Compre Fresquinha Uma Imagem Feliz

O PS e o PSD e o CDS estão em guerra: “Os cartazes pelo trono”. O arco amassou e o PS quer sozinho o que querem os outros dois.

O PS não foi a um banco comprar fotografias de gente feliz. Foi a uma Presidente de uma Junta de freguesia e arranjou  uma desempregada que afinal não estava.

E foi um descenso para o Dr Ascenso Simões. Teve de abandonar a propaganda e dedicar-se ao que se dedicava.

O diretor da campanha da coligação, o Dr Matos Rosa deu notícia que iam ao banco internacional, do género do HSBC, mas em fotos de gente alegre e feliz e compram as melhores caras para encaixar em Portugal: até pode ser a de uma jovem húngara ao lado de uma garrafa azeite. O que conta é a alegria de estar com a coligação do ponto de vista que o banco a vendeu e ela nem sequer saberá o que se passa em Portugal ou nem sequer pôs os pés cá, mas o Dr Matos Rosa assegurou que uma foto dessas é comprada pela coligação com todos os códigos que regem este marcado das imagens.

Uma boa imagem é sempre um bom começo. E há que cuidar bem da imagem.

O PS em matéria de imagem é o que se está a ver.

A coligação foi sempre assim: os portugueses estão mal e o país está bem dizia o Ministro Marques Guedes. Mais: disse-o sério sem se rir. Provavelmente porque lhe mostraram uma imagem de um velhinho todo contente comprada no banco de imagens da Noruega e que já correu o mundo para ser vendida em campanhas eleitorais.

É de crer que, quem tenha de escolher no recato dos gabinetes mobilados a preceito, se deixe enganar sem querer e pense que aquelas imagens correspondem ao mundo que estão a vender.

O mercado está sempre à frente, dirá o Sr Dr Pires de Lima com aquela voz de timbre de saber do que fala.

Este é um exemplo do que distingue os partidos da coligação do partido que quer agarrar o poder todo, sem repartir com ninguém, nem com a Maria de Belém.

Não são só os partidos a venderem imagens. Os órgãos de comunicação social agarram o “tema” e esclarecem tudo tim por tim.

Que ninguém fique sem saber a estória das caras tristes e das caras alegres porque um vende caras tristes aos portugueses e os outros vendem caras felizes do tipo da Maria Luís quando abre o cofre e não sabe o que há-de fazer ao dinheiro

Viva a República. Viva Portugal. Vivam as imagens. Que grande campanha eleitoral.

A Crise da Grécia É Um Grande Rendimento Para a Alemanha

Segundo notícias da imprensa do dia 11 do corrente, a Alemanha ganhou com a crise grega cem mil milhões de euros. Esse ganho resulta da baixa das taxas de juro obtidas nos mercados.

A notícia dá conta que as taxas de juro subiam quando na Grécia se cria que podia haver acordo com os credores. Baixavam com o agravamento da crise.
Dito de outro modo: há nos países do euro quem ganhe milhares de milhões com a crise de algum deles.

O que a Alemanha ganha, perde a Grécia.

As crises pelos vistos destroem a estrutura social e económica desses países, mas, por outro lado, fazem outros países engordarem e ganharem milhares de milhões.

Dentro desta União o que alguns perdem, ganham outros.

Os que ganham são os que têm poder para impor as tais condições draconianas que lhes garantam por mais umas décadas mão- de- obra barata e turismo ao preço da uva mijona.

São os representantes destes usurários sem escrúpulos que impõem a miséria e a fome aos parceiros em dificuldades da União. Haverá alguém com tento na cabeça que ache que é possível uma União nesta base? O Passos , o Portas , a Maria Luís e parece que o António Costa…

Teclar a Solidão

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/teclar-a-solidao-1704462

Teclar a solidão?

Há um perigo nas ruas e nos transportes que dão viagem aos cidadãos deste mundo civilizado. Há uma espécie de feitiço que lhes fecham as janelas do mundo e os fazem perder a aventura de namorar o mundo com os olhos; o mundo que se desfruta quando se tem de atravessar uma rua ou um bairro sentado num elétrico ou num autocarro.

