Os Instantes Finais dos Arrependidos que Não se Matam

Os jovens belgas que se fizeram explodir no aeroporto e na estação de metro, em Bruxelas, para matar o maior número de pessoas possível que terão pensado nos instantes antes de acionarem os explosivos?

Entre viver e morrer, matar os outros era muito mais importante, pensaram os que se mataram matando. E mataram quem quer que estivesse onde eles estavam. Podiam ser os seus próprios familiares. Outros muçulmanos. Morrer e matar. Viver para matar. Matar.

Um dos que se matou matando despediu-se esclarecendo que preferia morrer a viver numa cela uma série de anos por crimes antes cometidos. E matou-se matando os outros que não cometeram qualquer crime, sendo apenas como ele seres humanos.

Outro não se fez explodir. Entrou com a mala cheia de explosivos e com um chapéu na cabeça e tal como os outros empurrava a sua morte e a dos outros. Devem ter decidido espalhar-se para a morte matar mais gente. Seriam as ordens dos mandantes?

O certo é que ao afastarem-se para conseguirem matar muito mais gente veio o medo ao do chapéu e fugiu.

Quando se apanhou sozinho pensou que se ia matar matando. E entre continuar a viver e morrer falou mais alto a vontade de viver. E fugiu. Não foi o primeiro a fugir. Abdeslam o cabecilha dos atentados de Paris também soçobrou e não se matou.

Habituar-se a matar pode não ser tão difícil como se poderia imaginar. Há largos exemplos de gente que se habituou a matar. E matou.

O mais difícil é viver para morrer matando. Parece ser muito mais difícil, embora não seja impossível, como provam os jovens que puxaram o gatilho da morte e morrerem matando dezenas de pessoas inocentes, alguns sem saber o que é o Daesh, nem o califa que o dirige e que ordena a estes europeus que matem os seus semelhantes.

A maldade que leva a estes cometimentos é tão intensa, tão hedionda que um dos  que estavam destinados morrer a matar, na hora da verdade, não se matou, fazendo o califa e o califado sentir que os seus heróis afinal não o são. Sempre que a vida fala mais alto que a morte o califado perde.

Os que vierem a seguir a estes para se matarem matando matarão, mas outros que vierem e se arrependerão não ficarão tão sós quanto os primeiros. Provavelmente o califado escolherá ainda os mais determinados, os que cheios de crimes tenham receio de ir para a cadeia como o do aeroporto. Ou outros cuja vida se tenha transformado apenas na ideia de matar os que não aceitam o Apocalipse e a vinda do Mahdi.

O Daesh pode continuar a matar, mas dentro das suas fileiras o medo aparece à luz da vida.

Infeções a Mais nos Hospitais e Tribunais

Os média deram conta no dia 16 deste mês que todos os dias morrem doze portugueses com infeções hospitalares.

Por motivos diversos, alguns perfeitamente evitáveis, uma parte dos portugueses que vão aos hospitais para serem curados, saem mortos.Sublinha-se uma pequena parte, mas significativa apesar de tudo; doze mortos por dia é algo que assusta.

O problema apenas começa naquele momento para os herdeiros do falecido; a justiça portuguesa padece das mesmas bactérias e vai infetar com outras bactérias o tecido comunitário onde residimos e que é a base da nossa justiça.

Quer entre moribundo ou lúcido ou atordoado o cidadão ou seus herdeiros têm de saber provar aos senhores juízes que a infeção contraída no estabelecimento hospitalar resultou de um ato culposo do enfermeiro ou do médico.

Imaginemos que o paciente é sujeito a uma punção para lhe retirar sangue para um conjunto de análises e no ponto da punção infiltra-se uma perigosa bactéria hospitalar. Cabe ao desgraçado vítima da punção provar que quem colheu a amostra agiu com culpa e desvirtuou a leges artis, mesmo havendo uma perícia médica que conclua que foi aquele o ato que provocou a infeção bacteriana que levou o paciente às portas da morte… Chama-se a isto responsabilidade extra contratual que existe no Serviço Nacional de Saúde.

É grave que nos hospitais morra tanta gente por motivos evitáveis; porém é ainda mais grave que na chamada à responsabilização dos maus profissionais do SNS, os infratores se escondam num sistema iníquo e que privilegia a incúria e a irresponsabilidade dos profissionais de saúde que agem com culpa e obriguem os cidadãos indefesos à prova diabólica de adivinharem onde o profissional agiu com essa culpa.

Uma coisa é a bactéria que entra de modo inevitável, outro é a bactéria que resulta de condutas perfeitamente evitáveis.

Que pode dizer o cidadão A. acerca da seringa utilizada pelo senhor(a) médico(a) ou enfermeiro(a) B.? Como pode saber se a seringa estava devidamente desinfetada e se não estava de quem é responsabilidade?

Há infeções a mais nos hospitais. E nos tribunais.É preciso uma lavagem das infeções hospitalares e nas mentalidades reinantes nos tribunais e nos legisladores.

