As Torres de Singapura e Rodin

 

Torres

No hall do arranha-céus do Banco da América Merril Linch, em Singapura, está por estes dias a escultura (réplica?)de Rodin o Pensador.

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Rodin concentrou na expressão do rosto e na tensão do corpo, nomeadamente na postura do tronco, o significado do ato de pensar. Não haverá ninguém que se não deixe impressionar pela capacidade de vermos na escultura o quanto pode o pensamento. Olha-se e franze-se a testa contagiados pela força do pensamento daquela humana criatura.

O banco está situado numa zona onde os edifícios nos fazem sentir pequenas formigas esmagados pela imensidão de arranha-céus. São verdadeiros gigantes espantados para o céu, obra da humana mão guiada pelo pensamento de quem os imaginou e assegurou a construção segura.

Só o cérebro humano é capaz de semelhante ousadia. Só os humanos são capazes de criar obras daquela envergadura. Só com o pensamento se lá chega.

No entanto cá por baixo os que ergueram até ao cimo os prédios nem sempre alcançam o seu poder.

Esmagados por esta força das novas divindades que são os templos onde se encontram todos os paraísos,os de cá de baixo, que fizeram as torres a bater nas nuvens, enfrentam a ferocidade dos deuses das alturas.

Supõe-se que os deuses ou deus esteja nas alturas. Os diversos templos sempre tentaram aproximar-se o máximo das alturas, sem nunca tocar no paraíso. Agora nestes arranha-céu estão os paraísos. Fiscais. E outros, aqueles que dão tanto poder que podem mudar o modo de vida dos que vivem da capacidade do seu labor.

Mas o pensamento pode permitir na linguagem dos donos das torres alavancar a energia de todos quantos pensam. E se pensarem e se disponibilizarem a agir de acordo com este pensamento simples na esteira do grande poeta Vinicius de Morais: afinal fui eu quem tudo construí, afinal eu e todos os que como eu pensamos, se quisermos podemos também construir uma vida digna. Com ou sem templos.

O pensador de Rodin embora com, salvo erro, setenta e dois centímetros, é um sinal, um aviso – o pensamento tem muita força, mais força que as torres. Elas existem graças aos pensadores. É com o pensamento que tudo se constrói. Incluindo o futuro dos homens.

Não Dar Ponto Sem Nó, Durão

Há certos homens cuja vida se resume numa frase…”não dar ponto sem nó…” O último nó do Dr. José Manuel Durão Barroso é paradigmático em relação à sua vida política.

A política para ele foi uma espécie de tirocínio para outros voos bem mais altos e que enchem de alegria os seus bolsos sempre abertos à receção de generosos convites para o setor financeiro.

Os grandes bancos estão sempre de olho nos políticos capazes de não se deixarem prender por terem cães à sua guarda. Eles sabem quem os defendeu, quem mergulhou a Europa numa crise brutal paga pela austeridade imposta aos povos.

O Dr. Durão foi em socorro dos que, com o dinheiro dos depositantes, fizeram implodir o sistema financeiro, criando mais tarde as condições para de novo se recompusessem e prosseguissem as suas cruzadas em prol do lucro.

Durão ousou sempre mais que os outros, no maoismo, no PPD, em Bruxelas, wherever, e no nojo.

Durão é um homem capaz. Indubitavelmente. E querendo vai onde o seu desígnio o leva. Certamente. Só que vai sempre para o lado dos todo-poderosos senhores do mundo. E se for preciso larga o país par ir ao cume. Foge na hora de marcar o penalty; prefere ir mais além, olhar o horizonte e ver de onde vêm os ventos do sucesso.

A Goldman Sachs é um dos vértices. Ali se reúnem os grandes deste mundo para traçar o destino das multidões humanas. Ser Presidente não-executivo é para Durão irrecusável. Há muito que o deve saber. E a Goldman também.

Quando ofereceu os Açores aos aventureiros desavergonhados, ele sabia que abriria portas nunca dantes abertas; as portas dos homens que mais ganham no mundo. Era o que ele pretendia. Absolutamente legítimo; só que que não à luz de princípios de igualdade dos cidadãos e dos Estados de que tanto falou na sua vida. O que ele queria quando falava dessas virtudes era guindar-se a um cargo como o de Presidente não-executivo da Goldman.

