A propósito do despedimento coletivo da Altice

Em 1944 o Estado português reconhecia que os Bancos eram instituições a tal ponto confiáveis que podiam beneficiar do facto de não necessitarem de efetuar descontos legais de taxa social única nas retribuições pagas aos seus trabalhadores, ficando assim dispensados, durante largas dezenas de anos, de contribuir para a Segurança Social.   Eram assim colocados no mesmo plano do Estado, ou seja, eram a Segurança Social dos trabalhadores bancários e eles próprios pagavam as pensões de reforma.

Como a vida é feita de mudança a pergunta obrigatória é a seguinte: nos dias de hoje os Bancos seriam merecedores da mesma confiança que o Estado lhes deu em matéria de Segurança Social? Obviamente que não.

Apesar da Constituição da República prever que todo tempo de trabalho conta para formar o direito à pensão de reforma, este princípio não se aplicou a todos os trabalhadores da Caixa Económica Açoreana quando faliu, pois, para alguns, não foi acautelado tal direito.

Decorridas as mesmas largas dezenas de anos não é arriscado afirmar que não pode ser muito sólida a confiança que o Estado possa depositar nas condutas, nomeadamente éticas, das grandes sociedades que têm por escopo o lucro, sendo que muitas delas, com a suas engenharias, nem sequer pagam impostos.

Talvez porque se perdeu a intuição da antiga ética social é que as grandes empresas, cujo rosto são os call centers, passaram a ter necessidade de regulamentar a mesma, com Códigos.

Regulamentar muito a vida nunca foi bom

Os valores alteraram-se muito sobretudo para quem canaliza todas as suas forças e energia para a obtenção do lucro: o bezerro de ouro.

A Portugal Telecom, que teve origem em empresas públicas que em 1994 se fundiram, passou para as mãos da Altice Portugal em 2015 e esta assumiu o compromisso, com alguns sindicatos, de não realizar despedimentos coletivos.

Esta ilusão não durou muitos anos e o socialismo utópico que vinha das empresas públicas e que desde há 24 anos veio a permitir a saída de 15000 a 18000 trabalhadores de forma consensual, sem agressividade e em paz social, acabou no dia 1 de julho de 2021.

Com o despedimento coletivo de 200 a 300 trabalhadores, que agora se inicia, a Altice Portugal faz uma rutura com o passado e já não merece confiança no futuro nesta matéria.

E tem fundamento para proceder ao despedimento coletivo?

A resposta à questão é a seguinte: numa grande empresa, como a Altice Portugal, existe sempre fundamento, em qualquer altura, para iniciar um despedimento coletivo.

Os despedimentos coletivos têm sempre fundamentos economicistas os quais, numa grande empresa, que tem lucros, são sempre uma ficção, ou seja, uma narrativa na qual o desejo se adapta à realidade, tornando-a racional.

O motivo real do despedimento pode efetivamente não ser aquele que foi anunciado aos trabalhadores, pelo Presidente Executivo, de necessidade de reorganização, com votos de saúde e um abraço.

Na realidade, nunca conheceremos o verdadeiro motivo, nem os tribunais, pois o mesmo ficou fechado no gabinete da Administração.

Será para futura venda, “sem gorduras”? É possível. Será porque a Anacom se porta mal com a Altice? Pode não ser.

É corriqueiro dizer mal dos sindicatos, fica bem, mas os sindicatos são indispensáveis e essenciais na defesa dos trabalhadores e da sociedade. Não é um chavão, pois muitos dos que dizem mal, sem o saberem, usufruem de direitos e regalias que foram negociados pelos sindicatos em convenções coletivas de trabalho.

Já iniciamos a caminhada no admirável mundo novo que pretende que todos sejamos “subordinados felizes,” utilizando a expressão de Fernando Pessoa.

Os trabalhadores não podem deixar que façam deles “subordinados felizes” e sempre descartáveis.

Contrariamente ao que se diz, os sindicatos têm um grande futuro à sua frente pois as grandes empresas ambicionam, com as novas tecnologias, seguindo o guia supremo, que é a divina Google, que lhes entreguemos a alma.

Quem trabalha subordinadamente não pode deixar de reagir e o Estado tem de adequar as leis à realidade cínica das grandes empresas e não se deixar engolir pelas mesmas.

Este despedimento coletivo da Altice será sempre uma fantasia na sua construção, mas vai causar muita mal e dor a um universo de 200 a 300 famílias portuguesas e o Estado não se devia demitir das suas responsabilidades, pois já não se trata do cumprimento do Direito, já estamos noutra fase, com outra realidade.

