Bolsonaro- o imbroxável fóssil

O que Bolsonaro fez a MRS revela na plenitude a desfaçatez do cara. Na frente dos dois Presidentes foi colocado um cartaz com a bandeira do Brasil com a inscrições – Brasil sem abortos, Brasil sem drogas. Naturalmente que o cartaz não apareceu ali por mero acaso.

Há quem defenda que MRS devia permanecer com aquele cartaz insultuoso à República portuguesa onde o aborto é permitido e as drogas não têm ligação alguma ao aborto e entre as drogas as diferenças são enormes como J.B. sabe.

Em minha opinião, MRS devia ter dito ao Presidente brasileiro que ou saía o cartaz ou saía ele. MRS representava naquela cerimónia o Portugal democrático.

MRS foi participar no bicentenário das comemorações da independência do Brasil e não num comício eleitoral de Bolsonaro servindo-se da data um autoelogio próprio de um fóssil.

Só um obstinado vendedor da banha de cobra se lembraria naquela ocasião de falar das suas autoproclamadas faculdades, dando a noção do que é o Brasil para aquele homem que nasceu no tempo da ditadura militar e que lá tem o seu coração vivo; tendo embalsamada a alma de democrata, mas ao menor descuido o verniz quebra e aparece o fóssil.

Bolsonaro já tinha deixado MRS sem um almoço combinado, agora atraiu-o à teia urdida por um personagem primário que encurralou no seu labirinto o inteligente MRS. Foi pena que MRS não pusesse na ordem o homem que fossilizou nos predicados da ditadura.

Morreu a rainha do Reino Unido, vem aí um rei

Morreu a rainha do Reino Unido. Reinou quase setenta anos por ter nascida filho da família real e como tal, por inerência, ter em pleno milénio XXI um conjunto de privilégios que custam ao erário público milhões de libras.

Parece que os ingleses e outros povos do Reino Unido gostam da monarquia, ou seja, terem uma família real, mesmo que os escândalos avultem.

Numa sociedade em que cada dia que passa a realidade é cada vez mais dura e a roçar o individualismo selvagem, a existência de uma família real cheia de príncipes, princesas, duques, duquesas, castelos, mordomos e mordomias, os ingleses apreciam este faz de conta e acreditam que tendo estas reais criaturas são detentores de uma História que se prolonga nestes dias em que façam o que façam os governantes a rainha/rei nada tem a ver com isso. Existem apenas para uma espécie de decoração que sai cara ao erário público, mas o povo gosta e, portanto, the show must go on.

Parece que o Reino Unido vai ter um rei, o Carlos, aquele que tem um mordomo que o veste, e que leva a tampa da sanita para que o real cu não seja contaminado por qualquer bactéria de pendor republicano.

Se os ingleses gostam deste cerimonial, pois bem, que se aguentam com aquele olhar de Carlos, sempre à procura de quem lhe diga o caminho.

Morreu a Rainha, paz à sua alma, a Inglaterra vai ter um rei e uma rainha consorte, a famosa Camilla Parker Bowles.

NA MORTE DE GORBATCHOV

Morreu Mikhail Gorbatchov, o líder do PCUS que tentou salvar o socialismo, desencadeando para tanto dois eixos – a perestroika e a glasnost. O socialismo real tinha desembocado num beco sem saída, exaurido economicamente, atolado na guerra do Afeganistão e hipercentralizado com cerca de 50 milhões de membros, contando com a Juventude Comunista, inscritos, na sua imensa maioria por mero interesse de privilégio que assegurava o cartão do PCUS para obter acesso à Universidade ou aos melhores empregos. Para tanto era essencial enclausuras os direitos e as liberdades.

O que Gorbatchov se propôs levar a cabo foi resgatar o ideal socialista/comunista cortando com um regime onde as liberdades democráticas inexistiam e o PCUS era uma vanguarda policial em vez ser uma organização capaz de defender os interesses dos povos da URSS.

Já não foi a tempo. O próprio partido, dominado pelos glutões do dinheiro, ficou mudo e quedo e aconteceu a ascensão do inenarrável Boris Yeltsin, grande figura do Bureau Político, para o comando do partido.

O que fica para a História é a desgraça dum partido que se acomodou, se fechou, e que entregou o poder a uma casta que se comportava como os donos de tudo.

