Ainda a Guerra Contra os Professores e a Função Pública

Esta é a guerra invisível contra os professores e a função pública: tirar aos pobres para dar aos mais ricos.

Na guerra contra os professores há uma escondida e outra que é mais vasta. Começou com José Sócrates. O Estado não podia ter tanta despesa com os professores. Aflorou-se o que viria a ser a grande linha de ataque: não há direitos intocáveis. Todas as classes e camadas sociais vivendo do trabalho tinham de se acostumar à nova ideia — emagrecer o Estado, o que vale dizer cortar vencimentos e pensões.

Para tanto e seguindo os ensinamentos de Hobbes na sua obra Leviatã, todos tinham que se posicionar contra todos. Deste modo, o príncipe podia decidir a seu gosto. Num país em que a inveja dói, jogaram-se profissões contra profissões pretendendo-se que umas apontassem às outras privilégios que tinham de ser banidos. Eram os “privilégios” dos magistrados, dos médicos, dos enfermeiros, dos professores, dos funcionários públicos os responsáveis pela crise. Tinham vivido acima das suas possibilidades. E havia que atirar o reformado contra o professor, o enfermeiro e o médico em luta pelos seus direitos e pela dignidade da profissão. No novo mundo globalizado, profissões e carreiras não existem. Apenas mercados loucos de fome e à espera da submissão para investir. Os mercados é que mandam. Até o Presidente Cavaco Silva passava os dias a lembrar a realidade financeira, fazendo-lhe a devida vénia.

Com Passos Coelho, Paulo Portas e Assunção Cristas, com o beneplácito e incentivo da troika, os professores e a função pública foram tratados como sendo inimigos das finanças públicas por quererem aumentar a despesa. O trio e a troika tiveram o desplante de proclamar a um país pobre que o problema era saber fazê-lo empobrecer mais. E empobreceram. Foram quatro anos de punição severa. A realidade foi o que se viu, no limiar da pobreza está mais de um quarto dos portugueses.

Cristas deixou esta imagem de marca. Um rasto de destruição social. Bem pode pregar aos portugueses porque quando teve a possibilidade de governar bem, fê-lo a pensar nas privatizações e no empobrecimento; governou pessimamente, não há volta a dar. Por mais casos que se criem, por mais redemoinhos que apareçam, por mais que o Governo revele uma propensão acentuada para a asneira nos últimos dias, Cristas já governou e fez do empobrecimento a sua lei; agora, os bairros sociais e as estações de metro são só para chegar ao poder. Bem pode escrever meia dúzia de cartas aos portugueses e conseguir até que os jotas as divulguem — ela já governou muito mal; empobreceu o país em consciência.

Os professores sofreram na carne os cortes, os congelamentos e a ignomínia de serem apontados como gente pouco honrada, que só pensavam em greves e em manifestações e no seu umbigo. Foi esta a imagem transmitida.

Como se um país que queira ter futuro não tenha que tratar com respeito e dignidade aquelas e aqueles que vão ensinar os futuros cidadãos, os quadros e as elites de Portugal, como se esta profissão não fosse para ser considerada como estratégica para o progresso e o desenvolvimento do país.

Como se não nos recordássemos, na nossa memória longínqua, do papel de tal ou tal professor na nossa formação, que para sempre nos deixou a marca de nos ensinar a querermos aprender para sermos melhores.

Ensinar é uma das mais belas atividades humanas. Que seria de nós se não houvesse quem nos ensinasse? Sim, é importante haver quem ensine. E seria de esperar que a sociedade incentivasse a aprender os que estão na idade dos vários escalões escolares.

Com o novo Governo de Costa, Cristas e Passos capitanearam manifestações contra o ministro da Educação porque queriam que o Estado continuasse a pagar o ensino privado. Já não havia gorduras, só a tal liberdade de todos os zés-ninguém pagarem os colégios privados, isto é, em vez de serem os pais a pagarem os estudos dos meninos nos colégios privados, eram os portugueses que os pagavam.

É neste ponto que surge a guerra invisível contra os professores. Estes defensores dos cortes e dos congelamentos pretendem que o ensino se degrade e que a escola pública não passe de um local sem qualidade e sem futuro. Desrespeitar os professores, desprotegê-los nas suas carreiras e no seu embate com os pais dos alunos, “deportá-los” para terras distantes a centenas de quilómetros das suas casas.

Se os professores forem mal pagos, se forem tratados como uma profissão de malandros, o que vai suceder? Ninguém quer ir para professor… Quem irá e com que aptidões?

