Vergonha de Todas as Cores

O jornal Público de hoje dá conta que em Middlesbrough, no Reino Unido, a empresa Jomast encarregada de alojar os requerentes de asilo ou refugiados pinta as portas das casas desses cidadãos de cor vermelha, sendo, por isso, facilmente identificáveis.

Em consequência essas casas passaram a ser vandalizadas com pinturas xenófobas e bombardeadas com ovos, entre outro tipo de violência, como por exemplo tentativas de incêndio.

O Ministro da Administração veio a público, após a denúncia, garantir que seriam tomadas medidas.

Os moradores dessas casas que, entretanto, a suas expensas, mudaram a cor das casas de vermelho para branco foram advertidos por funcionários da empresa que o não podem fazer; devendo mantê-las vermelhas.

Os moradores denunciam casas de tentativas de incêndio, de lançamento fezes de cão e de pedras contra essas casas, criando o pânico nos moradores, crianças e idosos.

A multinacional que trabalha no alojamento e segurança considera que o vermelho é a cor que identifica os prédios que administra.

E portanto os racistas e os xenófobos sentem-se perfeitamente à vontade para incendiar e cometer outros crimes contra refugiados e asilados de dezenas de países.

Para o governo e a empresa o importante não é que os moradores tenham cores de acordo com o seu gosto ou até para evitar que os ataquem identificando o tipo de cidadão que ali vive.

Vale a pena recordar que há uns meses atrás David Cameron e o Presidente Hollande concordaram em montar cercas de arame farpado em Calais e açular os cães aos pobres refugiados impedindo a sua entrada naquele Reino de casas com portas vermelhas em Middlesbrough.

Hitler obrigava os judeus a trajarem uma estela identificativa. Os democratas ingleses não vão tão longe- apenas identificam os refugiados e asilados com o vermelho das portas das casas

Aos que entraram no Reino Unido para não haver equívocos pintam-se as portas de vermelho para os incendiários não se enganarem.

E quem identifica esta vergonha de todas as cores?

Marcelo, o Trambiqueiro

Pode o mais alto cargo da nação vir a ser ocupado por um trapalhão cujo caminho até hoje percorrido foi sempre pleno de ziguezagues de acordo com os ventos dominantes?

Marcelo Rebelo de Sousa tem todo um passado político que atesta à saciedade a sua postura farisaica. Uma roda ao vento. Um esfomeado de poder. Um homem de coluna dúbia.

Em plena ditadura fascista, nas suas cartas aos ditadores Salazar e Caetano, assumia-se como um admirador e em relação ao último como um impostor afirmando-se irmanado no combate ao Congresso da Oposição de Aveiro em 1973.

Estendia-se como serventuário diante daquelas sinistras personagens que dirigiram a opressão e a repressão do povo português. Porquê? Porque os admirava de todo o coração, como aliás escrevia. Ou então não e passava graxa aqueles cavalheiros para fins que se adivinham.

Na Faculdade de Direito ocupada pelos gorilas para lá enviados para “pacificar” as populações nunca lhe foi conhecido um ai ou um ui.

Veio a liberdade e a democracia e Marcelo saltou para o PPD/PSD onde se guindou ao mais alto poleiro. Ficou conhecido como maquiavélico e intriguista. A rivalizar com o Paulo Portas então iniciante na corrida ao poder varrendo o CDS e desenterrando as suas iniciais para o seu “novo” partido, o PP.

Zangaram-se. Marcelo abandonou a liderança do PSD, a tempo de votar contra o SN Saúde. Teve grandes disputas com o inefável Santana Lopes. Nunca chegou a realizar o sonho de ser Presidente da Câmara de Lisboa, nem o de Primeiro-Ministro.

Quanto a Presidente da Câmara nem com uns mergulhos no Tejo lá chegou.

Quanto ao sonho de ser Primeiro-Ministro ao que consta é que ficou muito chocado por não o ter sido quando outras figuras do PSD bem menores em termos intelectuais o foram. Coisas que ele não entendeu, nem entende.

