itália e outros juram fidelidade de parceiros.

A Arábia Saudita pode gastar dinheiro em armamento como quem colhe areia no deserto e pegar nessas armas e distribui-las aos seus agentes na Síria, no Iraque, e pode enviar os seus aviões a bombardear o Iemen ou socorrer os seus pares no Golfo quando as ondas da democracia chegam àquelas paragens.

Este país tem uma riqueza enorme debaixo das areias do Sahara e uma pobreza incalculável de espírito e de civilização dentro das cabeças dos seus dirigentes.

As mulheres muçulmanas do Brunei que levaram no avião homens sauditas e outros , conduzido-os com a mesma segurança dos homens sauditas pilotos de aviação.

É quase certo que muitos homens sauditas teriam adiado a partido se soubessem que seriam pilotados por mulheres. Não era por nada, era por não quererem mal aos ovários das mulheres do Brunei…a compressão dos ovários a dez mil metros de altitude é terrível, mas terrível, terrível é a cabeça destes cavalheiros.

Infeções a Mais nos Hospitais e Tribunais

Os média deram conta no dia 16 deste mês que todos os dias morrem doze portugueses com infeções hospitalares.

Por motivos diversos, alguns perfeitamente evitáveis, uma parte dos portugueses que vão aos hospitais para serem curados, saem mortos.Sublinha-se uma pequena parte, mas significativa apesar de tudo; doze mortos por dia é algo que assusta.

O problema apenas começa naquele momento para os herdeiros do falecido; a justiça portuguesa padece das mesmas bactérias e vai infetar com outras bactérias o tecido comunitário onde residimos e que é a base da nossa justiça.

Quer entre moribundo ou lúcido ou atordoado o cidadão ou seus herdeiros têm de saber provar aos senhores juízes que a infeção contraída no estabelecimento hospitalar resultou de um ato culposo do enfermeiro ou do médico.

Imaginemos que o paciente é sujeito a uma punção para lhe retirar sangue para um conjunto de análises e no ponto da punção infiltra-se uma perigosa bactéria hospitalar. Cabe ao desgraçado vítima da punção provar que quem colheu a amostra agiu com culpa e desvirtuou a leges artis, mesmo havendo uma perícia médica que conclua que foi aquele o ato que provocou a infeção bacteriana que levou o paciente às portas da morte… Chama-se a isto responsabilidade extra contratual que existe no Serviço Nacional de Saúde.

É grave que nos hospitais morra tanta gente por motivos evitáveis; porém é ainda mais grave que na chamada à responsabilização dos maus profissionais do SNS, os infratores se escondam num sistema iníquo e que privilegia a incúria e a irresponsabilidade dos profissionais de saúde que agem com culpa e obriguem os cidadãos indefesos à prova diabólica de adivinharem onde o profissional agiu com essa culpa.

Uma coisa é a bactéria que entra de modo inevitável, outro é a bactéria que resulta de condutas perfeitamente evitáveis.

Que pode dizer o cidadão A. acerca da seringa utilizada pelo senhor(a) médico(a) ou enfermeiro(a) B.? Como pode saber se a seringa estava devidamente desinfetada e se não estava de quem é responsabilidade?

Há infeções a mais nos hospitais. E nos tribunais.É preciso uma lavagem das infeções hospitalares e nas mentalidades reinantes nos tribunais e nos legisladores.

Ó Tempo Volta para Trás

NOTA FEITO DE UM COMENTÁRIO

acompanho e leio com muito interesse o que escreve e, na esmagadora maioria das vezes, não hesitaria em subscrever por completo.
é amigavelmente, portanto, que lhe quero chamar a atenção para um lapso. a canção “ó tempo, volta para trás” não foi celebrizada (creio que tão pouco cantada) pelo tode ny de matos, mas sim por antónio mourão, de quem, aliás, não se conhece mais nada de significativo. tony de matos, goste-se ou não, estava num nível um bom pedaço acima.
a intenção não é a de vir “em defesa” de tony de matos, apesar de pessoalmente achar mal avaliado no nosso panorama musical em geral. isso seria outra questão, que não é para aqui chamada. aqui é mesmo, e tão só, a de amigavelmente apontar o que julgo ter sido um lapso.
castro guedes
De todo o coração dou a mão à palmatória. Erro, erro meu. Merda.

