PODEM OS EUA/OTAN/UE DERROTAR A RÚSSIA NA UCRÂNIA?

Give peace a chance

Os EUA e a OTAN definiram como objetivo estratégico em relação à guerra provocada pela invasão da Ucrânia a derrota militar russa.

Nesta conformidade a guerra irá prolongar-se por muito tempo, salvo se a situação militar vier a sofrer grandes alterações, ou se na Rússia ela se tornar insustentável para Putin ou para Zelenskii na Ucrânia ou para alguns países nucleares da OTAN devido à escassez de combustível ou de abastecimentos tendo em conta a inflação e a previsão de continuar a subir.

O empobrecimento dos trabalhadores e povos da UE é uma realidade indesmentível. Em Portugal, os trabalhadores vão perder algo similar a um mês de salário. Os pensionistas viverão pior. O número de pobres aumentou. Mais de dois milhões de portugueses vivem na pobreza. Os portugueses estão a empobrecer a olhos vistos. O que a União Europeia tem a propor é empobrecimento; simultaneamente sem um pingo de vergonha lucros colossais são anunciados diariamente pelas empresas de combustíveis e energia, bancos, de produtos alimentares. Já não há decoro. Por cada multibilionário criam-se quantos milhares de pobres? Quanto custa um ricalhaço destes?

O prolongamento de uma guerra (que nunca devia ter acontecido) com o seu cortejo horrendo de destruições e mortes tanto num país como noutro causará seguramente nos povos respetivos grandes comoções e eventuais revoltas.

 Na Europa as sanções duríssimas que atingem a Rússia implicaram um ricochete que está a ter efeitos medonhos na vida dos cidadãos e consequências políticas inesperadas. A própria guerra serve de justificação para aumentos nos bens essenciais sem qualquer justificação a não ser a ganância.

As destruições na Ucrânia são terríveis e as baixas militares insuportáveis caso prossigam. No lado russo as mortes são elevadas e as sanções podem vir a ter reflexos muito mais agudos em 2023/4.

A Europa dependia da Rússia em matéria de combustíveis. O obreiro desta parceria foi Angela Merkl; não era uma esquerdista, nem uma política irresponsável. Era uma europeísta defensora do papel da Alemanha na UE. Tinha gás barato da Rússia. Agora a Alemanha e a UE dependem quase exclusivamente do gás dos EUA que é bem mais caro.

A guerra acontece em solo europeu e as consequências dramáticas da sua duração são sentidas sobretudo pelos europeus.

A miserável demagogia acerca dos cereais para o Terceiro Mundo quer fazer uma esponja sobre o colonialismo, o neocolonialismo e as elites nativas quanto ao estado do mundo, como se antes da guerra aqueles países vivendo na ordem mundial dominante não fossem já países a viver na miséria e na fome.

Se a guerra se prolongar até a Rússia ser derrotada pode levar a que possamos voltar às longas guerras como as que já tiveram lugar há séculos neste continente (uma de trinta, outra de cem). Só que agora os meios de destruição são muitos mais eficazes.

Valerá sempre a pena face aos arautos da invencibilidade dos EUA/OTAN interrogarmo-nos pela humilhação que sofreram no Afeganistão.

Os EUA/OTAN estão em condições de derrotar a Rússia por intermédia da Ucrânia? Pelos vistos do chamado lado ocidental há quem considere que é possível. Talvez seja a razão pela qual os arautos desta hipótese sustentem que a guerra será muito longa, até que o poder na Rússia caia. E se não cair? Até quando pode a guerra, as sanções e o empobrecimento de um continente doravante incapaz de assegurar combustíveis e energia para funcionar?

De um modo talvez mais simples, a um país com a capacidade militar como a Rússia é possível derrotá-la no campo de batalha sem um apocalipse nuclear? Esta pergunta tem de ter uma resposta para confrontar os que defendem a derrota militar da Rússia. A não ser que se considere que a OTAN derrotará a Rússia em termos convencionais e que nesse caso os governantes russos aceitarão tal hipótese.

