Bons e Maus Pagadores

Um dos aspetos mais repugnante deste governo tem a ver com a ladainha de ser uma entidade escrupulosa no cumprimento das suas obrigações, no cumprimento das dívidas para com os credores.

Porém, o governo só conhece uma espécie de credores. As empresas a quem deve aguardam meses e anos de incumprimento. Sabe-se que o Estado é péssimo a pagar os serviços e as encomendas que faz. Até arranja pretextos para não pagar aos advogados do Apoio Judiciário.Toda a gente sabe. Há quem muitas vezes considere que o Estado nos seus incumprimentos navega nas fronteiras da má-fé…Há empresas em Portugal que vão à falência porque o Estado cumpre quando lhe é conveniente, mais ou menos próximos das calendas gregas (salvo seja dirá a Dra Maria Luís…gregas! Que horror, nós pagamos e eles não querem, os malandros).

Veja-se o contraste com os credores internacionais: paga antecipado ao FMI, onde está o Vítor Gaspar à espera, provavelmente, de alguns do governo quando tiverem cumprido a sua missão de empobrecer o país e engordar o FMI.

O zelo no cumprimento vai apenas para os poderosos credores que foram chamados a emprestar a bons juros e a impor condições que colocaram Portugal em regime de protetorado durante o período de duração do resgate.

Este é um lado revelador da têmpera de Passos/Portas e Cª. Cumprimento escrupuloso para com os credores internacionais e incumprimento temerário para com os credores portugueses.

Haverá razões tendo em conta a passagem por esta comissão de serviço no governo a qual normalmente é porta aberta para voos muitos mais altos e gratificantes? A ver vamos.

Quo Vadis Paula Teixeira da Cruz?

Primeiro foi com os advogados. Houve quem pensasse que o problema era o Marinho.
Depois foi com o Sindicato dos Oficiais de Justiça. Houve quem julgasse que seria uma questão reivindicativa…

Finalmente chegou a vez dos magistrados. Aguardavam a aprovação do seu Estatuto. A Ministra veio dizer que o problema era de verbas. Os magistrados disseram que não. Tiveram de lhe virar as costas.

O governo age contra todos os agentes da justiça sem a menor contemplação. Utilizando o estafado argumento do necessário empobrecimento dos portugueses tenta fazer passar a ideia que os magistrados egoisticamente se querem eximir a esse sacrifício que sobrecarrega os portugueses.

É fácil ver que a Ministra quer dar a ideia junto da população que os magistrados o que querem é ganhar mais, quando a verdade é outra: ganham menos devido aos cortes e o problema não é só dinheiro, mas também outros aspetos da sua atividade profissional, desde logo o seu Estatuto.

O governo neo liberal das privatizações a torto e a direito certamente olha para a Justiça como um vasto terreno onde os investidores podem refestelar-se e banhar-se em lucros gordurosos que o Estado não pode ter porque os “donos de tudo isto” querem mais do que “isto”, esmifrando a população.

Nesse quadro é preciso domesticar os juízes e lançar campanhas contra os juízes e tribunais.

Contra os advogados, num país desesperançado e descrente no que quer que seja, é mais fácil. No fundo, o Portugal conservador, desconfia de uma profissão em que o seu praticante depende apenas de si. O Portugal submisso que estende a mão precisa de alguém que o proteja, de um encosto…

Os juízos têm um poder que ninguém tem. Há o respeitinho que é muito bonito e o poder vive também desse respeitinho.

O Portugal conservador olha para o senhor juiz e verga a cerviz; pode ser que o senhor juiz repare e se não reparar também nada perde e pode ganhar a deferência; quase toda a gente gosta de ser olhada de uma maneira reverenciada…
Este governo, porém, quer mandar em tudo. Tomou o freio nos dentes, deu corda ao aos sapatos, como diz o Ministro da Economia, para ir o mais longe possível no ataque ao Estado Social.

O governo criou um tal choque com toda a sociedade que exige para se impor a submissão.

O neo liberalismo passa pela disseminação de uma mensagem segundo a qual há forças financeiras tão poderosas e que regulam o mundo que nada se pode fazer contra elas.

A mensagem do governo é que não para, nem diante dos magistrados, mesmo dos que serão chamados a julgar os crimes de muitos expoentes deste status quo.
Paula Teixeira da Cruz que era advogada antes de ser Ministra sabe, não pode deixar de o saber, que se a sua causa de domesticar a magistratura e de dar passos de gigante na privatização da Justiça tiver êxito o Estado de Direito Democrático, tal como está configurado, sofrerá danos inimagináveis desfigurando-o em prejuízo da cidadania.

