OS INSTANTES FINAIS DOS ARREPENDIDOS QUE NÃO SE MATAM

 

 

Os jovens belgas que se fizeram explodir no aeroporto e na estação de metro, em Bruxelas, para matar o maior número de pessoas possível que terão pensado nos instantes antes de acionarem os explosivos?

Entre viver e morrer, matar os outros era muito mais importante, pensaram os que se mataram matando. E mataram quem quer que estivesse onde eles estavam. Podiam ser os seus próprios familiares. Outros muçulmanos. Morrer e matar. Viver para matar. Matar.

Um dos que se matou matando despediu-se esclarecendo que preferia morrer a viver numa cela uma série de anos por crimes antes cometidos. E matou-se matando os outros que não cometeram qualquer crime, sendo apenas como ele seres humanos.

Outro não se fez explodir. Entrou com a mala cheia de explosivos e com um chapéu na cabeça e tal como os outros empurrava a sua morte e a dos outros. Devem ter decidido espalhar-se para a morte matar mais gente. Seriam as ordens dos mandantes?

O certo é que ao afastarem-se para conseguirem matar muito mais gente veio o medo ao do chapéu e fugiu.

Quando se apanhou sozinho pensou que se ia matar matando. E entre continuar a viver e morrer falou mais alto a vontade de viver. E fugiu. Não foi o primeiro a fugir. Abdeslam o cabecilha dos atentados de Paris também soçobrou e não se matou.

Habituar-se a matar pode não ser tão difícil como se poderia imaginar. Há largos exemplos de gente que se habituou a matar. E matou.

O mais difícil é viver para morrer matando. Parece ser muito mais difícil, embora não seja impossível, como provam os jovens que puxaram o gatilho da morte e morrerem matando dezenas de pessoas inocentes, alguns sem saber o que é o Daesh, nem o califa que o dirige e que ordena a estes europeus que matem os seus semelhantes.

A maldade que leva a estes cometimentos é tão intensa, tão hedionda que um dos  que estavam destinados morrer a matar, na hora da verdade, não se matou, fazendo o califa e o califado sentir que os seus heróis afinal não o são. Sempre que a vida fala mais alto que a morte o califado perde.

Os que vierem a seguir a estes para se matarem matando matarão, mas outros que vierem e se arrependerão não ficarão tão sós quanto os primeiros. Provavelmente o califado escolherá ainda os mais determinados, os que cheios de crimes tenham receio de ir para a cadeia como o do aeroporto. Ou outros cuja vida se tenha transformado apenas na ideia de matar os que não aceitam o Apocalipse e a vinda do Mahdi.

O Daesh pode continuar a matar, mas dentro das suas fileiras o medo aparece à luz da vida.

domingos lopes

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