Num ensino degradado, sem futuro face à razia levada a cabo, avançará a privatização da Educação. Quem quiser que os filhos aprendam tem de ir para o privado que o Estado financiará para que os ricos se possam reproduzir com o dinheiro dos pobres. Aí já não haverá gorduras, apenas uma gestão eficiente em que os mais favorecidos, no plano social, terão à sua mercê privilégios do Orçamento Geral do Estado.

Esta é a guerra invisível contra os professores e a função pública. Tirar aos pobres para dar aos mais ricos. Se o SNS não for eficiente, se a Justiça não funcionar, se as funções do Estado falharem, só falham para os mais necessitados. A minoria social cheia de dinheiro tem sempre à mão o que precisa. Até engendrou planos para os pobres lhes pagarem os luxos.

A globalização levada a cabo por estes atores políticos significa a subversão do Estado social e a sua transformação num campo de batalha em quem mais tiver quer tirar o que puder aos que pouco têm.

Assim o país será competitivo e os investidores, seguros de grandes e chorudos lucros, investirão e levarão de cá couro e cabelo. Nesses não se pode tocar, estão ungidos de santidade mercantil. Sempre haverá por cá quem seja bafejado por tão nobres cavalheiros. Cumprir-se-á, então, o desígnio de Passos e finalmente Portugal será de quem der mais pela bagatela da mão-de-obra. De Passos ou de quem vier a seguir no PSD. Se o PS quiser.

texto de Domingos Lopes no Público Online de 30/11/2017

Os Pobres Não Podem Ir Para Onde Eles Vão

Por estes dias de novembro corre um estranho redemoinho para atacar os resultados das negociações entre o governo e os professores. O que constitui a base dessa ventania encontra-se no zelo dos que entendem que o Estado deve tratar com a função pública como sendo uma cambada que só pensa nos seus interesses barriguistas.

Este redemoinho implantou-se nos media e daí vai partindo como um pequeno tufão para se infiltrar na cabeça dos portugueses.

No fundo, o que vai pelo ar das notícias é a ideia do profundo egoísmo dos professores para se aproveitarem do seu poder reivindicativo e por essa via imporem aos portugueses um aumento da despesa pública. Os professores e a função pública podem fazer perder tudo o que conseguiu nestes dois anos de governo de António Costa …

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O Baixo e Gordo e o Velho Decrépito

Vivemos num mundo de conhecimentos cada vez mais amplos e, ao mesmo tempo, cheio de riscos e perigos devido à loucura humana de domínio. Há dias, 05/11/2017, neste jornal, António Damásio alertava para a necessidade imperiosa de alargar e aprofundar a educação e a cultura como meio de evitar que os homens se matem uns aos outros e se quebre de vez o ciclo de guerras que desde o homo sapiens marca a humanidade.

É um facto que sobretudo desde a eleição de Trump, a Península Coreana vive um período que pode fazer explodir um conflito e lançar o mundo numa guerra nuclear. Há dias, a embaixadora da Coreia do Sul para a Diplomacia Pública, Enna Park, dizia ao jornalista Leonídio Ferreira, do DN de 10/11/2017: “Temos de manter a nossa capacidade de dissuasão, o que significa ter uma superioridade militar”… As palavras valem o que valem, e aqui estão elas com toda a brutalidade — a Coreia do Sul quer ter superioridade militar sobre a Coreia do Norte, o que se adivinhará contando com a força militar e nuclear dos EUA.

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Compromissos Governamentais Versus Compromissos Locais?

Quando Jerónimo de Sousa, no dia das eleições gerais, abriu as portas a um entendimento com o PS, centenas de milhares de portugueses compreenderam ainda melhor a razão do voto no PCP. Para um partido político almejar e conseguir o poder ou condicioná-lo é uma das razões da sua existência — lograr realizar um conjunto de objetivos em que assenta a sua base e projeto político.

Nos últimos 40 anos, o PCP nunca teve o poder que hoje tem — o poder de derrubar o governo na Assembleia da República. Tal só foi possível porque o PS virou o azimute e o PCP tem uma votação significativa que lhe permite esse condicionamento do PS.

Nesta circunstância, ambos os partidos e o BE entenderam que, para resolver problemas nucleares do país (parar o empobrecimento, devolver rendimentos retirados e fazer crescer a economia) era necessário um compromisso que se refletiu no acordo parlamentar que garante ao PS o poder de governar.


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A Sorte de Sofia em Riad no Reino Saudita

O reino wahabita de que tanto gosta Donald Trump não é muito dado a grandes surpresas, mas, há sempre um mas… Desta vez não teve a ver com o número de decapitados, nem com a prisão de raparigas vestidas com saias e cabelos à solta, nem com a grave disputa com o Qatar e o Irão, nem com a guerra com o martirizado Iémen.

