O Ovo de José Rodrigues dos Santos

Quando se tenta a todo o custo, incluindo usando de desonestidade intelectual alterar a realidade e a verdade das coisas tudo vale; não há nada que possa limitar a ânsia de tentar justificar o pequeno mundo em que a personagem se encerra.

O facto de alguém por volta das vinte horas entrar todo lampeiro nas casas dos cerca dos dez milhões dos cidadãos portugueses e debitar umas quantas notícias, muitas vezes mal- amanhadas, pode levar o sujeito a pensar com tanto gente a olhar para ele que é um inventor e criador de novas teorias.

Só assim se explica que JRS tenha imaginado no seu caixote cerebral que graças à sua inteligência exorbitante passaria por cima de toda a comunidade académica, política para ir direito à descoberta que o marxismo, a teoria que deu corpo à luta pela implantação do socialismo esteve nas origens do fascismo, regime que visou exatamente impedir que o socialismo triunfasse.

Para tanto, face a esta enorme contradição, JRS foi buscar uns quantos argumentos e, segundo ele, ergueu uma nova doutrina consubstanciada num esforço tremendo tendo-os passado a letra de forma “As Flores de Lótus” e o “Pavilhão Purpura”…O mundo suspirou de alívio ao saber que se um dia quiser lê aquelas “obras” e fica a saber o que só JRS sabia.

Ó infelizes mortais reparai nesta descoberta: o nazismo não era só nazismo, era nacional-socialismo; ora se era socialismo e se o socialismo é o objetivo do marxismo claro está que o fascismo nasceu do marxismo. Aqui está o novo ovo de Colombo que a partir desta época passará a ser designado “o ovo de JRS”.

JRS vai a Newton, a Sorel, a Lenine. Ele vai, numa luta incessante pela sabedoria, buscar aquilo que ninguém ousaria: afinal a teoria da libertadora da classe operária e dos trabalhadores não é bem assim. Foi assim até certo ponto, depois porque houve uns quantos sindicalistas que se passaram para as hostes fascistas e uns tantos socialistas que na 1ª Grande Guerra defenderam a participação na guerra, ao lado de governos de direita e fascistas, aqui está a prova de que o fascismo nasceu do marxismo.

Isto é que é pensamento refulgente.

Vão os outros por caminhos ínvios para estudar o fascismo: quem o apoiou e apoia, que fins visava e visa, quem combateu e combate, que sociedade visava implantar e naturalmente que estão redondamente equivocados.

O fascismo italiano que se aliou ao nazismo alemão nasceu dessa ideia milagrosa dos marxistas de acabar com a exploração capitalista e instalar o fascismo; fantástico.

O nazismo alemão originariamente marxista foi buscar ao Capital de Marx, ao Manifesto Comunista de Marx e Engels, ao Estado e a Revolução de Lenine, às obras dos revolucionários alemães Rosa Luxemburgo, Karl Liebeknecht e tantos outros a sua essência, para lutar implacavelmente contra os marxistas, prendê-los, fuzilá-los, por amor edipiano. Isto é que é sabedoria…ele há homens com um fulgor que até causa inveja.

Em Portugal o fascismo teve origens no marxista de Santa Comba Dão, o Dr. Oliveira Salazar, amigo de outro cripto-comunista, o Cardeal Cerejeira, o que nunca foi descoberto pelo Papa Pio XII.

Este será o tema do terceiro e novo romance …”Na antecâmara do pavilhão púrpura do socialismo de Lótus” onde uma vez mais JRS demonstrará que a igualdade dos homens perante deus, segundo a doutrina católica, está nas origens do socialismo e consequentemente no fascismo.

Foi assim que a história se fez. Segundo JRS. Tudo num piscar de olhos.

Este cavalheiro com dois livros virou o mundo do avesso.

