CAOS NO IEMEN A QUEM APROVEITARÁ?

Os bombardeamentos da Arábia Saudita e outros países do Golfo ao Iemen justificados para defender um Presidente eleito, Mansur Haidi, colocam, entre muitos problemas, o seguinte: um país absolutista onde não há qualquer espécie de eleição para formar governo porque a família real detém todo o poder e os governos são por si designados tem autoridade para bombardear um país que realiza eleições e que tem o direito de decidir por si próprio o seu futuro?
Pode um vizinho gigante em superfície e em meios financeiros e militares bombardear o vizinho extraordinariamente pobre e minúsculo em superfície e recursos?
A civilização árabe deve muto mais aos iemenitas que aos sauditas e o Iemen tem uma tradição de participação popular muito superior ao reino fechado que chega ao desplante de impedir as mulheres de conduzir, de andarem na rua sós e de abrirem salas de cinema.
Desde que foi reunificado o Iemen, ao contrário do que sucedeu na Alemanha, os problemas do país agravaram-se e os conflitos entre diferentes comunidades, nomeadamente sunitas e chiitas explodiram.
Em todo o caso cabe aos iemenitas escolherem o seu caminho por muito conflituoso que seja, dado que as intervenções externas, como se tem visto, a médio e longo prazo, agravam e acrescentam novos males aos existentes.
A revolta chiita tem a ver com as miseráveis condições de vida que essa comunidade enfrenta.
Por outro lado o porto de Aden tem uma importância estratégica muito relevante para a passagem dos cargueiros de petróleo que saem do Mar Vermelho para o Índico.
Aden foi sempre uma cidade cobiçada por todos, até pelos portugueses que tiverem que desistir face à determinação dos iemenitas.
Alegam os EUA e a Arábia Saudita que não podem deixar os chiitas ganharem o seu espaço no Iemen dado o favorecimento que tal situação daria ao Irão…Este conceito que se impôs após a 2ª grande guerra e que era uma espécie de Tratado de Tordesilhas impedia os povos de decidirem o seu futuro porque tal decisão normalmente acabaria por favorecer o outro lado e assim enfraquecer o campo rival.
Já no Bahrein a revolta chiita foi abafada em sangue pelas tropas sauditas que lhe puseram termo a tiro de metralhadora e com o beneplácito de Washington.
Se no Iemen ou Bahrein a população ou uma grande parte ou até uma parte vive em condições miseráveis, a outra parte tem de se vergar e continuar a viver na miséria porque no Irão a maioria é chiita? Pode aceitar-se este argumento?
A destruição do Iemen e a eventual amputação de territórios do país, reivindicada há muito pelo Reino saudita, vão acrescentar à região novos problemas contribuindo para que os terroristas jiadistas aproveitem o eventual vazio no terreno.
Se tivermos presentes que a guerra civil e sectária na Síria e Iraque ajudaram bastante à implantação do Estado Islâmico, vislumbra-se em que situação o Iemen pode cair, tendo em conta a real implantação da AlQaeda no país…
Os bombardeamentos, como provam os levados a cabo no Iraque, no Afeganistão e na Líbia podem conduzir a uma vitória militar, mas não garantem que se erga no terreno uma alternativa razoável.
Que pretendem os EUA ao liderar esta ação bélica contra aquele pequeno e pobre país? Num momento em que Obama negoceia com o Irão e que se confronta, nos bastidores com a Arábia Saudita, pretende sossegar os Republicanos e o lobby saudita e não aparecer como estando a fortalecer a influência iraniana na região?
Ou a enfraquecer o Irão para obrigá-lo a ceder ainda mais? Seja o que for, há que ter em conta a determinação dos iemenitas.
E entre bombardeamentos que matam brutalmente e a retórica islamista, imaginemos o que pode suceder no que à implantação do jiadismo diz respeito.
domingos lopes

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