Trump Não É Um Nacionalista, É Um Imperialista

De repente os media e uma caterva de comentadores de uma penada passaram a considerar Donald Trump um nacionalista. Assim. Rui Tavares vai direto ao homem que escreveu o discurso de Trump, Steve Banon, que classificou o discurso de tomada de posse do Presidente como uma declaração de princípios básicos do seu movimento populista e nacionalista.

Então convém responder a esta questão – de todos os presidentes dos E.U.A. ( e não da América) qual foi o que não pôs os E.U.A em primeiro lugar? Um só, por favor…Quantas guerras os E.U.A não desencadearam para defender os seus interesses em primeiro lugar? A questão da NATO –  não foi criada sobretudo para defender os interesses dos E.U.A.?

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Regra de Ouro no PCP

O PCP defende o princípio a que chamou regra de ouro, segundo o qual no Comité Central (CC) do partido tem de haver uma maioria de quadros de origem  Dentro desta conceção e sopesando os perfis dos diversos quadros candidatos àquele organismo, o Comité Central cessante propõe ao Congresso um novo CC onde a maioria tem origem operária. Tal conceção, em abstrato, pode sobrepor-se a todas as outras possíveis virtudes que possam ter quadros empregados, intelectuais, agricultores ou pequenos empresários que se tenham distinguido no partido na luta pelos seus ideais.

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O Papa Francisco, a Manjedoura, as Palavras e o Ser

Jesus Cristo nasceu há dois mil e dezasseis anos. É o que consta na nossa civilização cristã, ocidental.

Ao que se diz numa manjedoura porque os seus progenitores nada mais dispunham onde ele nascesse. Escolheram um local onde os animais domesticados comiam numa gruta entre palhas para se abrigarem do frio dado que em Belém, em dezembro, naquela parte da Palestina faz frio.

Tendo sido enviado à Terra por quem foi …”Deus pai todo poderoso…” poderia ter nascido onde seu pai verdadeiro quisesse, dado que José foi uma espécie de justificação para ele se assemelhar aos homens.

Quando o papa Francisco no dia de natal beijou a figura de gesso do menino retirada do presépio na Igreja de São Pedro e olhando o esplendor circundante dá que pensar no que o Papa Francisco dizia acerca da pobreza e da exclusão.

As palavras eram belas e ao voarem para todos nós sabiam a justiça e de certo modo eram reconfortantes vindo de quem vinha e de quem tem pautado o seu “reinado” por tanta preocupação sempre mais próxima dos que nascem em manjedouras, bairros sem luz nem água, do que nos palácios ou apartamentos e torres de alto luxo. Sem muitos milhões os excluídos em contraste com a ínfima minoria de bilionários.

Sente-se o mesmo quando se visitam certas catedrais – a ostentação da riqueza em volta, desde os paramentos bordados a ouro à riqueza impressionante da Igreja de São Pedro até à indumentária dos guardas.

As palavras cheias de paz, de bondade, de fome de justiça contra o mundo do ter e aquele ambiente não batiam certo.

Todos aqueles homens estavam impecavelmente paramentados e as luzes cegavam de tão fascinantes. A melhor arte e peças e recantos nada tinham a ver com grutas, nem com manjedouras, nem com pobreza, nem com comiseração.

Francisco soltava palavras tremendas de significado. As televisões passaram-nas. E toda a gente as ouviu. E as esqueceu rapidamente porque o que conta é o que se tem e não o que se é. Ser- se, em verdade, não se é, se não se tem.

E daí a estranha sensação de um mundo de intenções a baterem nos muros da indiferença que começam no próprio templo onde tudo se parece com riqueza e longe, muito longe do mundo dos excluídos.

Não se exigiam grutas, nem manjedouras, nem gente andrajosa para se celebrar o natal. Nada disso. Apenas a sensação que ali não entrariam os pobres, nem os excluídos, pese embora as palavras de coragem de Francisco.

Diz-se que não basta dizer, embora o dizer já seja um começo de um caminho na boa ou má direção.

Falta, às vezes, às palavras a força das circunstâncias em que são proferidas e do compromisso que elas representam no caminho de um mundo mais justo e humano.

Quem se atreverá a discordar que o consumismo não é uma malignidade das sociedades atuais?

