A Itália, o Peso da Alemanha e a Crise dos Socialistas

As eleições na Alemanha realizaram-se em Setembro de 2017. Até à presente data ainda não foi formado governo, apesar de já terem passados quase seis meses.

É interessante constatar que em relação à Alemanha não há qualquer alma dorida sobre o tempo decorrido, nem sobre a suposta irresponsabilidade dos partidos políticos pela instabilidade criada pela ausência de governo. Assinala-se que a Bélgica, há uns anos, esteve mais de um ano sem governo.

Em Portugal, nas últimas eleições legislativas muito se falou sobre a dificuldade de António Costa formar governo após Passos Coelho ter borregado, como se sabia de antemão face às posições do PS, PCP, BE e Verdes.

As eleições em Itália tiveram lugar no domingo dia 4 de março e o Movimento Cinco Estrelas ficou em primeiro lugar, mas logo os títulos, ao contrário do que aconteceu na Alemanha (Merkel foi a mais votada, mas sem maioria absoluta), acentuavam a ingovernabilidade.

Com efeito, a grande Alemanha é intocável, mesmo quando gasta pelo menos seis meses a constituir governo, em contraste com as insinuações feitas à Itália, em que a diferença entre os votos obtidos pela CDU e o Movimento Cinco Estrelas não é significativo.

O que há em comum é a inclinação do PD em Itália e o SPD na Alemanha para o centro direita, não permitindo gizar no espetro político uma alternativa clara ao neoliberalismo dominante na U.E.

É a desgraça de prometer uma política e fazer outra que desacredita a própria política e faz surgir os populismos e a extrema-direita na Holanda, Alemanha, Bélgica, Áustria, França, Hungria e nos países bálticos.

Na Alemanha, o SPD prometeu que não voltaria a fazer alianças com a CDU de Merkel e voilá caídinho nos braços da CDU, num forte abraço neoliberal.

Na Itália, o PD nunca teve coragem de romper com a política neoliberal, apesar de se afirmar de centro esquerda.

A modernidade para Renzi consistiu em inventar uma nova lei eleitoral que permitisse a formação artificial de maiorias que, como se viu face à artificialidade, foi castigado dura e materialmente.

O PD, partido social-democrata de última hora, formado com base nos comunistas arrependidos, prossegue, apesar do passado, os caminhos da social-democracia europeia, inclinando-se à direita, e perdendo influência, contribuindo para o reforço do populismo e da extrema-direita que se afirmam demagogicamente contra o status quo.

É, aliado a outras situações na Europa, um exemplo a ter em conta pelo PS de cá. Uma viragem à direita para o centro, para o famigerado bloco central, em busca das grandes coligações, associa um partido que se diz de esquerda a uma grande força de direita, fazendo desaparecer as diferenças entre os principais partidos num enorme centrão onde nos caldeirões do poder se refogam  cozinhados para servir às diferentes clientelas. São negociatas que espezinham o interesse público, e servem os que fazem da política um instrumento de enriquecimento. É esta realidade que leva à desesperança e ao populismo. É tremendo fazer uma sementeira de desânimo fundado na camisa de forças da austeridade para a larga maioria da população e a riqueza pornográfica para uma ínfima maioria.

A ilusão com a eleição de Macron é efémera; todos os problemas da França se mantêm. Macron usou o mesmo truque dos populistas, fez de conta que a sua própria responsabilidade não era dele, mas dos outros, onde ele sempre navegou e continua a navegar, acentuando os lados mais negativos das desigualdades, dando mais dinheiro aos podres de rico e tirando a todos os outros, incluindo aos desgraçados que vivem abaixo do limiar da dignidade

Os países do euro e da U.E. vivem dias de incerteza e de falta de caminhos que conduzam a um futuro com dignidade. É o que se sente. Acaso será possível no mundo atual governar, como se apenas os interesses de uma minoria contassem?

São dias obscuros que se traduzem no afastamento dos cidadãos dos partidos políticos que os enganam com promessas que não cumprem e com desfaçatez sem limites, como foi o caso da do líder do SPD, Martin Schultz, de não se coligar com a CDU.

Se na União Europeia todas as autoestradas vão dar a Berlim, onde moram os donos dos Estados membros, como se poderia imaginar que os povos e os países iriam ficar especados à beira dos caminhos que os conduzem ao declínio?

