As Sereias e o Barco para São Bento

Afinal as eleições só servem se vencerem os mesmos de sempre; se por acaso os eleitores votarem em partidos que não são os mesmos de sempre as eleições são um perigo…para as Bolsas.

Os mesmos de sempre que ridicularizaram o PS ad nauseam com o rótulo de despesista, que o atacaram de todas as formas e feitios num único sentido: esbanjador em contrapartida com os poupadinhos e salvadores compungidos por serem obrigados pelo PS a impor tão grandes sacrifícios naquela atormentada voz de V. Gaspar (agora no FMI, porque será?), são os que agora vão a correr pedir batatinhas clarificadoras ao partido de todas as maldades esbanjadoras….Já não ameaçam que vem aí o Costa, agora vão implorar ao Costa que os deixe continuar a governar. Vejam bem a vitória que tiveram – estender a mão a pedir ao PS que os deixe governar e amaldiçoar um eventual governo saído dos três partidos que se opuseram com bases diferentes ao governo Passos/Portas/Cavaco.

O que está em causa é a própria democracia a saber: para que servem as eleições? Se as eleições servem para que os deputados encontrem entre si o governo ou se os governos se “pré-fabricam” independentemente dos resultados eleitorais?
Basta olhar para as primeiras páginas dos jornais e para a abertura dos telejornais para se ficar com a impressão que a Bolsa de Lisboa vale mais que a vontade popular expressa em votos livremente de acordo com os mais altos critérios democráticos europeus.

Mas não só. Faltava o arcebispo de Leiria que não tendo conseguido o milagre eleitoral de ver a PAF ganhar veio em plena peregrinação a Fátima misturar política com religião amedrontado mas amedrontando com a cavaquista estabilidade…deve ser por causa do devoto Portas.

Andam destrambelhados com a ousadia dos eleitores. Não aceitam o veredito. Clamam pelos papás para virem em socorro:- mercados, bolsas, FMI, CiPs e até veja-se bem o Senhor Carlos Silva…logo desautorizado pelos colegas de direção.
Num país obrigado a passar dificuldades, castigado com tanta desgraça, espalhado pelas ruas do mundo onde vai encontrando trabalho mais ou menos digno, a direita ameaça servindo-se dos interesses da alta finança a quem presta vassalagem.

Só que há em todos os povos momentos em que as vontades se juntam e se fazem fortes. Quase sempre quando os líderes sabem-no ser como foi o caso de Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. Que António Costa faça como Ulisses e não seja tentado pelas sereias que o arrastarão para a insignificância política; que as suas músicas fiquem no fundo do mar. Que a valentia vença o medo. Que o barco se faça ao mar e chegue onde deve chegar. A São Bento.

Os Destrambelhados das Eleições

O que é em termos constitucionais e parlamentares (é no parlamento que se aprovam governos) o partido mais votado?

É o partido que o PR poderá indigitar para formar governo…Porém sabendo-se que o partido mais votado prometeu governar com o seu parceiro e se ambos não só tiverem maioria na AR , como perderam quase setecentos e quarenta mil votos manda a mais elementar regra de prudência e respeito pela vontade popular que se possam encarar outras soluções.

Em democracia por muito que custe a certos “democratas” as maiorias ou minorias formam-se na AR e não nas televisões ou nos jornais.

Se os deputados de éne partidos convergirem para formar um governo é a democracia a funcionar em pleno. Foi o que o povo decidiu.

O morador de Belém, o que sabe tudo, pediu uma maioria absoluta. O povo virou-lhe as costas.

O morador de São Bento esfarrapou-se a pedir a tal maioria que lhe permitiria fazer o contrário do que prometeu. Foi o que se viu.

António Costa não se fez rogado e pediu o mesmo. Ficou em segundo lugar. Pode ser que compreenda que um voto é útil ou não de acordo com a opção de quem vota.

Se fossem apenas úteis os votos no tal famigerado arco da governação o país era governado sempre pelos mesmos, seria uma coutada (tem sido) destes predadores e a vida política seria usurpada pelos donos da política que se governa.

Os resultados eleitorais para os grandes ilusionistas foram uma coisa no Domingo à noite e outra coisa na Segunda de manhã.