As palavras ditas, em Roma, na igreja de São Pedro, no meio da pompa da circunstância, podem perder grande parte do seu efeito pelo facto daqueles a quem era suposto se dirigirem já nada esperarem. E é pena. As palavras são grande parte do que somos; muito mais do que o que temos. São a leveza da alma. A opulência nega o que se é e o que se quer ser.

Texto publicado no Público Online de 28/12/2016.

A Arte de Bater nas Mulheres e Noutros Mamíferos

Há coisas na vida que acontecem e são tão horríveis que pela sua intensidade nos cansam. O grau de anormalidade tornou-se tão normal que já nos acostumamos.

Há meses, antes do dia Internacional das Mulheres, um painel de cientistas sauditas considerou que as mulheres são mamíferos e que nessa condição terão os mesmos direitos que os camelos, as cabras, os dromedários. Antes o estatuto era o de um objeto, do tipo móvel de casa.

Tal facto foi considerado naquele reino um avanço extraordinário, pois deixaram de ser coisas e passaram a ser mamíferos com direito a abrigo e alimentação.

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Fidel

Vivemos num mundo em que o que acontece só acontece se passa nas emissões televisivas ou no youtube ou registado numa selfie

A força indomável das multidões unidas vai dando lugar a uma solidão que as invenções tecnológicas sublimam. As trombetas anunciam sempre o mesmo destino, seja quem for que as sopre. Há uma espécie de medo por todo o lado que se apega à pele e não sai. Ontem, 25 de Novembro, morreu um homem que abanou o tempo nas suas entranhas e o segurou por breves instantes. Um homem dos pés à cabeça, daqueles que, como montanhas saídas dos vulcões sociais, provam que são os homens que fabricam a sua História.

Trocou a advocacia e a Universidade por um sonho. Se Luther King teve um sonho ele viveu a sonhar despedaçando pesadelos. Sem olhar para o que então se ensinava acerca das revoluções ele e mais uma centena e picos de corajosos lutadores partiram ao assalto de Moncada para derrotar o ditador protegido pelos yankees de seu nome Fulgencio Batista. O assalto fracassou e a maioria morreu frente aos homens do protegido do grande vizinho. Fidel foi preso, julgado e condenado.

Animado de indomável vontade, contrariando a ideia assumida que a História passava nas grandes cidades da Florida ou mais ao norte, lançou-se de novo à empolgante aventura humana de acreditar que o sonho pode comandar a vida. Esse era um tempo em que as revoluções deviam acontecer segundo as ideias dos revolucionários diplomados em Moscovo ou em Pequim.

Não havia nos manuais das revoluções Sierra Maestra ou Gramna, nem o próprio partido comunista de Cuba o admitia. Só Fidel, Che, Camilo e tantos no meio de tão poucos. El Comandante expulsou Fulgencio, o sátrapa de Washington, e trouxe a dignidade a Cuba. A juventude do mundo pôs os olhos em Cuba. Um caminho absolutamente singular, nunca antes teorizado, levou um conjunto de homens com a sua coragem a interpretar as aspirações de um povo muito personalizado, apesar dos casinos yankees.

Mesmo debaixo das barbas do Grande Império, Fidel abria uma nova escada por onde os povos poderiam trepar e arranhar os céus da liberdade. O povo cubano tem uma forte identidade e orgulho nacional que Marti tantas vezes elevou nos seus escritos patrióticos. Fidel foi sobretudo cubano, mesmo quando se protegeu com a aliança com a URSS. Nunca abandonou aquilo que considerou ser o melhor caminho para Cuba.

Ajuda a explicar a razão de o regime se ter mantido quando se esboroou na Europa. Na verdade tem de se reconhecer convicções e princípios a Fidel. O trajeto de Cuba é tão singular que o 1º Congresso do Partido Comunista de Cuba se realizou nos finais de 1975, dezasseis anos depois da vitória sobre a ditadura de Batista.

Fidel procurou em todas as ocasiões um caminho muito própria para a revolução cubana, afastando-se em muitos aspetos do modelo soviético ou chinês. Precisava da URSS e aproximou-se daquele país. Na era de Gorbatchov virou-se para os chineses após anos de violentos ataques. Cuba tinha relações diplomáticas com Portugal, mesmo antes do 25 de Abril, havendo um encarregado de negócios em La Havana e uma Secção Comercial em Lisboa, o que não acontecia com os restantes países socialistas.

