O que não disse Zelensky ao Parlamento português

O que disse de substantivo o Presidente Zelensky ao Parlamento português? Que a Rússia está a destruir a Ucrânia, a cometer um rol infindável de crimes, pediu mais sanções, armamento pesado e o mais rapidamente possível.
Há dias acrescentou, na hipótese de António Costa pretender visitar Kiev, o que pretendia antes da sua chegada – armamento pesado, ficando sem se saber se era condição sine qua non.

Antony Blinden e Lloyd Austin, Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa respetivamente, foram, no dia 25 de abril a Kiev, garantir apoio à Ucrânia até ao enfraquecimento e derrota da Rússia.  Nessa ocasião a Ucrânia atacou alvos dentro da Rússia.

Devia ser uma prática comum o Presidente de um país invadido pedir armas para combater o invasor. Aliás, essa prática impediria tais crimes.

Imaginemos o Presidente da Autoridade Palestiniana a pedir armas no Parlamento português devido ao facto dos territórios palestinianos estarem militarmente ocupados por Israel violando Resoluções do Conselho de Segurança da ONU; ou imaginemos, naquele tempo, Saddam Hussein, antes de ser enforcado por ordem dos EUA, aquando da invasão do Iraque contra o direito internacional, a usar da palavra e a dizer que George W. Bush, Tony Blair, Aznar e Portas mentiram e eram responsáveis por mais de cem mil mortos e a destruição do Iraque; ou imaginemos o representante do Iémen a condenar o inferno vivo em que os sauditas com o apoio dos EUA transformaram aquele país da Península da Arábia.

  Antes de Zelensky discursar no Parlamento imaginamos o que poderia dizer. A surpresa vai direitinha para o facto de não ter feito a menor menção a qualquer proposta de paz.

Bem sei que o país agredido procura armas para se defender; é um direito. Mas as armas devem ter em vista restabelecer a situação de paz e para abrir negociações para que as vozes das discussões substituam as das armas.

Quantas vezes os vietnamitas propuseram conversações de paz aos EUA, mesmo debaixo dos terríveis bombardeamentos de Hanoi e Haiphong? E aos franceses, antes do desastre de Dien Bien Phu?

 Segundo as palavras de Blinken a guerra é para continuar porque os EUA querem enfraquecer a Rússia. É bom meditar nas palavras. A guerra vai continuar e os EUA vão combater a Rússia dando armas e os ucranianos à morte. É verdade que foi a Rússia que criou esta situação, mas a guerra deve continuar a escalar? A quem serve?

Continuemos a imaginar os cenários – a Rússia encontra pela frente as maiores dificuldades decorrentes dos ucranianos, bem enquadrados pelos norte-americanos, resistirem. Nesta situação o que se está a passar em solo europeu é uma guerra entre o mandatário dos EUA e a Rússia.

É provável que a Rússia desista face a este desafio dos EUA? Se desistir os EUA continuarão a sua marcha triunfal numa Europa subalterna que lhe prestará vassalagem e a guerra acabará.

Se a Rússia não desistir e se sentir enfraquecida poderá estar em aberto o escalar do conflito para um patamar nuclear. A Ucrânia será seguramente, num primeiro momento, o centro do braseiro nuclear e por isso é estranho não ouvir de Zelensky um arremedo de proposta de paz, não porque se coloquem ao mesmo nível agressor e agredido, mas pela simples razão de que nesta última hipótese (a da escalada nuclear) não fazer sentido a guerra.

O mundo está cheio de invasões e os EUA têm um longo historial e até de uso de bombas de destruição massivas, que o digam Hiroshima e Nagasaki.

O melhor para todo o mundo, a começar na Ucrânia e na Europa, é negociar uma solução que seja aceite por todas as partes, mesmo tendo em conta os milhares de quilómetros que separam a Europa da América do Norte. A paz assim o exige e o direito internacional também. Louvada seja a iniciativa de António Guterres. Ele é o representante da instituição encarregada de fazer cumprir o direito internacional.

https://www.publico.pt/2022/04/27/opiniao/opiniao/nao-zelenskii-parlamento-portugues-2004048

É preciso pensar e repensar o futuro da Ucrânia, da Europa e do mundo

Está o mundo pronto para tirar os turcos do Chipre e de parte do Curdistão, os sauditas do Iémen, Israel da Palestina, os EUA de Guantánamo, Marrocos do Sahara Ocidental?