Como é timbre do sistema a todos os ex – dirigentes do PSD e alguns do PS as televisões chamaram-no para debitar postas de opiniões sobre matéria à qual tinha chumbado, como seja o de ser incapaz de ser o que queria ser na Câmara de Lisboa e em S. Bento.

Estenderam a Marcelo uma passadeira vermelha para aos fins-de-semana ir fazer de conta que era um independente e falar de tudo e de queijos da serra ou de Serpa. Sobre o que sabe e o que não sabe. É esse o serviço de um “opinador”.

Pela importância que as televisões lhe foram dando, parecia que Marcelo iria dar opiniões para que se soubesse o que nunca se saberia sem a sua sabedoria. E lá se ficava a saber o que já se sabia. E a televisão basbaque cumpria assim o dever de embasbacar ainda mais o Reino deixado por Afonso Henriques.

Defendeu a austeridade, assegurou a confiança no BES e sempre pregou a favor dos de cima contra os de baixo. Diga-se em abono da verdade que o fez com uma certa simpatia. Tinha de ser, dizia o professor.

Agora precisa do voto dos de baixo e a sua capacidade de se baixar não tem limites.

Ele vai às urgências logo que soube que morreu um cidadão que os media noticiaram, e caso houvesse mais mortes relatadas pelas televisões admitiu passar a viver nas urgências. Até final dos seus dias de campanha…

Ele vai aos Açores beber minis com pescadores.

Ele foi a uma farmácia, a uma farmácia comprar medicamentos…Quem é capaz de o fazer?

Ele entra em Casas mortuárias.

Ele faz festas a bebés rechonchudos.

Ele serve cafés em confeitarias.

Ele ajuda velhinhas a atravessar a rua.

As televisões transmitiram estes gestos heróicos do candidato que não quer propaganda, só televisões a transmitir. Quem é capaz de ir para os semáforos e simpaticamente ir ajudar velhinh@s a atravessar a rua? MRS. Só ele.

Não quer uma campanha onde se discutam ideias. No ideas; apenas afeto. Abraços e mais nada. Tudo fofo. Marcelo é um fixe. Não vai para a Casa dos Segredos; quer ir para Belém.

Ele não quer debater. Ele foge dos debates. Não são fofos. Abrem a verdade. Foge do PSD e do CDS, mas que venha o apoio…. Como Cavaco, o que indigitou Passos e indicou Costa para Primeiro- Ministro.

Marcelo faz de conta que foge da direita para chegar a Belém e continuar na senda do último íncola. É diferente, mas é igual. Proclama cooperação com António Costa. Está a fazer como Judas, como fez Cavaco que jurou cooperação a Sócrates e à primeira atirou-o borda fora.

Marcelo só quer uma coisa : ser Presidente. Até promete aprovar um orçamento que não conhece.

Marcelo sabe usar as palavras. Ele é palavreiro que nas palavras esconde as ideias. É um camaleão. Ele vai à Festa do Avante porque quer ser Presidente da República. Ele vai onde está quem o veja…se houver televisões para filmar. Se for presidente vai ter uma televisão atrás dele desde que acorda até que se deita. Vai ser um show a superar o da Teresa Guilherme. Vai rebentar uma guerra de audiências.

Marcelo não cultiva como Cavaco o tabu; Marcelo é mais para o show-off. Com ele vai ser tudo luzes em Belém; tudo frenético em torno de si próprio.

Se Marcelo for para Belém vai ser uma guerra permanente com este governo ou com qualquer governo. Marcelo não vai dar o palco a mais ninguém; o homem não vai parar. Estará em permanente agitação cosmopolita desde o futebol até ao samba no Brasil passando pelas estepes da Mongólia onde irá competir com os perdidos do mundo. E irá ao fim do mundo para ser a notícia.

Querem um trambiqueiro em Belém? Votem em Marcelo.

Há Farta

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Não são conhecidas, mesmo a partir da base de dados dos frequentadores dos reallity shows das televisões existentes, muitas pessoas que assumam o dever de revelarem que amam à farta, se bem que utilizando o verbo haver para dar conta dessa nova medida do amor.

