Passos Poucochinho Poucochinho

Há assuntos na vida política portuguesa que fazem pensar acerca do que é a vida política na nossa comunidade.

Passos Coelho, como Primeiro-Ministro, tinha um programa cujo objetivo era empobrecer os portugueses. Disse-o várias vezes. Com força. Empobrecer para tornar o país competitivo. Chegou a afirmar que iria tornar Portugal num dos países mais competitivos do mundo.

Ele, Portas, Cristas, Maria Luís, Mota Soares, Vitor Gaspar mais o PSD e o CDS aumentaram de tal modo os impostos que o tartufo Portas até inventou uma linha vermelha, na esteira da irrevogável demissão, revogada.

Passos e Portas e todos os ministros fizeram do empobrecimento dos portugueses um ponto de honra, chegando nesta senda a defender que os que emigravam não faziam mais que deixar áreas de conforto.

Toda a gente ouviu. O fenómeno é que todos ouviram e uma grande percentagem faz de conta que não ouviu e fica à espera a ver os comboios passarem, a ver se o euromilhões lhe bate à porta.

Foi sobre os mais desfavorecidos, sobre os que vivem do seu trabalho que Passos, M. Luís, Cristas e Portas caíram sem piedade empobrecendo-os e fazendo desse empobrecimento a sua bandeira de luta contra essa gente que não queria trabalhar e vivia acima das suas possibilidades. Quem se esqueceu?

Vem agora Passos num comício no Pombal afirmar que o atual governo quer que os portugueses “tenham pouquinho” e que quem poupa e tem algum é atacado.

Vem Cristas falar de assalto aos contribuintes, ela que pertenceu ao mesmo governo cujo objetivo era empobrecer.

Numa sociedade que não fosse bombardeada cada segundo pelos media a vender as pressões de Bruxelas, as gafes alemãs, o produto que os mercados servem, e que os cidadãos não estivessem de braços cruzados à espera do maná, e que tivesse como ponto de honra a dignidade quando ouvisse os pantomineiros a dizerem despautérios deste teor corria-os e punha-lhes pimenta na língua para aprenderem a serem sérios e a falarem com critério.

Passos e Cristas queriam empobrecer os portugueses. É gente que deseja que os seus compatriotas tenham menos do que o que tinham. E se tinham pouco, como é incontestável, tirando-lhe o que lhe tiraram ficaram mais pobres. Quem se esquece do aumento significativo das taxas de suicídios?

Passos, Cristas, Relvas, Portas e tutti quanti organizaram um saque por via dos impostos e de cortes nos vencimentos que fizeram com que um terço dos portugueses vivessem na pobreza.

Este governo está a devolver rendimentos tirados por Passos e Cristas. Este governo está a tentar, e tendo  também em conta  exigências do PCP, BE e PEV, que não sejam os mais pobres a pagar a fatura do delírio e orgia despesista e desvario do sistema bancário.

Do governo de Passos saíram figuras de relevo para bancos e multinacionais para os quais passaram a trabalhar com vencimentos colossais.

Quem pode esquecer que Relvas virou banqueiro. Que Durão Barroso foi parar ao Goldman Sachs. Que Vitor Gaspar foi o FMI. Que Maria Luís foi para a Arrow Global. E Portas para a Mota Engil.

Por que foram para onde foram? Por que os quiseram? Que fizeram para serem os eleitos dos “mercados”? Tiraram aos de baixo para dar aos de cima.

Passos quer voltar para São Bento para continuar a empobrecer os portugueses que levou à pobreza. Timidamente Costa quer devolver rendimento tirado pela política de sanguessuga de Passos/ Cristas.

Como é possível um homem que empobreceu os portugueses vir dizer que este governo quer que os portugueses tenham pouquinho… Só próprio de alguém que perdeu a honradez e vive a espalhar mentiras para agradar a Bruxelas e à Dona Merkel, a Imperatriz da União Europeia, sempre pronta a trocar um português por uma búlgara, com toda a vulgaridade.

Que sociedade estamos a construir para que os cidadãos percam a memória e ajam como cataventos segundo os empurrões dos media, hoje, concentrados no poder único, o dos donos desses mesmos media.

