Ontem, há Quarenta e Dois anos, Camarada Estrada

Era uma noite como tantas outras noites. Vestida de negro. E negra por dentro. Tinha o peso de todas as anteriores que vinham há muito roubando vidas de esperança.

Havia nesse tempo noturno estrelas de esperança que os sicários perseguiam para que nas trevas a luz nunca tivesse alento.

Nessa noite, há quarenta e dois anos, um camarada deu notícia de prisões e perigos. Devia ficar com a casa limpa. Se os sicários viessem não deveriam encontrar as searas de palavras que feriam o reino das trevas e da violência.

Era noite. Mesmo noite. Tão negra a noite. Talvez por ser a última. Mas quem o saberia? E subi ao telhado e fiquei empoleirado no escuro da noite. E ali guardei os Avantes. E fiquei à espera da desgraça e do vento que em Caxias cortava a respiração.

E logo a rádio espalhou o comunicado, mas anunciava para se ficar em casa. E veio a desconfiança. Quem seria. Golpistas? A extrema-direita? Não disseram ao que vinham. Logo veio o Valadas, camarada vizinho a perguntar se sabia quem eram os homens daquela noite. Que não sabia disse-lhe. Liguei ao Sérgio que também não sabia.

E de repente bateu-me um postal vindo dos Açores do David Lopes Ramos que estava na tropa com o Melo Antunes e o Vasco Lourenço. O coração acelerou. E nunca mais chegava a madrugada. Às tantas os militares deixaram abrir as portas à alegria antiga.

Já era manhã e tocou a campainha. Era a Zita. Disse mais ou menos isto: camarada Estrada o estar aqui assim diz o que o partido pensa da situação. Apoiamos exigindo liberdades e fim da guerra . É preciso ir para a rua apoiar e exigir a libertação dos presos políticos. Temos de pôr o partido na rua.

Todas as janelas dos vizinhos se iam abrindo e um sorriso largo e atrevido tomava –lhes o rosto.

Seria aquela a manhã da Sophia? Seria o vento que deixava de calar a desgraça e deixava-nos dizer tudo uns aos outros sem medo como dizia o poeta da Praça da Canção?

Ai que o medo iria ficar arrumado na memória e com as mãos, as simples mãos se iria fazer o futuro.

Há quarenta e dois anos a noite matou a noite antiga.

Fascismo à Espreita no Brasil

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Na votação, na Câmara dos Deputados no passado dia 16, pelo impeachment de Dilma Rousseff, Presidente do Brasil, distinguiu-se entre muitos o deputado Jair Bolsonaro que para atacar a Presidente foi ressuscitar um dos algozes mais sinistros da ditadura militar brasileira.

Jair Bolsonaro lembrou que o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ( chefe do DOI   COD, Departamento das Operações Internas do Centro de Operações da Defesa, órgão subordinado ao Exército, de Inteligência  e Repressão , criado em 2 de Julho de 1969)  acusava Dilma de ter pertencido a quatro organizações terroristas que pretendiam implantar o comunismo no Brasil.

Foi às mãos do DOI que foram assassinados entre outros o jornalista Vladimiro Herzog e o operário Manoel Fiel Filho.

Este órgão foi um verdadeiro antro de prisão, tortura e assassínio dos militantes  oposicionistas à ditadura militar.

Vir agora justificar o impeachment com o passado de resistente à ditadura militar brasileira, mostra que no Brasil o fascismo espreita e que muitos dos que se juntam a esta loucura ainda se virão a arrepender.

A raiva e o ódio à Presidente Dilma cegou muitos dos seus opositores.

Na verdade, independentemente dos erros de Dilma, não existe qualquer suspeição de corrupção sobre a Presidente.

Em contrapartida existem na Câmara de Deputados dezenas de deputados em pânico devido à operação Lava Jato que a Presidente não fez nada para parar.

A incapacidade para a direita neo liberal no Brasil ganhar a presidência fê-la perder o tino.