Ó Tempo Volta para Trás

NOTA FEITO DE UM COMENTÁRIO

acompanho e leio com muito interesse o que escreve e, na esmagadora maioria das vezes, não hesitaria em subscrever por completo.
é amigavelmente, portanto, que lhe quero chamar a atenção para um lapso. a canção “ó tempo, volta para trás” não foi celebrizada (creio que tão pouco cantada) pelo tode ny de matos, mas sim por antónio mourão, de quem, aliás, não se conhece mais nada de significativo. tony de matos, goste-se ou não, estava num nível um bom pedaço acima.
a intenção não é a de vir “em defesa” de tony de matos, apesar de pessoalmente achar mal avaliado no nosso panorama musical em geral. isso seria outra questão, que não é para aqui chamada. aqui é mesmo, e tão só, a de amigavelmente apontar o que julgo ter sido um lapso.
castro guedes
De todo o coração dou a mão à palmatória. Erro, erro meu. Merda.

É verdade, como pude confundir? Que dirá o meu amigo Vitorino?

Obrigado

domingos lopes
 Os títulos e as notícias andam por aí – Passos Coelho e o PPD/PSD, e Assunção Cristas estão de volta e a “bombar”.

Assunção Cristas, a nova líder do CDS, ex-Ministra da Agricultura e Mar, agora na oposição vai resolver os problemas que não resolveu e criou.

Censurando veementemente o governo e o Orçamento que lhe faz …”lembrar as crianças no recreio…” está preparadinha para governar com o PS e ou com o PSD. É para que lado for o pendulo.

Passos Coelho está pronto para governar e a faz visitas a empresas, a unidades de cuidados intensivos e a escolas, levando na lapela o pin de Portugal, com uma caterva de jornalistas que bate o atual Primeiro-Ministro. E fala (deve ser do hábito que lhe custa a sair) como se ainda fosse o que não é e diga-se, em abono da verdade, que a própria voz outrora poderosa se adocicou um pouco.

O PSD secou e só tem (para já) o que tinha – Passos e os adivinhos implantados na imprensa a bombar contra Costa.

Vem aí o Congresso do PSD e o partido tem um trunfo – Passos, nada mais; o resto, a existir, o que se admite, é como se não existisse. Quais são as ideias do PSD para esta nova fase da vida nacional? Parece, pelo que se vê, e vê-se muito por tudo quanto é notícia, tem o famoso fado do Tony de Matos – Ó tempo volta para trás! E na verdade tudo o que o PSD pede é Passos em S. Bento. Só que se o tempo voltasse não teria Portas e Cristas ainda ande na cabeça no ar a ver de onde vem o zéfiro.

Teremos um Congresso a aclamar um líder derrotado e que passados três meses e picos de novo governo ainda não deu conta que já é tempo suficiente para mudar de agulha e não se comportar como se ainda fosse governo.

A velha ideia de castigar os lusitanos por viverem acima das possibilidades tirando-lhes de tudo um pouco volta agora sob a forma de agoiro: vão ver quando eu lá chegar, vão ver; eu é que tinha razão.

E para tanto há uma espécie de destrambelhamento agudo: Passos veio esclarecer que nunca disse que era preciso sair da zona de desconforto e que não era preciso sair do país para ir à procura do sustento com o mínimo de dignidade; nem nunca disse que era preciso os portugueses serem …”menos piegas…” e … “menos preguiçosos…”. O que ele disse, melhor, o que lhe saiu pela boca vindo das cordas vocais situadas na garganta resultou de um exorcismo descontrolado da alma alemã que ele albergava algures.

Ele um transmontano de Vila Real habituado a trabalhar de sol a sol na Tecnoforma a vigiar aeroportos mais o seu amigo do coração, um impoluto cidadão, o Sr Miguel Relvas, que devido à carga horária nunca foi capaz de fazer em toda a sua vida uma cadeira na Faculdade de Direito, jamais acharia que os portugueses eram “autocentrados” a quererem…” divertir-se no Carnaval enquanto quem emprestava dinheiro estava a trabalhar…”.

Aquilo que ele disse foi a tal alma alemã que nele se implantou quando em Berlim achou que os alemães nunca deveram nada a ninguém e nem têm Carnaval a sério como por exemplo o de Düsseldorf, Colónia, Bonn, Aachen ou Mainz… Os alemães da Alemanha são levados da breca para gozar o Karneval…Os alemães de Portugal são uns preguiçosos, só pensam na diversão e é o que se vê.

E portanto Passos a caminho da coroação no Congresso vindouro do PSD esfarrapa-se para explicar que é melhor que o António Costa e desde logo porque em nenhuma circunstância ele faria o que Costa fez – um acordo com deputados do Parlamento dos partidos das esquerdas.

Ao contrário de Passos, Portas eclipsou-se; foi à vida…para já. Vem aí a Assunção Cristas com um ar maternal e cheia de bom senso reclamar soluções para a Agricultura e para as Pescas, problemas que ela nunca teve possibilidade de ajudar a resolver.

E em entrevista ao Público do dia 28 de Fevereiro, revelou aquilo que no CDS é o segredo mais bem guardado: o CDS está disponível para ir para o governo com o PS e PSD …já que o tempo parece não voltar para trás.