Agora os homens não veem as mulheres azuis que o José Gomes Ferreira via sentado no elétrico. Nem as mulheres veem os homens que as viam quando elas se sentavam e num gesto único estudado cruzavam a perna e deixavam-nos pendurados para os dias seguintes.

Nos dias cinzentos que se vão por todo o mundo à espera que a Acrópole não seja transacionado pelo super agente Jorge Mendes recém-casado pela igreja há algo que se não sabe bem o que é e se está perder.

Essa perda não é imediatamente percetível. É algo que alguns perscrutam tal foi o desaforo do escritor José Saramago no seu romance “Tratado de Cegueira”.

Anda no ar essa inquietação dos olhares. Os olhos foram feitos para dialogar com tudo e contudo estão a perder-se esses atributos únicos dos olhares procurando nos outros como colibris à procura do açúcar, no caso dos humanos do açúcar que sempre há nos lagos mais fundos de todos os olhos.

Há um sentimento de que algo não vai bem e os olhos procuram desalmadamente uma foto, uma palavra que não faz a diferença, nem traz a certeza da incerteza do amor, por exemplo, antes a exposição a cores e sem o sabor singular das palavras que nos fazem corar quando as pronunciamos fora do recato que elas nos exigem.

Não dizemos por exemplo meu amor a torto e a direito porque quem o disser sabe que não é de amor que fala, mas de uma espécie de impostura.

O que está a acontecer e se pressente é uma fuga à solidão dos dias tristes, sem crença, perdidos, tentando que a violência dessa solidão se faça esquecer numa oferta de algo que não sucederá porque só sucede o que se constrói com sacrifício e dádiva e não esperando pelo euromilhões ou pelo prémio do Big Brother ou de ser guindado a famoso pela participação no concurso da dança com as estrelas.

Estrelas sem consciência da sua condição de degenerescência tão humana que assusta os que nos querem fazer crer que a vida é uma eternidade entre os vinte e os trinta anos, como se a Sara Sampaio ou a Irina fossem feitas para esquecer as belezas de Lauren Bacall, Sophia Loren, Jane Fonda, Ava Gardner ou Brigitte Bardot.

Não sei o que o Manuel da Fonseca sentiu quando escreveu a loucura que era a Marcha Almadanin, mas é quase certo que a Tuna do Zé Jacinto corria as ruas e arrastava rapazes e raparigas pelas ruas.

O mesmo terá sucedido com a Banda do Chico Buarque quando ela passava e tudo mexia até ao íntimo dos sonhos que temos e não se ficam pela solidão de umas quantas teclas.

Há sob a forma de um silêncio tecnológico uma solidão que não é solitária porque supõe haver um outro algures que responde na mesma onda de não enfrentar o tempo tal como ele é neste Agosto.

Há um tempo de atordoamento que as notícias martelam sobre os dias difíceis que estão para vir e sobre todas as desgraças que estão a suceder no Estado Islâmico, no México, na Palestina, no Irão, em Calais e até na China.

As notícias surgem de minuto a minuto, pois o mundo é tão grande e a minha rua tão pequena e demasiado estreita para os grandes camiões.

As notícias que os órgãos encarregados de as transmitir passam são um rosário inacabado das maldades que por esse mundo correm sem cessar; são aviões que caem, crianças mortas às mãos dos pais, palestinianos assassinados e judeus com medo de andar de autocarro, polícias que matam negros na terra de Obama, homossexuais esfaqueados por o serem, ladroagem e corrupção de um lado ao outro do planeta.

São tantas as más notícias, veja-se que até a Grécia parece que amochou aos ditames dos bancos alemães que a chancelerina representa nas “negociações” com Alex Tsipras, que apetece compreender que se baixe a cabeça e se mire o telemóvel da última geração para apanhar um like ou um jogo ou o que quer que seja que chegue por essa via a quem teme encarar esta realidade.

