Do guarda chuva do euro 2016 às naifadas do euro 2020 em António Costa

Marcelo Rebelo de Sousa conhece a Constituição como poucos. Seguramente tem uma ideia precisa dos artigos 133 e 134 da CRP sobre as funções do Presidente da República. Já as ensinou vezes sem conta.

No que se refere à atividade do governo é curial que às quintas- feiras PR e PM conversem sobre a atividade governativa. É natural que tenham falado sobre o confinamento e as suas implicações.

Quando o Sr. Primeiro-Ministro afirmou que o desconfinamento pode voltar para trás disse o que se pode chamar o que há de mais normal tendo em conta as regras da experiência comum, ou seja, que se as infeções por Covid-19 ficarem descontroladas pode ter que se encarar essa hipótese.

Neste quadro o PR (contrariando uma regra que ele próprio invocou muitas vezes de não fazer comentários sobre factos políticos internos) declarou em Budapeste que o PM desautoriza o PR, pois é este quem nomeia aquele.

Na verdade, o Presidente Marcelo esqueceu-se do cargo e virou o que lhe está na massa do sangue apesar da inteligência que tem.

Costa não desautorizou Marcelo. Disse o que toda(o)s a(o)s portuguesa(e)s sabem. E certamente os dois falaram sobre se as coisas correrem mal. Esta “boutade” em Budapeste em época de arraiais parece ter aberto o início do tiro ao Costa que se mantém com o PS muito à frente nas sondagens com a direita à deriva como se viu no MEL.

Marcelo já tem saudades da liberdade dos tempos de comentador. Conhece os limites da função presidencial, mas não resiste. Parece estar cansado do otimista irritante e mesmo em Budapeste, onde reside Vitor Orban e corre o belo Danúbio a caminho de Viena, “desimaginou-se” do cargo e zás. Ele é que nomeia o PR , certo. Mas a verdade é que o faz nos termos do artigo 187 da CRP, após ouvidos os partidos representados na AR e tendo em conta os resultados eleitorais. Não é a gosto do PR. É tendo em conta os resultados eleitorais.

Ora as sondagens são o que são, mas são fortes indícios. E o facto de Marcelo comentador querer intervir não pode fazer manigâncias constitucionais pois se for a exame pode chumbar.

E deixa Marcelo PR mal visto por imiscuir-se onde não deve, como é evidente, a todas as luzes. Quem nomeia o PM é ele, mas nomear o PM não significa que este tem de dizer àquele a que horas almoça ou o que pode dizer sobre confinar ou desconfinar.

Marcelo foi tomado pelos ares de Orban e de frente ao belo Danúbio enamorou-se do fantástico poder dos semáforos que dizem sempre o mesmo. É a vida. Se se irrita com o otimista irritante por virar realista vigilante restava-lhe dar os parabéns ao PM; só que o Danúbio é muito romântico e o realismo perde-se nas águas que tanto inspiraram artistas daquela região e pelos vistos o comentador MRS cheio de saudades do tempo em que podia dizer o que lhe vinha à cabeça.

s os portuguesas

2 pensamentos sobre “Do guarda chuva do euro 2016 às naifadas do euro 2020 em António Costa

  1. António Melo

    “Marcelo foi tomado pelos ares de Orban”.
    Na mouche.
    Esperemos que seja aragem ligeira e exagero de adepto da seleção.
    Que regresse de cabeça fria e a festejar o desejado triunfo futebolístico

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  2. maria eduarda

    bom texto, digo eu… gostava de ouvir em que contexto e com exactidão as declarações do marcelo… falta aqui, sou ainda eu que o digo, falar do papel da “comunicação social” no seu permanenete labor manipulatório…

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