Os Políticos São Todos Iguais?

Há um mal profundo na sociedade que corrói a vida democrática. Trata-se da ideia que os políticos são todos iguais. A aparente inocência deste pensamento contém em si um dos aspetos mais negativos no plano democrático, o de que sendo iguais, não vale a pena escolher. E, daí, as taxas de abstenção.

Claro que os políticos são mulheres e homens que choram e riem como todos os outros seres humanos. É certo que no exercício do poder local, parlamentar ou executivo enxameiam os lugares com gente da sua confiança, muitas vezes prevalecendo o “yes, sir” em vez do mínimo de competência. E aí pode haver igualdade.

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Um Olhar Sobre as Eleições Autárquicas

Todos perceberam que estas eleições locais tinham um significado que ia muito para além do domínio local.

Há quatro anos, o PSD/CDS no governo perdeu as eleições para o PS de José Seguro. Agora, o PS no governo, em acordo com o PCP e o BE, viu reforçado de modo considerável as suas posições. O poder não o desgastou, antes pelo contrário.

Ao virar à esquerda, o PS fortaleceu-se e o PSD, ao manter-se agarrado ao empobrecimento, sucumbiu e não foi preciso vir o diabo para o levar ao inferno.

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Afinal, a Alemanha Tem Pesadelos

A política levada a cabo pela chancelerina Merkel, ao contrário do que muitos queriam fazer crer, foi fortemente penalizada. Perdeu quase 10% dos votos (passou de 41,5% para 32,9%). Trata-se do pior resultado de sempre da CDU no período pós-guerra.

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A Divina Providência

Há na monumentalidade dos tempos religiosos algo que faz pensar a nossa condição humana e o eterno problema da razão de ser da vida que há de conduzir à morte.

A luta entre a vida e a morte com a vitória desta última encarada, em termos individuais, enche de perplexidade e frustração na medida em que raros são os que não desejariam viver mais tempo.

É difícil encarar o processo da eternidade da vida enquanto espécie baseada na morte de cada indivíduo.

E talvez, por isso, o instinto quase cego para a “salvação” extra morte de cada um.

Em todo o lado, onde se ergueram templos, há no seu interior essa angústia única que resulta do pensamento na inevitabilidade da morte.

Desde os raios de sol que entram pelos vitrais e tocam, vindos de cima nas  profundidades da sensibilidade humana, tornando o silêncio dos pilares, das colunas e do altar mais denso.

Há no vazio solene e imponente das paredes vazias das mesquitas a gravidade desse pensamento que bate nas paredes da alma.

Nos grandes templos hinduístas há um silêncio de frenesins de multidões em volta de deuses tão diferentes dos que no Ocidente vemos como representação de Cristo.

Nos budistas tudo se concentra em Buda, no seu olhar para o chão, na sua morfologia em que masculino e feminino quase se misturam na sua representação.

Na Basílica do Coração Sagrado de Paris,  já perto da porta de saída, está um placar que anuncia que na noite de 20 para 21 de abril de 1944 a aviação alemã lançou treze bombas sobre a zona da Basílica e arredores e não tendo atingido ninguém e se agradece à divina providência por tal feito.

Subliminarmente a mensagem passa a ideia que uma força divina tinha evitado ferimentos e mortes face à metralha da aviação nazi.

O silêncio quente de velas a arder à entrada do templo,  faz surgir a interrogação: se assim é por que motivo a divina providência não impediu que as balas nazis tenham causado tantas mortes em toda a Europa e no norte de África?

Se a divina providência olha todos os seres do mesmo modo, sendo omnipotente por natureza, por que não evitou a guerra? Por que não a impediu?

Fora da Basílica os polícias corriam atrás de senegaleses que vendiam pins da Basílica e da torre Eiffel. Fora das Basílicas do consumo.

Paris, 21/09/2017

 

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Que Deus Perdoe Trump!

Trump foi discursar à Assembleia Geral das Nações Unidas e aproveitou a ocasião para dizer o que pensa sobre o seu país e o mundo.

Os diplomatas dos EUA conhecem seguramente o preâmbulo e os artigos da Carta das Nações Unidas, nomeadamente o seu n.º 2, alíneas 3) e 4). Na verdade, o preâmbulo constitui uma exortação à defesa e manutenção da paz. Os povos do mundo inteiro consagraram, naquele diploma, a paz como valor primordial de toda a Humanidade. E apelam à interdição da guerra. A guerra, à luz da Carta, é ilegal, salvo em casos absolutamente excecionais.