Os canais televisivos estão inundados ad nauseam de especialistas na arte de defender o status quo que não pode mudar; está-se mesmo a ver o porquê.

Há um que como político foi sempre um derrotado, mas a opinar é uma maravilha, sobretudo quando o comentário lhe vai permitir chegar a terreiro em circunstâncias que nunca nenhum político teve. É um homem acima de todos os outros, na televisão…

Os outros na sua esmagadora maioria são escolhidos para abençoar a ladainha oficial do género: vivemos acima das nossas possibilidades, estamos a recuperar, vem aí o crescimento, o que eles querem é a desgraça do país, o despesismo tem de acabar…Entra um e sai outro, sai um entra outro…a musica sempre do mesmo lado.

No fundo estão de tal modo fechado no seu mundo de ilusionistas que não conseguem sair dele.

Não conseguem por exemplo fazer este raciocínio simples, próprio de uma criança da segunda classe: os votos do PS, mais os votos da CDU, mais os votos do BE são suficientes para formar um governo e os votos do PSD e os do CDS não chegam.

Ficam aterrados com esta possibilidade. Destrambelhados. Insurgentes. Ameaçadores. Convocam a troika. Bruxelas. O quartel geral da NATO. O euro. O BCE. Até a mentira ao ser alegado que o PCP nunca esteve no governo. O disparate ou a perfídia?

O PCP esteve no governo e naquela altura nunca colocou a saída de Portugal da NATO, eram os EUA que davam sinais de chantagear Portugal por causa desse tema.

Na Itália de Aldo Moro e Berlinguer  em que a DC tinha pouco mais de dois por cento de votos que o PCI( ambos na casa dos trinta porcento) era o PSI de Betino Craxi quem era chamado a formar governo e indigitado para Primeiro-Ministro e tinha cerca de oito a dez por cento. Na Finlândia o chefe do governo não pertence ao partido mais votado.

Não se sabe o que vai acontecer nas próximas reuniões entre o PS e os outros partidos; o que é certo é o seguinte: há uma maioria de partidos que na campanha eleitoral se opôs à austeridade levada a cabo pelo PSD e CDS.

Apesar do poder mediático perderam a maioria e quase setecentos e quarenta mil votos. O facto de o PSD ficar à frente do CDS não pode esconder o desastre do CDS e da coligação. Esta realidade não é uma ficção, existe, é assim, tal e qual, por mais que esperneiem.

Seria uma traição aos resultados eleitorais o PS mudar de campo e passar para o campo governamental.

Num país de medos gerados pelo poder e ampliados pelos canais televisivos envelopados na mais requintada estupidificação, seguindo o velho comando do império romano – pão e circo, mais futebol, mais telenovelas e mais uns tantos concursos a ver quem é mais capaz de coisas alarves, os donos da verdade sem contraditório estão em estado de choque só de vislumbrarem que o que nunca deveria acontecer pode vir a acontecer.

Nem sequer são capazes de compreender que se vier a acontecer uma nova maioria é na casa da democracia, na Assembleia da República, onde pelo se atordoamento não logram reconhecer que é a mais das naturais consequências das eleições.

Anda um espetro a percorrer os caminhos de Portugal. A democracia a funcionar. O seu funcionamento deixa em mal estado alguns dos espíritos dos mais “famosos” das nossas televisões e jornais. Que lhes passe a enfermidade.

Nos Céus da Síria

A entrada em cena da Rússia na Síria bombardeando o E.I e outros grupos terroristas deixou alguns países ocidentais em estado de choque.

O que para eles parecia coutada sem controlo à vista, afinal tornou-se algo bem diferente. E não foi só no Ocidente; na Arábia Saudita e na Turquia os dirigentes destes países entraram em sobressalto.

(Continuar a ler no Público Online)

Os Resultados Eleitorais e a Necessária Convergência à Esquerda

Há qualquer coisa de inatingível na vida política portuguesa apesar das e dezenas e dezenas de comentadores e “explicadores” da realidade.

O PSD há quatro anos obteve 108 deputados e o CDS 24, o que somados deu 132.

