Realidade Versus Ideologia? E os Afetos, Senhor Presidente?

Realidade ou ideologia? Na esteira do homem que decidia “com conhecimento de causa”, o engomadinho Cavaco, o novo inquilino de Belém, o sempre omnipresente Marcelo, veio a propósito da fiscalidade sobre o imobiliário invocar o princípio de que a realidade se sobrepõe à ideologia.

Supõe tal atoarda que a realidade é algo que está para alem das ideias e dos valores, nascendo por geração espontânea e mantendo-se segura e pendurada pelos anjinhos que cuidam das arestas da dita realidade.

Esta realidade fiscal terá milhões de anjinhos a impedir que os desgraçadinhos dos bilionários com ou sem visto gold paguem o que quer que seja para o Estado….

Sempre que se trate de mudar a realidade pela ação dos homens de um modo diferente do que foi amassada por outros homens é um horror, é a ideologia!

Ou seja, esta realidade fiscal resultante de um conjunto de valores e de princípios dos quais sobressai a ideia de que os ricos não devem pagar impostos é imutável porque é a atual …

Tal como era realidade em geral os cidadãos pagarem a escola privada para os filhos dos ricos e de outros que a queiram frequentar.

Tal como era real o corte de feriados.

E por aí adiante.

A realidade é a materialidade socioeconómica e espiritual que resulta de determinadas relações de forças entre as diversas classes e camadas sociais que formam a sociedade.

A realidade que resulta do tratado de Roma e que visa apertar os países do sul no torniquete da austeridade e empobrecê-los tem subjacente a ideia de que há países com um determinado destino e outros com outro, mesmo dentro da União.

Os do sul devem empobrecer para os do centro e do norte investirem e `a custa de salários baixos enriquecer os investidores.

Esta é uma realidade, mas não é imutável nem tem atrás de si um determinismo ao qual não se pode fugir.

Quem assim o defende são os que se encontram satisfeitos com esta realidade alicerçada na ideologia que devem ser os bilionários a mandar na sociedade de modo a que os seus lucros aumentem, esmifrando os de baixo e todas as classes e camadas que não pertencem ao Olimpo daqueles poderosos.

O Sr. Presidente da República é um homem culto e certamente sabia que mesmo as pedras que fazem parte da realidade material que nos rodeia mudam. E não têm ideologia. Sofrem a influência de outros elementos que as envolvem como o vento e a água.

O mesmo se passa com os homens. A escravatura era imutável, até para Aristóteles, há milénios.

No entanto finou-se. Os homens que a instauraram acabaram com ela.

Assim será sempre e a realidade de hoje baseada nas ideias do arco da governação e de Passos, Portas, Cristas, Maria Luís e de tutti quanti há de ser mudada pela ação de outras mulheres e homens com ideias diferentes a que correspondam as aspirações sociais de outras maiorias.

Esta realidade a que o Presidente da República quer amarrar o carro da sociedade e impedi-lo de chegar a outras estações é baseada em valores retrógrados.

É feio esconder a ideologia por medo da sua brutidade.  Não é muito afetuoso. Pode dar cabo da presidência dos afetos. Veja bem Senhor Presidente.

 

 

Passos Poucochinho Poucochinho

Há assuntos na vida política portuguesa que fazem pensar acerca do que é a vida política na nossa comunidade.

Passos Coelho, como Primeiro-Ministro, tinha um programa cujo objetivo era empobrecer os portugueses. Disse-o várias vezes. Com força. Empobrecer para tornar o país competitivo. Chegou a afirmar que iria tornar Portugal num dos países mais competitivos do mundo.

Ele, Portas, Cristas, Maria Luís, Mota Soares, Vitor Gaspar mais o PSD e o CDS aumentaram de tal modo os impostos que o tartufo Portas até inventou uma linha vermelha, na esteira da irrevogável demissão, revogada.

Passos e Portas e todos os ministros fizeram do empobrecimento dos portugueses um ponto de honra, chegando nesta senda a defender que os que emigravam não faziam mais que deixar áreas de conforto.

