E viva o luxo

O Parlamento Europeu acaba de proibir a venda de carros a gasolina a partir de 2035. Só serão permitidas vendas de carros elétricos. Muito bem.

Só que até 2036 os Ferrari continuarão a poder ser vendidos e a rolar e acelerar com gasolina porque se produzem cerca de mil por ano, ou seja, as centenas de multibilionários que têm arame para comprar Ferraris vão poder continuar por mais um ano a comprar brinquedos de luxo.

Não bastam as pandemias, as crises, as guerras e o neoliberalismo que marcam o aprofundamento das desigualdades sociais a um ponto atroz entre a imensa maioria da população e a meia dúzia de compradores de Ferraris para mostrar ao mundo que são de outra argamassa .

Este pormenor diz tudo acerca de quem dirige o P.E. Perderam a vergonha e sucumbem diante do BIG MONEY.

Que magnífica medida de coesão social. Os que compram Ferraris podem lá ser comparados com os outros. Nem pensar. Haja Ferraris para gaudio dos que os podem comprar em 2035. As centenas de milhões de europeus comprarão elétricos. Diz-se que esses super hiper ricos se virem privados de comprar em 2035 um Ferrari a temperatura sobe ainda mais. Vejam lá o cuidado que é preciso ter.

Que tem Einstein a ver com a bomba atómica que destruiu Hiroshima?

O que é que Einstein tem a ver com a decisão de Harry Truman, Presidente dos EUA, de lançar duas bombas atómicas sobre o Japão em 1945? Ou Steinbeck? Ou Hemingway? Ou Whitman? Ou as sufragistas?

O que é que Leon Tolstoi, um dos maiores escritores de todos os tempos, tem a ver com a invasão da Ucrânia? Ou Tchaikovsky? Ou Pavlov? Ou Yashin?

O que é que Shakespeare tem a ver com o domínio britânico da India? Ou os Beatles? Ou Charles Dickens?

O que é que Madame Curie tem a ver com o domínio francês da Indochina?  

O que é que Luís de Camões tem a ver com a guerra colonial portuguesa? Ou Aquilino Ribeiro? Ou Agustina Bessa Luís? Ou Saramago?

Estas são mulheres e estes são homens que se levantaram do chão para se plantarem como estrelas no céu e nos elevarem na nossa humanidade.

Não são de parte nenhuma, nasceram num canto e pertencem pela sua obra a todos os cantos do mundo.

O génio do criador da Anna Karenina e Guerra e Paz é de todas as mulheres e de todos os homens do Planeta Terra, mesmo dos cegos ou dos analfabetos. Sem ele ainda veriam e saberiam menos.

Da Vinci é do mundo e da Humanidade e Mozart e Goethe. O que tem Schiller ou Marx a ver com a invasão hitleriana?

As autoridades ucranianas mostram bem ao rasurem das ruas da Ucrânia os nomes de Tchaikovsky, Pavlov e Tolstoi de ruas de Lviv o ódio que os move.

Sim, a Rússia invadiu a Ucrânia e está a destruir grande número de cidades, o que não tem perdão. Mas nem Tolstoi, nem Pavlov, nem Tchaikovsky têm a ver o que quer que seja com esta guerra; pela sua obra seguramente estariam do lado da paz. Então porquê este ódio a estes vultos gigantescos da cultura europeia para os apagar das ruas?

Retirem da literatura nomes como Gogol, Tolstoi, Gorki, Tchekov, Dostoeivsky, Puchkin; tirem da pintura Chagall, Kadinsky, Rubiev; da música Borodin, Tcaikovsky, Katchurian, Shostokovich, Rachmaninov, Prokofiev; das Ciências Pavlov, Lomontosov, Fedoseyev, Shomolish, que vazio ficaria na Europa?

Que a Sra. von Leyen não conheça a construção da Europa tal como ela foi e é não admira porque ela é uma burocrata antes de ser europeia. A Europa nasceu há séculos e está prenha de invasões.  