É verdade, como pude confundir? Que dirá o meu amigo Vitorino?

Obrigado

domingos lopes
 Os títulos e as notícias andam por aí – Passos Coelho e o PPD/PSD, e Assunção Cristas estão de volta e a “bombar”.

Assunção Cristas, a nova líder do CDS, ex-Ministra da Agricultura e Mar, agora na oposição vai resolver os problemas que não resolveu e criou.

Censurando veementemente o governo e o Orçamento que lhe faz …”lembrar as crianças no recreio…” está preparadinha para governar com o PS e ou com o PSD. É para que lado for o pendulo.

Passos Coelho está pronto para governar e a faz visitas a empresas, a unidades de cuidados intensivos e a escolas, levando na lapela o pin de Portugal, com uma caterva de jornalistas que bate o atual Primeiro-Ministro. E fala (deve ser do hábito que lhe custa a sair) como se ainda fosse o que não é e diga-se, em abono da verdade, que a própria voz outrora poderosa se adocicou um pouco.

O PSD secou e só tem (para já) o que tinha – Passos e os adivinhos implantados na imprensa a bombar contra Costa.

Vem aí o Congresso do PSD e o partido tem um trunfo – Passos, nada mais; o resto, a existir, o que se admite, é como se não existisse. Quais são as ideias do PSD para esta nova fase da vida nacional? Parece, pelo que se vê, e vê-se muito por tudo quanto é notícia, tem o famoso fado do Tony de Matos – Ó tempo volta para trás! E na verdade tudo o que o PSD pede é Passos em S. Bento. Só que se o tempo voltasse não teria Portas e Cristas ainda ande na cabeça no ar a ver de onde vem o zéfiro.

Teremos um Congresso a aclamar um líder derrotado e que passados três meses e picos de novo governo ainda não deu conta que já é tempo suficiente para mudar de agulha e não se comportar como se ainda fosse governo.

A velha ideia de castigar os lusitanos por viverem acima das possibilidades tirando-lhes de tudo um pouco volta agora sob a forma de agoiro: vão ver quando eu lá chegar, vão ver; eu é que tinha razão.

E para tanto há uma espécie de destrambelhamento agudo: Passos veio esclarecer que nunca disse que era preciso sair da zona de desconforto e que não era preciso sair do país para ir à procura do sustento com o mínimo de dignidade; nem nunca disse que era preciso os portugueses serem …”menos piegas…” e … “menos preguiçosos…”. O que ele disse, melhor, o que lhe saiu pela boca vindo das cordas vocais situadas na garganta resultou de um exorcismo descontrolado da alma alemã que ele albergava algures.

Ele um transmontano de Vila Real habituado a trabalhar de sol a sol na Tecnoforma a vigiar aeroportos mais o seu amigo do coração, um impoluto cidadão, o Sr Miguel Relvas, que devido à carga horária nunca foi capaz de fazer em toda a sua vida uma cadeira na Faculdade de Direito, jamais acharia que os portugueses eram “autocentrados” a quererem…” divertir-se no Carnaval enquanto quem emprestava dinheiro estava a trabalhar…”.

Aquilo que ele disse foi a tal alma alemã que nele se implantou quando em Berlim achou que os alemães nunca deveram nada a ninguém e nem têm Carnaval a sério como por exemplo o de Düsseldorf, Colónia, Bonn, Aachen ou Mainz… Os alemães da Alemanha são levados da breca para gozar o Karneval…Os alemães de Portugal são uns preguiçosos, só pensam na diversão e é o que se vê.

E portanto Passos a caminho da coroação no Congresso vindouro do PSD esfarrapa-se para explicar que é melhor que o António Costa e desde logo porque em nenhuma circunstância ele faria o que Costa fez – um acordo com deputados do Parlamento dos partidos das esquerdas.