O que se está a passar é digno de relevo: um ex-Primeiro-Ministro foi derrotado e formou-se um novo governo e talvez devido à inércia as grandes notícias vão para o que foi derrotado e que fica a “bombar” para resolver a crise que não resolveu.

A força do compromisso Passos/Portas era a estabilidade que Portugal apresentava. E espantemo-nos, pois o novo governo tomou posse há pouco mais de três meses e ainda não resolveu os problemas do país…

Passos apostou na austeridade, no empobrecimento do país; Costa aposta em pôr termo aquela austeridade e em devolver rendimentos.

Por isso Costa tem o apoio das esquerdas e o combate da direita coligada com os eurocratas ao serviço dos mercados internacionais.

Choca que as notícias sejam tão enviesadas que escondam que Passos não tem  um programa e apenas uma ideia – voltar a ser Primeiro-Ministro: anda de Caifás para Pilatos e Anás, a mostrar-se que não é – Primeiro-Ministro…à espera de o ser. Ó tempo volta para trás!

Paula Teixeira da Cruz – Um Susto Nunca Vem Só!

Para exercer o cargo de ministro é preciso ter estaleca e aguentar o exercício. O poder democrático está em permanente confronto com a comunidade.

Para tanto o ministro tem poderes tais que o seu exercício mexe profundamente na vida dos cidadãos. Pode beneficiar uns e prejudicar uma imensa maioria ou o contrário.

Quando o chefe governo chama alguém para um dado ministério sabe quem escolhe e conhece o perfil, a endurance, a capacidade, a competência, a robustez psicológica, a resistência às pressões, a honradez e tudo o mais que um cargo desta responsabilidade exige.

É assim natural, decorre das experiências governamentais, que um ou uma ministro(a) tenha a proteção que o próprio Estado lhe “imponha”.

Causou estranheza a entrevista da Dra Paula Teixeira da Cruz à revista Sábado.

A residência de uma ministra deve ser criteriosamente guardada por motivos os mais diversos, isto é, não só pela defesa da integridade física da senhora ministra, como também pela proteção dos titulares do Estado e do próprio Estado, pois é certo que um ministro(a) saberá de assuntos que não podem cair na praça pública.

O cargo de titular da pasta da Justiça é demasiado importante para que quem o desempenhe não tenha a proteção adequada e conveniente. A ministra da Justiça gozará por parte dos serviços de segurança do Estado de uma proteção tal que a sua residência não ficará à mercê de qualquer criminoso nacional ou estrangeiro.

Uma ministra não poderá ver a sua casa devassada – assuntos de altíssima importância de Portugal e da própria União Europeia poderão ficar em mãos indesejadas e além do mais serão alguns deles reservados.

Uma ministra não pode abrir o correio; é dos livros. Alguém o abrirá e o entregará ou destruirá segundo protocolos rígidos do Estado.

Uma ministra não pode acordar e dar conta que foi vítima durante a noite de alguém que lhe foi fazer golpes no braço esquerdo!!!, pois isso significa que a titular daquele cargo está à mercê de qualquer tarada(o).

Uma ministra que está em sua casa e lhe lançam raios laser!!! na cabeça não está segura e é de novo o sistema de segurança que está em causa.

A ministra da Justiça não pode ser equiparada a uma estrela de rock; é detentora de segredos e de conhecimentos que devem merecer a maior reserva até serem do domínio público sob pena de poderem cair em mãos criminosas e serem usados para fins contrários aos pretendidos.

A família de uma ministra tem de estar protegida, sobretudo quando se verificam situações de violência.

Por todos estes factos que são uma espécie de ABC de qualquer serviço do Estado custa a imaginar que a Sra Dra Paula Teixeira da Cruz tenha sido vítima das ameaças que relatou à Sábado.

Não havendo razões para crer que a Sra ministra não falou a verdade é caso para perguntar: o Sr Dr Pedro Passos Coelho, Chefe do Governo, o que andava a fazer?

Ou sabia ou não sabia o que estava a suceder à ministra. Se sabia tinha o dever escrupuloso de criar as condições necessárias para que a sra ministra não fosse vítima do que diz ter sido.

Se não sabia porque só agora a Dra Paula revelou é grave e constitui uma séria violação dos seus deveres para com o Primeiro-Ministro e o conjunto das instituições que têm de zelar pela segurança.

Se lhe comunicou e mesmo assim aconteceu o que ela diz ter acontecido é infelizmente prova de que os ministros em Portugal estão à mercê de qualquer bando de criminosos.

Venha o diabo e escolha. Um susto nunca vem só.

Os Boys and Girls dos Mercados -O Destino de Maria Luís e Vítor Gaspar e Cª

Gaspar tinha aquela voz de alcatifa caríssima que abafa o ruído do calçado, pois nada pode perturbar quem está a pensar na obtenção do lucro, voz que só por si afraca os outros.

Quando saiu e irrevogavelmente entrou a Maria Luís que tem um ar todo despachado, tipo vai tudo à frente na defesa do Sr Schäuble, dos mercados, dos credores internacionais, do Eurogrupo dava para ver que ia longe.

