Bem me parecia já há alguns anos, aquele senhor que agora é o nosso primeiro não tem perdão… É que não tem mesmo… por que digo isto? Porque aquele senhor não sabe dirigir-se à senhora que esteve à frente do Ministério da Agricultura quatro anos. Aquela senhora que tem cartazes por todos os lados e faz visitas de calças de ganga aos bairros sociais e quer 20 novas estações de metro para Lisboa ninguém sabe quem ela é. Sabem lá que ela é a líder do CDS. Há quem diga, os mais distraídos, que será do Tea Party, vá lá saber-se porquê…
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Maria Luís Instala CGTP na Autoeuropa com Consentimento de António Costa
Maria Luís Albuquerque tornou-se numa mulher famosa. Há quem diga que se se candidatasse à Câmara de Lisboa teria melhor provento que o previsível resultado de Teresa Leal.
A sua fama veio da capacidade de aceitar que Portas lhe passasse a perna e ficasse à sua frente na hierarquia governamental. Ajudou a revogar a irrevogável decisão de Portas.
Ficou também famosa por ter o país a sofrer cortes e mais cortes e simultaneamente gabar-se de ter os cofres cheios.
E por ter passado a ser quadro da administração da Arrows.
Mas o melhor estava para vir e chegou após a revolta de dirigentes do CDS contra o pronome aquela utilizado por aquele que é Primeiro-Ministro e o pio de Cavaco. Nem sempre todos podem piar ao mesmo tempo.
A Vice-Presidente do PSD, que ainda não se refez de não ser Ministra das Finanças, veio acusar António Costa de ter permitido a CGTP instalar-se na Autoeuropa. Instalar-se. Sim, antigamente era infiltrar-se. As infiltrações passaram para os prédios e para os jogadores rápidos tipo Ronaldo que desse modo chegam à grande área adversária.
Para uma administradora da Arrows a palavra adequada é instalar-se, do género chega o Arménio Carlos todo lampeiro e leva um grande sofá que sai de um camião da empresa de mudanças a “A Instaladora” e instala-se com uns tantos sindicalistas.
Ora aqui é que bate o ponto. O António Costa não fez nada. Bem tentou. Telefonou ao Secretário-Geral da UGT a ver se podia lá instalar a UGT e a resposta dever ter sido negativa por falta de recursos humanos ou logística ligada aos transportes.
Não teve outro remédio. Não tinha material para instalar os seus. O Chora chorava e a situação era a que era.
Maria Luís, mulher de armas, não se ficou. Antes que o mês de setembro entrasse não quis deixar aqueles do CDS que se revoltaram contra António Costa por causa do aquela Ministra da Agricultura (pronome demonstrativo, dado ninguém saber quem era aquela) e aquele mavioso pio de Cavaco sozinhos. Resolveu instalar a CGTP na Autoeuropa por delicadeza daquele que é Primeiro-ministro.
O que vale é que setembro está à porta. Talvez melhore. Ou não. Há eleições em outubro.
O Piar do Pio Cavaco
Há muito que Cavaco Silva parou do ponto de vista intelectual. Anquilosou. A sua ideologia impede-o de ver a realidade.
Para ele, Jesus Cristo foi um ideólogo que perdeu o pio crucificado pela realidade do domínio do império romano.
Para ele, Galileu perdeu o pio perante a mui santa e real Inquisição.
Para ele, Nelson Mandela perdeu o pio durante vinte e seis anos na cadeia perante a realidade do apartheid.
Para ele todos os que não aceitaram e não o status quo são ideólogos que esbarram na realidade.
Só que mesmo um analfabeto político, um espertalhote, sabe que as realidades não são eternas e se transformam.
E Cavaco treme de pavor e desata a piar contra tudo o que seja mudar a favor de critérios de governação que toquem nos interesses dos donos dos mercados.
Cavaco, qual Pilatos que entregou Cristo aos algozes, entre a realidade e a necessidade de mudar afincou-se à realidade para manter o inerente conjunto flagrante de injustiças, que foi a matriz do governo Passos / Portas.
Para ele, a realidade que gerou a atual crise devido aos monstruosos fiascos do sistema financeiro tem que suster qualquer ideia que considere injusta tal situação.
Para ele, o que conta é o mundo tal como existe e daí não entender Luís de Camões quando afirmava que o mundo é composto de mudanças.
Ele saiu de Belém de mal com o mundo.
Apadrinhou e benzeu um dos piores governos de Portugal.
Esteve sempre com os que de fora nos impunham políticas que jamais aplicariam nos seus países.
Foi um governo por si amaldiçoado que tirou o país do pântano do empobrecimento.
Para ele, a realidade de empobrecimento devia impor-se a qualquer ideia de restituição de rendimentos aos portugueses.