São juízes a pedir manifestações para terem apoio na perseguição a Lula da Silva e a divulgar escutas da Presidente; são deputados a votarem em nome de Deus, Pai, Espirito Santo, esquecendo o pecado mortal que é invocar o santo nome de Deus em vão… Há de tudo, até quem vá procurar nos algozes torcionários “razões” para o impeachment…

O Brasil vai mal, vai muito mal… algo anda à solta e não é nada de bom: o ódio mais destemperado, próprio do fascismo.

 

Portugal e Angola: Relacionamento e Ingerências

As relações de Portugal com Angola são, no quadro de uma ampla diversificação das relações externas, um elemento chave de uma política de defesa dos interesses nacionais. Assim como as relações com os restantes países de língua oficial portuguesa.

São-no agora, como o foram desde a independência destes novos países. E face ao rumo de então, não foi nada pacífico o relacionamento com aqueles países sobretudo com Angola, levando ao caricato de Portugal ser um dos países que mais tarde reconheceu a independência daquele novo país.

Durante anos a fio PS, PSD e CDS estiveram unidos contra não só reconhecimento da independência, como mais tarde contra o desenvolvimento das relações entre os dois países.

Aqueles três partidos comprometeram-se no apoio à UNITA o que impedia o aprofundamento do relacionamento com a ex-colónia.

Por amor à verdade houve gente naqueles três partidos que se pronunciaram em sentido contrário ao das suas direções.

As relações com Angola estão muito para além dos governos por um conjunto de razões que qualquer português ou angolano compreende. Não saber ou não querer corresponder esta realidade é um péssimo serviço prestado ao país.

A machadada na UNITA com a morte de Savimbi e a reorientação de Angola criou novas possibilidades para em Portugal se reajustarem as políticas em relação àquele país.

O MPLA virou o seu azimute e abandonou muito do seu passado ideológico para se colocar hoje no campo das orientações neo liberais, o que nem, por isso, muda a importância das relações entre Portugal e Angola.

Ora não deixa de ser curioso e um pouco contra natura que o PCP ( o partido que mais lutou pelo reconhecimento pelo direito de Angola à independência e pelo desenvolvimento das relações com aquele país) apareça ao lado do PSD e CDS na Assembleia da República a propósito de um voto de reparo face às condenações dos ativistas angolanos “apanhados” a ler um livro na casa de um deles.

O partido que mais tem lutado e, em geral bem, para pôr governos na rua fazendo-os cair, não devia aceitar que fossem aplicadas penas de cadeia pesadíssimas para os angolanos oposicionistas do governo do MPLA , que nem sequer organizaram manifestações a pedir a sua queda.

Ora é preciso deixar claro que a solidariedade de homens e mulheres livres que se batem por princípios nucleares da vida em comunidade nunca poderá ser confundida com ingerência nos assuntos internos de outro país.

Quando alguém é condenado a pesadas penas de prisão por ter opinião diferente dos governantes e entender associar-se para refletir sobre essas opiniões o que se está a pôr em causa são princípios fundamentais em que devem assentar as nações.

Não é por acaso que os artigos 19º, 20º e 21º da Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhecem, como direitos inalienáveis, o direito de opinião, expressão, reunião e associação.

Ora o reparo face às penas, a reclamação pela carga das condenações, a exigência de um recurso limpo, sem ingerências do poder político é uma atitude de valor universal que não pode ser vista como ingerência, nem como solidariedade aos ativistas.

Não se pode exigir liberdade apenas para os que pensam de um certo modo; a liberdade é um bem para todos os cidadãos que a respeitam, incluindo para aqueles que pensam de maneira bem diferente dos governantes.

Ingerência nos assuntos internos de um país é que faz a cada passo o Senhor Schäuble quando pressiona o governo português a seguir as orientações de empobrecimento que ele pretende impor ao país e nem CDS, nem PSD se prestam a condenar semelhantes pressões e ingerências.