É bom de ver que neste primeiro momento optam por soluções que vão ser testadas e que não serão soluções, mas sim problemas acrescidos. Mas estes são os caminhos que os diferentes povos europeus estão a percorrer. E dos quais se desenganarão.

Há um aviso claro à navegação social-democrata – não insistam no erro de se aliarem à direita –  se o fizerem, como fizeram os socialistas franceses, gregos, espanhóis, checos holandeses, alemães, italianos, austríacos, belgas e suecos, continuarão a travessia do deserto e á míngua. A direção certa é virar à esquerda. Darão um grande contributo para a formação de maiorias claras para resolver os problemas criados pelo sistema financeiro que despreza quem vive do trabalho. Para manter o rumo neoliberal, nada como os verdadeiros geradores da austeridade, os oficiantes do Deus Mercado. Haja Coragem. E o que PS de António Costa se mantenha imune aos cantos das sereias centristas.

Aos Amigos Benfiquistas -2ª Parte

É evidente que as instituições são moldadas pelos homens que têm à sua frente. Mas não só. E aqui entra o que poderá ser um lado novo no fenómeno da alienação. É fácil constatar a universal alienação que a máquina do futebol está a provocar.

Como o mundo está um lugar difícil para se viver ou até sobreviver para a maioria, o futebol pode gerar identidades, alegrias e frustrações coletivas a quem só tem o triste quotidiano.

Quem tiver de conviver com os dias sem luz, a esperança múltipla da comunidade dos que “morrem” pelo seu clube (porque já não há mais nada para se morrer por…) é um fator de alento.

Nas instituições do futebol, neste momento histórico, coexistem instituições, dirigentes e massas associativas que se irmanam, sem estarem irmanadas. Essa simbiose é um dos elementos mais extraordinários da cegueira humana.

Se o clube do adepto for investigado por crimes graves, como por exemplo o da capacidade de se infiltrar na máquina judicial, para o grosso dos associados, este crime não é nada, apenas um instrumento da luta entre os clubes.

Em certo sentido, já não é apenas a direção do clube que não se distancia do que está a ser investigado, mas ainda a fusão entre a massa alienada e a instituição e os seus dirigentes.

Nada interessa a não ser que, se hoje o “meu” clube está em investigação, outros já estiveram por piores situações, e a investigação em curso tem a ver com a luta contra o “meu” clube, a qual já passou para o próprio M.P. e sistema policial a quem se jura colaborar.

Há até quem considere que no atual “esgoto” para que as coisas fiquem equilibradas se deviam reabrir os processos da fruta e eventualmente outros, porque afirmam, alguns, até excelentes juristas, que as provas ilegais não o são.

É este o mundo em que vivemos.

De um lado a instituição dirigida por homens que se protegem, “protegendo” a instituição. E, do outro lado, a massa dos cegos, do conjunto dos esfomeados de glória do seu clube, nem que seja à custa das infiltrações nos meandros da justiça.

Chegados aqui pergunta-se: é a cegueira obrigatoriamente uma fase do desenvolvimento atual da Humanidade?

Aos Amigos Benfiquistas

O nariz de cera de dizer que uma coisa é a instituição, outra são os seus elementos integrantes tem muito que se lhe diga; mas mesmo muito.

Uma instituição ganha notoriedade e prestígio porque quem a dirige lhe dá essas características com a ação que lhe imprime. Se quem a dirige, não tem esses dons e não os passa para a instituição, naturalmente que ela não adquire essas virtudes.

São as mulheres e os homens que integram a instituição que fazem dela honrada ou desonrada.

Quando se pretende desculpar a ação dos prevaricadores, o refúgio na instituição serve às mil maravilhas, na medida em que muitas vezes a ação dos homens visa “prestigiar” a instituição onde eles se acoitaram para também eles aparecerem de mão dada com a instituição nos píncaros da lua.

Se um destacado dirigente da instituição decide com outros criar uma rede de fulanos que contra as leis da República e contra as questões nevrálgicas do funcionamento do Estado de Direito Democrático para entrarem nos segredos do Citius e afins, então o homem e a instituição só se despegam se a instituição e o homem se despegarem.

Se a instituição clama pela inocência do homem perseguido pela Justiça e ainda a ataca junto do mais alto magistrado da ação penal, temos que a instituição e o homem estão muito bem um para o outro e um no outro, continuando a identificar-se, mesmo na hora da desgraça.

A instituição é uma coisa diferente da dos homens que a dirigem se ela tomada de surpresa pela eventual conduta criminosa de um dos seus dirigentes, dele se demarcar e se declarar satisfeita pela justiça estar a funcionar.