Teclar, teclar, ficar agarrado a uma rede que impede de pensar e simultaneamente entretém até chegar ao local de trabalho ou depois a casa é um desaperto do nó dos dias cinzentos que não dão sossego a ninguém.

Vivem-se tempos desesperantes. Os desafios são colossais e foram criados pelos únicos capazes de os resolver: os humanos.

Só que entre teclar, acreditar no efémero, na possibilidade da sorte, no encontro fortuito, e enfrentar a realidade vale a fuga.

É talvez esta a razão do silêncio de tanta gente agarrada às teclas dos telemóveis. Lá fora o mundo está encapelado. Porém a cegueira pode conduzi-lo aos abismos. Apesar de à nossa frente se continuarem a sentar os seres mais belos do mundo.

Hiroshima e nagasaki – O Horror Made in USA

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Faz hoje setenta anos que a população de Hiroshima sofreu o horror dos horrores. Quando a cidade acordava foi bombardeada com a bomba atómica que causou de imediata a morte de cerca de setenta mil pessoas.

Os EUA afirmavam perante a Humanidade, destroçada pela grande guerra, o seu poderio militar amedrontando tudo e todos.

Os EUA não hesitaram a dar início à utilização das armas de destruição massiva.

Três dias mais tarde para que o Japão e o mundo soubessem do que os EUA eram capazes foi a vez de Nagasaki sofrer o horror da segunda bomba atómica.

O inimaginável tornara-se uma realidade material. A maldade sem limites vencia todos os travões morais que podem conter a ação de uma violência mortal inaudita nunca experimentada.

A vontade de domínio não se detinha perante as centenas de milhares de vidas que acabaram por vir a perecer.

Esta foi a maneira de tentar mostrar a sua invencibilidade.

Porém a invencibilidade é sempre efémera. A URSS também foi capaz de construir armas atómicas e desde então até aos nossos dias existem armas nucleares suficientes para destruir a vida na Terra umas quantas vezes, o que pode suceder por mero acaso.

Nenhuma arma nuclear é boa. São todas más. E muito piores se em mãos de quem as pense vir a utilizar.

O melhor remédio é eliminá-las todas, incluindo as não declaradas como as da Índia, do Paquistão, de Israel ou da Coreia do Norte.

As armas de destruição massiva deram origem ao monumental embuste usado por George. W. Bush, Tony Blair, Aznar, D. Barroso e Portas para desencadear a guerra ao Iraque.

A verdade é que o Iraque foi destruído a ferro e fogo pelas armas de destruição dos EUA e seus aliados.

A Humanidade que criou toda a riqueza material e cultural que conhecemos e desfrutamos não pode ficar à mercê da vontade de domínio de um ou de um conjunto de países, sendo absolutamente necessário dar passos no sentido da redução e liquidação das armas nucleares.

Poderá parecer um sonho, mas comparado com a capacidade de as produzir, a capacidade de as destruir é milhões de vezes mais fácil e barato.

Aqui entra a diplomacia dos povos e dos cidadãos e do ativismo social. Sabendo que não se pode estar descansado enquanto as armas nucleares existirem há que fazer toda a pressão sobre os governos para as Nações Unidas implementarem a sua redução e eliminação.

Vale a pena perguntar com portugueses que somos: que faz o governo de Portugal sobre esta matéria? É a favor da eliminação das armas nucleares?

A Constituição da República é muito clara no nº2 do artigo 7º ao defender o desarmamento geral simultâneo e controlado.

O certo é que nem este governo, nem o próprio Ministro dá qualquer sinal de preocupação quanto a um problema que envolve a Humanidade e o nosso país sobretudo enquanto país da NATO, portanto no centro de qualquer conflito à escala mundial.

Passaram setenta anos sobre os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki com todo o cortejo de vítimas inocentes.

Os EUA mantêm a possibilidade de serem os primeiros a utilizar a arma nuclear com todas as nefastas consequências, pois se todas as potências nucleares assinassem um Tratado de renúncia à utilização em primeiro lugar, o mundo seria mais pacífico e estável.