JOSÉ PAULO LEITÃO- ADVOGADO DO SINDICATO DOS TRABALHADORES DO GRUPO ALTICE EM PORTUGAL

A propósito do despedimento coletivo da Altice Portugal | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

A tia Angela, o tio Marcelo e o herr Costa

A tia Angela, dentro do seu melhor estilo de tia-avó, aproveitou estar com a sua ex-Ministra da Defesa (afastada por navegar em submarinos de águas profundas) e atualmente Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen para ralhar com Portugal. Deixou os ingleses entrarem para verem a final da Champions no Porto e para férias na Algarve, resmungou do alto do seu cadeirão.

A tia não achou bem que os súbditos da Majestade Isabel II tenham vindo ver a final, não esclarecendo se acharia o mesmo quanto à vinda de alemães, caso o Bayern de Munique fosse o finalista. De falta de variantes, percebe ela, é sempre mais do mesmo.

Se o primeiro-ministro de Portugal lhe tivesse perguntado a opinião a música seria outra, mas como não pediu levou o ralhete que é para aprender. Ingleses no Porto sem a ouvir? Quem manda, sim, quem coordena?

Bem podem dizer que a verdade encerra muitos significados, inclusive alguns diferentes do que se pretende fazer crer. O ralhete vale o que vale, ou seja, valeu para Rio e Marcelo se apresentarem a jogo.

O primeiro para aplaudir, apesar de ter clamado pela vinda dos ingleses para impedir o turismo de se afundar.

O segundo, mais esperto, para agradar à poderosa tia, desculpabilizando-a e elogiando-a quanto à bazuca.

As palavras não passam de palavras e com elas nos entendemos e damo-nos a entender, como é o caso da nossa querida tia alemã.

Um queixume, um reparo, um desabafo do género, então o Herr Kosta deixa os ingleses entrarem no Porto e não dá satisfações? Ah, pois é, não pode ser. Um desabafo por falta de coordenação, disse ela. Em Munique, capital da Baviera, quem coordena é ela e ela é que sabe quem entra e quem sai e quem vai a Wembley para os oitavos do europeu. Pois. Só que outra coisa não tem feito António Costa, disse ele, passa a vida a coordenar com a tia e os outros, insistiu.

Com que então barrar os ingleses? Mas eles já se barraram à U.E, pensou o nosso primeiro. Contava que Marcelo e Rio lhe tivessem mandado o recado a dizer que o mal pandémico estava em Lisboa, onde não se jogou a final da Champions, mas enganou-se e ficou intrigado quanto ao verdadeiro significado do queixume e do faz de conta de Marcelo e Rio que assobiaram como se o Porto fosse Lisboa, o que não é, veja-se o caso das entregas dos dados dos ativistas sociais às embaixadas, incluindo de Israel que é raro aparecer mencionada.

Acontece em todas as famílias, quando uma tia-avó tem muito peso, ou lhe dou uma cadeira robusta ou aguentam o peso que ela tem.

Ela não só tem um grande peso entre a família da U.E., como também não ouve bem todos os familiares; ouve melhor os familiares mais próximos do enorme quintal alemão. A Inglaterra é uma ilha, esteve sempre contra a Alemanha, e tudo isto conta na sua cabecinha pensante.

 Na Alemanha não há grandes variantes, é, há muito tempo, mais do mesmo, die  große Koalition.

A tia armou um grande sarrabulho na Lusitânia. Ela calculava que Rio e Cecília Meireles iriam mudar de opinião quanto à entrada de ingleses na pátria de Camões e acertou.

O tio Marcelo não é por viver em Cascais, terra de tios e tias, mas porque não pode deixar passar nada sem pronúncia e entregou o nosso chanceler à tia chancelerina – também já criticámos a Alemanha, escondendo o sujeito capaz de uma coisa daquelas.

O tio Marcelo, apesar da tia se ir retirar em setembro, não fosse esquecer-se dele, veio a terreiro, através da chamada prova indireta, dizer aos portugueses, que já sabiam,

 que ela é quem manda desde o défice até à bazuca. Abençoada seja a tia e quem a apoia.  Ingleses never, nimmer, jamais como disse o nosso Mário Lino, jamais.

A tia Angela, o tio Marcelo e o herr Kosta | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

A higienização do PSD

A Concelhia de Gaia do PSD de Gaia deve estar com muito mau aspeto e no que concerne a limpeza. A coisa, segundo António Oliveira, está precisar de uma higienização.