Ao contrário de Passos, Portas eclipsou-se; foi à vida…para já. Vem aí a Assunção Cristas com um ar maternal e cheia de bom senso reclamar soluções para a Agricultura e para as Pescas, problemas que ela nunca teve possibilidade de ajudar a resolver.

E em entrevista ao Público do dia 28 de Fevereiro, revelou aquilo que no CDS é o segredo mais bem guardado: o CDS está disponível para ir para o governo com o PS e PSD …já que o tempo parece não voltar para trás.

O que se está a passar é digno de relevo: um ex-Primeiro-Ministro foi derrotado e formou-se um novo governo e talvez devido à inércia as grandes notícias vão para o que foi derrotado e que fica a “bombar” para resolver a crise que não resolveu.

A força do compromisso Passos/Portas era a estabilidade que Portugal apresentava. E espantemo-nos, pois o novo governo tomou posse há pouco mais de três meses e ainda não resolveu os problemas do país…

Passos apostou na austeridade, no empobrecimento do país; Costa aposta em pôr termo aquela austeridade e em devolver rendimentos.

Por isso Costa tem o apoio das esquerdas e o combate da direita coligada com os eurocratas ao serviço dos mercados internacionais.

Choca que as notícias sejam tão enviesadas que escondam que Passos não tem  um programa e apenas uma ideia – voltar a ser Primeiro-Ministro: anda de Caifás para Pilatos e Anás, a mostrar-se que não é – Primeiro-Ministro…à espera de o ser. Ó tempo volta para trás!

O CDS em Reciglagem: Limpinho, Limpinho

Vivemos um tempo em que o presente se destina a fazer desaparecer o passado, incluindo o recente, a fim de criar no quotidiano uma nova mensagem cuja sustentação nada importa.

O CDS que esteve orgulhoso com o PPD/PSD no governo cuja linha era empobrecer os portugueses e durante quatro anos teve a responsabilidade direta da Agricultura e Pescas, da Economia, Segurança Social acabou de realizar o seu Congresso e eleger Cristas para substituir Portas.

Cristas foi uma importante ministra na coligação derrotada e Mota Soares o Ministro da Segurança Social, Pires de Lima na Economia e Portas Vice-Primeiro.

O CDS teve quatro longos anos para mostrar o que valia. Não mostrou nada que o diferenciasse do PSD; a única vez que o fez armou uma crise tremenda e trocou uma suposta diferença por um posto de Vice-Primeiro…De resto andaram juntinhos, juntinhos, no governo e no Prá Frente Portugal. Tudo limpinho, limpinho.

Cristas anunciou que quer uma reforma na Segurança Social…agora! É preciso lata, então que esteve a fazer no governo? A contra reforma.

Na Economia que fez para além da sobranceria na gestão das privatizações? E na Agricultura e Pescas?

O CDS esteve hibernado à sombra do PSD ou esteve a dirigir ideologicamente o PSD ou a fazer os dois papeis em simultâneo e acordou no Congresso para descartar implicitamente o passado criando um redemoinho de nada para esconder as pegadas políticas ao serviço do governo PSD/CDS.

O mais espantoso deste circo armado em Gondomar é o tratamento dos meios de comunicação social deste congresso. O “show must go on” e venha daí uma mulher com …”o passado a aplaudir o futuro…”

Alguém que tratou o PS abaixo de cão, que o ridicularizou até ao delírio, quer agora acordos com o PS na pasta que teve durante quatro anos? Vejam lá.

Que pensaria Passos Coelho de Assunção Cristas quando ouviu estas declarações? Que amigos que nós éramos…

Nova corrida, nova viagem. Foi embora o “jarrão chinês” devidamente equipado com visto e vem agora a mulher do passado com futuro, mesmo que o passado esteja em total contradição com o presente. O que conta é mesmo o poder. E para atingi-lo vale tudo. Incluindo juntar-se ao PS…para o CDS o PSD é coisa do passado se o PS quiser; se não quiser o PSD é o futuro de um partido que nunca assume que fez o que fez; só o que não fará.

O Insuportável Peso da Ingerência dos Desalmados Schäuble e Moscovici!

