As Sereias e o Barco para São Bento

Afinal as eleições só servem se vencerem os mesmos de sempre; se por acaso os eleitores votarem em partidos que não são os mesmos de sempre as eleições são um perigo…para as Bolsas.

Os mesmos de sempre que ridicularizaram o PS ad nauseam com o rótulo de despesista, que o atacaram de todas as formas e feitios num único sentido: esbanjador em contrapartida com os poupadinhos e salvadores compungidos por serem obrigados pelo PS a impor tão grandes sacrifícios naquela atormentada voz de V. Gaspar (agora no FMI, porque será?), são os que agora vão a correr pedir batatinhas clarificadoras ao partido de todas as maldades esbanjadoras….Já não ameaçam que vem aí o Costa, agora vão implorar ao Costa que os deixe continuar a governar. Vejam bem a vitória que tiveram – estender a mão a pedir ao PS que os deixe governar e amaldiçoar um eventual governo saído dos três partidos que se opuseram com bases diferentes ao governo Passos/Portas/Cavaco.

O que está em causa é a própria democracia a saber: para que servem as eleições? Se as eleições servem para que os deputados encontrem entre si o governo ou se os governos se “pré-fabricam” independentemente dos resultados eleitorais?
Basta olhar para as primeiras páginas dos jornais e para a abertura dos telejornais para se ficar com a impressão que a Bolsa de Lisboa vale mais que a vontade popular expressa em votos livremente de acordo com os mais altos critérios democráticos europeus.

Mas não só. Faltava o arcebispo de Leiria que não tendo conseguido o milagre eleitoral de ver a PAF ganhar veio em plena peregrinação a Fátima misturar política com religião amedrontado mas amedrontando com a cavaquista estabilidade…deve ser por causa do devoto Portas.

Andam destrambelhados com a ousadia dos eleitores. Não aceitam o veredito. Clamam pelos papás para virem em socorro:- mercados, bolsas, FMI, CiPs e até veja-se bem o Senhor Carlos Silva…logo desautorizado pelos colegas de direção.
Num país obrigado a passar dificuldades, castigado com tanta desgraça, espalhado pelas ruas do mundo onde vai encontrando trabalho mais ou menos digno, a direita ameaça servindo-se dos interesses da alta finança a quem presta vassalagem.

Só que há em todos os povos momentos em que as vontades se juntam e se fazem fortes. Quase sempre quando os líderes sabem-no ser como foi o caso de Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. Que António Costa faça como Ulisses e não seja tentado pelas sereias que o arrastarão para a insignificância política; que as suas músicas fiquem no fundo do mar. Que a valentia vença o medo. Que o barco se faça ao mar e chegue onde deve chegar. A São Bento.

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