A alguma luminária passou pela cabeça retirar das ruas de Portugal o nome de Vitor Hugo apesar das invasões francesas? Ou o nome da Praça de Londres apesar do Mapa cor de Rosa?

Só o destemperado ódio justifica esta atitude apesar da ignóbil guerra da Rússia contra a Ucrânia.

A Europa sem a Rússia não seria a Europa que hoje conhecemos. Seguramente. A ignorância mora em Lviv e pelos vistos em Bruxelas.

O ativismo de Cavaco, o velho raposo está de regresso

O senhor Professor é um fenómeno que está muito para além do nosso triste planeta. Ele gravita no mesmo sistema solar, mas com outras órbitas, similares à do cometa Halley.

Quando ele aparece vindo de um espaço celestino perdido nas brumas do tempo gasto a tratar do rancor, logo se agitam os instrumentos de previsões meteorológicas e ideológicas, as primeiras devido ao posicionamento do planeta Terra e as segundas devido ao contexto ideológico do planeta PSD.

Cavaco apesar do seu perfil longilíneo é no interior da sua alma um homem retorcido. Ele deixou passar o prazo e tenta jogar por procuração. A casa que o fez inchar é hoje uma residência onde os inquilinos se estatelam e nenhum sabe ir à Figueira da Foz inventar um Congresso que lhe atribua as chaves de Primeiro-Ministro.

Cavaco perdeu-se nos labirintos da memória. Tem de ir a uma consulta ao Professor António Damásio. Já não se recorda o que se passou quando o seu enlevado discípulo, Passos Coelho, era o Primeiro-Ministro de Portugal.

O Sr. Professor ao longo da sua longíssima carreira política sabe que em Portugal só houve um Primeiro-Ministro que teve como objetivo declarado empobrecer os portugueses. Outros empobreceram, incluindo do campo do PS, mas nenhum teve como objetivo anunciado castigar os portugueses por viver acima das suas possibilidades.

Aquilo que o Sr. Prof. chama visão de futuro era para Passos Coelho o empobrecimento; por isso vir dizer que o PS é responsável pelo crónico empobrecimento dos portugueses é de quem gravita na órbita Halley, aproximando-se da política portuguesa quando um impulso para salvar o PSD o leva ao confronto com a realidade; uma retórica em que a verdade fica submetida à ideologia do articulista.

Cavaco fala de quatro reformas, enuncia-as, mas não avança um único ponto concreto. Como se a Administração Pública nos seus governos tivesse sido objeto de qualquer reforma. Ou a Justiça, ou o Sistema Fiscal ou as Leis Laborais. Cavaco não reformou, destruiu a indústria metalo-mecânica, a Marinha Mercante, trocou o arranque das vinhas e das oliveiras por meia dúzia de patacos.  Ele tentou impingir a um povo relativamente inculto que a modernidade era ter acesso a subsídios e a jipes e passar férias nas Caraíbas fiado.

O seu governo foi uma reedição melhorada da tradição secular de que há um Chefe do governo e que Ele é que sabe tudo e à custa de tanto servilismo ele acreditou que era verdade.

A sua visão de futuro é a do empobrecimento; ele descobre o véu e deixa mais ou menos ao léu a único ponto concreto dos seus quatro, nomeadamente o ataque à rigidez das leis laborais; na esteira do governo de Passos que queria Portugal campeão da competição ele concretiza o seu lado reformista – flexibilizar as leis laborais, tornar a vida dos assalariados ainda mais precária e infernal com o rasto de degradação das condições de vida.

Cavaco apareceu a atacar o PSD de Rio, humilhando-o, e a incensar Montenegro, na melhor tradição do PSD e de Cavaco, o homem que atirou João Salgueiro para fora da ribalta do partido.