Esse é o caminho dos homens ziguezagues, dos homens interesseiros, dos homens cujos princípios são o seu bem-estar, as entradas nos seus bolsos. Durão nunca foi um banqueiro. Pois vai passar a sê-lo para encher o cofre de dólares. É este o seu destino. O dinheiro. Há quem se regozije. Como Passos. Aguardemos. Há mais bancos.

O Facebook e os Amigos que Não Conhecemos

Um homem vive a vida a plenos pulmões. Enfrasca-se até ao íntimo neste ato glorioso de se levantar e antes de abrir a janela achar que vai valer a pena. Às vezes ressacado de tudo. Outras vezes mais leve que um pintassilgo, cheio de cores e de confiança que o sonho vai ser um facto real.

E para além de tudo o mais há os amig@s. A quem queremos e a para quem vivemos. Aquel@s a quem obrigamos a conhecer os nossos sucessos ou fracassos.

Atingida certa idade sabemos o quão difícil é manter as velhas e as novas amizades. Na borda desta caminhada quanta amizade ficou…e, no entanto, sonhamos sempre com novas amizades, mesmo após tanta desilusão.

Há um choro mansinho de lágrimas que caem no coração por termos perdido esta e aquela amizade. Acontece que há casos que nem sabemos como foi; quando damos conta o túnel do esquecimento já é tão longo que fica, quando fica, o que resta do sorriso à flor dos olhos de quem já não sabemos nada, depois de sabermos quase tudo.

Um mundo tão volátil, tão cheio de coisas rápidas tenderá certamente a envolver nesta capa de efemeridade os nossos sentimentos mais fortes e vergá-los à esquadria deste novos tempos.

Sentimentos fortes não se dão bem com a superfície da vida, pois precisam de raízes que vão fundo buscar o alimento e ganhar enrijamento para aguentar ventos e tempestades.

É por isso que “ter” amig@s é um desafio constante; uma espécie de prova de vida; uma afirmação de que por muito que admiremos a toupeira e sua arte de escavar, a amizade é uma avenida engalanada das árvores onde a solidão está vedada a verde. À superfície dos olhares. Como estrelas a cintilar.

Eu sei lá o que faria pelos meus amigos que conheço um a um ou uma a uma. Sem exceção, tal é a exceção.

E, no entanto, nos últimos dias tenho sido atingido por inúmeras mensagens  a anunciar-me que tenho mais amigos do que penso. No Facebook.

Certamente não tenho. Não sei quem são. Os que tenho, poucos, por defeito meu, sei bem quem são e estão guardados onde se não veem. Nem eu os vejo. Sinto-os ao compasso do bater do coração.

Não é por nada; um amigo que não conhecemos não é um amigo; é um desconhecido. E desconhecidos devo ter mais de cinco mil milhões.

O Oxigénio de Rosa Luxemburgo e de Togliatti

A tese que o fascismo nasceu do marxismo não tem nada de inocente. Vivemos um tempo de apagamento teórico das lutas das classes, falando-se do fim da história, da entronização do neoliberalismo, como defendeu Fukuyama.

Tudo rola sobre as esferas liberais; sem conflitos de maior, aguardando que a riqueza dos muito ricos caia do vértice das pirâmides e role para os debaixo. Daí ir ao passado procurar teses que deem corpo a este mundo imaginário.

Alertou certa opinião pública pelo facto do seu autor ser pivô da RTP. Estar na TV é estar no céu no mundo dos basbaques. Daí que os seus livros vendam toneladas.

Sempre houve gente que abjurou ideias. Um dos mais famosos foi Judas. Mas desde o “Manifesto Comunista” até aos nossos dias vão mais de cento e oitenta anos. Já é algum tempo.

Houve marxistas que o deixaram de ser. Ontem e hoje. Os que fazem o ideário não são os que o abandonam; são os que lhe permanecem fieis.

Pretender que as origens do fascismo estão no marxismo porque A, B, ou C que se consideraram marxistas e deixaram de o ser passando para o campo dos fascistas é o mesmo que dizer que o PPD/PSD teve origens no fascismo porque Sá Carneiro e Magalhães Mota foram deputados pelo partido único, ou ainda que o PSD de hoje pode ter tido origens no comunismo porque Passos Coelho foi da JCP…

Houve e haverá gente que por um conjunto de motivos abandonou o ideário que partilhou.

Não passa pela cabeça de ninguém fazer prova de que o ideário fascista dos novos convertidos teve origem no ideário primitivo.