Os negócios de Portugal com Angola são muito importantes. Mas as negociatas entre gente dos dois lados para seu único proveito não são a melhor maneira de desenvolver as relações entre os dois Estados com base no respeito mútuo, na reciprocidade de vantagens e sem ingerências nos assuntos internos de cada um deles.

Quem tudo fez pelo reconhecimento da independência de Angola e pelo aprofundamento das relações entre ambos os Estados não deveria aparecer ao lado daqueles que estiveram sempre do lado de Savimbi, que tudo fizeram para que o MPLA não declarasse a independência e para impedir o aprofundamento das relações com o novo país.

Nem ao lado daqueles, no voto na AR, que fazem da pressão externa a sua própria força contra as aspirações do povo português a uma mais desafogada e com o mínimo de dignidade.

Quatro Notas sobre Congresso do PSD

1.A reforma da lei eleitoral…E a da Segurança Social. Se o PS se aproximar do PSD… Se…

Convenhamos que é quase nada. Um político que durante quatro anos foi o responsável máximo da ação governativa lembra-se agora, na oposição, destas reformas?

Quanto à reforma eleitoral só pode ter deixado o CDS desconfiado. Embora Assunção Cristas tenha elogiado a força de vontade do PSD…Uma farpa?

Quanto à da Segurança Social, Passos não larga o passado e volta para esconder o corte de seiscentos milhões atrás da palavra reforma.

2. Mas Passos Coelho “não se ficou pelas reformas”. Esmerou-se entusiasmado no ataque à reestruturação da dívida…ele que fez aumentar em mais de trinta por cento a dívida, transferindo-a dos privados para o setor público. Apresentou-se como um fogoso mandatário dos credores internacionais alegando toda a sua experiência como governante. E foi mais longe. Garantiu que tal não era possível, sem, contudo, mostrar procuração com tais poderes dos donos do dinheiro.

E a sua força foi toda para apoiar os credores, sendo ele um líder de um país devedor e ele próprio responsável com a sua política pelo aumento dessa brutal dívida…Chegou a enternecer aquela referência aos durões do FMI. O homem corajoso prega que o seu país cruze os braços e não faça nada. Apenas que ponha a cabeça no cepo…

Sempre, sempre ao lado dos donos do dinheiro. Passos Coelho nunca hesitou ao longo do seu consulado de governação e continua na mesma senda.

3.Outra nota de registo: está zangado com quase toda a gente e não entende Marcelo que não siga, como o Durão, o cherne de águas profundas, e navegue na espuma dos dias.

Ainda acordou a tempo e reconheceu que o governo afinal é mais consistente do que ele e o amargurado Cavaco inventaram para impedir a sua formação.

 

4.E dando pleno curso à sua coerência puxou para a ribalta do PSD a Sra Dra dos cofres cheios de nada.

A Sra Dra, promovida à Administração da Arrow Global, está na mira da opinião pública e dos deputados. Não se é da Administração da Arrow sem que isso não conte para a progressão no PSD; as coisas estão ligadas. Arrow e PSD ficam assim ligadinhos.

Apesar da gloriosa mentira dos cofres cheios a Sra Dra mal pegou no micro, imediatamente a seguir a Passos Coelho, a debandada foi geral. O que ia dizer estava requentado; tinha quatro anos de atraso. Até os congressistas estavam fartos daquele patuá.

Também ela está muito aborrecida com o que se está a passar em Portugal e do alto da sua inteligência fina só vê o tempo velho.

Passos e a Sra Dra estão encerrados no labirinto da estratégia do empobrecimento do país. Não são capazes de sair de lá. E não têm asas para outros voos. Gabe-se-lhes a teimosia.

 

 

 

Ai as Mini Saias e os Saltos Altos!

Segundo Enzo Napoli, Presidente da Câmara de Salerno, bonita cidade com vista para o mar, a sul de Nápoles, há que preservar os turistas e residentes dos olhares libidinosos proporcionados pelas pernas e saltos altos das prostitutas que atento o mercado de oportunidades não se coíbem em puxar as saias uns centímetros acima dos joelhos.

