O Caso da Universidade Independente e de Outros Megaprocessos

Têm-se vindo a avolumar os casos em que o Ministério Público e os diversos Orgãos de Polícia Criminal (OPC) anunciam aos quatro cantos da Lusitânia e ao mundo investigações e acusações de grande sucesso no combate à criminalidade.

Com magno estardalhaço, os media aferroam-se aos casos e os arguidos aparecem ligados à prática de crimes muito graves. E as fugas de informação do que que está em segredo de justiça enchem noticiários e páginas de jornais.

Nesses dias de quentes notícias, os portugueses vão dando palpites acerca dos novos arguidos. Sendo poderosos, é uma espécie de ajuste de contas antecipado e a sentença só pode ser a condenação. Sendo políticos, é a pouca vergonha por serem todos iguais e só pensarem em encher os seus bolsos e os dos amigos. Sendo polícias, é a indignação por já nem se poder acreditar na polícia, isto está podre, em quem se vai poder confiar, perguntam os cidadãos.

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O Medo Prendeu a Coragem

O que faz o reino da Arábia Saudita obrigar as mulheres a taparem o corpo desde os cabelos aos pés? O que explica esta obsessão? Este medo de umas pernas? Este medo de uns cabelos soltos? Este pavor? É difícil apreender o verdadeiro significado.

O medo está na rua, na vila, no deserto, na cidade. A sinalizar o medo está o polícia da virtude, aquele que obedece a quem manda fazer do medo um modo de viver. O medo pode ser tão grande, tão grande que lhe seja possível impor aos cidadãos abrir a porta aos polícias da virtude. O medo pode ser tão diabolicamente pavoroso que impeça a mulher violada de se queixar da violação, dado poder ser condenada por ter relações sexuais fora do casamento e porventura ser punida com uma pena duríssima.

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O Homem que Tinha um Cão e Lia Livros

Um homem tinha um cão. E comprava e vendia livros. O livreiro lia os livros que podia.

O homem saía à rua para levar o cão a certo sítio e segurava-o na corrente na mão esquerda.

E o livro que levava aberto na mão direita conduzia-o ao destino. As palavras dar-lhe-iam indicações, nem sempre seguras.

Os vizinhos viam o homem e o seu cão e admiravam-no por mera graça. O homem, que o livro levava, não via onde punha os pés. Ora tropeçava, ora punha os pés no que os outros cães deixavam, ora batia nas árvores e esquinas. Era o destino do homem que lia livros e levava o cão a fazer o que tinha de fazer.

Quando o chegava ao local ladrava e o homem desprendia-o da corrente.

Ficavam os dois – um a ler e o outro a fazer o que tinha para fazer.

O mal do homem que estava a ler foi chegar um cãozarrão e abocanhar o seu pequeno cão.

O homem acabou de ler o livro e não viu o cão. Encolheu os ombros, voltou ao início do livro. Chegou a noite e o homem foi para casa sem o cão.

O Colapso

No debate sobre o Estado da Nação na Assembleia da República, no preciso momento em que Coelho, Montenegro, Cristas e Telmo anunciavam o colapso da Estado, tudo em Portugal funcionava normalmente. Sem exagero, o debate enchia o país mediático e esvaziava-se nas ruas.

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A Maior Falha

Fazer política como se tratasse de vender uma marca de um qualquer produto é subverter o que ela tem de nobre no sentido de permitir aos cidadãos a melhor escolha para dirigir a comunidade em que se inscreve essa opção. É fazer dessa arte e ciência um tratado de peripécias para tomar o poder em que o que se promete é apenas um meio para o alcançar e dele se servir e não para o servir.

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Afinal o Diabo Veio e Levou-o

Perdido nos corredores da sede central do PSD, cada vez mais só, enfrentando os que se querem ver livres dele, Passos precisava de combustível para atenuar o descontentamento interno e fazer frente às sondagens que dão ao partido um dos piores resultados de sempre.

Com o país unido em torno da solidariedade às populações das áreas atingidas, Passos foi obrigado a remeter-se a um silêncio custoso.

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