E foi. Direitinha ao Arrow Global. Tão certo como terem sido empresas do grupo a negociar com ela quando representava o Estado português como principal acionista do BANIF.

A Whitestar e a Gesphone e a Carval, todas do grupo Arrow, negociaram e fizeram excelentes negócios com o BANIF, talvez melhor que o do Santander que vai receber mais do que o que pagou pela “compra” do BANIF.

A Maria Luís vai para lá depois de ter estado onde esteve e achar normal porque não vai para nenhum cargo executivo e acrescenta o administrador que o seu enorme conhecimento no dossier de dívidas públicas…pois claro, o que ela saberá do BANIF…do BES…do Banco Novo…e do BdP.

A Arrow não dá ponto sem nó e a Sra Dra dá o nó com pontos que é o de continuar o negócio por outros meios, como diria Clausewitz, o tal que dizia que a guerra era a continuação da política por outros meios.

A Arrow tinha de puxar pelo quadro que lhe permitiu fazer negócios a sério. Tinha de saber promover quem revelou tão altas qualidades a servir Portugal…

O problema para além de ser o que é (o Estado à mercê de quem dele se serve para fazer caminho e vida em setores que o pretendem dizimar) acaba de sair do governo e aninha-se numa financeira que em Portugal andou a ganhar rios de dinheiro com a má gestão de quem estava à frente do BANIF, nomeadamente depois do governo onde Maria Luís pontificava ter colocado o dinheiro dos portugueses para estes enormes predadores se aboletarem.

Maria Luís explicou muitas vezes que o salário mínimo nacional não podia subir cinco euros, nem quatro, que os funcionários públicos ganhavam demasiado, que os portugueses estavam mal habituados…a Arrow podia lá esquecer estes sermões da Ministra de Estado.

São estes rapazes e estas raparigas, estas senhoras e estes senhores que atacam tudo quanto é setor público para entregar as riquezas nacionais aos donos do dinheiro. Os donos do dinheiro têm espalhado pelos diferentes Estados grandes oficiantes que sabem tratar dos assuntos.

Merecem todas aquelas condecorações que Cavaco lhe concedeu. Faltou o Relvas e o José Veiga e mais alguns.

É esta oligarquia que no cumprimento da mais fina legalidade corrompe a República e lança o descrédito na vida em comunidade. Comunidade significa o conjunto dos cidadãos com os seus interesses múltiplos e diversificados. A política não pode ser a arte de prosseguir a obtenção de lucros por outros meios. A política deve estar ao serviço da comunidade e não apenas de uma oligarquia que tudo asfixia.

Henrique Raposo, um Raquítico de Cérenro na SIC RADICAL

Eis que um palonço participa num programa da SIC RADICAL no dia 16 de Fevereiro do corrente ano para exibir a sua infindável ignorância envolta em celofane de pacovice. E armado em intelectual…

O Senhor Raposo escreveu um livro, “Alentejo Prometido” e chamaram-no à SIC para dar conta do livro que pelos vistos trata da sua separação do Alentejo que é constituído por três distritos de Portugal; apesar disso o Sr Raposo separou-se, sem dizer para onde foi.

O primeiro problema começa exatamente no verbo separar que significa no Alentejo e no resto de Portugal desunir o que estava ligado; ora este cavalheiro nunca esteve ligado ao Alentejo, mas sim a algo que existe na sua tola. O cavalheiro separou-se da tola e como raridade saída da tola foi levado à SIC.

O sr voltou ao Alentejo, sem dizer por onde andou à procura de encontrar a” …luz debaixo do chaparro…” e não encontrou. O senhor encerra um caso de cegueira aguda; escreve livros sobre separações, vai à terra e nem debaixo do chaparro vê luz, quid iuris?…é cego.

Diz este senhor modernaço…”as alentejanas antigas nem sequer têm na sua linguagem palavra para descrever os abusos do tipo violação…” não dizem que foram violadas, desconhecem…Ai sim, pergunta o indígena de outra zona? E ele responde magnânimo… elas dizem que “ele se chegou ao pé de mim”… Que dizer de semelhante enormidade? Nem um analfabeto encartado…só um cretino.

Este ”alentejano” que se separou do Alentejo esclarece que os pais, os avós ou avôs não têm carinho pelos filhos ou netos.

De onde saiu esta espécie rara que é capaz de andar por este mundo incluindo o Alentejo três ou quatro dezenas de anos e nunca viu um pai ou um avô alentejano ter carinho pelo filho ou pelo neto? Por andou esta alma? Que maldade lhe fizeram os pais e os avós? Será que o problema é do Freud?

O senhor vai mais longe e esclarece na entrevista que para os alentejanos o suicídio é algo que cultivam, quiçá à falta de água para o regadio… Para os alentejanos suicidarem-se é como quem bebe um copo ou um chá… chegam à oliveira e enforcam-se sem qualquer problema… não são como o Saddam Hussein que mesmo antes de o enforcarem ainda arranjou problemas com aquelas citações do Corão. No Alentejo é pegar na corda e zás. Assim.