O marxismo visava e visa implantar o socialismo. O fascismo visava e visa implantar uma ditadura do capital financeiro suprimindo todos os liberdades e tentando esmagar os conflitos sociais.

O fascismo visou impedir que a crise do capitalismo criasse condição para que os marxistas e outros organizassem as lutas que levassem à revolução socialista.

O fascismo nasceu da crise capitalista e numa época de uma grande mobilização das massas copiou consignas e modos de agir dos marxistas para que pudesse chegar ao coração do operariado, da pequena burguesia e de setores da intelectualidade, fazendo-se passar pelo que não eram.

Enquanto os marxistas russos, alemães, italianos visavam levar a cabo as revoluções socialistas, os fascistas italianos e alemães defendiam o capitalismo, impondo o terror que implantaram naqueles países e tendo como inimigos implacáveis os marxistas.

Salazar, um fascista encolhido que sobreviveu ao final da segunda grande guerra, abominava o marxismo e o socialismo; edificou um Estado policial de perseguição a todos os que lutavam pelo socialismo.

O facto de Sorel, Otto Bauer, Michels, Mussolini e outros terem andado por águas marxistas e mais tarde terem-nas abandonado não pode de nenhum modo responsabilizar o marxismo pelas origens do fascismo.

A ideia que as ideologias se confundem e não se separam vai de encontro aos defensores que todos os partidos são iguais, que tudo é a mesma coisa.

Impingir esta tese não tem nada de inocente e entronca nas teorias do fim da História e do branqueamento das fronteiras ideológicas.

Haja ou não haja eleições, o que conta são as regras da moeda única. Essas são sagradas; estão por cima de tudo.

A atoarda chamou a atenção vinda de quem entra na casa das portuguesas e portugueses. O que se passa na têvê tem pernas para ser visto…

Togliatti e Rosa Luxemburgo respiraram do mesmo oxigénio que Mussolini e Hitler; aprenderam as mesmas operações aritméticas e muitas coisas idênticas; provavelmente…as origens do fascismo estão em Adão e Eva.

Conferência na Associação 25 de Abril

NO 40º ANIVERSÁRIO DA CONSTITUIÇÃO

LIBERDADE E JUSTIÇA!

A CRP garante aos portugueses no art.9º os direitos liberdades fundamentais, princípios basilares do Estado de direito democrático.

O art.2º declara que a República portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efetivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

Os artigos 24 a 47 elencam os direitos e liberdades de natureza pessoal que usufruem os cidadãos portugueses.

Os artigos 48 a 52 enumeram os direitos, liberdades e garantias de participação política.

Os artigos 53 a 57 enumeram os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores; os artigos 58 a 62 os direitos e deveres económicos; os artigos 63 a 72, os direitos e deveres sociais.

Estes são os direitos, liberdades e garantias que os portugueses gozam.

Para os poder gozar têm a justiça para impedir os obstáculos à sua não realização.

Por isso o artigo 202, nº1 estatui …” Os tribunais são os órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome do povo.”

Esta ligação íntima como se pode constatar entre os direitos, liberdades individuais e os direitos sociais, económicos e culturais dos cidadãos é um elemento estratégico na lei fundamental do país.

Trata-se na verdade de um diploma que assegura a modernidade no sentido de afirmar o mais avançado que há nas sociedades, neste domínio.

Todas as constituições têm uma matriz ideológica; não há, ao contrário do que afirmam certos dirigentes do PSD e do CDS constituições sem ideologia.

Há seguramente algumas que consagram princípios liberais, social- democratas ou outros mais avançados do ponto de vista de uma democracia que abraça não só os direitos individuais como os sociais, económicos e culturais.

A direita quer um Estado mínimo, mas um Estado mínimo é o Estado liberto de deveres para com a comunidade e carregado de bónus para que o capital financeiro possa prosperar.

Um Estado que assegurasse aos donos dos colégios verbas para o exercício do ensino privado enquanto menosprezava a escola pública.

Claro que não têm a coragem de acabar com a escola; retiram-lhe a qualidade e deixam os mais desfavorecidos ainda mais pobres.

O mesmo se passa com a saúde, com os transportes, com a própria justiça de que aqui tratamos.

Para empobrecer os portugueses foi necessário empobrecer a Constituição; ela foi o baluarte contra os monstruosos cortes que o governo de Passos/Portas pretendia levar a cabo e alguns levou.

A Constituição enumera os grandes princípios e são os governos quem os tem que respeitar; ora já se sabe que é muito importante a natureza politico-ideológica de quem tem as rédeas do governo.

