Assim Vai o Mundo

Os EUA, sob o comando do George W. Bush, invadiram o Iraque, contra quase todo o mundo.

Conseguiram enforcar Saddam Hussein e causar centenas e centenas de milhares de mortos.

No Afeganistão derrotaram os talibãs, mas foram incapazes de criar uma alternativa aos talibãs e deixam o país num caos e a reconhecer a necessidade de ter de negociar com os talibãs…Estranho.

As invasões ressuscitaram os mais tenebrosos pesadelos de séculos de cruzadas e colonialismos depositados no fundo da memória dos povos.

A violência das invasões criaram as condições para o crescimento da Al Qaeda e mais tarde do ISIS. Ambas as organizações se vêm caracterizando pela utilização da violência cruel e impiedosa. É da experiência histórica: a violência gera violência.

O ISIS decapita os ocidentais, uma crueldade que anuncia o terror do modo de existência e vida. Decapita vinte e um cristãos coptas egípcios por serem cristãos como sinal enviado aos crentes da cruz. Queima vivo o piloto árabe sunita. Crucifixa os apóstatas e crentes de outras fés em nome de uma suposta fé. Castiga homossexuais lançando-os do alto de certos prédios para a morte, a título de condenação penal. E corta as mãos e os pés aos ladrões, tal como faz a Arábia Saudita e outros países do Golfo, em relação aos “desgraçados” dos ladrões.

O Egipto não tardou a responder à carnificina e sua força aérea foi bombardear o ISIS na Líbia.

A tribo do piloto jordano e altas autoridades religiosas sunitas reclamam a crucificação dos dirigentes do ISIS.

O rei da Jordânia mandou de imediato enforcar dois jiadistas.

Já não é o choque de civilizações. Já é a guerra dentro de cada civilização. A violência e a morte como modo de reinar.

O mundo assiste a esta escalada de desnorte louco e parece nada fazer.

Na liberal e democrática Dinamarca um dinamarquês, seguidor do jiadismo, atirou a matar sobre participantes num colóquio sobre liberdade de expressão, a propósito do assassinato dos jornalistas do Charlie Hebdo e mais tarde sobre gente que estaria numa sinagoga.

Netanyahu aproveitou o sucedido e já apelou aos judeus para irem para Israel oferecendo-lhes segurança…

Na também liberal e democrática Noruega o partido no poder quer punir os que ajudem os sem- abrigo com penas de multa e prisão.

Salazar já legislara punindo os pedintes, proibindo-os de pedirem, ao que o poeta Joaquim Namorado, num brevíssimo poema afirmava que se podia proibir mendigar, mas não se podia proibir ser pobre…

Agora a liberal e democrática Noruega vai mais longe: pune quem dê esmola… Para onde vamos?

Na fronteira da Ucrânia, apesar do cessar- fogo, acumulam-se nuvens negras e ninguém ao certo sabe o que por lá irá acontecer.

Os que querem obrigar a Grécia a ajoelhar-se e continuar a viver sem a menor dignidade são europeus, todos eles muito cristãos…Não se pode negar aos democratas cristãos alemães a patente que ostentam.

Samuel Huntinghton tinha previsto o choque de civilizações, mas pelo rumo dos acontecimentos o que está a em cima da mesa é já o choque dentro de “cada civilização”, embora sob o pano de fundo do choque global.

A ideia que os países mais fortes podem dominar os mais fracos está a incendiar diversas regiões do globo.

A vaga neoliberal está a conduzir a Humanidade para o precipício ao arvorar o individualismo como valor único e supremo em detrimento dos valores de pertença à comunidade, da solidariedade social e da justiça social, instituindo o da luta feroz entre os cidadãos como modo de vida.

O rastilho está a espalhar-se. Quem matou Isac Rabin foi um judeu!

Quem matou os jovens noruegueses numa ilha da Noruega foi o cristão norueguês Anders Breivik!

Quem matou doze jornalistas do Charlie Hebdo foram dois franceses.

Quem queimou vivo o piloto sunita jordano foram os muçulmanos do ISIS!

Quem matou na Dinamarca era dinamarquês!

Parece que  o homem se tornou o lobo do homem e que o destino da Humanidade será viver sob a violência pura e dura. O que estão a fazer os cidadãos de bem? É preciso agir, antes que seja tarde.

O Irresponsável

É preciso ser muito irresponsável para perder o respeito total ao cargo que desempenha. O homem que ocupa o mais alto cargo da Nação resolveu fazer figura de líder da coligação governamental e vir a terreiro atacar a Grécia e defender ao milímetro (como sendo sua) a política do governo Coelho/Portas.

