E SE PORTUGAL TIVESSE UM MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS?

Pois é, se Portugal tivesse um Ministro dos Negócios Estrangeiros teria uma política externa para se relacionar com a Europa, os PALOP e o mundo. Mas não tem. Tem uma espécie de ministro que numa entrevista ao Público do dia 2 de Agosto fez questão de não esclarecer qualquer dos assuntos abordados e foram muitos.
Sobre a crise na Ucrânia o Dr Machete considera: “Tudo o que aconteceu com a saída de um Presidente e o ingresso de outro …pareceu um resultado de uma competição económica…A anexação da Crimeia, o auxílio manifesto das tropas russas …teve como consequência que a NATO recuperasse a sua razão justificativa”…
Para o Sr Dr Machete na Ucrânia entrou um Presidente e ingressou outro…Muito bem. O que todos pudemos ver foi exatamente à saída de um e à entrada de outro…no meio de uma verdadeira rebelião armada entrou um e saiu outro. Vejam lá.
No que à anexação da Crimeia diz respeito ela justifica a existência da NATO, porém já não existe Pacto de Varsóvia e os antigos membros do Pacto fazem parte da NATO…Dito de outro modo: A NATO ficou sem inimigo.
Além disso manda a História reconhecer que a Crimeia foi sempre russa…e bem se sabe que o Kosovo fazia parte da Sérvia e agora não faz, mas isso são outras águas bem turvas, como as que impedem a milenar Palestina de ser um Estado independente.
Sobre as negociações com os EUA a propósito das Lajes: O Dr Machete não podia explicar melhor o que se está a passar e a sua explicação é esclarecedora – “continuamos a estudar as medidas que possam mitigar a diminuição dos efetivos militares e dos trabalhadores portugueses…”.
Que medidas pergunta o jornalista. A resposta do Dr Machete é uma pérola para o anuário da diplomacia portuguesa: “Vai ser publicado no início de Agosto o relatório do Ministério da Economia, outras coisas estão a ser discutidas , não é o momento oportuno para avançar…”
Quanto ao caráter terrorista do Estado Islâmico: ..”A espetacularidade das acções tornaram indiscutível o carácter terrorista do E.I…” Quem duvidar da citação faça o favor de ir ler.
Quanto à situação política em Angola:…” Não me pronuncio. Acho que não ajuda…”
Quanto à situação política na Rússia: …” Viveu-se na convicção de que a Rússia ia evoluir…para um sistema democrático…”
Quanto à situação política na Guiné Equatorial e à decisão do Presidente Teodoro Obiango de dissolver o poder judicial: …”Não foi um passo positivo… “ Tem de ser ultrapassadas as imperfeições…”
Sobre a eternização no poder de certos Presidentes africanos: …”Acho que o Presidente Obama tem uma posição muito particular …”
Mas reconhece acuidade, pergunta o jornalista….”Há situações que se podem enquadrar…”
Pode concretizar?
…”Não…”
Quanto aos curdos da Turquia: …”Os curdos são um povo…que aspira a uma autonomia e eventualmente à independência…Há uma organização que pratica actos terroristas(PKK)…
Os mesmos curdos que são agora atacados?
…”Isso é outro problema. É a tentativa que os curdos através dessas acções ganhem jus à independência ou a uma autonomia que perturba os planos de Ancara para aquela área e a integridade territorial da Turquia…”
O Sr Dr Machete reconhece que os curdos são um povo mas só se o poder de Ancara não os bombardear porque se bombardear se calhar já não são um povo e não têm o direito à autonomia ou á independência, mesmo sendo a Turquia membro da NATO…
Sobre as botas no terreno para derrotar o E. I.: …Para uma luta eficaz e rápida serão necessárias…Viu-se o exemplo curdo. O facto dos curdos estarem no terreno evitou a tomada de Bagdad…”
É impressionante a pobreza política deste homem que faz de Ministro. Os curdos estão no terreno porque são de lá, do terreno. As tropas dos EUA e da NATO não são de lá; são de outros terrenos, bem longínquos e, por isso, por não serem do Iraque, nem da Síria, nem da Líbia criaram esta loucura em que está a viver o Médio Oriente.
Os espanhóis em 1640 tinham cá as botas, mas não eram de cá e foram corridos.
Os ingleses tinham as botas na América e foram corridos.
Foram as botas da ocupação do Afeganistão, do Iraque e os bombardeamentos da Líbia que ajudaram a criar o E. I. São os nacionais de cada país com a solidariedade dos países e povos que serão capazes de vencere ultrapassar a situação. Foi assim também em Timor-Leste.
É pena que Portugal não tenha um Ministro que com a sua voz fosse capaz de levantar a voz de Portugal para defender os portugueses. Portugal estaria melhor. Mas pensando bem um tal Ministro não seria convidado por Passos Coelho. Eis a razão de ser do Dr Machete como Ministro. Um zero. Pode ombrear com o Professor Cavaco Silva no que toca a dezanove menos um.
domingos lopes

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Um pensamento sobre “E SE PORTUGAL TIVESSE UM MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS?

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