Ao leme da Rússia o novo czar invadiu a Ucrânia desencadeando a guerra com toda a procissão de horrores transmitidos em doses cavalares pelos media, sobretudo pelas televisões. Não há perdão para esta violenta violação do direito internacional e da soberania ucraniana.

 O desrespeito pelos acordos após a implosão da URSS de que a NATO não avançaria para os países do Pacto de Varsóvia, as contínuas ingerências na Ucrânia, a existência de forças neofascistas com poder crescente no poder daquele país, a perseguição aos partidos de esquerda e às populações de origem russa nunca podiam constituir justificação para a guerra eufemisticamente designada “operação especial”, tal é o medo da palavra e do seu significado por parte de Putin.

No discurso que justificou a guerra está presente um nacionalismo de grande potência que tresanda a imperialismo tout court.

Putin e a sua clique conseguiram que os EUA reforçassem o seu comando da Europa, e que combatam a Rússia por via da Ucrânia armando-a tanto quanto podem.

Depois desta guerra as forças militaristas ganham peso e força em detrimento das forças pacifistas e progressistas.

É preciso ter coragem e dizer que foi Putin que deu aos EUA este novo impulso e que pelo facto de os EUA serem a principal potência imperialista daí não pode resultar na luta entre estes dois imperialismos qualquer virtude do neoimperialismo russo. Recordemos a forma humilhante como Biden capitaneou a retirada das tropas do país do Afeganistão, a sua queda nas sondagens, a sua impopularidade e vejamos como hoje se move e “submete” os países da NATO à trela do seu carro de guerra.

A própria linguagem entre russos e norte-americanos é bem reveladora da mente das direções que dominam neste momento a Europa.

Parece claro que os EUA estão disponíveis para combater a Rússia à custa das vidas ucranianas. Se fosse ucraniano certamente combateria o invasor, mas o mais importante nos perigos da situação e fazer parar a guerra, abrir outro tipo de negociações, saber lucidamente o que constituem as cedências aceitáveis.

O que explicará o facto dos dirigentes europeus se deixarem envolver nesta absurda e sórdida guerra bem sabendo que se houver uma escalada no grau militar do confronto o continente ficará reduzido a um monte de cinzas nucleares. Quem nos pode garantir que é apenas retórica russa? A bomba atómica já foi usada por quem reivindica ser o leadership mundial e nem sequer fazia sentido, pois o Japão estava de gatas; a bomba atómica é hoje um brinquedo quanto aos seus efeitos em relação às armas nucleares.

Mais do que nunca falta a voz da diplomacia popular- a opinião pública- intervir para desequilibrar a balança e exigir o fim da guerra e negociações que reflitam os diversos interesses. Estamos à espera da vitória de um dos lados? Para que tal suceda o grau de confrontação vai continuar a escalar e depois é difícil parar. A Ucrânia invadida pede mais armas; a Rússia sem conseguir alcançar os seus objetivos ameaçar com mais ataques e os países que se envolvam; tudo na Europa.

Como podem os dirigentes europeus fazerem de surdos e não responderem ao apelo do Papa Francisco para parar esta guerra. Quem os impede de terem voz própria, a voz do continente mais avançado em termos políticos, socias e culturais.

É esta paranoia bélica que desejamos para a Europa e o mundo? Sei que a cada minuto, as vítimas ucranianas ganharam e continuam a ter um estatuto que as vítimas palestinianas, iraquianas, jugoslavas, afegãs, líbias, sírias e iemenitas nunca tiveram nem têm. Há vítimas preferenciais. Doi tanto a destruição do Iraque como a da Ucrânia ou de qualquer outra, a qual jamais poderia deixar de ter a mais veemente condenação.

No cortejo do belicismo atual o que os dirigentes europeus têm a propor é mais armas e mais armas e mais armas? O facto da Rússia ter começado esta guerra não significa que a resposta seja escalar o conflito; claro que não se pode aceitar que o prevaricador seja premiado, mas está o mundo pronto para tirar os turcos do Chipre e de parte do Curdistão, os sauditas do Iémen, Israel da Palestina, os EUA de Guantánamo, Marrocos do Sahara Ocidental? Estará? E acaso é só pela guerra que se consegue tal objetivo?

Pensemos bem para onde estamos a caminhar, mas há desafios que avisadamente o deixam de ser, pois se o passo nuclear for dado, o grau de destruição da Humanidade seria de tal ordem que os vencedores jazeriam ao lado dos vencidos.

Inverter o rumo da guerra

Esta guerra na Ucrânia que nunca devia ter acontecido convocou o velho e “adormecido” espírito militarista urbi et orbi.