O que faz perder a esperança de uma vida melhor e aceitar o fatalismo de que vai contra a realidade dos factos por cada um(a) vividos?

Que mundo se está a criar em que cada um(a) acredita mais no que lhe dizem nas emissões televisas do que naquilo que todos os dias enfrentam – os pobres a ficarem mais pobres e os ricos mais ricos?

Passos representa bem esta nova fase em que se apresenta, tal como o gestor das sociedades financeiras, com cara de pau a cortar nos de baixo para levar a riqueza para os de cima.

O que dá que pensar é a razão que leva tantos que vivem mal a votar em quem os quer fazer viver pior só porque alienaram a sua capacidade de serem atores da sua vida para passarem a serem basbaques e joguetes de um mundo em que lhes resta apenas consumirem o que vêm.

Apesar de tudo o homem continuará a ser o obreiro do seu destino. O problema é – que destino?

A Mulher que Cozinha Cabeças de Jiadistas e as Dá a Comer

A mulher que cozinha a cabeça dos jiadistas mortos pelas forças iraquianas do governo chama-se Wahida Mohamed ou Um Hanadi, nome de guerra.

Desde 2004 que combate os terroristas jiadistas lutando ao lado dos setenta homens das forças de segurança, tendo se especializado em cozinhar as cabeças dos mortos e a queimar os seus corpos.

A notícia do Jornal de Notícias de 30/09/2016 dá conta da admiração que nutrem pelo seu empenho.

Há uns tempos atrás as notícias dos media informavam que os jiadistas do Daesh arrancavam o fígado e o coração aos combatentes aprisionados ou mortos e que comiam essas vísceras.

As notícias pouco mais diziam. Caíam tal-qualmente. Depois o silêncio que tomba sobre cada um com notícias como estas.

De um lado a alegria do festim orgíaco das forças governamentais e da coligação a comer as cabeça cozinhadas pela Um Hanadi, veterana destes preparativos e, do outro lado da barricada, A mesma festa cozinhada de fígados e de corações de gente morta ou assassinada pelos jiadistas.

Esta guerreira dos governamentais iraquianos tem um grande orgulho em ser procurada pelos líderes jiadistas do Daesh. Segundo a notícia já assassinaram os seus dois maridos e os três irmãos.

Não há guerras boas. Todas são horríveis. Todas. Todas. Geram monstruosidades. E monstros.

Há , porém, guerras que pelo seu grau de crueldade ainda nos deixam sufocados pelo impacte da sua desumanidade e barbaridade.

Um Hanadi à custa de tanto cozinhar cabeças muito provavelmente despojou-se da sua qualidade de ser humano. Provavelmente nem repara que os olhos vidrados dos mortos são de seres humanos.

Os terroristas jiadistas em nome de Alá que nem sequer foi ouvido ou deu qualquer ordem que se conheça cozinham e comem fígados de outros seres humanos; segundo a sua religião filhos de um mesmo deus.

Quem se atreve a dar razão a um dos lados?

Será que as armas que ela empunha são made in USA ou Israel ou Saudi Arabia? Será que as armas dos jiadistas do Daesh não terão a mesma origem?

Há que combater a barbárie. Sem dúvida. Mas a barbárie não se combate com barbaridades.

Um Hanadi ficou sem os seus dois maridos e seus irmãos, assassinados pelo Daesh.  Que também lhe mataram as ovelhas e os pássaros que ela tinha.

Um Hanadi tinha pássaros e cozinhava cabeças. Tinha ovelhas e queimava corpos. Tanta humanidade em tanta desumanidade.

Se não se acabar com as guerras elas irão levar-nos a comer uns aos outros. Não se esqueçam Um Hanadi tinha pássaros e ovelhas. Que por serem dela os terroristas jiadistas mataram.

Uberização dos Advogados?

A vaga de fundo para retirar ao setor público áreas que, desde os fins dos anos quarenta, lhe pertenciam é avassaladora. A coberto da eficiência, da gestão e do embaratecimento vão abocanhando esses setores, um atrás do outro. Até ficarem sós e de mãos livres para fazerem o que quiserem. E encherem os cofres.