Não foi por acaso que o CDS votou contra esta Constituição e que no PSD, se pudessem, voltavam a revê-la para a tornar cada vez mais liberal e retrógrada quanto aos direitos económicos, sociais e culturais e à participação dos cidadãos na vida política.

Vale a pena abrir um parêntese para encararmos a CRP como sendo uma síntese do que mais avançado se tem legislado no mundo.

Ela incorpora as ideias de Iluminismo, da Rev. Francesa, das burguesias então revolucionárias, e as ideias de justiça social das revoluções apontadas ao socialismo.

Ela garante o exercício dos direitos e liberdades individuais e ao mesmo tempo integra os direitos da terceira e quarta geração.

É avançada porque considera que sem as liberdades individuais a sociedade fica amputada do seu oxigénio, e sem os direitos económicos, sociais e culturais a liberdade e a democracia ficarão mais vazias de conteúdo e definharão.

Incorporar o que de melhor cada revolução trouxe à humanidade é tornar inseparável o que pode ser separado, isto é, casar as liberdades com os direitos sociais, económicos e culturais, sem divórcio.

Com esta Constituição o povo português tem o caminho aberto para qualquer via de progresso que queira perfilhar.

A própria Constituição acontece na antecâmara da emergência de um novo mundo, a saída do mundo bipolar, para o mundo unipolar de curta duração dada a fase que atravessamos de crescente afirmação da multipolaridade.

Ela tem mantido ao longo destes quarenta anos em que o mundo tanto mudou toda a vitalidade e capacidade de manter a atualidade, o que confirma ser a verdadeira chave mestra do Portugal democrático.

 

II

Já vimos como à luz da CRP a liberdade e os direitos individuais são inseparáveis dos direitos económicos, sociais e culturais.

Cabe agora perguntar-nos respirando a liberdade como vamos de Justiça?

E vamos mal. Naturalmente que sem liberdade a justiça é coxa, mas mesmo desfrutando de liberdade podemos afiançar que a justiça vai muito mal.

Nos últimos quatro anos o governo do PSD/CDS veio agravar de um modo brutal o acesso à justiça, desde logo encerrando vinte e um tribunais, submetendo-se ao diktat da troika, o que levou que no interior de Portugal muitos concidadãos para participarem numa audiência tivessem que ir de véspera, pois quem não tivesse transporte próprio não tinha maneira de chegar no dia da diligência ou audiência.

Em certo tipo de situações a população para ir a tribunal tinha de andar mais de sessenta quilómetros.

Num país com tão grandes assimetrias entre litoral e interior, de tal ordem que um destes dias Portugal cai no mar tendo em conta o peso dos milhões de portugueses à beira mar, esta medida de fechar tribunais é um sinal claro de abandono do interior, num país já de si tão estreito.

Felizmente que o novo governo deu um sinal positivo para pelo menos reabrir alguns, faltando saber se para funcionar ou se para não se sabe bem para quê.

Mas para além disto há outras maneiras de impedir o acesso à justiça.

Uma delas é simples: encarecem as custas. Numa ação cujo valor seja 2.000€ paga de taxa de justiça 102€, cujo valor seja 8.000€ paga 204€, cujo valor seja 16.000€ paga 306€; a partir de 275.000€ até ao infinito a taxa de justiça a pagar é sempre 1.632€ e o restante a final.

Quem tiver uma ação no valor de 8.000€ ou 16.000€ tem de pensar na taxa de justiça 204 ou 306 € a pagar, mais honorários de advogados, mais despesas de deslocação e a possibilidade sempre presente de não correr bem, deve pensar se vale a pena; tanto mais quanto o devedor pode não ter com que pagar e a privatização das execuções das sentenças ser uma enormidade por este tipo de valores, pois para além das taxas de justiça tem de pagar ao agente ou solicitador de execução que não conhece e provavelmente nunca conhecerá… Isto se se recordam implementado pela Dr.ª Celeste Cardona, ministra da justiça do CDS, no governo de Durão Barroso, hoje sabe-se lá em que cargo… E a justificação foi a corrupção e as pendências; agora as coisas estão muito piores, encravadas nas pendências, quase não mexe, tudo bloqueado e quanto a corrupção as críticas saltam todas as semanas com este novo sistema.

O Estado demitiu-se de assegurar a efetivação da justiça.