Isto não foi obra de um homem, isto foi o culminar de um afastamento do PCUS dos mais elementares princípios democráticos dirigidos a defender os interesses de todos os povos da URSS. É absolutamente inaceitável que um partido com cinquenta milhões de membros não tenha mobilizado alguns milhares para defender o regime. Os cidadãos já não sentiam como sendo o seu regime, mas apenas o regime das elites que saídas do partido se apropriaram dos fantásticos recursos daquele país; estavam todos no PCUS ou muito próximo.

Naturalmente que o imperialismo jogou o seu papel e venceu. A coexistência pacífica, tão cara a Lenin levou à derrota daquela espécie de “socialismo”.

Ficou uma tragédia em que os EUA e a NATO se sentiram senhores do mundo e numa atitude de revanchismo alargaram as fronteiras da organização até às fronteiras da Rússia.

Em vez de aproveitar a grande oportunidade para encetar um caminho de desnuclearizar e de estabelecer bases para uma cooperação para resolver gravíssimos problemas como a fome e as alterações climáticas, os EUA invadiram o Iraque, atacaram a Jugoslávia, reconheceram a independência do Kosovo e puseram o mundo em estado de insegurança.

A imperdoável invasão da Ucrânia pela Rússia veio mostrar que hoje o mundo assiste a uma competição brutal por certas zonas tidas como estratégicas.

A guerra continua na Europa. Em qualquer momento a situação pode levar ao alargamento dos beligerantes. A UE perdeu uma oportunidade de se impor como força autónoma. Juntou-se a um Presidente dos EUA cujas linhas de força são a corrida aos armamentos e com sérios problemas internos e incapaz de lhes fazer frente.

O mundo está à beira de uma tragédia. E, no entanto, HÁ nos povos uma fuga para fazer de conta e não enfrentar a situação. É compreensível, caíram sonhos, não se vislumbram alternativas; o mundo está muito confuso; há um sentimento de orfandade nas forças que se propõem mudar o sistema.

A verdade é que nunca, como hoje, o socialismo entendido como um sistema democrático com mais direitos e liberdades que o capitalismo faz falta. Socialismo só pode ser paz.

Tudo muda e atualmente a mudança acelerou. Agir como se o mundo fosse o que já foi, não traz nada de novo. Ficar amarrado ao passado que os povos não querem é um grave erro e enfraquece o ideal socialista. O que morreu está morto, acabou, é preciso um novo socialismo.

Os comunistas não podem desistir e deixar de tirar as devidas consequências dos erros, desvios da construção do socialismo e traições ao próprio ideal.

A História não terminou. Vai continuar. É ainda possível aos homens e mulheres continuarem a escrever a sua história.

Os fusíveis de Marcelo ficaram sem o fio de ligação à terra

Marcelo Rebelo de Sousa entrou numa fase da sua vida política cuja característica essencial, utilizando a sua linguagem de eletricista, na sua louca viagem com uma jornalista até Aracataca, perdão Macondo, perdão Viseu, é deixar o diferencial da caixa de segurança sem fio de ligação à terra.

É de crer que nem o Gabriel Garcia Marquez do alto dos Andes colombianos inventaria semelhante viagem, o máximo que conseguiu foi imaginar a viagem de Candida Erêndira e de sua avó desalmada para ver o mar.

Pois Marcelo fê-lo; e agora trocou os poderes dos orgãos de soberania e declarou solenemente o seguinte “…Prefiro uma gestão do SNS mais autónoma e independente do Ministério da Saúde…” depois de ver Marta Temido pelas costas com o seu ligeiríssimo encosto.

Sua Excelência não é de modas, é de atropelos e zás, a cada dia que passa proclama o que o governo deve fazer em nome da tal autonomia que é a sua raiz de ser.

Sua Excelência encontrou-se por mero acaso com o Excelentíssimo líder do PSD em Viana do Castelo porque numa agonia de solidão meteu-se a caminho e ao dobrar da esquina a caminho de Santa Luzia saiu-lhe a a caminho Dom Luís Montenegro.