Qualquer dia algum empreendedor privatiza o oxigénio e inventa uma maquineta para saber quanto oxigénio cada um consome para o pagar aos verdadeiros empreendedores.

Os privados com a atual globalização colocam o setor público, por via governamental, ao seu serviço, obtendo lucros fabulosos, deixando nas mãos do Estado o que não dá lucro por cumprir funções sociais insubstituíveis.

A perspetiva de um grupo económico é a de ter lucro; a de um departamento do Estado é servir a comunidade; a diferença é abissal.

A Justiça, esse anelo milenar do ser humano, elixir da existência, também não lhe escapa. Os mandões de Berlim, Bruxelas e os seus súbditos indígenas entre criar condições para a realização de uma Justiça moderna ao serviço dos cidadãos prefere cortar nesta despesa e deixar que sejam serviços privados a tomar conta do que o Estado se revela, propositadamente, incapaz de assegurar.

No passado, nos séculos passados, em que os grandes senhores feudais queriam continuar a deter o poder de realizar a Justiça, aconteceram revoltas destes contra os reis para impedir a chegada dos juízes enviados pelo monarca.

Nos tempos atuais os senhores da finança pretendendo engolir a justiça e apoderarem-se dessa instituição pressionam os Estados para que o número de magistrados, funcionários e estabelecimentos não aumentem as despesas, criando as condições para a entrada de atores privados nestes domínios: notários, arbitragens. Instituições do estado a substituir advogados inserem-se nessa rota.

O Estado cria condições para que pululem Faculdades de Direito em todos os lugares, lugarejos e cantos do país e depois as grandes sociedades de advogados, em geral ligadas ao mundo dos negócios, recruta advogados a preço da uva mijona, dada a prática impossibilidade de entrar no mercado de trabalho.

Se o Estado alega que não há dinheiro para pagar a magistrados e a funcionários, declarando a sua total ineficiência para administrar a justiça, certo é que há quem espreite para entrar no negócio. A desjudicialização da justiça significa o empobrecendo da vida em comunidade, pois a entrega a privados de setores de justiça visa fazer lucro.

O atual caos em que se encontra a Justiça vai empobrecer significativamente os cidadãos e o país e aumentar a gula dos donos do dinheiro.

Deixando a justiça sem meios para resolver os problemas, a comunidade vai atacar os que são imediatamente visíveis: magistrados, advogados, funcionários. Ficará mais recetiva a mudanças no paradigma dado o desajustamento do existente.

É neste quadro de fundo em que se alega não poder gastar dinheiro com despesas como as referidas que sucessivos governos tentam privatizar setores decisivos e tornar irreversíveis esses passos.

Um exemplo magnífico desta maldade foi a medida de Celeste Cardona, Ministra da Justiça no governo de Durão Barroso, que privatizou, no essencial, as execuções e levando o caos aos tribunais, encarecendo brutalmente o acesso à justiça, paralisando as ações executivas.

Atente-se o entupimento dos tribunais que são necessários meses em certos casos para que os juízes ordenem por simplicíssimo despacho de um minuto a subida dos autos para os tribunais superiores, entre outras aberrações. E a maioria não o faz porque não o consegue fazer.

Argumentando com a morosidade do serviço externo dos funcionários judiciais e lançando campanhas sobre a sua idoneidade, foram criados os solicitadores de execução e mais tarde os agentes de execução, um exército de profissionais que agem, no quadro de uma sobrecarga dos magistrados, em roda livre e que em relação aos cidadãos com mais dificuldades económicas são quase incontroláveis.

O certo é que a morosidade relativa do anterior sistema não se compara com o caos que este veio instalar afogando as secretarias e os magistrados, ficando os agentes de execução largos períodos em roda livre.

A dificuldade que os cidadãos hoje têm para pagar os encargos judiciais, honorários de advogado, de solicitadores e agentes de execução, escrituras e certidões fazem desesperar qualquer um (a).

Quem viva do seu salário, mesmo que seja um salário acima da média, terá dificuldade em aceder à justiça.

Não tardara, por isso, a aparecer a Uberização da atividade dos advogados. Criando plataformas na web os cidadãos nos EUA e em França poderão (mesmo contra lei, neste caso) aceder a portais através dos quais estarão advogados que só cobrarão se vencerem, no win, no fee.