A crise financeira provocada pela incapacidade do sistema financeiro de se conter e por ter erigido a especulação no seu modo de vida teve como consequência por parte dos Estados irem em socorro dos bancos impondo sacrifícios às populações fazendo-as pagar em boa medida essa crise.

A União Europeia que há muito virara o rumo para o liberalismo aproveitou o momento para se juntar ao FMI e fazer aplicar um vasto plano de austeridade e empobrecimento aos países mais débeis do ponto de vista económico.

Para salvar os bancos que tinham créditos de difícil cobrança através de avultados empréstimos conseguiu fazer chegar carradas de dinheiro a Portugal que logo saiu para as mãos desses credores aflitos.

Foram celebrados Memorandos de Entendimento que não eram mais que ordens sobre os governos que os assinaram. Viveu-se um período de ordem excecional. Os portugueses não mandavam em Portugal; se é que mandam.

Cumpridas as metas dos credores pensava-se que os mesmos se remeteriam ao seu papel de cobradores de dívidas.

Não é assim. A Comissão Europeia quer continuar a mandar em Portugal, independentemente da vontade do povo soberano.

Não há vontades soberanas; há diktates. Ou tomam medidas ou os mercados fazem as taxas de juro subir . Que interessou à chancelerina que os gregos tivessem rejeitado as imposições da Alemanha. Quem manda pode e quem pode manda. A Alemanha manda na UE.

E o Primeiro-Ministro de Portugal que se cuide – chegará na próxima quinta-feira o Sr Moscovici, um socialista francês, Comissário Europeu para as Finanças, para dizer onde António Costa tem de cortar. Mais nada.

Antes do socialista francês chegar o Sr Schäuble deixou claro que o governo de António Costa tem de cortar e continuar na linha do anterior. O senhor não quer saber de eleições, nem da vontade dos portugueses; o que lhe interessa é a Alemanha e os mercados.

A política que o diretório da UE está a fazer passar para os países é esta: podem continuar a fazer eleições que para nós o que conta é o que vocês têm de aplicar; mudem à vontade de governo, mas não pensem em mudar de rumo e de política.

Na UE não lugar para políticas que “irritem” os mercados. Mas não foi o sistema financeiro que criou esta crise? Foi, mas apesar disso eles mandam nas instituições da UE e nos chefes de governo de toda a EU.

Os mandões da EU passaram a tratar os países como se fossem devedores e a relação que pretendem estabelecer é a de não há outra linha de ação a não ser a definida pela Alemanha. Quem não aceitar o rigor alemão para os outros países irá à bancarrota, pois os mercados farão os juros dispararem e impedirem por essa via de ter acesso ao quer que seja.

Esta é a base da cooperação que a Alemanha, a França, a Holanda, a Finlândia e outros querem aplicar – ou aceitas ou aceitas – ; se não aceitas- rua!.

O anúncio na segunda feira do Sr Moscovici que irá fazer ver na próxima quinta-feira a António Costa e a Centeno para impor cortes é uma afronta a todo o povo português e aos partidos que aprovaram este Orçamento, a todos os patriotas.

Espera-se de todos os patriotas que o sejam. Os que esfregam as mãos de contentes porque a sua força não está em Portugal mas na capacidade dos credores esmifrarem os portugueses que se lembrem que a vida de uma nação está muito para além de um Tratado, de um diktat ou de uma relação comercial.

Portugal pode vir a ter problemas muito sérios e graves. Pode ficar durante algum tempo à mercê de alguns agiotas burocratas sem alma; lá poder pode. Mas não será para sempre. Alguém há de dizer que não. E vai dizer. Esta UE não serve. Ou de outro modo serve para os grandes imporem aos pequenos as suas ordens e a alguns portugueses feitos com esses donos de tudo isto viverem dos sacrifício e da desonra imposta a uma pátria com mais de novecentos anos.

Mas isso será uma parte da História. A outra que está por fazer e está nas mãos dos portugueses mais cedo ou mais tarde será outra. Ai daqueles cuja força política provem dos agiotas. Ai o destino!