Há gente que anda pelas ruas a dar conta das suas desgraças, umas dando ares de serem Napoleão, outras mais modesta a fazerem de Platão, outras recitando versos do Camões; em tempo houve um soldado na parada à ordem de virar à direita, virou à esquerda e logo se disse ao comandante “Todos errados meu comandante, o único certo sou eu”. São os que pensam que o mundo não é o que é, mas o que eles pensam que é.

JRS é um caso parecido. Tão fechado no quadrado televisivo que pensa que o se passa na sua cabeça é o que se passa no mundo.

José Rodrigues dos Santos e a Idiotice

Alegar que o fascismo tem origens marxistas não é apenas ignorância, é uma afirmação com um propósito doloso de manipular a história e de a deturpar.

Pode ser conscientemente. Pode ser por pura ignorância. O diabo que escolha.

A tese de que o fascismo tem origens marxistas afirma JRS em artigo no Público de 29 do corrente mês …” contradiz ideias feitas e por isso precisa de ser fundamentada- o que é feito ao pormenor em “As Flores de Lótus” e em “O Pavilhão Purpura” … Assim. Sem mais nem menos.

JRS contra todas as correntes de pensamento descobriu esta atoarda e para prova da sua arenga invoca que escreveu dois romances. É obra.

Factos, acontecimentos, teses, livros, doutrina, guerras, revoluções, história do movimento socialista, operário, tudo em dois romances. Tudo num piscar de olhos. Um verdadeiro fenómeno do Entroncamento.

JRS, se não sabe, deveria saber que o marxismo enquanto doutrina foi e é a base em que assenta o socialismo; e os seus teóricos Marx e Engels criaram uma teoria que apontava a inevitabilidade das revoluções e do caminho humano para o socialismo; socialismo que levaria ao poder os trabalhadores.

Esta teoria foi abraçada de modo diferente pelo conjunto do movimento operário e progressista mundial.

É totalmente falsa e desprovida de qualquer fundamento a afirmação …” Não é preciso fazer nada, pois a revolução do proletariado é inevitável”… na verdade os “pais” do marxismo defenderam a criação de uma Associação e mais tarde de Partidos para que pela ação popular das massas se organizassem as revoluções ou ruturas com o capitalismo.

Quem não fez nada foi JRS no que toca à leitura do mínimo dos mínimos, como dar leitura ao Manifesto Comunista de Marx e Engels. JRS ficou-se pelo fantasma e meteu a cabeça na areia.

Sorel tinha tanto a ver com Lenine como o piscar do olho de JRS com informação. Sorel foi um dos muitos doutrinários anticapitalistas cujas teses não foram seguidas por qualquer organização marxista no mundo.

Lenine leu Sorel, como leu Platão, Hegel, Rousseau, como pela sua obra se pode imaginar que leu muitíssimos livros para desenvolver as suas ideias e para combater outras.

Sorel teve muito pouca importância no desenvolvimento do movimento revolucionário russo.

JRS tenta confundir as teses nacionalistas dos socialistas da 2ª Internacional que em relação à I Guerra Mundial defenderam a participação dos seus países nessa tremenda guerra de destruição da Europa com as teses dos marxistas que vieram a criar a III Internacional por não aceitarem a participação na guerra.

Vale a pena sublinhar que o marxismo deu corpo à luta pelo socialismo. O fascismo destinou-se a impor uma ditadura brutal para fazer o capitalismo avançar por outra via, com medo que a revolução acontecesse.

Implantou-se pela violência, mas também paulatinamente como no caso português.

As balelas que JRS conta sobre Mussolini e a participação da Itália na primeira Guerra Mundial não passam de balelas.

Hitler e Mussolini não viviam nas nuvens. Viviam na terra, numa época em que revoluções socialistas na Alemanha e Itália podiam eclodir. Sabiam a importância do movimento de massas e apoderavam-se de certas consignas e ideias do movimento operário para ganhar apoio para as suas teses nacional-socialistas ou fascistas.

Para penetrar mais fundo nas massas foram buscar não só consignas como a própria designação no caso alemão.