Nestas eleições o PSD e o CDS juntos tiveram 99 deputados. Juntando os 5 da Madeira do PSD ficam com 104 deputados. Feitas as contas juntos o PSD e o CDS alcançaram o resultado do PSD sozinho, a diferença é um deputado…

Expliquem-me onde está a vitória…O que havia em Portugal era uma maioria de direita que deixou de existir… Apesar da abstenção recorde a direita perdeu 738.301 votos.

Passou a haver uma maioria dos partidos que estavam contra o governo: PS, PCP e BE… Onde está a vitória? PSD e CDS perderam a maioria absoluta que tinham, não obstante o apoio da Alemanha, da União Europeia, das agências de notação e tutii quanti…

O PS todo glutão queria a tal maioria absoluta e para tanto jogou na velha questão do voto útil. O resultado foi sair chamuscado.

Nem Costa, nem Cavaco, nem Passos tiveram a tal maioria. O povo português não quis que nenhuma das forças tivesse maioria absoluta e percebe-se porquê depois destes quatro anos.

Os resultados eleitorais deram, pois, uma maioria clara aos partidos que se posicionaram contra a austeridade. Os ilusionistas, desde Schäuble a Passos, proclamam de cima dos mass media que a política austeritária ganhou, o que para quem olhar para os números só pode concluir que se trata de um enorme embuste.

O resultado espetacular do BE é um alento para tod@s @s que querem encontrar uma alternativa.

O BE e Catarina Martins corrigiram o eixo e mostraram um conhecimento, uma disponibilidade e uma abertura que foi reconhecida pelos eleitores. De certa forma veio confirmar que quem está em quarto ou quinto lugar pode passar para terceiro, sem fanfarronices.

Os resultados, por outro lado, confirmam a existência de um largo campo da esquerda a partir do PS e que pode crescer.

A grande questão é esta: face à unidade da direita é possível a esquerda unir-se?

Se a esquerda – PCP, BE e muitos independentes de esquerda se fossem capazes de unir eleitoralmente o efeito desta unidade ultrapassaria em muito a força destas formações e criaria uma nova realidade capaz de alcançar um resultado para além dos vinte e cinco por cento e ser um factor de pressão sobre o PS a ponto de o poder puxar para uma alternativa sob pena de se poder vir a transformar num PASOK, tal é o afastamento do PS da matriz social-democrata.

Bem vistas as coisas os programas do PCP e do BE, nesta fase e para a atualidade, giram em torno dos mesmos valores que são os pilares do Estado Social.

Há denominadores comuns amplos entre o PCP e o BE para do ponto de vista eleitoral justificar que termine o estado da adolescência e entrem na idade adulta.

A direita foi capaz de o fazer, apesar das múltiplas diatribes de Portas, bem conhecidas de Cavaco, Marcelo, Durão …

A direita tem nos seus interesses uma grande capacidade para se defender.

Este polo eleitoral à esquerda a criar-se pode ir muito para além do BE e PCP dada a existência de ativistas noutras formações e independentes.

Não se pode aceitar que as diversas esquerdas à esquerda do PS não possam convergir eleitoralmente. Que desígnio é este que não possa ser suplantado por via do imperativo democrático e patriótico?

Será seguramente muitíssimo difícil, mas o destino deste país exige a coragem e a inteligência para rasgar perspetiva e libertá-las de um certo acantonamento.

Se o BE, por ter tido um bom resultado eleitoral, se sentir totalmente satisfeito e não for capaz de compreender a importância desta convergência eleitoral necessária até poderá aumentar mais uns pontos, mas o poder continuará nas mãos dos partidos do arco do governo.

É preciso que nesta área das esquerdas haja um reforço eleitoral de vulto que aliado à pressão popular altere substantivamente a correlação de forças com o PS.

Há muitos cidadãos para além do BE e do PCP e do Livre que aspiram a encontrar essa convergência eleitoral forte de esquerda capaz de rivalizar com o PS, capaz de alcançar uma meta acima dos vinte e cinco por cento.

Se o PS não a tiver em conta correrá riscos de perder muita da influência que tem, tal como ocorreu na Grécia com o Pasok. A simples existência dessa possibilidade obrigaria o PS a infletir à esquerda ou mantendo o atual rumo a perder cada vez mais influência dado que as suas propostas não são muito diferentes das defendidas pela direita liberal no poder.