Talvez o grande problema do PSD/Cavaco seja o total vazio programático depois do aparecimento da IL e do Chega. O PSD não tem para onde se virar e Cavaco, o velho raposo, saiu a terreiro para dar a mão ao novo timoneiro. Percebe-se o disfarce, atacar, atacar o PS a ver se o espaço eleitoral não minga ainda mais. É a velha ideia de concorrer com a direita mais à direita abrindo o pisca à direita. Lá vai o PSD para a direita da direita com o Professor a declarar solenemente que não há esquerda nem direita. Pois, foi sempre o desígnio da direita, a defesa do status quo. O que se não percebe é como esta postura rivaliza com o PS.

Na verdade, foi preciso Cavaco acordar para o PSD acordar. O PSD está assustado com a redução do campo de influência social/eleitoral. E logo os velhos dirigentes cheios de espaço nos media vieram elogiar o caminho apontado pelo homem que como Primeiro-Ministro não queria ouvir falar de Saramago e tinha um Subsecretário de Estado que vetou o livro do escritor, o “Evangelho segundo Jesus Cristo” ao Prémio Literário Europeu e que o homem de Boliqueime condecorou com a ordem do Infante D. Henrique destinada a quem tiver prestado serviços relevantes ao país.

 É deste país atrasado, a cheirar a mofo, sem um pingo de modernidade que confunde religião com criatividade literária que se vem gabar Cavaco. Pois que se gabe como é próprio dos gabarolas. Tem quem o oiça, sobretudo os desesperados pelo poder que não chega.

A Real família inglesa, os basbaques, Carlos, a mommy.

Portugal, um país republicano desde 5 de outubro de 1910, visto pelo ângulo das televisões virou piroso e embasbacado tendo em atenção a copiosa vassalagem à inenarrável família cheia de escândalos e cuja a cabeça comemora 70 anos de jubileu, gastando ao longo destas décadas do erário público milhares de milhões de libras, sem que os nossos defensores da lisura do Monstro se perturbem um segundo com tanta gordura e tantos castelos e tantos cavalos, tantos cães, tanta pompa e tantas superficialidades exibidas num momento de guerra e de um mundo à beira da fome.

Que os ingleses perdidos nas brumas de um tempo que não voltará em que lhes bastava exibir a bandeira imperial se virem agora para os restos da História dada a grandeza perdida é compreensível.

À sua frente resta um futuro cheio de dificuldades com um fulano de cabelos loiros revoltos, personagem que Shakespeare se fosse vivo não deixaria escapar, a viver na Downing Street; um sujeito a querer endireitar o mundo e que tem a lata de afirmar nesse Reino, que não tinha consciência que violava as leis por si decretadas quanto aos confinamentos em plena pandemia. Só de opereta.

Carlos, o filho da mommy, como ele disse no discurso, sim ele discursa, e para que conste quando viaja leva um criado que transporta a sanita porque o seu real cu só se pode sentar em sanita de oiro e de papel higiénico com cheiro à época vitoriana. Um traseiro assim só opera cumprindo todas as normas de grandeza da Real família.

Os ingleses perderam-se no tempo e andam em busca do tempo ganho que se foi. Ora, os portugueses resolveram esse problema Real lá mais de cento e doze anos, 112 .

Faltava-nos, sem monarquia, os vários canais televisivos intoxicar-nos com uma propaganda parola do jubileu da rainha inglesa e dos seus familiares, verdadeiras luminárias. Em português de Portugal República independente chama-se vassalagem saloia.

O que faz este país com tantos séculos ter no terreno mediático esta subalternidade à Coroa inglesa? Como precisam de um intervalo na guerra da Ucrânia, chegou o jubileu e um naipe de comentadores e diretos que fazem estremecer o coração dos mais pindéricos basbaques. Nem sequer faltou o diálogo à mesa Real entre a Rainha e um urso. Fantástico. Sublime. Quem imaginaria?