“Amo-te muito” é bastante diferente de “Amote há farta” pela simples razão da quantidade de amor que somos levados a pensar que deve possuir a (o) enfartada(o).

Quem não conheceu amig@s que viverem apaixonados, em sobressalto febril que a paixão lhes impunha? Mas duvido que conheçam semelhante fartote de amor como o anunciado.

A confissão de quem escreveu a frase na placa que anuncia a chegada ao município de Montemor-O-Novo está provavelmente ligada à hipótese de o destinatário ali passar amiúde e saber a quem fartou com tanto amor e portanto só aparentemente é anónima.

Amote sem tracinho é bem um sinal de fartança que existe( daí o há) no pequeno grande coração cheio de amor.

Há farta; não há míngua na alma de quem alardeia o seu fartote de afeto a quem passa e satisfeit@ dê conta que afinal não foi em vão que encheu o coração do outr@ com tal abundância.

Em Montemor-O-Novo não há só uma fartura de bifanas a competir com as das Vendas novas; também há amores tão fartos que se anunciam onde geograficamente começa o concelho.

Um conselho: amem à farta mesmo que exista um h a dar mais fartura ao amor.

Quarenta e Sete Decapitações

O reino da Arábia Saudita abriu 2016 à sua maneira, com um dos símbolos da sua identidade, a nua crueldade. Como se o tempo naquele país tivesse sido cercado e deixasse de fluir, asfixiado pelo absolutismo e se vivesse ainda nos tempos da bestialidade.

Na alvorada do segundo dia de Janeiro o regime da casa Saud livrou-se de quarenta e sete opositores através de quarenta e sete decapitações.

Uma das vítimas, o Xeique Nimr Al-Nimr, de acordo com as notícias que chegam das catacumbas de um país sem tempo livre, fazia da palavra a arma contra os que não falam porque são os donos de toda a espécie de polícias virtuosas encarregadas de vigiar os que falam.

No mundo em que os homens e as mulheres podem falar há quem tenha a Arábia Saudita como parceiro de qualidade. Obama, Merkel, Hollande, Cameron e até o íncola do palácio de Belém não dispensam o Reino das decapitações e das chicotadas. O Reino em que as mulheres podem ser candidatas se os homens deixarem…

Pode a Arábia Saudita ser parceiro de uma coligação contra o Daesh quando no país leva a cabo o mesmo género de terror?

Aliás cabe perguntar onde foi o Daesh inspirar-se para pôr em prática as decapitações dos que não seguem as orientações do Califa?

A palavra que um homem pode usar para dizer o que pensa aos seus compatriotas e a partir dela formular opiniões, juízos, valores, certos ou errados como todo o ser humano é o suficiente para que a monarquia absolutista ordene que lhe seja cortada a cabeça.

A simples palavra ao sair da boca dos sauditas cria o pânico nos governantes. A palavra distingue o ser humano dos outros animais, mas os nobres sauditas não querem que os homens e mulheres falem livremente. Não suportam a ideia que cada um possa falar por sua cabeça.

O medo é tão grande que vãmente pensam que se cortarem as cabeças a quem fale livremente se veem livres das palavras. Mas não.

As quarenta e sete decapitações levadas a cabo vão provocar medo, mas a revolta também nasce do medo, assim como a coragem.

Um dia as palavras circularão livremente na Arábia Saudita e os sabres farão parte do museu dos horrores.

A Estirpe destes Cavalheiros da Desgraça

Vêm de muito longe. Houve tempos que chocaram com o poder estabelecido. Um tempo em que jogavam a honra e a vida. Custou caro afirmarem-se. Tinham em cima deles senhores feudais e reis. O crescimento de suas fortunas varreu os espartilhos da nobreza decadente. Ganharam a batalha e assenhorearam-se de riquezas imensas.

Hoje são homens, quase todos. Vestem fatos escuros e camisas resplandecentes de branco com gravata atarraxada no centro do colarinho. A estirpe destes homens impõe-lhes essa divindade que é a gravata. Alguns deles dormem com as gravatas. Em fantasias.