Para que se compreenda as consequências da política de empobrecimento na vida comunitária, em termos de justiça, pensemos no que aconteceu ao incumprimento das prestações das famílias referente à habitação e à perda de alojamento; à perda do emprego e às possibilidades de uma vida com um mínimo de decência.

Neste período aumentou a criminalidade devido à falta de capacidade para muitos terem uma vida minimamente decente.

A fim de se ter uma ideia dos reflexos olhemos para a população prisional: entre 2010 e 2015 os reclusos passaram de 11.613 para 14.222, o que significa um aumento de 22.50%.

O Estado ao longo destes quatro anos do governo Passos/Portas ao atacar os mais desfavorecidos e a população em geral para proteger o regabofe do sistema financeiro (atolado em escândalos e corrupção) criou este estado de coisas.

Vale a pena reter a importância da CRP e do TC pelo simples facto que o governo resvalou para a ilegalidade, como atrás vimos.

Mas não há apoio judiciário? Sim, há, mas para quem não tiver um pardieiro e viver no extremo limiar de pobreza, para além das mil e uma exigências para ver se o desgraçado desiste do pedido.

Governamentalizaram o pedido de apoio judiciário, deixando a decisão ser de uma entidade independente que era o juiz, para passar a ser a segurança social que depende do governo e que naturalmente só conceder-se não tiver outra hipótese.

A pendência em cível é assustadora. Bate recordes.

Para se ter uma ideia no Reino Unido ou País de Gales uma ação cujo valor seja inferior a 10.000 Libras demora sete meses e acima desse valor um ano; na Alemanha quatro e oito meses; na França cinco e nove meses. Em Portugal anos, dois, três, quatro, sim acontece com frequência.

Recordo o livro do José Gil “Portugal Hoje, o medo de existir” e digo-vos que não estou a enveredar por aquele tipo de critica que fazem muitos dos nossos concidadãos que no fundo se colocam de fora desta “merda de país”.

Não. Estou aqui. Sei olhar e ver. Estou nos tribunais. Vejo o que me rodeia e tento mudar e não desisto, mas a verdade é esta: a justiça está má.

A privatização da nossa vida em comunidade olha a justiça e baba-se com as possibilidades. O Estado desiste. D. João II mandou enforcar os que em Bragança não queriam os juízes de fora; os senhores feudais queriam ser os donos da Justiça, se se abandonar os concidadãos os poderes reais das vilas do interior a justiça morre.

Dizem que há prejuízo; mas a justiça porventura foi feita para dar lucro? O facto de um pais realizar justiça é já por si um lucro incalculável porque fortalece a coesão social, torna a sociedade estável e faz com que os cidadãos confiem no país em que vivem.

Se não houver justiça ou se a houver mas for deficiente nasce a desconfiança e todos desconfiarão de todos porque os cidadãos são tratados de modo diferente ou não sentem que a justiça se realize e esse facto funciona como elemento desagregador da sociedade.

Não havendo coesão social em torno de objetivos que levem ao desenvolvimento social naturalmente que a crise não nos larga e com ela a dependência em termos económicos.

Se olhássemos em volta e víssemos que havia justiça todos se sentiriam pacificados, descansados porque viveriam numa sociedade de iguais e onde a justiça era aplicada a todos de igual modo.

Creio que estas circunstâncias contribuíram para levar os cidadãos a puxarem para o mesmo lado, ou seja, para bem da comunidade.

A justiça funcionando com respeito e em observância atempada dos princípios estabelecidos pela lei é um elemento fundamental para que reine a paz social, e sem paz social não há progresso.

Não estou a defender que a paz social não encerra conflitos, encerra e ainda bem.

Mas a resolução dos conflitos através da justiça é o modo como o Estado de direito democrático impõe o seu rigor e a sua imparcialidade.

O Ovo de José Rodrigues dos Santos

Quando se tenta a todo o custo, incluindo usando de desonestidade intelectual alterar a realidade e a verdade das coisas tudo vale; não há nada que possa limitar a ânsia de tentar justificar o pequeno mundo em que a personagem se encerra.

O facto de alguém por volta das vinte horas entrar todo lampeiro nas casas dos cerca dos dez milhões dos cidadãos portugueses e debitar umas quantas notícias, muitas vezes mal- amanhadas, pode levar o sujeito a pensar com tanto gente a olhar para ele que é um inventor e criador de novas teorias.

