Rastejantes

Depois da vitória do Siryza na Grécia, esforço que Passos Coelho alardeia, nas mais diversas circunstâncias, no sentido de garantir que o Estado português cumprirá com os compromissos assumidos com os credores internacionais é exemplar quanto à natureza da política subjacente.

Quem assim procede, colocando acima dos interesses dos portugueses os dos credores, é o mesmo que em relação aos credores portugueses do Estado português fecha os olhos aos incumprimentos gravíssimos do Estado contribuindo de modo decisivo, muitas vezes, para a falência de inúmeras empresas portuguesas e a ruína e insolvência dos cidadãos que não recebem, esperando largos meses e anos.

Passos, certamente por motivos para ele da mais alta importância, comporta-se como um credor da Grécia, bem sabendo que não o é, tendo plena consciência que em Portugal o que fez foi passar a dívida de cerca de 97% do PIB para 134%.

O que o move? O medo de não ter sido capaz de levantar a cerviz e de passar os quatro anos de governo a rastejar em direção à chancelerina.

As ordens dos donos da Europa são para Passos e Portas mais importantes que as promessas eleitorais e os próprios interesses nacionais.

Além do medo de ficar, para sempre na História, de cócoras, há também a perceção de que os resultados eleitorais serão desastrosos para si e a sua coligação.

Ora o PPD/PSD, por tradição, não tem contemplação com os vencidos.

Para manter a sua enorme clientela de empregados nos mais diversos braços do Estado precisa do poder, que deixará de ter.

Passos necessita de outros voos; não lhe bastará ser presidente de uma espécie de Tecnoforma; os seus voos são muito mais altos.

Sabe-se, intui-se, que a corda que o levará a esses voos será da mesma natureza da que sustenta os Arnauds, os Moedas, os Gaspares e os Relvas.

A luta ao lado da Alemanha para a Grécia pague como os credores querem; a recusa em participar numa conferência com a Itália, Irlanda, Espanha e Chipre só mostra que Passos e Porta dão mais cuidado à relação com os credores do que com os portugueses.

Não são os governantes que em nome do povo que os elegeu defendem os interesses dos seus representados junto dos credores internacionais; são governantes que defendem os interesses dos credores internacionais contra a dignidade dos portugueses e de Portugal. E que fazem eco das ameaças dos credores. Acompanhados pelo homem que está no Palácio de Belém.

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