 A condução da guerra na Ucrânia não foi como os dirigentes russos imaginaram, mas daí à certeza de uma derrota vai uma diferença abissal.

Não se trata de querer ou não uma vitória de Putin. Trata-se de saber, face a estas circunstâncias e aquelas que no futuro se vislumbram, o que irá acontecer (e o que poderia ter acontecido no início da guerra e das conversações) a saber se teria sido melhor para a Ucrânia certas cedências ou empurrada pelos EUA/OTAN ser trucidada caso a demência continue a prevalecer em Moscovo, Washington, Berlim, Kiev, Paris, Londres, Bruxelas e outras capitais.

A hipótese de Putin cair é razoável? Até agora, apesar de várias movimentações de opositores à guerra, não está no horizonte tal hipótese.

Pensar em termos puramente militares que ele vai deixar-se derrotar tendo armas que impedem a derrota ou que levam à destruição mútua e neste caso todos perdem é um risco. Vale a pena corrê-lo? Responda responsavelmente quem tem essa obrigação.

 E se Putin cair, falta saber quem o irá substituir. É previsível que um dirigente de um país gigante, pleno de história, como a Rússia se deixe dominar por Washington? Nem o inenarrável Boris Yeltsin o conseguiu. Quem tem em mãos ou em mente o Ocidente?

Para já (como se a guerra fosse um videojogo) o que os dirigentes dos EUA/OTAN/UE têm para oferecer é apenas guerra em cima de guerra. A Rússia igualmente. Claro que foi a Rússia que invadiu a Ucrânia e que tal invasão só pode merecer a firme condenação. Mas o problema é derrotar a Rússia no caminho de outra guerra com a China ou negociar para acabar a guerra e impedir novas guerras.

As opções estão em cima da mesa. Pode e deve condenar-se o invasor e exigir que a guerra acabe com base numa política de segurança que envolva todos os países atingidos. O que não se pode é deixar que em nome dos povos e dos países deixemos a Europa caminhar para o abismo. Também cada cidadão tem a sua responsabilidade em impedir esse rumo. Estar ao lado dos povos russo e ucraniano pela paz é exigir que a guerra acabe o mais rapidamente possível e sem derrotados. Por cada dia de guerra que passe é um dia perdido.

Se não se exigir a paz a guerra vai continuar e por muito que a ladainha de castigar o agressor seja linda, os que a defendem esclareçam como se sai do atoleiro e se a própria Ucrânia vai ganhar com a sua destruição enquanto Washington enche os cofres de dólares com milhares de milhões de vendas de armamento e combustíveis, deixando a Europa na sua dependência.  

Os povos na Europa parecem confundidos, claro que condenam a invasão, mas o que se está a passar a nível de um confronto entre OTAN/Rússia deixa toda a gente receosa. A escalada pode atingir tal ponto que será sempre a Ucrânia quem mais sofrerá. A solidariedade ao povo ucraniano é mais que necessária.

Os seus dirigentes que seguem os comandos da OTAN e que guiam o país para o desastre total passarão no crivo da História como patriotas ou irresponsáveis?

São precisos homens e mulheres que se distingam dos demais irracionais que nos conduzem. Lúcidos, amantes da paz, capazes de aceitar que somos diferentes, mas iguais na nossa humanidade. Sim, precisamos. Onde estão? Saiam à rua a dar esperança a um continente que parece perdido e só vê armas sujas e limpas. Alguém que fale contra o belicismo. Alguém que nos deixe dormir em paz, sobretudos aos povos ucraniano e russo. Alguém que declare que podemos viver em segurança e quem não quiser será derrotado nas ruas e sem armas, apenas com o coração, a bondade e a fraterna esperança que herdamos ao cabo destes milénios de homo sapiens. Que sonho mais antigo há que não passe por viver em paz, não é John Lennon? Give  peace a chance.