Do alto da sua frieza de marca são os donos disto. E daquilo. Outros pelo andar do tempo serão mais donos disto que os de cá.

São homens com seis letras H-O-M-E-N-S. Mas se bem se reparar têm milhares de letras de crédito.

Todos têm como limite não apenas isto e aquilo, mas o tudo. Tudo é o último limite destes homens que não hesitam em engolir os seus irmãos para se alcandorarem ao mais alto poder.

Aliás é tudo uma questão de força, de poder porque o poder pode e quem pode manda. Gabaram-se de serem exímios gestores, capazes de se tornarem ricos e fortes e de darem dinheiro a quem arriscasse. Logo os gabaram, sobretudo os que deles dependiam.

Homens graves, como os fatos. Tonitruantes sem elevarem a voz. Apenas as ações cotadas em Bolsa sobem ou baixam. Homens benditos, católicos todos os dias, os deste lado do mundo, mesmo quando desbastam rendimentos de centenas de milhares de néscios que acreditaram neles.

Expeditos na sua ladinice estão presentes em todas as campanhas para escolher os representantes do povo, sobretudo apoiando os que vão ganhar, outras vezes os que vão perder pela simples razão de constatarem que quem perde pode ganhar e é bom construir o futuro desde cedo.

Prefeririam até que os vocacionados para governar ganhassem em conjunto a fim de impedir surpresas desagradáveis, pois às vezes o povo que “aguenta-aguenta” não aguenta e é um sarilho quando mete as mãos no futuro e puxa as rédeas a seu sabor…

Muitos destes homens ostentam comendas e outras condecorações. O poder político não prescinde deles e até se dá o caso de irem em auxílio uns dos outros; dito de outro modo os banqueiros ajudam a colocar no poder certos políticos e estes, por sua vez, não hesitam e vão diligentes em socorro, com o dinheiro de todos, entregando-o aos “aflitos” para cobrir imparidades e prejuízos.

Sentem o seu poderio de tal modo que deixaram para trás tudo o que os distinguiu há centenas de anos: a honra e a vergonha da má fama.

No mundo dos famosos e das coisas dos famosos onde se veem e reveem metalizados e dourados são olhados pela basbaquice dos concidadãos.

Hoje alguns deles, na gula insaciável, indo muito para além de uma gestão com o mínimo de rigor, implodiram e confundindo deliberadamente as suas culpas dolosas com a missão a que se destinavam e traíram, exigem que sejam os cidadãos a pagar os seus desmandos.

Do alto da sua arrogância e da sua frieza beneficiam de um poder político-judicial capaz de condenar a mais de uma dezena de anos um burlão, mas que ainda não foi capaz de condenar um destes impantes cavalheiros.

Vestidos de escuros e de camisas brancas resplandecentes e de gravata atarraxada no centro do colarinho estes senhores estão mostrando ao país o que verdadeiramente são na atualidade, um bando de predadores orientados a destruírem a riqueza produzido pelos portugueses a quem os seus serventuários Cavaco, Portas, Maria Luís e Carlos Costa condenaram à austeridade.

São cavalheiros que congeminaram que a democracia era uma espécie de manjedoura onde se podiam saciar à exaustão. E estão a morrer de congestão. O mal é que a sua morte leva a que outros da mesma estirpe se apoderem dos restos e o Estado aguente as tais imparidades e os tais prejuízos.

Quem os viu e quem os vê. Quem pode confiar nos cavalheiros para além do Dr Cavaco, do Dr Passos, do Dr Portas e Cª e todos os Catums, Guilhermes e Cª?

O reino destes homens de escuro tresanda a vigarice. São uns salafrários.

CAVACO – PRAGMATICAMENTE SUBMISSO AOS MERCADOS

 

Vai ser assim até ao último segundo do seu mandato, amarrado como uma lapa à ideologia neoliberal.

Ontem dia 22 Cavaco Silva alegou no Conselho de Diáspora que …” em matéria da governação, a realidade acabara sempre por derrotar a ideologia”… o que domina na zona euro é … “o pragmatismo…”

O autor de semelhante afirmação defende que o pragmatismo não é uma ideologia, um conjunto de ideias, de convicções que fundam um certo modo de governar.