Maria Luís no Sítio Certo à Hora Certa

A Dra Maria Luís de quem muito pouco se tinha ouvido falar, e que Passos Coelho descobriu, entrou na política com aquele ar triunfal e lampeiro de quem finalmente passou a pertencer ao Olimpo do poder.

A Sra Dra tem aquele ar meio-madalena-meio-atrevido de quem sabe ao que anda a fazer na vida e conhece o destino traçado no estágio governamental em direção a outros voos.

A ex-ministra das Finanças está a recolher a sementeira de experiência que colheu à frente das Finanças de Portugal (que ainda não é bem um conglomerado de empresas) e não passou despercebido à Arrow Global. Foi o que esclareceu o big boss da Arrow. Ela é uma mais- valia, disse ele.

O Sr Professor Vitor Gaspar não tinha aquele ar lampeiro; era mais reservado, fazia as coisas baixinho, pela calada. Um exemplo: nunca se saberá se tinha os cofres cheios como proclamou a Sra Dra …Se tivesse era como se não tivesse, dito de outro modo – se tivesse esperaria que o Primeiro dissesse o que se faria com tanta fazenda. A M. Luís é que dizia ao Dr Passos quando anunciava a boa nova.

A Sra Dra não era para meias tintas: os cofres estavam a abarrotar, cheias de cotulo, já lá não cabia um tostão…e até o Dr Portas se rendia à capacidade de encher cofres da Sra Dra.

Claro que para os cofres se encherem, de acordo com o princípio dos vasos comunicantes, alguém teria de ficar sem o vil metal, depois de Passos declarar o empobrecimento generalizado sacando parte do rendimento excessivo dos portugueses.

Havia que desnatar a parte do muito que os portugueses tinham para o entregar direitinho aos credores internacionais que faziam Cavaco Silva dormir mal porque para ele havia que pagar até ao último tostãozinho. E para repor os buracos astronómicos que os bancos foram criando ao serviço da sua nobilíssima atividade de confundir especulação com serviço de crédito. Com os bancos e com os credores não se brinca e muito menos se deve irritá-los… Um mercado irritado é bem pior que sabe-se o quê…Um tsunami. Talvez. Os mortos devido à miséria e fome assim o dizem.

Foi no consulado da Sra Ministra que foi concedido ao Banif as centenas de milhões de euros dos contribuintes portugueses fazendo chegar ao banco dinheirinho fresco dos cofres de cotulo para o Banif o espatifar em tudo o que se metia…

Claro que lhe foi fácil chegar a acordo com uma empresa benemérita como é a Arrow Global e vender-lhe uma quantidade de crédito mal parado por uma bagatela recuperando a bagatela e dando à filantrópica Global uma soma a sério, tipo uma pipa de massa.

Naturalmente que uma generosidade deste calibre não passou despercebida à Arrow que a foi recrutar para os seus quadros com vencimento superior ao de deputada, cem mil euros anuais, bem abaixo das suas possibilidades.

O que são cem mil euros por participar em meia dúzia de reuniões comparados os quinhentos euros por trinta dias de salário, cento e sessenta horas de trabalho…nada. O mundo é para quem nele sabe subir…como se pode subir com quinhentos euros? Não se pode, só descer aos infernos da vida.

A Sra Dra mantem-se no seu lugar da AR na medida em que não lhe passa pela cabeça que os seus patrões da Arrow lhe exijam em fidelidade ao empregador, pois é certo e sabido que a Sra Ministra sabe que na Assembleia da República não tem esse problema porque o Dr Ferro nunca lhe apresentou o patrão e não o fará, daí só ter um a quem pode eventualmente ter dever de lealdade.

A Sra Dra é uma cidadã tão acima de qualquer suspeita que não compreende a atitude algo invejosa do seu correligionário Marques Mendes que a criticou no quadradinho da SIC.

Nem compreende o azedume de Manuela Ferreira Leite que sem qualquer sentido de fura-vidas achou que a Dra M. Luís não era possuidora de bom senso, quando ela sempre considerou que o bom senso lhe impunha o dever de receber mais de cem mil euros por ano sem cortes, tendo em conta que aquele dinheiro embora indiretamente tenha proveniência do setor público (considerando o que a Arrow ganhou no Banif) a verdade é que o dinheirito não virá do Estado, mas sim da City.

