Não há muitos anos, no tempo da URSS, Brejnev, secretário-geral do PCUS, chegou a anunciar o início da passagem do socialismo à construção das bases materiais do comunismo. Era o chamado homem novo. O PCUS contava com 15 milhões de membros, fora os das juventudes comunistas.
Autor: Domingos Lopes
A Mulher que Ia no Carrinho de Mão
A mulher tem 76 anos. E o companheiro 59. E moram em Alpedreiras de Cima, no Bairro das Pias, ao rés da EN 4 que liga Elvas a Badajoz.
Ela não se aguenta em pé, doente. E eles precisam da sua reforma. O homem de 59 anos mete a mulher num carrinho de mão e leva-a à segurança social para receber a reforma.
A notícia não revela se ela é exibida à funcionária dentro ou fora do recinto da segurança social, nem se o carrinho entra nas instalações.
Fica-se a saber que a mulher de 79 anos vai deitada no carrinho de mão, onde os trolhas e os pedreiros levam pedras, sacos de cimento, ferramentas, inertes e os hortelãos transportam o estume para a horta. É obrigada a deslocar-se deitada no carrinho de mão pelo menos seis quilómetros, sem se saber quantas horas precisavam para essa missão e para ir à farmácia comprar os medicamentos que ela precisa e os obtém com o montante da reforma. Nem se sabe o que acontece se a mulher tiver de fazer alguma das suas necessidades.
É de presumir que o homem faça o transporte por amor ou amizade à mulher idosa de 79 anos.
Os funcionários da segurança social que olhavam e não viam que a “utente” ia deitada num carrinho de mão, como um monte de pedras, não eram cegos. Apenas olhavam e não viam.
O homem que transportava aquela mulher transportou-nos a todos para o mundo escondido da miséria mais brutal que se esconde nalguns cantos do nosso país.
Ele leva um peso físico de uma mulher doente ao longo daqueles quilómetros e os que lemos a notícia a dor que revolve a alma de raiva.
Dias Trumpianos
A administração Trump tem como marca indelével a imprevisibilidade. Pode ser o que se estava à espera e o contrário do que se esperava ou a tomada de medidas em frontal oposição com o seu compromisso eleitoral. Para Trump não há passado, nem futuro. Apenas navegação presente ao sabor dos vários conflitos abertos nas suas equipas de colaboradores e dos que martirizam o mundo. A própria dimensão do conflito não interessa a Trump, apenas saber o que pode retirar da sua existência para se afirmar enquanto líder da maior potência mundial.
A Lei dos Tomahawks
Utilizar armas químicas contra populações indefesas é um crime monstruoso. A comunidade internacional, organizada na Organização das Nações Unidas, não pode permitir que os infratores das regras que proíbem o seu uso fiquem impunes.
É a ONU que representa os Estados que a compõem e é dela que emana o direito internacional. Esta é uma realidade indesmentível que nenhuma “pós verdade” pode ocultar.
Há países que consideram que o regime sírio atacou com armas químicas uma localidade perto da cidade de Homs, concretamente Khan Cheikhoun. O assunto foi levado ao Conselho de Segurança da ONU, o órgão competente para analisar a questão, e deparou com duas versões contraditórias: uma atribuindo a autoria do ataque à Síria, outra que referia que a aviação síria tinha bombardeado um alvo terrorista onde se encontrava uma instalação de armas químicas dos jiadistas. Guterres, o português que dirige a ONU, colocou o acento na necessidade de descobrir a verdade através dos peritos adequados.
Terror em São Petersburgo
Já se sabia o que foi confirmado com o atentado terrorista contra os passageiros do metropolitano de S. Petersburgo. Há mortos e mortos. Os nossos. E os outros. Os nossos mortos são franceses, ingleses, belgas, estadunidenses ou alemães. Os outros são todos os outros, embora nesses outros todos também há uns mais que outros.
Casar com uma Muçulmana
Na Arábia Saudita, nos países do Golfo e um pouco por todo o mundo muçulmano, uma mulher não se pode casar com um não muçulmano. Só pode fazer se o não muçulmano se converter à fé islâmica. Trata-se de uma violação extremamente grave da Declaração Universal dos Direitos do Homem, nomeadamente do nº 1 do artigo 16 que estabelece …”A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm direito a casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião”… o que significa que dois seres podem casar entre si independentemente da religião de cada um deles.
Passos – Inaugurar o Passado
Passos Coelho não quer sair do casulo em que se coseu com o passado. Em cada visita vai inaugurando o passado. É para ali que está virado.
É um homem amargurado. Cristas fugiu do passado e renega-o. Passos refugia-se nos seus corredores das muralhas de silêncio hamletianas.
Vítimas Inocentes
As vítimas inocentes dos atentados hediondos dos terroristas criminosos do Daesh em Paris, em Nice, em Bruxelas, em Berlim e em Londres fizeram estremecer a opinião pública mundial.
Monarcas, Presidentes da República, Primeiros-Ministros, autoridades religiosas tomaram posições fortes de condenação de semelhantes barbaridades.
Todos sentimos repulsa pela morte de gente cujo crime era ir buscar o filho ou comemorar o aniversário de casamento ou festejar o encontro de namorados ou passear àquela hora naquela ponte sobre o Tamisa.
Como se pode matar por matar, ainda por cima no coração de Londres, ao pé do Parlamento… o que explica (se é que há explicação) a conduta do homem nascido no condado de Kent? Era um louco, um terrorista?
Os mortos de Londres levam-me a outros mortos, a dezenas de milhares de mortos.