Todos à uma, Passos, Portas, Cavaco, M. Luís, ao ataque, cheios de medo, não vá a Grécia conseguir demonstrar que não é com empobrecimentos e miséria que se resolve o problema dos países endividados que tanto lucro dão aos bancos e aos países como a Alemanha que nunca exportou tanto para Portugal como em 2014.

Apavorado pelo desastre que pode ter a coligação de que se arvora em mandatário vem manipular a opinião pública portuguesa do alto da cátedra afirmando que Portugal reembolsou o FMI como se tivesse liquidado a dívida. Portugal trocou de credor naquela parte da dívida.

Portugal vai pagar ao FMI com dinheiro obtido por empréstimo junto de outras instituições.

É ainda de uma cruel irresponsabilidade perante o país, o povo português, não aproveitar a corrente que se está a criar para obter melhores condições sobre as condições de pagamento da dívida do país…

Só uma ideologia estreitíssima ou algum plano futuro podem dar sustento a estas invetivas dos governantes portugueses.

O que os faz esfarraparem-se pela defesa dos interesses dos credores esquecendo-se dos pobres dos portugueses?

A resposta é demasiado óbvia.

Como pode um homem cujos amigos que ocuparam os mais altos cargos na banca e nas instituições causarem tão graves danos à economia nacional, atacar o povo grego por querer viver com a dignidade que a direita e o PASOK gregos lhe negaram?

É um homem perdido, obstinado na defesa dos filhos pródigos do CDS e PSD.

As suas declarações contra a Grécia constituem um marco na arte de ofender um parceiro no quadro da União Europeia. Nem a Alemanha foi tão longe.

Os papistas como Aguiar Branco, M. Luís, Portas, Coelho e Cavaco, em pânico, cuidando de si e do seu futuro, passam à frente dos credores e colocam-se na primeira fila para que deles não se esqueçam pelos serviços prestados. Grandes homens! Grande mulher!

Sem um Pingo de Dignidade

Diz, do alto da sua capacidade propagandística o Vice, que Portugal não é a Grécia. Pudera, claro que não é… Ninguém o tinha dito, mas ele quis sublinhar aquela ideia na véspera do Conselho Europeu para discutir a Grécia.

Quis que a Maria Luís chegasse a Bruxelas e ficasse nítido para algum distraído que Portugal não é a Grécia. Para que não restem dúvidas vai pagar uma parte substancial do empréstimo do FMI, tirando partido da taxa de juros de acesso ao Olimpo, perdão, aos mercados…

Mas estes patriotas não querem confusões, para eles pagar é um ponto de honra, custe o que custar, como diz o Primeiro.

Há, porém, um problema a ter em conta: não são eles que pagam, é o povo, e daí o à vontade em falar pela carteira dos outros.

Se a Grécia bate o pé aos credores cujo programa deixou o país na miséria, aí vão os meninos bem comportadinhos fazer queixa dos colegas e acusá-los aos credores…dando um passo à frente com o reembolso ao benemérito FMI que certamente não se esquecerá de ter em conta esta eficiência em servi-lo…

É esta espécie de governantes que nem sequer é capaz de ter um pingo de dignidade e tirar partido da luta da Grécia para levantar a coluna e mostrar que são portugueses. Não se trata como diz o fala- barata de alinhar ideologicamente com o Sirysa, mas sim de aceitar reunir com todos os países que têm o problema das dívidas soberanas a fim de tentar encontrar soluções favoráveis para todos. A subserviência não dá para tanto. O chanceler austríaco deve ser grego. E o francês pode andar lá por perto…e o italiano, apesar de tudo.

A Grécia já tem quem a defenda, finalmente.

Portugal ainda não.

Costa que se cuide e tenha sempre presente que Portugal não é a Grécia mas o PS pode vir ser como o PASOK, como tem sido…

À Uma

O país esbanjador, com cidadãos piegas, acomodados, habituados às facilidades do Estado Social, tinha de mudar custasse o que custasse, dizia Passos Coelho. Afinal os portugueses tinham dado cabo da saúde financeira do país, disse ele com ares de indignação.

E zumba: professores, médicos, enfermeiros, bolseiros, funcionários públicos, magistrados judiciais, empresários, agricultores, pescadores, comerciantes, todos apertados no torniquete da austeridade.