Num primeiro momento poderá parecer atrativo semelhante propósito, face às dificuldades em aceder à justiça. Mas o que está por detrás destas plataformas é a subversão total do sistema atual, tornando a Justiça um mero negócio.

Além disso a litigância aumentaria ainda muito mais dado que os cidadãos não teriam despesas com as ações que intentassem, apenas a hipótese, mesmo que remota, de receber algo. Não é difícil imaginar o recurso sem contemplações aos tribunais.

Afastada a justiça do Estado e grande parte das instituições abocanhadas pelos privados, os cidadãos ficarão nas mãos destes.

Uma Justiça ao serviço do lucro é uma justiça exclusivamente para ricos colocando os cidadãos fora das suas preocupações.

Trata-se hoje de o evitar para que valha a pena viver com Justiça para todos. Os cidadãos têm que compreender o alcance do que se está a passar e mobilizarem-se por princípios decisivos num Estado de Direito democrático – é ao Estado que compete assegurar a realização da Justiça.

domingos lopes

De 1.º Ministro a Apresentador Arrependido de Intimidades

José António Saraiva decidiu escrever um livro sobre a vida íntima de políticos com quem foi tendo conversas.

É de supor que muita da gente visada não se teria despojado da sua reserva íntima se soubesse que um dia as conversas apareceriam escarrapachadas num livro.

Além do mais porque uma conversa com quer que tenha sido há dez, vinte ou trinta anos pode, ao ser revelada hoje, não encaixar na personalidade do protagonista, dada as mudanças que cada um imprime à sua vida.

O livro assumiu grande relevo mediático porque JAS convidou Pedro Passos Coelho, o homem mais austero que a própria troika, para apresentar o livro, embora à boa maneira de PPC afirmou que ia, mas que não tinha lido o livro, defendendo-se à boa maneira farisaica.

Instado se mantinha o encargo de apresentar o tal livro afirmou que não era homem para voltar atrás com a palavra dada.

A polémica passou dos media para as redes sociais e para o seio do próprio PPD/PSD. Alguém lembrou a PPC que aquela atitude não era digna de Sá Carneiro. Passos não se lembrava de Sá Carneiro, tal a vontade de agradar ao amigo e de se mostrar afoito agora que procura o que perdeu.

No meio desta buzaranha proveniente de todos os cantos, o homem que não voltava com a palavra atrás, voltou, arranjando o verbo desobrigar para se ver livre da miséria em que se meteu.

Obtido o sucesso de ter PPC, político que não tem conversas íntimas, segundo o próprio, JAS desobrigou-o e ele não vai onde disse duas vezes que ia.

À terceira confrontado com a realidade, de que tanto falava e o seu protetor Cavaco , sucumbiu.

De Saraiva se pode esperar quase tudo para aparecer ao sol. É o seu destino. Que lhe interessa que tenha morrido um dos visados?

O que lhe interessa é o alarme, a venda, os minutos á superfície das notícias. Estar ao sol da vida.  A coscuvilhice num país de basbaques-…” ora vejam a conversa que teve com o fulano e a sicrana”…Num mundo de frustrações aceder a uma conversa íntima é saborear o que se não teve ou não tem; é uma espécie de voyeurismo por interposta pessoa.

Passos Coelho quis agradar ao amigo ( ele lá saberá porquê, coisas íntimas, a revelar um dia?) e disse que ia sem ter lido o livro. É o homem. De austero passou a apresentador de escandaleira. Embora arrependido. A coragem morreu na praia.  Já assim tinha sido quando disse , antes de ser Primeiro-Ministro, que nunca aumentaria os impostos e quando lá chegou aumentou-os brutalmente.

É esse, o que não sabia que tinha de pagar os descontos para a segurança social…esse mesmo que à última da hora não foi. Fez-se de forte e saiu a rastejar, a pedir para o desobrigar do papel de apresentador de um livro que não leu… Que iria dizer do livro que não leu?

Passos no seu melhor registo de sempre. Que rico chapéu enfiou o candidato do PSD a Primeiro- Ministro!

