Carrascos para Decapitar Precisam-se!

O Reino saudita, segundo notícias publicadas nesta quarta, dia 20 do mês de Maio, está a recrutar com dificuldade carrascos para decapitar com sabre os condenados à morte e amputar pés e mãos aos condenados por delitos menores.

As notícias não davam conta do vencimento que o Estado saudita estará disponível para pagar. Por outro lado as leis sauditas não são suficientemente conhecidas a ponto de qualquer um dominar os requisitos para exercer aquela função de cortar cabeças, mãos e pés. Tanto mais que é de admitir em relação aos mais apressados que cristãos, hindus ou budistas não possam executar muçulmanos.

Não se sabe se foi a prática da Arábia Saudita que contagiou o Estado Islâmico ou vice-versa. Sabe-se da insuficiência de carrascos no reino, a ponto de estarem com muita mágoa a encarar a hipótese de passarem a utilizar pelotões de fuzilamento em vez da decapitação a sabre.

Um pelotão de fuzilamento implica muita organização e dá muito mais trabalho e gastos acrescidos.

Uma decapitação é uma tarefa individual que só carece que alguém amarre as mãos atrás das costas ao condenado e se assente a cabeça num cepo e zás, um golpe e a cabeça cai no outro lado, provavelmente num cesto ou no chão esguichando sangue.
O carrasco bem treinado não falhará, dizem os especialistas em decapitações. Não deverá tremer. Será assim. Olhará para o pescoço e se calhar abstrair-se-á que à sua mercê se encontra um ser humano, um muçulmano, filho de Alá, o Criador, irmão, portanto, do carrasco.

Ninguém vivo se lembra da espada cair sobre descendentes da família real. Essa coisa é para a plebe.

Os donos dos RollRoyce doirados não roubam, nem furtam. E caso precisem de algum serviço mais sujo têm muito por onde escolher: há centenas de milhar de emigrantes miseráveis no reino.

A Arábia Saudita é o país que decapita. Igual ao Reino no modo de executar só o Estado Islâmico. Uma estranha coincidência.

Polícias e Comunicação Social

Há umas semanas atrás, mais precisamente no dia 24/03/2015 iniciou-se o julgamento do caso dos polícias de Cascais.

Em síntese trata-se de uma acusação contra grande parte de agentes da PSP que se dedicavam em associação criminosa ao tráfico de droga, segurança ilegal, extorsão, ameaça e coação, entre outros.

Nessas atividades também participavam responsáveis da PSP de Cascais.

No dia 13 de Maio de 2011 a PSP desencadeou uma vasta operação que levou à detenção de mais de uma dezena de agentes e oficiais e criou um extraordinário alarme no país por motivos óbvios, desde logo uma tremenda suspeita sobre aqueles polícias.

Sobre os agentes caiu um manto terrível de ignomínia. Cascais acordou estupefacta. Dois agentes estiveram ano e meio em prisão preventiva.
As televisões, rádios, revistas, jornais, deram ao caso um relevo enorme. A comunidade ficou a conhecer as notícias terríveis.

Iniciado o julgamento, à porta do J1 do Tribunal Criminal estacionaram os jornalistas de câmaras e canetas em punho.

À medida que vão desfilando as testemunhas o caso poderá vir a transformar-se num flop e nem sequer vir a dar à luz um ratinho.

Os jornalistas debandaram. Já não havia sangue no radar nem no GPS.

Pelos vistos uma notícia sobre polícias que não sejam criminosos não é bem uma notícia.

Vende mais dar conta de desgraças e na verdade polícias ligados ao mundo do crime é uma tremenda desgraça.

Pode ser compreensível, mas que tod@s tenham presentes que se a final os agentes da PSP vierem a ser considerados inocentes, continuarão a pairar sobre eles as notícias do opróbrio, pois a sua inocência deixará de ser notícia.

O Comovente Enlevo pelo “Socialismo” Chinês

Ao cidadão mais distraído não tem passado despercebida esta súbita paixão dos governantes portugueses pelo “socialismo” chinês.

As grandes companhias chinesas estão a comprar grandes e médias empresas nacionais com a bênção dos neo liberais de cá guindados ao poder.
O que justifica este enlevo dos liberais de cá aos “comunistas” de lá?
Por que se querem tanto?

