O Mundo

UCRÂNIA

Na Ucrânia, ocidentalizada à força e apoiada com o fornecimento de armamento letal pelos EUA, OTAN e Cª, quando decorria um Conselho de Ministros foram algemados e vistos em direto pela televisão, que estava à espera na sala do Conselho, dois altos responsáveis dos serviços de segurança, por terem comprado equipamento à Rússia a preços mais elevados que os do mercado.

Como se sabe, embora tivesse um presidente eleito, tal como no Iemen, foi derrubado e há um novo governo.

É este novo governo que organiza uma cena, digna do Padrinho, como a que se passou na reunião do Conselho de Ministros.

Os polícias entram na sala do Conselho, dirigem-se aos fulanos que vão ser presos, puxam das algemas, colocam-nas e saem … sem palavras…faltaram as palmas.

Só se “sabe” pelas notícias que os alegados criminosos compraram ao inimigo equipamento, mas quando compraram? Antes ou depois do golpe? E os governantes souberam agora?

Do que não pode haver dúvidas é que os Conselhos de Ministros na Ucrânia também servem para algemar suspeitos da prática de compras produtos à Rússia mais caros que no mercado.

Imagine-se o que seria no Palácio de São Bento entrarem inspetores da PJ para prender ministros que permitem privatizações a preços muito mais baixos que os do mercado…

Ou ainda para constituir arguidos ministros que por serem imperfeitos apresentam no seu curriculum várias infrações, incluindo por esquecimento …

IEMEN

O Iemen teve o azar de ter sido plantado ao lado de um grande vizinho, onde reina um dos reinos mais obscurantistas do planeta. Vizinho de um conjunto de países onde Reis, Emires, Sultões e outros da mesma estirpe que, à custa do poder dos petrodólares, entendem que em todo o Golfo e na Península não deve mexer nada, nem um palha, tudo deve ser como era, e qualquer ideia ou ato que mexa no status quo deve ser abafado custe o que custar.

O Presidente Hadi, um sunita, chegou ao poder após uma rebelião contra o anterior.

Aliás no Iemen as rebeliões são quase permanentes, dada a base tribal em que assenta o país.

À grande Arábia Saudita só lhe interessa que o Iemen não saia da sua órbita; girar pode girar, mas qualquer giro, por exemplo, que dê aos chiitas algum poder não é tolerado pela monarquia da casa Saud, nem pelo seu aliado maior, os EUA.

E não foram precisas mais que vinte e quatro horas para que os aviões sauditas, cataris, omanitas e outros apoiados pelos EUA fossem bombardear Aden e outras cidades no sul do Iemen … É assim a lei dos sauditas e dos norte- americanos.

Quando os amigos estão em apuros podem organizar invasão de países estrangeiros à vontade, mesmo quando o problema é interno e deva ser resolvido pelo povo do país em causa.

Certamente que para a Arábia Saudita os chiitas são um perigo porque muito provavelmente a minoria chiita existente no reino, injustiçada pelo poder sunita, perseguida, não pode na região ter qualquer protagonismo que possa levar a mudanças no próprio reino e daí a invasão apoiada pelos dirigentes cristãos dos EUA.

Não há dúvidas que os namoros dos EUA com Israel (paixão) e a Arábia Saudita podem ter amuos, mas na hora da verdade, caem nos braços uns dos outros, apesar de Israel impedir a criação do Estado da Palestina e a Arábia Saudita se encontrar na baixa Idade Média no que toca a direitos humanos …

Saddam Hussein ou o coronel Cadafi eram perigosos reformadores se comparados com os dirigentes sauditas.

PORTUGAL

Afinal a lista existia. Era curtinha, mas existia… e quem lá estava: os três da vigairada, mais o Sr. Dr. Núncio.

Apesar disso o que Passos pretende fazer crer é algo de verdadeiramente notável: que ele, Primeiro-Ministro, não sabia que os responsáveis das Finanças, preocupados com o que se passava quanto à busca de dados da vida fiscal dele Primeiro-Ministro, decidissem para o proteger (sem o seu conhecimento) criar para ele, o seu vice e o representante do Governo em Belém, uma lista para dar sinal quando alguém quisesse aceder à vida fiscal deste triunvirato. Claro que para amenizar a “coisa” os funcionários meteram na lista o seu Secretário de Estado … E em vez do triunvirato temos uma lista como um retângulo, com quatro lados e quatro governantes.