Já não se fala dos graves problemas da pandemia, nem dos problemas sociais como o empobrecimento dos povos da Europa. Nem das consequências das intermináveis sanções que massacram os que vivem dos seus vencimentos na Rússia e no Ocidente. Nem da crise climática. Nem do futuro.

Fala-se de armas, de aviões, de misseis, de tanques, de helicópteros, de exércitos e de guerra.

Os EUA uma vez mais ficam longe da guerra e os europeus matam-se uns aos outros com armas sofisticadíssimas.

Putin não tem perdão pelo mal que está a fazer a todos os inocentes na Ucrânia. Zelensky convoca a NATO, critica o que considera apoio menor de alguns países e apela ao envolvimento de todos na guerra, bem sabendo que em tal situação o seu país se transformaria num inferno nuclear sem saída para a vida humana nos próximos tempos.

Nos media, o russo, é o monstro e o ucraniano, o herói. No momento atual de extremo sofrimento para o povo ucraniano vítima da invasão interessa perguntar à consciência de cada um se o caminho a seguir é o do militarismo e somar às montanhas de armas mais armas ou é o caminho da razão, do mais humano humanismo para fazer parar a guerra para negociar.

Os conflitos militares no centro da Europa podem alargar-se e envolver outros países e, nesse caso, não se sabe o que pode acontecer, mas seguramente fica aberta a porta para a guerra mundial com armas nucleares. E talvez fosse a última.

Pode haver quem faça cálculos acerca de uma guerra na Europa que de um golpe esmagasse a Rússia e deixasse o continente em ruínas e que nesse quadro lhe fosse mais fácil dominar e impor a sua hegemonia no mundo.

A verdade é que a guerra continua. As sanções prosseguem mesmo sem se conhecer o resultado do inquérito aos mortos de Bucha. A roda da guerra roda. O mundo começa a dividir-se entre os criminosos e os “nossos”, os heróis.

Cinde-se a Humanidade e há uma parte que deixa de o ser quer para Putin quer para os outros, os ocidentais elevados à categoria de bons.

As populações são nauseadas pelo clima de guerra e cegamente seguem os profissionais da loucura, aqueles que se tornam super-ricos vendendo armas e mais armas, ou seja, a morte. Sim, esta é a via da morte, aquela em que num lado ou no outro, aquele que der mais garantias quanto ao número de mortos que matar a mais que o outro, ganha rios e mares de dinheiro.

O caminho do militarismo tantas vezes repetido leva à tragédia e à destruição de um continente que em termos de conquistas sociais é de longe o mais avançado em todo o mundo.

O que faz os governos europeus perderem a sua força para se imporem e encontrarem entre si os caminhos para uma solução negociada para o conflito? Que pode ganhar a Europa ao entrar nesta louca corrida ao militarismo?

Os ucranianos são tão humanos como os russos, por muito que Putin o queira impedir de ser. E os russos, não obstante Zelensky são homens de carne e alma como os russos.

A loucura humana é de todas a pior. Quando se proíbe na Rússia a palavra guerra e quando no Ocidente se proíbe Tchecov ou Dostoievsky ou se muda o nome das bailarinas russas para ucranianos sem o consentimento de Edgar Degas, como fez a National Gallery, para onde caminhamos?

Estranha a nossa Humanidade que aceita estes governantes e que os segue mesmo quando lhes cai em cima desgraças como o aumento brutal dos combustíveis, dos cereais, dos fertilizantes, isto é, o insuportável aumento do custo de vida.

Como pode aceitar que Biden chame criminoso a Putin sem uma única vez mencionar o interminável rol de crimes cometidos por George W. Bush no Iraque?

Como pode o inenarrável Boris Johnson, incapaz de se conter sem uma party em período de rigoroso confinamento, liderar a corrida armamentista na Europa?

Tantas guerras. Tantas montanhas de cadáveres. Tanta brutalidade. E nem por isso nos levantamos contra esta louca estupidez. Que será preciso para inverter o rumo?

A GUERRA NA UCRÂNIA E A NOVA ORDEM MUNDIAL EM GESTAÇÃO

Quando no final da 2ª guerra mundial os EUA bombardearam com armas atómicas Hiroshima e Nagasaki estava subjacente àquela infâmia que o verdadeiro alvo era a URSS, pois o Japão estava de gatas.

No fundo tratava-se de fazer um sério aviso àquele país acerca de quem mandava na nova ordem mundial saída do final da guerra. 