Ou é ainda a velha paixão de uns tantos maoistas-estalinistas convertidos (hoje altamente instalados no poder) ao novo rumo da China – Em força para o capitalismo sob a orientação do PC ch na construção do socialismo-?
O que seduz Portas, Catroga, Coelho e tutti quanti na construção da nova China?
A falta de sindicatos realmente independentes do Estado?

A competição que Passos Coelho quer implantar e até ultrapassar a China em salários baixos, a total ausência contratação coletiva, a abolição de justa causa de despedimento e das férias?

É esta ausência de direitos que os aproxima?

A verdade é esta: há muitos gestores a ganharem bom dinheiro que pinga dos chineses donos de grandes empresas.

E por isso não querem outro modo de tratar da vida – com os bilionários da China na venda das riquezas nacionais em saldo.

Consta que os ricos da China sabem recompensar os amigos e daí este corrupio de chineses.

Os chineses, ao que sabe, não são fáceis de enganar e jogam no cavalo certo e não há dúvidas que o governo português garantiu à Three Gorges que valia a pena o negócio da EDP.

Portas insiste para que venham carregados de dinheiro, pois cá estão os vistos gold a reluzirem dada essa característica do ouro, mesmo nos dentes.

Estes cavalheiros respeitáveis, assim o confirma os carregamentos de dinheiro, não pensam noutra coisa que não seja dar aos portugueses o que não dão aos seus conterrâneos: salários decentes.

O problema está nos mercados; o mercado chinês está conforme às agências de notação financeira e daí os nossos gestores se sentirem no Olimpo. Haja deus!
Os chineses ricos não se importam da cor do gato; o que lhes interessa é que apanhem o rato, o que vale dizer: ter o famigerado lucro.

No fundo, bem no fundo, quem lhes garante o lucro é o Estado “Socialista” lá e cá é o Estado neo liberal.

Faz lembrar o operário que na Praça de São Pedro aplaudia o Papa agitando uma bandeira do PCItaliano…foi interpelado – Então tu comunista a aplaudir o Papa? E ele lesto – Togliati (Secretário Geral do PCI) dá-me de comer na terra enquanto por cá ando; o Papa dá-me o céu…

Os investidores chineses cá e lá têm assegurado o sacrossanto lucro.
Haja mercados, dos que o Estado apadrinha, cá e lá.

Os outros mercados são feiras do tipo Carcavelos que servem também de lançamento de Portas no ataque aos impostos, de boné na cabeça. Depois com a careca a descoberto gere o aumento dos impostos. Irrevogavelmente.
Coelho mais contido aguenta bem os visto gold e pede conselhos ao velho maoista ex-Presidente da União Europeia, o sempre-em-pé Durão, que nada diz sem telefonar para o outro lado do Planeta.

Todos aguardam o fim das suas comissões nos respetivos cargos para em absoluto descanso e quietude voarem ao sabor dos novos mandarins.

Mundo de Fachadas

A Arábia Saudita que continua a bombardear diariamente o Iemen, berço da civilização árabe, não mexe um dedo quando os israelitas atacam militarmente os palestinianos, decidiu cancelar um contrato com a empresa portuguesa Hy Fly, que fornecia aviões e tripulação àquele país porque um dos aviões aterrou em Telavive com as cores do Reino na fuselagem.
Uma das características das piores ditaduras é comportarem-se duramente em relação a certos pormenores que querem transformar em grandes questões.
A Arábia Saudita não foge à regra. Pela frente age como um país que está na primeira fila de luta contra Israel a ponto de revogar um acordo com uma empresa que enviou um avião dessa empresa mas pintado com as cores daquele país por fazer a sua manutenção no país de Netanyahu…
Há quem diga que por trás da cortina os empresários sauditas e israelitas se entendem nos seus negócios…business oblige.
E já nem se fala do amor da Arábia Saudita a Israel para ir bombardear o Irão.
É tudo uma questão de fachada; afinal os sauditas aceitariam que o avião fizesse a manutenção sem as cores do reino.
É este o grande país com quem o Ocidente se entende e Portugal apela a que nos comprem algumas das poucas riquezas que ainda não foram vendidas.