Sua Excelência foi a Angola ao funeral de J.E.dos Santos dada a sua importância do falecido”…conviveu com todos os presidentes de Portugal…”. Nem o que ia a Santarém. Vejam bem a importância. Mas não se ficou por aqui, saudou o povo irmão angolano e falou do Estado irmão. Partidos irmãos nos objetivos, pode ser. Povos irmanados na mesma luta, pode ser. Estados irmãos, ó Sr. Professor…talvez os islâmicos e mesmo assim…

Sua Excelência que votou contra o SNS na AR, sai agora a terreiro dando as suas instruções a quem o quer ouvir. E lá vai a procissão do PS, a começar pelo destrambelhado coordenador da Comissão de Saúde, a curvar-se diante do homem que tinha o sonho de ser Primeiro-Ministro, que nunca será e agora o de ver Montenegro no cargo.

Este homem que se diz fusível de segurança tirou, ao longo, da sua vida a habilidade de tudo curto circuitar. Aproximam-se incêndios.

Ai Marta, Marta, sedotta e abbandonata

Para nos posicionarmos num dado facto – a demissão de Marta Temido – ajudará dar uma “oftalmológica” (falamos de saúde) pelas tomadas de posições dos vários partidos e dos representantes dos interesses instalados.

Sobressai uma certa euforia dos que sempre a combateram na defesa que ela fez do SNS.

O principal argumento é o caos em que se encontra o SNS devido ao facto de não ter aberta as portas ao setor privado (como se elas estivessem fechadas, escondendo que o pretendido é lapardar nos recursos públicos).

O mal é a rigidez ideológica, vejam bem, um SNS capaz de responder aos problemas da população e apoiado por um financiamento que o sustente. É esta rigidez segundo esta estirpe que o levou à atual situação e consequente demissão.

Nesta altura de enfrentamento enviesado a ministra precisava que quem a convidou para o lugar a não deixasse a navegar sem energia para o percurso.

 É conhecida a determinação de Costa em defender ministros quando quer estejam eles ou elas envoltos nas mais variadas polémicas.

Pelos vistos Costa não foi capaz de defender a camarada que colocou há pouco tempo na mesa do Congresso dos seus eleitos para o substituir.

Marcelo, que gostou de se encostar a Marta quando era glamoroso, esfrega as mãos, de acordo com o seu voto contra o SNS.

Mas verdadeiramente espantosa é a declaração do coordenador de uma Comissão do PS para a Saúde(?) a sublinhar que Marta Temido já se devia ter demitido em março. Fantástica solidariedade da comissão do partido que a escolheu para ministra.

Como sempre, o tempo dirá se Costa deu um tiro nos pés e se deixou enternecer pela bondade dos privados em ajudar a resolver a grave situação do SNS.

 Ou se a Comissão de Saúde do PS há muito tinha mandado às urtigas a ministra. E, melhor que ninguém, ele conhece o PS.

 Costa já nos habituara a defender à outrance alguns ministros. Deixa ao Deus dará cair a ministra. Ai Marta, Marta, quem havia de dizer.

Erdogan, o sultão a que o Ocidente se curva, até os escandinavos

Na Turquia não são precisas as fatwas. Basta a polícia e os tribunais. A cantora Guklsen Çola Koglu, num concerto em abril, em jeito de piada referiu que o gosto pela “perversão” de um dos seus músicos advinha de ter estudado nas escolas religiosas.

Apesar desta brincadeira ter sido acontecido em abril, a verdade é que a sua divulgação levou à detenção da cantora que ficou a aguardar julgamento em prisão preventiva.

Ou seja, uma piada do humor mais básico, sem o menor dolo e proferida há quatro meses levou a cantora a ser condenada a ficar em prisão preventiva, própria de países onde impera o absolutismo medieval.

Num país que ocupa outro país, o Norte do Chipre. e que o Ocidente a aceita, a simples liberdade de expressão levou uma cantora à cadeia preventivamente. Esta república mais parece um Sultanato que um país moderno; porém é este o homem a que o Ocidente se curva.

Que hipocrisia tomou conta do mundo que se perturba com a festa em que participou a Primeira Ministra finlandesa e fecha os olhos à entrega dos curdos às mãos de um sultão que nega que os curdos sejam um povo sem direitos e que apodreçam nas cadeias?

É este o homem que com o apoio de Biden, Scholtz, Macron. Boris e tuti quanti impôs aos democratíssimos governos sueco e finlandês a entrada destes na glamorosa NATO desde que entregassem os refugiados curdos.

A Primeira-Ministra da Estónia clama por castigo do povo russo e os democratas ocidentais calam-se diante deste despautério. Só falta a Estónia condenar a prisão quem falar russo, seguindo o exemplo do grande democrata, parceiro da NATO, Recep Tayyip Erdogan quanto aos curdos.