No fundo o sonho de John Lennon “Give a peace chance” está vivo e atual.

Os humanos são capazes do pior, mas também são capazes do melhor. Façamos, então, tudo, tudo para que não voltemos a ter notícias da utilização de armas nucleares em qualquer parte do mundo. Para que os martírios de Hiroshima e Nagasaki sirvam de lição e exemplo.

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E Se Portugal Tivesse Um Ministro dos Negócios Estrangeiros

Pois é, se Portugal tivesse um Ministro dos Negócios Estrangeiros teria uma política externa para se relacionar com a Europa, os PALOP e o mundo. Mas não tem. Tem uma espécie de ministro que numa entrevista ao Público do dia 2 de Agosto fez questão de não esclarecer qualquer dos assuntos abordados e foram muitos.

Sobre a crise na Ucrânia o Dr Machete considera: “Tudo o que aconteceu com a saída de um Presidente e o ingresso de outro …pareceu um resultado de uma competição económica…A anexação da Crimeia, o auxílio manifesto das tropas russas …teve como consequência que a NATO recuperasse a sua razão justificativa”…

Para o Sr Dr Machete na Ucrânia entrou um Presidente e ingressou outro…Muito bem. O que todos pudemos ver foi exatamente à saída de um e à entrada de outro…no meio de uma verdadeira rebelião armada entrou um e saiu outro. Vejam lá.
No que à anexação da Crimeia diz respeito ela justifica a existência da NATO, porém já não existe Pacto de Varsóvia e os antigos membros do Pacto fazem parte da NATO…Dito de outro modo: A NATO ficou sem inimigo.

Além disso manda a História reconhecer que a Crimeia foi sempre russa…e bem se sabe que o Kosovo fazia parte da Sérvia e agora não faz, mas isso são outras águas bem turvas, como as que impedem a milenar Palestina de ser um Estado independente.

Sobre as negociações com os EUA a propósito das Lajes: O Dr Machete não podia explicar melhor o que se está a passar e a sua explicação é esclarecedora – “continuamos a estudar as medidas que possam mitigar a diminuição dos efetivos militares e dos trabalhadores portugueses…”.

Que medidas pergunta o jornalista. A resposta do Dr Machete é uma pérola para o anuário da diplomacia portuguesa: “Vai ser publicado no início de Agosto o relatório do Ministério da Economia, outras coisas estão a ser discutidas , não é o momento oportuno para avançar…”

Quanto ao caráter terrorista do Estado Islâmico: ..”A espetacularidade das acções tornaram indiscutível o carácter terrorista do E.I…” Quem duvidar da citação faça o favor de ir ler.

Quanto à situação política em Angola:…” Não me pronuncio. Acho que não ajuda…”
Quanto à situação política na Rússia: …” Viveu-se na convicção de que a Rússia ia evoluir…para um sistema democrático…”

Quanto à situação política na Guiné Equatorial e à decisão do Presidente Teodoro Obiango de dissolver o poder judicial: …”Não foi um passo positivo… “ Tem de ser ultrapassadas as imperfeições…”

Sobre a eternização no poder de certos Presidentes africanos: …”Acho que o Presidente Obama tem uma posição muito particular …”
Mas reconhece acuidade, pergunta o jornalista….”Há situações que se podem enquadrar…”

Pode concretizar?
…”Não…”

Quanto aos curdos da Turquia: …”Os curdos são um povo…que aspira a uma autonomia e eventualmente à independência…Há uma organização que pratica actos terroristas(PKK)…

Os mesmos curdos que são agora atacados?
…”Isso é outro problema. É a tentativa que os curdos através dessas acções ganhem jus à independência ou a uma autonomia que perturba os planos de Ancara para aquela área e a integridade territorial da Turquia…”