Mar querer provar que pelo facto do partido nacional-socialista ser socialista prova que o fascismo nasceu do marxismo é próprio de uma cabeça como a de JRS.

…” Os meus críticos limitaram-se a constatar que os fascistas descreviam-se como antimarxistas e assim foi até certo ponto”… diz JRS, …mas isso foi numa fase já amadurecida….Quem caiu de maduro no ridículo foi JRS.

Uma tolice nunca vem só, e não compreender a época histórica em que nasceu o nacional-socialismo e o fascismo como tampão ao marxismo é confundir o Germano com o género humano…

Hitler, Gobels, Mussolini, Salazar e outros viveram numa época de grande choque entre as diversas ideologias.

E como eram homens do planeta terra foram buscar ideias gratas ao movimento socialista para as manipular e incorporar no movimento nacionalista e fascista.

Bastava a JRS recordar que em Portugal todos os partidos constituintes defendiam o socialismo, salvo o CDS, que não defendia, mas aceitava-o. Porque em 1974/5 quem não fosse pelo socialismo tinha pouco apoio no povo português. Daí o socialismo estar em todos os programas – socialismo anticapitalista, socialismo democrático, socialismo de rosto humano, socialismo autogestionário…

Será que Sá Carneiro era um socialista? O socialismo tem tanta atração nos povos de todo o mundo que os próprios setores capitalistas se sentem na contingência de o incorporar no seu ideário para lhe retirar a sua força e o minarem.

JRS limita-se a pegar na superfície das coisas, de ir buscar uma aparência, para negar esta realidade nua e crua: O fascismo foi e é uma ditadura terrorista do capital financeiro; o marxismo é uma doutrina que sustenta o socialismo.

INVASÃO DO IRAQUE- DURÃO BARROSO REESCREVER A HISTÓRIA

 

Durão Barroso é um homem inteligente, muito até. Mas não pode por esse facto fazer de conta que os outros são burros.

Barroso defendeu com unhas e dentes a intervenção de Bush e Cª no Iraque. Disse ao Expresso de 7 deste mês que sabia ser fácil derrubar Saddam Hussein. Toda a gente sabia, até Saddam.

Mas o que ele não sabia  o que viria a acontecer depois. Face a essa incerteza preferiu aventurar-se para se colar aos EUA e ganhar peso político, como ganhou, chegando à Presidência da União Europeia…Durão Barroso fez de cicerone aos grandes do mundo para encenar um monumental embuste e partir para a aventura militarista que é um chaga profunda em todo o mundo muçulmano, incluindo entre os muçulmanos na Europa.

Depois da invasão o mundo nunca mais foi o mesmo; os dias de angústia que se vivem de uma lado e outro do Mediterrâneo entroncam diretamente nas consequências dessa loucura militarista.

Bush, Blair , Aznar, Barroso, Portas e outros tentaram enganar o mundo alegando factos que sabiam serem falsos.

Inventaram as armas de destruição massiva; mentiram despudoradamente.

Depois disserem que iam implantar a democracia no Iraque; voltaram a mentir. ´

Hoje o Iraque é um inferno e vive-se muito pior quer em termos materiais, quer em termos de direitos humanos.

Bush, Blair, Condolezza Rice, Aznar, Barroso, Portas, são responsáveis por centenas de milhares de mortes causados pela guerra e pelas guerras que se seguiram e que deixaram o Médio-Oriente e o mundo muçulmano em violentas chamas que não se vislumbra como apagar.

Barroso não pode fazer dos outros parvos e candidamente afirmar que face aos dados que tinham a invasão era adequada.

Uma ação da envergadura da invasão iraquiana não se compadecia com umas larachas acerca das tais armas de destruição massiva, inventadas por gente deslumbrada com o poder militar dos EUA e baseada nesse deslumbramento arrastar o mundo para o desastre.

Durão Barroso deve sentir um grande peso na consciência porque no seu curriculum consta uma página das mais vergonhosas na comunidade internacional: a da invasão ilegal, brutal e louca do Iraque. E ele foi o chefe de mesa dos chefes militaristas Bush e Tony Blair.

