ET VOILÁ

 

Cavaco foi à França. À sede da OCDE. E ao Eliseu para conversar com François Hollande, o Presidente dos gauleses. Dizem os jornais que falaram cerca de uma hora.

Quer na sede da OCDE, quer no Eliseu, Cavaco esqueceu-se do cargo que ocupa e usurpou a Passos Coelho o de Primeiro-Ministro.

Embalado pelo finlandês, Vice- Presidente da Comissão Europeia, Cavaco entoou ditirambos épicos e sublimes ao programa da troica e aos resultados alcançados; sem nunca esquecer que as reformas estruturais têm de continuar…

Na verdade o conservador Cavaco e o socialista Hollande manifestaram o seu regozijo pelos passos dados por Portugal e apelidaram de êxito o que se tem passado no retângulo luso.

Já o finlandês tinha (não se sabe se visitou o santuário de Fátima) falado de milagre.

No mesmo dia em que se ficava a saber que na saúde os investimentos caíram vinte por cento e que estes quatro anos de austeridade afetaram os direitos humanos de centenas de milhares de portugueses, designadamente os mais vulneráveis, crianças e idosos.

A saúde está num estado que não é capaz de tratar da gripe de inverno, amontoando os portugueses em corredores armazéns de idosos.

Cerca de dois milhões de portugueses estão no limiar da pobreza.

O desemprego jovem é uma calamidade.

A emigração fez uma razia em profissões como médicos, enfermeiros e outras com elevada especialização.

Os funcionários públicos vivem com menos de vinte por cento dos seus vencimentos do que há cerca de quatro anos viviam.

Aumentou a precariedade das condições de trabalho e o medo de perder o emprego instalou-se na sociedade portuguesa.

Estigmatizou-se a sociedade criando a ideia que a crise do sistema financeiro foi criada pelo facto dos portugueses viverem acima das suas possibilidades.

Atomizou-se a comunidade pondo todos contra todos, isolando os cidadãos e amedrontando-os quanto ao seu futuro.

Esta política fez a saúde mental regredir anos. A violência doméstica agravou-se a níveis assustadores.

Em relação aos que trabalham nas suas profissões, o governo não tem dó, nem piedade. Espreme-os até ao tutano, infernizando-lhes a vida.

A guerra contra os professores continua.

Os ricos têm todo o tipo de benesses, favores, isenções, compadrios, loas, vistos gold e outros similares. O país é deles. E o governo quer sublinhar que é assim que deve ser.

Em nome do deus dinheiro há excedentes, zonas de conforto, direitos a mais e mal adquiridos, gente piegas, pouco empreendedorismo, gorduras, Estado a mais para o Social e Democrático e menos para os que dele só precisam para as grandes compras: Galp, PT, TAP, ANA etc.

Foram estes os milagres alcançados pelo governo que Cavaco foi anunciar e que comoveram Hollande e os dirigentes da OCDE.

Cá como lá, como na Grécia, como no Reino Unido e na Espanha os socialistas quando se apanham de mãos livres na governança em pouco ou nada se distinguem dos conservadores e da direita.

A prová-lo eis a visita ao Eliseu e as declarações encantatórias de ambos com o rumo de Portugal, da França e da União Europeia. Que o milagre os proteja dos vendavais…

domingos lopes

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