Será que o choque do governo com a Justiça galgará as barreiras do Estado de Direito e o desfigurará?

Futebol e ou Vida

O futebol está hoje omnipresente na vida social. Tem um peso emocional e psicológico avassalador. Ocupa a mente de uma imensa maioria. Basta atentar nas manifestações que foi capaz de desencadear no Marquês de Pombal e em Alvalade durante as noites em que SLB e SCP venceram campeonato e taça.

É talvez a maior máquina de mobilização popular. É, por excelência, o desporto global fazendo bater em uníssono o coração do juiz, do operário, da artista, da dona de casa, do empresário, do sacerdote ou do general.

O futebol, em si, é fácil de compreender. O difícil é o golo. Essa é a paixão.
As notícias do futebol passam à frente de quase tudo. A prisão de altos dirigentes da FIFA e a demissão de Blatter foram objeto de um tsunami de notícias. Putin, Merkel, Cameron, Obama tomaram posição.

A “passagem” de Jesus da Luz para Alvalade fez abalar os media. Jesus pediu proteção policial.

Bruno de Carvalho que disputava com Vieira e Pinto da Costa a ribalta ganhou-a, tal como há anos Vale de Azevedo e Jorge Gonçalves.

Carvalho decidiu despedir Marco Silva, o treinador que ganhou um título em sete anos de míngua; sendo, pois, adequado concluir que o problema não era a competência, mas o fato que não usou há meses, eis um dos factos; e as opiniões diferentes das de Bruno de Carvalho…

Em jeito de vingança muitos sportinguistas queriam Marco Silva na Luz, abrindo uma espécie de um novo ciclo – o arco de treinadores dos grandes, à semelhança dos partidos do arco da governação.

O SCP não tem tantos milhões de adeptos como o vizinho, mas tem os suficientes para entre eles existir quem pense. Os notáveis ou famosos, aqueles que tocam o Olimpo mediático, saíram a terreiro verberando Bruno de Carvalho; houve um mais meigo que considerou que o Presidente devia ir para o manicómio.

Bruno não se ficou e, a seu jeito, meigo, como sempre, passou a ferro esses sportinguistas do SPC, uma espécie de quinta coluna infiltrada a viver à custa do Sporting…e à espera das derrotas dado não acreditarem na glória do clube como Bruno acredita como o confirmou Marco Silva o treinador vencedor da taça, despedido.

O homem saído da plebe não esteve com meias medidas em relação à nobreza decadente do SCP, tal como Revolução Francesa essa espécie de canaille foi esmagada pelo vocabulário agridoce de Bruno.

O Presidente da Assembleia-geral do SCP veio por água na fervura apelidando esses notáveis de quase inimigos merecedores da expulsão do clube.
No glorioso SLB notáveis houve que destrambelhados por perderam Jesus atacaram a inércia de Vieira. Bonacheirão, sem deixar o seu bigode tremer, falou em ingratidão recordando o episódio de Jesus a ajoelhar-se convertido ao novo campeão; tendo sido o único a dar-lhe a mão e acrescentando que outros no futuro lhe darão o pé…Quiçá?

Bruno de Carvalho vive o seu período de máxima glória: uma taça, e um Jesus.
Que fará ele com este Jesus? É cedo para se saber. E que fará Jesus com este Bruno? Todos imaginamos que a glória que Bruno busca, custe o que custar, lhe permitirá ser solidário com o treinador como Vieira…Em 9 de Agosto no jogo que decidirá para quem irá a Supertaça tudo começará e nesse jogo sabe-se lá que destino se começa a escrever. Nem Jesus, que é Jesus, sabe.

O futebol é muito. Como se vê. Mas não é tudo. Há alguns que nunca jogaram à bola e jogam com carreiras para se alcandorarem à abertura dos telejornais e se tornarem famosos e ricos.

Há outros que fazem do futebol um modo de vida pago a peso de ouro.
Outros servem-se desta indústria para arrecadar fortunas colossais. Outros para a arrecadarem à má fila.

O povo, de tanta paixão pela bola a pinchar na relva ou a bater no fundo da rede, esquece tudo. A glória do clube cega.

Mas se o futebol é tudo ou quase tudo, a vida não pode ser nada ou quase nada para que o futebol seja tudo ou quase tudo.

Pobre de tudo é uma vida só feita de futebol porque os seres humanos são capazes de algo mais. Haja futebol e vida a sério.

Ai o Alívio! Ai!

Ele ficou aliviado. Disse ele. E o que ele tem dito e feito vale a pena recordar.