Na impiedosa e brutal invasão da Ucrânia pela Rússia o que está em causa parece ser também a criação de uma nova ordem mundial após anos de recuo daquele país no confronto com os EUA que através da NATO o foi cercando de misseis cada vez mais próximos de Moscovo e de todo o território.

Os EUA na sua linha estratégica definiram a China como inimigo a abater tinham todo o interesse em neutralizar (caso pudessem) a Rússia e ficariam seguramente em melhores condições de se “ocuparem” com a China. Longe vão os tempos da amizade EUA/China em que cada um deles se bateria contra a URSS até ao último soldado do parceiro.

A Rússia, a Ucrânia, a China, os EUA e a Europa estão ordenados no mesmo sistema mundial. Todos eles inscrevem as suas economias e os seus modos de vida no sistema mundial capitalista com as suas nuances, sobretudo na versão chinesa.

A invasão da Ucrânia também serviu para apresentar a Rússia como uma potência capaz de marcar de modo decisivo a sua zona de influência depois de ter em algumas ocasiões dado sinais inequívocos do que pretendia e do que tinha para fazer valer as suas pretensões.

Talvez os mais distraídos não tenham tido na devida conta o disparo num dos seus satélites que serviu para mostrar o seu poderio quanto às suas possibilidades em relação à defesa do sistema do escudo protetor dos EUA/NATO, o chamado AEGIS, instalado depois dos EUA se terem retirado do Tratado INF sobre eliminação de mísseis de curto e médio alcance assinado em Moscovo em 1987. 

A Rússia já tinha exibido os seus novos mísseis hipersónicos Kinhzhal que tendo em conta a sua velocidade mostravam a sua superioridade e de certo modo a inutilidade do sistema instalado na Polónia e na Roménia e que custou aos cofres daqueles países rios de dinheiro-big Money para as indústrias da morte.

Ao ter em conta esta realidade, ela de modo nenhum justifica a invasão, apenas se a refere porque essa realidade é mais complexa que a luta entre anjinhos e diabos.

 O batalhão Azov por mais fascistas que tenha não serve para o justificar a invasão. Nem as leis discriminatórias dos ucranianos de língua russa ou das esquerdas ucranianas. Por mais que a Rússia se sentisse ameaçada, a guerra nunca seria a saída. Neste capítulo não pode haver ses, nem mas.

Desta guerra, por outra banda, ressaltam algumas evidências mais ou menos seguras: a irrelevância da União Europeia em termos militares e a sua vassalagem em relação aos EUA; o novo relevo da Rússia no panorama internacional e a consolidação de uma nova ordem internacional em que China e Rússia passam a ter um papel claro de contrapeso aos EUA.

Os novos atores mundiais passam a ser EUA/NATO num polo e China/Rússia noutro. Naturalmente que as coisas não vão assentar já, mas esta parece ser a tendência. Esta guerra na Europa não tem lugar na zona máxima de rivalidade que é a área do Pacífico onde os EUA para se imporem atropelaram a França que agora submissa aceita a hegemonia dos EUA no conflito com a Rússia decorrente da invasão da Ucrânia.

Os europeus da União Europeia não têm nada a propor, como se tem visto, a não ser andar a toque de caixa dos EUA.

Em vez de correrem a comprar armas ao país que assiste à guerra e à crise europeia enriquecendo por estas duas vias, deviam assegurar neste continente um caminho de desarmamento e de segurança para todos os países sem exceção. A Europa já está saturada de armas. O que faz falta é a segurança de e entre todos os europeus, como contributo para a segurança mundial.

A nova ordem, seja ela qual for, irá no sentido da multipolaridade, mas deve ser aproveitada para encetar a diminuição dos armamentos e não no da busca incessante de armas que permitam a quem as descobrir mandar no resto do mundo. Em vez de inflação, miséria, fome e caos social, o mundo precisa que se invista para que todos os povos tenham uma vida minimamente decente e não nos fabulosos lucros do complexo militar-industrial.

Corrida às armas – caminho do inferno

É em tempo de guerra que se deve falar da paz pela simples razão de que é nesta ocasião que ela mais falta faz. A paz é o supremo bem da Humanidade. Só em paz podemos ser o que somos.

A Rússia iniciou a invasão da Ucrânia e é a responsável pela grave situação que vivemos. Nada justificava a invasão, independentemente do projeto de cerco à Rússia por parte dos EUA e da NATO.