Da outra banda a Concelhia considera Oliveira um erro de casting, do género de quem diz a Rio que a sua escolha no meio futebolístico foi um penalti falhado.

Oliveira foi descobrir coisas do arco da velha no seio da Concelhia e esta encontrou um fulano sem caráter, ambicioso e arrogante com tiques de ditador incapaz de assinar um documento.

Este é o estado do PSD em Gaia. O candidato por uma questão higiénica não se quer sujar. A Concelhia suja com o Oliveira.

Muito provavelmente a esta hora Rio estará a dizer a seus pares – estão a ver no que dá a pesca no futebol.

Só faltava, na Amadora, a Dra. Suzana Garcia descobrir alguma necessidade de esterilização que é uma forma superior de higienização. Ainda vai a tempo de transformar a Amadora num Estado como a Singapura, segundo as suas palavras. É tudo uma questão de higiene mental.

A higienização do PSD/Gaia

A Concelhia de Gaia do PSD de Gaia deve estar com muito mau aspeto e no que concerne a limpeza a coisa, segundo António Oliveira, está precisar de uma higienização.

Da outra banda a Concelhia considera Oliveira um erro de casting, do género de quem diz a Rio que a sua escolha no meio futebolístico foi um penalti falhado.

Oliveira foi descobrir coisas do arco da velha no seio da Concelhia e esta encontrou um fulano sem caráter, ambicioso e arrogante com tiques de ditador incapaz de assinar um documento.

Este é o estado do PSD em Gaia. O candidato por uma questão higiénica não se quer sujar. A Concelhia suja com o Oliveira.

Muito provavelmente a esta hora Rio estará a dizer a seus pares – estão a ver no que dá a pesca no futebol.

Só faltava, na Amadora, a Dra. Suzana Garcia descobrir alguma necessidade de esterilização que é uma forma superior de higienização. Ainda vai a tempo de transformara a Amadora num Estado como a Singapura, segundo as suas palavras. É tudo uma questão de higiene mental.

Passos Coelho- Cometa Halley

Passos Coelho ganhou com o tempo um ar solene como aquele que garantiu ao pé do Cartório Notarial que se fosse primeiro-ministro não aumentaria impostos, não cortaria salários e não permitiria despedimentos na Função Pública. Foi o que se viu. Entretanto, na sua órbita de aparecer e desaparecer como o Cometa Halley, no dia 16 de junho teve uma aparição no lançamento de um livro de António Alvim “Um manual para mudança da saúde” com Carlos Moedas na primeira fila (parece que desta vez foi realmente convidado) para voltar a um tema velho e revelho de quarenta e tal anos, desde a formação da AD – as reformas que não têm fim à vista.

O país não pode viver sem reformas, desde logo no SNS, disse ele, acrescentando que é um paradoxo ser “…o que se chama de direita sempre a tentar salvar a situação e ver se lhe consegue dar sustentabilidade…”.

Na sua arenga continuou a clamar pelas tais reformas a serem feitas seja de que maneira seja, enviando um recado a Rui Rio que anda, desde que chegou a líder à espera do PS. Explicou a Rui Rio “…se as reformas tiverem de se fazerem em confronto que se façam, também é importante que a democracia funcione para isso… “

Sem nunca explicar entre quem seria o confronto e em que consistiriam, puxou de uma bandeira sempre agradável, nomeadamente numa situação de descrença política, contra o rumo do país, apontando sem nunca o referir um novo programa de empobrecimento dos que vivem do seu trabalho e de enriquecimento acelerado para os que aproveitariam dessas reformas.

É preciso desfaçatez vir acusar a esquerda de não querer um SNS com sustentabilidade quando acaba de dar resposta satisfatória aos portugueses em plena pandemia, mesmo desfalcado por políticas de direita que o querem colocar ao serviço dos grupos privados de saúde e que em boa medida conseguiram com o asfixiamento das carreiras dos operacionais, enfermeiros e médicos, com o desinvestimento e encerramento de serviços quase em simultâneo com a abertura desses espaços e serviços pelos privados.

Qual é a reforma que Passos Coelho pretende para o SNS? Torná-lo mais eficaz com investimento necessário ou prosseguir a senda do seu desastroso mandato de quatro anos a desinvestir no SNS e a abrir às claras ou encoberto áreas aos privados? Não disse o que pretendia, mas percebe-se.