Se a instituição, pelo prestígio que granjeou graças à ação honrada e sábia de outros homens, se convencer que por esse facto e pelo poder alcançado é intocável e pode fazer o que quiser para artificialmente manter o prestígio que já não tem como manter, enveredando por condutas criminosas, é, a todas as luzes, evidente que a instituição não se distingue dos homens que a dirigem e estão indiciados pela prática de crimes.

A instituição está acima dos homens se em relação à conduta ilícita dos mesmos se declarar que nada tem a ver com a referida conduta, condenando-a. Se ao contrário defender essa conduta, instituição e dirigentes fundem-se e afundam o prestígio da instituição em causa.

Por isso, devem as instituições, quando confrontadas com condutas criminosas de dirigentes que a dirigem, demarcar-se e condenar as atitudes desses sujeitos. Não há instituições sem mulheres e homens que lhe dão corpo e vida. Não há instituições em que as suas condutas estejam desligadas dos dirigentes que lhe traçam o destino.

Se uma instituição não quiser ter o mesmo destino dos sujeitos que a dirigem contra as leis, tem de os afastar e condená-los publicamente e antes da própria justiça que é mais lenta.

Se assim fizer é nítida a separação; se o não fizer é porque funcionam, sem qualquer separação das condutas criminosas.

A Jigajoga do PS, PSD e Marcelo

Em política, aliás, como nas coisas da vida há um começo. Uma espécie de esboço que pode não retratar de imediato toda a situação, mas as baias de um quadro futuro.

No caso que abordamos PS e PSD sentaram-se à mesa de negociações e definiram áreas de aproximação, o que para bom entendedor significa que podendo entender-se naquelas áreas, os interessados irão eventualmente avançar noutras de maior complexidade. Branco é, galinha o pôs.

A jigajoga protagonizada por Rui Rio vai desde Marcelo, Presidente, a Costa, Primeiro-Ministro, e passa pela hostilidade forte dentro do PSD, a começar pelo setor mais visível que é o grupo parlamentar. Aqui diga-se que Negrão, no debate de quarta feira, estendeu a passadeira a Costa para ele passar à larga.

Salazar dizia que em política o que parecia, era. Não irei tão longe, mas o esboço que se está a desenhar tem o seu quê de real.

Rio ataca o PS, mas aconchega-se a Costa, apontando as tais possibilidades de acordos sobre fundos estruturais e regionalização. O parceiro de coligação do PSD no governo teve quinta feira um almoço com Rio após os realizados com Costa e Marcelo. Ficou para último.

Se, por acaso, sobre as duas questões houver acordo, António Costa fê-lo antes de o alcançar com o PCP,  o Bloco e os Verdes, o que tem um grande relevo político.

Um acordo do PSD com o PS, nestas circunstâncias, na sequência de um anterior quadro de confronto entre os dois partidos, valerá como promessa de possibilidades de novos acordos, mesmo que o seja só no plano psicológico.

Quando Marcelo, do alto do seu populismo, considera que talvez não haja tempo e sugere pressa tendo em contas as próximas eleições legislativas, há um pé no acelerador e outro no travão.

O pé no acelerador tem a ver com a pressa em mostrar (os temas que se diz que terem o apoio de Belém) que sobre questões importantes pode haver mais facilmente acordo com o PSD do que com os parceiros das esquerdas.

O pé no travão tem a ver com a possibilidade da rebelião no interior do PSD que o  poderá levar a perder influência eleitoral, face à possibilidade de capitalização do CDS à direita, e no temor do PS vir a ter maioria absoluta.

Os dados parecem estar lançados e as duas reuniões de Marcelo com Rui Rio mostram até que ponto o mais alto magistrado da nação parece estará “seguir” (pelo menos) o  cozinhado que Rio está a preparar, independentemente do caldeirão dos deputados ter entrado em ebulição, o que pode levar ao esturro e Marcelo a temer as consequências. Este cozinhado, diga-se desde já, não consta das atribuições constitucionais do PR.

O certo é que há algo de novo entre PS e PSD; deixou de haver a guerra permanente e abriu-se em período que já não é apenas de tréguas, mas de comissões de ambos os partidos a reunirem para estudar acordos.

Não é pouco. É algo que não é só novidade. É também uma possibilidade para Costa e Rio, mesmo que aquele repita que só diz respeito aos chamados consensos alargados, pela simples razão que ainda nem sequer os tem com os parceiros que o apoiam na Assembleia da República.