Deram-lhe a Presidência da União Europeia. Mas a verdade é que Barroso teve um papel menor no maior embuste do novo milénio. E envergonhou Portugal e os portugueses.

Tenta agora arrastar Sampaio para esse plano inclinado da vergonha. De tal ordem que o fleumático Jorge Sampaio viu necessidade de vir a público defender a honra e denunciar a vigarice.

Por vezes Durão Barroso volta a lembrar os velhos tempos de inflamado émeérrepêpê e não olha ao verbo para reescrever a História.

Mais pesado com a idade que invoca na entrevista poder-se-ia esperar outra postura, mas desenganou os que poderiam esperá-lo. Entre ousar a coragem, ousou a aldrabice.

Igual a si próprio, abusando de “argumentos” foi desmascarado por Dr. Sampaio.

A invasão do Iraque foi uma loucura sem nome. As chagas estão abertas e o sangue não para de correr. O mundo ficou muito pior. Tudo em nome de uma mentira sinistra.

Foi um crime contra toda a Humanidade. Com rostos. E sem julgamento.

domingos lopes

O Verde das Papoilas

 

verde

Quem de verde escondido veio apunhalar a campina verde?

Quem tingiu de sangue as frágeis papoilas?

Que punhais mataram o verde do sonho para que o sangue pontuasse a seara?

Verde, verde, verde a perder de vista. Tão verde, tão verde que as papoilas tinham de ser vermelhas para o verde ser ainda mais verde.

Seriam verdes os punhais que sangraram as papoilas?

Olhe que Não Senhora Embaixadora de Israel

Tzipora Rimon, Embaixadora de Israel em Portugal, em texto publicado no PÚBLICO de 21.04.2016, veio lamentar o que considera ser o terrorismo palestiniano.

As divisões que ocorrem entre os palestinianos são tão graves que chegam a estalar conflitos militares entre elas.

No seio das dissidências entre judeus, quem pode esquecer o judeu que assassinou Yitzhak Rabin?

(Continuar a ler no Público Online)

Ontem, há Quarenta e Dois anos, Camarada Estrada

Era uma noite como tantas outras noites. Vestida de negro. E negra por dentro. Tinha o peso de todas as anteriores que vinham há muito roubando vidas de esperança.

Havia nesse tempo noturno estrelas de esperança que os sicários perseguiam para que nas trevas a luz nunca tivesse alento.

Nessa noite, há quarenta e dois anos, um camarada deu notícia de prisões e perigos. Devia ficar com a casa limpa. Se os sicários viessem não deveriam encontrar as searas de palavras que feriam o reino das trevas e da violência.

Era noite. Mesmo noite. Tão negra a noite. Talvez por ser a última. Mas quem o saberia? E subi ao telhado e fiquei empoleirado no escuro da noite. E ali guardei os Avantes. E fiquei à espera da desgraça e do vento que em Caxias cortava a respiração.

E logo a rádio espalhou o comunicado, mas anunciava para se ficar em casa. E veio a desconfiança. Quem seria. Golpistas? A extrema-direita? Não disseram ao que vinham. Logo veio o Valadas, camarada vizinho a perguntar se sabia quem eram os homens daquela noite. Que não sabia disse-lhe. Liguei ao Sérgio que também não sabia.

E de repente bateu-me um postal vindo dos Açores do David Lopes Ramos que estava na tropa com o Melo Antunes e o Vasco Lourenço. O coração acelerou. E nunca mais chegava a madrugada. Às tantas os militares deixaram abrir as portas à alegria antiga.

Já era manhã e tocou a campainha. Era a Zita. Disse mais ou menos isto: camarada Estrada o estar aqui assim diz o que o partido pensa da situação. Apoiamos exigindo liberdades e fim da guerra . É preciso ir para a rua apoiar e exigir a libertação dos presos políticos. Temos de pôr o partido na rua.