Um pouco mais para o Oriente onde um país que se diz a pátria do socialismo e se guia pelo marxismo-leninismo e onde ser rico é ser belo, na esteira de Deng Tsao Ping, um bilionário alugou oitenta e quatro aviões e levou os seus seis mil e quarenta empregados a Paris para comemorar o vigésimo aniversário da empresa, tendo para o efeito reservado 160 hoteis e 146 autocarros, mais umas quantas mordomias em Cannes e Mónaco, num total de cerca de treze milhões de euros.
O que parece extraordinário é que no país dirigido pelo Partido Comunista Chinês os empresários (que já podem ser membros do dito partido) se comportem como verdadeiros senhores feudais ou autênticos ricalhaços a ombrear com os mais glamurosos do planeta. É caso para se afirmar VIVA A REVOLUÇÃO CHINESA A CAMINHO DO CAPITALISMO PURO E DURO guiada pelo marxismo-leninismo do Partido Comunista da China, VIVA !

Aditamento de Última Hora à Biografia de Passos Coelho – Breaking News

A biografia de Passos Coelho ficou desatualizada em menos de quarenta e oito horas. De facto há novos dados que já estão a ser examinados pelo Vaticano.
Passos Coelho acaba de fazer um milagre: trouxe do reino da penumbra, muito próximo do Hades, para o reino dos empreendedores vivos, sem passar pelo interior, o ex-conselheiro de Estado, Dias Loureiro.
O MP que tinha o processo na Antártida não pensa pedir certidão das declarações do Santo Milagreiro e está a ponderar o tipo de promoção, o que fará até 2022 quando o Vaticano tiver resolvido o problema da canonização e o for buscar ao FMI, pois o Gaspar sozinho é um problema.
Está a formar-se uma fila de notáveis, numa das rotundas desse Reino da Penumbra, vindos do interior com Duarte Lima e Sócrates a acotovelarem-se…
Os tios e tias da Linha estão incrédulos com este relevo dado ao interior. Marcelo em protesto vai mergulhar no Guincho no pino do Inverno.
Isaltino confirma as falhas que já tinha apontado ao PSD: quem lá manda é do interior; infelizmente ele nasceu ao pé da Boca do Inferno.

Os Empreendedores São para as Ocasiões

Os rasgados elogios de Passos Coelho a Dias Loureiro são o exemplo de coragem a que nos habituou. Só lhe faltou elogiar a coragem de quem patrióticamente mantem no gelo do Ártico o processo, digo eu.

O defeito, em termos de coragem, não está nele; está em quem não tem a coragem que ele tem e faz de conta que ele não fala claro.

Ele disse depois de se ter guindado ao poder que vinha para empobrecer os portugueses. Ele é um Primeiro-Ministro para tornar os portugueses mais pobres, disse-o e está a fazê-lo.

Em várias ocasiões tem dito e levado a cabo um programa de enriquecer os mais ricos e entregar as riquezas nacionais aos multibilionários chineses, sauditas, cataris, franceses e americanos…

Tem defendido às claras que os salários são para baixar e os impostos sabre o rendimento também…Quanto menos ganharem os portugueses mais estrangeiros virão investir; provavelmente se trabalhassem pela comidinha ainda viriam mais, penso eu que não sou ninguém a pensar.

Tem atacado como ninguém até hoje a Educação Pública, o Serviço Nacional de Saúde, a Justiça para todos, e afirma perentório com a sua Luís Maria que quer continuar este programa…

Desassombrado dá conta ao país que o chefe da coligação com quem anda de braço dado a empobrecer Portugal e os portugueses lhe enviou um sms a comunicar a sua irrevogável decisão.

Do alto da sua carreira profissional na Assembleia da República que não sabia que era preciso descontar para a Segurança Social.

Ainda de acordo com essa carreira criou uma empresa com fundos comunitários- a TECNOFORMA- que tratava de aeroportos onde nunca poisou qualquer aeronave.
Este Primeiro-Ministro é obra a empreender; ele só podia elogiar Dias Loureiro. Os empreendedores são para as ocasiões.

O que é mais difícil de entender é que ele leva a cabo um programa de empobrecer os portugueses e de enriquecer os bilionários e num país pobre e de pobres, os pobres votem nele; se calhar querem continuar a empobrecer…

A Grande Arte de se Metamorfosear

O político mais versátil do globo terreste nem sempre é bem compreendido, dado andar muito à frente de todos os outros.