O Sr Dr Machete reconhece que os curdos são um povo mas só se o poder de Ancara não os bombardear porque se bombardear se calhar já não são um povo e não têm o direito à autonomia ou á independência, mesmo sendo a Turquia membro da NATO…
Sobre as botas no terreno para derrotar o E. I.: …Para uma luta eficaz e rápida serão necessárias…Viu-se o exemplo curdo. O facto dos curdos estarem no terreno evitou a tomada de Bagdad…”

É impressionante a pobreza política deste homem que faz de Ministro. Os curdos estão no terreno porque são de lá, do terreno. As tropas dos EUA e da NATO não são de lá; são de outros terrenos, bem longínquos e, por isso, por não serem do Iraque, nem da Síria, nem da Líbia criaram esta loucura em que está a viver o Médio Oriente.

Os espanhóis em 1640 tinham cá as botas, mas não eram de cá e foram corridos.
Os ingleses tinham as botas na América e foram corridos.
Foram as botas da ocupação do Afeganistão, do Iraque e os bombardeamentos da Líbia que ajudaram a criar o E. I. São os nacionais de cada país com a solidariedade dos países e povos que serão capazes de vencere ultrapassar a situação. Foi assim também em Timor-Leste.

É pena que Portugal não tenha um Ministro que com a sua voz fosse capaz de levantar a voz de Portugal para defender os portugueses. Portugal estaria melhor. Mas pensando bem um tal Ministro não seria convidado por Passos Coelho. Eis a razão de ser do Dr Machete como Ministro. Um zero. Pode ombrear com o Professor Cavaco Silva no que toca a dezanove menos um.

Venham os Cães da Nossa Salvação

A Grã-Bretanha esteve na primeira fila (Tony Blair líder do Partido Trabalhista era então Primeiro-Ministro) da invasão ao Iraque tendo participado na ocupação deste país.

Como é mundialmente reconhecido a invasão e a ocupação do Iraque foi, para além de um embuste (alicerçado em mentiras descomunais), uma violação grosseira do direito internacional.

Criou uma desestabilização no Iraque e na região e fortaleceu todos os movimentos jiadistas que se expandiram como nunca para a Síria, Jordânia, Líbia, Egipto, Tunísia e Líbano.

A Força Aérea britânica flagelou as tropas líbias e a Operação Ellamy  e impediu que a Força Aérea líbia usasse os seus aviões.

Também na Líbia esta intervenção levou ao descalabro e desintegração do país onde o Estado Islâmico tem uma força considerável.

A situação na Síria, cujo governo enfrenta os jiadistas e forças apoiadas pelo Reino Unido e outros é desesperante e o número de refugiados atinge os quatro milhões, quase metade de Portugal.

O Iraque, a Síria, a Líbia que eram países que acolhiam cooperantes de repente transformaram-se em países dilacerados cujas populações fogem à fome e à morte, graças a políticas de cegueira pelo petróleo e gás natural.

Para lhes sacar aquelas matérias – primas o Reino Unido arroga-se em país capaz de levar a guerra e destruição àqueles países e a exigir que as populações fiquem à mercê da fome e da morte ou das atrocidades do Estado Islâmico ou outros movimentos jiadistas.

Os que não quiserem viver em condições infra humanas ou morrer e ousarem procurar na Europa condições de vida humanas, o Reino Unido de Cameron já lhe deu as boas-vindas com cães e cercas.

Que morram nas suas terras ou com as bombas inglesas ou francesas ou às mãos dos jiadistas, que morram no Mediterrâneo, que morram, pois se não morrerem, açulam-se-lhes os cães que os mordendo escorraçam de volta à fome e à morte eis a política para os refugiados de David Cameron.

A outrora imperial Inglaterra dá mais um exemplo de civilização emocionante : açula os cães aos deserdados deste planeta, aos fracos sem comida e sem teto, às crianças indefesas, àqueles que caminham vindos do Paquistão e do Afeganistão e atravessaram a pé o mundo, aos que passam, tal é o desespero, o Mediterrâneo em barcos de borracha.

Mais para o centro da Europa um dos países que com a Áustria formava um império é mais radical: um muro para que ninguém passe.

