Uma Justiça Antiafrodisíaca

Os homens necessitam de justiça. Em qualquer idade. Como velhos caminhantes a sua marcha vai para esse norte – justiça firme.

Todos os homens e mulheres em todas as épocas da Humanidade pediram-na ao Rei, ao Imperador, ao Ditador, a Deus, aos Tribunais. A Humanidade persegue a justiça. Humanidade de jovens, homens, mulheres. Querem-na bem erguida na comunidade.

E este salto de civilização que foi poder ir a Tribunal levando ao peito os Códigos resultantes de todos estes milénios é uma bênção humana. Custou muito, mas conseguiu-se: ir a tribunal reclamar de mutilações físicas e morais e receber em troca a Justiça dos homens.

O que se não esperava em Outubro de 2014 é que os Venerandos Conselheiros do STA decidissem que uma mulher aos cinquenta anos, a meio da vida, portador de alguma ciência, experiência e técnica tenha ficado moribundo para o sexo…Onde foram buscar tal castigo? Certamente que os Mui Venerandos saberão que a função faz o órgão e se eles, os julgadores não o fazem, não poderão, ou melhor não deveriam impedir os outros de o fazer e determinar vãmente que aos cinquenta já não há o que não têm – tesão.

Privatização do Governo?

Este governo tem passado o seu tempo a defender os mercados e o império do lucro. As empresas têm de dar lucro e para tal entregues ao setor privado que é quem as sabe gerir dentro dessa lógica.

Mas este governo analisado a essa luz é uma verdadeira nódoa. Só dá passivo. Quando tomou posse a dívida representava cerca de 97% do PIB e agora está na casa dos 133%. Não sabe gerir, nem governar.

O que sabe é aumentar o passivo. É um facto a que se não pode fugir. Valerá a pena privatizar o governo? Quem o quer?

A Falta de Carrascos na Arábia Saudita

O Reino da Arábia Saudita tem por norma ordenar a execução dos condenados à pena capital por decapitação com sabre.

Em 13 de Março de 2013 ordenou a execução de sete homens por roubo à mão armada por pelotão de fuzilamento, sendo que eram todos menores à data dos factos.

Os pedidos de clemência de todo o mundo não demoveram as Majestades do Reino saudita.

Na altura criou uma certa estranheza entregarem a um pelotão de fuzilamento a execução dos condenados.

O Reino prontamente esclareceu que escasseavam os carrascos e a execução a sabre requer força, técnica e determinação.

Não será o caso de um pelotão de fuzilamento que apenas requer o dedo para puxar o gatilho.

Porém não admira que o Reino do petróleo se vire para um nicho do mercado de recrutamento – o Estado Islâmico.

O mercado a funcionar em pleno: no E.I. os carrascos medram. Poderão por falta de mão-de-obra no Reino wahabita importá-la do califado.

Apesar de pertencer à coligação de Obama, os sauditas também pertencem a uma mais antiga, a do terror.

E tal como os seus ex-futuros apaniguados do E.I. o terror é para partilhar.

Turquia Contra os Curdos e ao Lado do Estado Islãmico

A coligação criada por Obama para combater o Estado Islâmico tem a Turquia como membro. Não é de admirar enquanto país da NATO…mas, há sempre um mas… A Turquia, porém, parece que não está nesse combate. E como dizia o velho ditador de Tondela em política o que parece é… E no caso é.

O dirigente da oposição turca, Kilic Daroglu, líder do Partido Republicano do Povo (social democrata) acusou o governo turco de apoiar o Estado Islâmico comprando-lhe petróleo, fornecendo armas, abrindo facilidades para instalarem centros de recrutamentos, entre outras medidas de apoio.

As notícias que chegam da frente militar em Kobani, cidade síria de maioria curda, dão conta dos bombardeamentos turcos contra posições curdas.

O governo turco liderado por um partido islamista não aceita, mesmo fora das suas fronteiras, que os curdos se fortaleçam nas suas posições. Entre a barbárie do Estado Islâmico e uma previsível autonomia curda, na Turquia a balança pende para o lado da barbárie.

O YPG, Unidades de Defesa do Povo Curdo, têm aguentado o assalto do Estado Islâmico( EI), sem até hoje se terem aliado aos “moderados” do Exército Sírio Livre, oposicionista de Assad.

Nem o regime sírio morrem de amores pelos curdos sírios, nem os moderados estão prontos a dar-lhe o quer que seja em termos de autonomia.

Os turcos, a última coisa que querem, na sua fronteira, é um “cantão” pelo que uma vez mais os curdos poderão vir a ter contra eles todos os regimes da região, salvo, neste momento, os irmãos curdos iraquianos.

Os EUA e a NATO sabem que no terreno em Kobani são os curdos do YPG que combatem o EI. Que fazer? Criar um problema com a Turquia? Ou uma vez mais irão fazer de conta que os curdos não são um povo tal como foi reconhecido no Tratado de Sevres no final da primeira guerra mundial que obrigou a Turquia a reconhecer a autonomia do Kurdistão?

As notícias referentes à entrega de armas aos curdos em Kobani pela aviação norte-americana é um elemento novo a ter em conta num xadrez muito complexo de alianças efémeras e muito contraditórias.

Em Todo o Esplendor

EM TODO O ESPLENDOR

A paranoia neoliberal tomou conta de Maria Luís. O seu radicalismo fiscalista atingiu um

grau que roça o desvario.O que ela propõe é que os portugueses olhem para os portugueses

como inimigos mendicantes a quem é necessário denunciar para que as contas com Bruxelas

e a Governadora da Europa, a Dona Merkel, fiquem direitinhas.