O esboço que abarca São Bento, Belém e São Caetano, revela várias turbulências; desde logo na geringonça e, como se vê a bom ver, dentro do PSD que tinha criado ao longo destes dois anos uma equipa sempre pronta a atacar o PS e a juntar-se ao CDS.

Rio enfrenta o próprio PSD. Costa eventualmente os seus apoiantes na Assembleia da República. Os desafios são de monta. Se não valessem a pena (para ambos) não iriam desencadeá-los. Não faltará muito para se saber o que aí vem. Temos, à vista, uma jigajoga para vir a substituir a geringonça?

Social-democracia em Debate- Chapelada a Pedro N. Santos

As sondagens tornadas públicas na Alemanha quanto à votação nos partidos são claras no que toca a uma matéria em cima da mesa, e que se prende com as alianças dos partidos sociais-democratas.

Se os resultados eleitorais de setembro do ano passado foram maus para o SPD (partido social-democrata), estas sondagens, realizadas após a quebra do compromisso de Martin Schulz de não fazer coligação com a CDU de Merkel, são desastrosas e colocam o SPD atrás do partido da extrema-direita.

Esta coligação aparece ao eleitorado como uma traição ao anunciado, com toda a pompa e circunstância, por parte de Schulz, garantindo ao eleitorado social-democrata que não faria a coligação.

Com esta conduta deu um passo mais no sentido de desiludir a massa de eleitores e simpatizantes do SPD. Frustrou as suas aspirações. Contribuiu para denegrir a atividade política, acentuando o lado negativo que chega aos cidadãos que os leva a pensar que os políticos são todos iguais, pois o SPD tinha anunciado que não se coligaria com a CDU. Foi um excelente serviço prestado aos populistas à extrema-direita.

Este tipo de coligação (a chamada grande coligação) diminui significativamente as possibilidades de escolha dos eleitores. Além de que o eleitor escolhe uma coisa e o eleito impinge-lhe outra. O cardápio para governar é quase único.

Vale a pena fazer um rápido percurso para dar conta da destruição que este tipo de comportamento provocou nos partidos socialistas e sociais-democratas.

Em Espanha, França, Itália, Grécia, Áustria, Holanda, Bélgica e até na Suécia os estragos estão à vista. Grandes partidos da III Internacional estão hoje em mínimos históricos. E porquê? Porque exatamente pisaram os ideais que fizeram deles grandes partidos alternativos.

Ao abraçarem os ideais neoliberais deixaram de ser vistos pelos eleitores como sendo uma alternativa, passando a ser como os partidos dominantes de direita. E para tomar aspirina todos sabem que a da Bayer é a única; também em política nada melhor que a direita para fazer a política neoliberal, mesmo que por momentos os sociais-democratas tenham pensado que eles também a podiam fazer tornando-a menos odiosa. Foram eles que se tornaram odiados por quem neles confiava.

Basta atentar no exemplo de Portugal. O PS virou à esquerda e subiu no seu apoio tanto no plano social, como no plano eleitoral.

A política até agora realizada por este governo com apoio parlamentar do PCP, BE e Verdes colhe apoio maioritário no seio dos portugueses.

Por isso é de saudar o texto publicado neste jornal no dia 29/02/2018 por Pedro Nunes Santos em que assume claramente que o desafio da social-democracia é o da defesa do papel do Estado no desenvolvimento da economia através de investimento público, na redistribuição dos rendimentos através da provisão dos serviços públicos e de prestações sociais e na proteção e reconhecimento do valor do trabalho enquanto parte importante da dignidade pessoal.

Pode achar-se que fica aquém do que outras esquerdas defendem, mas por aqui passa o caminho do progresso e de alternativa.

Claro que as outras correntes socialistas também têm de tirar dividendos desta etapa do progresso social, apoiando o caminho e diferenciando-se naquilo que é a diferença na independência de cada um. Um acordo que só beneficie um dos parceiros não tem futuro. Esse é o famigerado abraço de urso que deu o que deu na França.

Há que encontrar, neste quadro diferente, um posicionamento dos restantes parceiros em que possam, por um lado, aparecerem como sujeitos da mudança para melhor, e que, sem eles, tal mudança não teria sido possível, mas que , por outro, como tendo um projeto de diferença, que vai para além do que se negoceia.