No dia 25 de outubro, por ocasião do Fórum Investimento e Iniciativa, que teve lugar em Riad, foi concedida a cidadania saudita a Sofia, que na cerimónia não trajava a abaya, tinha o cabelo à mostra e apresentou-se sozinha no ato em que lhe foi conferida a cidadania. Sofia, com parecenças a Audrey Hepburn, respondeu a várias perguntas colocadas pelos jornalistas, manifestou conhecer Elon Musk (empresário multibilionário canadiano, sul-africano e norte-americano) e portou-se à altura do grande momento de reviravolta naquele imenso país cheio de petróleo.

Na verdade, Sofia, apesar de sua juventude, não estava acompanhada por nenhum homem, seu tutor. As respostas foram de sua autoria, não olhou para nenhum homem antes de responder. Estava só. E apesar de Sofia ter declarado “estou muito honrada e orgulhosa desta distinção única” e de o poder fazer, sem que sobre ela se abatesse a espada misógina do reino wahabita dirigida pela Casa Real Saud, suscitou comoção no coração das mulheres sauditas.


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Os Estrategos da Sensibilidade em Matéria de Desgraças

Há mais de 50 anos que o país vai caminhando do nascente para o poente. Alguns ficam a aguardar, como o sol, a queda final. Ficam com a memória cheia de lugares e coisas antigas e a alma amputada. Outros regressam para o lado do nascente para morrerem e encontram os lugares já quase sem nada, sem a alegria das vidas que nasciam. Agora quase só há mortes.

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A Mulher Adúletra no Evangelho Segundo João e a Relação do Porto

In illo tempore, nos Evangelhos segundo João, 8:11-11, quando os fariseus e os escribas lhe trouxeram uma mulher adúltera e se preparavam para a apedrejar, Cristo respondeu-lhes que o primeiro que estivesse sem pecar atirasse a primeira pedra à mulher.

Neste tempo, no terceiro milénio, na era dos direitos humanos e da igualdade do género, neste tempo de descobertas científicas que permitirão ao homem e à mulher viajar um dia até Marte, ainda há quem julgue através de critérios mais retrógrados que aqueles que imperavam nas sociedades patriarcais de há milhares de anos.

Neste tempo ainda há quem invoque para atenuar o crime de violência doméstica de espancamento com paus e pregos as punições que existem onde o Direito Democrático é substituído pela charia, tão cara ao Daesh.

O adultério não é em Portugal crime e tanto pode ser praticado por homem como por mulher.

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O Fogo e os Comentadores do terceiro e Quarto Mundos

Acabaram de se realizar eleições autárquicas que são normalmente favoráveis aos partidos da oposição, mas não foi o caso. Não foram eleições legislativas, mas não há ninguém que não saiba que a leitura seria outra, se o resultado fosse favorável à oposição.

A direita perdeu claramente, independentemente do resultado de Assunção Cristas, que vive e progride à custa do PSD e não dos outros partidos. Cristas quer continuar a cavalgar no terreno do centro que o PSD deixou ao abandono ao galgar para a direita.

Duas semanas depois das eleições com expressão clara de apoio à política de devolução de rendimentos aos portugueses, ocorreram incêndios nunca vistos, que no domingo, dia 15, atingiram a enormidade brutal de mais de 450. Tal tragédia provocou quatro dezenas de mortos e destruições devastadoras de bens. O país viveu um domingo de verdadeiro apocalipse; a convergência de problemas que existem na floresta há décadas com condições climáticas únicas. Certamente que houve, tal como se retira do relatório da Comissão Independente, erros de avaliação do que sucedia e omissões que poderiam evitar tantas mortes nos incêndios de Pedrógão e nestes últimos.

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Os Políticos São Todos Iguais?

Há um mal profundo na sociedade que corrói a vida democrática. Trata-se da ideia que os políticos são todos iguais. A aparente inocência deste pensamento contém em si um dos aspetos mais negativos no plano democrático, o de que sendo iguais, não vale a pena escolher. E, daí, as taxas de abstenção.

Claro que os políticos são mulheres e homens que choram e riem como todos os outros seres humanos. É certo que no exercício do poder local, parlamentar ou executivo enxameiam os lugares com gente da sua confiança, muitas vezes prevalecendo o “yes, sir” em vez do mínimo de competência. E aí pode haver igualdade.

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Mariana Pineda na Barraca

 A Barraca tem em cena a peça Mariana Pineda de Garcia Lorca, encenada por Maria de Céu Guerra.

Trata-se de um espetáculo muito bem conseguido representado por atores de grande versatilidade.

Dentro da encenação Céu Guerra utilizou de modo soberbo a guitarra e a voz do músico de nome Paco que conhece bem o lado trágico do flamengo andaluz.

Desde cedo se perceciona algo de dramático face ao que Mariana não vai dizendo, mas se vai intuindo.

