CUIDADO COM O CHICOTE NÃO ESPREITE O TELEFONE DO MARIDO

 

No passado mês de Maio foi publicada uma nova lei na Arábia Saudita que aplica penas de multa, prisão ou e chicotadas às mulheres que metam o nariz no telefone do marido.

A notícia não é totalmente clara quanto à graduação da aplicação daquelas penas, mas a moldura penal para as infratoras está determinada e vai desde a multa até à prisão com ou sem chicotadas.

Nada acontece ao marido que, sem consentimento, espreite o telefone das suas mulheres a não ser passar a ter conhecimento do conteúdo das comunicações, sendo que o pronome possessivo “suas” tem rigorosamente o seu valor semântico em toda a plenitude.

Depois de não poderem sair sozinhas, de não poderem conduzir automóveis, ficam agora sujeitas a estas penas se ousarem meter o nariz nos telemóveis do marido.

A Arábia Saudita de orientação sunita wahabita deixa o mundo estupefacto. Com efeito no Reino do petróleo metade da população vive em condições que em grande parte têm similitudes com as descritas por Montesquieu no seu livro ”Cartas Persas” publicado em 1721, isto é, num verdadeiro serralho.

Poderiam os costumes numa sociedade profundamente desigual continuarem a ser dominantes e na prática as mulheres serem severamente censuradas por acederem aos telefones do marido.

Mas as autoridades sauditas não se quiseram ficar por aí; quiseram impor à população feminina a submissão legal, e não apenas consuetudinária; as mulheres são uma espécie de ser de segunda categoria.

As mulheres através de lutas gigantescas conseguiram alcançar direitos e hoje lutam pela igualdade de facto com os homens, sendo que a lei em geral lhes reconhece os mesmos direitos.

Quando os governantes ocidentais em fila se deslocam à Arábia Saudita para lhe vender armas e tecnologia “esquecem” que ao pisarem aquela terra as mulheres são tratadas sem o mínimo de dignidade fruto de um regime absolutista. Se fosse na vizinha Síria ai-jesus quantas campanhas já tinham sido desencadeadas.

É revoltante que, face a violações tão brutais dos direitos humanos, impere este silêncio de chumbo no hemisfério ocidental sempre tão lesto a posicionar-se em relação aos direitos humanos nos países que não alinham na orientação dominante.

Na verdade a Arábia Saudita de cima dos seus petrodólares nas Bolsas de Nova Iorque, Londres, Berlim, Paris e Hong-Kong sabe o peso que tem e quer confrontar os seus aliados com essa situação publicando uma lei que envergonha os próprios aliados.

No fundo Riad passa ao mundo esta mensagem: ou estão comigo e com todas estas barbaridades ou não há petrodólares para ninguém.

O poder do dinheiro é tremendo, já se sabia. Mas exercer esse poder desta forma tão brutal é um novo desafio ao mundo.

À sexta em Riad os sabres cortam cabeças; diariamente as mulheres não saem sozinhas, não podem conduzir, não podem espreitar os telefones do marido sob pena de multa, cadeia e chicotadas…Em Raqqa, em Mossul, não deve ser muito diferente.

Nas cidades do Daesh há a escravatura sexual das minorias; na Arábia Saudita mulheres filipinas, indianas, paquistanesas ficam sem passaporte e penam a vida inteira.

Esta lei não é mais grave que outras acima referidas; é mais um passo na ignomínia de impedir que a maioria da população tenha os direitos que a minoria tem.

Aguarda-se que os muftis defensores desta enormidade apareçam a alegar que se as mulheres não conhecerem as infidelidades do marido serão mais felizes. Quem sabe? Houve os que defenderam que não deviam conduzir para não molestar os ovários…

Este é um poder de tipo absolutista, próprio dos regimes despóticos e brutais…por mais armas que comprem. Quem as vende e cala, alinha.

domingos lopes

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