Seria também uma desgraça se entendessem que eventuais dificuldades de comunicação com os respetivos eleitores resultasse do acordo e não das próprias contingências. Estes acordos exigem mais que nunca capacidade de ganhar os apoios sociais para este projeto e sem esse apoio pode haver surpresas negativas. O mal, em todo o caso, estará sobretudo na dificuldade dos partidos e não nos acordos em si.

A nova liderança do PSD está no terreno a tentar envolver o PS para que este se afaste dos atuais acordos. Já o tornou público. Costa foi escolhido para um primeiro encontro por Rui Rio. Antes de Assunção Cristas. Facilitar o caminho de Rio seria um desastre.

Se o PS fosse no cântico da desgraça, o mal seria também dele. Que o diga o PSOE, o PSF, o PASOK, o SPD e outros.

Nesta fase da vida política é fundamental que, face ao poder gigantesco dos donos do dinheiro, as esquerdas convirjam. Por aí passa um futuro melhor e possível.

domingos lopes

 

Um Pistoleiro na Casa Branca

mhmcdn.ynvolve.net 

Na cabeça do homem, o mundo não passa de uma enorme arena onde os mais fortes e agressivos se podem servir de todos os meios para vencer e humilhar todos os outros.

Uma escola, para este homem, não é um local onde os professores ensinam os alunos a aprenderem e a serem homens.

Este homem não imagina o percurso da Humanidade desde a Antiguidade de Sócrates até aos nossos dias, no que toca à arte e à profissão de ensinar.

As professoras e os professores são mulheres e homens cuja vocação é ensinar em paz para que na escola os alunos aprendam e vivam tranquilamente.

A escola é o local onde se vai aprender e a obter os ensinamentos que permitirão, no futuro, aos estudantes ter as competências para singrarem na vida.

Na escola ensina-se e aprende-se.

Para o Presidente dos EUA a escola é o local para onde os professores, treinadores devem ir armados para abater os “maus”. No país que considera que qualquer um ou uma em qualquer circunstância deve ter a possibilidade de comprar uma arma e até uma metralhadora a partir dos dezoito anos.

Para o Presidente dos EUA proibir o acesso generalizado às armas não lhe passa pela cabeça.

Para ele se há armas nas mãos dos “maus”, os “bons” têm de ter armas para os matar.

Como poderia um professor armado, pronto para matar, ensinar que os rapazes e as raparigas, as mulheres e os homens devem viver em paz e sem medo de seres humanos capazes de matar por nada? Como?

Este homem nunca saiu do seu mundo de negócios imobiliários, dos seus campos de golfe, das suas conquistas à custa dos milhões de notas verdes, de sórdidas declarações misóginas, e da sua avareza pelo reluzente ouro que o cerca.

Ficará na História como exemplo que não basta ser multibilionário para saber estar à altura das suas responsabilidades presidenciais.

É um pistoleiro que se instalou na Casa Branca e tem o mundo sob a sua mira.

Que Bem Rosna Passos

Passos Coelho tinha de vir a público, antes de se ir embora de Presidente do PSD, continuar o seu combate a favor da desregulação das relações laborais, para dar mais poder aos patrões,  deixando os assalariados em situação mais frágil, obrigando-os a aceitar condições cada vez mais desvantajosas.

E veio no seu estilo inconfundível de político direitinho, certinho, com o pin de Portugal na lapela do casaco. Tão direitinho e certinho que ao referir-se ao PCP e ao BE invocando a “linguagem” animal empregou o verbo rosnar, em vez do verbo ladrar referindo-se ao velho provérbio…”Cão que ladra , não morde”.

De facto, um homem que se a vê a si tão cheio de virtudes, seria incapaz de utilizar o verbo que designa a comunicação dos cães optando por uma versão menos desagradável, na sua convicção de homem direitinho e certinho, sem um cabelo desalinhadInho.

Na verdade, ao longo destes dois anos e meio Passos não tem parado de rosnar. O governo não caiu, ao contrário do que ele profetizou em consonância com o piar de Cavaco Silva. Não mordeu nada.

Mas o mais inesperado foi o diabo não entender o rosnar de Passos, o que o levou a ficar quietinho no inferno não atendendo ao chamamento  do constante rosnar do doutor Passos. Voltou a não morder por falta de comparência do diabo.

Ainda há tempos, Passos rosnou a bem rosnar apostando tudo em Teresa Leal para candidata à Câmara de Lisboa. E nem sequer mordeu em Cristas, quanto mais em Medina.