Está um ajuntamento de gente algures e o senhor pergunta o que é e a gente responde: um sujeito suicidou-se… tipo como quem diz um terramoto… e senhor que manda no programa acrescenta… tipo nevoeiro….Pois. Uma coisa natural. Tipo nevoeiro ou terramoto. Isto é que é inteligência, gente desta tomou desde o berço até hoje cerebrolizina ou fosfoneurina ou copos de inteligência dissolvida em água de bacalhau.

Conclusão: não se pode confiar num alentejano diz o senhor , suicidam-se e não acarinham ninguém.

O senhor do livro vai a Arouca ( Arouca!) e que vê ? Gente a falar na rua …palavra de honra que ele diz que vê gente a falar na rua… imaginem o que ele vê… e chega a Santiago de Cacém e o que vê?…pessoas sozinhas nas rua sem falar com ninguém…Nem viu o Manuel da Fonseca com aquela gente toda, desde a Marcha Almadanim até aos malteses. Ele de malteses tem a ideia que são tipos horríveis que lançam o Alentejo numa espécie …”de pré-guerra…” Uma espécie de destino: um gajo de Santiago não é capaz de falar, se for gaja ainda é capaz de se deixar encostar e prontos, se for gajo não consegue falar com ninguém, talvez se mudasse para Arouca…Imaginem o que se passa na moleirinha do senhor, coitado.

Este adiantado mental que não é capaz de ver a luz que atravessa um chaparro foi à SIC dizer que se separou de algo que nunca esteve ligado. E o senhor da SIC que o levou e o apaparicou achou que um terramoto era assim uma coisa natural do tipo suicídio e acrescentou…”tipo nevoeiro…”

Separemo-nos, pois, desta mediocridade erigida em conversa de gente que não vale um chaparro com ou sem luz. Que boucherie! Apesar de tudo isto o Alentejo na sua calma milenar nem dá por semelhantes borra-botas.

Domingos Lopes

Por lapso do qual o autor se penitencia confundiu Henrique Raposo com Boucherie Mendes. Pedindo as maiores desculpas esclarece que a autoria do livro é de Henrique Raposo  Boucherie Mendes é o moderador do famoso debate. A César o que é de César e a estas duas figuras de proa na descoberta do prometido Alentejo o reconhecimento pela sua caganeira intelectual.

Os Tubarões e o Rabo da Irina Shayk

Irina Shayk, modelo russa apanhou um grande susto. Foi com uma batelada de fotógrafos tirar fotos trajando fatos de banho para os lados da Polinésia francesa, onde as água do mar é azul turquesa, quase da cor dos olhos da modelo.

Segundo as notícias a pobre Irina apanhou um grande susto…”Foi um pouco perigoso porque um tubarão podia literalmente morder o meu rabo e eu ficar sem fato de banho…”, disse ela a tremer…

Qualquer tubarão que se prezasse só poderia morder o rabo à Irina para o deixar à mostra, nunca por nunca para o comer…

Os tubarões sabem perfeitamente que a Irina tinha horror de lhe verem o rabo sem aquela coisa que o tapava na sessão fotográfica… Que horror, que susto ela apanhou! Imaginem a infeliz da Irina de rabo à mostra e o tubarão a exibir-se com os restos das tiras do fato de banho.

Os tubarões, em matéria de carne humana de modelos femininos, preferem os fatos de banho. Não são tão carnívoros.

Coação e Violência Sexuais

Estudos recentes da UMAR trouxeram à tona da realidade factos assustadores no que se refere à violência sexual entre jovens.

De acordo com esse estudo 32,5% dos rapazes considera natural usar de algum tipo de violência para ter sexo e 14.5% das raparigas não considera violência forçar um beijo ou ter sexo.

O estudo obriga a pensar no mundo que estamos a ajudar a construir.

A violência sexual é um aspeto da violência geral: aquela em que apesar de tudo há mais diques a obstrui-la. Por isso espanta que uma percentagem tão elevada de rapazes a considere como padrão normal de comportamento para a prática de um dos comportamentos mais ternos entre humanos.

Os jovens de hoje são filhos da liberdade, desfrutam-na, respiram-na e têm consciência do que implica o consentimento sexual.

Se se pensar no que nos rodeia e tivermos em conta que o número de mulheres assassinadas pelos cônjuges ou namorados, no ano passado até Novembro de 2015, atingiu vinte e sete teremos uma ideia da maldade criminosa que existe na sociedade dos nossos dias ao nível do relacionamento amoroso. As notícias desta guerra contra as mulheres não param de chegar; uma guerra de cobardes contra mulheres indefesas.

O estudo divulgado (nos média) não nos revela as origens sociais destes jovens, o que seria porventura interessante.

É hoje aceite na comunidade que o que conta é o triunfo, o enriquecimento de qualquer modo, nem que para tanto seja necessário descer aos infernos. O que vale é o peso do dinheiro.

A violência tem uma linha em que passa a ser admitida, a linha da conduta contra os apresentados como os maus. Toda a violência lhes pode cair em cima.