Toda a gente ouviu. O fenómeno é que todos ouviram e uma grande percentagem faz de conta que não ouviu e fica à espera a ver os comboios passarem, a ver se o euromilhões lhe bate à porta.

Foi sobre os mais desfavorecidos, sobre os que vivem do seu trabalho que Passos, M. Luís, Cristas e Portas caíram sem piedade empobrecendo-os e fazendo desse empobrecimento a sua bandeira de luta contra essa gente que não queria trabalhar e vivia acima das suas possibilidades. Quem se esqueceu?

Vem agora Passos num comício no Pombal afirmar que o atual governo quer que os portugueses “tenham pouquinho” e que quem poupa e tem algum é atacado.

Vem Cristas falar de assalto aos contribuintes, ela que pertenceu ao mesmo governo cujo objetivo era empobrecer.

Numa sociedade que não fosse bombardeada cada segundo pelos media a vender as pressões de Bruxelas, as gafes alemãs, o produto que os mercados servem, e que os cidadãos não estivessem de braços cruzados à espera do maná, e que tivesse como ponto de honra a dignidade quando ouvisse os pantomineiros a dizerem despautérios deste teor corria-os e punha-lhes pimenta na língua para aprenderem a serem sérios e a falarem com critério.

Passos e Cristas queriam empobrecer os portugueses. É gente que deseja que os seus compatriotas tenham menos do que o que tinham. E se tinham pouco, como é incontestável, tirando-lhe o que lhe tiraram ficaram mais pobres. Quem se esquece do aumento significativo das taxas de suicídios?

Passos, Cristas, Relvas, Portas e tutti quanti organizaram um saque por via dos impostos e de cortes nos vencimentos que fizeram com que um terço dos portugueses vivessem na pobreza.

Este governo está a devolver rendimentos tirados por Passos e Cristas. Este governo está a tentar, e tendo  também em conta  exigências do PCP, BE e PEV, que não sejam os mais pobres a pagar a fatura do delírio e orgia despesista e desvario do sistema bancário.

Do governo de Passos saíram figuras de relevo para bancos e multinacionais para os quais passaram a trabalhar com vencimentos colossais.

Quem pode esquecer que Relvas virou banqueiro. Que Durão Barroso foi parar ao Goldman Sachs. Que Vitor Gaspar foi o FMI. Que Maria Luís foi para a Arrow Global. E Portas para a Mota Engil.

Por que foram para onde foram? Por que os quiseram? Que fizeram para serem os eleitos dos “mercados”? Tiraram aos de baixo para dar aos de cima.

Passos quer voltar para São Bento para continuar a empobrecer os portugueses que levou à pobreza. Timidamente Costa quer devolver rendimento tirado pela política de sanguessuga de Passos/ Cristas.

Como é possível um homem que empobreceu os portugueses vir dizer que este governo quer que os portugueses tenham pouquinho… Só próprio de alguém que perdeu a honradez e vive a espalhar mentiras para agradar a Bruxelas e à Dona Merkel, a Imperatriz da União Europeia, sempre pronta a trocar um português por uma búlgara, com toda a vulgaridade.

Que sociedade estamos a construir para que os cidadãos percam a memória e ajam como cataventos segundo os empurrões dos media, hoje, concentrados no poder único, o dos donos desses mesmos media.

O que faz perder a esperança de uma vida melhor e aceitar o fatalismo de que vai contra a realidade dos factos por cada um(a) vividos?

Que mundo se está a criar em que cada um(a) acredita mais no que lhe dizem nas emissões televisas do que naquilo que todos os dias enfrentam – os pobres a ficarem mais pobres e os ricos mais ricos?

Passos representa bem esta nova fase em que se apresenta, tal como o gestor das sociedades financeiras, com cara de pau a cortar nos de baixo para levar a riqueza para os de cima.

O que dá que pensar é a razão que leva tantos que vivem mal a votar em quem os quer fazer viver pior só porque alienaram a sua capacidade de serem atores da sua vida para passarem a serem basbaques e joguetes de um mundo em que lhes resta apenas consumirem o que vêm.

Apesar de tudo o homem continuará a ser o obreiro do seu destino. O problema é – que destino?

Uberização dos Advogados?