Na cruzada contra os excessos de vida acima das possibilidades ficou de imediato claro que os responsáveis pelo sistema financeiro ficavam de fora, pois esses homens são de outra estirpe, a dos intocáveis.

A derrocada dos bancos não foi obra dos Jardins, Oliveiras e Costa, Salgados, Dias Loureiros e companhia, que viviam como verdadeiros paxás e gastando o que não era deles, mas sim dos que recebiam os seus vencimentos e rendimentos e aplicavam-no como entendiam, muitas vezes seguindo os insistentes conselhos dos gestores bancários. Assim proclamavam os governantes.

Passos, Portas, Maria Luís, chefes de fila da cruzada neoliberal, atiraram-se aos portugueses, confiscando-lhe parte dos vencimentos.

Fizeram-no, na melhor tradição inquisitorial, alegando que procediam para assegurar o bem das vítimas, daí a satisfação com que se atiraram à obra e o desvelo encantatório com que vão contemplando o resultado da cruzada.

Passos, Portas, M. Luís, à uma, mais o íncola de Belém, apregoam que o país está bem, mas a gripe sazonal de inverno, mais que esperada, fez parar as urgências dos hospitais e alguns portugueses vão morrendo ao fim de horas sem serem atendidos…

À uma trombeteiam o seu contentamento pelo novo estado do país, mas uma em cada três crianças está no limiar da pobreza…

À uma arreganham a tacha de satisfação pelo país que merece o crédito dos credores, mas não há vacinas para a tuberculose…e a dívida passou de 97% para 135% do PIB.

Dão ares de muito sérios pois que não querem que os portugueses paguem os prejuízos da TAP e querem vendê-la aos privados que sabem gerir, como se viu nos bancos nacionais e internacionais. Estes privados não são como meros bufarinheiros que todos os dias são confrontados com os compradores do seu produto; não se sabe quem são, sem rosto, mas podres de ricos…

A caminho de Pequim, Bruxelas, Berlim, Washington, Luanda, Dubai, Riad, oferecendo o país aos mandarins.

À uma, todos eles, enfarpelados nos seus fatos escuros ou negros, com um minúsculo emblema de um país que chora a sua tristeza, zurzem o chicote da austeridade, pois o tempo segundo o sacerdote máximo de Belém, não está para facilidades… e convém lembrar aos mais distraídos e fazer notar aos credores com quem podem contar.

À uma, anunciam reformas laborais que nunca mais acabam e que significam sempre mais sacrifícios para os que trabalham, a tal ponto que parece existir o objetivo de acabar com o Código de Trabalho e deixar o mercado regular as relações entre o empregador e o empregado … a bem da concorrência e emprego a custos mínimos e lucros máximos.

À uma, sem desfalecimentos, dando golpes profundos no Estado Social e de Direito Democrático, erguendo um novo Estado mínimo sem gorduras, que deixe à larga e sem leis os donos do dinheiro.

Todos limitando a capacidade do Serviço Nacional de Saúde a pontos dos responsáveis hospitalares terem de confiscar as macas dos pobres dos bombeiros…

À uma, atiram-se ao Syriza e convocam a Grécia a continuar de calças arriadas e continuar a política de miséria e fome que varre o país como se as eleições não servissem para nada; contando mais o lucro dos credores que a vontade soberana do povo grego.

Do alto da arrogância de garnizé Passos Coelho invetiva a Grécia a pagar, como se Portugal não fosse o que é: um país com uma colossal dívida a necessitar de ser renegociada. Renegociar – palavra terrível para ele, Maria Luís, Paulo e Aníbal. Palavra de esperança para os que querem viver numa União e não num conglomerado de países submissos ao novo Reich.

Há quem diga que tudo isto tem a ver com o seu futuro e para ajeitarem a vidinha. É o que dizem…

Diz Com Quem te Incompatibilizas, Dir-te-ei Quem És

Não há dúvidas. A Sra Ministra corta a direito. Com a sua espada refulgente ataca os veradores municipais que deixam de poder ser advogados…Sem dó, nem piedade. É bom de ver que um advogado que seja vereador no Funchal pode influenciar um processo que corre os seus termos em Vila do Bispo, por exemplo. E um deputado municipal no Alandroal , se for advogado tem uma influência considerável num processo que corra em Lisboa. Claro. É da experiência comum. Um vereador no Município de Celorico da Beira, se for advogado, na Comarca de Faro é um sério problema quanto ao seu poder de influenciar o tribunal. Toda a gente sabe isso…  O que ninguém sabia e passou a saber é que a espada da Sra Ministra estremece quando se aproxima de S. Bento. Aí estão deputados que pertencem a grandes escritórios …daqueles que ela e outros membros do governo contratam, assim como as grandes empresas deste e doutros países… Aí é que a porca torce o rabo e Ministra torce a vontade e deixa aqueles que fazem as leis do país a fazê-las porque, como é evidente, quem legisla não tem o menor poder de influenciar. Não há dúvidas, depois do Mapa Judiciário a Sra Ministra tinha de revelar ao que veio… diz-me com que te incompatibilizas, dir-te-ei quem és.