O grande e enorme Justiceiro da estirpe de Zaratrusta do oráculo de Alcochete

O grande JUSTICEIRO tomou a palavra e disse: eu sei o que a justiça não sabe porque a mim me é dado adivinhar o que nunca o Marques Mendes adivinhará, nem o oráculo de Delfos foi tão longe como eu na arte do adivinhanço.

Então ungido pelas artes da boa educação e desportivismo continuou a sua senda redentora… O Pinto da Costa é um bandido e um corruptor e responsável pelo bárbaro assassinato no do dos festejos da…..não terminou porque a sua educação proveniente dos melhores colégios suiços não lhe permitia referir ao pequeno e provinciano clube do Norte.

O JUSTICEIRO, personagem apenas comparável a Zaratrusta disse e o mundo mediático entupiu, dado que a todas as luzes da civilização décadent esta é a forma mais gloriosa de contribuir para um relacionamento saudável e respeitador, tanto mais que no nº1 do artigo 1º da CRP está escrito o seguinte; os juízes de Portugal devem seguir a jurisprudência emanada do JUSTICEIRO.

O homem da estirpe das divindades quando chegar à DOMUS IUSTITIAE dirá que jamais em tempo algum lhe passou pela cabeça ofender o cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa, antes pelo contrário; o que ele pretendeu foi chamar a atenção do Benfica para o facto de ser ELE o grande opositor do FCP e não Rui Costa, em acelerado declínio ainda segundo o terrível Zaratrusta.

O Meritíssimo juiz ouvirá extenuado o ribombar das hipersónicas e educadas palavras de Zaratrusta e sentir-se-á destroçado pela semântica. No fundo o Justiceiro que falava como Zaratrusta foi traído pelo seu incontido impulso para apagar fogos e contribuir para a decência e dignidade do Desporto, o que nunca será possível se o clube do Justiceiro não ganhar porque está escrito nos Céus de Alcochete.

VIVA ZARATRUSTA, o que dizia que não disse o que disse no sentido que não era bem que dissesse o que disse, pois que o que disse era uma hipótese de ser o que não disse e por mero lapso disse e foram mal interpretadas as palavras de elevação moral que o país de valores não merece e AMEN.

27 DE MAIO DE 1977 EM ANGOLA – A MATANÇA

Há 45 anos em Angola tombou uma parte relevante da juventude mais esperançosa do país, como se o tempo fosse intransponível para os que quiseram acelerá-lo em direção à sagrada esperança.

Dói sempre a morte de tanta gente generosa e combativa; dói ainda mais, por motivos óbvios, a morte daqueles com quem partilhamos os bancos das Faculdade ou as lutas estudantis e democráticas e o sonho da utopia nos anos de terror fascista.

Dói, por isso, a morte de Garcia Neto, velho amigo da República coimbrã Kimbo dos Sovas, e dói a de Rui Coelho meu colega da Faculdade de Direito e a de Sita Vales que conheci em tantas lutas estudantis com a sua frescura e ousadia à tona da vontade. Todas as outras doem na nossa sensibilidade de humanos com sentimentos.

O filme de Margarida Cardoso – Sita- ajuda a compreender a loucura da equipa dirigente do MPLA que quis fugir à História, esquecendo que ao tempo ninguém foge.

Fossem quais fossem os erros táticos daqueles homens e daquelas mulheres, nunca por nunca a resposta àquele confronto podia ser um ajuste de contas brutal responsável por dezenas de milhares de mortes que varreram Angola e a fizeram mergulhar num manto de sofrimento.

Na verdade, do que se tratou foi da eliminação da esquerda marxista dentro do MPLA. Que cálculos podem ter estado por detrás desta matança? Estando o governo angolano muito dependente de Cuba e URSS haveria o temor (tendo em conta a preparação, capacidade e consciência política daquela juventude e daqueles quadros) que pudessem ascender a posições relevantes e deste modo a direção do MPLA impediu essa possibilidade para prosseguir o seu rumo?