Por esse facto podem ser multadas até 500 euros, o que lhes daria cabo das receitas provenientes do mercado da prostituição, pois que, como nos outros, resulta da oferta e da procura.

O Presidente da Câmara considera que se as prostitutas tiverem mais decoro, as oportunidades para os turistas e residentes caírem em tentação diminuirão e cessará o crescimento da prostituição na cidade.

Ora pode suceder que, com tal vontade de limpar a cidade de mini saias e saltos altos, o Presidente possa atingir todas as mulheres jovens e de meia-idade que se decidam, por moda, pelas mini saias e sapatos altos, como ocorre em muitas cidades italianas, francesas, espanholas, alemãs, portuguesas, isto é, europeias.

Enzo Napoli talvez se equivoque nos seus propósitos, pois tempo houve em que as mulheres andavam bem tapadinhas e a prostituição florescia, incluindo a proporcionar chorudas e santas receitas aos empreendedores do negócio.

O que o Presidente de Salerno está a promover é uma enorme inversão de valores que poderá levar a este despautério: tapem-se as mulheres e acabará a prostituição.

Não estará o Presidente da Câmara a defender a ideia judaico-cristã de que o mal está na primeira mulher, Eva, a tentadora do coitadinho do Adão? Haverá prostituição de mulheres sem homens que a frequentem?

O senhor Presidente da Câmara de Salerno deve sonhar com mulheres tapadas a quem não se pode ver a carne, descalças para não se ouvirem e não levarem à perdição dos homens…E se não se submeterem ao desígnio, castigo de 500€…Vá lá, podia ser pior, 500 chibatadas e nem assim a prostituição acabaria, pois algures no mundo muçulmano apesar dos castigos ela continua.

Que barbaridade! Mais parece um édito do Império Romano que uma diretiva municipal da Itália democrática. Quo vadis Salerno?

Os Instantes Finais dos Arrependidos que Não se Matam

Os jovens belgas que se fizeram explodir no aeroporto e na estação de metro, em Bruxelas, para matar o maior número de pessoas possível que terão pensado nos instantes antes de acionarem os explosivos?

Entre viver e morrer, matar os outros era muito mais importante, pensaram os que se mataram matando. E mataram quem quer que estivesse onde eles estavam. Podiam ser os seus próprios familiares. Outros muçulmanos. Morrer e matar. Viver para matar. Matar.

Um dos que se matou matando despediu-se esclarecendo que preferia morrer a viver numa cela uma série de anos por crimes antes cometidos. E matou-se matando os outros que não cometeram qualquer crime, sendo apenas como ele seres humanos.

Outro não se fez explodir. Entrou com a mala cheia de explosivos e com um chapéu na cabeça e tal como os outros empurrava a sua morte e a dos outros. Devem ter decidido espalhar-se para a morte matar mais gente. Seriam as ordens dos mandantes?

O certo é que ao afastarem-se para conseguirem matar muito mais gente veio o medo ao do chapéu e fugiu.

Quando se apanhou sozinho pensou que se ia matar matando. E entre continuar a viver e morrer falou mais alto a vontade de viver. E fugiu. Não foi o primeiro a fugir. Abdeslam o cabecilha dos atentados de Paris também soçobrou e não se matou.

Habituar-se a matar pode não ser tão difícil como se poderia imaginar. Há largos exemplos de gente que se habituou a matar. E matou.

O mais difícil é viver para morrer matando. Parece ser muito mais difícil, embora não seja impossível, como provam os jovens que puxaram o gatilho da morte e morrerem matando dezenas de pessoas inocentes, alguns sem saber o que é o Daesh, nem o califa que o dirige e que ordena a estes europeus que matem os seus semelhantes.

A maldade que leva a estes cometimentos é tão intensa, tão hedionda que um dos  que estavam destinados morrer a matar, na hora da verdade, não se matou, fazendo o califa e o califado sentir que os seus heróis afinal não o são. Sempre que a vida fala mais alto que a morte o califado perde.