O PR defende que na zona euro não há ideologia e que, portanto, a austeridade não se funda num conjunto de ideias e de princípios que visam impor aos povos sacrifícios para que o sacrossanto mercado financeiro não estoire, mesmo que estoirem os cidadãos.

As ideias e princípios que se fundam na liquidação do Estado social ou na sua severa limitação e na entrega aos privados das riquezas nacionais é um dos pilares ideológicos do neoliberalismo.

Estes ideólogos do neoliberalismo não têm coragem de chamar ao seu sistema de pensamento e ação uma ideologia.

E não o fazem porque a ideologia que professam funda-se na ideia que não há alternativa ao neoliberalismo. Defendem que sendo o único sistema de governo não lugar para a discussão ideológica…

Foi com Passos e com Portas que já se foram… É com Cavaco que se vai… Ou se aceita este cardápio de Berlim ou fora da Europa (zona euro) porque esta é a governação “sem ideologia”, ao serviço daquele conjunto de ideias, convicções e princípios que conduziram a este deplorável estado de coisas e que são a base da ideologia neoliberal.

Estas ideias de Cavaco são parte integrante da ideologia dominante, a da submissão de tudo e todos ao sistema financeiro, mesmo quando em Portugal “pragmaticamente” falando só sobrevive graças ao Estado.

Até ao último segundo Cavaco homem com convicções e princípios de que tudo se deve submeter aos mercados e seus valores vai continuar a esconder esta ideologia e a calcar a Constituição da República que jurou defender.Como uma lapa agarrado ao penedo do neoliberalismo.

domingos lopes

Banif – Os Mesmos de Sempre a pagar o Desvario

Quem bem reparar não poderá dizer que Cavaco Silva não levante a sua voz para defender o sistema bancário em contraponto com a melhoria das condições de vida dos portugueses.

O sistema bancário entregue a alguns banqueiros sem um pingo de dignidade, vivendo muito acima das suas possibilidades, reclamando sempre sacrifícios para a maioria e maiores benesses do Estado, merece permanentemente do Prof. Cavaco Silva os maiores encómios e avisos para que as autoridades governamentais atuem com todo o cuidado para não os assustar. Ainda na semana passada no distrito de Aveiro Cavaco benzeu o sistema bancário.

Que ninguém  esqueça o terrorismo político de Passos e Portas contra os portugueses esmifrando-os para entregar parte dos seus rendimentos ao sistema bancário, punindo-os com cortes e mais cortes, até nos feriados, com ataques ao SNS, à Escola Pública, à Justiça, a tudo que é a base do Estado Social.

BPN, BES, Millennium e agora o BANIF rebentariam pelas costuras devido à gestão absolutamente irresponsável dos seus “notáveis gestores” que de negociata em negociata contribuíram substancialmente também para arruinar a economia nacional.

Há poucos dias em uníssono com Cavaco, Luís Amaral, Presidente do Conselho de Administração do BANIF alertava para o perigo de não prosseguir a política de empobrecimento, e reclamava contra aumentos…

O despautério de quem, em nome da iniciativa privada, quer viver à custa dos portugueses passando-lhes a conta do desvario.

Entretanto os homens certos estão nos lugares certos e Carlos Costa continua a fazer de conta que supervisiona…

Os bancos serão demasiado grandes para rebentar e os portugueses, com rendimentos tão pequenos, poderão aceitar terem de ser sempre eles a pagar os desmandos dos bancos?

No fundo, bem no fundo o problema é simples: os bancos foram feitos para quê? Para fazerem o que quiserem, como donos disto, que o Estado (que abominam) virá em seu socorro impondo aos cidadãos o pagamento dos desmandos dos banqueiros?

Os bancos fazem falta, sem dúvida, mas para promoverem o crescimento da economia ao contrário do que está a suceder.