DE 1º MINISTRO A APRESENTADOR ARREPENDIDO DE INTIMIDADES

 

José António Saraiva decidiu escrever um livro sobre a vida íntima de políticos com quem foi tendo conversas.

É de supor que muita da gente visada não se teria despojado da sua reserva íntima se soubesse que um dia as conversas apareceriam escarrapachadas num livro.

Além do mais porque uma conversa com quer que tenha sido há dez, vinte ou trinta anos pode, ao ser revelada hoje, não encaixar na personalidade do protagonista, dada as mudanças que cada um imprime à sua vida.

O livro assumiu grande relevo mediático porque JAS convidou Pedro Passos Coelho, o homem mais austero que a própria troika, para apresentar o livro, embora à boa maneira de PPC afirmou que ia, mas que não tinha lido o livro, defendendo-se à boa maneira farisaica.

Instado se mantinha o encargo de apresentar o tal livro afirmou que não era homem para voltar atrás com a palavra dada.

A polémica passou dos media para as redes sociais e para o seio do próprio PPD/PSD. Alguém lembrou a PPC que aquela atitude não era digna de Sá Carneiro. Passos não se lembrava de Sá Carneiro, tal a vontade de agradar ao amigo e de se mostrar afoito agora que procura o que perdeu.

No meio desta buzaranha proveniente de todos os cantos, o homem que não voltava com a palavra atrás, voltou, arranjando o verbo desobrigar para se ver livre da miséria em que se meteu.

Obtido o sucesso de ter PPC, político que não tem conversas íntimas, segundo o próprio, JAS desobrigou-o e ele não vai onde disse duas vezes que ia.

À terceira confrontado com a realidade, de que tanto falava e o seu protetor Cavaco , sucumbiu.

De Saraiva se pode esperar quase tudo para aparecer ao sol. É o seu destino. Que lhe interessa que tenha morrido um dos visados?

O que lhe interessa é o alarme, a venda, os minutos á superfície das notícias. Estar ao sol da vida.  A coscuvilhice num país de basbaques-…” ora vejam a conversa que teve com o fulano e a sicrana”…Num mundo de frustrações aceder a uma conversa íntima é saborear o que se não teve ou não tem; é uma espécie de voyeurismo por interposta pessoa.

Passos Coelho quis agradar ao amigo ( ele lá saberá porquê, coisas íntimas, a revelar um dia?) e disse que ia sem ter lido o livro. É o homem. De austero passou a apresentador de escandaleira. Embora arrependido. A coragem morreu na praia.  Já assim tinha sido quando disse , antes de ser Primeiro-Ministro, que nunca aumentaria os impostos e quando lá chegou aumentou-os brutalmente.

É esse, o que não sabia que tinha de pagar os descontos para a segurança social…esse mesmo que à última da hora não foi. Fez-se de forte e saiu a rastejar, a pedir para o desobrigar do papel de apresentador de um livro que não leu… Que iria dizer do livro que não leu?

Passos no seu melhor registo de sempre. Que rico chapéu enfiou o candidato do PSD a Primeiro- Ministro!

domingos lopes

 

Durão Barroso – Um Bisbórria

Durão Barroso é um caso. No seu rasto se pode apanhar a peugada de não ser quem diz ser. O homem é coerente, pois sempre se camuflou do que não foi.

Durão maoista. Revolucionário encartado a levar a cabo julgamentos “populares” ora caça grossa do género Cavaleiro Ferreira, ora …”os pides morrem na rua…”

Durão em transição para o arco do poder fazendo escola com o PPD de Eurico de Melo e inclinando-se para subir a escada do poder até onde o levaria, adivinhe-se, ao Goldman Sachs.

Durão secretário de Estado, Durão ministro de Cavaco, Durão Primeiro-Ministro nas profundidades do mar, seguindo à frente de todos os chernes, escamado nas mil e uma lutas por um lugar ao sol contra os populares do norte e a favor dos liberais da linha e dos arredores que no PPD são imensos.