E o povo, meu deus?

Segundos os media de hoje e após o rei Carlos III ter dado posse a Rishi Sunak como primeiro-ministro do Reino Unido os mercados acalmaram porque o multibilionário de origem indiano e banqueiro do Goldaman Sachs (por onde passaram inúmeros dirigentes mundiais, escola de ministros tal como era o BES em Portugal) é do seu agrado.

Sublinha-se que os mercados acalmaram, o que significa que o povo detentor da soberania que determina quem governa não conta.

Boris Johnson foi eleito com base num programa que mandou às urtigas e governou no meio de festas na Downing Street 10 enquanto os cidadãos estavam confinados em suas casas e pagavam caro a violação do confinamento. Downing Street era o glamoroso bar onde os ministros e seus ajudantes podiam ter as suas parties. O escândalo impôs a renúncia de Boris.

Veio toda lampeira e cheia de gás Liss Truss e durou pouco mais que uma alface mimosa. Foi-se. Os mercados irados encresparam e apoio popular não tinha. Foi-se.

Veio Rishi Sunak e o povo inglês não foi tido nem ouvido. Tudo se passou conforme a divindade detentora do poder – os mercados. Rishi é um dos deles com o seu alto e poderosos estatuto de 800 milhões de libras.

 Os liberais no século XIX lutaram para que todos os homens tivessem apenas um voto; agora os liberais protetores do mercado só aceitam a credibilidade se os eleitos forem da confiança do mercado. Parece que os social-democratas vão atrás deste novo pressuposto e enfim o mundo gira a toque de caixa do mercado.

Eis a nova verdade. As eleições são para escolher governos que agradem aos mercados. Que o diga o Syrisa na Grécia. As regras só valem se o povo tiver juízo e escolher os protegidos da divindade configurada no mercado mundial. Tudo o mais são pormenores até ao dia em que o voto seja na verdade a afirmação respeitada da vontade soberana do povo.

Por que não choram os mercados?

Os mercados passaram a ser entidades reverenciais que comandam a vida das nações e do mundo. A verdade é que nunca ninguém lhes viu a cara ou se lhes dirigiu com petições ou reclamações, nem neles alguma vez votou.

Fazem as suas operações de modo que a seguir a cada uma delas abocanhem milhares de milhões de dólares ou euros ou outra moeda sólida. É de sua natureza querer mais e mais e mais. Quando assim acontece por aí andam a meter o olho do alto do Olimpo deixando os humanos viver segundo os seus ditames.

Se por qualquer instinto de desconfiança sentem que podem deixar de encher todos os sacos do mundo manifestam a sua ira. É também uma das suas características, a ofensa ao terceiro pecado capital da lista apresentada pela Igreja Católica no século XIII.

 Deve, porém, acrescentar-se que tal como Zeus era o primeiro dos deuses da Grécia Antiga, a tendência da era pós-moderna é a nova divindade passar à frente das velhas divindades e daí muitas vezes os sacerdotes das antigas divindades, habituados a servir, se coloquem de joelhos face à nova. Não foi só o imperador Constantino que se converteu ao cristianismo. Mais houve e continua a haver.

Como estão por cima e acima de tudo têm quem por eles zele com máxima dedicação. Os novos zelotas glorificam esta nova divindade constituída una e diversificada e adoram-na dedicando-lhe todo o amor possível em troca do paraíso terreste.

Ao contrário do Reino de Cristo, de Jeová ou de Alá os seus altos sacerdotes não precisam de morrer para provar as delícias do paraíso, refastelam-se cá na Terra porque nunca sabem se após a morte fica alguma coisa para gozar. E sabem que é na sua dedicação sem limites que poderão desfrutar das delícias únicas dos servidores dos grandes Templos implantados nas Bolsas de Nova Iorque, Tóquio, a City ou FranKfort, sem esquecer Paris e Singapura.