Há por exemplo uma certa tendência para valorizar um acidente aéreo em termos mediáticos e desvalorizar o número de centenas de milhares de seres humanos que morrem de fome. Uma valorização das vítimas dos jiadistas e a desvalorização de centenas de milhares de vítimas dos bombardeamentos dos EUA e aliados…

Os valores dominantes são os ligados ao individualismo mais feroz. Os heróis da juventude são, entre outros, alguns artistas e desportistas ou multibilionários famosos que com as suas colossais fortunas fazem a vida que lhes der na real gana, onde não há limites e ostensivamente alardeiam essas veleidades de semi deuses neste vale de lágrimas para uma grande parte das populações.

Foi criado uma espécie de exibicionismo exposto na grande montra que são os média e a população embasbacada o babar-se com o tipo de vida que nunca usufruirá mas que adoraria ter, uma transformação de humanos ou objetos.

Estes são os valores. Naturalmente que uma sociedade deste tipo se baseia na violência latente ou aberta fundada numa desigualdade injustificável e injustificada a todos os níveis.

Os valores das artes e das profissões baseiam-se nos que são capazes de triunfar mesmo à custa de torpedear tudo e todos.

É a violência latente e ou aberta na comunidade. As raparigas e os rapazes para se “safarem” têm de fazer valer o que têm à mão …

A ideia dos valores baseados no trabalho, na honestidade, na perseverança, na honradez, são coisa de somenos importância.

Se é preciso isto ou aquilo para enriquecer faz-se, seja na televisão, seja no cinema, seja onde for necessário. A vida é hedonismo; os novos por serem novos vão ganhar aos velhos e o mundo é dos que têm força.

Quem tem força manda e quem manda vive como quer. Estes são os valores dominantes. Os que mandam, mandam. No mundo. Na Bolsa. Nos mercados. Aliás os mercados já se “irritam”. Já têm comportamento humano. Os mercados valem mais que um povo inteiro ou povos inteiros, isto é, o dinheiro vale tudo, a vida humana muito pouco.

Os de baixo que embasbacados pelo esplendor da vida dos de cima perdem-se e dariam tudo ou quase tudo por ser como aqueles que realmente têm vida, uma vidona.

A outra, a que eles vivem não é vida, não é nada, embora tenham consciência que a vida pode ser de outro modo se fizerem de outro modo em busca de dignidade que muito de entre estes deixaram de acreditar.

Este é o mundo cuja o grau de crueldade já atingiu os rapazes doa quatorze aos dezassete anos que acham natural forçar uma rapariga a ter sexo quando ter sexo naquela idade poderia ser uma partilha com maior ou menor cumplicidade, mais ou menos desajeitada, mas apesar de tudo algo desejada e consentida entre os protagonistas.

Se um jovem assume a violência para ter sexo ou um beijo ou quer que seja no domínio do afeto estará ou não marcado por esse estigma pela vida fora?

O rapaz que não olha a meios para ter sexo, o que violenta para responder aos desafios da idade, não está em condições de apreender a enorme satisfação do esforço do encantamento recíproco. Porquê esforçar-se se de um golpe pode obter o mesmo? Aí está a incapacidade de compreender o outro. Resta a violência.

Estes rapazes são responsáveis pelas suas condutas; no seu lastro vem se calhar um meio de violências.

A sociedade neo liberal gera um verdadeiro caos entre os seres humanos porque o poder e a força são entendidos como o meio para se chegar onde se quer independentemente da vontade do outro.

A culpa é individual, sem dúvida. Mas o homem é produto das circunstâncias; são as circunstâncias que formam o homem. Circunstâncias baseadas em valores positivos têm mais possibilidade de gerar homens e mulheres irmanados de valores e respeitadores da liberdade de cada um.

É perturbador que um terço dos rapazes de Portugal ainda não tenha adquirido, no mais íntimo de cada um, que a força do amor e do sexo reside na capacidade de ser aceite, de encantar e de ser encantado. E daí a tristeza e a alegria caminharam entre nós de mãos dadas. Não se lhes pode fugir. É preciso enfrentar a tristeza e saber preservar a alegria.

A força está exatamente no deslumbramento da perdição de dois seres que são livres e onde a coação mora apenas na liberdade de serem como são e fazerem como livremente quiserem.

A maior fatia dos entrevistados pensa assim. Felizmente, não obstante uma fatia significativa ainda não ter acordado para a possibilidade de alcançar o mesmo por esta via.

SCHÄUBLE E OS SACRIFÍCIOS ÀS NOVAS DIVINDADES

O Senhor Schäuble, Ministro da Economia da Alemanha, veio a terreno  encorajar fortemente o governo de António Costa~corrigir o rumo e a seguir o de sucesso do anterior governo porque os mercados não devem ser irritados.

Schäuble sabe que houve eleições em Portugal e que o parlamento português deu luz verde à formação do atual governo com base numa maioria significativa dos diversos partidos que o sustentam e que prometeram acabar com a política de empobrecimento do governo do PSD/CDS.