Na verdade, logo aos primeiros minutos, o espectador perscruta nas palavras e nos gestos de Mariana que algo de terrível vai suceder.

Ficamos a saber que as ruas de Córdoba e de Granada estão desertas porque naquelas cidades há um medo avassalador, comandado por um tal Pedrosa, juiz do absolutismo.

Mariana adere aos liberais tendo-se apaixonado por Pedro, um dos chefes liberais, condenado à morte, que com ela urdiu um plano para fugir a essa à condenação à morte.

É tão forte o amor de Mariana por Pedro que ela pede a um jovem loucamente apaixonado por ela que vá levar a Pedro o passaporte para fugir. E o seu apaixonado, por amor a Mariana, salva Pedro.

A partir desse momento a pressão que se abate sobre o espectador é brutal, como se o oxigénio que se respira fosse denso e custasse a entrar nos pulmões.

Mariana borda a bandeira da liberdade para a entregar a Pedro no dia da revolta popular que não sucede porque os conjurados são presos e mortos.

Pedro foge para Inglaterra. Todos aconselham Mariana a deixar cair a causa.

Ela resiste, apesar do tenebroso Pedrosa lhe declarar amor e pretender resgatá-la dos ideais liberais. Mas ela resiste.

Céu Guerra, apoiada nos dotes da atriz Rita Lello, dando mais luz ao texto de Lorca, leva ao limite a contradição entre o morrer por amor que se confunde com a causa da liberdade (o amor de Mariana por Pedro confunde-se com o próprio amor pela liberdade) e o viver por amor aos filhos, à família e aos amigos.

A simplificação dos cenários confere ao texto as múltiplas vibrações da palavra seja no plano lírico, apelativo/argumentativo, lúdico (as estórias para adormecer os dois filhos de Mariana).

Lorca configura uma Mariana inquebrantável por um amor e pelo amor à liberdade. Ela não irá trair os companheiros.

Mariana, mulher, vai enfrentar um mundo de homens. Pedro vai para Inglaterra. Foge. Ela acreditava que ele a viria salvar, tal como prometera. Tal conduta não mata o amor de Mariana à causa da liberdade. Fica em aberto se ela acredita ou deixa de acreditar no amor de Pedro, mas o amor à causa da liberdade vai com ela para a forca, mesmo sabendo que se renunciasse não seria enforcada.

E aí de novo o choque entre todas as coisas “pequenas” da vida e a de Mariana que se agiganta sacrificando, no altar da liberdade, a vida para que a Humanidade seja melhor.

Mariana preferiu morrer deixando dois filhos menores e uma casa de uma senhora de elevado estatuto, a ter de se vergar ao rei absolutista. Enforcada tornou-se imortal. Num mundo entalado entre futebóis, telenovelas e famosos esta viagem ao interior do mais nobre do ser humano, o da sua generosidade sem limites, vale como um grito extraordinário no coração da cidade de Lisboa, no 150º aniversário da Abolição da Pena de Morte.

Rita Lello é brilhante no seu desempenho. Com o andar das representações e do “choque” com o público a sua representação ainda vai tornar-se mais vibrante, emotiva e de certo modo, mais serena, apesar de saber que vai enfrentar os algozes que a conduzirão à morte. Não é que não seja já; a experiência no desempenho do papel de Mariana vai trazer maior refinamento.

Ao sair, frente ao largo de tantas árvores, uma brisa vinda do rio ajuda-nos a respirar e a compreender que o teatro nos ajuda a ser melhores. Nem todas as mulheres e nem todos os homens teriam aquela força, mas só de o sabermos que houve, há e haverá faz de nós seres melhores. De tal modo que a pena de morte foi abolida em dezenas e dezenas de países, sendo hoje a vergonha de alguns.

 A PESSIMISTA

No primeiro andar continua em cena a Pessimista, um monólogo de uma jovem atriz que nos faz pensar na mesquinhez humana que através do pessimismo estudado ajuda a fazer da vida uma vidinha bem cuidada.

Teresa Sampayo não deixa o espectador distrair-se a não ser com o humor e com a seriedade, porque tudo flui como se estivéssemos a dialogar com alguém que fala com ela própria. Muito interessante.

Teresa Sampayo, apesar de juventude tem um arsenal de capacidade que lhe permitem sentir-se como peixe na água e através das dezenas de representações sentir-se ainda mais segura no diálogo com o público a partir do seu monólogo consigo mesma. Teresa Sampayo pode estar otimista. Temos atriz. E a Humanidade menos pessimista, pois o texto é um libelo acusatório para os que se servem de todos os oportunismos para tratar da vidinha. O texto é do encenador da peça, Helder Costa.