A nova divindade é insaciável. A sua fé espalha-se por todo o mundo e engole deuses antigos, por vezes, servindo-se deles para sua prédica atingir em profundidade e largura o humano rebanho.  

Os Incas e os Maias tentavam aplacar a fúria dos deuses oferecendo-lhes sacrifícios humanos. Na Antiguidade grega, designadamente em Atenas os oráculos eram implacáveis e se necessário fosse para amenizar essa fúria divina eram sacrificadas crianças, adolescentes e virgens em cerimoniais de sangue inocente.

Por estas bandas ofereciam-se impuros queimados nas fogueiras para que Deus do seu alto assistisse imperturbável aos gritos lancinantes dos escolhidos pelos seus representantes na Terra.

Agora o mundo mudou: as novas divindades aprenderam com o passado, aceitam e impõem sacrifícios, mas sem espetáculos deprimentes e nauseabundos como o das fogueiras.

Agora castigam-se os simples cortando-se-lhes na subsistência de modo que se houver quem não subsista não se note porque nos hospitais as pessoas que não têm comida basta-lhes fazerem-se passar por doentes e uma refeição sempre hão de ter, se tiverem, certas vezes.

Um conhecido zelota a este respeito foi demolidor acerca da sua fé no novo Deus ao declarar que os pecadores confrontados com tanta pobreza haviam de aguentar os sacrifícios para salvar os deuses que fugiam da bancarrota a caminho da salvação terrena amparados pela celebérrima palavra – aguentam, aguentam.

São invisíveis as novas divindades, o que é da sua própria natureza. Têm muitos rostos. E estão espalhados onde já há os deuses antigos. Acomodam-se. A sua natureza só exige que os adore, mesmo que haja outros que sejam adorados por motivos meramente espirituais, o mundo destas divindades é a pura materialidade das moedas.

Eles vivem de outro tipo de devoção, querem cifrões e mais cifrões, tantos que os tiram a toda a Humanidade.

Em abono da verdade, pouco mais de umas tantas centenas destas divindades têm tanto como mais de metade de todas as mulheres e todos os homens da Terra.

Estão encastelados em locais fortificados e há quem diga que pensam ir par o espaço nos seus foguetões supersónicos, sempre estarão mais a salvo.

Eles dão ordens e logo os primeiros-ministros, os ministros das finanças e os governadores dos Bancos Centrais e até a luxuosa Madame Lagard transmitem o grave aviso de que os mercados estão furiosos e nada a fazer.

A City quando percebeu que Lisa Trusse não passava de uma figura sem rumo apresentou de imediato o cartão vermelho e a sua desgraça pode estar por semanas ou meses. Os mercados zelam pela ordem mercantil onde os humanos não passam de meros números.

Como é do conhecimento geral os mercados mandam nos governos. Deve ser por isso que as pessoas desistem de votar na medida em que os eleitos apenas prestam contas nos confessionários destas divindades e as promessas não são para cumprir.

O grande problema para os mercados é a capacidade de os humanos têm de reinventar permanentemente os seus deuses. Claro que entre o Aguentam, Aguentam e o não aguentam muita água corre por baixo das pontes.

Ultimamente os deuses viraram-se para outra grande divindade, Marte, o implacável deus da guerra que domina toda a Ucrânia.

Pode ser que os povos europeus furiosos, em vez de se matarem uns aos outros, proclamem o seu amor à paz e só aceitem divindades que sorriam, transmitam bondade e afeto entre todos os que por cá vão vivendo. Pode ser.

O “tranquilo” encerramento das maternidades

Surgiu a notícia do projeto de encerramento de seis ou oito maternidades e quem tiver memória não deixará de ter presente que bastava o encerramento de uma noite ou de um dia e os canais televisivos montavam repórteres para fazer diretos de manhã à noite. E os restantes media punham nas primeiras páginas com magno estardalhaço o malévolo facto.