A guerra está a servir de pretexto para desencadear uma corrida às armas; ouve-se o rufar dos tambores da guerra.  O que a economia não aguentava como por exemplo pequenos aumentos de salários acomoda agora 2% do PIB. Até a poderosa Alemanha se virou para a corrida às armas, coisa nunca vista desde o fim da 2ª guerra mundial. A procissão vai no adro, mas quer na Rússia, quer nos EUA, quer na Europa as trombetas da corrida às armas soam por todo o lado.

Se os tempos da crise financeira seguida da pandemia eram difíceis, os de agora são de pavor e choque como no Iraque e agora na Ucrânia. Putin, talvez devido ao seu passado, designou a guerra como operação militar especial, um eufemismo brutal. De facto, então no céu iraquiano, como hoje no céu ucraniano chove a morte e a destruição.

A pergunta é simples: devemos correr às armas para nos defendermos ou o caminho deve ser outro, como por exemplo o assinalado pelo Papa Francisco?

O planeta e a Humanidade estão à beira do precipício. Na nossa Terra há armas para fazer sobreviver apenas alguns insetos no caso de conflito nuclear; a Humanidade desapareceria, a espécie criadora de deuses e de outras tantas maravilhas e que forjou a civilização de que desfrutamos.

No mar navegam submarinos carregados de armas nucleares apontadas aos homens e mulheres das cidades do mundo; nos céus azuis aviões furtivos ou não voam prenhes de armas nucleares; no solo milhares de rampas de lançamento estão prontas a enviar a morte a milhares de graus centígrados. Então precisamos de juntar mais armas a esta quantidade monumental bastante para nos reduzir a zero?

O mundo mais do que nunca precisa que a paz se imponha e se pare o horror na Ucrânia e se caminhe no sentido do desarmamento.

É nesta hora que as vozes das mulheres e dos homens justos e amantes da paz se têm de fazer ouvir para exigir o fim da guerra, obrigar a máquina de guerra de Putin a parar e a retirar-se para a Rússia e a criar condições de segurança para todos os envolvidos, a obrigar os países da NATO a parar de se rearmar e encetar negociações pela paz. Cada arma nuclear custa mais que um hospital. Mais que uma Universidade. Que se pare com a loucura da corrida às armas a Norte, Sul, Ocidente e Oriente. O Planeta está intoxicado e a Humanidade ao rés do abismo. Pensemos. Não deixemos que seja este o rumo. É possível outro. Quem pesará mais no futuro- o complexo militar industrial ou a força da paz?

No continente europeu é possível e é altamente aconselhável que a corrida às armas seja substituída pelo desarmamento. É preciso definir essas condições e garantir a todos desde os escandinavos aos eslavos, aos meridionais, aos ibéricos, aos habitantes dos países balcânicos, aos teutónicos, aos anglo-saxões, aos magiares, a todos sem nenhuma exceção a segurança. Uma paz que assente em cima de armas nucleares é sempre frágil. Não se encontra uma paz melhor que a que repouse sobre o mínimo armamento possível.

Para tanto torna-se absolutamente vital o empenho dos mais interessados neste rumo-os povos; sem eles é impossível.

Todos os caminhos desde o Vaticano até aos gabinetes ministeriais passando pelas avenidas cheias de gente são válidos. A paz merece o esforço. Com a mobilização popular de toda a gente de bem que não quer assistir à destruição em horas de tudo quanto a Humanidade construiu desde há milénios. A corrida às armas é o caminho do inferno. Vale a pena o difícil caminho da paz.

https://www.publico.pt/2022/03/28/opiniao/opiniao/corrida-armas-caminho-inferno-2000403

A TODAS AS CONSCIÊNCIAS DORIDAS

Uma certeza me parece certa – as invasões, as ocupações e as mortes para os órgãos de comunicação social têm valores muito diferentes.

Para comprovar esta conclusão inicial parto do princípio universalmente aceite que as invasões e ocupações são totalmente condenáveis.

Deste modo, a invasão do Iraque, da Síria, da Líbia, do Kosovo, do Iémen e da Ucrânia só poderiam merecer a condenação da comunidade internacional.

O rosário de destruição e de mortes diz respeito a seres humanos e os agentes das destruições e das mortes deveriam ser julgados à luz dos mesmos critérios.

Pode-se ter em conta o volume das mortes e o grau de destruição, mas uma invasão e uma ocupação só pode ter em comum a reprovação universal.

Neste momento, os media bombardeiam-nos com os bombardeamentos russos e todos sentimos o desespero humano da impotência face à tragédia.