Rastejantes

Depois da vitória do Siryza na Grécia, esforço que Passos Coelho alardeia, nas mais diversas circunstâncias, no sentido de garantir que o Estado português cumprirá com os compromissos assumidos com os credores internacionais é exemplar quanto à natureza da política subjacente.

Quem assim procede, colocando acima dos interesses dos portugueses os dos credores, é o mesmo que em relação aos credores portugueses do Estado português fecha os olhos aos incumprimentos gravíssimos do Estado contribuindo de modo decisivo, muitas vezes, para a falência de inúmeras empresas portuguesas e a ruína e insolvência dos cidadãos que não recebem, esperando largos meses e anos.

Passos, certamente por motivos para ele da mais alta importância, comporta-se como um credor da Grécia, bem sabendo que não o é, tendo plena consciência que em Portugal o que fez foi passar a dívida de cerca de 97% do PIB para 134%.

O que o move? O medo de não ter sido capaz de levantar a cerviz e de passar os quatro anos de governo a rastejar em direção à chancelerina.

As ordens dos donos da Europa são para Passos e Portas mais importantes que as promessas eleitorais e os próprios interesses nacionais.

Além do medo de ficar, para sempre na História, de cócoras, há também a perceção de que os resultados eleitorais serão desastrosos para si e a sua coligação.

Ora o PPD/PSD, por tradição, não tem contemplação com os vencidos.

Para manter a sua enorme clientela de empregados nos mais diversos braços do Estado precisa do poder, que deixará de ter.

Passos necessita de outros voos; não lhe bastará ser presidente de uma espécie de Tecnoforma; os seus voos são muito mais altos.

Sabe-se, intui-se, que a corda que o levará a esses voos será da mesma natureza da que sustenta os Arnauds, os Moedas, os Gaspares e os Relvas.

A luta ao lado da Alemanha para a Grécia pague como os credores querem; a recusa em participar numa conferência com a Itália, Irlanda, Espanha e Chipre só mostra que Passos e Porta dão mais cuidado à relação com os credores do que com os portugueses.

Não são os governantes que em nome do povo que os elegeu defendem os interesses dos seus representados junto dos credores internacionais; são governantes que defendem os interesses dos credores internacionais contra a dignidade dos portugueses e de Portugal. E que fazem eco das ameaças dos credores. Acompanhados pelo homem que está no Palácio de Belém.

A(o)o Seis Menina(o)S a a Virgem de Medgugorje

 

Em Medgugorje, terra da Bósnia, de maioria muçulmana, a virgem Santa Maria, num monte íngreme surpreendeu Vicka, Ivanka, Ivan, Mirjana, JaKov e Marija… Apareceu-lhes… Não como quem aparece, mas aparecendo mesmo. Dizem os seis, mais três que os de Fátima.

O padre que os ouviu ficou com a certeza da aparição porque os seis, separados um por um, contaram a mesma estória acerca da aparição.

A virgem escolheu o Yakov para todos os anos no dia 24 de Dezembro lhe transmitir uma mensagem. E transmite. E um grande santuário assinala a aparição…o monte das aparições.

Num Cristo de braços abertos é possível, dizem, a quem for crente de verdade ver-lhe lágrimas a rolar pela face de cobre….de pena pela humanidade.

Em Medgugorje na Bósnia de maioria muçulmana católicos de todo o mundo vão ouvir a mensagem que Yakov tem para lhes transmitir, por sua vez transmitida pela virgem…

O Vaticano não reconhece o milagre, mas a Igreja reconhece e, por todos os cantos, multiplicam-se as casas, os hotéis, as pensões, os quartos para alugar e as lojas com produtos pechisbeques… enfim, o negócio instalou-se.

Dizem os católicos da Bósnia que pelo menos um milhão de católicos de todo o mundo vão a Medgugorje adorar os meninos e a Virgem.

Não sei o que pensarão os muçulmanos da Bósnia, mas não é difícil adivinhar.