A Dra Ferreira ainda esperou quase um ano para ir para a administração do Santander… uma questão de meses para aquilatar do bom senso.

No fundo, bem no fundo, a Dra M. Luís não fez mais que investir no cargo governamental e de acordo com o empreendedorismo apregoado por Cavaco e Passos Coelho rentabilizá-lo no serviço privado.

A ela, ao Prof Vitor Gaspar, na esteira dos grandes patriotas Catroga, Mexia, Ferreira do Amaral, Murteira Nabo, e tantos outros excelentes gestores, o que interessava era não deixar escapar a oportunidade e, por isso, estavam à hora certa, no local certo, á espera do carteiro – felizmente a carta chegou. E temos administradora. Voilá.

 

Paula Teixeira da Cruz – Um Susto Nunca Vem Só!

Para exercer o cargo de ministro é preciso ter estaleca e aguentar o exercício. O poder democrático está em permanente confronto com a comunidade.

Para tanto o ministro tem poderes tais que o seu exercício mexe profundamente na vida dos cidadãos. Pode beneficiar uns e prejudicar uma imensa maioria ou o contrário.

Quando o chefe governo chama alguém para um dado ministério sabe quem escolhe e conhece o perfil, a endurance, a capacidade, a competência, a robustez psicológica, a resistência às pressões, a honradez e tudo o mais que um cargo desta responsabilidade exige.

É assim natural, decorre das experiências governamentais, que um ou uma ministro(a) tenha a proteção que o próprio Estado lhe “imponha”.

Causou estranheza a entrevista da Dra Paula Teixeira da Cruz à revista Sábado.

A residência de uma ministra deve ser criteriosamente guardada por motivos os mais diversos, isto é, não só pela defesa da integridade física da senhora ministra, como também pela proteção dos titulares do Estado e do próprio Estado, pois é certo que um ministro(a) saberá de assuntos que não podem cair na praça pública.

O cargo de titular da pasta da Justiça é demasiado importante para que quem o desempenhe não tenha a proteção adequada e conveniente. A ministra da Justiça gozará por parte dos serviços de segurança do Estado de uma proteção tal que a sua residência não ficará à mercê de qualquer criminoso nacional ou estrangeiro.

Uma ministra não poderá ver a sua casa devassada – assuntos de altíssima importância de Portugal e da própria União Europeia poderão ficar em mãos indesejadas e além do mais serão alguns deles reservados.

Uma ministra não pode abrir o correio; é dos livros. Alguém o abrirá e o entregará ou destruirá segundo protocolos rígidos do Estado.

Uma ministra não pode acordar e dar conta que foi vítima durante a noite de alguém que lhe foi fazer golpes no braço esquerdo!!!, pois isso significa que a titular daquele cargo está à mercê de qualquer tarada(o).

Uma ministra que está em sua casa e lhe lançam raios laser!!! na cabeça não está segura e é de novo o sistema de segurança que está em causa.

A ministra da Justiça não pode ser equiparada a uma estrela de rock; é detentora de segredos e de conhecimentos que devem merecer a maior reserva até serem do domínio público sob pena de poderem cair em mãos criminosas e serem usados para fins contrários aos pretendidos.

A família de uma ministra tem de estar protegida, sobretudo quando se verificam situações de violência.

Por todos estes factos que são uma espécie de ABC de qualquer serviço do Estado custa a imaginar que a Sra Dra Paula Teixeira da Cruz tenha sido vítima das ameaças que relatou à Sábado.

Não havendo razões para crer que a Sra ministra não falou a verdade é caso para perguntar: o Sr Dr Pedro Passos Coelho, Chefe do Governo, o que andava a fazer?

Ou sabia ou não sabia o que estava a suceder à ministra. Se sabia tinha o dever escrupuloso de criar as condições necessárias para que a sra ministra não fosse vítima do que diz ter sido.

Se não sabia porque só agora a Dra Paula revelou é grave e constitui uma séria violação dos seus deveres para com o Primeiro-Ministro e o conjunto das instituições que têm de zelar pela segurança.