Em Portugal, os privados podem investir na saúde e mostrar do que são capazes, só que o jogo fica viciado se o fizerem através do Estado que, em vez de o defender para todos, o tornarem burocrático, inoperacional, incapaz de responder no dia a dia, fazendo com que os cidadãos fujam para os grupos económicos privados.

Só que nesta altura em que o SNS, apesar de todas as malandrices que lhe foram feitas, respondeu eficazmente à pandemia, vir falar de sustentabilidade significa entregar o bife aos que “sabem da poda” e encher-lhes os bolsos e deixar o SNS para aquele terço “miserável” como diria M. Tatcher. Existiria para os que não chegassem a tomar seguros que por sinal são detidos pelos mesmos que detêm os grupos da saúde.

Entretanto Rio que se cuide. E o PS que leve a sério os recados de Marcelo. A sintonia ganha contornos. O cometa Halley desconfinou e apareceu em cima dos acontecimentos. 

Passos – O cometa Halley | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

Do guarda chuva do euro 2016 às naifadas do euro 2020 em António Costa

Marcelo Rebelo de Sousa conhece a Constituição como poucos. Seguramente tem uma ideia precisa dos artigos 133 e 134 da CRP sobre as funções do Presidente da República. Já as ensinou vezes sem conta.

No que se refere à atividade do governo é curial que às quintas- feiras PR e PM conversem sobre a atividade governativa. É natural que tenham falado sobre o confinamento e as suas implicações.

Quando o Sr. Primeiro-Ministro afirmou que o desconfinamento pode voltar para trás disse o que se pode chamar o que há de mais normal tendo em conta as regras da experiência comum, ou seja, que se as infeções por Covid-19 ficarem descontroladas pode ter que se encarar essa hipótese.

Neste quadro o PR (contrariando uma regra que ele próprio invocou muitas vezes de não fazer comentários sobre factos políticos internos) declarou em Budapeste que o PM desautoriza o PR, pois é este quem nomeia aquele.

Na verdade, o Presidente Marcelo esqueceu-se do cargo e virou o que lhe está na massa do sangue apesar da inteligência que tem.

Costa não desautorizou Marcelo. Disse o que toda(o)s a(o)s portuguesa(e)s sabem. E certamente os dois falaram sobre se as coisas correrem mal. Esta “boutade” em Budapeste em época de arraiais parece ter aberto o início do tiro ao Costa que se mantém com o PS muito à frente nas sondagens com a direita à deriva como se viu no MEL.

Marcelo já tem saudades da liberdade dos tempos de comentador. Conhece os limites da função presidencial, mas não resiste. Parece estar cansado do otimista irritante e mesmo em Budapeste, onde reside Vitor Orban e corre o belo Danúbio a caminho de Viena, “desimaginou-se” do cargo e zás. Ele é que nomeia o PR , certo. Mas a verdade é que o faz nos termos do artigo 187 da CRP, após ouvidos os partidos representados na AR e tendo em conta os resultados eleitorais. Não é a gosto do PR. É tendo em conta os resultados eleitorais.

Ora as sondagens são o que são, mas são fortes indícios. E o facto de Marcelo comentador querer intervir não pode fazer manigâncias constitucionais pois se for a exame pode chumbar.

E deixa Marcelo PR mal visto por imiscuir-se onde não deve, como é evidente, a todas as luzes. Quem nomeia o PM é ele, mas nomear o PM não significa que este tem de dizer àquele a que horas almoça ou o que pode dizer sobre confinar ou desconfinar.

Marcelo foi tomado pelos ares de Orban e de frente ao belo Danúbio enamorou-se do fantástico poder dos semáforos que dizem sempre o mesmo. É a vida. Se se irrita com o otimista irritante por virar realista vigilante restava-lhe dar os parabéns ao PM; só que o Danúbio é muito romântico e o realismo perde-se nas águas que tanto inspiraram artistas daquela região e pelos vistos o comentador MRS cheio de saudades do tempo em que podia dizer o que lhe vinha à cabeça.

s os portuguesas

MEDINA, PEDRO ADÃO E COTRIM

A HIPOCRISIA EM TODO O SEU ARRAIAL

O primeiro caso emblemático da hipocrisia dominante na vida da direita portuguesa é a realização do arraial por parte da IL contra a opinião da DGS.

Pois bem, o PCP realizou a festa do Avante e neste país ergueu-se um tsunami durante dias contra tal evento. Estou à vontade porque escrevi na altura que o PCP se pôs a jeito.