E Durão, qual pointer, de narinas ao alto farejando longe, muito longe, para o outro lado ocidental do Atlântico o que o belicista George W. Bush guardava nos seus maquiavélicos planos de desestabilização do mundo, camuflando-se de diplomata acolitado por um ministro de Defesa que após ida de ambos ao Pentágono verem o que não viram, fez de mestre de cerimonias as oferecendo os Açores a homens sem o mínimo de escrúpulos, apenas interessados em cumprir o seu papel de predadores.

Há quem pense que ao “dar” os Açores, na altura em que a Europa estava dividida e na França reinava Chirac e não o insignificante Hollande, na Alemanha Schröder e não a Presidente da Junta da Europa, ele pensava em receber Bruxelas para um dia vir a partilhá-la com os donos do mundo. Apoiado pelo poderio do Império. Contra as veleidades chiracianas e schrödianas…

Certo e seguro é que, em plena crise financeira, o José Manuel Durão Barroso se portou à altura do seu futuro patrão e defendeu, como só ele sabe fazer, a sua causa, castigando com a devida austeridade os povos recalcitrantes habituados a viver de acordo com o que recebiam, pois futuros e seus derivados, agentes da crise, eram os irrepreensiveis zeladores dos mercados que não podem ser irritados, como dizia o enfastiado Cavaco, o Professor de York que mais tempo esteve no poder na pátria de Viriato e Camões.

Um homem assim tem o destino traçado na arte da dissimulação e tinha naturalmente de entrar no Olimpo, …”deixando a política e abraçando a vida civil…” disse ele agastado com o facto de a imensidão de gente estar varada com a sua ascensão ao Goldman.

Entrou na gigantesca máquina dos EUA de fazer dinheiro, por onde rolaram e rolam os superpoderosos da U.E, tal é a sua pequenez face ao grande Império. E como se tratava de entrar para a vida civil e nada de políticas, foi aconselhar o Goldman Sachs a lidar com a saída da Grã Bretanha da União Europeia que é tudo menos um assunto político; dado o caracter daquele banco ligado ao estudo dos minerais, da botânica e da fauna africana.

O homem que se camuflou de revolucionário, de governante sensato, de lambe botas de George Bush, de fugitivo, de Presidente da Comissão Europeia, finalmente quis que o planeta ficasse a saber quem era realmente José Manuel Durão Barroso – em linguagem do grande mestre da palavra Aquilino – um bisbórria.

Para acalentar esse lado incontrolável pela dissimulação escreveu uma carta ao seu sucessor, homem de igual quilate, a dizer que estava abatido e era uma injustiça tirarem-lhe o tapete vermelho quando fosse a Bruxelas.

Os bisbórrias são inconsoláveis no seu carácter desprezível. Conscientes desse lado lendeoso do ADN levam até às últimas consequências a dissimulação, não se dando conta que já todos lhe viram a alma, salvo Passos Coelho, Luís Montenegro e Maria Luís. Já se lhes conhece o destino. Goethe no seu Fausto sabia do que falava. O Diabo continua a compras almas até se fartar de bisbórrias. Parece que nunca acabarão, tal a tragédia humana.

Kim Jong Un Acredita numa Vitória Nuclear sobre os EUA?

O último teste nuclear da Coreia do Norte (09/09/2016) confirma a persistência daquele país em atar os dirigentes norte-coreanos à corrida ao armamento nuclear.

Escrevemos aqui no Chocalho em 07/01/2016, a propósito do ensaio nuclear da altura, que há mais países que detêm a arma nuclear para além dos cinco do Conselho de Segurança. Israel, India, Paquistão detêm a arma nuclear e não lhes foi imposta qualquer sanção e até hoje também não assinaram o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Este Tratado tem na sua filosofia original a ideia do desarmamento nuclear quer na vertente vertical, quer horizontal, ou seja, desarmar os que já possuíam as armas, e nunca aceitar que outros viessem a ter.

O que está a suceder vai em sentido contrário. Os detentores das armas nucleares aumentam os seus arsenais ou substituem os existentes por outros muito mais sofisticados podendo com menos armas aumentar a sua capacidade destruidora.

Por outro lado há países que à margem do Tratado se equiparam com essas armas. Repare-se que nem os EUA, nem a China, nem a Rússia, nem a França, nem a Grã- Bretanha ergueram um simples dedo para condenar Israel por possuir a arma nuclear.