Disse a título de exemplo que o BES era de total confiança. E disse o que disse do BPN e dos seus amigos do peito. E foi o que se viu.

Não se sabe se ele sabe o que é uma simulação mas é de crer que saiba, embora, segundo ele de política perceba pouco, o que é caso para admirar, pois há mais de trinta anos que não faz outra coisa.

Aliviou-se com a venda TAP, vejam lá. Podia ser pior. Vamos ver como fica quando Passos e Portas venderem, se conseguirem, o Metro.

Dirá Portas que se acabarão as greves e o Presidente não fique tão aliviado que é um grau acima de aflito, ficando, portanto, menos aflitinho dado que não se pode comparar uma carruagem que rola no chão com uma outra nascida para voar.

Para ficar aliviado o nosso Presidente precisa que se venda a TAP que voa com os seus aviões.

E em boa verdade também deve ter ficado aliviado com a condecoração de Teixeira dos Santos, o homem que “ajoelhou” Sócrates e pôs Passos a Primeiro. Os amigos são para as ocasiões…

O PR fica todo contente quando fica aliviado e fica aliviado quando o seu governo vende um pouco de Portugal; foi o que disse no Golfo; também ficou neste estado de êxtase de aliviado quando deu cabo da marinha mercante, da vinha, do olival e vinte anos mais tarde, sem ser frente ao promontório de Sagres, disse que o futuro era o mar e a agricultura. E repetiu há semanas na Noruega no que ao mar se refere. Quanto à agricultura esperem por outro alívio.

Uma coisa é certa para alívio dos portugueses: não volta a piar no dia de Portugal. Que alívio!

Ou Eles ou Eles

A semana que terminou foi um verdadeiro corrupio nos partidos da área da governação. Uma coisa séria. Não se sabe se falaram para os cidadãos se para os media. Toda esta agitação num copo de água só não foi mais longe porque Jesus fugiu da Luz.

A coligação apresentou nada mais, nada menos que uma carta de garantias. Nem eles sabem o que isso é, ao que é dado ver; um fingimento para português ver.
Haverá algum cidadão, incluindo votante da coligação, que acredite no que a coligação diz garantir? Alguém sabe que matérias a carta garante? As respostas são óbvias.

Mas sendo óbvio não desata toda a desfaçatez que alberga.

Diz Passos e corrobora Portas que os portugueses sabem o que esperam do governo nos próximos quatro anos.

É capaz de ser verdade. A coligação quer assustar: ou nós que vos criamos problemas porque fomos obrigados ou o regresso ao despesismo, como se o partido que mais gastou não tivesse sido o PSD do Sr Silva quando era Primeiro-Ministro.
Ou nós e os cortes inultrapassáveis ou o PS gastador…Mas eles todos juntos no respeitinho pelo Tratado Orçamental cuja Guardiã Suprema, a sacrossanta Imperatriz Merkel impõe.

Ou nós ou eles, diz Passos. Ou eles ou nós diz Costa. Ou eles ou nada mais, como se eles fossem donos dito tudo. Para além deles o zero absoluto.

Reparem bem nisto: ou Passos, Marco António, Paula da Cruz, Guedes, Montenegro e o Marques Mendes, seu hierofante, Portas, Mota, Cristas ou Costa, Vieira, Ferro, Perestelo e tutti quanti ou a coragem de cortar este passado que quer ser futuro, sempre de costas para os portugueses e coração virado para Bruxelas e Berlim.

A política do arco governativo não passa de uma encenação. Ora entras tu e saio eu ou sais tu e entro eu.

Passos ameaça a mudança com o papão do despesismo. Costa promete o que ainda não saiu já prometeu. Passos e Portas dizem dar garantias. Costa espalha rigor nos cartazes. Cortes indeterminados nas pensões. Outro na TSU. É isto. Uma miséria. Uma tristeza.

Eles ou eles. Se deixarmos.

Jesus , a Luz, Bruno de Carvalho e Arredores

O SCP foi à Luz e trouxe Jesus, isto é, subverteu o teor a Bíblia, na medida em que consta que foi Jesus quem criou, no Génesis, a luz.

Tal empreendimento está a gerar paixões e revoltas incontidas.
Manuel Fernandes o bem- amado de Bruno de Carvalho considera, à escala planetária, Jesus o número dois, tendo à sua frente Mourinho.

Dias Ferreira incentiva os sportinguistas a sujeitarem Bruno de Carvalho a uma Junta médica no sentido de o mandar para o manicómio.

