NA MORTE DE GORBATCHOV

Morreu Mikhail Gorbatchov, o líder do PCUS que tentou salvar o socialismo, desencadeando para tanto dois eixos – a perestroika e a glasnost. O socialismo real tinha desembocado num beco sem saída, exaurido economicamente, atolado na guerra do Afeganistão e hipercentralizado com cerca de 50 milhões de membros, contando com a Juventude Comunista, inscritos, na sua imensa maioria por mero interesse de privilégio que assegurava o cartão do PCUS para obter acesso à Universidade ou aos melhores empregos. Para tanto era essencial enclausuras os direitos e as liberdades.

O que Gorbatchov se propôs levar a cabo foi resgatar o ideal socialista/comunista cortando com um regime onde as liberdades democráticas inexistiam e o PCUS era uma vanguarda policial em vez ser uma organização capaz de defender os interesses dos povos da URSS.

Já não foi a tempo. O próprio partido, dominado pelos glutões do dinheiro, ficou mudo e quedo e aconteceu a ascensão do inenarrável Boris Yeltsin, grande figura do Bureau Político, para o comando do partido.

O que fica para a História é a desgraça dum partido que se acomodou, se fechou, e que entregou o poder a uma casta que se comportava como os donos de tudo.

Isto não foi obra de um homem, isto foi o culminar de um afastamento do PCUS dos mais elementares princípios democráticos dirigidos a defender os interesses de todos os povos da URSS. É absolutamente inaceitável que um partido com cinquenta milhões de membros não tenha mobilizado alguns milhares para defender o regime. Os cidadãos já não sentiam como sendo o seu regime, mas apenas o regime das elites que saídas do partido se apropriaram dos fantásticos recursos daquele país; estavam todos no PCUS ou muito próximo.

Naturalmente que o imperialismo jogou o seu papel e venceu. A coexistência pacífica, tão cara a Lenin levou à derrota daquela espécie de “socialismo”.

Ficou uma tragédia em que os EUA e a NATO se sentiram senhores do mundo e numa atitude de revanchismo alargaram as fronteiras da organização até às fronteiras da Rússia.

Em vez de aproveitar a grande oportunidade para encetar um caminho de desnuclearizar e de estabelecer bases para uma cooperação para resolver gravíssimos problemas como a fome e as alterações climáticas, os EUA invadiram o Iraque, atacaram a Jugoslávia, reconheceram a independência do Kosovo e puseram o mundo em estado de insegurança.

A imperdoável invasão da Ucrânia pela Rússia veio mostrar que hoje o mundo assiste a uma competição brutal por certas zonas tidas como estratégicas.

A guerra continua na Europa. Em qualquer momento a situação pode levar ao alargamento dos beligerantes. A UE perdeu uma oportunidade de se impor como força autónoma. Juntou-se a um Presidente dos EUA cujas linhas de força são a corrida aos armamentos e com sérios problemas internos e incapaz de lhes fazer frente.

O mundo está à beira de uma tragédia. E, no entanto, HÁ nos povos uma fuga para fazer de conta e não enfrentar a situação. É compreensível, caíram sonhos, não se vislumbram alternativas; o mundo está muito confuso; há um sentimento de orfandade nas forças que se propõem mudar o sistema.

A verdade é que nunca, como hoje, o socialismo entendido como um sistema democrático com mais direitos e liberdades que o capitalismo faz falta. Socialismo só pode ser paz.

Tudo muda e atualmente a mudança acelerou. Agir como se o mundo fosse o que já foi, não traz nada de novo. Ficar amarrado ao passado que os povos não querem é um grave erro e enfraquece o ideal socialista. O que morreu está morto, acabou, é preciso um novo socialismo.

Os comunistas não podem desistir e deixar de tirar as devidas consequências dos erros, desvios da construção do socialismo e traições ao próprio ideal.

A História não terminou. Vai continuar. É ainda possível aos homens e mulheres continuarem a escrever a sua história.

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