Passos, Portas, M. Luís e tutti quanti deixaram o Banif apodrecer para não levantar ondas cá e em Bruxelas. Os fundamentalistas do rigor estão cada vez mais desmascarados: o rigor era só para a população; para os banqueiros chorudos fundos pagos por todos os portugueses. A bem da santa banca.

Ai os Anjos que Fugiram do Céu para as Caraíbas!

Os anjos têm sido descritos como entes muito próximos do divino. Sem pecados. Alados. Combatentes das causas divinas. Guardiões invisíveis das pessoas. Há até quem oiça a voz de algodão dos anjos a recomendar condutas próprias e impedindo as outras.

Há também as asas que o anjo me deu e que o Almeida Garret nos legou. Asas e anjos e anjos e asas.

Os anjos sempre povoaram o imaginário humano. Elevando a sua inocência ao que de mais puro existe. Quando morria uma criança sem ter tido tempo para pecar dizia-se- foi um anjo que partiu para o céu. O problema no céu é a falta de anjinhos, pois neste lado do mundo ninguém morre em idade de ser anjinho.

Agora os anjos não vão para o céu; vão para as Caraíbas levadas pela Vitoria Secret tirar fotos ousadas em bikini como a Sara Sampaio.

São os anjos do nosso mundo, o da beleza sensual temperada e abençoada no divino mercado dos corpos de anjos resplandecentes a justificarem largos empreendimentos e colhendo avultados lucros. São os anjos dos mercados globais. Agora os anjos têm sexo. Anjos que um dia serão expulsos do Olimpo por acusarem as rugas da vida e castigados como a Eva e o Adão a envelhecerem.

O que parece ter mudado foi o prazo de validade transformando-os em efémeros, contrastando com a eternidade dos outros.

Ai os anjos Senhor…Fugiram para as Caraíbas.

O Abraço de Urso? Mito de Sísifo?

A decisão tomada pelo PCP, no rescaldo das eleições não parece ter sido tomada de supetão nessa noite.

Se se tiverem em conta as diversas sondagens eleitorais que apontavam na direção dos resultados obtidos, era forçoso ter em conta que os resultados impunham estudar as possibilidades que eles abriam, dado que a direita perderia a maioria que detinha no Parlamento.

Entre a possibilidade de parar a política de empobrecimento e a continuidade da coligação a escolha foi clara para Jerónimo que bem andou em abrir a porta a um novo caminho entre as esquerdas.

E bem andou Costa ao atirar para o caixote do lixo o chamado arco da governação que não passava de uma artimanha para que nada mudasse em Portugal.

E naturalmente Catarina Martins que soube estar à altura do momento histórico que estamos a viver.

A importância dos acordos vai muito para além de Portugal. Vêm aí eleições na Espanha; é preciso estar atento para ver se os ventos de mudança sopram de cá para lá, levando boas novas.

É importante sublinhar que estes acordos atiraram para a oposição a minoria que com o apoio de Cavaco se queria alcandorar no poder.

Esse mérito é hoje reconhecido em vários quadrantes. Na verdade por que motivo PCP e PS e BE não se podiam entender em questões vitais para a salvaguarda das populações? Foi o que fizeram e levaram à derrota da direita que parece que ainda não acordou para esta nova realidade e continua a gravitar em torno da sua minoria querendo por magia torná-la maioritária, mesmo quando no parlamento fica com menos deputados que os do PS, BE e PCP.

A decisão do PCP convocando o PS para governar é algo que retoma a malha (descosida entretanto) que o PCP teceu ao longo da sua existência na luta pela unidade democrática.

Na revolução de Abril o PCP, no governo provisório, teve um papel com o PS e os militares de grande valor no que se refere à unidade para assegurar a transição democrática.

Quando foi preciso derrotar o candidato da direita, Diogo Freitas do Amaral, o PCP que tinha inscrito na Resolução política do Congresso que nunca votaria Mário Soares, teve a ousadia de engolir o sapo e dar o escrito por não escrito e assegurar um contributo decisivo para eleger PR Mário Soares.