A polémica está instalada. Os papistas do SLB lembram aqueles períodos negros de Jesus com Vilas Boas e Vítor Pereira que não se comparavam com o catedrático em táticas, mas que em títulos limparam-lhe o rabo com cueiros.

Depois ninguém percebeu que o número dois do mundo acabe por ir para o SCP e não tenha tido luz verde para ir para clubes à altura do catedrático. Não está em causa a grandeza do SCP e elevada estatura ético-civilizacional do seu Presidente…Na verdade quem são o Manchester United o Arsenal o Milan ou o PSG se comparados com o SCP?

O catedrático da tática só não deve ter ido para aqueles clubezecos por dificuldades de económicas, o que não acontece no SCP dada a OPA que Bruno de Carvalho lançou sobre a Guiné- Equatorial.

Jesus e Bruno nasceram para andar de braço dado; não será no banco de suplentes, mas sempre que o SCP ganhe. O problema, altamente improvável, será quando não ganhar. É demasiado pessimismo, mas pode acontecer.

Os “putos” Vilas Boas e Vítor Pereira não foram na cantiga e durante três anos foi o que se viu, títulos zero…

Vieira o Magnânimo deitou-lhe a mão e os euros e quando lhe tirou alguns euros Jesus virou-se para riba onde fica Alvalade, no sentido do aeroporto, onde Jesus não chegou a embarcar.

Alcochete era um deserto parafraseando Mário Lino, a ver vamos os oásis que por lá nascerão e quanto tempo a paz reinará.

Na China, como cá, Branco o é Galinha o põe!

Segundo notícias divulgadas na imprensa escrita, na China, dirigida pelo Partido Comunista Chinês, houve quem organizasse as comemorações do primeiro de Junho, dia mundial da criança, de forma muito especial.

Uma associação proveu a realização de excursões às mansões mais luxuosas dos magnatas chineses, que já há alguns anos podem ser membros e dirigentes do Partido Comunista Chinês.

A razão de tal iniciativa visa cultivar desde tenra idade o ideal de ser rico.
Nesse sentido visitar as mansões dos grandes ricalhaços deve fazer crescer nos pequenos chineses a vontade de virem a ser donos de prédios semelhantes.

É, porém, pena que, num país dito socialista, não expliquem àquelas crianças quantos pobres custa cada rico e as levassem em excursões à imensa massa de trabalhadores a viver em condições absolutamente precárias.

Claro que na China manifestações cívicas de diversa natureza estão interditas; esta, contudo, enquadra-se no sistema.

É natural, como poderiam os chineses ricos comprar a EDP, a TAP, ou as empresas rentáveis de outros países?

Branco é a galinha o põe.

Empreendedorismo

Há muito, muito tempo um homem subiu a uma colina para se sentar ao lado de um outro homem que já lá estava sentado a ver o imenso vale e suas riquezas.

O que já estava deu as boas vindas ao recém-chegado. Ficaram os dois a olhar o que viam.

Então o que primeiro se tinha sentado disse ao segundo

– Tudo o que vês é meu e teu!

Desconfiado perguntou ao que acabou de falar

– E os outros homens?

– Não há mais ninguém, respondeu o homem que primeiro se sentou no cimo da colina.

O que chegou e se sentou ao lado do primeiro sacou do bolso uma lâmina e cegou o outro e ficou com tudo o que o outro via.

Caos no Iemen a Quem Aproveitará?

Os bombardeamentos da Arábia Saudita e outros países do Golfo ao Iemen justificados para defender um Presidente eleito, Mansur Haidi, colocam, entre muitos problemas, o seguinte: um país absolutista onde não há qualquer espécie de eleição para formar governo porque a família real detém todo o poder e os governos são por si designados tem autoridade para bombardear um país que realiza eleições e que tem o direito de decidir por si próprio o seu futuro?
Pode um vizinho gigante em superfície e em meios financeiros e militares bombardear o vizinho extraordinariamente pobre e minúsculo em superfície e recursos?

A civilização árabe deve muto mais aos iemenitas que aos sauditas e o Iemen tem uma tradição de participação popular muito superior ao reino fechado que chega ao desplante de impedir as mulheres de conduzir, de andarem na rua sós e de abrirem salas de cinema.

Desde que foi reunificado o Iemen, ao contrário do que sucedeu na Alemanha, os problemas do país agravaram-se e os conflitos entre diferentes comunidades, nomeadamente sunitas e chiitas explodiram.

Em todo o caso cabe aos iemenitas escolherem o seu caminho por muito conflituoso que seja, dado que as intervenções externas, como se tem visto, a médio e longo prazo, agravam e acrescentam novos males aos existentes.

