O ativismo de Cavaco, o velho raposo está de regresso

O senhor Professor é um fenómeno que está muito para além do nosso triste planeta. Ele gravita no mesmo sistema solar, mas com outras órbitas, similares à do cometa Halley.

Quando ele aparece vindo de um espaço celestino perdido nas brumas do tempo gasto a tratar do rancor, logo se agitam os instrumentos de previsões meteorológicas e ideológicas, as primeiras devido ao posicionamento do planeta Terra e as segundas devido ao contexto ideológico do planeta PSD.

Cavaco apesar do seu perfil longilíneo é no interior da sua alma um homem retorcido. Ele deixou passar o prazo e tenta jogar por procuração. A casa que o fez inchar é hoje uma residência onde os inquilinos se estatelam e nenhum sabe ir à Figueira da Foz inventar um Congresso que lhe atribua as chaves de Primeiro-Ministro.

Cavaco perdeu-se nos labirintos da memória. Tem de ir a uma consulta ao Professor António Damásio. Já não se recorda o que se passou quando o seu enlevado discípulo, Passos Coelho, era o Primeiro-Ministro de Portugal.

O Sr. Professor ao longo da sua longíssima carreira política sabe que em Portugal só houve um Primeiro-Ministro que teve como objetivo declarado empobrecer os portugueses. Outros empobreceram, incluindo do campo do PS, mas nenhum teve como objetivo anunciado castigar os portugueses por viver acima das suas possibilidades.

Aquilo que o Sr. Prof. chama visão de futuro era para Passos Coelho o empobrecimento; por isso vir dizer que o PS é responsável pelo crónico empobrecimento dos portugueses é de quem gravita na órbita Halley, aproximando-se da política portuguesa quando um impulso para salvar o PSD o leva ao confronto com a realidade; uma retórica em que a verdade fica submetida à ideologia do articulista.

Cavaco fala de quatro reformas, enuncia-as, mas não avança um único ponto concreto. Como se a Administração Pública nos seus governos tivesse sido objeto de qualquer reforma. Ou a Justiça, ou o Sistema Fiscal ou as Leis Laborais. Cavaco não reformou, destruiu a indústria metalo-mecânica, a Marinha Mercante, trocou o arranque das vinhas e das oliveiras por meia dúzia de patacos.  Ele tentou impingir a um povo relativamente inculto que a modernidade era ter acesso a subsídios e a jipes e passar férias nas Caraíbas fiado.

O seu governo foi uma reedição melhorada da tradição secular de que há um Chefe do governo e que Ele é que sabe tudo e à custa de tanto servilismo ele acreditou que era verdade.

A sua visão de futuro é a do empobrecimento; ele descobre o véu e deixa mais ou menos ao léu a único ponto concreto dos seus quatro, nomeadamente o ataque à rigidez das leis laborais; na esteira do governo de Passos que queria Portugal campeão da competição ele concretiza o seu lado reformista – flexibilizar as leis laborais, tornar a vida dos assalariados ainda mais precária e infernal com o rasto de degradação das condições de vida.

Cavaco apareceu a atacar o PSD de Rio, humilhando-o, e a incensar Montenegro, na melhor tradição do PSD e de Cavaco, o homem que atirou João Salgueiro para fora da ribalta do partido.

Talvez o grande problema do PSD/Cavaco seja o total vazio programático depois do aparecimento da IL e do Chega. O PSD não tem para onde se virar e Cavaco, o velho raposo, saiu a terreiro para dar a mão ao novo timoneiro. Percebe-se o disfarce, atacar, atacar o PS a ver se o espaço eleitoral não minga ainda mais. É a velha ideia de concorrer com a direita mais à direita abrindo o pisca à direita. Lá vai o PSD para a direita da direita com o Professor a declarar solenemente que não há esquerda nem direita. Pois, foi sempre o desígnio da direita, a defesa do status quo. O que se não percebe é como esta postura rivaliza com o PS.

Na verdade, foi preciso Cavaco acordar para o PSD acordar. O PSD está assustado com a redução do campo de influência social/eleitoral. E logo os velhos dirigentes cheios de espaço nos media vieram elogiar o caminho apontado pelo homem que como Primeiro-Ministro não queria ouvir falar de Saramago e tinha um Subsecretário de Estado que vetou o livro do escritor, o “Evangelho segundo Jesus Cristo” ao Prémio Literário Europeu e que o homem de Boliqueime condecorou com a ordem do Infante D. Henrique destinada a quem tiver prestado serviços relevantes ao país.

 É deste país atrasado, a cheirar a mofo, sem um pingo de modernidade que confunde religião com criatividade literária que se vem gabar Cavaco. Pois que se gabe como é próprio dos gabarolas. Tem quem o oiça, sobretudo os desesperados pelo poder que não chega.

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