 O país que se move de casa para o trabalho e regresso carregado de problemas a começar pelos próprios transportes não deve ter dado pela notícia.

Os que deram foi graças à prontidão da revolta dos autarcas dos concelhos onde estão as maternidades a encerrar. E repare-se que não foi o encerramento de um fim de semana ou de uma hora; será definitivo.

Pois, afastada Marta Temido, mesmo quando, como no caso dos distritos de Castelo Branco e Guarda as grávidas tenham de percorrer mais de cento e trinta quilómetros nalgumas situações, impera a triste notícia sem o ardor justiceiro e revoltado de então. Dá que pensar.

Costa e o crente Marcelo

Costa foi em socorro de Marcelo que sofre de prodigalidade e de entrar em transe em tudo o que envolve sotainas.

Ele disse o que disse e toda a gente percebeu o que ele disse menos António Costa que disse que ele não disse o que disse, sendo inaceitável a atribuição a Marcelo o significado que decorre das suas palavras.

Costa socorreu-se da hermenêutica para dizer que o que Marcelo disse deve ter uma outra interpretação que ele Costa sabe bem que não é a que salta do que Marcelo disse; coisas relativamente misteriosas.

O que também salta à vista desarmada é que Costa não segurou o guarda-chuva no Euro – 2016 por mero acaso e que a sua visão estratégica ao longo destes anos como chefe do governo, mesmo no período da geringonça, em relação a Marcelo é constante e até de pronto-socorro, como foi o caso presente.

Entre a pedalada sistemática de Costa e as guinadas de Marcelo, o Primeiro-Ministro do PS entrou forte e feio no eleitorado do PSD. No fundo indo em socorro de Marcelo ganhou simpatia onde Montenegro procura votos.  Coisas que ajudam a definir os dois homens. O sonho de Marcelo em relação a ver Montenegro onde agora está Costa levou uma pancadita.

O sofista e beato Marcelo

A República portuguesa é laica. A opção religiosa diz respeito a cada cidadão, incluindo a do mais alto magistrado da nação.

A Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República portuguesa, já não lhe bastava andar por aí a beijar as mãos dos cardeais e outros que tais.

Os seus alicerces político/ideológicos não se afundaram nas brumas da memória. Estavam sossegadas em profundas placas da mente de Sua Excelência.

A agitação criada com os crimes de violência sexual praticados por responsáveis religiosos em todo o mundo tem abalado a Igreja Católica e pelos vistos repercutiu-se no subconsciente do Presidente do modo mais primário, incompatível com a sua inteligência e compatível com o arreigado pendão ideológico de defesa das suas fidelidades. Tenha-se presente o sonho de ver Montenegro a Primeiro-Ministro.

Marcelo tem o destempero de considerar quatrocentos casos de pedofilia como insignificantes e horas depois eram insignificantes porque achava que seriam muitos mais, tal a confiança na Igreja.

O velho filósofo Sócrates, a quem muito devemos, fustigava os sufistas que eram capazes de inventar tudo para fazer valer a injustiça sobre a justiça. Marcelo que nunca se cala claramente está a padecer de prodigalidade em matéria ideológica; já perdeu o sentido da missão conferida pelo povo português para cumprir e fazer cumprir a Constituição.

A sua fé católica não o deve fazer cegar, ele é o Presidente da República portuguesa, não é advogado da Igreja católica, nem o sufista encarregado de branquear e ao mesmo tempo enegrecer a sua fé nos padres e bispos portugueses considerando que os vindos a público eram insignificantes face a milhares que Sua Excelência achava terem acontecido. A prodigalidade palavrosa é uma marca indelével de MRS.

O sufista e beato Marcelo

A República portuguesa é laica. A opção religiosa diz respeito a cada cidadão, incluindo a do mais alto magistrado da nação.

A Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República portuguesa, já não lhe bastava andar por aí a beijar as mãos dos cardeais e outros que tais.