A vaga de fundo para retirar ao setor público áreas que, desde os fins dos anos quarenta, lhe pertenciam é avassaladora. A coberto da eficiência, da gestão e do embaratecimento vão abocanhando esses setores, um atrás do outro. Até ficarem sós e de mãos livres para fazerem o que quiserem. E encherem os cofres.

Qualquer dia algum empreendedor privatiza o oxigénio e inventa uma maquineta para saber quanto oxigénio cada um consome para o pagar aos verdadeiros empreendedores.

Os privados com a atual globalização colocam o setor público, por via governamental, ao seu serviço, obtendo lucros fabulosos, deixando nas mãos do Estado o que não dá lucro por cumprir funções sociais insubstituíveis.

A perspetiva de um grupo económico é a de ter lucro; a de um departamento do Estado é servir a comunidade; a diferença é abissal.

A Justiça, esse anelo milenar do ser humano, elixir da existência, também não lhe escapa. Os mandões de Berlim, Bruxelas e os seus súbditos indígenas entre criar condições para a realização de uma Justiça moderna ao serviço dos cidadãos prefere cortar nesta despesa e deixar que sejam serviços privados a tomar conta do que o Estado se revela, propositadamente, incapaz de assegurar.

No passado, nos séculos passados, em que os grandes senhores feudais queriam continuar a deter o poder de realizar a Justiça, aconteceram revoltas destes contra os reis para impedir a chegada dos juízes enviados pelo monarca.

Nos tempos atuais os senhores da finança pretendendo engolir a justiça e apoderarem-se dessa instituição pressionam os Estados para que o número de magistrados, funcionários e estabelecimentos não aumentem as despesas, criando as condições para a entrada de atores privados nestes domínios: notários, arbitragens. Instituições do estado a substituir advogados inserem-se nessa rota.

O Estado cria condições para que pululem Faculdades de Direito em todos os lugares, lugarejos e cantos do país e depois as grandes sociedades de advogados, em geral ligadas ao mundo dos negócios, recruta advogados a preço da uva mijona, dada a prática impossibilidade de entrar no mercado de trabalho.

Se o Estado alega que não há dinheiro para pagar a magistrados e a funcionários, declarando a sua total ineficiência para administrar a justiça, certo é que há quem espreite para entrar no negócio. A desjudicialização da justiça significa o empobrecendo da vida em comunidade, pois a entrega a privados de setores de justiça visa fazer lucro.

O atual caos em que se encontra a Justiça vai empobrecer significativamente os cidadãos e o país e aumentar a gula dos donos do dinheiro.

Deixando a justiça sem meios para resolver os problemas, a comunidade vai atacar os que são imediatamente visíveis: magistrados, advogados, funcionários. Ficará mais recetiva a mudanças no paradigma dado o desajustamento do existente.

É neste quadro de fundo em que se alega não poder gastar dinheiro com despesas como as referidas que sucessivos governos tentam privatizar setores decisivos e tornar irreversíveis esses passos.

Um exemplo magnífico desta maldade foi a medida de Celeste Cardona, Ministra da Justiça no governo de Durão Barroso, que privatizou, no essencial, as execuções e levando o caos aos tribunais, encarecendo brutalmente o acesso à justiça, paralisando as ações executivas.

Atente-se o entupimento dos tribunais que são necessários meses em certos casos para que os juízes ordenem por simplicíssimo despacho de um minuto a subida dos autos para os tribunais superiores, entre outras aberrações. E a maioria não o faz porque não o consegue fazer.

Argumentando com a morosidade do serviço externo dos funcionários judiciais e lançando campanhas sobre a sua idoneidade, foram criados os solicitadores de execução e mais tarde os agentes de execução, um exército de profissionais que agem, no quadro de uma sobrecarga dos magistrados, em roda livre e que em relação aos cidadãos com mais dificuldades económicas são quase incontroláveis.

O certo é que a morosidade relativa do anterior sistema não se compara com o caos que este veio instalar afogando as secretarias e os magistrados, ficando os agentes de execução largos períodos em roda livre.