Só assim se explica que JRS tenha imaginado no seu caixote cerebral que graças à sua inteligência exorbitante passaria por cima de toda a comunidade académica, política para ir direito à descoberta que o marxismo, a teoria que deu corpo à luta pela implantação do socialismo esteve nas origens do fascismo, regime que visou exatamente impedir que o socialismo triunfasse.

Para tanto, face a esta enorme contradição, JRS foi buscar uns quantos argumentos e, segundo ele, ergueu uma nova doutrina consubstanciada num esforço tremendo tendo-os passado a letra de forma “As Flores de Lótus” e o “Pavilhão Purpura”…O mundo suspirou de alívio ao saber que se um dia quiser lê aquelas “obras” e fica a saber o que só JRS sabia.

Ó infelizes mortais reparai nesta descoberta: o nazismo não era só nazismo, era nacional-socialismo; ora se era socialismo e se o socialismo é o objetivo do marxismo claro está que o fascismo nasceu do marxismo. Aqui está o novo ovo de Colombo que a partir desta época passará a ser designado “o ovo de JRS”.

JRS vai a Newton, a Sorel, a Lenine. Ele vai, numa luta incessante pela sabedoria, buscar aquilo que ninguém ousaria: afinal a teoria da libertadora da classe operária e dos trabalhadores não é bem assim. Foi assim até certo ponto, depois porque houve uns quantos sindicalistas que se passaram para as hostes fascistas e uns tantos socialistas que na 1ª Grande Guerra defenderam a participação na guerra, ao lado de governos de direita e fascistas, aqui está a prova de que o fascismo nasceu do marxismo.

Isto é que é pensamento refulgente.

Vão os outros por caminhos ínvios para estudar o fascismo: quem o apoiou e apoia, que fins visava e visa, quem combateu e combate, que sociedade visava implantar e naturalmente que estão redondamente equivocados.

O fascismo italiano que se aliou ao nazismo alemão nasceu dessa ideia milagrosa dos marxistas de acabar com a exploração capitalista e instalar o fascismo; fantástico.

O nazismo alemão originariamente marxista foi buscar ao Capital de Marx, ao Manifesto Comunista de Marx e Engels, ao Estado e a Revolução de Lenine, às obras dos revolucionários alemães Rosa Luxemburgo, Karl Liebeknecht e tantos outros a sua essência, para lutar implacavelmente contra os marxistas, prendê-los, fuzilá-los, por amor edipiano. Isto é que é sabedoria…ele há homens com um fulgor que até causa inveja.

Em Portugal o fascismo teve origens no marxista de Santa Comba Dão, o Dr. Oliveira Salazar, amigo de outro cripto-comunista, o Cardeal Cerejeira, o que nunca foi descoberto pelo Papa Pio XII.

Este será o tema do terceiro e novo romance …”Na antecâmara do pavilhão púrpura do socialismo de Lótus” onde uma vez mais JRS demonstrará que a igualdade dos homens perante deus, segundo a doutrina católica, está nas origens do socialismo e consequentemente no fascismo.

Foi assim que a história se fez. Segundo JRS. Tudo num piscar de olhos.

Este cavalheiro com dois livros virou o mundo do avesso.

Há gente que anda pelas ruas a dar conta das suas desgraças, umas dando ares de serem Napoleão, outras mais modesta a fazerem de Platão, outras recitando versos do Camões; em tempo houve um soldado na parada à ordem de virar à direita, virou à esquerda e logo se disse ao comandante “Todos errados meu comandante, o único certo sou eu”. São os que pensam que o mundo não é o que é, mas o que eles pensam que é.

JRS é um caso parecido. Tão fechado no quadrado televisivo que pensa que o se passa na sua cabeça é o que se passa no mundo.

José Rodrigues dos Santos e a Idiotice

Alegar que o fascismo tem origens marxistas não é apenas ignorância, é uma afirmação com um propósito doloso de manipular a história e de a deturpar.

Pode ser conscientemente. Pode ser por pura ignorância. O diabo que escolha.

A tese de que o fascismo tem origens marxistas afirma JRS em artigo no Público de 29 do corrente mês …” contradiz ideias feitas e por isso precisa de ser fundamentada- o que é feito ao pormenor em “As Flores de Lótus” e em “O Pavilhão Purpura” … Assim. Sem mais nem menos.

JRS contra todas as correntes de pensamento descobriu esta atoarda e para prova da sua arenga invoca que escreveu dois romances. É obra.