E ninguém sabia de nada. Nem o Núncio, nem o Portas, nem o Coelho, nem o outro que devia estar onde sempre estava, a pensar em campanhas eleitorais.

Não havia lista, havia, mas não havia, havia mas ninguém sabia, havia mas os dirigentes da autoridade é que sabiam, mas finalmente havia e quem lá estava era o Primeiro, o vice, o de Belém e o Núncio … e nenhum destes sabia, graças ao zelo da Autoridade Tributária que escondeu este procedimento de toda a gente … francamente.

Com estes exemplos que país temos?  De infâmia!

ISIS e o futuro do Médio Oriente

As transformações que varrem o Médio Oriente e parte do Magrebe constituem algo ainda indeterminado, mas que altera os quadros de análise e da correlação de forças.

O aparecimento de um novo Estado, em parte de territórios do Iraque e da Síria (o denominado Estado Islâmico, o ISIS), com capacidade para alargar o seu território para outros países é algo tão novo que subverte totalmente os princípios do direito internacional, na medida em que o Iraque e a Síria têm as fronteiras reconhecidas por toda a comunidade internacional.

A realidade emergente, a ser consolidada, significará, na região, que para futuro a integridade territorial dos Estados passa a ser problemática e a partir do território de um Estado podem nascer outros, sem que haja qualquer situação anterior que o justifique. Acresce que a conceção do ISIS, que denomina de califado, de limpar etnicamente todas as outras crenças religiosas, incluindo muçulmanas, é algo que irá transformar de modo imparável a composição dos países na região.

Na verdade, coexistiram ao longo de séculos dentro dos países do Médio Oriente minorias diversas com maiorias muçulmanas no Iraque, no Egito, na Síria, na Líbia e um pouco por todo o lado. No Iraque saído da ocupação militar dos EUA deixou de haver lugar na administração para os sunitas, demonstrando o mais completo erro de análise da situação iraquiana. Na Síria, Assad nunca morreu de amores pelos sunitas, maioritários, dado que, tal como o seu pai, pertence a uma comunidade minoritária, os aluitas.

A guerra civil na Síria, onde os sunitas são o bastião principal, desde logo o ISIS e a Al Nusra, irá levar, caso vençam, à purificação étnica, como se está a verificar. Os cristãos do Iraque e Síria estão a ser perseguidos, expulsos e assassinados, tal como outras minorias, incluindo muçulmanas.

A decapitação de 21 cristãos coptas na Líbia, o ataque num museu em Tunes e os ataques suicidas em Sanaa são o espelho fiel do manto de horrores do ISIS. O ISIS foi gerado pelo terror da guerra. O seu mundo gira em torno da violência.

Estas organizações foram buscar apoios a diversos quadrantes que são chocantes: para derrotar os sunitas no Iraque, George W. Bush aliou-se aos xiitas, entregando-lhes o poder. No Afeganistão, para derrubar o regime laico, armou Ossama Bin Laden e os talibãs. Nestas decisões contaram com todo o apoio da Arábia Saudita e do Paquistão. Aliás, estes dois países estão por detrás do apoio aos jihadistas do Afeganistão e do Iraque, Síria e Líbia.

O armamento que os EUA, a Arábia Saudita, Qatar, Turquia enviaram para combater o regime de Assad caiu nas mãos do ISIS e a Al Nusra, seja por via do poder de compra ou por meio da violência.

A Turquia e os EUA selaram um acordo para fornecer armamento ao chamado Exército Livre Sírio, nos finais de Fevereiro, mesmo depois de tudo o que se está a passar na região e bem sabendo que não há de momento qualquer alternativa a Assad, tanto mais quanto domina 13 das 14 capitais provinciais.

Se a política dos EUA, França, União Europeia e os seus aliados na região é desestruturar Estados, lançá-los em devastadoras guerras civis, levá-los a territórios etnicamente puros a viver com leis e tradições do tempo do califado, não pode haver dúvidas que o caminho é este. Mais ou mais cedo o Egito, a Tunísia, a Jordânia e o Líbano entrarão no ciclo de transformações idênticas.

Dos 19 piratas aéreos que assaltaram os aviões no 11 de Setembro, 15 eram sauditas. Nem um sírio, nem um iraquiano. Os atentados terroristas de França e Dinamarca foram levados a cabo por franceses e dinamarqueses.