A dificuldade que os cidadãos hoje têm para pagar os encargos judiciais, honorários de advogado, de solicitadores e agentes de execução, escrituras e certidões fazem desesperar qualquer um (a).

Quem viva do seu salário, mesmo que seja um salário acima da média, terá dificuldade em aceder à justiça.

Não tardara, por isso, a aparecer a Uberização da atividade dos advogados. Criando plataformas na web os cidadãos nos EUA e em França poderão (mesmo contra lei, neste caso) aceder a portais através dos quais estarão advogados que só cobrarão se vencerem, no win, no fee.

Num primeiro momento poderá parecer atrativo semelhante propósito, face às dificuldades em aceder à justiça. Mas o que está por detrás destas plataformas é a subversão total do sistema atual, tornando a Justiça um mero negócio.

Além disso a litigância aumentaria ainda muito mais dado que os cidadãos não teriam despesas com as ações que intentassem, apenas a hipótese, mesmo que remota, de receber algo. Não é difícil imaginar o recurso sem contemplações aos tribunais.

Afastada a justiça do Estado e grande parte das instituições abocanhadas pelos privados, os cidadãos ficarão nas mãos destes.

Uma Justiça ao serviço do lucro é uma justiça exclusivamente para ricos colocando os cidadãos fora das suas preocupações.

Trata-se hoje de o evitar para que valha a pena viver com Justiça para todos. Os cidadãos têm que compreender o alcance do que se está a passar e mobilizarem-se por princípios decisivos num Estado de Direito democrático – é ao Estado que compete assegurar a realização da Justiça.

domingos lopes

De 1.º Ministro a Apresentador Arrependido de Intimidades

José António Saraiva decidiu escrever um livro sobre a vida íntima de políticos com quem foi tendo conversas.

É de supor que muita da gente visada não se teria despojado da sua reserva íntima se soubesse que um dia as conversas apareceriam escarrapachadas num livro.

Além do mais porque uma conversa com quer que tenha sido há dez, vinte ou trinta anos pode, ao ser revelada hoje, não encaixar na personalidade do protagonista, dada as mudanças que cada um imprime à sua vida.

O livro assumiu grande relevo mediático porque JAS convidou Pedro Passos Coelho, o homem mais austero que a própria troika, para apresentar o livro, embora à boa maneira de PPC afirmou que ia, mas que não tinha lido o livro, defendendo-se à boa maneira farisaica.

Instado se mantinha o encargo de apresentar o tal livro afirmou que não era homem para voltar atrás com a palavra dada.

A polémica passou dos media para as redes sociais e para o seio do próprio PPD/PSD. Alguém lembrou a PPC que aquela atitude não era digna de Sá Carneiro. Passos não se lembrava de Sá Carneiro, tal a vontade de agradar ao amigo e de se mostrar afoito agora que procura o que perdeu.

No meio desta buzaranha proveniente de todos os cantos, o homem que não voltava com a palavra atrás, voltou, arranjando o verbo desobrigar para se ver livre da miséria em que se meteu.

Obtido o sucesso de ter PPC, político que não tem conversas íntimas, segundo o próprio, JAS desobrigou-o e ele não vai onde disse duas vezes que ia.

À terceira confrontado com a realidade, de que tanto falava e o seu protetor Cavaco , sucumbiu.

De Saraiva se pode esperar quase tudo para aparecer ao sol. É o seu destino. Que lhe interessa que tenha morrido um dos visados?

O que lhe interessa é o alarme, a venda, os minutos á superfície das notícias. Estar ao sol da vida.  A coscuvilhice num país de basbaques-…” ora vejam a conversa que teve com o fulano e a sicrana”…Num mundo de frustrações aceder a uma conversa íntima é saborear o que se não teve ou não tem; é uma espécie de voyeurismo por interposta pessoa.

Passos Coelho quis agradar ao amigo ( ele lá saberá porquê, coisas íntimas, a revelar um dia?) e disse que ia sem ter lido o livro. É o homem. De austero passou a apresentador de escandaleira. Embora arrependido. A coragem morreu na praia.  Já assim tinha sido quando disse , antes de ser Primeiro-Ministro, que nunca aumentaria os impostos e quando lá chegou aumentou-os brutalmente.