O Paquistão e a India estão também eles ao abrigo de sanções e campanhas por terem estas armas.

A Coreia do Norte, que se encontra numa situação delicada do ponto de vista económico e que teme os quarenta mil militares dos EUA na Coreia do Sul, vem apostando na possibilidade de vir a ter ou já possuir a arma nuclear, argumentando que por essa via poder ser considerada um interlocutor de peso na Península.

Trata-se de uma argumentação falaciosa na medida em que o uso de armas nucleares está fora de hipótese, salvo num cenário que levasse ao desaparecimento da Coreia por inteiro.

A Coreia do Sul, na sequência do ensaio, prometeu destruir a parte Norte, deixando-a em ruínas. O Norte prometeu o mesmo em relação ao Sul. É um jogo perigosíssimo que por maus cálculos ou até por eventual erro entre os contendores poderá levar o mundo à beira da catástrofe.

Os dirigentes norte-coreanos melhor andariam em trabalhar para a reunificação do país, artificialmente dividido, melhorando as condições de vida do povo e levando propostas de paz que criassem condições para um diálogo que fizesse descer a tensão.

OS EUA têm armas nucleares no Sul e quatro dezenas de milhares de soldados no terreno. Acredita o líder coreano que o conflito com o Sul e os EUA se resolverá por via nuclear? Só um louco acredita…

A retórica militarista destina-se a consumo interno para justificar o estado de pobreza daquele país e simultaneamente conseguir por via negocial obter  concessões económicas que ajudem a melhorar a situação no terreno. A Coreia do Norte sabe que a Coreia do Sul tem um nível de vida muito mais elevado; tentando fazer eventualmente da arma nuclear uma base para aceder a outras vantagens económicas.

Por outro lado a mensagem intimida a elite do regime e amarra-a ao carro da corrida às armas por parte do dirigente máximo, Kim Jong Un.

Ele tem o partido e as forças armadas na mão. Os que se opuseram foram eliminados.

Melhor seria trilhar outro caminho – o da unidade nacional forjada nos cidadãos com direitos e não súbditos de uma monarquia.

Burkas/ Burkinis Tolerância

A polémica está instalada nas sociedades ocidentais onde existem comunidades muçulmanas cujas mulheres se vestem com burkas ou burkinis nas praias, tendo certas autoridades francesas proibido o uso daquele vestuário.

O recente texto de André Freire e Liliana Reis no Público de 07/09/2016 é, em ultima instância, um exemplo de um certo espirito de intolerância envelopado na luta contra a descriminação de géneros.

Não estamos de acordo com o que sucede em muitos países muçulmanos em que as mulheres são obrigadas a usar um tipo de vestuário que lhe tapa o corpo ou parte do corpo. É sem dúvida uma violência inaceitável.

No dia 4 de Setembro, início das aulas na Argélia, em Sebbala, perto de Argel, três alunos não puderam entrar nas aulas porque o diretor do liceu considerou que deviam usar véu, o que não é sequer imposto por lei.

Porém não podemos de cima dos “nossos” valores demo liberais impor aos outros um tipo de comportamento que proíba o uso de vestuário que tapa o corpo ou parte do corpo às mulheres.

E a razão é exatamente aquela que André Freire e Liliana Reis alegam, e que reside no art.1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

…” Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade “…

Ora se todos os seres são livres e iguais em dignidade e dotados de consciência e devendo agir uns para com os outros com espírito de fraternidade, não é compatível com a liberdade a proibição do uso de certo vestuário.

Por isso os governos não devem impor aos indivíduos uma conduta quanto a vestuários, como faz a Arábia Saudita, o Irão, o Qatar e Cª.

Quanto ao segundo argumento que decorre do primeiro é que na verdade as mulheres devem ser respeitadas no uso do vestuário.

Não se nega em sociedades misóginas e discriminatórias (na Arábia Saudita as mulheres nem sequer podem sair sozinhas à rua) que o poder dos homens leva sem dúvida a que muitas mulheres não vistam em total liberdade e se sintam coagidas a vestir de acordo com a vontade masculina.

Porém será sempre um processo emancipatório que levará (tal como sucedeu em Portugal) a que a mulher se sinta em total liberdade de escolha.