Cameron não poderia construir um muro no mar; a Hungria tem ou teve almirantes mesmo sem ter mar, mas tem um lago, o Balaton e uma fronteira com a Sérvia por onde vêm os inimigos famintos e andrajosos.

Esta Europa desenhada deste modo pelos ingleses, alemães, franceses e norte-americanos bombardeia com o mais sofisticado que há em matar, os últimos gritos da moda.

A quem não aceitar morrer em casa pode ter que morrer entre Calais e a pátria do Sr Cameron, a bem do nível de vida europeu baseado nas matérias-primas dos esfomeados da Terra e nas bombas inteligentes ocidentais. God save the queen.

Incapazes de Lidar com o Inverno e o Verão Como Podem Governar

No preciso momento em que Portas e Passos davam conta do extraordinário que fizeram no governo, os hospitais do Algarve não eram capazes de tratar os idosos que acorriam devido ao calor de Verão cujas temperaturas oscilaram entre os trinta e os vinte graus.

Sós, sem os filhos que o governo mandou por esse mundo fora saindo da “zona de conforto”, os idosos são amontoados em macas à espera que os profissionais de saúde os possam tratar, mostrando um recuo histórico ao nível da preparação das populações para enfrentar um Verão no Algarve normal.

No Inverno, o frio fez os hospitais amontoar idosos e a apoderarem-se das macas dos bombeiros para que os doentes não se estendessem no chão. Todos vimos o desespero dos doentes e a arte de propaganda do governo.

Este é um feito deste governo: incapaz de lidar com o Inverno e o Verão. O SNS, nas mãos destes governantes, mostra-se inapto para atender a população idosa no período das gripes e no do calor. Tão só. São incapazes.

Estes são verdadeiros murros no edifício propagandístico do governo. O país recuou duas décadas. Empobreceu como pretendiam o PSD e o CDS. Podem gabar-se. Só que não dizem que está mais pobre e que o querem tornar mais pobre. Utilizam a palavra competitivo. Querem fazer o país com os salários mais baixos da Europa; claro que os investidores vão aproveitar a janela de oportunidade (é assim que se diz) e investir e os portugueses ficarão mais pobres, isto é, mais competitivos.

E já agora, como também foi anunciado hoje, os ricos estão mais ricos fazendo de Portugal um dos países com mais acentuadas desigualdades. Só que em vez de chamar os nomes aos bois falam de ajustamentos e de liberdade.

O que ontem Passos e Portas anunciaram foi a continuação do empobrecimento da população baixando salários para assegurar a competitividade, cortando na Segurança Social abrindo o caminho à privatização como se o mundo das finanças estivesse preocupado com o futuro dos idosos e não com o lucro, o único deus que adoram a ponto de terem criado a bolha que deu origem à crise que estão atirar para as costas das populações.

Passos e Portas falam em despesismo, mas não esclarecem que despesas querem cortar e que despesas querem fazer. Até agora são os campeões em cortes de salários e de prestações sociais. E campeões em despesas que ocultam com os bancos que estavam falidos e que asseguraram que estavam de saúde, os tais que não vivem acima das possibilidades… porque acima deles só o céu.

Em quatro anos impuseram ao país pobreza. Tanto material como espiritual. E gabam-se. Até agradecem a resignação. Tiveram o atrevimento de anunciar os cofres cheios. São gente da laia dos usurários que na hora de se apoderarem da riqueza dos pobres que a eles recorreram ainda pedem que lhes agradeçam o bem que lhes fizeram por não terem culpa da “incapacidade” dos necessitados.
São estes homens e mulheres contentes consigo próprios que fizeram a dívida pública saltar de cerca de noventa e sete por cento do PIB para cento e trinta. E em nome da diminuição da dívida impuseram estes sacrifícios à esmagadora maioria dos portugueses. Tendo-a aumentando vertiginosamente.