Durante a revolução de abril voltou a marcar o terreno com a sua política própria aproximando-se de Otelo e de outros grupos, sem descurar as relações com o PCP, mas não se ficando por aí… Fidel procurou para Cuba um caminho muito especial, mesmo que passasse por estar com os indonésios no caso de Timor-Leste.

Num tempo em que os dirigentes políticos no poder saem dos governos para os círculos financeiros e a riqueza do mundo se concentra nas mãos de uma ínfima minoria e a política se circunscreve aos desígnios dos mercados, morreu um homem que escreveu a História de outro modo. Um gigante. Uma figura messiânica. Um homem que mostrou que SI, SE PUEDE.

Muita coisa precisa de ser mudada em Cuba. E os cubanos sabem-no. O percurso de Fidel, com tanta glória e pontos negros, vai começar a ser julgado agora que morreu e a História implacável, como sempre, dará luz à luz e fará luz sobre o escuro de muitas coisas.

(Originalmente publicado no Público Online)

O radicalismo de direita de fachada amorosa ou o amor radicalista camaleónico

Que amor espalhou a nova líder do CDS? Que amor espalharam os dirigentes do CDS no governo do desamor? Como foram ao encontro das pessoas?

Para se avaliar o desempenho de quem quer que seja olhamos para as palavras e sobretudo para os atos. No amor é certo que palavras bonitas são melhor recebidas que as agressivas. Mas ainda aí se as palavras não forem acompanhadas de gestos e atos que confiram materialidade às palavras estas são apenas palavras…

Não é que as palavras não tenham importância, mas o que assume a verdadeira coerência é a unidade entre o que se diz e o que se faz.

A Dra. Assunção Cristas foi uma das principais figuras do governo de Passos Coelho e teve seu cargo pastas tão importantes como a Agricultura e o Mar. Paulo Portas foi nº 2 do governo. Mota Soares teve a importantíssima pasta da Segurança Social.

Que amor espalhou a nova líder do CDS? Que amor espalharam os dirigentes do CDS no governo do desamor? Como foram ao encontro das pessoas? Que fizeram no governo há alguns meses para assegurar que…”A forma é a ligação direta às pessoas e aos seus problemas quotidianos. Às suas aspirações, às suas inquietudes…”

Mais adiante no texto publicado no PÚBLICO de 22 de novembro afirma que é preciso estar junto das pessoas e…” ser esse o modo de estar…” Se assim é por que fugia Pedro Passos Coelho dos agricultores, dos professores, dos enfermeiros, dos médicos, dos trabalhadores da função pública, dos portugueses e não se aproximava deles a explicar que tinham de empobrecer?

A líder do CDS entusiasmada com a sua nova batalha por Lisboa desata o verbo e defende …” O discurso radical do amor não apenas tolera ou respeita cada um na nossa sociedade, ama-o na sua integralidade e plenitude, mesmo se não compreende, e procura encontrar a concórdia…”  E prossegue…”Explicando aos esquecidos da globalização que temos de trabalhar para encontrar oportunidades para todos, e que não é fechando-nos sobre nós próprios que seremos mais bem sucedidos…”

No mesmo do texto, Assunção Cristas confessa que aos políticos como ela não lhe é conveniente explicar as políticas que seguem e essa opacidade abre o espaço para os discursos radicalistas.

De modo resumido a dirigente máxima do CDS em nome do” radicalismo do amor” vem pregar à maneira de São Tomás fazendo recair sobre si própria e o seu partido o manto da desfaçatez que consiste em dizer tudo e o seu contrário para se guindar ao poder e aí fazer exatamente o avesso do que havia proclamado.

Durante quatro anos Assunção Cristas girou no alto do Ministério da Agricultura a espalhar empobrecimento pelos campos e pelo mar de Portugal. Umas fotos na Feira de Santarém e umas idas a Bruxelas para amochar aos ditames dos burocratas sem coração, cortando nos subsídios aos agricultores e nas quotas dos pescadores.

Concomitantemente os seus camaradas do CDS participavam alegremente no vasto plano de empobrecimento do governo PPD/CDS.