A revolta chiita tem a ver com as miseráveis condições de vida que essa comunidade enfrenta.

Por outro lado o porto de Aden tem uma importância estratégica muito relevante para a passagem dos cargueiros de petróleo que saem do Mar Vermelho para o Índico.

Aden foi sempre uma cidade cobiçada por todos, até pelos portugueses que tiverem que desistir face à determinação dos iemenitas.
Alegam os EUA e a Arábia Saudita que não podem deixar os chiitas ganharem o seu espaço no Iemen dado o favorecimento que tal situação daria ao Irão…Este conceito que se impôs após a 2ª grande guerra e que era uma espécie de Tratado de Tordesilhas impedia os povos de decidirem o seu futuro porque tal decisão normalmente acabaria por favorecer o outro lado e assim enfraquecer o campo rival.

Já no Bahrein a revolta chiita foi abafada em sangue pelas tropas sauditas que lhe puseram termo a tiro de metralhadora e com o beneplácito de Washington.
Se no Iemen ou Bahrein a população ou uma grande parte ou até uma parte vive em condições miseráveis, a outra parte tem de se vergar e continuar a viver na miséria porque no Irão a maioria é chiita? Pode aceitar-se este argumento?
A destruição do Iemen e a eventual amputação de territórios do país, reivindicada há muito pelo Reino saudita, vão acrescentar à região novos problemas contribuindo para que os terroristas jiadistas aproveitem o eventual vazio no terreno.

Se tivermos presentes que a guerra civil e sectária na Síria e Iraque ajudaram bastante à implantação do Estado Islâmico, vislumbra-se em que situação o Iemen pode cair, tendo em conta a real implantação da AlQaeda no país…
Os bombardeamentos, como provam os levados a cabo no Iraque, no Afeganistão e na Líbia podem conduzir a uma vitória militar, mas não garantem que se erga no terreno uma alternativa razoável.
Que pretendem os EUA ao liderar esta ação bélica contra aquele pequeno e pobre país? Num momento em que Obama negoceia com o Irão e que se confronta, nos bastidores com a Arábia Saudita, pretende sossegar os Republicanos e o lobby saudita e não aparecer como estando a fortalecer a influência iraniana na região?

Ou a enfraquecer o Irão para obrigá-lo a ceder ainda mais? Seja o que for, há que ter em conta a determinação dos iemenitas.
E entre bombardeamentos que matam brutalmente e a retórica islamista, imaginemos o que pode suceder no que à implantação do jiadismo diz respeito.

Anjinho com Asas na FIFA

A FIFA é uma organização impenetrável no seio da qual nunca se soube o que se passava. Imaginava-se que não devia ser grande coisa. Os fumos eram densos e muito mal cheirosos. Sentia-se mesmo com o Pacífico, o Índico, Atlântico ou as Caraíbas no meio. As pessoas apertavam o nariz, viravam a cara de lado e lá deixavam o mostrengo a deleitar-se.

É que o mostrengo tinha dentro de si éne mostrengos que pelos cinco continentes se iam abolentando em grandiosas comilanças.

Não é por mero acaso que o mundial de 2022 se vai disputar no Catar, tendo a equipa dirigente da FIFA chegado a marcar jogos para os meses de Junho com temperaturas que podiam atingir os cinquenta graus.

Para obrigar os jogadores das seleções a jogarem naquela data e sob aquelas temperaturas é preciso grandes investimentos para fazer baixar a temperatura… E a insistência no torneio mundial em Junho só foi desfeita porque não houve dinheiro da casa de Thani (que dirige o emirado absolutista) que pudesse impedir de ver o que toda a gente via, a impossibilidade de praticar futebol com temperaturas acima dos quarenta graus.

Blatter no topo da pirâmide olha para os seus vices e altos funcionários detidos e assobia para o ar, alegando que ele não está sob suspeita.

O arquiteto do grande e poderoso edifício, onde entram milhões como tostões que escolheu os homens da sua confiança e a quem entregou aquelas responsabilidades ,com a maior das latas, faz de conta que a lava da corrupção que sai da luxuosa FIFA nada tem a ver com ele.

Não há lava se não houver incêndio no interior do vulcão …

Pode o cume do da FIFA ficar imune a estas suspeitas e continuar a assobiar para o lado? Pelos vistos poder pode, mas por quanto tempo?

Se for reeleito e vai sê-lo haverá alguém que acredite que o Sr. Blatter era o único anjinho com asas que existia na FIFA e o resto eram diabos a cheira a enxofre com quem ele partilhava o dia a dia?