Em 2003, em 16 de março, há quatorze anos, José Manuel Durão Barroso recebia nos Açores o inglês Tony Blair, o norte-americano George W. Bush e o espanhol Aznar.
Foi ali que se iniciou o “momento zero” que conduziu à guerra e à invasão do Iraque contra o direito internacional e à margem da ONU.
A guerra provocou a morte de centenas de milhares de mortos (os números vão de 150.000 a 1.000.000). Dezenas e dezenas de milhares de inocentes.
Guerra é guerra, dirão alguns.
Mas aquela guerra fundou-se numa brutal mentira e foi em nome de uma mentira que se criou o terreno para uma guerra ilegal, injusta, suja e que levou o Médio Oriente ao ponto em que se encontra.
Não têm perdão os terroristas que a frio matam com um carro ou camião ou com faca ou a tiro.
E têm perdão os mais poderosos que do alto dos seus aviões ordenaram a matança dos iraquianos e dos afegãos?
É nesta a angústia que o mundo está mergulhado.
Como podem os mortos, a quem lhes foi roubada a vida de modo infame, serem considerados todos iguais?
Se não dermos conta que um iemenita ou um sírio ou um marroquino é um ser humano como um inglês ou um francês ou um romeno talvez não consigamos compreender que o mundo se tornará num local absolutamente explosivo onde o outro é de outro mundo e entre nós e os outros só poderá haver a barreira da morte.
Homenageemos os “nossos” mortos, sem esquecer todos os mortos que morreram inocentemente, os que iam do seu trabalho para casa em Faluja ou em Londres ou em Nice, ou em Berlim ou em Bagdad. Em todo o lado. Se queremos um mundo mais humano e justo.
Dijsselbloem e os Copos
O sr. Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo e, Ministro das Finanças da Holanda, derrotado nas últimas eleições, é um homem cheio de virtudes e não gosta dos cidadãos do sul.
No sul vivem mais de cinquenta por cento de mulheres no total da população e o senhor entende que a situação económico-financeira desta região se deve ao facto dos sulistas gastarem o dinheiro em copos e mulheres.
O que significa que as mulheres do sul ou bebem muito ou gastam muito com as outras mulheres, o que é uma aberração ainda por cima vinda de um holandês.
É estranho. Muito estranho. Na Holanda, terra das liberdades, gastar dinheiro em copos e em mulheres é um ver-se-te a vias; no red light district é à grande e à holandesa…
Não há diversão que os habitantes dos Países Baixos não usufruam – copos, prostituição e etc… tudo a granel.
O fiel amigo do Senhor Schäuble deve estar a tratar do retiro depois da coça que levou e resolveu tentar continuar no cargo por outros meios e passou a engraxar as botas do ministro das finanças alemão.
Na Holanda, o país das tulipas, não deve existir a expressão portuguesa – é preciso ter lata; é que se houvesse o senhor talvez não tivesse coragem de injuriar os habitantes que adoram cerveja, pinga do sul e mulheres às carradas, inclusive nas montras para que as escolhas não possam ser erradas.
Esta ideia peregrina só podia sair de um lambe botas dos alemães quando os holandeses acabaram de o despachar para longe de Bruxelas…
As más-línguas, mesmo más, dizem que o senhor gosta tanto de copos como os do sul, só que quando está com os copos não tem tempero, é um destrambelhado.
Jorge Jesus na PGR?
Nos termos das alíneas b) e e) do artigo 12ª do Estatuto do MP à Procuradora Geral da República cabe dirigir, coordenar e fiscalizar a atividade do MP e fiscalizar superiormente a ação dos órgãos de polícia criminal.
É de presumir atenta a experiência comum de direção que esta se exerça com diligência, o que significa que face aos acontecimentos e processos que abalam o país a PGR dirija, coordene e fiscalize o que se passa.
Num caso como o da Operação Marquês por maioria de razão se exigirá à PGR que os seus poderes não sejam surpreendidos por eventuais incapacidades dos órgãos de que é responsável máxima.
A Operação Marquês é daquelas que em linguagem popular se dirá fia fino, exigindo que não haja espantos em termos de saber o que cada um está a fazer e como está a fazer.
É o que se espera de quem tem que assumir os poderes do artigo 12 do Estatuto do MP.
Imaginemos que numa dada Operação o Procurador responsável pelo processo não faz o que tem que fazer; é evidente que a PGR tem de intervir. O mesmo é válido para os responsáveis do OPC.
Os órgãos de polícia criminal são auxiliares do titular da ação penal que é o Ministério Público.
Sendo o MP o titular da ação penal e tendo a sua direção tal significa que o andamento da investigação e do processo é da responsabilidade dos procuradores a quem foi atribuído essa responsabilidade e, em última instância, à Procuradora Geral da República.
Não passa pela cabeça de ninguém que os responsáveis pelo inquérito não tenham uma noção mais ou menos atempada e adequada do trabalho que o OPC está a realizar tanto mais quanto está sob a sua direção.
Uma direção minimamente cuidada do andamento das diligências e das respostas do OPC implicam a tomada de decisões atinentes a que os agentes do OPC respondam às questões que o MP considera absolutamente necessárias.
Mas no caso em que o país segue espantado a Operação Marquês cria algum espanto que a PGR não saiba atempadamente o que faz ou fez ou vai fazer, em linhas gerais, o procurador titular do processo ou como se comportam os OPCês.
Uma direção lúcida exige do dirigente máximo a responsabilidade máxima. Só Jorge Jesus é que ficou célebre por crucificar o jogador Palhinha porque as coisas não lhe correram bem e o Porto ganhar.
Os generais só vencem se os seus oficiais e soldados venceram. Se eles perderem ele também perde.