Os seus alicerces político/ideológicos não se afundaram nas brumas da memória. Estavam sossegadas em profundas placas da mente de Sua Excelência.

A agitação criada com os crimes de violência sexual praticados por responsáveis religiosos em todo o mundo tem abalado a Igreja Católica e pelos vistos repercutiu-se no subconsciente do Presidente do modo mais primário, incompatível com a sua inteligência e compatível com o arreigado pendão ideológico de defesa das suas fidelidades. Tenha-se presente o sonho de ver Montenegro a Primeiro-Ministro.

Marcelo tem o destempero de considerar quatrocentos casos de pedofilia como insignificantes e horas depois eram insignificantes porque achava que seriam muitos mais, tal a confiança na Igreja.

O velho filósofo Sócrates, a quem muito devemos, fustigava os sufistas que eram capazes de inventar tudo para fazer valer a injustiça sobre a justiça. Marcelo que nunca se cala claramente está a padecer de prodigalidade em matéria ideológica; já perdeu o sentido da missão conferida pelo povo português para cumprir e fazer cumprir a Constituição.

A sua fé católica não o deve fazer cegar, ele é o Presidente da República portuguesa, não é advogado da Igreja Católica, nem o sufista encarregado de branquear e ao mesmo tempo enegrecer a sua fé nos padres e bispos portugueses considerando que os vindos a público eram insignificantes face a milhares que Sua Excelência achava terem acontecido. A prodigalidade palavrosa é uma marca indelével de MRS.

Coitadinho do passo preso à perna sem ordem de soltura

A moda do passo e da perna made in Centeno pegou e quer António Costa, quer Fernando Medina lá vão nos seus passos ter com a perna, a qual segundo esta liturgia tem de ter um tamanho que em que o passo nunca poderá ultrapassar a perna, como se não fosse a dita perna a dar o passo, colocando uma questão que Platão não imaginou, nem o seu venerado Sócrates, ou seja, pode uma perna dar um passo maior que aquele que dá?

Esta questão é tremenda e até hoje nenhuma escola política/filosófica foi capaz de resolver.

Em tempos idos um homem nascido em Santa Comba Dão aproximou-se deste intricado problema apresentando ao país subjugado uma versão em tudo similar, mas muito mais terra a terra, sem que se deixe de ter em conta que os passos curtos ou compridos assentam sobre a terra.

Ele, no seu jeito de chefe de família sem nunca o ter sido, por se ter casado com Portugal, criou as chamadas contas certas. A rubrica das despesas batia sempre certinho com a das receitas e para tanto um copinho de vinho e um punhado de azeitonas dava o sustento e uma casita pobrita e caiada constituía o ninho onde podiam repoisar os milhões de portugueses, salvo quando tiveram de ir bater com os custados na guerra colonial. Tudo certinho com as continhas que o homem do rol zelava por tudo e todos.

As contas certas inventadas pelos eurocratas de Bruxelas para amarrem os países periféricos a serem-no eternamente não são bem contas, são contos para adormecer.

Na verdade, as únicas contas certinhas (e mesmo assim há quem duvide) eram as dos primórdios do homo sapiens que trocava um animal por outro animal diferente e tudo ficava certinho. Quem diz um animal diz um machado de sílex por instrumentos semelhantes.

Imagine-se no mundo moderno um empresário que empreende dar o seguinte passo – pede o que não tem, contrai um mútuo para investir e dar um passo muito maior que a antiga perna e sair-se bem. Elon Musk tem pernas até onde todos têm, mas não tem passo para comprar o Twitter e de passo dá o passo muito maior que as pernas e um sindicato bancário empresta-lhe o vil metal, milhares de milhões de dólares, que grande passo.

Como vemos as contas certas, o passo não ser maior que a perna, não passa de uma “justificação” para que os que vivem dos seus vencimentos se vejam interditados de melhorar as condições de vida.