É verdade que nos últimos anos o PCP não se empenhou nessa linha como se devia ter empenhado na unidade das forças das esquerdas no sentido de encontrar denominadores comuns que possibilitassem a convergência que impedisse a direita de governar. Ora sem o PS era impossível tal solução.

Ninguém sabe o futuro. A porta está aberta. Que não entrem pela janela quem vá fechar a porta.

Tendo em conta a luta antiga acesa entre o PCP e o PS haverá sempre o “risco” em qualquer organismo vivo quem pense de maneira diferente. É a vida.

O PCP abriu um caminho- ou o faz ou volta a encastelar-se e sacrificar o seu reinado ao sectarismo e perde o PCP e toda a esquerda para muitos e muitos anos…

O caminho não é apenas do PCP, mas também do PS e do BE.

Não é segura a tese de que a convergência das esquerdas signifique inelutávelmente a perda dos Partidos Comunistas.

Essa espécie de Mito de Sísifo que significaria que os PPCC passavam a vida a lutar pela unidade e quando chegavam ao alto da montanha e realizavam o acordo e tal facto levaria a uma queda de influência até ao sopé da montanha…

É preciso ver as coisas em cada caso.

Pode suceder que os acordos com essas forças levem a descurar a ação política de base e a desmobilizar os partidos dos combates que lhe deram a influência.

O PCP esteve nos governos provisório e reforçou-se significativamente.

Na Câmara de Lisboa com Jorge Sampaio ganhou influência e prestígio.

O contributo para eleger Soares foi extraordinário e tal refletiu-se na sua influência.

Os acordos colocam novos problemas que têm de ser atacados.

O primeiro é não perder a ligação às bases de apoio.

O segundo é esclarecer a ação do governo.

O terceiro é demarcar-se claramente das decisões que lesam profundamente as populações.

O quarto é saber equilibrar a divergência de certas medidas com o interesse geral de uma nova política que não sendo a do PCP é bem melhor que a política da coligação derrotada.

Entre o risco de manter o empobrecimento dos portugueses e de Portugal e a possibilidade de abrir um novo caminho, o PCP optou pelo novo caminho a abrir a tal janela de esperança para a imensa maioria.

Se o PCP não desse este passo ao cabo de décadas de protesto o que estava em causa era o próprio PCP. O darwinismo também se aplica aos partidos.

O PCP não se pode contentar em ser um partido autárquico. Se o PCP continuasse fechado, outros movimentos teriam de abrir o caminho ora aberto pelo PCP, BE e PS.

Há, no entanto, um dado novo: o BE passou à frente do PCP e claro está que aumentou a disputa entre ambos.

O PCP vai querer ser a terceira força e o BE vai querer manter-se, como é óbvio. Que esta competição não coloque em causa os acordos é o se pode desejar do lado de quem está à esquerda.

Botas no Terreno? Outra Invasão?

O Daesh (Estado Islâmico) ao escolher a França como teatro de operações para os ataques de Paris tem consciência que uma das consequências poderá ser levar os países da NATO, nomeadamente os EUA, a irem atacá-lo no território onde se estabeleceu.

Sendo assim os ataques perpetrados valem, por um lado, para mostrar a sua capacidade de aterrorizar as populações na Europa e, por outro lado, como chamariz às potências atingidas para que entrem na Síria e no Iraque.

O terror do Daesh é um elemento essencial da sua política interior e exterior. Aterrorizar atingindo um grau quase sem limites visa paralisar de medo as populações que controla e, no exterior, condicionar o modo de vida dos europeus.

O Daesh com os seus ataques brutais e espetaculares, cavando vulnerabilidades no “inimigo” pretende chamar a atenção das camadas da sociedade que possam sentir-se atraídas, em pleno coração das potências europeias, por tais ações e mobilizá-las mostrando o que são capazes de desafios daquela envergadura.

As ações desencadeadas, num contexto de uma desigualdade de meios arrasadora, atrai jovens prontos a vingar-se da vida que não têm e assim saírem desse submundo para as grandes manchetes dos media.

Nos seus passados encontram-se quase sempre problemas de inserção social e de natureza criminal. Haverá quem provenha de extratos com outro perfil, mas esses estarão num outro patamar, na direção do Daesh.