Ao mesmo tempo se o PS se não diferenciar de modo nítido do PSD e do CDS abre-se ainda mais o espaço para este espaço acima descrito.

Este é desafio: ficar contente e ficar imobilizado ou ser exigente e partir para a exigência democrática de ser capaz de forjar uma alternativa, convergindo e criando um forte polo eleitoral com base no BE e PCP e outros, mantendo naturalmente cada partido a sua identidade.

Este será o modo de eventualmente poder trazer o PS para o lado das políticas contra a austeridade e implementando políticas de crescimento e desenvolvimento nacionais, gerando empregos dignos e esperança para este país cansado de tanto malabarismo para defender os interesses de uma ínfima minoria.

Continuar cada qual encastelado a proclamar todas as suas virtudes e deixar que a direita e a vaga neo liberal vá empobrecendo o país é um suicídio a prazo que as gerações futuras não perdoarão. Mesmo que proclame que está contra. Não chega. É preciso juntar forças e força para mudar o rumo. Não se pode fugir a essa realidade por mais “justificações” que se arranjem.

Que cada um assuma a responsabilidade histórica de sair deste marasmo em que PS, PSD e CDS vão ditando as suas leis de ataques aos direitos de tod@s  quant@s trabalham e comprometendo o país num colete de forças que o leve a ter um papel marginal dentro da U.E. por muitos e muitos anos.

Há que começar agora porque o que aí vem é a continuação da mesma política com a agravante de a todos os momentos a atual maioria existente vir a ser chantageada por não deixar a minoria no governo impor a sua lei de chumbo contra os portugueses e Portugal.

Cavaco Fechou-se para a República

Há cento e cinco anos o povo português virou uma página memorável e das mais heróicas: acabou com o regime monárquico.

Portugal abraçou a causa republicana e juntou-se ao que na altura representava o mais avançado em relação à participação popular na eleição da figura que constitui o vértice do Estado.A revolução republicana foi saudada em toda a Europa.

Foram precisos cem anos para que o governo defensor a todo o custo dos credores internacionais acabasse o feriado de 5 de Outubro. Alegou para tanto que vivíamos acima das possibilidades e era preciso trabalhar mais. Como se não houvesse outros meios de fazer valer este desígnio.

O ataque ao 5 de Outubro foi mais uma lança cravada no edifício das instituições republicanas visando apagar a memória dos feitos populares.

Atacou um símbolo da unidade do povo português que levou à implantação da República: a comemoração popular desta grande data; era o mesmo que na França acabar com o feriado da tomada da Bastilha…

Como se não bastasse Cavaco Silva, o representante máximo da República, fechou-se para a República a sete chaves e ao que consta estará reunido com os seus íntimos a estudar como há-de fazer o que já sabia que ia fazer – dar posse a um governo que não só não tem maioria como perdeu votos e deputados a tal ponto que há quatro anos o PSD sozinho teve quase tantos votos como o PSD e o CDS nestas eleições.

O máximo representante da República preferiu ficar a cozinhar uma receita que esconde o carácter minoritário da coligação a estar presente na varanda da Câmara onde foi proclamada a República à população de Lisboa.
O homem que nunca errava, que não lia jornais, que sabe decidir com conhecimento de causa, que garantiu a saúde do BES, que deu golpes brutais na agricultura e nas pescas e afirma agora que o futuro do país está na agricultura e no mar, é exatamente o mesmo que antes das eleições já sabia o que ia fazer mas apesar de o saber alegou que não ia representar a República porque ficava em “casa” a estudar o que ia fazer.

Sempre teve fama de marrão o inquilino de Belém, mas trocar o estudo para uma “frequência” para a qual já sabia tudo e deixar de estar presente nas comemorações do 5 de Outubro é um ultraje à República.

É também uma forma de desvalorizar o regime republicano com a desculpa de que não pode perder uma ou duas horas por causa de um assunto que já tinha em mente tudo o que ia fazer.

Este homem é o político que mais tempo esteve no poder e apanhou todas as manhas da baixa política dando-se ares de figura acima de tudo e todos, querendo fazer esquecer que pelo menos os seus amigos de todos estes anos estão metidos em escândalos que um país decente já tinha esclarecido para bem da Republica.