A concorrência a Fátima é enorme; mas a verdade é que Medgugorje está na primeira linha do choque de civilizações. Fátima é um santuário estabilizado onde os papas já estão habituados a viajar.

Imaginemos o aparecimento de Alá a seis meninos nas Caldas da Rainha…

Em Belém no Presépio Mora a Dívida

Não tem emenda. Sofre de enfermidades apontadas pelo Papa Francisco, sobretudo duas delas: os que ocupando altos cargos se julgam únicos e os que protegem os interesses de um círculo fechado.

Do alto da sua magreza intelectual e do seu devoto apoio ao governo manifestou o seu apreço pelo quão difícil é governar, sem uma palavra para os governados.

Os votos do homem vão para os de cima; os de baixo que se amolem pois vão ter de aguentar mais uns anos de sacrifícios.

Os de cima deverão impor essa austeridade sem fim à vista e os de baixo agradecer-lhes essa responsabilidade.

É que o homem acha que a credibilidade de Portugal vem do que os mercados considerarem ser bom para eles.

E como não se pode adorar dois deuses, como diria Francisco, o Papa, ele escolheu o deus dos de cima, os do mercado.

Este homem para além de um conjunto notável de lugares comuns que rivalizam com o Tomás acha que as decisões devem ser tomadas com conhecimento de causa … brilhante!

Passos, Portas e M. Luís Albuquerque podem passar o Natal descansadinhos: em Belém no presépio não estará o menino Jesus. Em sua substituição estará para que ninguém se esqueça a dívida aos credores (aos mercadores que ele, o menino, expulsou do Templo). A ela se deverá adorar! Ah …e pagá-la.

O Monopólio dos Partidos, Democracia e Corrupção

Um dos grandes males de que padece Portugal é a desconfiança que se gerou entre o poder político exercido pelos partidos e a imensa maioria do povo.

Muitos fatores podem ter contribuído para a atual situação, mas o desempenho dos partidos contribuiu para essa desconfiança. A maioria da população não se revê no modo de atuar dos partidos existentes, especialmente os do chamado arco da governação.

Os partidos usam todas as artimanhas para se assenhorearem do poder e dele tirarem benesses para alguns dirigentes, o exército de militantes e simpatizantes.

Os escândalos de corrupção que alastram na sociedade entre altos dignitários dos partidos do tal arco da governação são mais um elemento de peso na desconfiança com que os portugueses encaram os partidos.

A queda do Dr Miguel Macedo e a detenção de José Sócrates são casos que, do ponto de vista político, cavam ainda mais fundo esse sentimento de desconfiança.

José Sócrates foi primeiro-ministro com mais de cinquenta por cento dos votos tal foi a empatia criada na população. É agora suspeito, o que é bem diferente de acusado e condenado.

A corrupção instalou-se no terreiro pátrio. Os negócios avançam se os investidores se chegarem à frente com a imprescindível “untadela” para os cofres do partido ou para os bolsos do “cobrador” caso o partido se distraia.

Para além disso os partidos prometem tudo e não cumprem quando se encarrapitam no alto do poder.

Aí chegados, uns atrás dos outros, fecham as persianas ao clamor dos de baixo e ligam as antenas para Bruxelas e para as grandes negociatas que lhes trarão depois da passagem pela política altos cargos dourados com vencimentos fartos.

A manterem-se estas características é previsível que os partidos que são um produto da História, deixem de ter o papel que tiveram.

Ninguém é dono de ninguém. Os votos entregues a quem os desbarata e atraiçoa o prometido vão fazer os semeadores de falsas ilusões pagarem um preço.

Não se pode crer que os “chico espertos” vão conseguir eternamente fazer o povo sentir-se lorpa e roubar-lhe o direito de cidadania.

Tal como já passou a fase da História em que só podiam votar os proprietários ou os homens ou os maiores de vinte e um anos, também é de esperar que não tendo os partidos merecido os votos dos eleitores, estes queiram acabar com o monopólio dos partidos concorrerem à Assembleia da República.

Percebe-se o incómodo dos partidos, mas a responsabilidade é deles por não terem sabido corresponder ao que deles o povo esperava.

Senhores de São Bento, são os seus exclusivos interesses que contam, como a vida vem demonstrando. Às vezes como se vê apenas os interesses de alguns dos seus dirigentes e quadros.

Se tal acabar, novos atores entrarão em cena, certamente imperfeitos, mas seguramente a criar mais possibilidade deste impasse se desbloquear.