São estes que nos querem fechar qualquer talisca de esperança e que por isso na Europa se juntam aos usurpadores das soberanias em nome do mundo dos negócios. Os que juram fazer os portugueses pagar as dívidas de governantes insensatos aos credores externos, mas que internamente são caloteiros recalcitrantes.
Mas há uma esperança: podemos correr com eles. E eles sabem, daí as meias promessas e as outras envoltas em papel de celofane.

Apesar disso ainda está nas mãos de todos correr com eles.

Em Belém É que Ele Está Bem

Cavaco deixou o ameno clima de Belém e foi descobrir novas realidades meteorológicas no distrito de Portalegre.

Animado por toda uma série de amigos empreendedores deixou a vista para o Tejo, sempre calmo e a correr para o mar, e foi abaladiço para a terra onde o José Régio deu aulas e escreveu alguns dos seus notáveis poemas.

Talvez pela falta da brisa serena e fresca de Belém descobriu pelos concelhos daquele distrito um “novo clima”.

Um novo clima tem sempre muito que se lhe diga, tanto mais que em matéria de coisas novas Passos Coelho na Madeira arranjou para Portugal uma “alma nova”, sem que nenhum português a tenha pedido, pelos menos que se saiba.

Uma alma nova é coisa para os espiritistas e teólogos de nomeada, e há que deixar a quem de direito semelhante enrascadela.

Um novo clima já tem mais que se lhe diga. E, por isso, Cavaco sofreu as inclemências do novo clima desértico do Alentejo. Tão triste, tão sem gente, tão abandonado, tão entregue a si próprio que nesta nova realidade o clima mudou para desértico. Sem areia.

É sabido que o deserto cria miragens. Foi o mal que deu ao Senhor Presidente. Às vezes alivia-se, outras tem miragens. Outras sonha com maiorias absolutas, uma espécie de novo clima em que só há rigores austeritários para quem não for credor. Que coisa, Senhor Presidente!

O Zé Raposo Não Soube Que Morreu

O Zé Raposo era surdo desde os vinte anos. Na tropa uma bazuca deixara-o surdo. Totalmente surdo.

A médica, anos mais tarde, explicou ao patrão da pedreira que o Raposo era tão surdo que se ele entrasse numa discoteca com a música de animação no máximo, o ouvido dele não ouviria nada. Como se estivesse no céu. Silêncio absoluto. Ao que dizem do céu.

Era um rapaz divertido. Hasteava no quotidiano um sorriso a condizer com o verde dos olhos.

Diziam os que caçavam com ele que tinha uma vista que substituía o ouvido. Diziam os caçadores.

Tinha uma queda muito grande para as pedreiras. Gostava do ambiente da pedreira. Onde os outros tinham receio ele dava nas vistas. Fosse a colocar fogo, fosse a descer aos fundos da pedreira com a água sem se saber até que nível, fosse no que fosse nos modos mais difíceis de lidar dentro daquelas entranhas arrancadas à desventrada terra. Interessava-lhe o interior da terra e a arte de lá tirar o precioso mármore.

Vivia para a pedreira. Por lá andava como o rei das pedras, embora no bolso tivesse seiscentos e cinquenta euros a cada fim do mês.

O patrão gostava dele. Se o mandasse embora onde haveria de ganhar a vida? Tinha três filhas e seis netos. Nenhuma estava empregada, nem o genro; as outras eram mães solteiras. Viviam em casa do Raposo.

Ontem o Raposo estava a almoçar sentado, devido ao calor, à sombra de um velho e altíssimo plátano. Deviam ser doze e quaisquer minutos mais, pois começara a atirar-se ao que a mulher lhe pusera na lancheira.

Sem se saber porquê uma poderosa máquina de escavar destravou-se e rolou incontrolável. Um companheiro correu em sua direção berrando para se desviar.

O médico legista teve dificuldade em fazer a autópsia. Mas não em determinar a causa da morte.

Na aldeia os que trabalham nas pedreiras, hoje muito poucos, juntam-se e amaldiçoam as pedreiras, o fundão na terra que ao Raposo fez perder a cabeça. E ao cabo destes anos a vida.