Em França os cidadãos são iguais quando ao uso do vestuário.

Nenhuma mulher vai ser punida pelas leis da República se usar uma minissaia.

O que acontece é que no atual estado de coisas e sobretudo desde a invasão do Iraque, do Afeganistão pelos EUA, dos ataques militares ocidentais à Líbia e à Síria há uma espécie de choque civilizacional que as potências imperialistas e os jiadistas aproveitam para imporem os seus propósitos.

A proibição do uso de burkini só vem favorecer os que defendem esse choque.

Não se deve do “alto” dos valores ocidentais proclamar: estes são os nossos valores ou os aceitam ou são punidos.

Esta mentalidade vanguardista e elitista dá causa a que as comunidades se fechem na defesa das suas identidades e não se abram às sociedades plurais e abertas.

O mundo é muito mais que uma Declaração, que um modo de vida, que a liberdade de vestir. É também um caminho que cada comunidade a seu tempo e no seu ritmo vai fazendo.

Só esse caminho que vem de longe, de muito longe nos pode aproximar na humanidade de cada mulher, de cada homem, de cada comunidade.

Quem impuser  a sua vestimenta colherá tempestades que transportarão a recuos muito grandes. Nunca no mundo muçulmano o recuo civilizacional foi tão grande desde os processos independentistas que se seguiram à 2ª guerra mundial

A tolerância é essencial num mundo pleno de intolerâncias. Por detrás da burka ou do burkini está um ser humano que usa um vestuário que no Ocidente a maioria não usa. Tão só isto.

Quem se esqueceu das prédicas em Portugal dos padres contra as mulheres que usavam manga curta ou andavam de bicicleta ou iam para as praias mostrar as pernas?

E quem esqueceu os jovens rapazes liceais escondidos nas dunas para ver as inglesas em biquini? Como crescemos!

E já a talho de foice: a vergonha de na escola ou no liceu de usar roupa pobre, remendada quando a dos outros era bem mais asseada?

Os processos individuais das opções são de cada uma e de cada um. São caminhos que o Estado deve deixar à escolha individual. Esse será o caminho mais consentâneo com o processo de firmar escolhas mais abertas e de acordo com a consciência das envolvidas.

Haja tolerância! E o mundo será melhor.

(Originalmente publicado no Público Online)

O Riso e a Fornicação

Fatima Nejjar, dirigente do Movimento Unicidade e Reforma , ala religiosa  do Partido islamista marroquina, Partido da Justiça e do Desenvolvimento, no poder em Marrocos, nas sua prédicas islamistas considerava que certos risos das jovens se podiam classificar como fornicação. Assim. Sem mais.

O riso delas e não o deles era equivalente a fornicar. Elas com o diabo no corpo. Eles estúpidos, seduzidos, desgraçados animais sem capacidade de reagir, apenas cio.

Ela, Vice-Presidente daquele Movimento religioso, foi no início desta semana, apanhado de madrugada, num carro de alta cilindrada, com o outro Vice-Presidente do mesmo movimento a fornicar.

A dois meses de eleições legislativas foram demitidos dos seus cargos, embora alegassem que se tratava de uma conspiração contra ambos, pois tinham casado segundo o “costume”.

A polícia marroquina a quem tentaram subornar, segundo os media, não referiu se também se a Dona Fatima se ria na altura em que foi surpreendida.

Ela viúva e ele casado alegaram que não tinham cometido adultério dado o casamento de circunstância, mas sem que a esposa do Vice-Presidente , o senhor Moulay Omar Benhamarad, conhecesse o caso.

Não há nas notícias nada que informe se a senhora Fatima tinha o costume de rir e que tipo de riso teria, caso se risse.

As notícias insistiam no facto de ser uma dirigente altamente colocado e seguidora de um islão duríssimo, onde o riso era considerado ao nível da fornicação.

Provavelmente a senhora Fatima nunca se riu. Mas foi apanhada a rir-se com um senhor.

Muitas vezes o ódio das mulheres e dos homens às mulheres não passa de reflexo das perturbações mentais de quem não se segura em termos de pulsões .

Bem pregava dona Fatima, mas que se ria, ria.