Os portugueses condenaram nas urnas essa política de empobrecimento de Portugal que em nome do combate ao déficit público o fez aumentar em cerca de trinta por cento.

Para Schäuble as eleições são um proforma nos países longínquos de Berlim devendo o governo de Lisboa seguir as ordens da capital da grande potência da U.E. sejam quais forem as aspirações traduzidas em eleições livres e democráticas.

Para a Alemanha o que conta não são as eleições em cada país, mas sim as diretivas dos mercados, caso contrário essa irritação tem de ser aplacada com vítimas que serão levadas aos magotes para os corredores do empobrecimento, da miséria, da penúria e da fome. Os deuses dos Incas e dos Maias também exigiam vítimas humanas para serem apaziguados…

Não basta aos mercados que um quarto dos portugueses vivam no limiar da pobreza ou abaixo desse limiar; o que conta são novos sacrifícios para apaziguar o seu desmedido apetite, em parte contrariado pelo novo governo.

O Senhor Schäuble investido que está pela potência dominante e pela U.E. em sacerdote oficiante dos sacrifícios de quem irrite essas novas divindades lança um desafio sob a forma de édito aos portugueses proclamando – Segui os mercados, segui as pisadas de Passos, Portas  e M.Luís e enchereis os bancos, que dominam os mercados, de milhares e milhares de milhões de euros que eles abocanharão para pagar os desmandos próprios das divindades que vivem no Olimpo não se confundindo com essa coisa humana que é a ideia democrática de serem os povos a mandar nos eleitos. Jamais! Mais- em verdade , em verdade vos digo, sobre vós cairão novos sacrifícios e pagareis com mais vítimas essa peregrina ideia de serem os eleitores a elegerem os seus representantes dando-lhes poderes para alterar o que nós, os supremos sacerdotes, decidimos em nome dos novos deuses – o sagrado cifrão ao serviço do imaculado lucro.

Por cá, pelas terras de Sertório e Afonso Henriques, de D. João I e do Marquês de Pombal , os Passos, os Gaspares, as Luís, os Portas e as Cristas, e tutti quanti, correm loucamente atrás destas inflamadas palavras para zurzir os portugueses e Portugal.

Os que aguardam as atenções das grandes divindades correm a ajoelharem-se de mão estendida pedindo que avancem e restituam a política seguida e castiguem a população por querer ter uma vida digna como as demais populações da U.E.

Schäuble declarou guerra ao novo governo atirando-lhe à cara- Recuai, voltai ao redil, ao bom caminho porque se o não fizerdes cá estaremos para vos domesticar pelas vossas leviandades.

Portugal é um país pequeno comparado com a grande Alemanha reunificada e com outros grandes países da U.E. Mas é uma nação com mais de novecentos anos e com as fronteiras desenhadas há séculos e séculos. Um país com altos e baixos na sua História, como todos; com verdadeiras epopeias e momentos desastrosos.

Não está a atravessar um bom momento e as dificuldades são gigantescas. Nem sempre os portugueses fizerem tudo bem. Entraram para a CEE a pensar que iriam beneficiar de uma política apregoada de coesão social…

Há contudo que dizer que os de baixo não causaram tanta desgraça como os de cima. Os bancos já deram cabo de mais de quarenta mil milhões de euros do empréstimo da troika. E querem mais, mais e mais.

Assim sendo cabe perguntar: o que quer o Senhor Schäuble o poderoso ministro alemão?

Pelo teor e pela interpretação do seu pronunciamento quer mandar em Portugal. Não pode haver dúvidas. Sempre houve na História de todas as nações os que se aliaram aos estrangeiros para partilhar os despojos. Dada que a atual irritação dos mercados não dá para engolirem tudo e sempre escolherão em primeiro lugar a parte mais apetecida ficarão os restos para os que servem a Roma, como no velho império…

Para que tudo ficasse claro Cavaco Silva, o íncola de Belém por mais alguns dias, anunciava as condecorações aos homens que nunca irritaram os mercados, antes lhes entregaram generosas oferendas de vítimas do empobrecimento imposto – Maria Luís, Vitor Gaspar, Pires de Lima, Nuno Crato.

Schäuble apesar de tudo só mandará em Portugal se Costa se aninhar ao seu diktat e se os portugueses atarantados por tanta desgraça quiserem.

domingos lopes

Viva la Muerte!

…” Uma morte gloriosa era preferível a uma existência aviltada…” é uma frase retirada do romance de Ma Yuan “Mudanças”, escritor chinês, prémio Nobel da Literatura em 2012, a propósito da vontade da personagem principal de se alistar para ir invadir o Vietnam. Dá que pensar pela sua atualidade.

Nem sempre será possível explicar tudo; haverá sempre em matéria de comportamentos humanos zonas de sombra e escuridão.

Assistimos atónitos à conduta de homens e mulheres que sacrificam a vida suicidando-se para sair da existência aviltada e abraçar a morte que dá acesso à glória.