É esse, o que não sabia que tinha de pagar os descontos para a segurança social…esse mesmo que à última da hora não foi. Fez-se de forte e saiu a rastejar, a pedir para o desobrigar do papel de apresentador de um livro que não leu… Que iria dizer do livro que não leu?

Passos no seu melhor registo de sempre. Que rico chapéu enfiou o candidato do PSD a Primeiro- Ministro!

Durão Barroso – Um Bisbórria

Durão Barroso é um caso. No seu rasto se pode apanhar a peugada de não ser quem diz ser. O homem é coerente, pois sempre se camuflou do que não foi.

Durão maoista. Revolucionário encartado a levar a cabo julgamentos “populares” ora caça grossa do género Cavaleiro Ferreira, ora …”os pides morrem na rua…”

Durão em transição para o arco do poder fazendo escola com o PPD de Eurico de Melo e inclinando-se para subir a escada do poder até onde o levaria, adivinhe-se, ao Goldman Sachs.

Durão secretário de Estado, Durão ministro de Cavaco, Durão Primeiro-Ministro nas profundidades do mar, seguindo à frente de todos os chernes, escamado nas mil e uma lutas por um lugar ao sol contra os populares do norte e a favor dos liberais da linha e dos arredores que no PPD são imensos.

E Durão, qual pointer, de narinas ao alto farejando longe, muito longe, para o outro lado ocidental do Atlântico o que o belicista George W. Bush guardava nos seus maquiavélicos planos de desestabilização do mundo, camuflando-se de diplomata acolitado por um ministro de Defesa que após ida de ambos ao Pentágono verem o que não viram, fez de mestre de cerimonias as oferecendo os Açores a homens sem o mínimo de escrúpulos, apenas interessados em cumprir o seu papel de predadores.

Há quem pense que ao “dar” os Açores, na altura em que a Europa estava dividida e na França reinava Chirac e não o insignificante Hollande, na Alemanha Schröder e não a Presidente da Junta da Europa, ele pensava em receber Bruxelas para um dia vir a partilhá-la com os donos do mundo. Apoiado pelo poderio do Império. Contra as veleidades chiracianas e schrödianas…

Certo e seguro é que, em plena crise financeira, o José Manuel Durão Barroso se portou à altura do seu futuro patrão e defendeu, como só ele sabe fazer, a sua causa, castigando com a devida austeridade os povos recalcitrantes habituados a viver de acordo com o que recebiam, pois futuros e seus derivados, agentes da crise, eram os irrepreensiveis zeladores dos mercados que não podem ser irritados, como dizia o enfastiado Cavaco, o Professor de York que mais tempo esteve no poder na pátria de Viriato e Camões.

Um homem assim tem o destino traçado na arte da dissimulação e tinha naturalmente de entrar no Olimpo, …”deixando a política e abraçando a vida civil…” disse ele agastado com o facto de a imensidão de gente estar varada com a sua ascensão ao Goldman.

Entrou na gigantesca máquina dos EUA de fazer dinheiro, por onde rolaram e rolam os superpoderosos da U.E, tal é a sua pequenez face ao grande Império. E como se tratava de entrar para a vida civil e nada de políticas, foi aconselhar o Goldman Sachs a lidar com a saída da Grã Bretanha da União Europeia que é tudo menos um assunto político; dado o caracter daquele banco ligado ao estudo dos minerais, da botânica e da fauna africana.

O homem que se camuflou de revolucionário, de governante sensato, de lambe botas de George Bush, de fugitivo, de Presidente da Comissão Europeia, finalmente quis que o planeta ficasse a saber quem era realmente José Manuel Durão Barroso – em linguagem do grande mestre da palavra Aquilino – um bisbórria.

Para acalentar esse lado incontrolável pela dissimulação escreveu uma carta ao seu sucessor, homem de igual quilate, a dizer que estava abatido e era uma injustiça tirarem-lhe o tapete vermelho quando fosse a Bruxelas.