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A Importância dos Pronomes Demonstrativos para o CDS e a falta de Respeito

Bem me parecia já há alguns anos, aquele senhor que agora é o nosso primeiro não tem perdão… É que não tem mesmo… por que digo isto? Porque aquele senhor não sabe dirigir-se à senhora que esteve à frente do Ministério da Agricultura quatro anos. Aquela senhora que tem cartazes por todos os lados e faz visitas de calças de ganga aos bairros sociais e quer 20 novas estações de metro para Lisboa ninguém sabe quem ela é. Sabem lá que ela é a líder do CDS. Há quem diga, os mais distraídos, que será do Tea Party, vá lá saber-se porquê…

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Maria Luís Instala CGTP na Autoeuropa com Consentimento de António Costa

Maria Luís Albuquerque tornou-se numa mulher famosa. Há quem diga que se se candidatasse à Câmara de Lisboa teria melhor provento que o previsível resultado de Teresa Leal.

A sua fama veio da capacidade de aceitar que Portas lhe passasse a perna e ficasse  à sua frente na hierarquia governamental. Ajudou a revogar a irrevogável decisão de Portas.

Ficou também famosa por ter o país a sofrer cortes e mais cortes e simultaneamente gabar-se de ter os cofres cheios.

E por ter passado a ser quadro da administração da Arrows.

Mas o melhor estava para vir e chegou após a revolta de dirigentes do CDS contra o pronome aquela utilizado por aquele que é Primeiro-Ministro e o pio de Cavaco. Nem sempre todos podem piar ao mesmo tempo.

A Vice-Presidente do PSD, que ainda não se refez de não ser Ministra das Finanças, veio acusar  António Costa de ter permitido a CGTP instalar-se na Autoeuropa. Instalar-se. Sim, antigamente era infiltrar-se. As infiltrações passaram para os prédios e para os jogadores rápidos tipo Ronaldo que desse modo chegam à grande área adversária.

Para uma administradora da Arrows a palavra adequada é instalar-se, do género chega o Arménio Carlos todo lampeiro e leva um grande sofá que sai de um camião da empresa de mudanças a “A Instaladora” e instala-se com uns tantos sindicalistas.

Ora aqui é que bate o ponto. O António Costa não fez nada. Bem tentou. Telefonou ao Secretário-Geral da UGT a  ver se podia lá instalar a UGT e a resposta dever ter sido negativa por falta de recursos humanos ou logística ligada aos transportes.

Não teve outro remédio. Não tinha material para instalar os seus. O Chora chorava e a situação era a que era.

Maria Luís, mulher de armas, não se ficou. Antes que o mês de setembro entrasse não quis deixar aqueles do CDS que se revoltaram contra António Costa por causa do aquela Ministra da Agricultura (pronome demonstrativo, dado ninguém saber quem era aquela) e aquele  mavioso pio de Cavaco sozinhos. Resolveu instalar a CGTP na Autoeuropa por delicadeza daquele que é Primeiro-ministro.

O que vale é que setembro está à porta. Talvez melhore. Ou não. Há eleições em outubro.

O Piar do Pio Cavaco

Há muito que Cavaco Silva parou do ponto de vista intelectual. Anquilosou. A sua ideologia impede-o de ver a realidade.

Para ele, Jesus Cristo foi um ideólogo que perdeu o pio crucificado pela realidade do domínio do império romano.

Para ele, Galileu perdeu o pio perante a mui santa e real Inquisição.

Para ele, Nelson Mandela perdeu o pio durante vinte e seis anos na cadeia perante a realidade do apartheid.

Para ele todos os que não aceitaram e não o status quo são ideólogos que esbarram na realidade.

Só que mesmo um analfabeto político, um espertalhote, sabe que as realidades não são eternas e se transformam.

E Cavaco treme de pavor e desata a piar contra tudo o que seja mudar a favor de critérios de governação que toquem nos interesses dos donos dos mercados.

Cavaco, qual Pilatos que entregou Cristo aos algozes, entre a realidade e a necessidade de mudar afincou-se à realidade para manter o inerente conjunto flagrante de injustiças, que foi a matriz do governo Passos / Portas.

Para ele, a realidade que gerou a atual crise devido aos monstruosos fiascos do sistema financeiro tem que suster qualquer ideia que considere injusta tal situação.