Esta Europa está a tornar-se num espaço intolerável de hipocrisia.

A vergonha que varre a Europa e o apelo de Zelenskii.

Os governos ocidentais, a toque de caixa dos EUA, enveredaram por um caminho cínico de confronto com o povo russo a pretexto da invasão da Ucrânia por ordem de Putin.

Confundir salazarismo com o povo português equivaleria que os portugueses, entre outros, os antifascistas, não pudessem viajar na Europa porque eram oriundos de um regime governado por uma clique fascista.

Não teria sido possível à juventude portuguesa (que foi a Berlim em 1973) abraçar as juventudes guineense, angolana e moçambicana que combatiam o colonialismo português e se irmanaram num espírito de paz e cooperação com os jovens portugueses que combatiam a ditadura. Foi a alegria de uma paz vindoura anunciada e que aguardou até 25 de Abril de 1974.

Seria o mesmo que fechar a porta aos brasileiros que fugidos da ditadura militar não encontrariam as portas abertas em Portugal.

Confundir o regime russo com o povo russo é o mesmo que confundir a vida de um povo com as vicissitudes de um regime político.

Impedir os cidadãos russos de viajar pela Europa corresponde a um primitivismo quase tribal de confundir um delinquente com toda a sua família ou a sua nacionalidade. É algo que envergonha do ponto de vista político, cultural e civilizacional. Seria o mesmo que impedir os israelitas de visitar Portugal porque o seu país ocupa territórios palestinianos e sírios. Seria o mesmo que impediria os sul-africanos no tempo do apartheid de viajar.

Trata-se da instilar o ódio contra o povo russo já de si sujeito a um regime autocrático e que um dia acertará contas com o poder asfixiante desta elite conservadora e ultranacionalista.

O apelo de Zelenskii para que não sejam concedidos vistos a cidadãos russos mostra uma face persecutória do homem que deliberadamente confunde o povo russo, tão digno como qualquer outro povo do nosso Planeta. É estranho, vindo de quem prega princípios civilizacionais e humanitários.

Pior que um erro, é uma medida contra inocentes. Que o governo português não entre neste desfiladeiro de vergonha.

Marcelo fundiu o fusível

Como é possível que o Presidente da República salte para o volante do seu Mercedes e siga quatro horas a dar uma entrevista a um canal televisivo? Só um homem com os fusíveis fundidos é capaz de se apresentar ao país com este despropósito surrealista e próprio de um ego quase narcísico. Ele é o centro de gravidade da Terra, só faltou que o dissesse.

Que exemplo o PR dá a um país com um grau de sinistralidade bem elevado a conduzir como se pode ver na entrevista com as mãos ora no volante, ora onde calhava?

Sua Excelência decidiu loquare e zás catrapás, bora até Viseu pela A1 e A25, o homem que se vê no centro de tudo e teve o descaramento de considerar que o mergulho no Tejo foi uma inovação na política e comentado até fora do país.

Este nobilíssimo cavalheiro sabe o que se passa no país, as suas tendências, o desgaste do governo pelas selfies que lhe pedem ou vice-versa e pelos passeios a pé onde encontra gente, até estrangeiros que lhe dão palpites.  Substituiu Marques Mendes e o oráculo de Delfos. Fundiu.

A conversa é um interminável solilóquio imaginado ao pormenor para apresentar um balanço daquilo que ele acha que foi; sendo que a diferença entre ele e os outros é que ele só tem picos (deve comer muitos figos do diabo), o Primeiro-Ministro altos e baixos, embora os baixos não sejam muitos baixos.

O excelentíssimo PR foi a abrir saraivadas de elegância em relação ao mata-borrão e ao centralizador, ao resistente e ao dominador de tudo; ele que para aparecer decidiu conduzir o seu carro.

Por fim, provavelmente, quatro horas para isto “…vou tentar e ver se com alguma sorte a hipótese do renascimento de uma alternativa de direita…” Está preocupado com o facto do povo português não votar como ele desejava. É natural.

Resta perguntar ao PR o seguinte – em que artigos da Constituição ele encontra sustento para esta sua vocação?

Que tristeza de exemplo para a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária e que violação grosseira das suas funções apenas por imperativo ideológico. Não é o Presidente de todos os portugueses. É o Presidente que gostava de ver a direita no governo e que está a tentar ver esse desejo ser concretizado.  