Estava em preparação a transformação do MPLA em MPLA-Partido do Trabalho, orientado pelo marxismo-leninismo. Esta mudança serviu para esconder a verdadeira natureza dos acontecimentos e o recuo ideológico encoberto na fraseologia da dogmática?

A acusação ao PCP, alegada por alguns, baseada no facto de muitos daqueles quadros terem pertencido à UEC ou ao PCP é pura invenção para confundir e “justificar” o ajuste de contas entre o núcleo dirigente mais conservador e os que queriam um rumo mais claro para o MPLA.

Não é por acaso (ao contrário do que aconteceu por exemplo em França com o PCF nas colónias que ajudou a criar partidos comunistas) que o PCP nada fez para criar um PC Angolano, apoiando inequivocamente o MPLA.

 Álvaro Cunhal considerava como algo novo do ponto de vista teórico e de sua autoria, quanto ao conjunto das forças revolucionárias mundiais, a existência de um conjunto de países progressistas que se diziam na rota do socialismo e que ele colocava na hierarquia das forças revolucionárias à frente de muitos partidos comunistas.   

Entretanto, faltou naquela hora, a solidariedade aos que caíram. Não se tratava de estar de acordo com propostas e métodos e táticas na luta no seio do MPLA, antes condenar de modo inequívoco o aproveitamento desses erros para fazer imperar em Angola e no MPLA o poder baseado na força do terror em relação aos que queriam um rumo mais nítido do MPLA quanto ao imperialismo.

É difícil compreender que um homem como Agostinho Neto ao fim da tarde do dia 27 de Maio de 1977 tenha proclamado que não iriam perder tempo com julgamentos. Tratou-se de um julgamento político com uma condenação sem julgamento para apurar os factos, o salvo conduto para a corrida à vingança levada a cabo pelos antiprogressistas enfarpelados de marxistas-leninistas.

Será que Neto tinha a verdadeira noção do que iria suceder? E se não tinha por que foi preciso esperar dois anos para fazer parar a impunidade?

O filme de Margarida Cardoso não tinha como objetivo explicar exatamente o que se passou, mas ajuda a compreender. É preciso e urgente trazer do fundo dos poços do terror e do silêncio a verdade, pelo menos para continuar a persegui-la e assim ajudar a pacificar Angola.

https://www.publico.pt/2022/05/27/opiniao/opiniao/27-maio-1977-angola-matanca-2007402

Não há imperialismos bons, a paz é o caminho

Há diferentes tipos de bombardeamentos e invasões neste mundo. Há as invasões aceitáveis e as inaceitáveis.

Para se conhecer a destrinça entre umas e outras tem de se averiguar de que lado estão os EUA e a NATO. No caso dos EUA invadirem países que considerem hostis e um perigo para a sua segurança as invasões são não só aceitáveis, como são de apoiar pelos chamados países ocidentais.

A invasão do Iraque com as várias centenas de milhares de mortes são aceitáveis e a grande maioria dos países ocidentais acabou por apoiar.

Nessa ocasião, todos os horrores e mortes não chocaram as consciências dos governantes desta parte política do mundo.

É interessante verificar que o mundo da Austrália ao Canadá se levantou contra a invasão, o que não impediu que um só homem, violando o direto internacional, tenha ordenada a invasão. Nenhum país ocidental lhe chamou criminoso de guerra.

Hoje tirando o povo ucraniano quem se levanta contra a guerra são dirigentes da NATO e da UE.

Os povos sofrem os horrores da corrida às armas; a vida cada está vez mais cara em contraste com os rios de dinheiro para os fabricantes de armas. Portugal não pode aumentar os trabalhadores da função pública, nem robustecer o SNS, mas pode contribuir com 250.000.000 de euros para entregar a Zelenskii, sem que saiba em que mãos vão cair, se em armas ou armadilhas de oligarcas muito parecidos como vizinho gigante do Norte.