Para ele, o que conta é o mundo tal como existe e daí não entender Luís de Camões quando afirmava que o mundo é composto de mudanças.

Ele saiu de Belém de mal com o mundo.

Apadrinhou e benzeu um dos piores governos de Portugal.

Esteve sempre com os que de fora nos impunham políticas que jamais aplicariam nos seus países.

Foi um governo por si amaldiçoado que tirou o país do pântano do empobrecimento.

Para ele, a realidade de empobrecimento devia impor-se a qualquer ideia de restituição de rendimentos aos portugueses.

Para ele, é um horror este governo ter criado emprego, restituindo rendimento e feito o deficit descer a tal ponto que a U.E. retirou o país do procedimento por défice  excessivo por onde anda a França de Macron e a Espanha de Rajoy.

Para ele, a realidade que existe no mundo serve, mas a que vigora na governação de Portugal não serve e pia como ave agoirenta.

Cavaco, acolitado por Coelho, não se dá conta de ridículo de ir proferir uma lição à Universidade do PSD falar contra as ideologias.

Cavaco não fez outra coisa que não fosse defender a ideologia dominante, a de submissão de todos e tudo ao império do deus mercado.

A necessidade de operar mudanças, neste mundo comandado pela austeridade, impõe-se aos que o querem manter a todo o custo.

Cavaco nem sequer é capaz de analisar a realidade, cego que está pela ideologia do neoliberalismo. E pia. Pia.

AS TE4LEVISÕES A ARDER

 

As televisões estão a arder por dentro, cheias de fogos e as horas das grandes chamas, neste verão onde tudo parece arder, atingem o pico por volta das oito horas, ao fim da tarde.

Os fogos, que há anos incendeiam zonas do país, instalaram-se nas televisões e nos media em geral.

Basta carregar no on e o fumo invade-nos carregado de desgraças contadas na primeira voz, o que faz supor que o que acontece nas televisões (tantos fogos) sucede em Mação ou Sabugal ou Gavião ou onde ardem florestas deixadas ao abandono por gente que não aguentou o abandono e deixou abandonados pais, avós e vizinhos, numa solidão sem nome.

Apressurados os repórteres vão de microfone em punho pedir a opinião de idosos que não abandonaram as suas casas com medo de serem comidas pelas chamas.

Eles, os abandonados, queixam-se de ninguém os ajudar e sozinhos terem de fazer frente ao fogo, criando a ideia subliminar que poderia haver um bombeiro para cada casa …e naturalmente os repórteres cheios de atualidade dão voz aos injustiçadas da terra queimada, como se fosse novidade, nesta estação, haver incêndios em Portugal, na Califórnia ou na Austrália quando as temperaturas sobem acima dos quarenta graus.

E a compaixão dura o tempo da emissão e os abandonados regressam a suas casas ameaçadas e ali ficarão todas as suas vidas sós, salvo se houver fogos e os repórteres lhes forem perguntar se os bombeiros apareceram para os ajudar. Assim. Como se o país tivesse um bombeiro por casa ou por cada idoso.

Além disso o fogo, desde Prometeu, foi sempre algo mágico e aterrador para o homem.

As televisões procuram o desespero e o medo estampado nos rostos e olhos de quem enfrenta a desgraça. E os fogos que fazem o país arder instalam-se nas televisões e ardemos duas, três e mais vezes.

Este agosto, tirando Trump, Kim Jong Un e o Daesh, as notícias são os fogos. E a queda de uma árvore, como se as árvores não caíssem e os fogos fossem obra de quem os quer impedir.

O que é um fogo comparado com o aumento das pensões, resultado de tanta luta? Sim, este mês os idosos em vez de empobreceram mais um bocado, como prometiam Passos/Portas /Cristas, viram aumentados os seus rendimentos.

Neste mês de desgraças, há muito previstas, consome-nos o fogo que se repete ano após ano, mas que tem de ser notícia e incendiar as televisões, todas à uma.

O espantoso é que esta democratização da desgraça só dura o tempo da própria desgraça. Esfuma-se. Mesmo os que sentem a compaixão pelos concidadãos logo que a notícia do fogo acaba, esquecem a desgraça e passam à notícia seguinte. O automatismo está bem oleado. Apesar da desgraça. O que importa é a emoção. O resto é a solidão dos idosos. Num país desertificado no seu interior.

D.L.