A líder do CDS apostou no empobrecimento dos portugueses e não lhes explicou nada que tivesse a ver com amor, antes mandando-os com desprezo abandonar as áreas de conforto emigrando…

A líder do CDS cortou vencimentos a todos os funcionários públicos, incluindo os do seu ministério e que estavam mesmo pertinho dela, explicando-lhe que eram calaceiros, trabalhavam pouco e para ganhar a tal competitividade global tinham de ficar sem feriados. Tudo sem qualquer pingo de amor…muito menos radicalista.

A líder do CDS e os seus camaradas de partido mais os do PSD passaram quatro anos, em nome do radicalismo da pobreza austeritária, a gabar-se que cortavam mais que o que pretendia o FMI e a U.E.…

E em nome do radicalismo das políticas anti sociais a privatizar tudo o que pudesse dar lucro aos fabulosamente ricos e lançando no desemprego dezenas de milhares de seres humanos de que agora acordada para as eleições a líder do CDS se lembra.

A líder do CDS nunca em momento algum achou que o seu programa de governo que fez aumentar as filas da sopa dos pobres e mergulhou na pobreza um quarto dos portugueses se encaixava nesta nova modalidade de amor radicalista.

A líder do CDS aceitou sem qualquer meia lágrima de compaixão que os pobres aumentassem e que os mais pobres ficassem ainda mais pobres e os ricos mais ricos. E tudo isto em nome da competitividade onde os seres humanos não são sujeitos passiveis de serem tidos em conta na sua humanidade, mas números que se têm de adaptar aos mercados que mandam no mundo como tão bem pregava o Primeiro-Ministro do seu governo.

A líder do CDS em momento algum deu sinais de devotado amor aos portugueses, muito menos de um amor radicalista.

Provavelmente trata-se de um radicalismo de direita de fachada amorosa em que o essencial é esconder o que lhe vai na alma pelos cálculos políticos em ano de eleições em Lisboa em que concorre sem a muleta do PPD.

(Originalmente publicado no Público Online)

O ESPETRO DOS DESAVERGONHADOS

Anda pelos gabinetes ministeriais um novo espetro. Não é de agora. Já vem dos tempos do braço direito do Sr. Dr. Passos.

Um curso é um curso. Tirado a picareta ou a martelo. Ou normalmente, estudando. Parece que nem a picareta, nem a martelo, nem a estudar há quem tire o curso. O que dá que pensar, mas não vem daí o mal ao mundo. Fica-se com uma ideia do desafortunado. E nada mais.

No anterior governo havia um Sr. Dr. que conseguiu fazer uma cadeira do curso de Direito ao cabo de anos. E vá lá, vá lá porque a aposta do cavalheiro ia para as equivalências. Coisa que já vinha de um Primeiro-Ministro que frequentou uma Universidade tão democrática que abria ao domingo.

Com o ministro o Sr. Dr. Passos e o Sr. Dr. Portas não deram sinais de inquietação. Fosse ela qual fosse. Ambos achavam que o Senhor podia ter uma das pastas mais importantes do governo. E defenderam-no.

Neste novo governo a coisa não envolve ministros, mas membros de gabinetes ministeriais, incluindo o do Primeiro-Ministro.

Se o ministro do governo do Dr. Passos se aguentou sem que o PSD e o CDS se incomodassem durante meses e meses, os mesmos partidos estão agora incomodadíssimos com os assessores em causa.

De facto, é uma vergonha alguém que vai assumir responsabilidades num gabinete ministerial ou de secretário de Estado ter aldrabado e não possuir o curso superior (e agora há os às dezenas…) que disser ter…só um salafrário.

E pelos vistos gente do mais alto nível do PSD foi capaz de se guindar a cargo ministerial e contra tudo e todos continuar a jurar que era licenciado. O tribunal já lhe retirou o título que abusivamente disse possuir e deixou o braço direito do Dr. Passos em maus lençóis. Se tivesse um pingo de vergonha…

Os assessores do governo PS demitiram-se no dia seguinte.

Não há, porém, demissão que encubra a vergonha destes homens terem dito ter o que não tinham e nem sequer eram obrigados a terem o que disseram ter e não tinham.

Todos eles, cada um na sua dimensão, não têm vergonha. Nenhuma. Um homem sem vergonha é um desavergonhado. É o que são. Cuidado. Eles andam por aí e podem bater à porta de algum partido.