Os que vierem a seguir a estes para se matarem matando matarão, mas outros que vierem e se arrependerão não ficarão tão sós quanto os primeiros. Provavelmente o califado escolherá ainda os mais determinados, os que cheios de crimes tenham receio de ir para a cadeia como o do aeroporto. Ou outros cuja vida se tenha transformado apenas na ideia de matar os que não aceitam o Apocalipse e a vinda do Mahdi.

O Daesh pode continuar a matar, mas dentro das suas fileiras o medo aparece à luz da vida.

Infeções a Mais nos Hospitais e Tribunais

Os média deram conta no dia 16 deste mês que todos os dias morrem doze portugueses com infeções hospitalares.

Por motivos diversos, alguns perfeitamente evitáveis, uma parte dos portugueses que vão aos hospitais para serem curados, saem mortos.Sublinha-se uma pequena parte, mas significativa apesar de tudo; doze mortos por dia é algo que assusta.

O problema apenas começa naquele momento para os herdeiros do falecido; a justiça portuguesa padece das mesmas bactérias e vai infetar com outras bactérias o tecido comunitário onde residimos e que é a base da nossa justiça.

Quer entre moribundo ou lúcido ou atordoado o cidadão ou seus herdeiros têm de saber provar aos senhores juízes que a infeção contraída no estabelecimento hospitalar resultou de um ato culposo do enfermeiro ou do médico.

Imaginemos que o paciente é sujeito a uma punção para lhe retirar sangue para um conjunto de análises e no ponto da punção infiltra-se uma perigosa bactéria hospitalar. Cabe ao desgraçado vítima da punção provar que quem colheu a amostra agiu com culpa e desvirtuou a leges artis, mesmo havendo uma perícia médica que conclua que foi aquele o ato que provocou a infeção bacteriana que levou o paciente às portas da morte… Chama-se a isto responsabilidade extra contratual que existe no Serviço Nacional de Saúde.

É grave que nos hospitais morra tanta gente por motivos evitáveis; porém é ainda mais grave que na chamada à responsabilização dos maus profissionais do SNS, os infratores se escondam num sistema iníquo e que privilegia a incúria e a irresponsabilidade dos profissionais de saúde que agem com culpa e obriguem os cidadãos indefesos à prova diabólica de adivinharem onde o profissional agiu com essa culpa.

Uma coisa é a bactéria que entra de modo inevitável, outro é a bactéria que resulta de condutas perfeitamente evitáveis.

Que pode dizer o cidadão A. acerca da seringa utilizada pelo senhor(a) médico(a) ou enfermeiro(a) B.? Como pode saber se a seringa estava devidamente desinfetada e se não estava de quem é responsabilidade?

Há infeções a mais nos hospitais. E nos tribunais.É preciso uma lavagem das infeções hospitalares e nas mentalidades reinantes nos tribunais e nos legisladores.

Ó Tempo Volta para Trás

NOTA FEITO DE UM COMENTÁRIO

acompanho e leio com muito interesse o que escreve e, na esmagadora maioria das vezes, não hesitaria em subscrever por completo.
é amigavelmente, portanto, que lhe quero chamar a atenção para um lapso. a canção “ó tempo, volta para trás” não foi celebrizada (creio que tão pouco cantada) pelo tode ny de matos, mas sim por antónio mourão, de quem, aliás, não se conhece mais nada de significativo. tony de matos, goste-se ou não, estava num nível um bom pedaço acima.
a intenção não é a de vir “em defesa” de tony de matos, apesar de pessoalmente achar mal avaliado no nosso panorama musical em geral. isso seria outra questão, que não é para aqui chamada. aqui é mesmo, e tão só, a de amigavelmente apontar o que julgo ter sido um lapso.
castro guedes
De todo o coração dou a mão à palmatória. Erro, erro meu. Merda.

É verdade, como pude confundir? Que dirá o meu amigo Vitorino?