O facto de os partidos após a revolução de Abril de 1974 serem os únicos a poderem concorrer às eleições parlamentares, tal não é uma bênção do Olimpo para todo o sempre. Em 1974 esse facto constituiu um avanço, agora está a servir de bloqueamento à possibilidade de encontrar alternativas ao pântano instalado.

Para reequilibrar o sistema de representação que conduz ao exercício de poder, os cidadãos devem poder concorrer às eleições para a Assembleia da República sem ser preciso estarem na lista de um partido.

Tal já aconteceu na Islândia, em que os cidadãos se puderam candidatar à Assembleia Constituinte para redigir uma Constituição.

Deverá ser o povo a escolher: cidadão candidato a deputado ou candidatos em listas de partidos políticos.

Os partidos são essenciais à democracia, mas não têm revelado capacidade para dar à República alternativas que impeçam que sejam os de baixo a carregar os poderosos à custa de escândalos sem fim.

Há muita gente honrada que não quer entrar em partidos e não quer formar outros. Daí que novos atores, provenientes dos movimentos sociais e da cidadania, devam poder entrar no Parlamento. As fórmulas encontrar-se-ão.

As Novas Divindades e a sua Fúria

Não sei até que ponto o velho ditador estava certo quando afirmava que em política o que parece é … É que há acontecimentos que parecem ir num certo sentido, mas esse parecer pode ser só aparência, pois vistos com mais cuidado o sentido é outro.

Parece que os mercados estão a acalmar a sua hostilidade para com Portugal. As taxas de juro nas diversas maturidades estão a baixar. Ao que se diz o governo que conduz o país para um empobrecimento generalizado está a portar-se bem aos olhos dos credores.

As novas divindades que tudo determinam, com faculdades omnipotentes e intocáveis, acalmaram face às oferendas recebidas.

Estão a fazer contas para assegurar que no futuro não lhe faltarão os meios para que sua fome incomensurável será saciada.

Quando Pizarro e Cortez chegaram aos confins do Império dos Maias depararam com os sacrifícios de humanos a deuses terríveis que acabavam por encher a barriga das então elites poderosas com proteínas que faltavam nos anos de seca.

Pizarro e Cortez não comiam as vítimas, mas faziam mais vítimas que os dirigentes maias.

Em 2014 as novas divindades que compõem o corpo invisível da divindade suprema, o mercado, também parece que gizaram um novo compasso de espera quanto à sua feroz inclemência.

Os sacerdotes que oficiam os seus rituais estão a pontos de merecerem serem chamados para ocuparem altas funções nas suas diversas divindades espalhadas pelo mundo.

Por outro lado as instituições da República são determinadas por eleições onde os eleitos devem emergir dos adoradores zelotas da grande divindade, daqueles que pugnam que aquela é a lei suprema que deve orientar toda a vida social, a lei dos mercados.

Há razões para ter em conta as próximas eleições e assegurar aos seus candidatos a vitória eleitoral.

Além disso o garrote já causou grandes estragos na vida dos(a) portugueses(a). Veio a fome para algumas centenas de milhar de cidadãos. Veio o desemprego. Os salários baixaram substancialmente. O acesso à saúde e ao ensino torna-se mais difícil. Portugal é o país da OCDE onde as despesas com a saúde mais caíram.

A desesperança tomou conta dos portugueses(a). A tristeza invadiu o coração da alma lusitana.

Faltam empregos e há muita gente qualificada a emigrar, que custou ao Estado investimentos apreciáveis.

Os governos instigados por essa divindade temerosa fizeram que todos se voltem contra todos, de modo a que governem sempre os mesmos ou os parecidos entre si.

Portugal à beira dos quarenta anos da revolução dos cravos transfigurou-se e tornou-se graças a Passos, Portas e Cª. um lugar onde todos estamos longe uns dos outros, num lugar inóspito de oportunidades e de calor cívico.

Só nos apontam o chicote a castigar-nos pelo infortúnio de termos acreditado oportunisticamente que pertencíamos ao clube dos ricos. Maria Luís Albuquerque ergue o cutelo e ralha: a vida não voltará a ser como era.

Fomos apanhados por mãos humanas na ratoeira desses deuses inclementes que governam o mundo.

Agora o que parece talvez não seja, desdizendo o velho ditador. O novo compasso de espera tem a ver com a fase da desregulação de toda a vida comunitária. Outra virá para continuar a sacrificar no altar do mercado novas vidas. Se até lá não houver um estremeção que faça dos novos dias uma madrugada de paz e esperança humanas.