 

Nossa Senhora das Preces

Levado por mão amiga fui  de visita à Aldeia das Dez .Linda na sua luxúria de verde . Quem subir a uma varanda e se virar  para norte, verá a garganta que separa a serra da Estrela da do Açor.

Descendo com o olhar para o chão terá diante de si um vale onde assentam os sopés das duas serras.

De manhã quando surgem os raios de oiro do sol anunciando-se por detrás do Alvor um manto de nevoeiro denso e leitoso cobre todo o vale.

O cimo das duas serras; a do Açor verde de tanta árvore, a da Estrela como se fosse a superfície lunar, na cor.

preces No Vale da Maceira,o lindíssimo Santuário da nossa Senhora das Preces. E se não fosse a Senhora das Preces não me atreveria a pedir-lhe que interceda junto dos que nela têm fé para que não ponham em perigo a tão amada linda língua portuguesa.

Ó Nossa Senhoras das Preces interceda para que de futuro quem estiver muito doente a bater às portas da morte e esteja desprotegido não ponha em perigo a ortografia e faça o milagre para salvar não só o doente, mas também o português.

Lembre-se a Senhora do que sofre a nossa língua com tanto delete, low cost, shopping, startup,take away and so on.

A Senhora sempre falou português com seus pais e familiares e amigos, pois que as santas também vivem como as outras pessoas, exceção feita à santidade.

Salve com a sua ajuda todas as palavras postas em perigo porque delas se precisa até para rezar. Apresse-se, Senhora, e receba a prece.

O Insolente Schäuble

O Sr. Schäuble, ministro das Finanças da imperatriz Merkel, não tem estaleca para viver em conjunto com outras nações, designadamente com aquelas que escolhem o seu próprio caminho político.

Ao Sr. Schäuble a vontade de um povo em eleições livres nada lhe interessa. Para ele o que conta é a sua predileção política, o que significa que para a grosse Deutschland todos os que não alinham com os seus desígnios correm sérios riscos de ter resgastes.

Schäuble gostava do seu homem, do Dr. Passos … um amor, mas não devia passar dessa simpatia amorosa pelo homem que se guiava pelo eixo de Berlim e castigava os portugueses pela sua desgraça.

Os ministros de um dado país devem respeitar a vontade soberana de um povo de outro, não se ingerindo e pressionando esse país.

O Sr. Schäuble ao declarar que este governo não está ir bem como ia o anterior, ofendeu grosseiramente a soberania portuguesa, a qual reside na vontade popular que levou à formação do atual governo.

Sabemos que a soberania anda pelas ruas da amargura; e só por isso este sátrapa confunde Portugal com uma coligação de direita que se borrava diante da dupla Merkel/Schäuble.

Schäuble é da estirpe imperial que não aceita outra realidade que não seja a que serve os interesses da alta finança alemã.

Para a Alemanha já interessa a defesa dos interesses alemães, mas para Portugal o que devia contar, segundo Schäuble, era o que os mercados financeiros achassem melhor, sendo certo que quem tem a palavra decisiva nesses mercados é a alta finança alemã.

O governo de Passos era um fofo para a Alemanha, orientava-se por aquela bússola e ia para além do que a troika impunha ao protetorado lusitano.

Brandia o chicote e zás no lombo dos portugueses, calaceiros, malandros, pobres, que tinham de empobrecer para os senhores alemães, holandeses, franceses e ingleses virem a terras portuguesas contratar mão-de-obra a preço da uva mijona.

Nos corredores da grande metrópole berlinense ouvia-se o contentamento por em Portugal haver um governo que compreendia a Alemanha e colocava os mercados über alles –“ Temos governo” diziam os conservadores alemães a cada medida da austeridade que Schäuble quer continuar a impor a Portugal e ao sul da Europa para os alemães terem muito mais feriados que os portugueses, ganharem altamente e virem cá de férias gastar uma ninharia comparado com o que teriam de pagar pelos mesmos serviços na Alemanha…

Quem esqueceu aquela expressão angelical do Sr. Prof. Vitor Gaspar curvado para o austero Schäuble … Desta gente o sátrapa já aprecia.

Podia lá o Sr. Schäuble gostar de um Costa que estancou o empobrecimento a galope do seu querido seguidor, o Dr. Passos acolitado pela Sra. Prof. Maria Luís da Arrows… além disso o que vale a vontade de um povo expressa na composição do parlamento com a do grande império?