Na execução por parte do Daesh de cinco alegados espiões no início deste ano o carrasco afirmou perante a câmara do vídeo dirigindo-se a Cameron … “ Somente um imbecil se atreve a enfurecer um povo que ama tanto a morte como tu amas a vida”…

Presume-se que este povo sejam os habitantes sob controlo do Daesh que como se sabe não constitui historicamente nenhuma nação, mas o importante não é esse “detalhe” mas a glorificação da morte. Haverá algum povo que ame mais a morte que a vida? Se por acaso houvesse já não existia.

Voltando ao romance “Mudanças” a personagem quer morrer gloriosamente ao serviço do Exército de Libertação Popular da China até porque os seus progenitores receberiam a merecida compensação….

A vida insignificante levava-o em busca do heroísmo e da glória e da compensação da família humilde pobre, sem meios para sequer sustentar os filhos, a tal vida aviltante.

Num livro editado pela Editora Ulisseia em 1973 e traduzido por Maria de Lamas cujo título é “ Estas vozes que nos vêm do mar” constituído por cartas de estudantes japoneses que combatiam em todas as frentes do Extremo- Oriente, nas montanhas da China, nas Ilhas do Pacífico ou nas densas florestas da Birmânia. Eram pilotos de aviões- suicidas, Kamikazes, condutores de Kaitens (torpedos humanos), marinheiros e soldados da infantaria.

Albert Camus escreveu a propósito do suicido que era a confissão que a vida não valia a pena.

Nos Kamikazés, cujo significado literal é vento divino, o suicídio, tal como nos jiadistas, vale de modo radicalmente diferente da definição de Camus.

Tokuro Nakamura, estudante de Geografia, em combate nas Filipinas, numa carta enviada aos pais dizia horas antes do sacrifício”… Anoiteceu…Vou partir com coragem…Deixei no regimento as minhas unhas e os cabelos…Depois de cortar o cabelo fui comprar alguns livros levo-os comigo…”

Akio Otsuka, estudante de Direito, antes de se suicidar a bordo do seu avião escreveu”… 11:30, última manhã…vim almoçar e depois irei para o aeródromo. Creio na vitória da Grande Ásia…. Será lua cheia esta noite…Contemplá-la-ei ao largo de Okinava e escolherei o navio inimigo…”

Yasuo Ichijima, estudante da Univ. de Tóquio, escreve a 24 de Abril de 1945… “ sinto-me honrado e orgulhoso por poder oferecer à minha Pátria, que amo infinitamente, uma vida de pureza…”

Ichizo Hayashi , estudante de Economia Politica da universidade de Tóquio, escreve à sua mãe momentos antes de embarcar no seu avião em Okirava…” Ao despedaçar-me sobre o inimigo rezarei por si…” Encarrego Ueno de lhe mandar esta carta, mas nunca a mostre a ninguém. Sinto-me envergonhado…”

Quer os jiadistas, quer os Kamikazés praticavam o suicídio com o intuito de provocar o maior número de mortos no inimigo.

Há, no entanto, uma diferença – os kamikazés visavam as tropas adversárias; os jiadistas utilizam as bombas humanas não só na guerra como também contra os cidadãos de outros países de modo totalmente indiscriminado, podendo até dar-se o caso de atingirem pessoas que nos países respetivos se pronunciaram contra as invasões e a guerra perpetradas pelas potências atacantes.

Neste mundo pleno de tensões, conflitos, incluindo bélicos, a morte está por todo o lado.

Desde logo onde não a vemos: no Iraque, na Síria, no Iemen onde ela resulta dos combates bélicos travados.

E depois onde ela é vista ad nauseam – nos cenários escolhidos pelas elites dos jiadistas e que visam espaços de vida normal onde se desfruta a vida.

Nos cenários de guerra, os bombardeamentos da Síria, do Iraque, do Iemen são apresentados pelos media globais de tal modo que os cidadãos se sentem anestesiados face ao horror de quem os sofre,

A morte às mãos dos terroristas, cara a cara, olhos nos olhos, geram emoções muito mais fortes e a condenação expande-se sem fim.

Entre os que preparam o suicídio para matar gente absolutamente indefesa e os kamikazés que o faziam para enfrentar o inimigo armado vai uma grande diferença – os jiadistas matam gente de mãos nuas, os segundos enfrentavam o exército inimigo. De qualquer modo uns e outros entre viver daquele modo e morrer preferiam morrer. Esta banalização da morte assusta; é como se a morte não fosse a última desgraça humana.

Camus queria significar que pode haver vidas que não valham a pena viver, mas no contexto da enorme excecionalidade que constituía a tal “confissão”.

No Paquistão os jiadistas invadem universidades e matam professores, estudantes, funcionários- os que ensinam e os que aprendem.

Esta nova espécie de glória da morte lembra o célebre discurso de Unamuno afastando-se do regime franquista, na Universidade de Salamanca, onde era reitor, interrompido pelo General fascista Millán-Astray, em 12/10/1936, aos gritos “VIVA LA MUERTE”. Unamuno prosseguiu declarando que o “Viva la Muerte” lhe equivalia a ouvir “Morte à vida”, sendo imediatamente destituído por Franco. As vidas são para serem vividas por mais glória que se busque nas mortes inglórias.