Os bombardeamentos da Jugoslávia tinham justificação e a mutilação da integridade territorial do país não tocou numa única corda sensível do Ocidente- O Kosovo, província da Jugoslávia, tornou-se independente. O Ocidente que apoiou a partilha da Jugoslávia rejeita que a Crimeia seja russa. E vivo cego por sanções.

Quantas dezenas de milhares de palestinianos mortos às mãos do ocupante Israel são precisos para que Portugal entregue um pequeno cheque às autoridades palestinianas? Por que não vai nenhum governante europeu aos territórios ocupados? Que consciência os impede?

Pode esperar-se que estes governantes sejam exemplo a seguir em termos de liderança, de justiça nas relações internacionais, de respeito pelo mínimo dos mínimos das normas vigentes na comunidade internacional?

Sim, a Rússia invadiu a Ucrânia e deve ser condenada por tal violação. A Ucrânia está a ser destruída; há milhares de mortos e uma Europa dilacerada. Putin só pode merecer condenação e repúdio. Sim, mas por que não exigem aos EUA a reconstrução do Iraque e o julgamento no TPI de George W. Bush, Tony Blair, Aznar, Barroso, Portas de Cª ? O que os impede de utilizar o mesmo critério dado que a lei internacional que proíbe a guerra e as invasões é a mesma?

Como se pode aceitar um mundo em que as invasões ocidentais são democráticas e desculpáveis e as de outro país imperialista são execrandas e inaceitáveis?

Há os bombardeamentos dia e noite dos media instituindo uma espécie de pensamento único que consiste no seguinte – quem não apoiar os EUA e a NATO está ao lado de Putin, o autocrata, como se as eleições da Ucrânia fossem diferentes das da Rússia.

Os bombardeamentos mediáticos pintam um mundo de virtudes na ação dos governantes ocidentais, mas são gritantes os diferentes pesos e medidas que utilizam para fazerem prevalecer as suas políticas. Não há imperialismos bons, são todos agressivos e brutais.

Para que caos caminhamos? Pode ou não haver um mundo melhor? A resposta só pode ser sim se os povos tomarem a defesa da paz em suas mãos. Os governantes ocidentais estão ofuscados pela corrida às armas. Com a corrida às armas o dinheiro é empregue na indústria da morte; ganham os fabricantes de armas e os governantes que deles dependem.

Haja coragem. Calem-se as armas. É preciso negociar para acabar com a guerra. É urgente. O que é mais humanamente estranho, defender a paz ou continuar a guerra? É estranho em tempo de guerra propor a paz? Se for, acreditem, a Humanidade está a suicidar-se. Quantas guerras estão no ventre dos monstros?

Parem os bombardeamentos da Ucrânia e os media que reduzem o mundo ao infantilismo dos Bons e dos Maus prestem o seu relevante serviço informando . PAZ. PAZ. PAZ.

O que não disse Zelensky ao Parlamento português

O que disse de substantivo o Presidente Zelensky ao Parlamento português? Que a Rússia está a destruir a Ucrânia, a cometer um rol infindável de crimes, pediu mais sanções, armamento pesado e o mais rapidamente possível.
Há dias acrescentou, na hipótese de António Costa pretender visitar Kiev, o que pretendia antes da sua chegada – armamento pesado, ficando sem se saber se era condição sine qua non.

Antony Blinden e Lloyd Austin, Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa respetivamente, foram, no dia 25 de abril a Kiev, garantir apoio à Ucrânia até ao enfraquecimento e derrota da Rússia.  Nessa ocasião a Ucrânia atacou alvos dentro da Rússia.

Devia ser uma prática comum o Presidente de um país invadido pedir armas para combater o invasor. Aliás, essa prática impediria tais crimes.