Os bisbórrias são inconsoláveis no seu carácter desprezível. Conscientes desse lado lendeoso do ADN levam até às últimas consequências a dissimulação, não se dando conta que já todos lhe viram a alma, salvo Passos Coelho, Luís Montenegro e Maria Luís. Já se lhes conhece o destino. Goethe no seu Fausto sabia do que falava. O Diabo continua a compras almas até se fartar de bisbórrias. Parece que nunca acabarão, tal a tragédia humana.

Não Dar Ponto Sem Nó, Durão

Há certos homens cuja vida se resume numa frase…”não dar ponto sem nó…” O último nó do Dr. José Manuel Durão Barroso é paradigmático em relação à sua vida política.

A política para ele foi uma espécie de tirocínio para outros voos bem mais altos e que enchem de alegria os seus bolsos sempre abertos à receção de generosos convites para o setor financeiro.

Os grandes bancos estão sempre de olho nos políticos capazes de não se deixarem prender por terem cães à sua guarda. Eles sabem quem os defendeu, quem mergulhou a Europa numa crise brutal paga pela austeridade imposta aos povos.

O Dr. Durão foi em socorro dos que, com o dinheiro dos depositantes, fizeram implodir o sistema financeiro, criando mais tarde as condições para de novo se recompusessem e prosseguissem as suas cruzadas em prol do lucro.

Durão ousou sempre mais que os outros, no maoismo, no PPD, em Bruxelas, wherever, e no nojo.

Durão é um homem capaz. Indubitavelmente. E querendo vai onde o seu desígnio o leva. Certamente. Só que vai sempre para o lado dos todo-poderosos senhores do mundo. E se for preciso larga o país par ir ao cume. Foge na hora de marcar o penalty; prefere ir mais além, olhar o horizonte e ver de onde vêm os ventos do sucesso.

A Goldman Sachs é um dos vértices. Ali se reúnem os grandes deste mundo para traçar o destino das multidões humanas. Ser Presidente não-executivo é para Durão irrecusável. Há muito que o deve saber. E a Goldman também.

Quando ofereceu os Açores aos aventureiros desavergonhados, ele sabia que abriria portas nunca dantes abertas; as portas dos homens que mais ganham no mundo. Era o que ele pretendia. Absolutamente legítimo; só que que não à luz de princípios de igualdade dos cidadãos e dos Estados de que tanto falou na sua vida. O que ele queria quando falava dessas virtudes era guindar-se a um cargo como o de Presidente não-executivo da Goldman.

Esse é o caminho dos homens ziguezagues, dos homens interesseiros, dos homens cujos princípios são o seu bem-estar, as entradas nos seus bolsos. Durão nunca foi um banqueiro. Pois vai passar a sê-lo para encher o cofre de dólares. É este o seu destino. O dinheiro. Há quem se regozije. Como Passos. Aguardemos. Há mais bancos.

A Fé que Há na Dra Maria

A Dra Maria Luís, no seu estilo único de inspirar confiança a rodos ao Colégio de Comissários e aos mercados, veio anunciar na sede do PPD que se ela fosse Ministra das Finanças e Passos Primeiro-Ministro, não haveria sanções contra Portugal.

Semelhante afirmação equivale a dizer que Scäuble, Dombrovskis, Dijsselbloem e Cª se olhassem para o Terreiro do Paço e lá avistassem a desempoeirada Ministra e não o Dr Centeno outro galo cantaria, neste caso, outra galinha…o que é notável.

A Dra veio iluminar a mente a muita gente descrente acerca dos meandros da EU. A França não cumpriu com o déficit e não é por ser um país grande que não leva com sanções ; é por ser de confiança de quem manda…daí poder fazer o que quiser, como em tempos a Alemanha…sempre de confiança.

