AS VIRTUDES E OS VÍCIOS NO REINO SAUDITA

 

Na Arábia Saudita a sharia tem no “Comité para a Prevenção da Virtude e a Prevenção do Vicio” composto pela polícia religiosa, os muttawin, um fortíssimo braço protetor.

O conselho de Ministros da Arábia Saudita retirou (é o que relata a imprensa) àqueles virtuosos o poder de deter e interrogar os criminosos infratores e atribuiu essas funções à polícia e às unidades de combate à droga.

Os muttawin continuam vigilantes, ativos e quando se trata de deter e interrogar encarregam outras polícias.

A notícia surge com um avanço liberalizador da ditadura mais absolutista do Golfo.

Porém vale a pena pensar no embuste. Os muttawin continuam a policiar? Continuam.

Só que a detenção de pessoas infratoras passa para outros “promotores das virtudes”- a polícia, incluindo a do combate ao tráfico de droga.

E que virtudes promovem todos estes virtuosos? Impedem as mulheres de andar na rua sem um homem que as guarde, de conduzirem, de não taparem integralmente o rosto. Isto no que se refere aos anjos da guarda das mulheres.

Impedem os homens de conduzir automóveis com o rádio ligado com o som alto, homens e mulheres de se tocarem, de quem quer que seja de deter ou beber bebidas alcoólicas, e de possuir ou vender produtos não islâmicos.

De acordo com a nova versão quem for denunciado é entregue à polícia ou à unidade de droga. Está-se mesmo a ver o avanço que esta lei representa. Em Portugal nos últimos anos do fascismo deixar de haver PIDE, passou a ser DGS, mas o eixo da atuação era o mesmo.

O adultério entre a população é condenado com a pena de morte, assim como o tráfico de droga.

A família real não entra nestas contas e podem fazer o que lhes der na veneta. Está acima da lei.

Os homens e sobretudo as sauditas continuarão, num dos reinos mais obscuros do planeta, a sujeitar-se as mais brutais iniquidades.

Porém serão detidos e interrogados pelas polícias civis; a polícia religiosa indicará os suspeitos criminosos. Sim, denunciarão toda e qualquer mulher que decida ir ao supermercado sem o seu anjo da guarda masculino; toda e qualquer mulher que conduza; toda e qualquer mulher que não tenha a cara tapada; todo e qualquer cidadão que não feche o estabelecimento comercial à hora das orações.

Os sauditas nunca estão sozinhos. Têm sempre homens a vigiá-los. E a obrigá-los a vigiar as suas mulheres e filhas de modo a que sejam amputadas da liberdade de circulação, de expressão, de se vestirem como queiram, amputados da sua integridade física e moral, isto é, de grande parte da sua alma.

Os promotores das Virtudes especializaram-se em roubar a alma às mulheres sauditas, aniquilando aos homens a possibilidade de desfrutarem de um relacionamento igualitário e de verdadeira comunhão de afetos, isto é, de um autêntico amor. Que importa quem detém e interroga? O que importa é que a mais simples das liberdades (de circular, de se exprimir, de se ser como se é) não existe em reino tão virtuoso e sem vícios.

domingos lopes

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