Imaginemos o Presidente da Autoridade Palestiniana a pedir armas no Parlamento português devido ao facto dos territórios palestinianos estarem militarmente ocupados por Israel violando Resoluções do Conselho de Segurança da ONU; ou imaginemos, naquele tempo, Saddam Hussein, antes de ser enforcado por ordem dos EUA, aquando da invasão do Iraque contra o direito internacional, a usar da palavra e a dizer que George W. Bush, Tony Blair, Aznar e Portas mentiram e eram responsáveis por mais de cem mil mortos e a destruição do Iraque; ou imaginemos o representante do Iémen a condenar o inferno vivo em que os sauditas com o apoio dos EUA transformaram aquele país da Península da Arábia.

  Antes de Zelensky discursar no Parlamento imaginamos o que poderia dizer. A surpresa vai direitinha para o facto de não ter feito a menor menção a qualquer proposta de paz.

Bem sei que o país agredido procura armas para se defender; é um direito. Mas as armas devem ter em vista restabelecer a situação de paz e para abrir negociações para que as vozes das discussões substituam as das armas.

Quantas vezes os vietnamitas propuseram conversações de paz aos EUA, mesmo debaixo dos terríveis bombardeamentos de Hanoi e Haiphong? E aos franceses, antes do desastre de Dien Bien Phu?

 Segundo as palavras de Blinken a guerra é para continuar porque os EUA querem enfraquecer a Rússia. É bom meditar nas palavras. A guerra vai continuar e os EUA vão combater a Rússia dando armas e os ucranianos à morte. É verdade que foi a Rússia que criou esta situação, mas a guerra deve continuar a escalar? A quem serve?

Continuemos a imaginar os cenários – a Rússia encontra pela frente as maiores dificuldades decorrentes dos ucranianos, bem enquadrados pelos norte-americanos, resistirem. Nesta situação o que se está a passar em solo europeu é uma guerra entre o mandatário dos EUA e a Rússia.

É provável que a Rússia desista face a este desafio dos EUA? Se desistir os EUA continuarão a sua marcha triunfal numa Europa subalterna que lhe prestará vassalagem e a guerra acabará.

Se a Rússia não desistir e se sentir enfraquecida poderá estar em aberto o escalar do conflito para um patamar nuclear. A Ucrânia será seguramente, num primeiro momento, o centro do braseiro nuclear e por isso é estranho não ouvir de Zelensky um arremedo de proposta de paz, não porque se coloquem ao mesmo nível agressor e agredido, mas pela simples razão de que nesta última hipótese (a da escalada nuclear) não fazer sentido a guerra.

O mundo está cheio de invasões e os EUA têm um longo historial e até de uso de bombas de destruição massivas, que o digam Hiroshima e Nagasaki.

O melhor para todo o mundo, a começar na Ucrânia e na Europa, é negociar uma solução que seja aceite por todas as partes, mesmo tendo em conta os milhares de quilómetros que separam a Europa da América do Norte. A paz assim o exige e o direito internacional também. Louvada seja a iniciativa de António Guterres. Ele é o representante da instituição encarregada de fazer cumprir o direito internacional.

https://www.publico.pt/2022/04/27/opiniao/opiniao/nao-zelenskii-parlamento-portugues-2004048

É preciso pensar e repensar o futuro da Ucrânia, da Europa e do mundo

Está o mundo pronto para tirar os turcos do Chipre e de parte do Curdistão, os sauditas do Iémen, Israel da Palestina, os EUA de Guantánamo, Marrocos do Sahara Ocidental?

Ao leme da Rússia o novo czar invadiu a Ucrânia desencadeando a guerra com toda a procissão de horrores transmitidos em doses cavalares pelos media, sobretudo pelas televisões. Não há perdão para esta violenta violação do direito internacional e da soberania ucraniana.

 O desrespeito pelos acordos após a implosão da URSS de que a NATO não avançaria para os países do Pacto de Varsóvia, as contínuas ingerências na Ucrânia, a existência de forças neofascistas com poder crescente no poder daquele país, a perseguição aos partidos de esquerda e às populações de origem russa nunca podiam constituir justificação para a guerra eufemisticamente designada “operação especial”, tal é o medo da palavra e do seu significado por parte de Putin.