A grandeza de Cavaco está nos ares a que se dá. Se lhe tirar os ares fica um provinciano de meia tigela convencida pela sua “entourage” que é alguém que não é.

É de todos os políticos aquele que mais se aproveitou da política dizendo banalidades a um povo cansado de tanta espera.

É bem um daqueles políticos que em linguagem bíblica se poderia designar como um santo bem pintado por fora e carunchento por dentro.

O coração de Cavaco não estava com o popular 5 de Outubro, mas com Passos e Portas e a política de prosseguir a austeridade imposta pela troika e os troikanos de cá. Ele tinha razão – precisava de saber dar a volta à coisa e untar bem untada a cozedura que por aí vem. Que Santo António Costa tenha tento e não prove o condimento.

Oiçam o papa Francisco! Oiçam!

O Papa é o chefe espiritual dos católicos na Terra. A sua palavra é infalível, dizem os crentes.

Li e ouvi em parte o seu discurso na Assembleia-Geral da ONU. Em muitos momentos do seu discurso senti-me irmanado nas reflexões de Francisco, o argentino que gosta de futebol e é Papa.

Disse em relação aos organismos financeiros internacionais…“devem velar pelo desenvolvimento sustentável dos países, evitando uma sujeição sufocante desses países a sistemas de crédito que, longe de promover o progresso, submetem as populações a mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência.”

Este alerta vindo de quem vem que eco terá nos inquilinos de São Bento e Belém?

E no líder do partido que se reclama democrata cristão?

Este trio que é um quarteto com Maria Luís acha que está a conduzir o país para mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência não se quer confessar e arrepiar caminho?

Quando falam como zelotas dos organismos internacionais sabiam o que o Papa pensava desses organismos que submetem as populações a mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência?

Pois se não sabiam ficaram a saber.

A população portuguesa está bem mais pobre e Portugal atrasou-se cerca de vinte anos, contudo estes crentes teimam em afastar-se das reflexões do Papa.

No fundo, bem no fundo, não é a primeira vez que alguém enxota os idólatras, os que na era moderna adoram o novo bezerro de ouro- o lucro dos todo-poderosos donos de tudo isto.

Poderão as palavras revestidas de mel e cheias de fel deste quarteto a favor dos credores dos organismos internacionais continuar como dantes, como se o seu chefe espiritual não tivesse dito o que disse?

Dito de outro modo: pode alguém ser bom católico desprezando ensinamentos tão importantes e proferidos no ”Parlamento” dos Estados de todo o Mundo, a Assembleia-Geral da ONU por Francisco? Aqueles que frequentam os templos de que Francisco é o chefe espiritual podem insistir nas políticas de pobreza e dependência dos seus povos?

Poder poderão. Enfrentam o seu povo e o seu chefe espiritual.

Gente Séria Também É Notícia

O Correio da Manhã colocou hoje com grande destaque o comportamento de um poveiro da Póvoa de Varzim, de nome, Fernando Pinto, que tendo encontrado uma carteira na casa de banho a devolveu à PSP.

A carteira tinha no seu interior, entre outras coisas, 400€.

O cidadão Fernando Pinto está em convalescença de uma operação a um tumor maligno e recebe o rendimento mínimo de inserção, cerca de 220€, segundo a notícia do CM.

Na primeira página do CM ele foi a segunda notícia com maior destaque, ultrapassando o destaque dado a Sara Sampaio que apresentou sensual uma nova lingerie de arrasar.

As notícias de gente séria num país cheio de corrupção são a certeza, que cada um tem no seu íntimo, de haver muita gente séria. Só faltam as notícias.

Um abraço com votos de boa saúde deste poveiro para o poveiro da notícia.

Ai Portugal Tão Mal, Tão Mal.

O homem chorava. Era um choro de infortúnio. Tinha trabalhado a vida inteira e…” não tinha dinheiro para comprar nada …”.E chorava. Estava num lar de idosos; o filho pagava diferença porque a reforma mínima não dava.