Todas as janelas dos vizinhos se iam abrindo e um sorriso largo e atrevido tomava –lhes o rosto.

Seria aquela a manhã da Sophia? Seria o vento que deixava de calar a desgraça e deixava-nos dizer tudo uns aos outros sem medo como dizia o poeta da Praça da Canção?

Ai que o medo iria ficar arrumado na memória e com as mãos, as simples mãos se iria fazer o futuro.

Há quarenta e dois anos a noite matou a noite antiga.

Fascismo à Espreita no Brasil

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Na votação, na Câmara dos Deputados no passado dia 16, pelo impeachment de Dilma Rousseff, Presidente do Brasil, distinguiu-se entre muitos o deputado Jair Bolsonaro que para atacar a Presidente foi ressuscitar um dos algozes mais sinistros da ditadura militar brasileira.

Jair Bolsonaro lembrou que o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ( chefe do DOI   COD, Departamento das Operações Internas do Centro de Operações da Defesa, órgão subordinado ao Exército, de Inteligência  e Repressão , criado em 2 de Julho de 1969)  acusava Dilma de ter pertencido a quatro organizações terroristas que pretendiam implantar o comunismo no Brasil.

Foi às mãos do DOI que foram assassinados entre outros o jornalista Vladimiro Herzog e o operário Manoel Fiel Filho.

Este órgão foi um verdadeiro antro de prisão, tortura e assassínio dos militantes  oposicionistas à ditadura militar.

Vir agora justificar o impeachment com o passado de resistente à ditadura militar brasileira, mostra que no Brasil o fascismo espreita e que muitos dos que se juntam a esta loucura ainda se virão a arrepender.

A raiva e o ódio à Presidente Dilma cegou muitos dos seus opositores.

Na verdade, independentemente dos erros de Dilma, não existe qualquer suspeição de corrupção sobre a Presidente.

Em contrapartida existem na Câmara de Deputados dezenas de deputados em pânico devido à operação Lava Jato que a Presidente não fez nada para parar.

A incapacidade para a direita neo liberal no Brasil ganhar a presidência fê-la perder o tino.

São juízes a pedir manifestações para terem apoio na perseguição a Lula da Silva e a divulgar escutas da Presidente; são deputados a votarem em nome de Deus, Pai, Espirito Santo, esquecendo o pecado mortal que é invocar o santo nome de Deus em vão… Há de tudo, até quem vá procurar nos algozes torcionários “razões” para o impeachment…

O Brasil vai mal, vai muito mal… algo anda à solta e não é nada de bom: o ódio mais destemperado, próprio do fascismo.

 

Portugal e Angola: Relacionamento e Ingerências

As relações de Portugal com Angola são, no quadro de uma ampla diversificação das relações externas, um elemento chave de uma política de defesa dos interesses nacionais. Assim como as relações com os restantes países de língua oficial portuguesa.

São-no agora, como o foram desde a independência destes novos países. E face ao rumo de então, não foi nada pacífico o relacionamento com aqueles países sobretudo com Angola, levando ao caricato de Portugal ser um dos países que mais tarde reconheceu a independência daquele novo país.

Durante anos a fio PS, PSD e CDS estiveram unidos contra não só reconhecimento da independência, como mais tarde contra o desenvolvimento das relações entre os dois países.

Aqueles três partidos comprometeram-se no apoio à UNITA o que impedia o aprofundamento do relacionamento com a ex-colónia.

Por amor à verdade houve gente naqueles três partidos que se pronunciaram em sentido contrário ao das suas direções.

As relações com Angola estão muito para além dos governos por um conjunto de razões que qualquer português ou angolano compreende. Não saber ou não querer corresponder esta realidade é um péssimo serviço prestado ao país.

A machadada na UNITA com a morte de Savimbi e a reorientação de Angola criou novas possibilidades para em Portugal se reajustarem as políticas em relação àquele país.

O MPLA virou o seu azimute e abandonou muito do seu passado ideológico para se colocar hoje no campo das orientações neo liberais, o que nem, por isso, muda a importância das relações entre Portugal e Angola.