Mas como não deixar de sublinhar o estardalhaço mediático contra o PCP, apesar da aprovação da DGS?

Vem agora o Dr. Cotrim tão novo na política parlamentar esquecido do que disse sobre a festa da Avante e afirmar o direito à sardinhada, pois a cultura para os neoliberais não dá lucro; as sardinhas do arraial sim. A coerência em política é um investimento altamente rentável.

Só uma pergunta: se a IL for para o governo das direitas põe como condição a extinção da DGS?

  E passando aos media onde está essa consciência dorida? É só contra os comunistas? Há uma diferença abissal – o PCP tinha a autorização da DGS, a IL não tinha.

O segundo caso está relacionado facto da C. M. de Lisboa ter fornecido dados pessoais de ativistas políticos a Embaixadas ligadas às ações políticas convocadas contra os governos desses países o que é muito grave. Não apenas à da Rússia, mas também à de Israel. Revela insensatez e insensibilidade democrática de quem está à frente dos serviços respetivos. A lei não a impõe. Informar uma embaixada que se irá realizar uma ação política de protesto ou apoio da política do respetivo país nada se assemelha a dar o nome completo, telefone e morada dos convocantes. Só burocratas irresponsáveis desligados da realidade política podem ter este comportamento. Está a correr um inquérito ao sucedido, esperemos, mas os inquéritos em matéria política tardam e as conclusões chegam quando chegam.

Fernando Medina veio lamentar e pedir desculpa pelo sucedido. Porém, o vendaval de hipocrisia estava lançado. Ativistas políticos de direita guilhotinaram Fernando Medina. Moedas, o homem que nunca ergueu uma unha para denunciar a guerra brutal contra o povo palestiniano levada a cabo por Israel, está preocupado com o que a Mossad e os serviços secretos russos podem fazer a esses ativistas. Pede a demissão de Fernando Medina, mantendo o silêncio sobre o conflito. Agarrou-se ao caso como um naufrago desesperado.

Rui Rio que tem andado de roda da comissão jurisdicional do PSD segue em registo de trombone e desatou a soprá-lo.

Francisco Rodrigues esbraceja e dá pinotes de indignação e clama pela demissão de Medina, enquanto o vereador do CDS acredita que o Presidente não conhecia os detalhes do assunto.

Os neoliberais da JL liberalizam a sua energia e sem a demissão de Medina não ficam satisfeitos. Foram para o arraial espairecer.

Nas redes sociais muitos dos espíritos mais condoídos com a sorte dos ativistas pelos direitos palestinianos são incapazes de assumirem o direito do povo palestiniano ao seu Estado Nacional. Pergunta-se ao PSD e IL – são favoráveis a um Estado Palestiniano?

Há alguém que acredite que Medina seria capaz de aceitar dar informação às Embaixadas sediadas em Portugal acerca de ativistas portugueses ou estrangeiros que podiam sofrer represálias por parte desses regimes?

E não é preciso uma nova lei, a atual não obriga a fornecer às embaixadas nomes, moradas e telefones.

O terceiro caso tem a ver com a nomeação de Pedro Adão e Silva para Presidente das Comemorações do 25 de Abril e que gerou um coro de protestos sem que se perceba, no meio da poeira, o porquê.

O cinquentenário da revolução de Abril merece ou não ser devidamente comemorado? Claro que todos os democratas (comunistas, socialistas, liberais, cristãos, social-democratas, ecológicos, anarquistas, socialistas radicais, feministas e outros) empenhados na democracia não podem negar a importância da revolução. É meio século. Altura ideal para fazer o balanço de como éramos e como somos enquanto país e nação povo.

A direita trauliteira à qual parece que Rio se rendeu, desprezando o legado de Sá Carneiro, nunca aceitou o 25 de Abril e vai disfarçando até deixar cair a máscara como agora. Ficaram nus, não querem que se comemore dignamente a data.

São os que não se opõem e não se opuseram a que os portugueses pagassem cerca de vinte mil milhões de euros à banca. Nem se importavam com os chorudos negócios das privatizações onde Moedas se destacou com os CTT.

Conheci Pedro Adão e Silva por telefone e correio eletrónico aquando da preparação da grande manifestação em Lisboa contra a guerra do Iraque, quando o CDS, o PSD e moedas apoiavam a criminosa e desastrosa invasão do Iraque. Moedas não levantou um dedo contra o morticínio absolutamente ilegal no Iraque. Estava ao lado de George W. Bush.