Para ele, é um horror este governo ter criado emprego, restituindo rendimento e feito o deficit descer a tal ponto que a U.E. retirou o país do procedimento por défice excessivo por onde anda a França de Macron e a Espanha de Rajoy.
Para ele, a realidade que existe no mundo serve, mas a que vigora na governação de Portugal não serve e pia como ave agoirenta.
Cavaco, acolitado por Coelho, não se dá conta de ridículo de ir proferir uma lição à Universidade do PSD falar contra as ideologias.
Cavaco não fez outra coisa que não fosse defender a ideologia dominante, a de submissão de todos e tudo ao império do deus mercado.
A necessidade de operar mudanças, neste mundo comandado pela austeridade, impõe-se aos que o querem manter a todo o custo.
Cavaco nem sequer é capaz de analisar a realidade, cego que está pela ideologia do neoliberalismo. E pia. Pia.
As Loucas Folhas dos Plátanos
Voam as folhas dos plátanos. Loucas. Enferrujadas nas pontas. Esqueceram-se que as asas eram do vento. E caem. Esperam agora a força e a piedade do vento. E voarem, à solta, no infinito azul.
AS TE4LEVISÕES A ARDER
As televisões estão a arder por dentro, cheias de fogos e as horas das grandes chamas, neste verão onde tudo parece arder, atingem o pico por volta das oito horas, ao fim da tarde.
Os fogos, que há anos incendeiam zonas do país, instalaram-se nas televisões e nos media em geral.
Basta carregar no on e o fumo invade-nos carregado de desgraças contadas na primeira voz, o que faz supor que o que acontece nas televisões (tantos fogos) sucede em Mação ou Sabugal ou Gavião ou onde ardem florestas deixadas ao abandono por gente que não aguentou o abandono e deixou abandonados pais, avós e vizinhos, numa solidão sem nome.
Apressurados os repórteres vão de microfone em punho pedir a opinião de idosos que não abandonaram as suas casas com medo de serem comidas pelas chamas.
Eles, os abandonados, queixam-se de ninguém os ajudar e sozinhos terem de fazer frente ao fogo, criando a ideia subliminar que poderia haver um bombeiro para cada casa …e naturalmente os repórteres cheios de atualidade dão voz aos injustiçadas da terra queimada, como se fosse novidade, nesta estação, haver incêndios em Portugal, na Califórnia ou na Austrália quando as temperaturas sobem acima dos quarenta graus.
E a compaixão dura o tempo da emissão e os abandonados regressam a suas casas ameaçadas e ali ficarão todas as suas vidas sós, salvo se houver fogos e os repórteres lhes forem perguntar se os bombeiros apareceram para os ajudar. Assim. Como se o país tivesse um bombeiro por casa ou por cada idoso.
Além disso o fogo, desde Prometeu, foi sempre algo mágico e aterrador para o homem.
As televisões procuram o desespero e o medo estampado nos rostos e olhos de quem enfrenta a desgraça. E os fogos que fazem o país arder instalam-se nas televisões e ardemos duas, três e mais vezes.
Este agosto, tirando Trump, Kim Jong Un e o Daesh, as notícias são os fogos. E a queda de uma árvore, como se as árvores não caíssem e os fogos fossem obra de quem os quer impedir.
O que é um fogo comparado com o aumento das pensões, resultado de tanta luta? Sim, este mês os idosos em vez de empobreceram mais um bocado, como prometiam Passos/Portas /Cristas, viram aumentados os seus rendimentos.
Neste mês de desgraças, há muito previstas, consome-nos o fogo que se repete ano após ano, mas que tem de ser notícia e incendiar as televisões, todas à uma.
O espantoso é que esta democratização da desgraça só dura o tempo da própria desgraça. Esfuma-se. Mesmo os que sentem a compaixão pelos concidadãos logo que a notícia do fogo acaba, esquecem a desgraça e passam à notícia seguinte. O automatismo está bem oleado. Apesar da desgraça. O que importa é a emoção. O resto é a solidão dos idosos. Num país desertificado no seu interior.
D.L.
Uma Terrível Realidade
O Diretor-Geral da Reinserção Social e Serviços Prisionais, segundo noticiou o Público do dia 31/07/2017, deu conta que há estabelecimentos prisionais onde faltam enfermeiros para assegurar a medicação dos presos.
A notícia bate-nos de tal modo à porta que nos transmite um sentimento de atordoamento.
O Estado, ao prender cidadãos que cometeram crimes, tem de lhes assegurar o tratamento dos cuidados de saúde básicos, como seja o de garantir que têm a medicação necessária, já que, por motivos óbvios, a medicação está a cargo das autoridades prisionais.
Num Estado de Direito Democrático não pode ser o próprio Estado a falhar no que concerne a este mais elementar direito de saúde primária.
A notícia daquele periódico parece ter passado despercebida, visto não ter provocado qualquer tomada de posição quer das autoridades governamentais, quer dos partidos com assento parlamentar, do que é sabido.