A sua capacidade de se metamorfosear deixa alguns animais roídos de inveja.
Há nele um instinto tão forte de voar mais alto que nem Ícaro ousou, apesar das asas.

É tão repentino no seu voltear que deixa desnorteados os inimigos, que tanto podem continuar a sê-lo como a passar para o campo dos amigos. Num lampo.

A sua arte é a onda. Nunca foi visto na Nazaré, mas há quem diga que se o Marcelo se mandou ao Tejo ingloriamente para derrotar o fleumático Sampaio, ele é bem capaz de tentar destronar o norte-americano MacNamara….Escondido na mota do outro Mota, sempre na crista.

Munido do seu instinto de se misturar com o pobre povo ele não recua e záscatrapás boné de faia na tola nas feiras que percorre a pregar contra o Estado açambarcador de impostos.

Atraído pela agricultura tanto é capaz de transformar uma senhora que já o era na juventude em Ministra da terra e mar e do ar como de beber de um só golpe uma tacinha do tinto mais carrascão.

Ele corre os Ministérios todos como quem corre em busca do inacessível El Dorado algures entre a Rua da Madalena e São Bento, que é um santinho amigo e não é como outro da Porta Aberta onde entra qualquer um.

A sua devoção a São Bento, o de Lisboa, que tem estalagem a seguir à Estrela, no sentido do rio, é tão sentida que o atual inquilino bem se precata do fiel ao santo, o que leva a mal entendidos que podem dar cabo da freguesia impreparada.
Animado da melhor das boas fé o inquilino deu conta em breviário editado pela Santa Zita da (in)capacidade do devoto se manter no andor face à crise de crença de São Gaspar em levar a cabo a dieta tremenda recomendada.

Tão lesto que não hesitou para que o chefe da banda soubesse à velocidade da fibra enviando-lhe um sms com a sua decisão irrevogável.

O que se não compreende é o porquê da revelação. Será da proximidade do dia 13 deste glorioso mês de Maio? Ou do crepuscular Outubro?

Alguns Aspetos da Justiça que Temos!

Partimos do pressuposto que a justiça é nas sociedades modernas uma instituição estruturante da coesão social, pedra fundamental para os cidadãos se sentirem iguais perante a lei.

O Estado ao chamar a si a realização da justiça, reprimindo a criminalidade e organizando a resolução legal dos conflitos cíveis, familiares, administrativos, fiscais e outros, deve ser capaz de fazer a máquina judicial funcionar adequadamente, ao serviço da cidadania.

Porém a justiça, em Portugal, funciona mal e é de difícil acesso. O que marca de sobremaneira o mau funcionamento é a sua lentidão no que se refere às decisões, sobretudo em primeira instância.

A estrutura em que assenta é deficitária em meios humanos e tecnológicos e instalações. Além disso o seu funcionamento é marcado pela inexistência de uma visão estratégica por parte de todos; cada um responde pela sua capela desligada da comunidade onde se insere.

Se os juízes vão encontrar nos tribunais de primeira instância falta de funcionários, más instalações, falta de gabinetes adequados, de salas de julgamento, de papel e de fotocopiadoras, quem é o homem ou mulher que se sente motivado?

Decorre da condição humana que são as circunstâncias que nos rodeiam que ajudam a forjar as características dos seres humanos.

Um ambiente dinâmico, adequado ao tempo, faz com que homens e mulheres respondam a esse nível, permitindo localizar os incapazes e incompetentes mais facilmente.
Sem juízes motivados, independentes a todos os níveis, incluindo a nível remuneratório, a justiça corre mais riscos que os normais.

A falta de meios serve para justificar tudo: o que tem justificação devido a essa falta, mas também o que resulta da preguiça e deixa-andar-não-te-rales.
Os funcionários, sobrecarregados devido à falta de centenas de colegas por recrutar, não se sentem minimamente recompensados com as remunerações que auferem e têm de ser pau para toda a obra.

