Uma Terrível Realidade

O Diretor-Geral da Reinserção Social e Serviços Prisionais, segundo noticiou o Público do dia 31/07/2017, deu conta que há estabelecimentos prisionais onde faltam enfermeiros para assegurar a medicação dos presos.

A notícia bate-nos de tal modo à porta que nos transmite um sentimento de atordoamento.

O Estado, ao prender cidadãos que cometeram crimes, tem de lhes assegurar o tratamento dos cuidados de saúde básicos, como seja o de garantir que têm a medicação necessária, já que, por motivos óbvios,  a medicação está a cargo das autoridades prisionais.

Num Estado de Direito Democrático não pode ser o próprio Estado a falhar no que concerne a este mais elementar direito de saúde primária.

A notícia daquele periódico parece ter passado despercebida, visto não ter provocado qualquer tomada de posição quer das autoridades governamentais, quer dos partidos com assento parlamentar, do que é sabido.

Vindo a notícia do próprio Diretor-Geral dos Serviços Prisionais, a notícia em si mesma é de aterrorizar, e deixa-nos perplexos a falta de impacto.

Num Estado moderno os presos não são atirados às galés para serem lançados ao fundo do mar, antes cidadãos que o Estado visa reinserir na sociedade.

A reinserção social dos presos passará seguramente por serem tratados como homens, mulheres e jovens a quem não deve faltar a assistência médica e medicamentosa mínimas, de acordo com padrões de dignidade humana.

Diz Celso Manata, o Diretor, que faltam médicos e enfermeiros e que o seu recrutamento aguarda pela autorização do Ministro das Finanças.

O Sr. Dr. Mário Centeno não pode ter os olhos e o coração em Bruxelas, pois dali se chegam elogios não o devem deixar de ter em conta que é o Ministro responsável pelas verbas que cada ministério necessita para tratar os portugueses com o mínimo de dignidade.

No interior das prisões em Portugal estão cidadãs e cidadãos cuja saúde o Estado chamou a si tratar e, portanto, se não há médicos e enfermeiros há que contratá-los, como não pode deixar de ser, face à urgência da situação e às necessidades vitais daqueles seres humanos.

Não é ao Sr. Dr.Centeno que cabe determinar o que o ministério da Justiça pode gastar em termos de assegurar o mínimo dos mínimos. Se o fizer do modo que está a fazer está a cometer uma séria violação da responsabilidade que tem.

Por muito elogiosos que sejam as palavras do Sr. Scäuble acerca das qualidades contabilísticas do nosso Ministro, em nenhum momento, elas podem assemelhar-se a serenatas maviosas que façam esquecer que o ministro é Ministro da República de Portugal, onde os presos são seres humanos que devem ter gente qualificada para assegurar a assistência médica mínima.

Os que estão presos, sairão um dia. Espera-se que pelo menos o tratamento da saúde seja um factor de reinserção social.

O Caso da Universidade Independente e de Outros Megaprocessos

Têm-se vindo a avolumar os casos em que o Ministério Público e os diversos Orgãos de Polícia Criminal (OPC) anunciam aos quatro cantos da Lusitânia e ao mundo investigações e acusações de grande sucesso no combate à criminalidade.

Com magno estardalhaço, os media aferroam-se aos casos e os arguidos aparecem ligados à prática de crimes muito graves. E as fugas de informação do que que está em segredo de justiça enchem noticiários e páginas de jornais.

Nesses dias de quentes notícias, os portugueses vão dando palpites acerca dos novos arguidos. Sendo poderosos, é uma espécie de ajuste de contas antecipado e a sentença só pode ser a condenação. Sendo políticos, é a pouca vergonha por serem todos iguais e só pensarem em encher os seus bolsos e os dos amigos. Sendo polícias, é a indignação por já nem se poder acreditar na polícia, isto está podre, em quem se vai poder confiar, perguntam os cidadãos.

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O Medo Prendeu a Coragem

O que faz o reino da Arábia Saudita obrigar as mulheres a taparem o corpo desde os cabelos aos pés? O que explica esta obsessão? Este medo de umas pernas? Este medo de uns cabelos soltos? Este pavor? É difícil apreender o verdadeiro significado.