Vindo a notícia do próprio Diretor-Geral dos Serviços Prisionais, a notícia em si mesma é de aterrorizar, e deixa-nos perplexos a falta de impacto.
Num Estado moderno os presos não são atirados às galés para serem lançados ao fundo do mar, antes cidadãos que o Estado visa reinserir na sociedade.
A reinserção social dos presos passará seguramente por serem tratados como homens, mulheres e jovens a quem não deve faltar a assistência médica e medicamentosa mínimas, de acordo com padrões de dignidade humana.
Diz Celso Manata, o Diretor, que faltam médicos e enfermeiros e que o seu recrutamento aguarda pela autorização do Ministro das Finanças.
O Sr. Dr. Mário Centeno não pode ter os olhos e o coração em Bruxelas, pois dali se chegam elogios não o devem deixar de ter em conta que é o Ministro responsável pelas verbas que cada ministério necessita para tratar os portugueses com o mínimo de dignidade.
No interior das prisões em Portugal estão cidadãs e cidadãos cuja saúde o Estado chamou a si tratar e, portanto, se não há médicos e enfermeiros há que contratá-los, como não pode deixar de ser, face à urgência da situação e às necessidades vitais daqueles seres humanos.
Não é ao Sr. Dr.Centeno que cabe determinar o que o ministério da Justiça pode gastar em termos de assegurar o mínimo dos mínimos. Se o fizer do modo que está a fazer está a cometer uma séria violação da responsabilidade que tem.
Por muito elogiosos que sejam as palavras do Sr. Scäuble acerca das qualidades contabilísticas do nosso Ministro, em nenhum momento, elas podem assemelhar-se a serenatas maviosas que façam esquecer que o ministro é Ministro da República de Portugal, onde os presos são seres humanos que devem ter gente qualificada para assegurar a assistência médica mínima.
Os que estão presos, sairão um dia. Espera-se que pelo menos o tratamento da saúde seja um factor de reinserção social.
O Caso da Universidade Independente e de Outros Megaprocessos
Têm-se vindo a avolumar os casos em que o Ministério Público e os diversos Orgãos de Polícia Criminal (OPC) anunciam aos quatro cantos da Lusitânia e ao mundo investigações e acusações de grande sucesso no combate à criminalidade.
Com magno estardalhaço, os media aferroam-se aos casos e os arguidos aparecem ligados à prática de crimes muito graves. E as fugas de informação do que que está em segredo de justiça enchem noticiários e páginas de jornais.
Nesses dias de quentes notícias, os portugueses vão dando palpites acerca dos novos arguidos. Sendo poderosos, é uma espécie de ajuste de contas antecipado e a sentença só pode ser a condenação. Sendo políticos, é a pouca vergonha por serem todos iguais e só pensarem em encher os seus bolsos e os dos amigos. Sendo polícias, é a indignação por já nem se poder acreditar na polícia, isto está podre, em quem se vai poder confiar, perguntam os cidadãos.
O Medo Prendeu a Coragem
O que faz o reino da Arábia Saudita obrigar as mulheres a taparem o corpo desde os cabelos aos pés? O que explica esta obsessão? Este medo de umas pernas? Este medo de uns cabelos soltos? Este pavor? É difícil apreender o verdadeiro significado.
O medo está na rua, na vila, no deserto, na cidade. A sinalizar o medo está o polícia da virtude, aquele que obedece a quem manda fazer do medo um modo de viver. O medo pode ser tão grande, tão grande que lhe seja possível impor aos cidadãos abrir a porta aos polícias da virtude. O medo pode ser tão diabolicamente pavoroso que impeça a mulher violada de se queixar da violação, dado poder ser condenada por ter relações sexuais fora do casamento e porventura ser punida com uma pena duríssima.
O Homem que Tinha um Cão e Lia Livros
Um homem tinha um cão. E comprava e vendia livros. O livreiro lia os livros que podia.
O homem saía à rua para levar o cão a certo sítio e segurava-o na corrente na mão esquerda.
E o livro que levava aberto na mão direita conduzia-o ao destino. As palavras dar-lhe-iam indicações, nem sempre seguras.
Os vizinhos viam o homem e o seu cão e admiravam-no por mera graça. O homem, que o livro levava, não via onde punha os pés. Ora tropeçava, ora punha os pés no que os outros cães deixavam, ora batia nas árvores e esquinas. Era o destino do homem que lia livros e levava o cão a fazer o que tinha de fazer.
Quando o chegava ao local ladrava e o homem desprendia-o da corrente.
Ficavam os dois – um a ler e o outro a fazer o que tinha para fazer.
O mal do homem que estava a ler foi chegar um cãozarrão e abocanhar o seu pequeno cão.
O homem acabou de ler o livro e não viu o cão. Encolheu os ombros, voltou ao início do livro. Chegou a noite e o homem foi para casa sem o cão.