O cavalheiro vai ter de aprender a viver com a vontade democrática do povo português e devia saber que o tempo da campanha eleitoral findou e ainda que pressões e ingerências são uma grosseira ofensa ao Estado português e a todos os portugueses, inclusive aos que votaram no PSD e CDS.

Mas isso era preciso que ele compreendesse o que é viver entre Estados independentes onde os governos são constituídos no parlamento e não na capital do império.

Não será de esperar que o cavalheiro mude o chip porque essa não é a matéria de que é feito. As vezes que tem falado ingerindo-se, pressionando Portugal, mostra o calibre desta alma agoirenta no que refere à defesa dos mercados, dos alemães em detrimento dos outros países e dos seus cidadãos.

A sua alma de insolente irá com o senhor até ao fim da vida. Saibam os portugueses dar-lhe a devida resposta. Um povo de um país independente há oitocentos e setenta e três anos não pode aceitar estas grosseiras ingerências de um dos políticos mais influentes da Alemanha. O governo alemão deve explicações ao governo e ao povo de Portugal. Basta de insolência. A imperatriz nem que seja para fazer de conta deve segurá-lo na sua incontinência se é que pode ou quer.

DE 1º MINISTRO A APRESENTADOR ARREPENDIDO DE INTIMIDADES

 

José António Saraiva decidiu escrever um livro sobre a vida íntima de políticos com quem foi tendo conversas.

É de supor que muita da gente visada não se teria despojado da sua reserva íntima se soubesse que um dia as conversas apareceriam escarrapachadas num livro.

Além do mais porque uma conversa com quer que tenha sido há dez, vinte ou trinta anos pode, ao ser revelada hoje, não encaixar na personalidade do protagonista, dada as mudanças que cada um imprime à sua vida.

O livro assumiu grande relevo mediático porque JAS convidou Pedro Passos Coelho, o homem mais austero que a própria troika, para apresentar o livro, embora à boa maneira de PPC afirmou que ia, mas que não tinha lido o livro, defendendo-se à boa maneira farisaica.

Instado se mantinha o encargo de apresentar o tal livro afirmou que não era homem para voltar atrás com a palavra dada.

A polémica passou dos media para as redes sociais e para o seio do próprio PPD/PSD. Alguém lembrou a PPC que aquela atitude não era digna de Sá Carneiro. Passos não se lembrava de Sá Carneiro, tal a vontade de agradar ao amigo e de se mostrar afoito agora que procura o que perdeu.

No meio desta buzaranha proveniente de todos os cantos, o homem que não voltava com a palavra atrás, voltou, arranjando o verbo desobrigar para se ver livre da miséria em que se meteu.

Obtido o sucesso de ter PPC, político que não tem conversas íntimas, segundo o próprio, JAS desobrigou-o e ele não vai onde disse duas vezes que ia.

À terceira confrontado com a realidade, de que tanto falava e o seu protetor Cavaco , sucumbiu.

De Saraiva se pode esperar quase tudo para aparecer ao sol. É o seu destino. Que lhe interessa que tenha morrido um dos visados?

O que lhe interessa é o alarme, a venda, os minutos á superfície das notícias. Estar ao sol da vida.  A coscuvilhice num país de basbaques-…” ora vejam a conversa que teve com o fulano e a sicrana”…Num mundo de frustrações aceder a uma conversa íntima é saborear o que se não teve ou não tem; é uma espécie de voyeurismo por interposta pessoa.

Passos Coelho quis agradar ao amigo ( ele lá saberá porquê, coisas íntimas, a revelar um dia?) e disse que ia sem ter lido o livro. É o homem. De austero passou a apresentador de escandaleira. Embora arrependido. A coragem morreu na praia.  Já assim tinha sido quando disse , antes de ser Primeiro-Ministro, que nunca aumentaria os impostos e quando lá chegou aumentou-os brutalmente.

É esse, o que não sabia que tinha de pagar os descontos para a segurança social…esse mesmo que à última da hora não foi. Fez-se de forte e saiu a rastejar, a pedir para o desobrigar do papel de apresentador de um livro que não leu… Que iria dizer do livro que não leu?

Passos no seu melhor registo de sempre. Que rico chapéu enfiou o candidato do PSD a Primeiro- Ministro!

domingos lopes