Passos Coelho, sem gravata, explicava-lhe que não podia fazer mais, o Estado tinha que assegurar o futuro dos reformados…O homem chorava e lamentava a sua sorte. Passos Coelho insistia que agora não podia fazer mais, mas no futuro iria ser diferente e insistia. Insistia. Insistiu. O poder sabe o que pode, até quando visita um lar de idosos.

O homem meio a chorar, meio refeito do seu choro, não esperava tanta explicação. Só estava habituado a não poder comprar nada. Agora entrara-lhe o primeiro-ministro em pose de líder do PSD a garantir-lhe que não podia fazer mais agora. Só no futuro.

O homem que tinha trabalhado a vida inteira e não tinha nada e não via futuro, não queria aborrecer o Doutor Passos que não podia fazer nada.

Terá dito em voz surda para dentro do seu infortúnio: se eu o pudesse ajudar a fazer qualquer coisa…

Mas o homem que não podia fazer nada para o bem do homem que chorava sabia que podia receber o que queria. Por isso sabia ao que ia. E lá foi rumo a outros pontos da campanha.

ESVAZIAR O PAÍS

Segundo o relatório da OCDE, hoje divulgado, entre 2011 e 2012 emigraram 105.000 portugueses, mais 5000 portugueses que a população de Viseu que em 2011 tinha cerca de 99.000 habitantes.

É como se a cidade de Viseu ficasse abandonada…Sem ninguém.

Esta é uma das façanhas do governo que quer continuar a esvaziar cidades de Portugal como há muito não se via.

Alguma vez antes das eleições o governo prometeu esta obra? Agora já se sabe do que é capaz.

A ROUBALHEIRA

Hoje no mercado do Livramento numa ação de propaganda de um partido um vendedor atirou à cara de um dos elementos da caravana…”são todos uns ladrões…”

Esta é uma das frases que mais se ouve, mas ela é muito enganadora. Desde 1977 que os governos têm sido constituídos pelos seguintes partidos – PSD,PS e CDS.

Nunca houve um governo do PCP e do BE, ou dos dois, ou de ambos com o PS, ou de um deles com o PS.

Portanto não é verdade até serem governo que sejam iguais, dado não terem tido a oportunidade para demonstrarem se fazem como têm feito os outros ou diferente.

É verdade que Álvaro Cunhal, Avelino Gonçalves, Veiga de Oliveira foram ministros sem uma ponta de lama que se lhes possa atirar. Ou os secretários de estado Vitor Louro, António Bica ou Carlos Carvalhas. Todos do PCP.

A frase tem a ver com a corrupção que grassa, mas ainda há muita gente séria, incluindo nas novas formações de que destaco O Livre .

O que falta é a coragem de não votar nos mesmos de sempre e substituir a lamúria pela valentia cidadã. Haja coragem. Se houver ao menos uma vez pode ser que o país mude. Está nas nossas mãos.

O Medo ou a Manhã de Que Falava a Sophia?

Passos e Portas receberam o país com uma dívida pública na casa dos 93.5% do PIB.

Hoje as estimativas para o final de 2015 são a de que a dívida ficará entre 128.5% e 130% do PIB.

Por este andar Portugal atingirá os 60% do PIB daqui a quantas dezenas de anos? Trinta anos? Quarenta anos? Pergunta-se: andam tão contentes a vender sucessos por ter empobrecido o país por que não se gabam deste feito?

É para isto que querem a tal estabilidade?

É este regalo que ostentam na lapela que querem continuar a semear num país bem mais pobre que em 2010?

É para isto que pedem uma confiança em branco?

Em nome da diminuição da dívida Passos empobreceu o país que vivia acima das possibilidades e o resultado foi um brutal agravamento da dívida.

O país aumentou a dívida e os bancos diminuíram-na; cada um de nós pagou cerca de 2000€ para evitar o colapso dos bancos, os que verdadeiramente viviam acima das possibilidades.

O resto é propaganda eleitoral por parte da coligação que quer Portugal a caminhar dezenas de anos para trás.

Há, porém, uma arma na mão de todos os votantes: aceitar esta ignomínia ou não deixar que a mentira triunfe.

A coligação quer com os seus amigos alemães ameaçar o futuro d@s portugues@s, negando-o, como se fossem donos do tempo por serem os donos de muita coisa, embora a consciência ainda não esteja cotada em bolsa nos mercados internacionais para desgosto dos caseiros de São Bento e Belém.

