O QUE É PORTUGAL? OU JÁ NEM É? EPISÓDIO II

A entrada no euro significou uma perda substantiva da soberania portuguesa. Mas uma perda significativa da soberania não implica a perda da soberania. E muito menos que as diversas instituições portuguesas ajam obedecendo aos ditames de Bruxelas, escondendo às autoridades governamentais decisões da mais alta importância para a vida dos seus cidadãos.

É aceitável que, invocando um dever de silêncio e escudando-se nele, o governador do Banco de Portugal, não informasse o governo português acerca da proposta de venda do BANIF que ele próprio engendrou?

Pode um governador do Banco de Portugal ocupar esse alto posto da Administração servindo os banqueiros do BCE, desprezando os interesses de Portugal passando a funcionar como pertencendo a um clube dos donos das finanças dos países mais frágeis do ponto de vista económico?

O governador do BdP é nomeado pelo governo português, o que significa que a sua fonte de legitimidade radica na posse que o governo lhe conferiu.

Uma decisão que implique para os portugueses uma perda de milhares de milhões de euros e a transferência a preço da uva mijona de mais um banco para os banqueiros espanhóis tem uma importância nacional indiscutível; um governador do BdP não pode ser um escudo do BCE contra o governo que o nomeou. Se estas são as regras uma conclusão se impõe: não servem.

A admitir-se este comportamento de qualquer governador do Banco de Portugal só resta ao governo em Lisboa assinar de cruz o que o BCE ditar diretamente ou indiretamente via BdP.

Neste quadro institucional pode haver uma União em que entre os seus membros uns imponham aos outros as suas regras e não aceitem que as aspirações democráticas de uma nação sejam tidas em conta?

A maioria do povo português votou contra a austeridade e essa maioria deu corpo a um governo; pode Bruxelas por via do BCE e BdP impor o que o povo rejeitou?

Pode haver uma União na qual alguns países estejam condenados por terceiros a viver uma vida indigna sempre sob o jugo das reformas estruturais intermináveis e salários de miséria que os países ricos rejeitam para os seus nacionais?

Se Portugal nunca teve salários a nível dos países europeus e se encontra na situação em que está, como é possível continuar a defender que o caminho é o da austeridade e empobrecimento?

Serão os tecnocratas pagos a peso de ouro os defensores dos interesses portugueses? Podem os portugueses confiar neles? Têm essas senhoras e esses senhores empenho no desenvolvimento e crescimento de Portugal ou pretendem metê-lo nos “eixos” custe o que custar para depois terem garantias que Portugal é atrativo para os seus negócios?

Que futuro está destinado à velhíssima pátria lusitana? Morrer às mãos frias da austeridade  imposta pelo império alemão?

domingos lopes

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