Milhazes, Ferrabrases, Barrabáses, a Festa do Avante e o quinto vício capital.

Ferrabrás tornou-se famoso por ser na imaginação popular medieval um gigante sarraceno que combatia as tropas de Carlos Magno e se ter convertido ao cristianismo.

Os convertidos têm por vezes um problema psicológico que consiste numa luta consigo próprios para certificarem que a conversão é efetiva. É um processo de arredar o passado em permanência. M         uitos dos cristãos-novos eram bem mais intolerantes em relação aos judeus que os cristãos originários.

O violento ataque de José Milhazes aos artistas que vão participar na Festa do Avante é a manifestação da liberdade do exercício do direito de opinião que merece o respeito de uma sociedade democrática e plural, mas a sua base assenta numa fraude intelectual.

O PCP condenou a invasão da Ucrânia, não foi de imediato, mas acabou por condenar, como hoje claramente acontece, o que até hoje o CDS e o PSD não fizeram em relação à invasão do Iraque, tendo Portas e Barroso mentido com quantos dentes tinham acerca das armas de destruição massiva; primeira fraude.

No que o PCP embarca muitas vezes (mal) é colocar-se ao lado de tudo o que supostamente enfraquece o imperialismo dos EUA, não tendo presente, neste caso. o imperialismo russo; imperialismo é sempre imperialismo, seja de que país for.

Segunda: o PCP não apoiou, nem apoia o regime de Putin. Terceira: os artistas que vão à Festa, por esse facto apoiariam as posições do PCP sobre a guerra, é uma aberração.

Se José Milhazes tivesse um pingo de coerência saberia que fez em 6 e 9 de agosto setenta e sete anos que os EUA, em poucos segundos, liquidaram dezenas e dezenas de milhares de japoneses em Hiroshima e Nagasaki, que atingiu um total de duzentos mil mortos com o passar dos dias. Até hoje, os dirigentes daquele país, nem uma hesitação mantiveram acerca do massacre a sangue-frio de bebés, crianças, idosos que não estavam envolvidos militarmente na guerra. Terror nuclear quimicamente puro.

 Por que motivo Milhazes não se insurge contra os artistas que vão atuar nos EUA depois daquelas centenas de milhares de mortos, mais dois milhões de mortos no Vietnam onde empregaram armas químicas, ou contra os artistas que vão atuar em Festas de partidos que apoiaram a guerra do Iraque, outro violento crime face ao direito internacional e ademais justificado numa mentira maior que os Himalaias?

José Milhazes, segundo algumas notícias vindas a público, disse em Tomar no lançamento do seu mais recente livro, que se ficasse rico compraria a Quinta da Atalaia, nem cuidando de saber se o PCP a vendia, mas talvez se possa concluir que branco é, galinha o põe.

O PCP é um partido com posições das quais me fui distanciando até sair, mas esse facto não invalida o seu papel relevantíssimo na construção do regime democrático e não só.

Milhazes, convertido reconhecido notarialmente no altar do anticomunismo primário, pode muito bem esperar por ser rico a ver se fila a Quinta da Atalaia. Se ficar assim tão rico, pode rivalizar com Mário Ferreira e ir ao Espaço, mas duvido que file a Quinta.

De acordo com o relatado nos Evangelhos é conhecida a opção do povo da Judeia face à proposta de Pilatos para que escolhesse entre crucificar Cristo ou Barrabás.  Para Milhazes a culpa é capaz de ter sido do PCP porque o cristianismo proclama a igualdade dos seres humanos.

Nestes tempos do anunciado Fim da História convém ter presente que nem Prometeu ficou agrilhoado para todo o sempre, nem um regime se pode apenas medir por setenta anos.  Nem Milhazes tem a grandeza do imaginário das canções medievais em torno de Ferrabrás, nem tem o poder de colocar à escolha de cancelar ou não a Festa.

Com bons sentimentos vive-se melhor, daí a música e a Natureza na Atalaia darem as mãos para momentos de alegria e júbilo.

E lembrem-se todos os católicos – o quinto vício capital é a inveja, ou seja, a tristeza profunda em face do bem alheio.

https://www.publico.pt/2022/08/14/opiniao/opiniao/milhazes-ferrabrases-barrabases-festa-avante-2017201