Factos, acontecimentos, teses, livros, doutrina, guerras, revoluções, história do movimento socialista, operário, tudo em dois romances. Tudo num piscar de olhos. Um verdadeiro fenómeno do Entroncamento.

JRS, se não sabe, deveria saber que o marxismo enquanto doutrina foi e é a base em que assenta o socialismo; e os seus teóricos Marx e Engels criaram uma teoria que apontava a inevitabilidade das revoluções e do caminho humano para o socialismo; socialismo que levaria ao poder os trabalhadores.

Esta teoria foi abraçada de modo diferente pelo conjunto do movimento operário e progressista mundial.

É totalmente falsa e desprovida de qualquer fundamento a afirmação …” Não é preciso fazer nada, pois a revolução do proletariado é inevitável”… na verdade os “pais” do marxismo defenderam a criação de uma Associação e mais tarde de Partidos para que pela ação popular das massas se organizassem as revoluções ou ruturas com o capitalismo.

Quem não fez nada foi JRS no que toca à leitura do mínimo dos mínimos, como dar leitura ao Manifesto Comunista de Marx e Engels. JRS ficou-se pelo fantasma e meteu a cabeça na areia.

Sorel tinha tanto a ver com Lenine como o piscar do olho de JRS com informação. Sorel foi um dos muitos doutrinários anticapitalistas cujas teses não foram seguidas por qualquer organização marxista no mundo.

Lenine leu Sorel, como leu Platão, Hegel, Rousseau, como pela sua obra se pode imaginar que leu muitíssimos livros para desenvolver as suas ideias e para combater outras.

Sorel teve muito pouca importância no desenvolvimento do movimento revolucionário russo.

JRS tenta confundir as teses nacionalistas dos socialistas da 2ª Internacional que em relação à I Guerra Mundial defenderam a participação dos seus países nessa tremenda guerra de destruição da Europa com as teses dos marxistas que vieram a criar a III Internacional por não aceitarem a participação na guerra.

Vale a pena sublinhar que o marxismo deu corpo à luta pelo socialismo. O fascismo destinou-se a impor uma ditadura brutal para fazer o capitalismo avançar por outra via, com medo que a revolução acontecesse.

Implantou-se pela violência, mas também paulatinamente como no caso português.

As balelas que JRS conta sobre Mussolini e a participação da Itália na primeira Guerra Mundial não passam de balelas.

Hitler e Mussolini não viviam nas nuvens. Viviam na terra, numa época em que revoluções socialistas na Alemanha e Itália podiam eclodir. Sabiam a importância do movimento de massas e apoderavam-se de certas consignas e ideias do movimento operário para ganhar apoio para as suas teses nacional-socialistas ou fascistas.

Para penetrar mais fundo nas massas foram buscar não só consignas como a própria designação no caso alemão.

Mar querer provar que pelo facto do partido nacional-socialista ser socialista prova que o fascismo nasceu do marxismo é próprio de uma cabeça como a de JRS.

…” Os meus críticos limitaram-se a constatar que os fascistas descreviam-se como antimarxistas e assim foi até certo ponto”… diz JRS, …mas isso foi numa fase já amadurecida….Quem caiu de maduro no ridículo foi JRS.

Uma tolice nunca vem só, e não compreender a época histórica em que nasceu o nacional-socialismo e o fascismo como tampão ao marxismo é confundir o Germano com o género humano…

Hitler, Gobels, Mussolini, Salazar e outros viveram numa época de grande choque entre as diversas ideologias.

E como eram homens do planeta terra foram buscar ideias gratas ao movimento socialista para as manipular e incorporar no movimento nacionalista e fascista.

Bastava a JRS recordar que em Portugal todos os partidos constituintes defendiam o socialismo, salvo o CDS, que não defendia, mas aceitava-o. Porque em 1974/5 quem não fosse pelo socialismo tinha pouco apoio no povo português. Daí o socialismo estar em todos os programas – socialismo anticapitalista, socialismo democrático, socialismo de rosto humano, socialismo autogestionário…

Será que Sá Carneiro era um socialista? O socialismo tem tanta atração nos povos de todo o mundo que os próprios setores capitalistas se sentem na contingência de o incorporar no seu ideário para lhe retirar a sua força e o minarem.

JRS limita-se a pegar na superfície das coisas, de ir buscar uma aparência, para negar esta realidade nua e crua: O fascismo foi e é uma ditadura terrorista do capital financeiro; o marxismo é uma doutrina que sustenta o socialismo.