É preciso um novo enfoque que não passe apenas pela mensagem das bombas, nem sobretudo por bombardeamentos, mas sim por uma abordagem que resolva problemas que parecem não ter solução por falta de coragem e por comprometimento. As declarações de John Kerry admitindo finalmente que Assad é parte da solução podem vir a ter peso numa saída para a crise na Síria.

Sem a Palestina independente e uma nova cooperação baseada no respeito mútuo e reciprocidade de vantagens e na Europa uma verdadeira integração dos emigrantes, não há resposta ao jihadismo. Haverá mais do mesmo em novas doses de terrorismo.

(texto publicado no Jornal Público de 25/03/2015)

Tudo É Possível aos VIPS

Diz-se, no campo das hipóteses, tudo é possível.

Seguindo esse rumo podemos imaginar que os responsáveis da Autoridade Tributária criaram a tal lista VIP sem o conhecimento do Secretário de Estado.

E então?

A primeira questão é esta: por que razão Passos Coelho, M. Luís e Paulo Núncio negaram a existência da lista em vez de mandar averiguar se existia ou não?

Até agora nenhum deles respondeu. O que fizeram foi insistir a pés juntos que não existia semelhante lista.

A segunda questão: se foi criada sem o conhecimento de Paulo Núncio, melhor dizendo à sua revelia, o que tem andado o Senhor Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais a fazer e a fiscalizar?

Debaixo do seu mando é imaginável uma rebelião deste calibre?

Pode o Diretor da Autoridade Tributária em conspiração com outros altos funcionários da A.T. congeminar um plano para salvar de consultas políticos, poderosos dos meios financeiros e um futebolista ( se calhar para disfarçar, dado que tem a gente sobre os milhões que Cristiano Ronaldo ganha por mês)?

Ainda de outro modo: que ambiente existe no topo da A.T. para que entre os seus quadros dirigentes se sintam suficientemente à vontade para alguns deles em associação de esforços criminosos entenderem poder dividir os portugueses e animados por esse ilícito organizarem uma lista de sangue azul à qual ninguém podia ter acesso sem deixar imediatamente um alerta?

A existir esse ambiente de proteção descarado dos poderosos é admissível que ele fosse tão “secreto”, dado o seu à vontade, para que o Sr. Secretário de Estado não o conhecesse?

Ainda de outro modo: é imaginável, de acordo com a experiência comum, que semelhante ambiente só pudesse ser criado por dois dirigentes do topo da A.T.?

Seriam eles, os dois, tão fanaticamente defensores dos poderosos que quiseram dar cabo das suas carreiras, pelo menos aparentemente?

A terceira questão: Se a direção da A.T. vive, nesta rebaldaria, a toda a linha, quem é responsável por este estado de sítio? É aceitável que o Secretário de Estado, mesmo fazendo o seu melhor (imaginando) não seja, em última instância, quem responde pelas suas tropas?

O Sr. Dr. Paulo Núncio só existe para acirrar os inspetores contra os cidadãos e quando as coisas correm mal a culpa é dos outros?

A quarta questão: Este governo chefiado por um homem imperfeito é composto por gente perfeita, merecendo do imperfeito total proteção seja na Educação, na Justiça, nos Assuntos Fiscais ou onde quer que a perfeita incompetência se instale. Por que não havia o Sr. Dr. Paulo Núncio merecer a proteção perfeita de Passos Coelho?

No fundo, bem no fundo, como Passos Coelho afirmava acerca do strip-tease que nunca faria, o que estes pobres subordinados fizeram foi impedir a todo o custo que os cidadãos ficassem a conhecer as misérias e a nudez dos poderosos do Reino lusitano. Ou não fosse da governança de Passos.

É que neste Reino capitaneado, deste modo, muito para além do que a imaginação alcança e avista, tudo é possível… até a lista VIP, impossível de existir, até ser possível…e existir.

As Artes da Governança

Este governo é formado por gente empedernida no propósito de esconder o que quer que seja que mostre que prega uma coisa e faz exatamente o contrário.

São brutais a atacar os portugueses que vivem do seu trabalho, nada os detendo na sua sanha de os obrigar a pagar os descontos para a Segurança Social e os impostos que fizeram aumentar a pontos de se poderem considerar uma espécie de confisco.

São em termos de linguagem simples – fortes com os fracos e submissos com os poderosos.