Obrigado

domingos lopes
 Os títulos e as notícias andam por aí – Passos Coelho e o PPD/PSD, e Assunção Cristas estão de volta e a “bombar”.

Assunção Cristas, a nova líder do CDS, ex-Ministra da Agricultura e Mar, agora na oposição vai resolver os problemas que não resolveu e criou.

Censurando veementemente o governo e o Orçamento que lhe faz …”lembrar as crianças no recreio…” está preparadinha para governar com o PS e ou com o PSD. É para que lado for o pendulo.

Passos Coelho está pronto para governar e a faz visitas a empresas, a unidades de cuidados intensivos e a escolas, levando na lapela o pin de Portugal, com uma caterva de jornalistas que bate o atual Primeiro-Ministro. E fala (deve ser do hábito que lhe custa a sair) como se ainda fosse o que não é e diga-se, em abono da verdade, que a própria voz outrora poderosa se adocicou um pouco.

O PSD secou e só tem (para já) o que tinha – Passos e os adivinhos implantados na imprensa a bombar contra Costa.

Vem aí o Congresso do PSD e o partido tem um trunfo – Passos, nada mais; o resto, a existir, o que se admite, é como se não existisse. Quais são as ideias do PSD para esta nova fase da vida nacional? Parece, pelo que se vê, e vê-se muito por tudo quanto é notícia, tem o famoso fado do Tony de Matos – Ó tempo volta para trás! E na verdade tudo o que o PSD pede é Passos em S. Bento. Só que se o tempo voltasse não teria Portas e Cristas ainda ande na cabeça no ar a ver de onde vem o zéfiro.

Teremos um Congresso a aclamar um líder derrotado e que passados três meses e picos de novo governo ainda não deu conta que já é tempo suficiente para mudar de agulha e não se comportar como se ainda fosse governo.

A velha ideia de castigar os lusitanos por viverem acima das possibilidades tirando-lhes de tudo um pouco volta agora sob a forma de agoiro: vão ver quando eu lá chegar, vão ver; eu é que tinha razão.

E para tanto há uma espécie de destrambelhamento agudo: Passos veio esclarecer que nunca disse que era preciso sair da zona de desconforto e que não era preciso sair do país para ir à procura do sustento com o mínimo de dignidade; nem nunca disse que era preciso os portugueses serem …”menos piegas…” e … “menos preguiçosos…”. O que ele disse, melhor, o que lhe saiu pela boca vindo das cordas vocais situadas na garganta resultou de um exorcismo descontrolado da alma alemã que ele albergava algures.

Ele um transmontano de Vila Real habituado a trabalhar de sol a sol na Tecnoforma a vigiar aeroportos mais o seu amigo do coração, um impoluto cidadão, o Sr Miguel Relvas, que devido à carga horária nunca foi capaz de fazer em toda a sua vida uma cadeira na Faculdade de Direito, jamais acharia que os portugueses eram “autocentrados” a quererem…” divertir-se no Carnaval enquanto quem emprestava dinheiro estava a trabalhar…”.

Aquilo que ele disse foi a tal alma alemã que nele se implantou quando em Berlim achou que os alemães nunca deveram nada a ninguém e nem têm Carnaval a sério como por exemplo o de Düsseldorf, Colónia, Bonn, Aachen ou Mainz… Os alemães da Alemanha são levados da breca para gozar o Karneval…Os alemães de Portugal são uns preguiçosos, só pensam na diversão e é o que se vê.

E portanto Passos a caminho da coroação no Congresso vindouro do PSD esfarrapa-se para explicar que é melhor que o António Costa e desde logo porque em nenhuma circunstância ele faria o que Costa fez – um acordo com deputados do Parlamento dos partidos das esquerdas.

Ao contrário de Passos, Portas eclipsou-se; foi à vida…para já. Vem aí a Assunção Cristas com um ar maternal e cheia de bom senso reclamar soluções para a Agricultura e para as Pescas, problemas que ela nunca teve possibilidade de ajudar a resolver.