O governo de Passos e Maria Luís não cumpriu, mas por obra e graça do soberano povo português há outro governo a culpa pelo incumprimento é do novo governo que até agora cumpre. Ele há mistérios…

A Dra afirmou curto e grosso que Costa não é de confiança e ela é de confiança. Afinal os Comissários não estão assim tão preocupados com os três por cento como pretendem fazer crer. Não é isso o que os faz meter um país no pelourinho de Bruxelas. Tudo se arranja, desde que haja confiança, desde que esteja em Lisboa ou noutra capital gente da confiança dos que têm o poder de punir. Qualquer coisa deste género se passará nos corredores onde dão passos os “punidores” – …”já viram o que se está a passar lá para o sul, lá para Lisboa? para além do sol raiar, o déficit está controlado, mas apesar disso não são de confiança como era a Dra Maria que até podia borregar, mas confiança nela não nos falta…”

O Comissário Dombrovkis vai mais longe e brande o congelamento dos fundos estruturais por causa do buraco da ministra Maria Luís que é de confiança, segundo a própria. O que o move sendo agora um outro governo é que pague o que cumpre pelo não cumpriu. E admiram-se do Brexit?

A Dra Maria Luís teve o grande mérito de nos vir esclarecer que as chamadas regras europeias são uma questão de confiança em certas pessoas. Por isso, também de confiança, como é o caso do Dr Vitor Gaspar, está no FMI e a Dra na Global Arrows, por enquanto.

Schäuble e Passos – Sem Emenda

Há políticos cujo horizonte não ultrapassa o da vidinha, o da submissão e o da mediocridade. No dia em que o braço direito de Passos, amigo de todos os negócios e arranjinhos, viu anulado o curso que “arranjou” na Lusófona, decidiu, na esteira de Durão Barroso, ir de encontro às palavras insuportáveis do sátrapa de Berlim para a Ibéria e declarar que se o zelador-mor da austeridade para os pelintras disse o que disse acerca das sanções, é porque o incumprimento das regras por parte do governo de Costa o justificava.

Passos passa por cima do facto das eventuais sanções decorreram da sua ação governativa e do facto de não ter feito outra coisa que não tivesse sido o que o Sr Schäuble lhe impôs, ou , se quiserem, nem foi preciso impor, tal era a comunhão.

Passos sabe que a sua força não está em Portugal, tal como a Sra Dra Maria. Por isso saltam de alegria quando os governantes alemães dão ares de ralhar e ameaçar este país velho de tanta História.

O mundo é dos espertos como se tem visto. Estão sempre a fundir interesse nacional com a carteira. Tecnoforma com empreendedorismo. BPN com donos disto tudo. São os que dedicam à política para dar outros voos, como se pode ver pelos postos que ocupam ex governantes em certas instituições.

Portugal também é um negócio para estes políticos. Quem manda na Europa é quem pode e quem pode é quem arranja a vida a quem deles precisa a troco de bocados deste quadrado; belos negócios que se sucedem sempre às intermináveis reformas estruturais: privatizações, flexibilidade laboral, cortes nas despesas e aumentos “salariais” dos gestores.

Passos espalhou-se na sua ânsia de agradar e cobrar algum dividendo das declarações do Ministro das Finanças da Europa, perdão da Alemanha. A ansiedade não é boa conselheira. Espalhou-se.

Não se sabe se o outro, o da Bayer, se espalhou ou se foi o modo de minar o caminho a Portugal. É da praxe. Não foi bem o que disse, emendou.

Ora se o outro “emendou” a bazucada , Passos correu logo e também corrigiu o que disse, aliás, no mesmíssimo registo do outro.

Não era só o Dr Gaspar que olhava embevecido o Sr Schäuble. O Dr Passos não lhe fica atrás, nem acerca dos incumprimentos, nem nas emendas requentadas.

Todos sem emenda.

Sem Vergonha e Alma – Barroso

Durão Barroso defendeu no seu estilo destemperado que as sanções a aplicar por Bruxelas contra Portugal dependiam do que fizesse o atual governo português; sabendo que as ditas sanções se destinam a punir Portugal devido à ação do anterior governo de Passos e Portas.

E sabendo ainda que as políticas seguidas e que conduziram àqueles resultados foram as impostas a Portugal pela Comissão, pelo BCE e pelo FMI.

Barroso inverte totalmente as premissas que estão na origem da discussão em Bruxelas das sanções para agradar aos alemães que segundo ele são os únicos que fazem algo pela Europa, o que é notável para um globetrotter do “stablishment”.