A Reforma do Mapa Judiciário recentemente implementada paralisou durante mais de um mês e meio o Citius e vem afastando os cidadãos dos tribunais, obrigando-os a fazer nalguns casos, deslocações de dezenas de quilómetros para ir a tribunal. E coloca com toda a acuidade a questão da mercantilização da justiça encerrando tribunais com menos de um certo número de processos amputando o braço do Estado da realização da justiça.

A nível de tribunais de família e menores, nalgumas comarcas, a marcha dos processos tornou-se lentíssima com todos os prejuízos e descrédito em área tão sensível para a vida em comunidade.

Nos tribunais administrativos e fiscais é o caos. Anos e anos para se fazer um julgamento. É a palavra exata, salvo raras exceções que se encontram.

Numa sociedade em que os cidadãos vivem com medo de perderem o emprego, de não pagarem as prestações em dívida, dos filhos não terem futuro, de que lhes falte a reforma, de haver mais cortes nos vencimentos, de ficarem sem saúde, com medo do futuro, é péssimo que percam confiança na instituição em que nunca a deviam perder, a Justiça.

2. Os cidadãos enfrentam dificuldades crescentes para acederem aos tribunais e à Justiça.

Bem pode o artigo 20º da CRP proclamar que os cidadãos têm acesso ao direito e tutela jurisdicional efetiva, mas deixou de ser verdade. As custas não param de encarecer, impedindo os cidadãos de as poder pagar.

Os sucessivos governos têm vindo a dificultar o acesso ao apoio judiciário, mesmo que seja apenas na isenção de custas e outros encargos.
Passos Coelho, Portas e Mota Soares tornaram o acesso ao apoio praticamente para quem viva na rua ou debaixo das pontes.

Quem auferir rendimentos ao nível do salário mínimo nacional ou até inferior a esse montante já não tem direito à isenção de taxa de justiça e custas do processo.

Por outro lado, a taxa de justiça nas ações com valor superior a 250.000.00€ da taxa é a mesma seja qual for o montante, sendo o acerto feito a final.

3. Outro aspeto a ter em conta é a privatização da execução. Foram apontadas para a sua justificação, essencialmente, duas razões: a morosidade e a corrupção.

Porém se as execuções eram morosas, agora desde a privatização quase não mexem… a pendência é assustadora.

E quanto aos fenómenos de corrupção eles enchem as páginas dos jornais.
Tornou-se praticamente inviável para a maioria dos cidadãos irem a tribunal executarem sentenças.

Quem tiver sentenças onde lhe são reconhecidos créditos para cobrar na ordem de alguns milhares de euros tem de pensar muitas vezes.

Para assegurar o seu crédito pagará a taxa de justiça, a honorários devidos ao agente de execução que nem sabe quem é o credor, nem se tem dificuldades, nem se chora ou ri, e tem de pagar ao advogado que provavelmente já conhece da ação declarativa e que, por sua vez, conhece (in)capacidade económica do exequente…
A tudo acresce a dificuldade em saber se o executado tem bens, pois se o agente de execução não os descobrir, tal situação não isenta de ter de pagar ao agente de execução os honorários fixados em tabela …

Obstaculizando o acesso aos tribunais, colocando a sua localização a dezenas de quilómetros dos cidadãos, encarecendo as custas, privatizando a execução, é provável que a prazo a pendência diminua, à custa da cidadania. Mesmo assim…vamos ver.

E Onde Estava o CDS?

No dia 25 de Abril, na Assembleia da República, um dirigente do CDS, desafiava a que se respondesse à pergunta… onde é que tu estavas quando Portugal foi conduzido à bancarrota… e a troika foi chamada.

Na verdade ele há perguntas que nunca deveriam ser formuladas devido ao confronto que elas geram com a realidade.

O deputado do CDS pretendia, capciosamente, encostar o PS ao Memorandum, tentando, por via desse artifício, branquear o comportamento do seu partido na crise de 2011.

Basta dar leitura ao Público de 05/04/2011 e ler as declarações de Paulo Portas durante uma visita à Escola Secundária José Saramago a Mafra.

Disse naquela ocasião o atual Vice- Primeiro…”Farei uma campanha pela positiva, eu não entro no pingue-pongue entre PS e PSD sobre quem é que tem a culpa… “ da crise.

