As Novas Divindades e a sua Fúria

Não sei até que ponto o velho ditador estava certo quando afirmava que em política o que parece é … É que há acontecimentos que parecem ir num certo sentido, mas esse parecer pode ser só aparência, pois vistos com mais cuidado o sentido é outro.

Parece que os mercados estão a acalmar a sua hostilidade para com Portugal. As taxas de juro nas diversas maturidades estão a baixar. Ao que se diz o governo que conduz o país para um empobrecimento generalizado está a portar-se bem aos olhos dos credores.

As novas divindades que tudo determinam, com faculdades omnipotentes e intocáveis, acalmaram face às oferendas recebidas.

Estão a fazer contas para assegurar que no futuro não lhe faltarão os meios para que sua fome incomensurável será saciada.

Quando Pizarro e Cortez chegaram aos confins do Império dos Maias depararam com os sacrifícios de humanos a deuses terríveis que acabavam por encher a barriga das então elites poderosas com proteínas que faltavam nos anos de seca.

Pizarro e Cortez não comiam as vítimas, mas faziam mais vítimas que os dirigentes maias.

Em 2014 as novas divindades que compõem o corpo invisível da divindade suprema, o mercado, também parece que gizaram um novo compasso de espera quanto à sua feroz inclemência.

Os sacerdotes que oficiam os seus rituais estão a pontos de merecerem serem chamados para ocuparem altas funções nas suas diversas divindades espalhadas pelo mundo.

Por outro lado as instituições da República são determinadas por eleições onde os eleitos devem emergir dos adoradores zelotas da grande divindade, daqueles que pugnam que aquela é a lei suprema que deve orientar toda a vida social, a lei dos mercados.

Há razões para ter em conta as próximas eleições e assegurar aos seus candidatos a vitória eleitoral.

Além disso o garrote já causou grandes estragos na vida dos(a) portugueses(a). Veio a fome para algumas centenas de milhar de cidadãos. Veio o desemprego. Os salários baixaram substancialmente. O acesso à saúde e ao ensino torna-se mais difícil. Portugal é o país da OCDE onde as despesas com a saúde mais caíram.

A desesperança tomou conta dos portugueses(a). A tristeza invadiu o coração da alma lusitana.

Faltam empregos e há muita gente qualificada a emigrar, que custou ao Estado investimentos apreciáveis.

Os governos instigados por essa divindade temerosa fizeram que todos se voltem contra todos, de modo a que governem sempre os mesmos ou os parecidos entre si.

Portugal à beira dos quarenta anos da revolução dos cravos transfigurou-se e tornou-se graças a Passos, Portas e Cª. um lugar onde todos estamos longe uns dos outros, num lugar inóspito de oportunidades e de calor cívico.

Só nos apontam o chicote a castigar-nos pelo infortúnio de termos acreditado oportunisticamente que pertencíamos ao clube dos ricos. Maria Luís Albuquerque ergue o cutelo e ralha: a vida não voltará a ser como era.

Fomos apanhados por mãos humanas na ratoeira desses deuses inclementes que governam o mundo.

Agora o que parece talvez não seja, desdizendo o velho ditador. O novo compasso de espera tem a ver com a fase da desregulação de toda a vida comunitária. Outra virá para continuar a sacrificar no altar do mercado novas vidas. Se até lá não houver um estremeção que faça dos novos dias uma madrugada de paz e esperança humanas.

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