Nestas circunstâncias o Daesh “pica” o Ocidente para entrar nos territórios que controla sabendo que não poderá travar uma batalha do tudo ou nada, mas tirar partido da ocupação daqueles territórios e afirmar-se diante das populações como o baluarte no combate ao inimigo ocupante dos territórios.

O Daesh sabe que na Síria não tem concorrentes salvo o Partido Baas de Assad dado que eliminou tudo o que podia ser alternativa.

Os EUA no Iraque bem se arrependeram de terem colocado o Baas do Iraque na linha de combate fazendo com que muitos quadros passassem para a luta contra a ocupação.

Como a experiência demonstrou no Afeganistão e no Iraque os EUA e ou a NATO podem ocupar por um certo período um país, mas não podem aguentar a ocupação.

Os dirigentes do Daesh parecem querer legitimar a sua pretensão usando este estratagema: fazer os EUA e outras potências entrarem para lhes montar o cerco e desgastá-los tal como aconteceu com os soviéticos e a NATO no Afeganistão, com os EUA no Iraque.

As ocupações militares na atual situação mundial não podem, em geral, ter sucesso, salvo se existir no terreno uma alternativa. No caso da Síria, os EUA e a França pretendem derrubar o regime sírio, o que complica os entendimentos para uma saída dado que a Rússia apoia o regime do Presidente Assad. E até ao momento o que se perfila é entre o jiadismo da Al-Qaeda e o do Daesh.

Na luta contra essa ocupação os jiadistas irão reagrupar forças e impedir quem quer que seja de se apresentar como alternativa, caso o regime sucumba.

Na verdade o facto dos EUA apoiarem o grupo AL- Nusra, próximo da Al-Qaeda , levanta um sem número de questões face ao futuro figurino político-constitucional da Síria se saísse vitoriosa a solução norte-americana, dado que Assad é dos poucos dirigentes, em todo o mundo árabe, que defendem uma República laica, sem perseguições às minorias religiosas e onde lhes é permitido terem locais de culto, o que não é possível na vizinha Arábia Saudita.

Antes de entrar na guerra de ocupação os EUA e a NATO deviam pensar nas consequências de tal opção a partir dos desastres criados com as invasões do Afeganistão e do Iraque que estão na base te toda a atual situação no Médio-Oriente e a subida exponencial do terrorismo jiadista.

Quando as populações com um passado milenar se sentem confrontadas entre um ocupante e os defensores dos territórios sob ocupação o pêndulo da balança cai para o lado dos que resistem.

Nessa situação e face ao poderio dos países do Golfo, ao conflito entre sunitas e chiitas- expressão da competição regional entre o Irão e a Arábia Saudita- serão muito provavelmente subvertidas todas as fronteiras entre os diversos Estados legadas pelos acordos que ditaram a descolonização.

Os mais fortes e poderosos tenderão a abocanhar regiões e territórios de outros mais pequenos e levar a cabo uma política de limpeza étnico-religiosa.

O Iraque era com muitos problemas um país unificado e com peso na região e no continente. Hoje é um país dividido pelas lutas intestinas entre chiitas, sunitas e curdos. O que se passou na Líbia foi tornar o país um território sem lei e sem governo capaz de governar. O que se está na Síria poderá ir na mesma direção. O Egito está paralisado. A Tunísia sob ameaça. O Líbano no fio da navalha, como sempre. Os palestinianos totalmente à mercê da ocupação israelita. A Turquia metida no atoleiro e protegida pela NATO a criar um novo conflito com a Rússia. Fica o gigante a dominar os cordelinhos desde Riad, apoiando tudo o que seja obscurantismo.

O Ocidente com os EUA à cabeça parece que não aprenderam com as lições recentes ou será tudo isto mais que isto e insere-se num clima de pré-guerra que não se sabe onde vai parar?

A situação internacional marcada por tantos conflitos em regiões vitais como o Médio-Oriente começa a ficar saturada de tantos conflitos. Juntar mais aos existentes pode ser o início irreversível de um mais generalizado.