E em entrevista ao Público do dia 28 de Fevereiro, revelou aquilo que no CDS é o segredo mais bem guardado: o CDS está disponível para ir para o governo com o PS e PSD …já que o tempo parece não voltar para trás.

O que se está a passar é digno de relevo: um ex-Primeiro-Ministro foi derrotado e formou-se um novo governo e talvez devido à inércia as grandes notícias vão para o que foi derrotado e que fica a “bombar” para resolver a crise que não resolveu.

A força do compromisso Passos/Portas era a estabilidade que Portugal apresentava. E espantemo-nos, pois o novo governo tomou posse há pouco mais de três meses e ainda não resolveu os problemas do país…

Passos apostou na austeridade, no empobrecimento do país; Costa aposta em pôr termo aquela austeridade e em devolver rendimentos.

Por isso Costa tem o apoio das esquerdas e o combate da direita coligada com os eurocratas ao serviço dos mercados internacionais.

Choca que as notícias sejam tão enviesadas que escondam que Passos não tem  um programa e apenas uma ideia – voltar a ser Primeiro-Ministro: anda de Caifás para Pilatos e Anás, a mostrar-se que não é – Primeiro-Ministro…à espera de o ser. Ó tempo volta para trás!

Paula Teixeira da Cruz – Um Susto Nunca Vem Só!

Para exercer o cargo de ministro é preciso ter estaleca e aguentar o exercício. O poder democrático está em permanente confronto com a comunidade.

Para tanto o ministro tem poderes tais que o seu exercício mexe profundamente na vida dos cidadãos. Pode beneficiar uns e prejudicar uma imensa maioria ou o contrário.

Quando o chefe governo chama alguém para um dado ministério sabe quem escolhe e conhece o perfil, a endurance, a capacidade, a competência, a robustez psicológica, a resistência às pressões, a honradez e tudo o mais que um cargo desta responsabilidade exige.

É assim natural, decorre das experiências governamentais, que um ou uma ministro(a) tenha a proteção que o próprio Estado lhe “imponha”.

Causou estranheza a entrevista da Dra Paula Teixeira da Cruz à revista Sábado.

A residência de uma ministra deve ser criteriosamente guardada por motivos os mais diversos, isto é, não só pela defesa da integridade física da senhora ministra, como também pela proteção dos titulares do Estado e do próprio Estado, pois é certo que um ministro(a) saberá de assuntos que não podem cair na praça pública.

O cargo de titular da pasta da Justiça é demasiado importante para que quem o desempenhe não tenha a proteção adequada e conveniente. A ministra da Justiça gozará por parte dos serviços de segurança do Estado de uma proteção tal que a sua residência não ficará à mercê de qualquer criminoso nacional ou estrangeiro.

Uma ministra não poderá ver a sua casa devassada – assuntos de altíssima importância de Portugal e da própria União Europeia poderão ficar em mãos indesejadas e além do mais serão alguns deles reservados.

Uma ministra não pode abrir o correio; é dos livros. Alguém o abrirá e o entregará ou destruirá segundo protocolos rígidos do Estado.

Uma ministra não pode acordar e dar conta que foi vítima durante a noite de alguém que lhe foi fazer golpes no braço esquerdo!!!, pois isso significa que a titular daquele cargo está à mercê de qualquer tarada(o).

Uma ministra que está em sua casa e lhe lançam raios laser!!! na cabeça não está segura e é de novo o sistema de segurança que está em causa.

A ministra da Justiça não pode ser equiparada a uma estrela de rock; é detentora de segredos e de conhecimentos que devem merecer a maior reserva até serem do domínio público sob pena de poderem cair em mãos criminosas e serem usados para fins contrários aos pretendidos.

A família de uma ministra tem de estar protegida, sobretudo quando se verificam situações de violência.

Por todos estes factos que são uma espécie de ABC de qualquer serviço do Estado custa a imaginar que a Sra Dra Paula Teixeira da Cruz tenha sido vítima das ameaças que relatou à Sábado.