No dia quatro de Outubro vamos ver quem vence: o medo do futuro que estes capatazes da troika espalham ou a manhã de que falava a Sofia. A verdade ou a falsidade? A coragem ou a “vidinha”?

Passos Coelhos – o Transformista

Passos Coelho teve de descer à terra( noblesse oblige, eleições) e na viagem de São Bento ao chão de Portugal a aterragem não está a correr nada bem.

Passos Coelho escreveu uma carta a pedir para a troika vir. Repete-se – pediu para a troika vir – e quer nesta fase de pré-campanha alijar as responsabilidades de conjuntamente com o PS de ter perdido para vir… Claro que o Primeiro-Ministro era José Sócrates, mas o Dr Passos Coelho sonhando com o cargo de Sócrates deixou bem explícito que a queria no país. Ele e o Sr Dr Portas.
De um tiro matava dois coelhos: chamava a troika e criava condições para em nome da troika fazer tudo o que o seu programa ultra liberal lhe pedia.

Escondeu o programa e jurou com aquele ar de meio sério, meio compungido que não tocava nos salários, nem nas pensões, nem nas reformas. Esquecem-se?

Passos Coelho dá-se agora ares de indignado e proclama que ninguém gosta de cortar por cortar. Que foi obrigado a cortar.

Di-lo agora, mas ninguém pode esquecer o seu ar sério e lampeiro a dar lições sobre os portugueses a viverem acima das possibilidades e que tinham de empobrecer e trabalhar em dias que eram antes feriados.

Quem não se lembra a rotular de piegas os que não queriam emigrar… Quem esquece?
E só a impossibilidade de continuar fechado em São Bento é que o levou a descobrir que seria o primeiro subscritor para angariar fundos para recorrer aos tribunais de um ato que aplaudiu…

Passos Coelho, o homem que se esqueceu que havia descontos para a Segurança Social na Tecnoforma, que não quer que lhe falem de Dias Loureiro anda por aí a falar de fantasmas, como se não fosse ele o responsável por tudo quanto se passou nos últimos quatro anos.

Ele gabou-se que queria empobrecer os portugueses e empobreceu-os. Ele garantiu que empobrecia os portugueses para diminuir a dívida e ela aumentou substancialmente.

Ele foi o único governante que conseguiu que o PIB fosse menor quando acabou o seu mandato que quando o iniciou.

Garantiu que o BES era só saúde e implodiu.

Ele e a Sra Dra Maria Luís garantem ter os cofres cheios, mas nos hospitais em Janeiro não têm sequer macas e tiram-nas aos bombeiros. E uma em cada quatro crianças não tem comida.

Este homem não tem vergonha, nem cura. Anda escostadinho a Paulo Portas por necessidade de sobreviver e poder continuar a levar a cabo o empobrecimento dos portugueses e de Portugal. É isso o que os une.

Se continuar como Primeiro-Ministro vai alegar que pode fazer o que quiser e sem freio nos dentes. Que foi o mandato que lhe conferiram. Reparem: não tem sequer programa. Promete apenas melhorar a vida dos portugueses depois de a infernizar.
O programa de Passos Coelho é continuar a privatizar tudo e ir liquidando o Estado Social a pontos de o desacreditar diante da população e tornar-se uma caricatura que não serve a não ser para os sem – abrigo.

Não lhe falem depois nos escândalos, nem do Relvas.

Falem-lhe dos credores internacionais, do sistema financeiro, das concessões, das privatizações e do plafonamento da Segurança Social; mas não do Dias Loureiro, nem do Duarte Lima, nem do BPN.

Que homem é este que durante quatro anos foi um e nos últimos três ou quatro meses se quer transformar no que não foi, no que não é e no que não será.
Afinal o povo português terá de ir ao fundo da sua consciência e perguntar: é para isto que servem as eleições, para que nos ceguem e fiquemos sem vista, mesmo podendo ver?

No dia quatro há que escolher. Que ninguém diga que foi enganado. Às vezes queremos ser enganados só para não ter de enfrentar a realidade. Agora cabe ao povo português fazer Passos/Portas enfrentar a realidade.