INVASÃO DO IRAQUE- DURÃO BARROSO REESCREVER A HISTÓRIA

 

Durão Barroso é um homem inteligente, muito até. Mas não pode por esse facto fazer de conta que os outros são burros.

Barroso defendeu com unhas e dentes a intervenção de Bush e Cª no Iraque. Disse ao Expresso de 7 deste mês que sabia ser fácil derrubar Saddam Hussein. Toda a gente sabia, até Saddam.

Mas o que ele não sabia  o que viria a acontecer depois. Face a essa incerteza preferiu aventurar-se para se colar aos EUA e ganhar peso político, como ganhou, chegando à Presidência da União Europeia…Durão Barroso fez de cicerone aos grandes do mundo para encenar um monumental embuste e partir para a aventura militarista que é um chaga profunda em todo o mundo muçulmano, incluindo entre os muçulmanos na Europa.

Depois da invasão o mundo nunca mais foi o mesmo; os dias de angústia que se vivem de uma lado e outro do Mediterrâneo entroncam diretamente nas consequências dessa loucura militarista.

Bush, Blair , Aznar, Barroso, Portas e outros tentaram enganar o mundo alegando factos que sabiam serem falsos.

Inventaram as armas de destruição massiva; mentiram despudoradamente.

Depois disserem que iam implantar a democracia no Iraque; voltaram a mentir. ´

Hoje o Iraque é um inferno e vive-se muito pior quer em termos materiais, quer em termos de direitos humanos.

Bush, Blair, Condolezza Rice, Aznar, Barroso, Portas, são responsáveis por centenas de milhares de mortes causados pela guerra e pelas guerras que se seguiram e que deixaram o Médio-Oriente e o mundo muçulmano em violentas chamas que não se vislumbra como apagar.

Barroso não pode fazer dos outros parvos e candidamente afirmar que face aos dados que tinham a invasão era adequada.

Uma ação da envergadura da invasão iraquiana não se compadecia com umas larachas acerca das tais armas de destruição massiva, inventadas por gente deslumbrada com o poder militar dos EUA e baseada nesse deslumbramento arrastar o mundo para o desastre.

Durão Barroso deve sentir um grande peso na consciência porque no seu curriculum consta uma página das mais vergonhosas na comunidade internacional: a da invasão ilegal, brutal e louca do Iraque. E ele foi o chefe de mesa dos chefes militaristas Bush e Tony Blair.

Deram-lhe a Presidência da União Europeia. Mas a verdade é que Barroso teve um papel menor no maior embuste do novo milénio. E envergonhou Portugal e os portugueses.

Tenta agora arrastar Sampaio para esse plano inclinado da vergonha. De tal ordem que o fleumático Jorge Sampaio viu necessidade de vir a público defender a honra e denunciar a vigarice.

Por vezes Durão Barroso volta a lembrar os velhos tempos de inflamado émeérrepêpê e não olha ao verbo para reescrever a História.

Mais pesado com a idade que invoca na entrevista poder-se-ia esperar outra postura, mas desenganou os que poderiam esperá-lo. Entre ousar a coragem, ousou a aldrabice.

Igual a si próprio, abusando de “argumentos” foi desmascarado por Dr. Sampaio.

A invasão do Iraque foi uma loucura sem nome. As chagas estão abertas e o sangue não para de correr. O mundo ficou muito pior. Tudo em nome de uma mentira sinistra.

Foi um crime contra toda a Humanidade. Com rostos. E sem julgamento.

domingos lopes

O Verde das Papoilas

 

verde

Quem de verde escondido veio apunhalar a campina verde?

Quem tingiu de sangue as frágeis papoilas?

Que punhais mataram o verde do sonho para que o sangue pontuasse a seara?

Verde, verde, verde a perder de vista. Tão verde, tão verde que as papoilas tinham de ser vermelhas para o verde ser ainda mais verde.

Seriam verdes os punhais que sangraram as papoilas?

Olhe que Não Senhora Embaixadora de Israel

Tzipora Rimon, Embaixadora de Israel em Portugal, em texto publicado no PÚBLICO de 21.04.2016, veio lamentar o que considera ser o terrorismo palestiniano.

As divisões que ocorrem entre os palestinianos são tão graves que chegam a estalar conflitos militares entre elas.

No seio das dissidências entre judeus, quem pode esquecer o judeu que assassinou Yitzhak Rabin?

(Continuar a ler no Público Online)