Não havendo razões para crer que a Sra ministra não falou a verdade é caso para perguntar: o Sr Dr Pedro Passos Coelho, Chefe do Governo, o que andava a fazer?

Ou sabia ou não sabia o que estava a suceder à ministra. Se sabia tinha o dever escrupuloso de criar as condições necessárias para que a sra ministra não fosse vítima do que diz ter sido.

Se não sabia porque só agora a Dra Paula revelou é grave e constitui uma séria violação dos seus deveres para com o Primeiro-Ministro e o conjunto das instituições que têm de zelar pela segurança.

Se lhe comunicou e mesmo assim aconteceu o que ela diz ter acontecido é infelizmente prova de que os ministros em Portugal estão à mercê de qualquer bando de criminosos.

Venha o diabo e escolha. Um susto nunca vem só.

Os Boys and Girls dos Mercados -O Destino de Maria Luís e Vítor Gaspar e Cª

Gaspar tinha aquela voz de alcatifa caríssima que abafa o ruído do calçado, pois nada pode perturbar quem está a pensar na obtenção do lucro, voz que só por si afraca os outros.

Quando saiu e irrevogavelmente entrou a Maria Luís que tem um ar todo despachado, tipo vai tudo à frente na defesa do Sr Schäuble, dos mercados, dos credores internacionais, do Eurogrupo dava para ver que ia longe.

E foi. Direitinha ao Arrow Global. Tão certo como terem sido empresas do grupo a negociar com ela quando representava o Estado português como principal acionista do BANIF.

A Whitestar e a Gesphone e a Carval, todas do grupo Arrow, negociaram e fizeram excelentes negócios com o BANIF, talvez melhor que o do Santander que vai receber mais do que o que pagou pela “compra” do BANIF.

A Maria Luís vai para lá depois de ter estado onde esteve e achar normal porque não vai para nenhum cargo executivo e acrescenta o administrador que o seu enorme conhecimento no dossier de dívidas públicas…pois claro, o que ela saberá do BANIF…do BES…do Banco Novo…e do BdP.

A Arrow não dá ponto sem nó e a Sra Dra dá o nó com pontos que é o de continuar o negócio por outros meios, como diria Clausewitz, o tal que dizia que a guerra era a continuação da política por outros meios.

A Arrow tinha de puxar pelo quadro que lhe permitiu fazer negócios a sério. Tinha de saber promover quem revelou tão altas qualidades a servir Portugal…

O problema para além de ser o que é (o Estado à mercê de quem dele se serve para fazer caminho e vida em setores que o pretendem dizimar) acaba de sair do governo e aninha-se numa financeira que em Portugal andou a ganhar rios de dinheiro com a má gestão de quem estava à frente do BANIF, nomeadamente depois do governo onde Maria Luís pontificava ter colocado o dinheiro dos portugueses para estes enormes predadores se aboletarem.

Maria Luís explicou muitas vezes que o salário mínimo nacional não podia subir cinco euros, nem quatro, que os funcionários públicos ganhavam demasiado, que os portugueses estavam mal habituados…a Arrow podia lá esquecer estes sermões da Ministra de Estado.

São estes rapazes e estas raparigas, estas senhoras e estes senhores que atacam tudo quanto é setor público para entregar as riquezas nacionais aos donos do dinheiro. Os donos do dinheiro têm espalhado pelos diferentes Estados grandes oficiantes que sabem tratar dos assuntos.

Merecem todas aquelas condecorações que Cavaco lhe concedeu. Faltou o Relvas e o José Veiga e mais alguns.

É esta oligarquia que no cumprimento da mais fina legalidade corrompe a República e lança o descrédito na vida em comunidade. Comunidade significa o conjunto dos cidadãos com os seus interesses múltiplos e diversificados. A política não pode ser a arte de prosseguir a obtenção de lucros por outros meios. A política deve estar ao serviço da comunidade e não apenas de uma oligarquia que tudo asfixia.