O medo está na rua, na vila, no deserto, na cidade. A sinalizar o medo está o polícia da virtude, aquele que obedece a quem manda fazer do medo um modo de viver. O medo pode ser tão grande, tão grande que lhe seja possível impor aos cidadãos abrir a porta aos polícias da virtude. O medo pode ser tão diabolicamente pavoroso que impeça a mulher violada de se queixar da violação, dado poder ser condenada por ter relações sexuais fora do casamento e porventura ser punida com uma pena duríssima.

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O Homem que Tinha um Cão e Lia Livros

Um homem tinha um cão. E comprava e vendia livros. O livreiro lia os livros que podia.

O homem saía à rua para levar o cão a certo sítio e segurava-o na corrente na mão esquerda.

E o livro que levava aberto na mão direita conduzia-o ao destino. As palavras dar-lhe-iam indicações, nem sempre seguras.

Os vizinhos viam o homem e o seu cão e admiravam-no por mera graça. O homem, que o livro levava, não via onde punha os pés. Ora tropeçava, ora punha os pés no que os outros cães deixavam, ora batia nas árvores e esquinas. Era o destino do homem que lia livros e levava o cão a fazer o que tinha de fazer.

Quando o chegava ao local ladrava e o homem desprendia-o da corrente.

Ficavam os dois – um a ler e o outro a fazer o que tinha para fazer.

O mal do homem que estava a ler foi chegar um cãozarrão e abocanhar o seu pequeno cão.

O homem acabou de ler o livro e não viu o cão. Encolheu os ombros, voltou ao início do livro. Chegou a noite e o homem foi para casa sem o cão.

O Colapso

No debate sobre o Estado da Nação na Assembleia da República, no preciso momento em que Coelho, Montenegro, Cristas e Telmo anunciavam o colapso da Estado, tudo em Portugal funcionava normalmente. Sem exagero, o debate enchia o país mediático e esvaziava-se nas ruas.

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A Maior Falha

Fazer política como se tratasse de vender uma marca de um qualquer produto é subverter o que ela tem de nobre no sentido de permitir aos cidadãos a melhor escolha para dirigir a comunidade em que se inscreve essa opção. É fazer dessa arte e ciência um tratado de peripécias para tomar o poder em que o que se promete é apenas um meio para o alcançar e dele se servir e não para o servir.

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A INTENSÃO E O RODAPÉ

intensão

 

 

É tão intenso o fervor pela notícia na SIC Notícias que o Jornal das 7 do dia 03/04/17 tinha a intenção de manifestar essa “intensão” no rodapé da emissão.

É o que se pode chamar” intensão” porque quanto à intenção da CGD essa não chega a Almeida, a alma fica-se pela sede em Lisboa onde é intensa a intenção de fechar a alma dos de Almeida no que ao balcão da Caixa se refere.

À pressa para dar lucro a CGD passa das intenções aos atos, não vá a vontade do povo de Almeida ficar ainda mais intensa e gorar-se a tal intenção que a SIC acha que é apenas intensão, adivinhando a gente o que isso seja face à tensão entre a CGD e Almeida.intensão.jpg

A “INTENSÃO”DA SIC

É tão intenso o fervor pela notícia na SIC Notícias que o Jornal das 7 do dia 03/05/17  manifestou essa “intensão” no roda pé da emissão.

É o que se pode chamar” intensão” porque quanto à intenção da CGD essa não chega a Almeida, a alma fica-se pela sede em Lisboa onde é intensa a intenção de fechar a alma dos de Almeida no que ao balcão da Caixa se refere.

À pressa para dar lucro a CGD passa das intenções aos atos, não vá a vontade do povo de Almeida ficar ainda mais intensa e gorar-se a tal intenção que a SIC acha que é apenas intensão, adivinhando a gente o que isso seja face à tensão entre a CGD e a população de Almeida.

 

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De Brejnev à Geringonça

Não há muitos anos, no tempo da URSS, Brejnev, secretário-geral do PCUS, chegou a anunciar o início da passagem do socialismo à construção das bases materiais do comunismo. Era o chamado homem novo. O PCUS contava com 15 milhões de membros, fora os das juventudes comunistas.

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