Monte do Cebolal em Capelins

 

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A elevação do terreno ergue-se ao longo de umas centenas de metros com estevas, oliveiras e azinheiras à frente do caminhante e morre a descrever uma sela para que os humanos olhos desfrutem numa rotação de trezentos e sessenta graus.

Para sul a terra soergue-se levemente continuando num mar de azinheiras pontuadas de oliveiras. É um território de silencioso verde-escuro. Tudo parece adormecido. Só as mansas rolas acordam a atmosfera carregada de quietude.

Virado ao nascente de onde vem a luz que dá forma à cor estendem-se as terras em folhas semeadas e em bruto a pedir piedade aos animais que as não desbastem de tão pouco terem. Cachos de ovelhas abanam os badalos dos chocalhos criando uma ambiente de serenidade perpétua.

Para o poente fica a doçura dos róseos crepúsculos que fazem crer na magia dos instantes tão breves sorrisos à flor dos olhos.

Ai o mar infinito que se deita para o norte; um mar de ondas de terra e árvores e de castelos (Terena, Alandroal) a fazerem de penedos como no mar da minha Póvoa. Um mar feito de oliveiras bordadas como os das toalhas das bordadeiras de Vila do Conde que o céu olha enternecido.

É virado ao norte que o infinito se pendura no olhar e vai amaciar a alma e dar-lhe a quietude que se sabia existir, mas só ali ela ganha corpo.

É como se toda a paz do mundo nos viesse poisar nas mãos que a esperavam assim tão azul e silenciosamente presente.

Entre os olhos e o infinito não há separação, apenas um todo cheio de tudo num círculo cósmico ligando a nossa pequenez ao universo infindável. Fomos nós que o descobrimos sem que ele o saiba, espantados quando a noite tudo cobre e descobrimos sempre a sua imensidão. Sempre.

Tem então todo sentido Jorge Luís Borges…”Certos lugares e certos crepúsculos querem dizer-nos algo ou estarão para nos dizer algo e esta iminência é talvez o facto estético…”

Arábia Saudita – Um Enorme Serralho em “Eleições”

Vai haver “eleições” municipais na Arábia Saudita nas quais os sauditas homens só poderão dirigir-se aos homens e às mulheres separadamente, nunca em conjunto.

As mulheres candidatas nunca se poderão dirigir diretamente aos homens, só às mulheres desde que na companhia de um homem. Todas as mulheres que quiserem ouvir as candidatas terão de ter um guardião masculino..

De quatro milhões e meio de mulheres estão inscritas para votar cento e trinta e duas mil para exercerem esse direito.

Como as mulheres sauditas não podem conduzir, nem sair de casa sem alguém masculino que as guarde, falar de uma campanha eleitoral em que as mulheres pela primeira vão poder ser candidatas não passa de um eufemismo…Há quem pense que se trata de uma operação de cosmética para agradar aos seus apoiantes ocidentais e dar um arzinho de liberalidade.

Na verdade se uma mulher não se pode dirigir a um homem, mesmo ao marido, sem o seu consentimento, como pode expor o seu programa?

Se uma mulher não pode sair à rua sem um homem a guardá-la como pode convencer alguém de que é uma cidadã igual a qualquer cidadão se a ditadura impede essa igualdade e a apresenta diante da sociedade como um ser incapaz de se auto governar, como uma deficiente que nem sequer é capaz de saber sair à rua e caminhar para onde lhe der a sua vontade de se recrear ou até de tratar de assuntos profissionais ou familiares?

Quando Barak Obama e F. Hollande e Cameron e Merkel cumprimentam o rei déspota da Arábia Saudita sabem que estão a cumprimentar um empedernido obscurantista que tem a mesma filosofia misógina que os dirigentes do DAESH.

Que sentido tem uma coligação com um Estado em que as mulheres por comparação com o Império romano não são bem escravas, mas também não são seres livres, pois nem caminhar podem sem o salvo conduto do seu amo?

As mulheres na Arábia Saudita estão todas, mas todas num enorme serralho da propriedade dos homens maridos ou não. Esta é verdade.

O que a Arábia Saudita tem para além de um enorme harém guardado por eunucos armados até aos dentes é petróleo e dólares e uma gigantesca indústria de compradores de armas e bens e serviços ao Ocidente que estrangulam a aspiração mínima de liberdade do povo saudita.

Se mais de metade da população da Arábia Saudita vive num sistema de quase escravatura como pode este reino gozar o estatuto de aliado das potências ocidentais?