O Dr Portas e o CDS de então não queriam saber de quem era a culpa…”Estamos num atoleiro…”, acrescentava, mas sempre atirando a responsabilidade para cima do PS e do PSD…

Em campanha eleitoral o CDS não sabia de quem era a culpa. Mas soube logo que percebeu que o PSD ia precisar do CDS do sempre-em-pé-para-o-poder, correu a dizer- presente!

Antes com Durão Barroso, mas ainda antes por via do Limiano para servir António Guterres, mas muito, muito antes com Freitas do Amaral para dar corpo ao governo de Mário Soares…

O CDS está sempre na fila de espera, na ombreira de São Bento para entrar… É o seu destino.

Às vezes nas feiras, outras nos mercados, outras no chá das tias de Cascais, outras ainda no Abu Dabi. Ou no meio dos eucaliptais a deixar a União Europeia reduzir as nossas quotas no nosso mar. E tudo isto com ar muito sério, com o partido travestido de D. Sebastião, patriotismo e engraxadelas à alta finança, um hibrido entre o desabrido Pires de Lima e a camponesa Cristas.

O CDS não estará porque esteve sempre onde tinha de estar para aceder aos reposteiros dos palácios onde estão os intermediários do grande poder financeiro.

Por isso, não há português que não saiba que há sempre um boné, uma tirada, um copo de tinto numa feira, que o seu líder não seja capaz de usar para ser o que é.

Quem não se lembra dos brutais ataques do Dr Portas ao Inquilino de São Bento, o Sr Silva, hoje de Belém e tão incensado …

O CDS está e não está. Se for preciso está e passadas vinte e quatro horas não está. Irrevogavelmente.

Está com o PSD, mas se PSD se afundar, antes que o barco vá ao fundo o CDS telefonará para o Rato a dar conta da sua disponibilidade para fugir do cenário e a abrir outro ciclo.

O CDS está com quem está e com quem virá a estar. O guião é o do poder.

Pode perguntar-se a quem quer que seja onde estava em tal ou tal ocasião, mas ao CDS não vale a pena porque os portugueses sabem onde sempre esteve – na ombreira do poder à espera para ver se entrava…ou se entra…coligado com o PSD até ver.

Aquela Manhã de Abril

Quem espera sempre alcança ou quem espera desespera?

Quanto tempo se pode esperar? E quanto tempo o tempo nos obriga a esperar?

E quem espera como espera?

Havia um tempo de espera de um outro tempo que germinava dentro do próprio tempo.

Era um tempo negro, fundo e longo.

Um tempo apunhalado pelos que o queriam só para eles…Um tempo de angústia. Preso.

Entre a cidade e o céu livre estavam as grades que o tempo via calado apodrecerem. Os gritos, porém, ficavam encostados às paredes do tempo velho e a dar notícia do tempo novo.

Havia que esperar. Esperar. Esperar. Cavando na gruta o tempo vindouro.

Era, como já se disse, o tempo do medo. Mas o tempo da coragem que matava o medo nos olhos medrava no sangue dos humanos rios.

Numa noite sem medo, em vez do manto escuro, desceu à cidade a manhã cheia de luz, a manhã que se anunciava nas faíscas ao rés dos olhos sem medo.

Foi uma manhã crepuscular que ligou a luz do dia à dos noturnos incêndios no coração de todos os homens.

E os que não esperavam deram suas mãos aos que esperavam pela manhã e que por ela viram morrer os que não resistiram à dor da espera.

Eram as marés da incontida alegria que jorravam de todos os olhares e de onde se inquietavam as esperanças reais e efabuladas pelos sonhos tão antigos de Spartacus.

Os que esperavam, em abono da verdade, não sabiam bem como ela chegaria; nem sabiam se a amada liberdade viria na rósea aurora.

Se ao menos os que sucumbiram soubessem como havia de chegar a aurora da liberdade talvez o silêncio pesado da morte desse para que o último esgar desenhasse um sorriso nos lábios arroxeados, o sorriso que nós acendemos e eles não viram…

De tanto esperar a manhã, também ela cansada de tantas trevas vencer, veio e poisou no coração da cidade. Aclamada, ninada e beijada.

Há um tempo de espera. E há um tempo de colher os frutos desse tempo de espera. Haverá sempre as sementes de Abril. E um gaio livre a voar em Maio.