Ora não deixa de ser curioso e um pouco contra natura que o PCP ( o partido que mais lutou pelo reconhecimento pelo direito de Angola à independência e pelo desenvolvimento das relações com aquele país) apareça ao lado do PSD e CDS na Assembleia da República a propósito de um voto de reparo face às condenações dos ativistas angolanos “apanhados” a ler um livro na casa de um deles.

O partido que mais tem lutado e, em geral bem, para pôr governos na rua fazendo-os cair, não devia aceitar que fossem aplicadas penas de cadeia pesadíssimas para os angolanos oposicionistas do governo do MPLA , que nem sequer organizaram manifestações a pedir a sua queda.

Ora é preciso deixar claro que a solidariedade de homens e mulheres livres que se batem por princípios nucleares da vida em comunidade nunca poderá ser confundida com ingerência nos assuntos internos de outro país.

Quando alguém é condenado a pesadas penas de prisão por ter opinião diferente dos governantes e entender associar-se para refletir sobre essas opiniões o que se está a pôr em causa são princípios fundamentais em que devem assentar as nações.

Não é por acaso que os artigos 19º, 20º e 21º da Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhecem, como direitos inalienáveis, o direito de opinião, expressão, reunião e associação.

Ora o reparo face às penas, a reclamação pela carga das condenações, a exigência de um recurso limpo, sem ingerências do poder político é uma atitude de valor universal que não pode ser vista como ingerência, nem como solidariedade aos ativistas.

Não se pode exigir liberdade apenas para os que pensam de um certo modo; a liberdade é um bem para todos os cidadãos que a respeitam, incluindo para aqueles que pensam de maneira bem diferente dos governantes.

Ingerência nos assuntos internos de um país é que faz a cada passo o Senhor Schäuble quando pressiona o governo português a seguir as orientações de empobrecimento que ele pretende impor ao país e nem CDS, nem PSD se prestam a condenar semelhantes pressões e ingerências.

Os negócios de Portugal com Angola são muito importantes. Mas as negociatas entre gente dos dois lados para seu único proveito não são a melhor maneira de desenvolver as relações entre os dois Estados com base no respeito mútuo, na reciprocidade de vantagens e sem ingerências nos assuntos internos de cada um deles.

Quem tudo fez pelo reconhecimento da independência de Angola e pelo aprofundamento das relações entre ambos os Estados não deveria aparecer ao lado daqueles que estiveram sempre do lado de Savimbi, que tudo fizeram para que o MPLA não declarasse a independência e para impedir o aprofundamento das relações com o novo país.

Nem ao lado daqueles, no voto na AR, que fazem da pressão externa a sua própria força contra as aspirações do povo português a uma mais desafogada e com o mínimo de dignidade.

Quatro Notas sobre Congresso do PSD

1.A reforma da lei eleitoral…E a da Segurança Social. Se o PS se aproximar do PSD… Se…

Convenhamos que é quase nada. Um político que durante quatro anos foi o responsável máximo da ação governativa lembra-se agora, na oposição, destas reformas?

Quanto à reforma eleitoral só pode ter deixado o CDS desconfiado. Embora Assunção Cristas tenha elogiado a força de vontade do PSD…Uma farpa?

Quanto à da Segurança Social, Passos não larga o passado e volta para esconder o corte de seiscentos milhões atrás da palavra reforma.

2. Mas Passos Coelho “não se ficou pelas reformas”. Esmerou-se entusiasmado no ataque à reestruturação da dívida…ele que fez aumentar em mais de trinta por cento a dívida, transferindo-a dos privados para o setor público. Apresentou-se como um fogoso mandatário dos credores internacionais alegando toda a sua experiência como governante. E foi mais longe. Garantiu que tal não era possível, sem, contudo, mostrar procuração com tais poderes dos donos do dinheiro.