Passos Coelho passou a vida a negar que não tinha a situação regularizada com o Fisco e a Segurança Social. Foi o que se viu. Um imperfeito na perfeição.

Passos, Marques Guedes, Maria Luís e Paulo Núncio negaram a existência de um lista/pacote VIP em quem não se podia tocar, sob pena de sanção duríssima.

É o que se está a ver. Demissões nas altas esferas da Autoridade Tributária. Ao que querem fazer crer andaria em roda livre. Ninguém sabia de nada. Só aqueles Senhores da AT e os estagiários…

É uma carruagem em andamento que pela aragem se pode imaginar onde a coisa vai parar…

Em plena crise da lista dos VIP, a Sra Ministra veio anunciar que tem os cofres a abarrotar e tudo está garantido suceda o que suceder.

Se os cofres estão a abarrotar de vil metal por que razão os portugueses passam tão mal?

Se os cofres estão assim tão cheios o que vai a Sra Ministra fazer a tanto dinheiro?

Trata-se pura e simplesmente de uma manobra de diversão para ver se afasta a lista VIP e nos põe a discutir o que não existe a não ser no domínio da arte da diversão política.

Claro que o estendal da lista VIP mostra exatamente a natureza intrínseca das senhoras e dos cavalheiros que se sentam à mesa de S. Bento: hipocrisia.

Para os muito ricos, do tipo dos-donos-de-tudo-isto véneas, submissões, capachos. Para os de baixo chicote.

São estes sujeitos que governam o país onde os banqueiros e donos do dinheiro se sentam á sua mesa para lhes dizer o que têm de fazer.

São estes governantes todos reverenciais para o banqueiro que se esqueceu de pagar impostos de sete milhões de euros.

São estes fulanos que vivem obcecados em empobrecer os portugueses e enriquecer a meia dúzia de centenas de multibilionários que devem fazer parte da lista VIP.

São estes os que estão no poder em Portugal porque alguém neles votou. É preciso que a consciência cívica não permita nova de dose de arbitrariedade e de castigo sobre o conjunto da população. As próximas eleições estão à porta. Por isso é que a Sra Ministra encheu os cofres. E esvaziou o bolso dos portugueses. Não se esqueçam! A arte de esconder não termina aqui. Há que mostrar que o rei vai nu. E vai.

Negar, Renegar e Trenegar a Lista VIP

Está-lhes na massa do sangue: Passos Coelho, o imperfeito; Portas, o irrevogável; Maria Luís, a amiga de Varoufakis, todos têm uma grande predileção pela gente VIP; os que podem comprar qualquer coisa do género da TAP ou dos transportes públicos ou o que quer que seja.

Os VIP, gente muito rica, em quem não se pode tocar, salvo quando pensam que, apesar das fraquezas do Estado de Direito Democrático, são intocáveis…

Passaram os dias a negar que havia uma lista VIP para certos fulanos e certas fulanas…Negaram, renegaram, trenegaram e eis que a peneira não segurou os raios solares e com o estrondo monumental o chefe máxima da Autoridade Tributária se demitiu. Sem mais, nem menos.

Tal como há dias o imperfeito assumiu que não sabia que era preciso pagar os descontos para a Segurança Social, veio de novo, sempre ele (só falta o íncola de Belém) dizer que não sabia de nada.

O chefe do Executivo ou desconhece o que todos os cidadãos, incluindo os analfabetos sabem, ou não sabe o que se passa no edifício governamental. Nem ele, nem a Maria , nem o Secretário de Estado…

O Diretor da Autoridade Tributária era um bom malandro, como diria o Mário Zambujal. Caladinho, pela surra, sem dar cavaco (com letra pequena) a ninguém deve ter dito em diálogo com os botões do casaco qualquer coisa deste género: andam por aí os funcionários a querer coscuvilhar a vida da gente famosa que tanto tem feito pelo país e que se vai esquecendo de liquidar os impostos, do género do Dom Ricardo que se esquecia aos milhões, bagatelas, e não é justo que a populaça se esfregue de contentamento na praça com estas pequenas irregularidades.