O resultado de tal rosnar foi tão mauzinho que teve de se ir embora. Sem rosnar( um homem certinho e direitinho não vai andar por aí) viu o seu candidato ser derrotado por Rui Rio.

Passos está em maré de ter de ir ao dentista para descobrir as razões de tanto rosnar e de tão pouco morder.

Levaram-no, no dia 12 deste mês, a uma assembleia de jovens e continuou a sua luta a favor  do empobrecimento, mas desta vez com algumas variantes face à dureza da realidade contra a qual não adianta piar, como dizia o senhor professor Cavaco.

Passos prometera empobrecer o país fazendo dele um dos mais competitivos do mundo.

Colado a Schäuble e a Merkel, jamais lhe passou pela cabeça que o país podia crescer apagando os seus quatros anos de austeridade. Jamais lhe passou pela cabeça que Centeno fosse escolhido para Presidente do Eurogrupo. E que Portugal crescesse, como cresceu. E que o desemprego caísse, como está a cair. E que as exportações tivessem atingido níveis bastante aceitáveis. E que se respire. Sim respira-se em Portugal. No tempo da austeridade sufocava-se. Respirando-se, pode-se encarar o futuro, incluindo com todas as dificuldades que se adivinham. Mas respira-se. Não se sufoca.

Bem rosnou Passos, mas em nada mordeu. Deixa a liderança do PSD a Rio, sem poder morder os calcanhares a Costa.

D.Clemente e o Sexo dos Recasados

A Igreja nunca conviveu bem com o sexo, sempre o viu como algo de que se devia desconfiar.

Afinal porque Adão e Eva procriaram e constituíram o início do que viria a ser a nossa Humanidade, segundo a doutrina cristã.

A diabólica Eva atraiu Adão e levou-a à desobediência e, por tal pecado, pecou toda a Humanidade para toda a eternidade.

Lançados do paraíso para o vale de lágrimas, todas e todos os que vieram passariam a ser filhos do pecado, porque resultantes da cópula sexual; isto é, os que vieram, chegaram já “amaldiçoados” pelo ato responsável pela existência dos seres humanos. Somos assim, crentes e não crentes, segundo a Igreja, todos filhos de um ato pecaminoso.

Vale a pena ir ao tempo em que Cristo andou por este Médio-Oriente ocupado, na ocasião,  pelo império romano, e constatar que os primeiros cristãos e os discípulos eram casados e como tiveram filhos, copularam.

Só mais tarde é que a instituição inventou esta coisa dos padres não poderem casar e ter mulher, embora as tivessem, alguns às claras, outras às escondidas.

Agora, por obra do novo Papa, veio a Igreja abrir a porta fechada aos cidadãos que casados catolicamente se divorciassem e voltassem a casar ou a viver em união de facto, permitindo-lhes em certas circunstâncias, restritas, segundo D. Manuel Clemente, ter acesso aos sacramentos.

De que é que havia de lembrar D. Manuel Clemente? De que se tal sucedesse, se voltassem a recasar ou a viver em união de facto, se abstivessem de ter relações sexuais. Um casal que se ama, que se casa ou se junta para viver uma vida nova, com felicidade, onde o sexo é uma componente, entre muitas outras, é, à partida, para D. Manuel desaconselhável… Mas não será desaconselhável, nesses casos, colocar o acento tónico, na falta de ajuda, na necessidade de colocar a relação familiar em primeiro lugar?

A ideia de vir prevenir que os casais recasados não devam ter relações sexuais é próprio de alguém que está longe da essência da vida. Não está em condições de compreender que uma relação harmoniosa num casal torna-o mais forte, mais solidário, mais fraterno e tal relação passa também por uma vida sexual mutuamente consentida e desejada.

O sexo é tão importante que sem ele não haveria a tal criação humana de Deus, na ótica dos crentes, pois é condição para a reprodução, em geral.

Parece que o Deus da criação embirrou com os filhos da sua própria criação e que lhes deu sexo, não para o usarem, mas para os castigar e obrigá-los a pecar sempre que o usam para seu bem estar, fruindo-o. Por que razão o ser humano veio constituído com sexo para esta conceção?

A História  confirma que a Igreja viveu sempre sobressaltada por não saber encará-lo como uma realidade que pode ser altamente compensadora e fonte de equilíbrios. De tal forma que dentro da própria Igreja os que pregam a abstinência sucumbem, alguns do pior modo, criminalmente.