Chocalho – Património Imaterial da Humanidade

Aqui estou. No meu lugar. Onde sempre estive desde que me lembro de mim. E vou estar. O chocalho não deixa dúvidas. Chocalha e quem quer saber, fica a saber onde ele está.

Os sinais que dá são a certeza do lugar escolhido para chocalhar. Mesmo se o dono andar perdido num mundo nada a jeito do chocalho; por isso o seu lugar conquistado, apesar de todas as tecnologias de localização.

O chocalhar de um chocalho, a quem o ouvir, vale como se fosse a alma de alguém a dizer alguma coisa. Uma aflição.Uma alegria.

O mundo reconheceu o chocalho como património imaterial da Humanidade.

Mais um motivo para que chocalhe no meu chocalho o que (me) nos vai acontecendo para quem quiser ouvir.

A perdição é uma volúpia. O chocalho uma segurança.

Das Bactérias Hospitalares aos Tribunais – Escadas de um Calvário

M.F., engenheiro, há uns anos, cerca de seis, foi a um estabelecimento hospitalar devido ao aparecimento de um estado febril.

Explicou ao médico que o atendeu que trabalhava em Moçambique como cooperante e achava que se tratava de gripe e não de malária, dado o médico ter naturalmente adiantado aquela hipótese.

O médico, contudo entendeu que M.F. devia fazer a despistagem da malária, tendo-lhe sido feita uma punção para retirar sangue do seu braço direito.

Após a colheita M.F. começou a sentir uma forte comichão no local da punção e à medida que as horas iam passando apareceu no braço uma mancha escura que se estendia em direção à mão.

Novamente no hospital foi internado no S.O. por ter sido infetado com uma bactéria hospitalar.

Nos três meses seguintes conheceu um verdadeiro calvário; correu risco de vida; foi sujeito a quatro intervenções cirúrgicas, sendo que duas delas voltou a ser infetado por um fungo.

M.F. esteve internado cerca de três meses e sofreu horrores: queimaram-lhe com nitrato de prata os tecidos podres, teve de ficar com o braço ligado a uma tala do ombro à mão.

Mais tarde foi sujeito a uma intervenção cirúrgica para coser o cotovelo ao abdómen para que houvesse transferência de tecidos e para que a pele do abdómen forrasse o cotovelo, ficando o cotovelo afundado e ligado ao abdómen e o braço dobrado de tal modo que tinha a mão direita sobre o ombro esquerdo.

Estes factos revelam o grau de devastação que a bactéria provocou num homem saudável, imaginando o que seria em alguém com o sistema imunológico debilitado.

Mais grave, como se vê no caso do hospital de Gaia, é o facto de as Administrações fugirem às responsabilidades que decorrem do mau uso das técnicas hospitalares para curar doentes, causando a morte desnecessária a milhares de cidadãos.

M.F. intentou uma ação contra aquele estabelecimento pedindo a sua condenação no pagamento de uma determinada quantia a título de danos não patrimoniais.

O resultado foi um espanto: o tribunal deu como provado que a punção deu origem à infeção pela bactéria, as lesões que teve; só que o infeliz M.F. não provou que no ato da punção houve violação da leges artis.

M.F. segundo este entendimento do tribunal, deveria provar que o técnico que lhe tirou sangue não tinha lavado as mãos ou não tinha tirado a seringa como mandam as boas práticas…

Inconformado recorreu para o tribunal da Relação e pelas mesmíssimas razões foi mantida a decisão.

Desalentado, decidiu, apesar de todos os custos, recorrer para o STJ que acolheu a sua tese: a punção que o infetou constitui uma grosseira violação da leges artis.

Mas o que não é menos importante para a cidadania o seguinte que se apurou em termos do andamento do julgamento:

– Há um risco de morte real derivado às infeções nosocominais, in Relatório de Vigilância Epidemiológico

– Naquele hospital a bactéria era responsável por 12.8% das infeções

– A mortalidade dos doentes com essa bactéria é superior à geral

– Não há formação adequada para médicos e enfermeiros

– Bastaria lavar as mãos antes de tocar nos doentes para diminuir os riscos da infeção – extraordinário!

Atente-se agora neste infortúnio: não basta os hospitais tratarem mal os doentes no que concerne às infeções, juntam-se também decisões dos tribunais que exigem aos cidadãos que façam provas diabólicas, impossíveis, como seja o de detetarem nos enfermeiros e médicos atos que violem a leges artis,  mesmo se estiverem inconscientes!!!…

O que se passa no hospital de Gaia, o que se conhece de outros casos e se comenta na comunidade, implica pôr termo a estas infeções hospitalares que atingem cerca de dez por cento dos que recorrem aos hospitais e que são em pleno século vinte e um evitáveis.