Se lhe comunicou e mesmo assim aconteceu o que ela diz ter acontecido é infelizmente prova de que os ministros em Portugal estão à mercê de qualquer bando de criminosos.

Venha o diabo e escolha. Um susto nunca vem só.

Os Boys and Girls dos Mercados -O Destino de Maria Luís e Vítor Gaspar e Cª

Gaspar tinha aquela voz de alcatifa caríssima que abafa o ruído do calçado, pois nada pode perturbar quem está a pensar na obtenção do lucro, voz que só por si afraca os outros.

Quando saiu e irrevogavelmente entrou a Maria Luís que tem um ar todo despachado, tipo vai tudo à frente na defesa do Sr Schäuble, dos mercados, dos credores internacionais, do Eurogrupo dava para ver que ia longe.

E foi. Direitinha ao Arrow Global. Tão certo como terem sido empresas do grupo a negociar com ela quando representava o Estado português como principal acionista do BANIF.

A Whitestar e a Gesphone e a Carval, todas do grupo Arrow, negociaram e fizeram excelentes negócios com o BANIF, talvez melhor que o do Santander que vai receber mais do que o que pagou pela “compra” do BANIF.

A Maria Luís vai para lá depois de ter estado onde esteve e achar normal porque não vai para nenhum cargo executivo e acrescenta o administrador que o seu enorme conhecimento no dossier de dívidas públicas…pois claro, o que ela saberá do BANIF…do BES…do Banco Novo…e do BdP.

A Arrow não dá ponto sem nó e a Sra Dra dá o nó com pontos que é o de continuar o negócio por outros meios, como diria Clausewitz, o tal que dizia que a guerra era a continuação da política por outros meios.

A Arrow tinha de puxar pelo quadro que lhe permitiu fazer negócios a sério. Tinha de saber promover quem revelou tão altas qualidades a servir Portugal…

O problema para além de ser o que é (o Estado à mercê de quem dele se serve para fazer caminho e vida em setores que o pretendem dizimar) acaba de sair do governo e aninha-se numa financeira que em Portugal andou a ganhar rios de dinheiro com a má gestão de quem estava à frente do BANIF, nomeadamente depois do governo onde Maria Luís pontificava ter colocado o dinheiro dos portugueses para estes enormes predadores se aboletarem.

Maria Luís explicou muitas vezes que o salário mínimo nacional não podia subir cinco euros, nem quatro, que os funcionários públicos ganhavam demasiado, que os portugueses estavam mal habituados…a Arrow podia lá esquecer estes sermões da Ministra de Estado.

São estes rapazes e estas raparigas, estas senhoras e estes senhores que atacam tudo quanto é setor público para entregar as riquezas nacionais aos donos do dinheiro. Os donos do dinheiro têm espalhado pelos diferentes Estados grandes oficiantes que sabem tratar dos assuntos.

Merecem todas aquelas condecorações que Cavaco lhe concedeu. Faltou o Relvas e o José Veiga e mais alguns.

É esta oligarquia que no cumprimento da mais fina legalidade corrompe a República e lança o descrédito na vida em comunidade. Comunidade significa o conjunto dos cidadãos com os seus interesses múltiplos e diversificados. A política não pode ser a arte de prosseguir a obtenção de lucros por outros meios. A política deve estar ao serviço da comunidade e não apenas de uma oligarquia que tudo asfixia.

Henrique Raposo, um Raquítico de Cérenro na SIC RADICAL

Eis que um palonço participa num programa da SIC RADICAL no dia 16 de Fevereiro do corrente ano para exibir a sua infindável ignorância envolta em celofane de pacovice. E armado em intelectual…

O Senhor Raposo escreveu um livro, “Alentejo Prometido” e chamaram-no à SIC para dar conta do livro que pelos vistos trata da sua separação do Alentejo que é constituído por três distritos de Portugal; apesar disso o Sr Raposo separou-se, sem dizer para onde foi.