Por que não Pedro Adão e Silva? Claro que vai depender do que vier a ser feito, mas não é aí que a direita bate. É mais um caso. Os figurões do dinheiro fácil a sacar ao Estado estão incomodados com o ordenado de Pedro Adão e Silva, mas não estiveram com o ordenado do escritor, apoiante de Cavaco e do PSD. Que hipocrisia.

Medina, Pedro Adão e Cotrim – a hipocrisia em todo o seu arraial | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

Welcome Mr. President Biden, os “nossos interesses”são os de todos nós e não apenas os da sua nação

O artigo de Joe Biden no Público de 7 de junho constitui um documento bem demonstrativo da conceção do mundo por parte desta Administração.

Não deve ser por acaso que a palavra mais utilizada por Biden é o pronome possessivo nossos ou nossas.

Biden vem transmitir à Europa “ … os nossos valores e a nossa visão do futuro…” esperando que eles sejam partilhados pelas nações que partilhem os valores e a visão do futuro dos EUA.

Biden explica melhor “…  Os EUA devem liderar o mundo a partir de uma posição de força…”

A partir desta premissa os aliados ou aceitam que os seus interesses e a sua visão do mundo é a dos EUA e se juntam para assumirem com aquele país uma posição de força na comunidade internacional impondo-a ou quiçá entendem que o mundo é hoje multipolar e nenhuma nação tem seja por encarnação divina(como outrora) ou de direito natural ou conferida pelo direito internacional (que existe) e nesta conformidade manifestarão a Biden que os interesses dos EUA não são os únicos num mundo tão diversificado e polarizado e que provavelmente não coincidirão sempre, nomeadamente quando os Serviços Secretos dos EUA espiam as conversações de Angela Merkel e de outros dirigentes mundiais aliados dos States.

Se há ponto em que a ordem internacional se deve basear é o de o que o mundo é cada vez mais diversificado e os seus interesses são-no igualmente.

Por mais rica ou poderosa que seja qualquer nação ela nunca encarnará nem interpretará por si só a vastíssima comunidade internacional e muito menos um país que está envolvido direta ou indiretamente em inúmeros conflitos que vão desde a Palestina ao Afeganistão, da Ucrânia à China, desde a Rússia à Venezuela, desde o Sahara Ocidental ao Iémen, desde a Coreia à Síria.

Assumir uma posição de força em qualquer circunstância e sobretudo no mundo de hoje é ter uma conceção unilateralista dos interesses em jogo e considerar que os tais nossos prevalecem sobre os demais.

Não há ordenamento jurídico qualquer preceito que permita utilizar uma posição de força para liderar o mundo.   

Acresce que Biden se refere aos ataques da China e da Rússia através da vigilância de tecnologias invasivas que merecem a total condenação de quem quer viver livre do olho do Big Brother. Só que os EUA devem ser o único país do mundo que tem um aparelho de escuta de todas as comunicações mundiais em tempo real no sentido de apanhar por arrasto tudo o que se passa no mundo desde os grandes negócios às ameaças terroristas, à espionagem dos armamentos dos outros países até às conversações dos seus dirigentes.

Em simultâneo os EUA têm consagrado na lei poder assassinar em qualquer país do mundo políticos inimigos dos EUA.

Os serviços secretos dos EUA utilizam as mais avançadas tecnologias informáticas invasivas para espiolhar tudo o que se passa no mundo e no Planeta. Só partilham estas informações consigo próprios, pois é impossível partilhá-las com os aliados que espiam como é natural.

Ninguém com tino nega a importância dos EUA no mundo e a sua contribuição para a paz e a segurança mundiais; só que se for a partir de posições de força para impor os seus interesses e a sua visão do mundo é certo e seguro que os outros parceiros mundiais com os seus interesses e visões próprias jamais as aceitarão.

Em tal circunstância o que nos espera é que os outros procurem posições de força para responder à força do outro lado.

O mundo precisa de uma posição de força para em conjunto acabar com a fome, vacinar África e a América Latina e os países pobres de todos os continentes. O mundo precisa que todos façam força para defender a paz. E força para atenuar as desigualdades entre os Estados. Os nossos interesses enquanto cidadãos do mundo não são os de um ou dois ou três países; os nossos são os de todos nós, seja qual for o país onde nascemos.

Bem-vindo, Presidente Biden, os “nossos interesses” são os de todos nós e não apenas os da sua nação | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)