E prosseguindo o solilóquio concluiu: vou fazer uma lista para impedir que uma desgraça dessas caia na mão de qualquer popular vingativo…E para que a sua obra de solidariedade fosse totalmente coroada de êxito deu consigo a concordar que nenhum superior hierárquico podia conhecer, pois se soubessem iam logo avisar os jornais. O Diretor não podia deixar que um comportamento  de proteção de gente que tem arame como quem se despede e não está para o gastar em pechibeques, como por exemplo pagar impostos, corresse riscos .

Animado por esta elevação patriótica fez a lista, escondeu-a bem escondidinha e ficou ao canto da secretária a apanhar os faltosos, quase todos mais ou menos tesos que nem carapaus.

O mal das nossas sociedades é a falta de compreensão dos sindicatos que de insistência em insistência obrigaram o Diretor a fugir da Autoridade e a deixar Coelho, Portas e a M. Luís a saber o que jamais imaginaram saber: que dentro do edifício governamental havia a lista que sempre negaram que existia.

O Sr Diretor foi à vida. Não se sabe ainda se levou a lista. Se calhar levou-a sem o governo saber onde está. Desde o dia em que no curso para inspetores toda a gente ficou a saber, menos o governo. Pudera dada a preocupação com a Grécia é provável que não  tenha reparado e na melhor boa fé negado, renegado e trenegado. Até ao dia do estrondo da demissão. É preciso ter azar.

domingos lopes

Et Voilá

Cavaco foi à França. À sede da OCDE. E ao Eliseu para conversar com François Hollande, o Presidente dos gauleses. Dizem os jornais que falaram cerca de uma hora.

Quer na sede da OCDE, quer no Eliseu, Cavaco esqueceu-se do cargo que ocupa e usurpou a Passos Coelho o de Primeiro-Ministro.

Embalado pelo finlandês, Vice- Presidente da Comissão Europeia, Cavaco entoou ditirambos épicos e sublimes ao programa da troica e aos resultados alcançados; sem nunca esquecer que as reformas estruturais têm de continuar…

Na verdade o conservador Cavaco e o socialista Hollande manifestaram o seu regozijo pelos passos dados por Portugal e apelidaram de êxito o que se tem passado no retângulo luso.

Já o finlandês tinha (não se sabe se visitou o santuário de Fátima) falado de milagre.

No mesmo dia em que se ficava a saber que na saúde os investimentos caíram vinte por cento e que estes quatro anos de austeridade afetaram os direitos humanos de centenas de milhares de portugueses, designadamente os mais vulneráveis, crianças e idosos.

A saúde está num estado que não é capaz de tratar da gripe de inverno, amontoando os portugueses em corredores armazéns de idosos.

Cerca de dois milhões de portugueses estão no limiar da pobreza.

O desemprego jovem é uma calamidade.

A emigração fez uma razia em profissões como médicos, enfermeiros e outras com elevada especialização.

Os funcionários públicos vivem com menos de vinte por cento dos seus vencimentos do que há cerca de quatro anos viviam.

Aumentou a precariedade das condições de trabalho e o medo de perder o emprego instalou-se na sociedade portuguesa.

Estigmatizou-se a sociedade criando a ideia que a crise do sistema financeiro foi criada pelo facto dos portugueses viverem acima das suas possibilidades.

Atomizou-se a comunidade pondo todos contra todos, isolando os cidadãos e amedrontando-os quanto ao seu futuro.

Esta política fez a saúde mental regredir anos. A violência doméstica agravou-se a níveis assustadores.

Em relação aos que trabalham nas suas profissões, o governo não tem dó, nem piedade. Espreme-os até ao tutano, infernizando-lhes a vida.

A guerra contra os professores continua.

Os ricos têm todo o tipo de benesses, favores, isenções, compadrios, loas, vistos gold e outros similares. O país é deles. E o governo quer sublinhar que é assim que deve ser.

Em nome do deus dinheiro há excedentes, zonas de conforto, direitos a mais e mal adquiridos, gente piegas, pouco empreendedorismo, gorduras, Estado a mais para o Social e Democrático e menos para os que dele só precisam para as grandes compras: Galp, PT, TAP, ANA etc.

Foram estes os milagres alcançados pelo governo que Cavaco foi anunciar e que comoveram Hollande e os dirigentes da OCDE.

Cá como lá, como na Grécia, como no Reino Unido e na Espanha os socialistas quando se apanham de mãos livres na governança em pouco ou nada se distinguem dos conservadores e da direita.