O primeiro problema começa exatamente no verbo separar que significa no Alentejo e no resto de Portugal desunir o que estava ligado; ora este cavalheiro nunca esteve ligado ao Alentejo, mas sim a algo que existe na sua tola. O cavalheiro separou-se da tola e como raridade saída da tola foi levado à SIC.

O sr voltou ao Alentejo, sem dizer por onde andou à procura de encontrar a” …luz debaixo do chaparro…” e não encontrou. O senhor encerra um caso de cegueira aguda; escreve livros sobre separações, vai à terra e nem debaixo do chaparro vê luz, quid iuris?…é cego.

Diz este senhor modernaço…”as alentejanas antigas nem sequer têm na sua linguagem palavra para descrever os abusos do tipo violação…” não dizem que foram violadas, desconhecem…Ai sim, pergunta o indígena de outra zona? E ele responde magnânimo… elas dizem que “ele se chegou ao pé de mim”… Que dizer de semelhante enormidade? Nem um analfabeto encartado…só um cretino.

Este ”alentejano” que se separou do Alentejo esclarece que os pais, os avós ou avôs não têm carinho pelos filhos ou netos.

De onde saiu esta espécie rara que é capaz de andar por este mundo incluindo o Alentejo três ou quatro dezenas de anos e nunca viu um pai ou um avô alentejano ter carinho pelo filho ou pelo neto? Por andou esta alma? Que maldade lhe fizeram os pais e os avós? Será que o problema é do Freud?

O senhor vai mais longe e esclarece na entrevista que para os alentejanos o suicídio é algo que cultivam, quiçá à falta de água para o regadio… Para os alentejanos suicidarem-se é como quem bebe um copo ou um chá… chegam à oliveira e enforcam-se sem qualquer problema… não são como o Saddam Hussein que mesmo antes de o enforcarem ainda arranjou problemas com aquelas citações do Corão. No Alentejo é pegar na corda e zás. Assim.

Está um ajuntamento de gente algures e o senhor pergunta o que é e a gente responde: um sujeito suicidou-se… tipo como quem diz um terramoto… e senhor que manda no programa acrescenta… tipo nevoeiro….Pois. Uma coisa natural. Tipo nevoeiro ou terramoto. Isto é que é inteligência, gente desta tomou desde o berço até hoje cerebrolizina ou fosfoneurina ou copos de inteligência dissolvida em água de bacalhau.

Conclusão: não se pode confiar num alentejano diz o senhor , suicidam-se e não acarinham ninguém.

O senhor do livro vai a Arouca ( Arouca!) e que vê ? Gente a falar na rua …palavra de honra que ele diz que vê gente a falar na rua… imaginem o que ele vê… e chega a Santiago de Cacém e o que vê?…pessoas sozinhas nas rua sem falar com ninguém…Nem viu o Manuel da Fonseca com aquela gente toda, desde a Marcha Almadanim até aos malteses. Ele de malteses tem a ideia que são tipos horríveis que lançam o Alentejo numa espécie …”de pré-guerra…” Uma espécie de destino: um gajo de Santiago não é capaz de falar, se for gaja ainda é capaz de se deixar encostar e prontos, se for gajo não consegue falar com ninguém, talvez se mudasse para Arouca…Imaginem o que se passa na moleirinha do senhor, coitado.

Este adiantado mental que não é capaz de ver a luz que atravessa um chaparro foi à SIC dizer que se separou de algo que nunca esteve ligado. E o senhor da SIC que o levou e o apaparicou achou que um terramoto era assim uma coisa natural do tipo suicídio e acrescentou…”tipo nevoeiro…”

Separemo-nos, pois, desta mediocridade erigida em conversa de gente que não vale um chaparro com ou sem luz. Que boucherie! Apesar de tudo isto o Alentejo na sua calma milenar nem dá por semelhantes borra-botas.

Domingos Lopes

Por lapso do qual o autor se penitencia confundiu Henrique Raposo com Boucherie Mendes. Pedindo as maiores desculpas esclarece que a autoria do livro é de Henrique Raposo  Boucherie Mendes é o moderador do famoso debate. A César o que é de César e a estas duas figuras de proa na descoberta do prometido Alentejo o reconhecimento pela sua caganeira intelectual.