Que estes casos sirvam também para que a cidadania exija do Ministério da Saúde outra organização nos hospitais e mais cuidado e respeito por quem tem de se curar.

E finalmente que os tribunais estejam mais abertos a critérios que não façam recair sobre as vítimas o peso de descobrir o que foi feito em desconformidade com as boas práticas médicas, as quais são do conhecimento dos enfermeiros e médicos.

Sem uma clara responsabilização pelas regras de higiene com as inerentes consequências a todos os níveis, num quadro de horários de trabalho razoáveis, não é possível eliminar esta desgraça perfeitamente evitável como o demonstram os outros países europeus.

Que o novo Ministro tenha a coragem de tudo fazer para que quem entre nos hospitais não contraia infeções evitáveis. Basta exigir a todos os agentes da saúde que cumprem regras de higiene e que vigiem se as visitas as cumprem.

 

O Malabarista Mor do Reino

Nos tempos pesados de chumbo escrevia admirado a Salazar.

Depois a Marcelo.

Na Faculdade de Direito de Lisboa, depois do 25 de Abril, aterrado colava-se aos associativos …enquanto não passava a onda. Só lhe faltava ser leninista, declarava…

Depois teve um sonho, disse um dia – iria ser Primeiro-Ministro, mas antes atirou-se ao Tejo e não chegou a Presidente da Câmara. E Santana Lopes e Durão é que cumpriram o sonho. Até Passos. Ele era mais para a televisão.

Agora depois de percorrer as televisões ante o olhar embasbacado d@s comperes quer ser Presidente da República.

E no seu malabarismo máximo de equilibrista sem a elasticidade de outrora desejou ontem sorte a Costa, sem esquecer o papel de Passos em tempos difíceis…não se sabe se Portas gostou. Esqueceu-se dos pavões de S. Bento, coitadinhos.

Em breve desejará Bom Natal aos habitantes de Rabo de Peixe e enviar-lhes-á uma grade de minis e ao Partido dos Animais um postal muito fixe com uma rena selvagem…

Marcelo Rebelo de Sousa está em todas as pocinhas até ao pântano final, se os portugueses quiserem. Belém merece mais. Há muito.

A Turquia Derrubou um Avião e Deu um Sinal Forte de Apoio ao Daesh

Não sei se o avião russo estava dentro do espaço aéreo sírio ou turco; o que todos sabem é que fazia parte dos aviões russos que bombardeavam o Daesh.

Não há ninguém que não saiba que é menos um avião a combater o Daesh.

Todos sabem que pela fronteira da Turquia entram e saem os terroristas do Daesh.

Todos sabem, incluindo Obama, que a Turquia prefere o Daesh ao regime sírio ou a qualquer desígnio de autonomia dos curdos.

Ninguém pode ignorar que, neste preciso momento, derrubar um avião que bombardeava o Daesh é dar ânimo aos jiadistas de todo mundo.

Ninguém pode ignorar que quando todos precisavam de estar unidos contra o Daesh, a Turquia derrubou um avião enfraquecendo a frente de ataque ao Daesh.

François Hollande estava em Washington com Obama a concertar a frente anti-Daesh e foi exatamente nesta altura que a Turquia derrubou o bombardeiro russo.

Todos sabem que a Turquia é uma potência regional, mas apesar disso não iria derrubar um avião da Rússia sem consulta aos membros da NATO, em primeiro lugar, aos EUA. Presume-se sem grande esforço intelectual.

A Turquia quis mostrar a todo o mundo de que lado está e portanto segundo Ancara depois de dez avisos os aviões turcos derrubaram o avião russo. Como se o derrube de um avião militar em ação fosse algo de absolutamente normal.

Todos imaginarão a alegria dos jiadistas, dos sauditas e de todos os que no mundo árabe e muçulmano combatem o islamismo terrorista.

Será que a Turquia joga sozinha este papel ou alguém com ela não quer enfraquecer o Daesh a ponto de o derrotar militar e politicamente? Vamos ver…

Salvar a Vida ao poeta Condenado à Morte

A condenação à morte do poeta saudita Ashraf Fayadh de origem palestiniana por alegadamente ter renunciado à fé islâmica coloca com toda a premência a seguinte questão: qual é a diferença da ditadura absolutista saudita e o Estado Islâmico?