E a sua força foi toda para apoiar os credores, sendo ele um líder de um país devedor e ele próprio responsável com a sua política pelo aumento dessa brutal dívida…Chegou a enternecer aquela referência aos durões do FMI. O homem corajoso prega que o seu país cruze os braços e não faça nada. Apenas que ponha a cabeça no cepo…

Sempre, sempre ao lado dos donos do dinheiro. Passos Coelho nunca hesitou ao longo do seu consulado de governação e continua na mesma senda.

3.Outra nota de registo: está zangado com quase toda a gente e não entende Marcelo que não siga, como o Durão, o cherne de águas profundas, e navegue na espuma dos dias.

Ainda acordou a tempo e reconheceu que o governo afinal é mais consistente do que ele e o amargurado Cavaco inventaram para impedir a sua formação.

 

4.E dando pleno curso à sua coerência puxou para a ribalta do PSD a Sra Dra dos cofres cheios de nada.

A Sra Dra, promovida à Administração da Arrow Global, está na mira da opinião pública e dos deputados. Não se é da Administração da Arrow sem que isso não conte para a progressão no PSD; as coisas estão ligadas. Arrow e PSD ficam assim ligadinhos.

Apesar da gloriosa mentira dos cofres cheios a Sra Dra mal pegou no micro, imediatamente a seguir a Passos Coelho, a debandada foi geral. O que ia dizer estava requentado; tinha quatro anos de atraso. Até os congressistas estavam fartos daquele patuá.

Também ela está muito aborrecida com o que se está a passar em Portugal e do alto da sua inteligência fina só vê o tempo velho.

Passos e a Sra Dra estão encerrados no labirinto da estratégia do empobrecimento do país. Não são capazes de sair de lá. E não têm asas para outros voos. Gabe-se-lhes a teimosia.

 

 

 

Ai as Mini Saias e os Saltos Altos!

Segundo Enzo Napoli, Presidente da Câmara de Salerno, bonita cidade com vista para o mar, a sul de Nápoles, há que preservar os turistas e residentes dos olhares libidinosos proporcionados pelas pernas e saltos altos das prostitutas que atento o mercado de oportunidades não se coíbem em puxar as saias uns centímetros acima dos joelhos.

Por esse facto podem ser multadas até 500 euros, o que lhes daria cabo das receitas provenientes do mercado da prostituição, pois que, como nos outros, resulta da oferta e da procura.

O Presidente da Câmara considera que se as prostitutas tiverem mais decoro, as oportunidades para os turistas e residentes caírem em tentação diminuirão e cessará o crescimento da prostituição na cidade.

Ora pode suceder que, com tal vontade de limpar a cidade de mini saias e saltos altos, o Presidente possa atingir todas as mulheres jovens e de meia-idade que se decidam, por moda, pelas mini saias e sapatos altos, como ocorre em muitas cidades italianas, francesas, espanholas, alemãs, portuguesas, isto é, europeias.

Enzo Napoli talvez se equivoque nos seus propósitos, pois tempo houve em que as mulheres andavam bem tapadinhas e a prostituição florescia, incluindo a proporcionar chorudas e santas receitas aos empreendedores do negócio.

O que o Presidente de Salerno está a promover é uma enorme inversão de valores que poderá levar a este despautério: tapem-se as mulheres e acabará a prostituição.

Não estará o Presidente da Câmara a defender a ideia judaico-cristã de que o mal está na primeira mulher, Eva, a tentadora do coitadinho do Adão? Haverá prostituição de mulheres sem homens que a frequentem?

O senhor Presidente da Câmara de Salerno deve sonhar com mulheres tapadas a quem não se pode ver a carne, descalças para não se ouvirem e não levarem à perdição dos homens…E se não se submeterem ao desígnio, castigo de 500€…Vá lá, podia ser pior, 500 chibatadas e nem assim a prostituição acabaria, pois algures no mundo muçulmano apesar dos castigos ela continua.

Que barbaridade! Mais parece um édito do Império Romano que uma diretiva municipal da Itália democrática. Quo vadis Salerno?