Quando ela defendeu esta sua tese o Senhor Vice-Primeiro, seu superior hierárquico, não

estremeceu.

Afinal os contribuintes de quem era o defensor provavelmente já se esqueceram, tantas são

as maldades do ilusionista das feiras.

O ideal de M. Luís é pôr-nos a todos a vigiar uns aos outros e aguardar pelas

migalhas…Entretanto ela já terá voado para algum daqueles cargos no Olimpo dos Mercados,

seguindo as pisadas austeras do Dr Gaspar.

Já ouvíramos alguns tecnocratas sediados em Bruxelas acusar de ociosos os povos do Sul e o

Sr Primeiro-Ministro do protetorado chamar piegas aos que não aguentam os sacrifícios dos

troicanos …

Agora Maria Luís desconcertante não lhes quer ficar atrás e entende que os portugueses

deviam ter o encargo de exigir que os seus concidadãos reclamem recibos para poderem

vir a receber algum troco do IRS… Talvez para a obra ficar completa pretenda colocar os

vizinhos a vigiar os vizinhos a verificar se pedem recibos, mobilizando o país no combate à

fraude fiscal, podendo até quiçá dispensar os milhares de funcionários da Autoridade

Tributária, cortando na Despesa, aumentando a Receita, como no mundo de Orwell.

Um mundo perfeito. O Estado reduzido ao mínimo, à Polícia não vá o diabo tecê-las..

Vozes de Outros Donos

Ontem foi a vez de outra voz. A da Maria Luís. Contidamente metálica e determinada. Quase adolescente. Inodora. Cheia de palavras graves e agudas. Delirante. Quase jiadista prometendo o paraíso aos mártires da austeridade. Promessa abençoada pelos deuses dos mercados. O novo bezerro de ouro.

Antes desta era a vez e a voz de Gaspar. Aflitivamente sem vida. Jiadista também. Um entusiasmo pelo martírio de um pecador por quem a Jonet rezará pela salvação. Uma voz sem sal. Apenas feita de cicuta.

São as vozes deste governo. Dolorosas como convém à promessa da Vida Eterna. Vozes de algumas alcatifas de catedrais e mesquitas.

Vozes emprestadas pelos insondáveis deuses omnipotentes e orwellianos.

A de ontem impenetrável como o aço. Sobra da voz um percentagem de dois décimos de um pecadilho menor.

O resto é o cumprimento rigoroso das ordens dos usurários para que a Junta da Freguesia Portugal cumpra ou morra.

Os do Sul vivem uma espécie de pecado original que os contaminou para todo o sempre. A periferia. O atraso de sempre.

São vozes de tal modo decalcadas dos seus mandantes que só o exorcismo de um poderoso xamã as poderá tirar da paranoia em que mergulharam.

Já não era dela aquela voz.

Suprema Hipocrisia

OS INIMIGOS DOS MEUS INIMIGOS

Ao que parece todo o mundo está contra o Estado Islâmico…mas não é bem assim. Basta confrontar a posição da Turquia com o que se passa na cidade síria de Kobani cuja a população é curda.

O governo turco em vez de atacar os jiadistas bombardeia as posições dos sitiados curdos.

Os militares turcos preferem negar os direitos nacionais dos quinze milhões de curdos que vivem na Turquia e aliam-se ao do Estado Islâmico.

Foram as autoridades turcas que empaturraram os jiadistas de armas, seguindo o exemplo dos EUA, Reino Unido, França Arábia Saudita e Cª.

Essas armas serviriam para derrubar o regime sírio, como os talibans serviram para derrubar o regime laico então existente no Afeganistão.

De novo a história se repete: medraram-nos e senhores da sua força ei-los em pleno instaurando o terror medieval onde ganham o poder. Voltamos à época dos califas, das crucificações, da morte por apostasia e ao puro reino do medo.

Os dirigentes dos EUA dizem que os bombardeamentos não estão a atingir os jiadistas…cabe perguntar: quem estão a bombardear? As infra estruturas sírias? Refinarias? Gaseodutos? Expliquem-se.

O laboratório militar que é hoje a Síria e o Iraque, países centrais no Médio- Oriente, está a servir de teste à expansão do islamismo para as populações muçulmanas da Rússia e China?

A fragmentação do Iraque está a ser implementada na Síria?

O que está a acontecer é o enfraquecimento destes países a poderes dispersos de configuração tribal como na Líbia debilitando toda a região, ganhando dimensão Israel, a Turquia e porventura, nesta fase, o Irão.

É evidente que os EUA tiveram no Afeganistão um vitória de pirro…pois não são capazes de instalar outro poder que não seja os dos talibans coligados ou não.

No Iraque guindaram ao poder os chiitas e segmentaram o país em comunidades tribais.

Parece que a estratégia passa, antes de tudo, por transformar estes países em Estados fracos e capturar as suas riquezas, nomeadamente o petróleo e o gás.

Fazendo um exercício de prognose o que interessa aos EUA parece ser a instalação do caos.

Se lograr instalá-lo só o seu poderio militar poderá impor a ordem. Poderá?

Ademais a estabilidade da China é demasiado intimidante para quem quer ser o número um no mundo. Estes jiadistas experimentados em tanta guerra podem servir. Os inimigos dos meus imigos são meus amigos…