A execução, se a opinião pública mundial não se erguer, será se ainda houver carrascos para lidar com o sabre a decapitação; tal e qual como se pratica no E.I.

A razão da condenação e da pena resida na invocação de insultos a deus, tal como fazem os islâmicos do E.I. na perseguição a todos os que não praticam a interpretação mais ortodoxa do sunismo.

O que leva a colocar a questão de saber quem imita quem. Parece que o E.I. imita bem a Arábia Saudita e como bom aprendiz ultrapassa em crueldade o professor.

Sem o apoio substancial da Arábia Saudita aos talibans e aos jiadistas do E.I. direta e indiretamente não era possível a estas organizações chegarem a este ponto.

A monarquia saudita é o maior inimigo do regime laico sírio e à luz desta condenação brutal compreende-se. Não quer nas suas fronteiras qualquer Estado que não se submeta às suas práticas absolutistas e brutais.

A invasão do Iemen, berço da civilização árabe, sob o silêncio cúmplice de todo o Ocidente, mostra bem a tremenda hipocrisia dos poderosos da Terra.

O Ocidente de braço dado com a monarquia brutal de Riad venda os olhos para não morrer de vergonha face aos crimes daquela realeza que governa como se o mundo tivesse parado no século quinze.

Obama, Hollande, Merkel, Cameron sempre atentos às violações dos direitos humanos quando vão ao beija mão real da família saud esquecem tudo e só têm em mente os chorudos negócios de armamento para o regime se aguentar e ceder as excedentárias aos irmão da causa: os jiadistas.

Pode haver uma coligação contra o E.I. com os apoiantes daquele auto intitulado Estado?

O Dr  Cavaco , o Dr Passos e o Dr Portas que tanto gostam de vender o que o país tem de melhor por aquelas paragens que dizem desta condenação? E o Senhor que faz de Ministro dos Estrangeiros?

É preciso arrancar o poeta às mãos da ditadura teocrática. Um homem tem o direito de professar ou não professar qualquer religião. A Arábia Saudita que faz parte da Comissão dos Direitos Humanos da ONU e reconhece este direito tem de ser obrigada a respeitá-lo.

A Humanidade tem de salvar a vida ao poeta Ashraf Fayadh. Se o regime tirânico obscurantista de Riad executar o poeta Ashraf deve ser considerado um Estado pária. Quem condena à morte um ser humano porque abandona ou não uma fé religiosa não é digno de fazer parte da comunidade internacional. Que se junte ao Daesh.

Folhas Endemoninhadas

Caem as folhas. Voam endemoninhadas no vento. Ao crepúsculo. As árvores desnudam-se sem estremecimento. Quedam-se estáticas, desamparadas.

Os pássaros buscam as árvores que se não despem e aguardam a noite. Ao longe Vénus começa a brilhar.

As Folhas dos Plátanos

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As folhas dos plátanos que reverdeceram na Primavera enferrujam de tristeza por perderem o verde às mãos do Outono. Como lágrimas caem na terra que exala suspiros de compaixão.

Mais tarde, despidos, os seus longos braços implorarão ao céu pelo calor do sol que há de chegar. Os plátanos de novo se vestirão de verde. E a terra vibrará de alegria e de pássaros.

Passos Acocorado

Ontem, dia 9 de Novembro, no debate da apresentação do nado morto, a dada altura o indigitado chefe do governo foi ao saco do argumentário para continuar agarrado ao poder e na sua melhor tradição de desprezo pelo voto popular e pela dignidade da política acocorou-se e disse mais ou menos isto: vejam bem eu ainda cá estou, mas face ao destino do meu governo olhem a Bolsa e os mercados, vejam o que está a acontecer, referindo-se à queda da Bolsa e à subida dos juros.
Julgo que há frases que definem uma política, um homem. Passos Coelho é isto: um homem que considera o jogo da Bolsa mais importante que aquilo que o Parlamento decide; um homem que se determina a sua política pelos mercados.
Passos Coelho considera-se um executivo à frente da empresa que dá por nome Portugal e que determina o futuro da empresa pelos ditames dos mercados e da Bolsa. Esta é a sua filosofia.
Mas há nisto algo de abjeto: no dia em que queria convencer o Parlamento da sua bondade desistiu de o fazer e brandiu o único argumento: olhem que eu sou o eleito da Bolsa e dos mercados e dos credores; eles não vos vão deixar e eu também não. Voltarei com eles e o Portas, o que era contra o Cavaco, o euro, o Marcelo e a favor dos bonés.