Isto é, enquanto a alguns é facilitado que quanto maior for o passo de gigante melhor é para a economia, para todos os outros o passo tem de ser como o das gueixas, muito curtinho, para que a economia só prospere para os gigantes de perna longa.

A economia fabricada por Bruxelas de que Costa é seguidor (sabe-se lá porquê) vai espremendo os muitos que geram muito, e o que daí resultar serve para que o passo nada tenha a ver com a perna; dito de outro modo todas os passos vão servir para as pernas gigantes como as de Musk ou similares.

A UE quer passinhos para os povos respetivos e verdadeiros papa léguas para os que têm a fome por quase toda a Humanidade. Por isso, um por cento têm tanto quanto cerca de metade da Humanidade.

Passos para a diminuição de rendimentos ou contas certinhas são a mesma patranha para justificar que uma meia dúzia de tubarões enriqueçam à tripa forra e todos os outros desde 2009 vejam, todos os dias graças a esses passinhos, a vida a piorar.

https://www.publico.pt/2022/10/10/opiniao/opiniao/coitadinho-passo-preso-perna-ordem-soltura-2023396

Marcelo no Chipre sem G3 e blindados para o ocupado

Em junho de 1974 a Turquia ocupou a parte Norte do Chipre. O pretexto foi a opressão da comunidade cipriota turca, minoritária face à cipriota grega. A ocupação foi condenada pela comunidade internacional. O ocupante é membro da OTAN. Até hoje mantém a ocupação e a Turquia é parceiro privilegiado do Ocidente impondo à Finlândia e à Suécia condições draconianas para entrarem na OTAN, designadamente quanto à perseguição dos curdos por parte do governo turco.

Na Europa os cidadãos que conhecem a amputação do Chipre são uma ínfima minoria. Ninguém fala da ocupação. A Turquia é um dos nossos. O Sultão da Turquia é muito bem visto por estes lados. Os amigos ocidentais (mesmo sendo em boa medida orientais) que ocupam países enteados, são bem aceites, são coisas da vida devido à localização do Chipre ao lado da Turquia. Que o diga Israel que não só pode ocupar os territórios palestinianos como anexar os Monte Golan.

O Chipre é um país milenar onde se diz ter nascido a deus do amor, Afrodite. É um porta-aviões no meio do Mediterrâneo frente à Síria, Israel e Líbano. Foi dura a luta contra os ocupantes ingleses, a opressão e a repressão foram violentas.

Apesar de pertencer à UE a ocupação do Chipre não mexe em nada com os sentimentos da Sra. von Leyen, nem do Sr. Borreli, nem do senhor professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República. Estão ocupados, pois que fiquem, quem os mandou serem uma ilha com fortíssima influência grega? Quem vai fazer uma guerra por causa de Chipre?

Marcelo e os dirigentes europeus passam pelo problema cipriota como raposa em vinha vindimada. Assobiam. Foi o que fez Marcelo. Disse que havia um problema.

É um exemplo da tremenda hipocrisia dos dirigentes políticos da UE. São contra as ocupações de países como por exemplo a Ucrânia porque como todos os dias vemos podem enfraquecer a Rússia, o que não convém fazer à Turquia que é um regime muito parecido com o da Ucrânia e da Rússia, mas que é um aliado.

É esta duplicidade que mata o direito internacional e faz os cidadãos descrerem nos dirigentes que todos os dias inventam todos os pretextos para proteger uns em detrimento de outros.

Como pode doravante Marcelo falar da solidariedade à Ucrânia quando no Chipre ocupado, acompanhado por Cravinho, não levou no bornal uma fisga para os jovens cipriotas atacarem os tanques turcos. Triste mundo.

P.S. Marcelo quando lhe dá jeito alega que no estrangeiro não comenta a situação política portuguesa. Deve ter tido uma espécie amnésia e pensado que estava em Lisboa tão longe de Nicósia e tão perto da linha de ocupação. Podia lá estar calado tendo o sonho que tem de ver o Montenegro em S. Bento.