A prová-lo eis a visita ao Eliseu e as declarações encantatórias de ambos com o rumo de Portugal, da França e da União Europeia. Que o milagre os proteja dos vendavais…

O Que é o Silêncio?

O QUE É O SILÊNCIO?

UM OLIVAL?

O CÉU PEJADO DE AZUL A CAIR NA LINHA DO HORIZONTE?

O QUE ESTÁ POR DENTRO DO QUE SE NÃO VÊ E SE VÊ?

UM SORRISO AO RÉS DA SAUDADE?

O QUE FICA?

cebolal

O OIRO DAS LARANJAS OU O CHEIROOUTONAL DOS MARMELOS NA DESPENSA?

UMA ROMÃ ABERTA COMO O CORPO DA MULHER ESPERADA?

A BONDADE DOS AMIGOS?

O QUE É?

 

País de Merda…

 Zlatan Ibramovich, o célebre avançado do Paris Saint Germain, o club de Paris, conhecido pelas claques da extrema-direita, terá dito a propósito, de uma decisão do árbitro do jogo com o Bordéus…”Este país de merda”….

Esta tirada de Zlatan foi pronunciada, à entrada do túnel de acesso aos balneários, sem que ele soubesse que estava a ser gravada.

Após a sua divulgação Marine Le Pen a líder da extrema direita logo veio exigir, dentro do seu quadro mental e político, a expulsão de Zlatan par a Suécia, dado que o jogador nasceu naquele país escandinavo, membro da União Europeia, tal como a França.

Palavras de Marine Le Pen eram ditas e o Ministro socialista do Desporto, Patrik Kanner pedindo meças a Marine, não se deixou ficar para trás e em alta competição com a expoente da extrema direita verberou o comportamento do sueco e exigiu desculpas e a manifestação pública do seu erro…

É sabido que aquilo que cada um diz na sua intimidade acerca de si próprio, do seu cônjuge, filho ou amigos é algo de absolutamente surpreendente e nunca por nunca pode ser levado a peito e muito menos para efeito de julgamento disciplinar ou penal. É algo inviolável.

Que a Sra Le Pen se aproveite para cavar a fratura numa França desiludida com a governação socialista é de certo modo de esperar e gera naturalmente repulsa semelhante tipo de oportunismo reles.

Mas verdadeiramente espantoso é o Sr Ministro do Desporto vir a terreiro ultrapassar em nome da grandeza da França e reclamar a desculpa do avançado do centro do PSG…Extraordinário!

A gravação foi feita sem consentimento de Zlatan e o que cada um diz consigo próprio é algo que não pode ser devassado, salvo neste mundo perigoso em que os cidadãos já não podem abrir o bico, mesmo na sua mais recatada solidão. É o neo-liberalismo da liberdade repressiva.

O que todos esperávamos de um Ministro socialista era a defesa da intimidade e da integridade da personalidade dos cidadãos. Enganámo-nos.

O Sr Patrik Kanner veio dar como boas essas declarações apanhadas à má fila e em nome dessa artimanha exigir a Zlatan Ibramovich a retratação… como na Idade Média…no país da Revolução francesa …au nom de la liberte… et voilá a pouca vergonha …sans peur et sans reproche.

Francisco: As Palavras, a Frase e o Sentido da Vida

As palavras são a alma das frases. São o fermento que leveda o sentido e a ponte entre os que as escutam.

Há frases que nos fazem pensar, outras tão belas que nos deleitam, outras ainda que são raios  de luz que deviam obrigar a pensar.

Um novo deus, dono dos dinheiros do mundo, implacável para com os sem dinheiro, veio proclamar urbi et orbe a boa nova com os seguintes mandamentos, entre outros: esmagar o próximo, teu concorrente; praticar tudo o que for necessário para atingir o vértice do poder; dominar o sistema económico. Se assim fizeres dominarás o mundo, as bolsas andarão a teu mando; os governos obedecer-te-ão; o planeta não bastará para ti e os da tua estirpe…

Este é de lés a lés do mundo o comando que parece invencível na sua escalada de domínio.

Já não são só os indivíduos programados para a (im)potência e alienados com o individualismo que vão baixando os braços; os próprios Estados outrora soberanos, são apertados no torniquete do poder económico e ameaçados no mercado de capitais impondo-lhes juros usurários que tornam impossível obter crédito.

Este poder diabólico precisa de quadros, de gente capaz de executar o programado, de governos fieis, dos que merecem a honra de comer à mesa dos Senhores da Terra.