Ao que parece D. Manuel Clemente não está em condições de abandonar o tremendismo com que a Igreja aborda o sexo. É pena. O Papa abre e há quem feche.

O Poder de Atração da Corrupção

Portugal vive situações de corrupção muito graves. Basta para tanto ter em conta os escândalos referentes ao envolvimento do anterior Primeiro Ministro, Passos Coelho, no caso Tecnoforma, e a gravíssima acusação contra o ex- Primeiro-Ministro, José Sócrates, que envolve banqueiros e executivos de grandes empresas, outros políticos e um rol de conhecidos. Figuras políticas importantes do centrão político estão a contas com a justiça.

Os que se afirmavam como gestores e banqueiros impolutos fazem-nos agora rir desse perfil, tantos são os que se sentam no banco dos arguidos.

A corrupção, se puder, corrompe os próprios guardiões do céu, anjos, querubins e quem quer que seja. Há quem diga que o próprio diabo era um anjo caído do céu por querer ser mais do que era diante de Deus. Por que haviam de parar na porta da Domus Justitia? A corrupção não fica expectante à porta de quem quer que seja. Se a deixarem entoar as suas melodias, é capaz de entrar. Ulisses pôs cera nos ouvidos.

Chegou a vez dos magistrados aparecerem a encher os media e ligados a este espantoso fenómeno.

É interessante ter presente que há corruptos porque há corruptores, mas o ódio da população é de imediato dirigido contra os políticos, deixando de lado os outros, os corruptores ativos. Percebe-se, em certo sentido; é um sentimento de frustração, de se sentir enganado por quem lhe prometeu integridade. É uma espécie de traição.

Os políticos dependem do voto do povo e se os engana essa revolta é maior que aquela que é dirigida aos corruptores.

Há uma certa contradição que se torna mais aguda se o enfoque for feito de outro ângulo: sendo assim por que motivo a população vota em corruptos? Por que dão maiorias e grandes votações a políticos condenados por crimes relacionados com corrupção ou similares?

Há, porém, ainda, outro fenómeno assustador: são todos contra a corrupção nos outros, mas se, por acaso, se puder beneficiar, tirar vantagens desse fenómeno, aí a ira baixa e até pode entrar a música do favor.

Há, por outro lado, uma espécie de perdão pelos políticos corruptos que de algum modo fizeram obra que se visse, e uma revolta contra os que se afirmaram desprezando as condições de vida das populações.

Há anos, numa viagem ao Peru, depois da queda de Fujimori, muitos peruanos diziam que ele era um corrupto, mas tinha feito casas, escolas e estradas… era um corrupto bom para o povo…O fenómeno não é só português, é universal.

O povo português talvez seja pela sua própria índole (desconfiado do Estado ao longo de séculos e com razão) mais propenso a fazer explodir a sua fúria em relação aos seus, àqueles que elegeu, do que àqueles que nunca lhe apareceram a pedir o voto, mas que na realidade, como piava o pio Cavaco, são a realidade contra a qual se esbarra.

Se são os mercados, o que vale dizer, o dinheiro, quem manda, e nada se pode fazer, se são esses os valores em que a sociedade assenta, os resultados estão à vista.

Vejamos de mais perto: Se o que comanda a vida é o poder do dinheiro, então para se ser “alguém” deve aceder-se a esse estatuto do TER (muito mais que o estatuto do SER, que é o da cidadania) .

Os media apregoam a vida dos poderosos, estes defendem que um dos males da sociedade é o salário mínimo e os ricos não serem mais ricos.

Se um por cento da Humanidade tem uma riqueza quase igual a noventa e nove por cento da Humanidade, segundo a ONG britânica OXFAM, do que se está à espera? Esse poder é o novo bezerro de ouro que é adorado.

Como se pode entender, num quadro destes, as declarações de Rui Rio, testemunha abonatória de Miguel Macedo, quando defendeu que aquele ex-ministro foi sempre um defensor do bem público?

Só a perda de referências, de valores, de integridade e de honra explica esta degeneração da sociedade.

A força de atração da corrupção parece ser tão forte que até os de baixo se sentem atraídos pelo modo de vida dos poderosos.

É precisa uma República de mulheres e homens à prova de bala da corrupção para travar a corrupção. Falta a coragem cívica para dar força à cidadania séria e honrada.

Esse, talvez, seja o maior desafio de Portugal e dos portugueses:  levar para o governo a honradez, a lealdade e a vontade em servir a comunidade.