Ao mesmo tempo, a cada segundo, minuto, hora e dia os iemenitas são bombardeados por uma coligação de Estados capitaneados pela autocrática Arábia Saudita e morre gente a cada segundo, minuto, hora e dia. E que nos dizem os media? Quase nada. Os Estados que bombardeiam e que têm o apoio claro dos EUA constituem ditaduras absolutistas de tipo medieval. Há uns dias o regime saudita decapitou 81 presos.

No entanto, há uma espécie de cortina de ferro que tapa tudo e o que se lá passa chega de viés, como se fosse natural. Quantas portuguesas e quantos portugueses sabem que a cada segundo, a cada minuto e a cada dia há seres humanos no Iémen que são trucidados e que milhões de seres humanos não têm comida?

Quem de entre todos os seres humanos de boa vontade pediu sanções contra a Arábia Saudita? O big money fala mais alto que a democracia.

Quem tem coração para a Ucrânia por que não tem para o Iémen? Quem tem memória da invasão, ocupação, destruição do Iraque e das dezenas e dezenas de milhares de mortos iraquianos? Quem se esqueceu de Faluja e Mossul? Quem pediu uma sanção contra os que desencadearam a guerra contra o direito internacional? Por que motivo Biden, Macron, Scholtz, Zelensky, Putin não classificam de criminosos de guerra aos responsáveis pelos horrores cometidos contra o povo iraquiano? Quem esqueceu o interminável rol de torturas no centro prisional de Abu Ghraib? E que têm os palestinianos de Gaza e da Cisjordânia a quem ninguém acode quando dias, semanas e meses são bombardeados pelos governantes de Israel sem dó, nem piedade? Quantas dezenas de milhares de palestinianos mortos são precisos para uma sanção a Israel?

Nada destas invasões e ocupações justificam a invasão da Ucrânia pela Rússia; todas sem exceção são condenáveis.

Mas a verdade é que a ocupação da Ucrânia nos invade do ponto de vista mediático e que nos deixa atordoados. Mas qual o motivo que impediu o mundo de pedir a punição que agora pede? Por que não aparece um governante bondoso e caridoso a pedir sanções contra os autores da invasão e ocupação do Iraque?

O mundo corre a grande velocidade. A solidão de quem corre de casa para o trabalho e regresso a casa presta-se a ser sublimada pelas caixas televisivas; uma nova espécie de Coliseu romano.

Já nem os smartphones nos deixam sós; a inteligência artificial persegue-nos para o bem e para o mal. Apesar de tudo vamos continuar a fazer a nossa História, como sempre. Sem saber se é para sempre.

Um treinador, um embaixador ou o que for.

No https://portuguesaletra.com são os seguintes os sinónimos de javardo – sórdido, cerviz, bodegão, porco, sujo, trapalhão, burgesso, cerdo, bronco, brutamonte, abjeto, espurco, cervelo, nojento, azeiteiro, porco-bravo, asqueroso, javali, cachaço, barrote, cacho, incivil, malcriado, abodegado, alarve, besuntão, berrão, cangote, cacoso, torpe, cabeça, anafado, bodoso, chico, obsceno, tramposo, balordo, catrofa, brutamontes, arrieirado, barrão, imundo, caveiroso, bertoldo, chacim, chorão, porcalhão, brutitates, grosseirão, banha, bestaraz, porco-montês.

Com esta panóplia de sinónimos percebemos melhor a razão que levou o senhor embaixador a não pedir desculpa pela javardice.

De facto, quando qualquer cidadão utiliza uma expressão de modo errado, de imediato pede desculpa; ora não é o caso, como se verá. E era o que faltava explicar para quem duvidasse da suprema educação do senhor embaixador.

Na verdade, o senhor treinador do FCP está completamente errado ao exigir desculpas para desistir da queixa-crime.

E porquê? Devido à maldosa interpretação do senhor Sérgio que não tem capacidade de entender que o senho embaixador não o insultou; apenas quis dizer que o senhor treinador era um azeiteiro, ou seja, um cacoso, bodoso, arririeirado, banha e caveiroso. Ou um incivil.

Como pode o nosso Ministério Público ter incomodado o senhor embaixador por dizer que o senhor Sérgio era um espurco? Tanta maldade junta nunca se tinha visto…como ousar pedir desculpa pelo cacoso? Que horror. Um embaixador é um embaixador; um treinador um treinador; um javardo é um coiso, assim um coiso, sem mal, como não podia deixar de ser. Amen.