Admitem os irrevogáveis, os imperfeitos, os que não erram, nem leem jornais, os semeadores de ilusões…E outros.

Todos eles, na hora da verdade, receberão a recompensa, por, à custa do sofrimento da imensa maioria, ter tornado ainda mais rica a ínfima minoria, mais dona-de-tudo-isto.

Neste mundo, quando alguém, do alto das suas tão elevadas funções, diz…”Esta é a tirania de um sistema económico que põe o deus dinheiro no centro, e não as pessoas…” assinala uma grande verdade.

Dá um abanão. Agita as águas no sentido bíblico. Convoca a indignação. Traz à memória a revolta dos escravos. Enfrenta o Império. Torna-nos irmãos na nossa humanidade contra a desumanidade.

A frase assume um conjunto de pressupostos que têm em vista a realização da justiça e a dignificação das pessoas.

A classificação por parte do Papa Francisco do atual sistema económico convoca o povo católico a seguir o exemplo do seu chefe no sentido de colocar as pessoas no centro e não o deus dinheiro.

Mas não só. Esta coragem, este murro de força intelectual, transmite-se a todos os homens e mulheres sedentos de justiça.

Se houver a coragem que Francisco revela, se os que o dizem seguir forem dignos do caminho, se os impostores que adoram o deus dinheiro, forem descobertos, se os não crentes fizerem ombro na grandeza humana com Francisco, então todos seremos capazes de construir um mundo melhor, sem tiranias.

Francisco Reforça Centralidade dos Pobres na Vida da Igreja e Lembra que é Contra Uso Injusto das Riquezas, Sem Demonizar os Ricos

Cidade do Vaticano, 13 mar 2015 (Ecclesia) – O Papa Francisco, que hoje completa dois anos de pontificado, voltou a sublinhar a centralidade dos pobres na vida da Igreja Católica e denunciou o “pecado mortal” do salário injusto para quem trabalha.

“O que mais me indigna é o salário injusto, porque alguém enriquece à custa da dignidade que não dá à pessoa”, confessa, em entrevista à televisão mexicana ‘Televisa’, divulgada esta manhã.

Francisco mostra-se chocado com a “tranquilidade de consciência” de quem não paga salários, pensões ou subsídios, transformando o trabalho em algo “indigno”.

“É pecado! Seja feito por um rico, por alguém da classe média ou por um pobre, é pecado. Temos de denunciar estas coisas”, assinalou.

O Papa rejeita de novo quaisquer acusações de “comunismo” e explica que não está contra quem é rico, mas contra “a injustiça das riquezas”, porque “o diabo entra pelo bolso”.

“Por exemplo, quando não se paga o salário justo, é um pecado mortal. Isso é aproveitar-se da pobreza do outro”, insiste.

O pontífice argentino sublinha que o próprio Jesus Cristo coloca os pobres “no centro” da sua mensagem, elogiando a “sabedoria, a dignidade do trabalho”.

O que eu ataco é a segurança na riqueza. Não ponhas a tua segurança aí. Jesus é radical quanto a isso, no Evangelho”, refere.

A este respeito, o Papa realça que está em curso a causa de beatificação de um empresário rico argentino, Enrique Shaw (1921-1962).

“Uma pessoa pode ter dinheiro. Deus dá-o para que se administre bem e este homem administrava-o bem, não com paternalismo, mas fazendo crescer aqueles que precisavam da sua ajuda”, explicou.

A entrevista recorda dramas como o tráfico de pessoas, promovido por “pessoas com muito dinheiro” e critica os que vivem “ignorando que existe pobreza”.

“São a esses que eu ataco. O dinheiro que escraviza os outros, não os deixa crescer”, observa.

… O Papa rejeita o rótulo de ‘marxista’, afirmando que “a bandeira da pobreza é cristã” e que os comunistas a “roubaram” porque a Igreja a tinha colocado “no museu”.

Francisco elogia os que nos últimos séculos procuraram “saídas” para a promoção social, face às crises.

“Não é questão de dar dinheiro, é promover. Daí a importância da educação e das saídas laborais”, frisou.

O Papa mostra-se “escandalizado” com a discrepância entre bairros de lata e empreendimentos de luxo, separados por poucos quilómetros, e reconhece que por vezes usa “palavras fortes” para denunciar estas situações.