Façamos um Suponhamos à Portuguesa

A segurança rodoviária, devido ao número de mortos nas estradas, está na ordem do dia. Os governantes, de cima do seu alto poder, aparecem nos media a anunciar medidas e mais medidas. O problema parece ser acrescentar mais legislação à existente.

Falam em drones e em reduzir a velocidade a trinta quilómetros nalguns pontos das grandes cidades.

Em certas ocasiões, (Natal, Carnaval, Páscoa, férias de Verão) alguns oficias das forças militarizadas aparecem impecavelmente fardados a anunciar os milhares de mulheres e homens que irão para as estradas a fim de autuar os infratores.

O problema, porém, é outro. Um exemplo: quem for das Portas de Benfica até à Rotunda do Marquês de Pombal, muito dificilmente encontrará um polícia, salvo se passar num grande edifício, em obras, porque aí há gratificados ao serviço do dono da obra.

Com esta referência pretende-se apenas assinalar que a falta de polícias nas ruas permite aos condutores infratores “navegar” muito mais à vontade.

Na verdade, quem fizer o percurso referido passará seguramente por um conjunto de condutores usando o telemóvel no ouvido, por senhoras condutoras acabando de se maquilhar, por condutores que aceleram para passar com o sinal vermelho acabado de cair, por condutores que armados em chico espertos vão para a fila mais rápida para depois voltarem inocentemente à fila para onde se inscrevia o sentido da sua marcha, como se os outros não fossem capazes de fazer o mesmo.

Anunciou-se, com pompa e circunstância, a penalização dos condutores com perda de pontos e o país “tremeu”, nos primeiros dias. A seguir viu que tudo estava como dantes, tudo voltou à normalidade, tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Se as multas não têm consequência porque não há juristas (foram despedidos por imposição da troca) para dar seguimento aos processos de defesa escrita e eventuais impugnações; se na estrada, tirando os radares, a polícia persegue sobretudo os camiões porque as coimas são mais elevadas, eis o terreno ideal para fazer de conta que há leis que gerem a vida da comunidade.

Se o condutor acelera quando vê o vermelho cair, a possibilidade do acidente aumenta assustadoramente, particularmente para quem atravessa a passadeira, daí os números assustadores de acidentes com peões.

Há uma fuga para a frente dos vários governos quando enfrentam problemas de monta e enveredam pelo caminho mais fácil, uma soltura legislativa anunciada aos quatro ventos mediáticos à espera que a coisa amaine. Já cheira mal.

Os portugueses, na sua imensa maioria, vivem em Portugal. Conhecem-se e conhecem o país. Sabem que muito provavelmente não vai suceder nada se passarem um sinal vermelho acabado de cair; que quase certo que nenhuma autoridade intervirá se falar com o telemóvel no ouvido; que pode fazer uma pequena “patifaria” ao concidadão passando irregularmente à sua frente porque ele(a) tem sempre uma razão para o fazer.

Há leis que chegam e sobram para punir quem prevarica. Não há quem vigie, quem reprima, porque o Estado de Direito Democrático onde vivemos afirma-se sem capacidade para negociar com as forças policiais as devidas remunerações e, portanto, todos fazem de conta que tudo rola…

É importante que quem governe central ou municipalmente contribua para alterar de modo decisivo este estado de coisas.

Se não houver força para fazer cumprir o Código da Estrada, bem podem vir os drones e a diminuição da velocidade. Registarão os excessos de velocidade e depois? Então agora os radares e a polícia não detetam o excesso de velocidade? E depois? Depois por falta de técnicos e de juristas as multas, e as coimas aguardam aos montões serenamente os prazos da prescrição. E os polícias, na rua, não veriam o que todos vemos? Veriam, se lá estivessem…

Virá um dia que um governante se lembrará que, suceda o que suceder, não haverá prazos para prescrições.

Um Estado, que não é capaz de fazer cumprir leis fundamentais para defender a segurança dos cidadãos, é o principal responsável pela falta de crença na vida em comunidade, permitindo que o individualismo e o tão português desenrascanço se sobreponham aos interesses da vida em comunidade.

O civismo deve ser um elemento essencial no fortalecimento da coesão social, aproximando os cidadãos, homens e mulheres, vivendo no espaço criado pelos nossos “egrégios avós” onde o bem comum é o chão onde cada um se pode desenvolver.

Mais vale investir na educação cívica do que continuar este processo de soltura de leis.