No discurso que justificou a guerra está presente um nacionalismo de grande potência que tresanda a imperialismo tout court.

Putin e a sua clique conseguiram que os EUA reforçassem o seu comando da Europa, e que combatam a Rússia por via da Ucrânia armando-a tanto quanto podem.

Depois desta guerra as forças militaristas ganham peso e força em detrimento das forças pacifistas e progressistas.

É preciso ter coragem e dizer que foi Putin que deu aos EUA este novo impulso e que pelo facto de os EUA serem a principal potência imperialista daí não pode resultar na luta entre estes dois imperialismos qualquer virtude do neoimperialismo russo. Recordemos a forma humilhante como Biden capitaneou a retirada das tropas do país do Afeganistão, a sua queda nas sondagens, a sua impopularidade e vejamos como hoje se move e “submete” os países da NATO à trela do seu carro de guerra.

A própria linguagem entre russos e norte-americanos é bem reveladora da mente das direções que dominam neste momento a Europa.

Parece claro que os EUA estão disponíveis para combater a Rússia à custa das vidas ucranianas. Se fosse ucraniano certamente combateria o invasor, mas o mais importante nos perigos da situação e fazer parar a guerra, abrir outro tipo de negociações, saber lucidamente o que constituem as cedências aceitáveis.

O que explicará o facto dos dirigentes europeus se deixarem envolver nesta absurda e sórdida guerra bem sabendo que se houver uma escalada no grau militar do confronto o continente ficará reduzido a um monte de cinzas nucleares. Quem nos pode garantir que é apenas retórica russa? A bomba atómica já foi usada por quem reivindica ser o leadership mundial e nem sequer fazia sentido, pois o Japão estava de gatas; a bomba atómica é hoje um brinquedo quanto aos seus efeitos em relação às armas nucleares.

Mais do que nunca falta a voz da diplomacia popular- a opinião pública- intervir para desequilibrar a balança e exigir o fim da guerra e negociações que reflitam os diversos interesses. Estamos à espera da vitória de um dos lados? Para que tal suceda o grau de confrontação vai continuar a escalar e depois é difícil parar. A Ucrânia invadida pede mais armas; a Rússia sem conseguir alcançar os seus objetivos ameaçar com mais ataques e os países que se envolvam; tudo na Europa.

Como podem os dirigentes europeus fazerem de surdos e não responderem ao apelo do Papa Francisco para parar esta guerra. Quem os impede de terem voz própria, a voz do continente mais avançado em termos políticos, socias e culturais.

É esta paranoia bélica que desejamos para a Europa e o mundo? Sei que a cada minuto, as vítimas ucranianas ganharam e continuam a ter um estatuto que as vítimas palestinianas, iraquianas, jugoslavas, afegãs, líbias, sírias e iemenitas nunca tiveram nem têm. Há vítimas preferenciais. Doi tanto a destruição do Iraque como a da Ucrânia ou de qualquer outra, a qual jamais poderia deixar de ter a mais veemente condenação.

No cortejo do belicismo atual o que os dirigentes europeus têm a propor é mais armas e mais armas e mais armas? O facto da Rússia ter começado esta guerra não significa que a resposta seja escalar o conflito; claro que não se pode aceitar que o prevaricador seja premiado, mas está o mundo pronto para tirar os turcos do Chipre e de parte do Curdistão, os sauditas do Iémen, Israel da Palestina, os EUA de Guantánamo, Marrocos do Sahara Ocidental? Estará? E acaso é só pela guerra que se consegue tal objetivo?

Pensemos bem para onde estamos a caminhar, mas há desafios que avisadamente o deixam de ser, pois se o passo nuclear for dado, o grau de destruição da Humanidade seria de tal ordem que os vencedores jazeriam ao lado dos vencidos.