Ora por mais voltas que se dê ninguém esquece o amor do Sr Schäuble à ação de Passos e Portas que levou ao que levou e à acrimónia contra Costa. Pois.

Barroso sabe onde está o poder de punir Estados: na capital do império, em Berlim,  e sabe que quem manda é Merkel e voilá… O que espera Barroso de Merkel? é caso para perguntar.

O que espanta (talvez não) é esta declaração de amor à imperatriz neste preciso momento, distanciando-se à bruta de Cameron tendo estado sempre com o Reino Unido (guerra do Golfo) e lançando uma ponte para a grande capital teutónica sustentada numa declaração de ataque ao governo do seu país e ajoelhando perante a chancelerina.

Quem tem ganho com o euro é a Alemanha que continua interessadíssima em ir buscar dinheiro aos mercados sendo paga por isso, enquanto os pelintras têm de o pagar a preços exorbitantes e segundo Schäuble novos resgastes se esperam para que nunca, nunca mais Portugal e a Grécia e outros levantem a cerviz.

Barroso acha que é esta política que dá prestígio à Alemanha e à UE. É a sua opinião. Exatamente no dia em que acha que as sanções dependem de Portugal e deste governo, embora digam respeito á ação do governo que benzeu e apadrinhou.

Barroso no seu melhor: por um poder algures dá tudo, até o que já não tem – vergonha e alma.

Marcelo, as Elites e o Povo Cuspir na Sopa que Come

O povo é melhor que os políticos, disse um homem cuja política tem preenchido toda a sua vida, juntamente com a carreira académica.

Marcelo, desde muito, muito jovem, já sonhava com a política. Foi Presidente de um partido político, o PSD; foi candidato derrotado a Primeiro-Ministro, disse na altura que tinha tido um sonho, como Luther King; foi candidato derrotado a Presidente da Câmara Municipal de Lisboa; levou anos na RTP e na TVI a falar de política; é sem dúvida um homem político. A política preenche-lhe os poros todos.

Foi o povo português que o elegeu. Tal como deu ao PSD uma maioria relativa; e ao mesmo tempo deu ao PS, BE e PCP uma maioria parlamentar.

Ora a ideia que o povo é melhor que os políticos é no mínimo estranha e bizarra para quem ocupa o mais alto cargo político em Portugal.

A ideia pode agradar aos que o ouvem; ajuda à prossecução da campanha contra os políticos, tal como o fazia noutro estilo radicalmente diferente Cavaco Silva, do alto da sua “moradia” em Belém.

Marcelo não é masoquista, ao que se saiba; envereda por um caminho perigoso ao colocar-se acima de todos os outros políticos; por que o faz?

O povo que elege as elites, identifica-se com quem elege, caso contrário não votaria em quem vota.

O povo pode estar e estará condicionado em aspetos importantes, mas ao escolher quem escolhe e não escolher outras opções, significa que aceita o que escolhe.

Ao escolher Passos, Portas sabe quem escolhia; podia até não confiar neles, mas entre esses e os outros escolheu aqueles, porque no fundo há portugueses que se identificam com aquelas ideias.

Ao escolher PS, PCP e BE dando-lhe uma maioria parlamentar é porque seguramente queria quem escolheu.

Os consensos são em torno de questões concretas e obtidos a partir de certas premissas as quais posicionam os negociadores.

Os consensos são formas de compromissos assumidos por uma maioria para fazer uma determinada política que certamente é imposta a toda a sociedade, por ser exatamente maioritária.

Daí que Marcelo ao invocar afetos na prossecução da política sabe que governar não é uma atividade que se faça a partir exclusivamente de afetos; governar gera afetos e azedumes, simpatia e antipatia, apoios e ódios.

Afetos são muitas vezes usados para enganar o povo e sacar-lhe o voto

Ao colocar o povo acima das suas próprias opções políticas, Marcelo está a jogar um jogo perigoso.

Ele nasceu político, viveu a política como poucos, é da cabeça aos pés um político e, por isso, se se coloca acima do que não é, vai seguramente desprestigiar os políticos. Cuspir no prato de sopa que se está a comer é feio. Muito feio. Será que a hiperatividade de Marcelo o está a trair?